MÃE |
No
mundo, a que ainda me apego |
Mãe
por dentro é um anjo em regra, |
Por
luminosos cadilhos, |
Conquanto
mulher por fora, |
Toda
mãe é um anjo cego |
Que
chora quando se alegra, |
Com
respeito aos próprios filhos. |
Que
se alegra quando chora. |
.. |
|
Irene
de S.Pinto |
José
Albano |
| .. | |
Ser
mãe - nos temas do amor - |
Maternidade
- veleiro |
Ter
tudo quanto é preciso... |
De
júbilos a contento |
Trazer
um mundo de dor |
Navegando
o dia inteiro |
Nas
luzes de um paraíso... |
No
rio do sofrimento. |
.. |
|
Marcelo
Gama |
Ulisses
Bezerra |
.. |
|
Mãezinha,
como louvar-te? |
Dentre
as palavras pequenas, |
Tenho
em prece o peito mudo... |
Diz
o lar que Deus encerra |
O
que eu fale nada expressa, |
Em
três letrinhas apenas |
Tua
lágrima diz tudo. |
o
reino maior da Terra. |
.. |
|
Meimei |
Targélia
Barreto |
.. |
|
Mãe
é uma estrela, no todo, |
Mãe
morta? como esquecê-la? |
Que,
às vezes, de déu em déu, |
O
amor remove empecilhos. |
Desce
mais baixo que o lodo, |
Mãe
que morre, faz-se estrela |
Cumprindo
votos do Céu. |
Na
caminhada dos filhos. |
.. |
|
José
Albano |
Celeste
Jaguaribe |
.. |
|
Mundos
eleitos transponho. |
Ser
mãe - ser luz nos caminhos |
De
repente, eis-me a lembrar |
Do
mais nobre aos mais plebeus... |
Minha
mãe, meu lar, meu sonho, |
Toda
mãe tem seu destino |
Com
vontade de chorar!... |
Guardado
no amor de Deus. |
.. |
|
Da
costa e Silva |
Ormando
C. Irmão |
.. |
|
Coração
de mãe, no fundo, |
Doce
lar!... Hoje não sei |
Tem
signo de sofrer, |
Onde
a saudade é mais forte, |
Deus
o criou neste mundo |
Se
no antigo lar da Terra, |
Para
amar até morrer... |
Se
no lar, além da morte. |
.. |
|
Julinda
Alvim |
Juvenal
Galeno |
.. |
|
Ao
filho que a navalhara, |
Mãezinha,
não sei ao certo |
Disse
a mãe, morrendo ao chão: |
Onde
a ausência dói mais fundo, |
-Deus
te abençoe para sempre, |
Se
na paz do firmamento, |
Filho
do meu coração !... |
Se
na dor que envolve o mundo. |
.. |
|
Chiquito
de Moraes |
Rubens
de Sá |
| .. | |
Não
sei de amor tão perfeito |
Toda
mulher é uma estrela |
Que
esta divina ternura |
Se
traz, seja linda ou não, |
Que
as mães carregam no peito |
A
palma do sacrifício |
E
guardam na sepultura. |
Na
palma de sua mão. |
.. |
|
Vida |
Irene
S. Pinto |
| .. | |
Mãe,
abençoa teu filho, |
Eis
o quadro mais perfeito |
Mesmo
ingrato, rude e vão. |
Que
já vi do desconforto: |
A
luz nunca perde o brilho |
Mãe
transportando no peito |
Por
derramar-se no chão. |
A
mágoa de um filho morto. |
.. |
|
Rita.B.de
Melo |
Maria
Celeste |
| .. | |
Ama,
filhinha, entretanto |
Mãe
que partiu!... Podes vê-la |
Sofre
a dor que o lar te der |
Na
fé que te reconforta. |
É
toda feita de pranto |
Toda
mãe é como estrela |
A
glória de ser mulher. |
Que
brilha depois de morta. |
.. |
|
Vida |
Celeste
Jaguaribe |
| .. | |
Minha
mãe - não te defino, |
Mulher
caída na estrada!... |
Por
mais rebusque o abc... |
Não
grites condenação. |
Escrava
pelo destino, |
A
chuva desce do céu |
Rainha
que ninguém vê. |
E
faz-se vida no chão. |
.. |
