MORTE |
A
morte para quem ama |
Olha
sempre o que produzes |
Não
tem mistério ou poder... |
Se
bem ou mal, luz ou treva, |
O
amor encontra na morte |
Que
a morte faz o retrato |
Um
novo modo de ser... |
Da
vida vida que a gente leva. |
.. |
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Fidelis
Alves |
Fidelis
Alves |
Toda
morte que a pessoa |
Ninguém
se acaba na morte, |
Não
pede, nem abrevia, |
Toda
morte é uma saída |
É
a bênção da liberdade |
Para
aquilo que se busca |
Na
aurora de novo dia. |
Nas
ânseias da própria vida. |
.. |
|
Fidelis
Alves |
Fidelis
Alves |
Para
quem trabalha e serve |
Quem
foge às lutas da vida |
Sem
desertar do caminho, |
Atira-se
ao desamparo; |
A
morte é a brisa da paz |
Em
qualquer parte do mundo, |
Chegando
devagarinho. |
Rebeldia
custa caro. |
.. |
|
Fideles
Alves |
Fidelis
Alves |
Morta
a lagarta? Qual nada !.... |
Morte,
luto, cinza e sombra... |
Inércia
não é o fim... |
Não
te aflijas !... Passarão... |
Transformou-se
em borboleta |
O
dia nasce de novo |
Ao
claro sol do jardim. |
Em
meio da escuridão. |
.. |
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Fidelis
Alves |
Fidelis
Alves |
Felicidade
no Além? |
De
que vejo após a morte, |
Têmo-la
aqui resumida: |
Que
mais me causa aflição, |
Só
há Céu depois da morte |
É
ouro na caixa forte |
No
amor que se deu à vida. |
E
pequeninos sem pão. |
.. |
|
Targélia
Barreto |
Juvenal
Galeno |
Por
mais que o mundo progrida, |
Palácios,
arranha céus, |
Vale
o antigo passaporte: |
Muitos
dos mais expressivos, |
Velha
campa - nova vida, |
São
custosos mausoléus |
Novo
berço - velha morte. |
Resguardando
morto-vivos. |
.. |
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Godofredo
Viana |
Benedito
C. Irmão |
| .. | |
Depois
da morte é que vi |
Quando
a morte exibe o aceno |
Quanto
luxo, quanta guerra, |
Da
verdade que se expande, |
Que
a vida guarda com jeito |
Há
muito grande pequeno, |
Em
sete palmos de terra!... |
Há
muito pequeno grande. |
.. |
|
José
Albano |
Antonio
Sales |
| .. | |
No
meu túmulo, reli: |
Como
Espírito, eu estudo |
-"Meu
amor, descansa em paz." |
A
minha morte passada, |
No
entanto, é junto de ti |
Se
por fora mudou tudo, |
Que
sempre me encontrarás. |
Por
dentro não mudei nada. |
.. |
|
Lauro
Pinheiro |
Batista
Cepelos |
| .. | |
Não
existe reconforto |
Na
Terra - abismo voraz, |
Que
valha o ameno transporte |
Velho
mar de luz e treva, |
De
rever um amigo morto |
O
berço - é a onda que traz |
No
instante de nossa morte... |
A
morte - é a onda que leva. |
.. |
|
Colombina |
Fócion
Caldas |
| .. | |
Na
morte todo usurário |
Na
Terra, a morte é um comboio, |
Tem
a pena em que se humilha: |
Passagens
todos já têm... |
Os
suplícios do inventário, |
O
que homem nenhum sabe |
Nos
tormentos da partilha. |
É
a hora certa do trem. |
.. |
|
Virgílio
Brandão |
Antonio
de Castro |
| .. | |
Sonhador
atormentado, |
"Na
morte, tudo se acaba" - |
Sobre
a Terra, mal sabia: |
Exclama
a boca do povo. |
O
homem é um mascarado |
Ah!
que mentira!... Na morte, |
Que
a morte revela um dia. |
A
vida luta de novo. |
.. |
|
José
Bartolota |
José
Albano |
| .. | |
Morte!...
