02 - FUMAR É SUICÍDIO |
"Quando
o homem está mergulhado, de qualquer maneira, na atmosfera do vicio,
o mal não se torna para ele um arrastamento quase irresistível?
— Arrastamento, sim; irresistível, não. Porque no meio dessa
atmosfera de vícios encontra, às vezes, grandes virtudes. São
Espíritos que tiveram a força de resistir, e que tiveram, ao mesmo
tempo, a missão de exercer uma boa influência sobre os seus semelhantes."
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo
I. A Lei Divina ou Natural. Pergunta 645.)
Procuramos, aqui, tecer algumas considerações sobre o vício
do fumo, hábito puramente imitativo e que não tem qualquer justificativa
A - O FUMAR, COMO COMEÇOU?
O costume herdado dos animais de farejar, cheirar e provar o gosto, certamente
levou o homem, em épocas muito distantes a experimentar o gosto da fumaça.
Provavelmente, alguns homens pré-históricos mais astutos resolveram
enrolar algumas folhinhas secas e provar sua fumaça. Através dos
tempos, devem ter experimentado muitas delas, não as aprovando pelo seu
gosto amargo. No entanto, aquela folha larga e amarelada, depois balizada de
Nicotiana Tabacum, deve ter provocado algo de estranho no experimentador pela
ação ativa do alcalóide que ela contém (bastam apenas
40 a 60 miligramas dele para matar um homem).
Historicamente, consta que em 1560 o embaixador francês João Nicot
enviou à rainha Catarina de Medicis as primeiras remessas daquele vegetal,
cultivado em seus jardins em Lisboa, porque o julgava uma erva perfumada e dotada
de propriedades terapêuticas. A rainha patrocinou a difusão do
fumo como medicamento, utilizando-o em pílulas, pomadas, xaropes, infusões,
banhos, etc. Porém, desses usos surgiram — o que a rainha encobriu
— inúmeros envenenamentos, intoxicações e mortes.
O idealista Nicot, que deu seu nome ao alcalóide nicotina, enquadrado
entre os "venenos eufóricos", deve ter experimentado no Plano
Espiritual os arrependimentos de sua triste iniciativa, acompanhando os casos
mórbidos que suas perfumadas folhinhas provocaram.
B - O FALSO PRAZER - UMA ILUSÃO
O hábito de fumar começa, em geral, na infância ou na adolescência,
incentivado pelos mais velhos e tendo exemplos até mesmo dentro de casa.
São os garotos provocados pelos coleguinhas que fumam e que, na sua imaginação,
já se sentem homens feitos (como se o fumar fosse uma condição
de ser adulto). A tentativa é feita, provoca tosse e tonturas, mas dizem
eles — são os sacrifícios do noviciado. O melhor vem depois:
dá charme, auto-segurança, estímulo cerebral, é
bacana, as menininhas gostam. Enfim, atende a tudo aquilo que o adolescente
deseja: auto-afirmação, prestígio entre os amiguinhos,
pose de artista, companhias a qualquer hora, namoradinhas, e, nesse contexto,
a ilusão do prazer de ser querido e estar realizado. Faz parte do grupo.
Quem não fuma, não entra na "patota".
Entretanto, ninguém conta nem fala das desvantagens e dos males do fumo.
Ninguém vê e nem pode examinar os tóxicos que a fumacinha
leva ao organismo. Hoje já se fala, até na televisão, sobre
o alcatrão e a nicotina que o cigano contém, mas o que é
mesmo isso? Ah, isso ninguém conhece. E ninguém conhece porque
não é divulgado, porque não interessa divulgar. O que interessa
é vender. E os nossos amiguinhos caem como patinhos, levados também
pelas exuberantes propagandas dos fabricantes, sem saberem nada sobre os venenos
que ingerem, sobre as doenças que provocam, as mortes que causam. E sem
saberem que as estatísticas médicas provam que, dentre oito fumantes,
um certamente sofrerá de câncer, e ainda que cada cigarro encurta
a vida do homem em quatorze minutos. Falem dessas verdades aos garotos que queiram
ensinar outros a fumar.
C - O QUE SOFRE O ORGANISMO HUMANO?