|
Meimei |
Ricardo
Júnior |
| .. | |
Leite
materno! Óleo santo!... |
Mãe
que lutas, cada hora, |
Afirma-se
que ele veio |
Da
imensa dor que te arrasta, |
Do
sangue que se fêz pranto |
A
Terra tudo ignora, |
No
filtro de amor do seio. |
Mas
Deus sabe e é quanto basta. |
.. |
|
Vivita
Cartier |
Rita
B.de Melo |
| .. | |
Ninguém
ofenda a mulher |
O
mundo será feliz |
Nem
mesmo por intenção. |
Quando
a mulher, sem receio, |
Dizem
que Deus põe os olhos |
Abrir
a porta da casa |
Onde
a mulher põe a mão. |
Aos
órfãos do lar alheio. |
.. |
|
Martins
Coelho |
Irene
S.Pinto |
| .. | |
Mãe
entregue à sepultura |
Mãe
que se abraça ao filhinho |
Vence
trevas e empecilhos, |
Tem
tanta luz nos seus traços, |
Para
ser paz e brandura |
Que
lembra a aurora em caminho, |
À
cabeceira dos filhos. |
Trazendo
o Sol entre os braços. |
.. |
|
Celeste
Jaguaribe |
Maria
Celeste |
| .. | |
Mãe,
quando a noite afervora |
Devemos
interpretar |
A
tua oração no lar, |
Toda
mulher ao relento |
Teu
filho morto, lá fora, |
Como
sendo nossa mãe |
É
a brisa querendo entrar. |
Vagando
no sofrimento. |
.. |
|
Meimei |
Vivita
Cartier |
| .. | |
Mãe
que chora sobre a campa - |
A
mulher mata o marido, |
Luz
que rompe o Grande Véu, |
Em
crime escuro e perfeito. |
Flor
prisioneira do mundo, |
Mais
tarde... ei-lo renascido |
Lançando
perfume ao Céu. |
Por
filho, em seu próprio leito. |
.. |
|
Rubens
de Sá |
Americo
Falcão |
| .. | |
Mulher,
depois de nascida, |
Ser
mãe - amor que alumia, |
Segundo
a glória do bem, |
Na
Terra cheia de escolhos - |
Deve
sofrer toda a vida |
É
caminhar, noite e dia, |
Ou
ser a vida de alguém. |
Com
duas fontes nos olhos. |
.. |
|
Julinda
Alvim |
Godofredo
Viana |
| . | |
Mãe
feliz, aguça o ouvido |
Mãe
distante eternamente?!... |
Ante
os que vão sem ninguém... |
Isso
nunca sucedeu. |
Cada
pequeno esquecido |
Toda
mãe está presente |
É
teu filhinho também. |
Nos
filhos que Deus lhe deu. |
.. |
|
Rita
B.de Melo |
Celeste
Jaguaribe |
| . | |
Ser
mãe - amor vivo e brando - |
Mãezinha
- planta celeste, |
É
ser fonte de alegria |
Anjo
que chora sorrindo -, |
A
desgastar-se, cantando, |
Teu
filho é a flor que puseste |
Nas
pedras de cada dia. |
No
ramo de um sonho lindo. |
.. |
|
Maria
Celeste |
Meimei |
| . | |
Mãe
triste que luta e chora, |
Ser
mãe!... Que golpes extremos |
As
suas lágrimas são |
Nas
trilhas por onde vamos!... |
As
pérolas cor da aurora |
Dor
dos filhos que perdemos, |
Na
concha do coração. |
Dor
dos filhos que deixamos! |
.. |
|
Antonieta
Saldanha |
Celeste
Jaguaribe |
| . | |
Que
longa a saudade minha! |
"Dorme,
dorme, meu filhinho!" |
Quanta
falta de teus zelos |
Nessa
cantiga de luz, |
Beija
o meu rosto, mãezinha, |
A
Terra segue caminho |
Põe
as mãos nos meus cabelos!... |
Na
direção de Jesus. |
.. |
|
Meimei |
Antonieta
Saldanha |
| . | |
MÃE O
mundo chorava sob as trevas... Quem,
contudo, receberia semelhante dom? Demoravam-se
os lares entre a sombra e a aflição Desde
esse dia, Dalva de Assis
|
CARTA
À MINHA MÃE |
És,
minha Mãe, a estrela da lembrança, |
