03 - OS MALEFÍCIOS DO ÁLCOOL |
"O
meio em que certos homens se encontram não é para eles o motivo
principal de muitos vícios e crimes?
- Sim, mas ainda nisso há uma prova escolhida pelo Espírito, no
estado de liberdade; ele quis se expor à tentação, para
ter o mérito da resistência. " (Allan Kardec.O Livro dos Espíritos.
Livro Terceiro. Capítulo I - A. Lei Divina ou Natural. Pergunta 644.)
"A alteração das faculdades intelectuais
pela embriaguez desculpa os atos repreensíveis?
- Não, pois o ébrio voluntariamente se priva da razão para
satisfazer paixões brutais: em lugar de uma falta, comete duas."
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo
X. Lei da Liberdade. Pergunta 848.)
O álcool (palavra de origem árabe: ai = a, cohol = coisa sutil)
não é alimento nem remédio. É tóxico. Chegando
ao seio da substância nervosa, excita-a e diminui sua energia e resistência,
e deprime os centros nervosos fazendo surgir lesões mais graves: paralisias,
delírios (delirium tremens). Como tóxico, atinge de preferência
o aparelho digestivo: o indivíduo perde o apetite, o estômago se
inflama e a ulceração da sua mucosa logo se manifesta. A isto
se juntam as afecções dos órgãos vizinhos, quase
sempre incuráveis. Uma delas (terrível) é a cirrose hepática,
que se alastra progressivamente no fígado, onde as células vão
morrendo por inatividade, até atingir completamente esse órgão,
de funções tão importantes e delicadas no aparelho digestivo.
O
que se vê nos hospitais durante a autópsia do cadáver de
um alcoólatra crônico é algo horripilante. O panorama interno
do cadáver pode ser comparado ao de uma cidade completamente destruída
por um bombardeio atômico. Além das catástrofes provocadas
no organismo físico, quantos males e acidentes desastrosos são
ocasionados pela embriaguez! Os jornais, todos os dias, enchem as suas páginas
com tristes casos de crimes e desatinos ocorridos com indivíduos e mesmo
famílias inteiras, provocados por criaturas alcoolizadas.
A embriaguez é hábito que se observa difundido em todas as camadas
sociais. Mudam-se os tipos de bebidas: das mais populares, ao alcance do trabalhor
braçal, às mais sofisticadas, para os homens de "status".
No entanto, o costume é o mesmo, os prejuízos, iguais. Em geral,
a tendência para beber vem de uma perturbação da afetividade
que pode ser originada na infância. Os problemas infantis gerados nos
desequilíbrios familiares, pela falta de carinho dos pais ou por outros
conflitos — são comumente as raízes desse estado íntimo
propício ao alcoolismo.
O alcoolismo deve ser encarado, nos casos profundos, como uma doença
orgânica, como o é, por exemplo, o diabetes. Deve ser evitado radicalmente,
sob pena de se sofrer amargamente as suas consequências nos processos
de recuperação em clínicas especializadas. Há indivíduos
que buscam na bebida um estado de liberação das suas tensões
recônditas, ou então o esquecimento momentâneo de suas mágoas
ou aflições, o que denota uma necessidade de refletir corajosamente
sobre essas causas, buscando novos rumos para o seu próprio esclarecimento.
A
bebida só leva à autodestruição, e nada de construtivo
oferece às suas vítimas. As alterações das faculdades
intelectuais causadas pela embriaguez, principalmente da autocensura, que priva
a criatura da razão, tem levado homens probos a cometer desatinos, crimes
passionais e tragédias. Na embriaguez, o domínio sobre a nossa
vontade é facilmente realizado pelas entidades tenebrosas, conduzindo-nos
aos atos de brutalidade.
O viciado em álcool quase sempre tem a seu lado entidades inferiores
que o induzem à bebida, nele exercendo grande domínio e dele usufruindo
as mesmas sensações etílicas. Cria-se, desse modo, dupla
dependência: uma por parte da bebida propriamente dita, com toda a carga
psicológica que a motivou; outra por parte das entidades invisíveis
que hipnoticamente exercem sua influência, conduzindo, por sugestão,
o indivíduo à ingestão de álcool. O processo que
se recomenda para a libertação da bebida é ter em mente,
sempre que o desejo se apresentar, a idéia dolorosa das consequências
funestas do álcool.
Nessas
horas, devem ser reprimidos os impulsos com a lembrança de tudo aquilo
de repugnante e desagradável que o álcool provoca. Em particular,
os espíritas conhecem - e são fortalecidos com as idéias
relativas às consequências espirituais, principalmente no sofrimento
dos suicidas após o desencarne. O álcool reduz a resistência
física, diminui o tempo de vida e, por isso, o seu praticante é
considerado um suicida.
Nesses momentos de tentação à bebida, quando estamos imbuídos
do desejo de libertação, o auxílio do Plano Espiritual
vem a nosso favor, mas necessário se faz o apoio na nossa própria
vontade para surtirem os efeitos esperados. É frequente a alegação,
por parte dos viciados, de que a bebida para eles é necessária,
e que a sua vontade nada pode conter. Quando alguém assim afirma, demonstra
que não tem nenhuma vontade de deixar de beber, e nesses casos pouco
se pode fazer. O importante, mesmo, é que primeiro seja despertada a
vontade de largar o álcool e, a partir disso, seja assumido voluntariamente
o propósito de não mais se deixar levar pela imaginação,
pelas idéias induzidas às vezes obsessivamente, ou mesmo pelos
convites de "amigos" que façam companhia nas bebericagens.
A sede, o sabor, a oportunidade social, as comemorações, a obrigatoriedade
em aceitar um drinque oferecido por alguém visitado são as muitas
desculpas que temos para ingerir as doses de álcool. Precisamos, porém,
estar atentos para não cometer exageros, abusos, e não resvalar
por esse hábito social, que pode terminar por nos condicionar a ele.
FAÇA SUA AVALIAÇÃO INDIVIDUAL
1. Acha que a eventual ingestão de bebidas alcoólicas pode levá-lo
ao vício?
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2. Sabe conter-se nas ocasiões sociais em que lhe são oferecidas bebidas alcoólicas?
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3. Sente necessidade incontrolável de tomar bebidas alcoólicas
nas refeições ou quando tem sede?
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4. Sente-se mais extrovertido ou mais à vontade, em grupos de pessoas,
quando toma alguma bebida alcoólica?
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5. No caso de todos à sua volta estarem bebendo, sente-se igualmente
obrigado a fazê-lo? Por quê?
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6. Já se sentiu completamente embriagado?
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7. Já experimentou as consequências digestivas ou neurológicas
que a bebida provoca?
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8. Sendo um inveterado na bebida, já sentiu vontade de libertar-se dela?
Conseguiu algo?
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9. Tem dificuldades em não se deixar levar pelo desejo de tomar um drinque?
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10. As bebidas alcoólicas fazem algum bem à saúde?
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Ney P. Peres