Vida além do mundo!... |
Navegante
de outros portos, |
Nada
posso revelar. |
Sei,
agora, em meus arquivos: |
Onda
que canta na areia |
Os
vivos são vivos-mortos, |
Não
mostra o fundo do mar. |
Os
mortos são mortos-vivos. |
.. |
|
Helvino
de Morais |
Raul
Pederneiras |
| . | |
Há
dois enganos na Terra |
Quando
a morte varre a treva, |
Que
é preciso assinalar: |
Aquele
que muito amou |
Descansar
para morrer, |
Tem
a saudade que leva |
Morrer
para descansar. |
E
o pesar de quem ficou. |
.. |
|
Martins
Coelho |
Maciel
Monteiro |
| . | |
Sepultura
- passaporte |
Morrer?
Mudei de lugar, |
Ao
coração de partida!... |
Sou
cidadão do sem-fim, |
Vai-se
a vida, vem a morte, |
Mas
nada pode mudar |
Vai-se
a morte, vem a vida. |
O
amor que puseste em mim. |
.. |
|
Francisco
Otaviano |
Luis
Pistarini |
| . | |
Há
na morte uma saudade |
Sepulcros
- sombra, deserto... |
Que
ninguém no mundo explica: |
Jazigos
- riqueza em vão... |
Quem
fica, chora quem foi; |
Quanto
Espírito liberto |
Quem
foi, lamenta quem fica. |
Acorrentado
no chão!... |
.. |
|
José
Albano |
Cornélio
Pires |
| . | |
Depois
da morte, a tristeza |
Quanto
agora me comovo! |
Não
é ver o bem perdido... |
Tolo,
quisera morrer, |
Mudança
não é surpresa, |
Mas
quero nascer de novo |
Tristeza
é ser esquecido. |
Para
dormir e esquecer. |
.. |
|
Helvino
de Morais |
Alceu
Wamosy |
| . | |
João
queria terra em monte, |
Há
muita gente perdida |
Não
tinha momentos calmos. |
Sem
que o mundo a reconforte, |
Um
dia se viu defronte |
Nas
fantasias da vida, |
De
um trecho com sete palmos. |
Nas
patacoadas da morte. |
.. |
|
Juca
Muniz |
Eugenio
Rubião |
| . | |
Na
Terra, em qualquer idade, |
Talento,
dinheiro e graça |
Faze
o bem guardando fé, |
Querem
ação sem loucura. |
Se
a morte é fatalidade, |
Toda
glória brilha e passa |
A
vida também o é. |
No
crivo da sepultura. |
.. |
|
Batista
Cepelos |
Americo
Falcão |
| . | |
Morrera
o orador letrado |
No
mundo, de porta em porta, |
Que
punha trevas no estudo... |
Há
muita gente cativa, |
É
reencarna-se, coitado! |
Que
ainda viva, sendo morta, |
Na
prova de surdo-mudo. |
Que
anda morta, sendo viva. |
.. |
|
Americo
Falcão |
Antonio
Sales |
| . | |
Ninguém
cometa a loucura |
Quando
a morte o olhar nos cerra, |
Que
até hoje inda me abafa. |
Não
sei, efetivamente, |
Coisa
triste é a sepultura |
Se
a gente fica na Terra, |
Com
lembrança da garrafa. |
Se
a Terra fica na gente. |
.. |
|
Emilio
de Menezes |
Toninho
Bittencourt |
| . | |
Depois
da morte é que vi, |
O
berço lembra capuz |
Nas
cenas de toda hora, |
Da
escuridão no apogeu. |
Muita
tristeza que ri, |
A
morte parece luz |
Muita
alegria que chora. |
Do
dia que amanheceu. |
.. |
|
Sebastião
Rios |
Raimundo
de A.Leão |
| . | |
Mas
repara, vigilante, |
|
Na
crença que te conduz, |
|
Que
onde encontrares a cruz |
|
Começa
a Ressurreição. |
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.. |
|
Casimiro
Cunha |
|
| . | |
JANJÃO |
| Morre Janjão num quarto, atrás da venda... |
| Servira a tanta gente !.. Mas, agora... |
| Ante a noite, o velhinho geme e chora, |
| Sem qualquer mão amiga que o atenda... |
| Morre lembrando o giro da moenda |
| E a banda musical do Mestre Amora, |
| Sempre batia o bombo, a qualquer hora, |
| Quando surgisse festa na fazenda... |
| Nisso, escuta no chão que o desconforta, |
| Uma valsa esquecida... Junto à porta, |
| Canta o conjunto antigo, em doce acento... |
| Janjão foge do corpo... Louva e anda !... |
| E, em breve tempo, unido à velha banda, |
| Toca para Jesus no firmamento !... |
| CornélioPires |