04 - OS MALEFÍCIOS DO JOGO |
"Por
que Deus concedeu a uns a riqueza e o poder, e a outros a miséria?"
- Para provar a cada um de uma maneira diferente. Aliás, vós o
sabeis, essas provas são escolhidas pelos próprios Espíritos,
que muitas vezes sucumbem ao realizá-las." (Allan Kardec. O Livro
dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo IX. Lei de Igualdade.
Pergunta 814.)
"Qual dessas provas é a mais perigosa para
o homem, a da desgraça ou a da riqueza?
— Tanto uma quanto a outra o são. A miséria provoca a murmuração
contra a Providência; a riqueza leva a todos os excessos. " (Allan
Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo IX. Lei
de Igualdade. Pergunta 815.)
"Como explicar a sorte que favorece certas pessoas
em circunstâncias que não dependem da vontade nem da inteligência,
como no jogo, por exemplo? - Certos Espíritos escolheram antecipadamente
determinadas espécies de prazer, e a sorte que os favorece é uma
tentação. Aquele que ganha como homem, perde como Espírito:
é uma prova para o seu orgulho e a sua cupidez." (Allan Kardec.
O Livro dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo X. Lei de Liberdade.
Pergunta 865.)
O vício do jogo, pelas suas características e efeitos psíquicos
sobre a personalidade do jogador, pode ser considerado como uma verdadeira neurose.
O estado emocional durante o jogo, praticado nas suas mais variadas formas,
leva o condicionado ao descontrole mental, às tensões psíquicas,
às cargas desequilibradoras. Quando, de um lado, trabalhamos para serenar
as nossas emoções, desenvolvendo o equilíbrio espiritual,
no jogo destruímos, em poucas horas, o que podemos ter construído
interiormente em alguns meses.
O
tempo que se desperdiça numa diversão ociosa como o jogo, que
consome horas irrecuperáveis, poderia muito bem ser aplicado em algo
útil, proveitoso ao nosso espírito e ao próximo. Sacrificam-se,
muitas vezes, famílias inteiras nas apostas feitas, onde alguns valores
e propriedades são levianamente perdidos, levando-as, não raro,
à miséria total. Na ânsia de recuperar num lance o que já
perdeu, o jogador num gesto de desespero, aumenta o valor das apostas, afundando-se
cada vez mais pelo descontrole da sua vontade.
As emoções fortes que dominam os jogadores fazem-nos presas fáceis
dos espíritos inferiores, que os conduzem aos maiores desastres. A aceitação
sem resistência dos convites de parceiros não deixa sequer o viciado
pensar, dominado como está pelo desejo doentio de ganhar, fruto da ambição
desmedida.
Muitos podem justificar os encontros de grupos amigos que se reúnem sistematicamente
para jogar como oportunidades sociais de diversões, ou até de
"confraternização". No entanto, se consultarmos honestamente
o que nos impulsiona a essas reuniões, certamente identificaremos a ânsia
de preencher um vazio indecifrável, resultante do lato de não
termos algo mais produtivo com que nos ocupar, e segue-se, assim, com o tempo,
o condicionamento ocioso.
Para libertar-se do jogo, o mecanismo utilizado é o mesmo: fortificar
a vontade com razões seguras, amplamente encontradas na necessidade de
equilíbrio emocional e de libertação das influências
negativas, no desperdício de tempo útil, nas desgraças
de que poderá ser vítima e de tantas outras razões. E no
momento em que o desejo se manifestar ou o convite ao jogo for feito, busquemos
com toda força as ideias positivas em nossa mente, reagindo, assim, às
tentações. À proporção que formos reagindo,
mais forte vai-se tornando a nossa vontade, e mais facilmente iremos controlando
nossos desejos.
A vontade de adquirir pelo jogo uma boa soma de dinheiro, que venha preencher
algumas necessidades ou realizar ambições materiais, denota completa
falta de fé nos desígnios Divinos, que conhecem todas as nossas
necessidades. É também uma forma de rebeldia e inconformação
com as limitadas condições financeiras da nossa existência.
É exatamente pela humildade, que cultivamos através do ganho material
reduzido, que vamos retificando os abusos do pretérito. Estamos, então,
contrariando o programa por nós mesmos escolhido na Espiritualidade,
dando asas ás mesmas ambições que hoje ocultamente agem,
refletindo as tendências enganosas em que já estivemos vivendo
no ontem distante.
Observemos um pouco, indaguemos tranquilamente se a pressa de enriquecimento
que desejamos, ao comprar bilhetes de loteria ou fazer apostas na loteria esportiva,
nos fará realmente dignos em usufruir o que não ganhamos pelo
nosso próprio esforço, obtido do nosso trabalho. Analisemos as
promessas e barganhas que articulamos na nossa imaginação, prometendo-nos
dar tal ou qual parcela para essa ou aquela obra de caridade, e confrontemos
com o que entendemos como caridade desinteressada, realizada com o coração,
sem espera de qualquer recompensa. Indubitavelmente, um dinheiro assim ganho
não nos fará felizes, nem nos ajudará a crescer espiritualmente.
Só, e unicamente, nos serve e nos poderá pertencer provisoriamente
aquilo que adquirimos com o nosso trabalho, com o nosso esforço. Aqueles
contemplados pela sorte certamente assumem encargos sérios pelos bens
recebidos, na condição de empréstimos, que podem levá-los
ao precipício na sua escalada evolutiva, por não estarem preparados
para bem administrar aqueles valores, comprometendo-se a existências futuras
de extrema pobreza.
O melhor é sermos obedientes, resignados, confiantes e trabalhadores,
porque o nosso Pai, justo e bom, tudo sabe a nosso respeito e nos proporcionará,
quando merecermos e estivermos em condições de saber distribuir,
os bens materiais almejados. Abolir os impulsos do jogo, sob qualquer fornia
que se apresente, é também exercício respaldado na fé
e na valorização das oportunidades de trabalho, disciplinadoras
das nossas ambições. É essa a atitude mais sensata do Aprendiz
do Evangelho.
FAÇA SUA AVALIAÇÃO INDIVIDUAL
1. Sente-se irresistivelmente impulsionado ao jogo?
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2. O que pretende, arriscando-se no jogo?
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3. Espera obter enriquecimento rápido através
do jogo?
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4. Admite que a riqueza obtida pelo jogo poderá levá-lo a muitos
excessos, cujas consequências são graves?
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5. As somas que já perdeu no jogo não lhe têm feito falta?
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6. Já pensou que as horas perdidas em jogatinas poderiam ser-lhe úteis
no lar e no trabalho?
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7. Analise o que sente quando reage aos impulsos de jogar:
a) Inquietação ( )
b) Desespero ( )
c) Angústia indefinida ( )
d) Nervosismo ( )
8. Já tentou libertar-se do jogo? O que conseguiu?
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9. Acha que joga por que não sabe dizer "não" aos "amigos"
que lhe convidam?
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10. Admite a possibilidade de vencer os arrastamentos ao jogo? Quer mesmo superá-los?
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Ney P. Peres