COMPANHEIRO |
Não
te admites réu de afrontosa sentença, |
Largado
de hora em hora à sombra em que te esmagas, |
Varando
tanta vez humilhações e pragas |
À
feição de calhaus da humana indiferença. |
. |
Crueldade,
paixão, injúria, crime ofensa |
Criaram-nos,
um dia, a estamenha de chagas !... |
No
pretérito abriste o espinheiro em que vagas |
E,
embora a provação, trabalha, serve e pensa. |
. |
Ânsia,
tribulação, abondono, amargura, |
São
recursos da lei com que a lei nos depura |
O
coração trancado em nódoas escondidas... |
. |
Bendizes,
amado irmão, as feridas que levas, |
A
dor extingue o mal e o pranto lava as trevas |
Que
trazemos em nós dos erros de outras vidas. |
. |
Herculano
Pires |