AMOR |
1 - HÁ UMA GRADAÇÃO DO AMOR, NO SEIO DAS MANIFESTAÇÕES DA NATUREZA VISÍVEL E INVISÍVEL?
RESP.:
Sem dúvida, essa gradação existiu em todos os tempos, como
gradativa é a posição de todos os seres na escala infinita
do progresso. O amor é a lei própria da vida e, sob o seu domínio
sagrado, todas as criaturas e todas as coisas se reúnem ao Criador, dentro
do plano grandioso da unidade universal.
Desde as manifestações mais humildes dos reinos inferiores da
Natureza, observamos a exteriorização do amor em sua feição
divina. Na poeira cósmica, síntese da vida, temos as atrações
magnéticas profundas; nos corpos simples, vemos as chamadas "precipitações"
da química; nos reinos mineral e vegetal verificamos o problema das combinações
indispensáveis. Nas expressões da vida animal observamos o amor
em tudo, em gradações infinitas, da violência à ternura,
nas manifestações do irracional.
No caminho dos homens é ainda o amor que preside a todas as atividades
da existência em família e em sociedade. Reconhecida a sua luz
divina em todos os ambientes, observaremos a união dos seres como um
ponto sagrado de referência dessa lei única que dirige o Universo.
Das expressões de sexualidade, o amor caminha para o supersexualismo,
marchando sempre para a sublimadas emoções da espiritualidade
pura, pela renúncia e pelo trabalho santificantes, até alcançar
o amor divino, atributo dos seres angélicos, que se edificaram para união
com Deus, na execução de seus sagrados desígnios no Universo.
2 - OS ESPÍRITOS EVOLUTIVOS, PELO FATO DE DEIXAREM ALGUM SER AMADO NA TERRA, FICAM LIGADOS AO PLANETA PELOS LAÇOS DA SAUDADE?
RESP.:
Os Espíritos superiores não ficam propriamente ligados ao orbe
terreno, mas não perdem o interesse afetivo pelos seres amados que deixaram
no mundo, pelos quais trabalham com ardor, impulsionando-os na estrada das lutas
redentoras, em busca das culminâncias da perfeição.
A saudade, nessas almas santificadas e puras, é muito mais sublime e
mais forte, por nascer de uma sensibilidade superior, salientando-se que, convertida
num interesse divino, opera as grandes abnegações do Céu,
que seguem os passos vacilantes do Espírito encarnado, através
de sua peregrinação expiatória ou redentora na face da
Terra.
3 - O "AMOR AO PRÓXIMO" DEVE SER LEVADO ATÉ MESMO À SUJEIÇÃO, ÀS OUSADIAS E BRUTALIDADES DAS CRIATURAS MENOS EDUCADAS NA LIÇÃO EVANGÉLICA, SENDO QUE O OFENDIDO DEVE TOLERÁ-LAS HUMILDEMENTE, SEM O DIREITO DE ESCLARECÊ-LAS, RELATIVAMENTE AOS SEUS ERROS?
RESP.:
O amor ao próximo inclui o esclarecimento fraterno, a todo tempo em que
se faça útil e necessário. A sujeição passiva
ao atrevimento ou à grosseria pode dilatar os processos da força
e da agressividade; mas, ao receber as suas manifestações, saiba
o crente pulverizá-las com o máximo de serenidade e bom senso,
a fim de que sejam exterminadas em sua fonte de origem, sem possibilidades de
renovação.
Esclarecer é também amar. Toda questão reside em bem sabermos
explicar, sem expressões de personalismo prejudicial, ainda que com a
maior contribuição de energia, para que o erro ou o desvio do
bem não prevaleça.
Quanto aos processos de esclarecimento, devem eles dispensar, em qualquer tempo
e situação, o concurso da força física, sendo justo
que demonstrem as nuanças de energia, requeridas pelas circunstâncias,
variando, desse modo, de conformidade com os acontecimentos e com fundamento
invariável no bem geral.
4 - O PRECEITO EVANGÉLICO: "SE ALGUÉM TE BATER NUMA FACE, APRESENTA-LHE A OUTRA" - DEVE SER OBSERVADO PELO CRISTÃO, MESMO QUANDO SEJA VÍTIMA DE AGRESSÃO CORPORAL NÃO PROVOCADA?
RESP.:
O homem terrestre, com as suas taras seculares, tem inventado numerosos recursos
humanos para justificar a chamada "legítima defesa", mas a
realidade é que toda a defesa da criatura está em Deus. Somos
de parecer que, agindo o homem com a chave da fraternidade cristã, pode-se
extinguir o fermento da agressão, com a luz do bem e da serenidade moral.
Acreditando, contudo, no fracasso de todas as tentativas pacíficas, o
cristão sincero, na sua feição individual, nunca deverá
cair ao nível do agressor, sabendo estabelecer, em todas as circunstâncias,
a diferença entre os seus valores morais e os instintos animalizados
da violência física.
5 - NAS LUTAS DA VIDA, COMO LEVAR A FRATERNIDADE EVANGÉLICA ÀQUELES QUE MAIS ESTIMAMOS, SE, POR VEZES, NOSSO ESFORÇO PODE SER MAL INTERPRETADO, CONDUZINDO-NOS A SITUAÇÕES MAIS PENOSAS?