A quantidade de nicotina absorvida varia de 2,5 a 3,5 miligramas por
cigarro. Ao ser tragada, a fumaça entra pelos pulmões carregando
vários gases voláteis, que se condensam no alcatrão, passando
à corrente sanguínea juntamente com a nicotina. Esta é
tóxica, venenosa; o alcatrão é cancerígeno. Esses
componentes agem na intimidade celular, principalmente nas células do
sistema nervoso central, modificando o seu metabolismo, ou seja, as transformações
físico-químicas que lhes permitem realizar os trabalhos de assimilação
e desassimilação das substâncias necessárias à
sua função. Essas alterações provocam no fumante
a sensação momentânea de bem-estar, com supressão
dos estados de ansiedade, medo, culpa. É o efeito de uma ação
tóxica e mórbida levada ao sistema nervoso central. Aos instantes
iniciais de estímulos segue-se um retardo da atividade cerebral e, em
seguida, depressão, apatia, angústia.
Esses elementos químicos tóxicos, além desses efeitos,
agravam as doenças cardíacas, como a angina, o enfarte, a hipertensão,
a arteriosclerose. As vias respiratórias se irritam e, progressivamente,
intoxicam-se, dando origem a traqueítes, bronquites crônicas, enfïsemas
pulmonares, insuficiência respiratória, além dos casos de
câncer bucal, da faringe, da laringe, do pulmão e do esôfago.
A mulher é ainda mais sensível aos efeitos da nicotina, principalmente
na gravidez, quando a nicotina atravessa a placenta, ocasionando danos ao feto,
contamina o leite materno e pode também provocar abortos, natimortos
e prematuros. Há também casos de esterilidade acarretada pelo
fumo.
Em trabalhos recentes, ficou comprovada a diminuição da capacidade
visual dos fumantes de 26% ou mais. A ação tóxica afeta
também as glândulas, dificultando as funções orgânicas.
Numa universidade norte-americana, uma pesquisa provou que os índices
de reprovação são bem maiores entre os fumantes do que
entre os não-fumantes. Porém, o que melhor retrata esse quadro
é o fato de um fumante que absorve dois maços por dia, durante
30 anos, ter sua vida diminuída em 8 ou 10 anos. Portanto, esta é,
indubitavelmente, uma forma de suicídio.
D - O PERISPÍRITO FICA IMPREGNADO
Os efeitos nocivos do fumo transpõem os níveis puramente físicos,
atingindo o envoltório sutil e vibratório que modela, vivifica
e abastece o organismo humano, denominado perispírito ou corpo espiritual.
O perispírito, na região correspondente ao sistema respiratório,
fica, graças ao fumo, impregnado e saturado de partículas semimateriais
nocivas que absorvem vitalidade, prejudicando o fluxo normal das energias espirituais
sustentadoras, as quais, através dele, se condensam para abastecer o
corpo físico. O fumo não só introduz impurezas no perispírito
- que são visíveis aos médiuns videntes, à semelhança
de manchas, formadas de pigmentos escuros, envolvendo os órgãos
mais atingidos, como os pulmões —, mas também amortece as
vibrações mais delicadas, bloqueando-as, tornando o homem até
certo ponto insensível aos envolvimentos espirituais de entidades amigas
e protetoras.
Após o desencarne, os resultados do vício do fumo são desastrosos,
pois provocam uma espécie de paralisia e insensibilidade aos trabalhos
dos espíritos socorristas por longo período, como se permanecesse
num estado de inconsciência e incomunicabilidade, ficando o desencarnado
prejudicado no recebimento do auxílio espiritual. Numa entrevista dada
ao jornalista Fernando Worm (publicada na Folha Espirita, agosto de 1978, ano
V, n° 53), Emmanuel, através de Chico Xavier, responde às
seguintes perguntas:
F.W. A ação negativa do cigarro sobre
o perispírito do fumante prossegue após a morte do corpo físico?
Até quando?
Emmanuel: O problema da dependência continua
até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos
sutis do corpo espiritual ceda lugar à normalidade do envoltório
perispiritual, o que, na maioria das vezes, tem a duração do tempo
em que o hábito perdurou na existência física do fumante.
Quando a vontade do interessado não está suficientemente desenvolvida
para arredar de si o costume inconveniente, o tratamento dele, no Mundo Espiritual,
ainda exige quotas diárias de sucedâneos dos cigarros comuns, com
ingredientes análogos aos dos cigarros terrestres, cuja administração
ao paciente diminui gradativamente, até que ele consiga viver sem qualquer
dependência do fumo.
F.W. Como descreveria a ação dos
componentes do cigarro no perispírito de quem fuma?