Brilhas
na dor que a saudade produz |
Ditavas-me
as lições do Herói da Cruz, |
Mas
tudo recusei... Pedi mudança... |
Ouro
e poder!... Não há nada que os vença!... |
A
febre da ambição ninguém traduz... |
Ninguém
sabe os caminhos que transpus |
Para
formar minha fortuna imensa... |
Tudo
a morte varreu, em ações frias; |
Quero
contar-te a mágoa de meus dias, |
Falar-te
sobre a angústia dos meus ais !... |
Quero
rever-te !... Agora ou no futuro? |
Vem
afastar-me do meu canto escuro, |
Onde
a saudade existe e nada mais !... |
Antonio
Vieira |
TERNURA
MATERNAL |
I |
As
paredes da casa em vão procuro, |
Quero
dizer adeus e não consigo... |
Vejo
apenas o vulto amargo e amigo |
Da
morte que me estende o manto escuro. |
.. |
Choro
a estirar-me, trêmulo e inseguro, |
O
leito ensaia a pedra do jazigo... |
Padeço,
clamo e indago a sós comigo, |
Qual
pássaro que tomba contra um muro. |
.. |
A
névoa espessa enreda o corpo langue, |
É
o terrível crepúsculo do sangue |
Que
me tinge de sombra os olhos baços; |
.. |
Mas
surge alguém, no caos que me entontece, |
É
minha mãe, que alonga as mãos em prece, |
Doce
estrela brilhando entre meus braços !... |
II |
Ave
que torna, em chaga, ao brando ninho, |
Ouço
divina música na sala, |
É
a sua voz celeste que me embala, |
Motes
do lar que tornam de mansinho. |
.. |
Ergo-me
agora... O corpo é o pelourinho |
De
que me desvencilho por beijá-la... |
-"Mãe!
Minha mãe !..." - suspiro, erguendo a fala, |
A
soluçar de júbilo e carinho. |
.. |
-"Dorme,
filho querido! Dorme e sonha!..." |
Nossa
velha canção terna e risonha |
Regressa
com beleza indefinida... |
.. |
Tomo-lhe
os braços em que me acrisolo |
E
durmo novamente no seu colo |
Para
acordar no berço de outra vida. |
.. |
Carlos
D. Fernandes |
VERSOS
A MINHA MÃE |
.. |
Pássaro
preso no recinto escasso |
Do
velho canavial, beirando o rio |
Quis
ver o mundo vasto e conheci-o |
Varando,
em pleno vôo, o azul do espaço. |
... |
Lembro-me
agora... Encenguecido, abraço |
A
exaltação, a glória e o poderio |
Mas
tudo, minha mãe, era vazio |
Fora
do amor que brilha em teu regaçõ. |
... |
Vi
mil chagas de dor que a fama incesa |
Nos
nervos de ouro da cidade imensa, |
E
prazeres, em trágico desmando... |
... |
Mas
no colo a que, em sonho, me recostas |
Tenho
apenas teu vulto de mãos postas, |
Que
teu filho recorda, soluçando... |
. |
Da
Costa e Silva |
CONFIDÊNCIA
DE MÃE |
Dei-te
um berço de rendas e de flores |
Adorei-te
por nume excelso e amigo |
E
inclinei-te, meu filho, a ser comigo |
Soberano
dos sonhos tentadores. |
.. |
Ordenava
no orgulho que maldigo: |
-"Não
te curves nem sirvas, aonde fores..." |
Entreguei-te
mentiras por louvores |
E
enganosa fortuna por abrigo. |
.. |
Hoje,
de alma surpresa, torno a casa! |
Tremo
ao ver-te no luxo que te arrasa |
Como
quem dorme em trágico veneno! |
.. |
E
choro, filho meu, choro vencida |
Por
guardar-te entre os grandes toda a vida |
Sem
jamais ensinar-te a ser pequeno. |
Andradina
de Oliveira |
TROVAS
DE MÃE |
|
. |
|