RESP.: De conformidade com os desígnios evangélicos, compete-nos esclarecer os nossos semelhantes com amor fraternal, em todas as circunstâncias desagradáveis da existência, como desejaríamos ser assistidos, irmãmente, em situação idêntica dos que se encontram sem tranquilidade; mas, se o atrito dos instintos animalizados prevalece naqueles a quem mais desejamos serenidade e paz, convém deixar-lhes as energias, depois de nossos esforços supremos em trabalho de purificação, na violência que escolheram, até que possam experimentar a serenidade mental imprescindível para se beneficiarem com as manifestações afetuosas do amor e da verdade.
6 - A TERRA É ESCOLA DE FRATERNIDADE, OU PENITENCIÁRIA DE REGENERAÇÃO?
RESP.:
A Terra deve ser considerada escola de fraternidade para o aperfeiçoamento
e regeneração dos Espíritos encarnados. As almas que aí
se encontram em tarefas purificadoras, muitas vezes colimam o resgate de dívidas
assaz penosas. Daí o motivo de a maioria encontrar sabor amargo nos trabalhos
do mundo, que se lhes afigura rude penintenciária, cheia de gemidos e
de aflições.
A verdade incontestável é que os aspectos divinos da Natureza
serão sempr magníficos e luminosos; porém, cada espírito
os verá pelo prisma do seu coração. Mas, na dor como na
alegria, no trabalho feliz como na experiência escabrosa, todas as criaturas
deverão considerar a reencarnação um processo de sublime
aprendizado fraternal, concedido por Deus de sublime aprendizado fraternal,
concedido por Deus aos seus filhos, no caminho do progresso e da redenção.
7 - ONDE A CAUSA DA INDIFERENÇA DOS HOMENS PELA FRATERNIDADE SINCERA, OBSERVANDO-SE QUE HÁ GERALMENTE EM TODOS GRANDE ENTUSIASMO PELA HEGEMONIA MATERIAL DE SEUS GRUPOS, SUAS CIDADES, CLUBES E AGREMIAÇÕES ONDE SE VERIFIQUE A EVIDÊNCIA PESSOAL?
RESP.:
É que as criaturas, de um modo geral, ainda têm muito da tribo,
encontrando-se encarceradas nos instintos propriamente humanos, na luta das
posições e das aquisições, dentro de um egoísmo
quase feroz, como se guardassem consigo, indefinidamente, as heranças
da vida animal.
Todavia, é preciso recordar que, após a eclosão desses
entusiasmos, há sempre o gosto amargo da inutilidade no íntimo
dos espíritos desiludidos da precária hegemonia do mundo, instante
esse em que a alma experimenta a dilatação de suas tendências
profundas para o "mais alto". Nessa hora, a fraternidade conquista
uma nova expressão no íntimo da criatura, a fim de que o Espírito
possa alçar o grande vôo para os mais gloriosos destinos.
8 - FRATERNIDADE E IGUALDADE PODEM, NA TERRA, MERECER UM SÓ CONCEITO?
RESP.: Já observamos que o conceito igualitário absoluto é impossível no mundo, dada a heterogeneidade das tendências, sentimentos e posições evolutivas no círculo da individualidade. A fraternidade, porém, é a lei da assistência mútua e da solidariedade comum, sem a qual todo progresso, no planeta, seria praticamente impossível.
9 - PODE A FRATERNIDADE MANIFESTAR-SE SEM A ABNEGAÇÃO?
RESP.: Fraternidade pode traduzir-se por cooperação sincera e legítima, em todos os trabalhos da vida, e, em toda cooperação verdadeira, o personalismo não pode subsistir, salientando-se que quem coopera cede sempre alguma coisa de si mesmo, dando o testemunho de abnegação, sem a qual fraternidade não se manifestaria no mundo, de modo algum.
10 - COMO ENTENDER O "AMOR A NÓS MESMOS", SEGUNDO A FÓRMULA DO EVANGELHO?
RESP.:
O amor a nós mesmos deve ser interpretado como a necessidade de oração
e de vigilância, que todos os homens são obrigados a observar.
Amar a nós mesmos não será a vulgarização
de uma nova teoria de auto-adoração. Para nós outros, a
egolatria já teve o seu fim, porque o nosso problema é de iluminação
íntima, na marcha para Deus.
Esse amor, portanto, deve traduzir-se em esforço próprio, em auto-educação,
em observação do dever, em obediência às leis de
realização e de trabalho, em perseverança na fé,
em desejo sincero de aprender com o único Mestre, que é Jesus-Cristo.
Quem se ilumina, cumpre a missão da luz sobre a Terra. E a luz não
necessita de outros processos para revelar a verdade, senão o de irradiar
espontaneamente o tesouro de si mesma.
Necessitamos encarar essa nova fórmula de amor a nós mesmos, conscientes
de que todo bem conseguido por nós, em proveito do próximo, não
é senão o bem de nossa própria alma, em virtude da realidade
de uma só lei, que é a do amor, e um só dispensador dos
bens, que é Deus.