CÉU,
INFERNO E PURGATÓRIO |
1
- Os antigos situavam a Terra como a parte central de céus concêntricos
que constituíam a Vida Eterna. Falava-se em "sétimo céu
" como o estágio mais alto. É mais ou menos isso?
RESP.: Embora as fantasias de que se revestiam suas concepções
teológicas, os antigos intuíam essa realidade, hoje demonstrada
pela Doutrina Espírita. Desdobra-se o plano espiritual em vários
planos, lembrando as camadas de uma cebola.
2 - Onde fica o primeiro plano?
RESP.: Na crosta. Aqui permanecem os Espíritos recém-desencarnados
ainda vinculados aos interesses humanos, não raro inconscientes de sua
nova situação, a se imiscuírem em nossa existência.
3
- A crosta terrestre, como sabemos, está longe de ser um céu,
no sentido teológico. Está mais para inferno. E os demais planos?
RESP.: Nos livros da série Nosso Lar, psicografia de Francisco Cândido
Xavier, o Espírito André Luiz situa as regiões adjacentes
como regiões umbralinas, habitadas por Espíritos atormentados,
às voltas com desajustes e sofrimentos decorrentes de seus desvios, durante
a jornada humana. Estagiam ali, precariamente, até que possam retornar
ao cadinho purificador da reencarnação.
4 - E os planos mais altos?
RES.: São habitados por Espíritos depurados, que já superaram
impulsos egoísticos que caracterizam a Humanidade, conscientes de suas
responsabilidades perante o Criador.
5 - Todos chegaremos aos estágios mais altos?
RESP.: Chegaremos e os transcenderemos, rumo aos mundos divinos, atendendo à
dinâmica da evolução. Situemos essa jornada como uma escada
que nos conduz à perfeição. Vamos galgando novos degraus,
subindo sempre, na medida de nosso esforço e de nossas experiências.
6 - Os antigos concebiam que as almas virtuosas viveriam
em contemplação eterna, no seio de Deus. Como é a concepção
espírita?
RESP.: Diz Jesus (João, 5:17): Meu desde sempre, e eu também.
O Mestre deixa claro que o trabalho é lei universal. Inconcebível,
cansativo, tedioso e desajustante, um perene não fazer nada. Trabalho,
para Espíritos superiores é sinônimo de bem-aventurança.
7 - E no que consiste o trabalho dos Espíritos
puros e perfeitos, que atingiram o ápice da evolução?
Tornam-se prepostos de Deus, participantes da obra divina, integrados nos ritmos
da harmonia universal. Lembrando, ainda, Jesus, diz ele, citando o profeta Oséias
(João, 10:34): Sois deuses.
8 - O Espírito puro e perfeito iguala-se a Deus?
Obviamente, não. Deus é o Eterno, o Onipotente, o Onisciente.
Por mais cresçamos em conhecimento, virtude e poderes, estaremos
sempre nos domínios do relativo, diante do Absoluto, diante do Criador.
9
- O Espiritismo admite a existência do inferno?
RESP.: Não como um local geográfico. Trata-se de um estado de
consciência. Jesus dizia que o Reino de Deus está dentro de nós.
O inferno também. Depende do que fazemos e pensamos. Não obstante,
se reunirmos vários Espíritos atormentados pela consequência
de suas ações, onde estiverem será um inferno.
10 - E quanto aos tormentos de fogo, as almas perenemente
devoradas pelas chamas, sem se consumirem?
RESP.:
Trata-se de uma interpretação ao pé da letra, envolvendo
textos evangélicos. Jesus referia-se ao fogo para representar os sofrimentos
morais das almas comprometidas com o mal, ao retornarem à vida espiritual.
Nos círculos mais esclarecidos, em vários segmentos do Cristianismo,
não há nenhuma dúvida de que estamos diante de um simbolismo.
11 - Os antigos situavam o inferno no interior da Terra.
Há Espíritos por lá?
RESP.: Os mentores espirituais falam de regiões abismais, habitadas por
seres atormentados, em face dos crimes cometidos durante a existência.
Suas penas, entretanto, não têm o caráter de perenidade.
Ali permanecem como doentes em tratamento de choque para que se lhes desperte
a consciência, habilitando-os à renovação.
12 - Seria uma espécie de purgatório?
RESP.: Sim. E uma idéia mais compatível com a Doutrina Espírita
e com a Justiça Divina. A própria Terra, considerada planeta de
provas e expiações, habitado por Espíritos orientados pelo
egoísmo, é um purgatório. Aqui, dores e dissabores desbastam
nossas imperfeições mais grosseiras.
13 - Esses sofrimentos são impostos pela justiça
divina?
RESP.:
São impostos por nossa própria consciência. Fomos programados
para o Bem. O exercício do mal é uma agressão que fazemos
a nós mesmos. A partir daí, onde estivermos levaremos o nosso
purgatório, até que nos ajustemos às leis divinas.
14 - Funciona o arrependimento?
RESP.: Na Terra ou no Além, o arrependimento, a consciência dos
males que praticamos, aquele cair em si, a que se refere Jesus na Parábola
do Filho Pródigo, é o primeiro passo para que o Espírito
deixe o purgatório.
15 - Por que o primeiro passo? Não é isso
Que Deus espera de nós?
RESP.: O arrependimento é uma abençoada mudança de rumo
nos descaminhos em que nos envolvemos, mas há que se retornar à
estrada principal. Isso demanda esforço de renovação, reparação
dos prejuízos causados ao próximo. Ainda na parábola, o
exemplo perfeito. Após cair em si, o filho pródigo teve longa
jornada pela frente, no retorno à casa paterna.
16 - Digamos que o Espírito em tormentos purgatoriais, caindo em si, reconheça-se tão miserável, tão comprometido, em face dos males praticados, que não se sinta merecedor da misericórdia divina. Não estaria justificado o tormento eterno, não por imposição de Deus, mas por imperativo de sua própria consciência?
RESP.:
Seria a negação da Onipotência Divina. Deus, o Senhor Supremo
do Universo, que nos criou para a perfeição, revelaria lamentável
incompetência, se não conseguisse demover um filho da louca idéia
de submeter-se a injustificável sofrimento perene, sem cogitar da própria
redenção. Ouvi, certa feita, um sacerdote admitir que o inferno
irremessível era para ele apenas uma hipótese. Não acreditava
que alguém estivesse lá.