Dia
das Mães!... Alegrias |
O
nosso berço no mundo, |
Das
mais puras, das mais belas!... |
Sem
que ninguém o defina |
Mas
é preciso saber |
É
um segredo entre a mulher |
O
dia que não é delas. |
E
a Providência Divina. |
. |
|
Mãe
possui onde apareça |
Mulher
quando se faz mãe, |
Dois títulos a contento: |
Seja
ela de onde for, |
Escrava
do sacrifício |
Por
fora, é sempre mulher, |
Rainha
do sofrimento. |
Por
dentro, é um anjo de amor. |
. |
|
Maternidade
na vida, |
Coração
de mãe parece, |
Que
o saiba quem não souber, |
No
lar em que se aprimora, |
É
uma luz que Deus acende |
Padecimento
que ri, |
No
coração da mulher. |
Felicidade
que chora. |
.. |
|
Pela
escritura que trago, |
Quantas
mães lembram roseira ! |
Na
história dos sonhos meus, |
Quantos
filhos rosas são!... |
Mãe
é uma estrela formada |
Quanta
rosa junto à festa! |
De
uma esperança de Deus. |
Quanta
roseira no chão !... |
. |
|
Delfina
B. da Cunha |
|
PROVAÇÃO
MATERNA |
Gritava
a nobre anciã, em rede morna e langue: |
-Bate,
meu filho...Zurze o chicote a preceito!... |
Um
servo é igual ao boi que nasceu para o eito... |
E
o filho, Dom Muniz, deixava o servo em sangue. |
.. |
Dos
salões da fazenda ao derradeiro mangue, |
Esculpira
a fidalga um carrasco perfeito. |
Mas
vem a morte, um dia, e leva o filho eleito, |
A
matrona pranteia e larga o corpo exangue... |
.. |
No
além, cai Dom Muniz em abismos de prova!... |
Aflita,
a pobre mãe pede a Deus vida nova, |
Quer
guardá-lo, outra vez, numa estrada sem brilho... |
.. |
Hoje,
mulher sem lar, definha a pouco e pouco, |
E,
aos duros repelões de um jovem cego e louco, |
Roga,
em pranto de amor: -Não me batas, meu filho!... |
Andradina
de Oliveira |
CONSELHO
MATERNO |
.. |
Ouve,
filhinho, |
Pelo
caminho |
Encontrarás |
Muita
criança |
Sem
esperança, |
Sem
luz, sem paz... |
.. |
Aves
pequenas, |
Guardam
apenas |
O
pranto e a dor |
Rolando
ao vento |
Do
sofrimento |
Esmagador. |
.. |
Passam
a sós, |
Erguendo
a voz, |
Pedindo
pão... |
Passam
em bando. |
Dilacerando |
O
coração. |
.. |
Ante
a tristeza |
Dessa
aspereza |
Desse
amargor, |
Filhinho
amigo, |
Dá-lhes
abrigo, |
Dá-lhes
amor... |
.. |
És
irmãozinho |
Do
pobrezinho |
Que
aflito vai... |
Nos
mesmos trilhos |
Nós
somos filhos |
Do
mesmo Pai. |
.. |
João
de Deus |
SANTA
MATERNIDADE |
.. |
Recordo,
castelã... O narciso trescala |
Do
teu colo a fulgir de jóias soberanas... |
Alguém
morre na festa... E, soberba, te ufanas |
Do
jovem que impeliste ao suicídio na sala. |
.. |
Tempos
correram, presto... Entre humildes choupanas. |
Trazes
agora ao peito um filhinho sem fala, |
Mutilado
ao nascer, flor que se despetala, |
No
trato de aflição da prova em que te fanas... |
.. |
Restauras,
padecente, a vítima de outrora, |
Ontem,
transviada e ré, hoje, mãe que ama e chora!... |
Salve
a reencarnação, passaporte ao futuro ! |
.. |
Mãe,
agradece a dor !.. No porvir que vem perto, |
Brilharás
como estrela, ante o filho liberto |
E
alcançarás, ditosa, o reino do amor puro !... |
.. |
Epiphanio
Leite |