Emmanuel: As sensações do fumante
inveterado, no Mais Além, são naturalmente as da angustiosa sede
de recursos tóxicos a que se habituou no Plano Físico, de tal
modo obcecante que as melhores lições e surpresas da Vida Maior
lhe passam quase que inteiramente despercebidas, até que se lhe normalizem
as percepções. O assunto, no entanto, com relação
à saúde corpórea, deveria ser estudado na Terra mais atentamente,
já que a resistência orgânica decresce consideravelmente
com o hábito de fumar, favorecendo a instalação de moléstias
que poderiam ser claramente evitáveis. A necropsia do corpo cadaverizado
de um fumante em confronto com o de uma pessoa sem esse hábito estabelece
clara diferença.
E - DEIXAR DE FUMAR: UM TRABALHO DE REFORMA INTIMA
O esclarecimento trazido pelo Espiritismo vem aduzir maior número de
razões, e com maior profundidade, àqueles defendidos pela Medicina
e Saúde Pública. Dentro de um propósito transformista,
que a vivência doutrinária nos evidencia, é indispensável
abandonar o fumo, principalmente os que se dedicam aos trabalhos de assistência
espiritual, que veiculam energias vitalizantes, transmitidas nos serviços
de passes.
O zelo e o respeito ao organismo, que nos é legado na presente existência,
devem nos levar a compreender que não temos o direito de comprometê-lo
com a carga de toxinas que o fumo acrescenta, alertando-nos com relação
a esse problema. A necessidade de cada vez mais nos capacitarmos espiritualmente
não pode dispensar a libertação de vícios, dentre
eles o fumo. Encontramos inúmeras razões que justificam o deixar
de fumar e não conseguimos enumerar uma apenas que, objetivamente, justifique
o vício.
F - A VONTADE É A FERRAMENTA FUNDAMENTAL
Há vários métodos que ensinam como deixar de fumar, porém
todos partem de um pressuposto: Vontade.
A vontade pode ser fraca ou forte, e ela diz muito do propósito e da
capacidade de decisão que imprimimos à nossa vida. A vontade,
como vimos, pode ser fortalecida por afirmações repetidas por
nós mesmos, como forças desencadeadoras de nossas potencialidades
psíquicas, pensando e até dizendo: "eu quero deixar de fumar",
"eu não tenho necessidade do fumo", "eu vou deixar de
fumar". Assim, vamos fortalecendo a vontade e, ao largarmos o cigarro,
devemos fazê-lo de uma só vez, pois não é aconselhável
deixar aos poucos. O acompanhamento médico, porém, é recomendado
em qualquer caso.
Resistir de todos os modos aos impulsos que naturalmente vão surgir:
dessa forma, no decorrer dos dias, a autoconfiança aumenta. Com isso
desenvolvemos um treinamento de grande valor com relação ao domínio
e ao controle da vontade, conduzindo-a em direção ao aperfeiçoamento
interior, trabalho esse do qual sempre nos afastamos, levados por envolvimentos
de toda sorte. Nada se conquista sem trabalho. E, vencendo o fumo, capacitamo-nos
a superar outros condicionamentos que nos prejudicam igualmente na caminhada
evolutiva.
G - FAÇA SUA AVALIAÇÃO INDIVIDUAL
1ª. - O fumo constitui um hábito para você?
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2ª. - Já refletiu sobre as doenças
que o fumo provoca?
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3ª. - Sofreu alguma consequência doentia do
fumo?
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4ª. - Analise as suas reações ao tentar
dominar o impulso de fumar. O que sente?
a) Inquietação ( )
b) Desespero ( )
c) Tremor ( )
d) Irritação( )
5ª. - A que atribui a predominante reação
verificada acima?
a) Vontade fraca ( )
b) Organismo habituado ( )
c) Necessidade de prazer ( )
6ª. - Acha-se incapaz de dominar o desejo incontido
de fumar? Já tentou fazê-lo?
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7ª. - Admite poder fortalecer a sua vontade pela
auto-sugestão?
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8ª. - Tendo concluído que o fumo é
nocivo ao corpo e ao espírito, sente alguma vontade de deixá-lo?
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9ª. - Aceita o desafio de não se deixar levar
pelo vício de fumar? Prove quem é mais forte, você ou o
fumo.
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10ª. - Já pensou que o fumo não passa
de algumas folhinhas picadas e queimadas, transformadas em fumaça? E
isso pode lhe dominar?
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Ney P. Peres