05 - OS MALEFÍCIOS DA GULA |
"A
natureza não traçou o limite do necessário em nossa própria
organização?
— Sim, mas o homem é insaciável.A natureza traçou
o limite de suas necessidades na sua organização, mas os vícios
alteraram a sua constituição e criaram para ele necessidades artificiais."
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo
V. Lei de Conservação. Pergunta 716.)
"A alimentação animal, para o homem,
é contrária à lei natural?
- Na vossa constituição física, a carne nutre a carne,
pois do contrário o homem perece. A lei de conservação
impõe ao homem o dever de conservar as suas energias e a sua saúde,
para poder cumprir a lei do trabalho. Ele deve alimentar-se, portanto, segundo
o exige a sua organização." (Allan Kardec. O Livro dos Espíritos.
Livro terceiro. Capítulo V. Lei de Conservação. Pergunta
723.)
O excesso na alimentação é vício igualmente nocivo
ao nosso organismo. Imaginemos a sobrecarga de trabalho que os nossos órgãos
são obrigados a desenvolver desnecessariamente, apenas para satisfazer
o exagerado prazer da gustação. Todo excesso de trabalho leva
ao desgaste prematuro, quer de uma máquina, quer dos órgãos
físicos, ou do corpo somático na sua generalidade. O desenvolvimento
avantajado e antiestético dos órgãos responsáveis
pela digestão caracteriza o glutão.
A gula também é uma manifestação de egoísmo.
A porção alimentar que poderia sustentar mais uma ou duas pessoas
é totalmente digerida por apenas uma, com visível prejuízo
para a coletividade. A quantidade necessária de proteínas, gorduras,
sais minerais, etc., para manter o corpo físico, é mais ou menos
a metade ou a terça parte daquilo que nós normalmente ingerimos.
A nossa alimentação diária já é excessiva.
Todos nós normalmente ingerimos mais do que o necessário; somos,
em alguma proporção, glutões. As pessoas gordas vivem,
de um modo geral, muito menos que as magras e, além disso, estão
sujeitas a enfermidades com mais frequência. Grandes quantidades de alimentos
deglutidos não significa ter boa saúde.
Teoricamente, a energia alimentar contida numa amêndoa seria suficiente
para nos nutrir o dia inteiro, caso soubéssemos e estivéssemos
em condições próprias para absorvê-las por completo.
Para aproveitar as energias e os valores alimentícios durante as refeições,
é necessário que tenhamos a mente tranquilizada e as emoções
acalmadas, além de estarmos concentrados na absorção dos
mesmos. Quando nas refeições ocorrem discussões e contrariedades,
ingerimos mal, provocando perturbações estomacais e impregnamos
os alimentos mastigados de vibrações negativas altamente perniciosas
ao nosso espírito.
Embora consideremos as proteínas de origem animal
importantes à nossa subsistência, a preferência pelos produtos
naturais, como cereais, verduras, frutas, ovos, mel, leite e seus derivados,
é no nosso entender mais condizente com a natureza da criatura que busca
ascender espiritualmente.
Porém,
sejamos realistas e não nos fanatizemos seguindo a alimentação
frugal como objetivo de ascensão espiritual, pois não é
o que entra pela boca que nos faz melhores, mas o esforço que empreendemos
em fazer com que através dela saiam apenas palavras confortadoras, dóceis,
construtivas.
As gorduras que se acumulam no nosso organismo em forma de triglicérides
e colesterol, prejudiciais ao nosso sistema circulatório, devem ser minoradas,
até como recomendação médica geral. O comer exagerado
é um vício, quando não, um costume que criamos para satisfazer
nosso próprio orgulho e o prazer de saborear incontidamente os deliciosos
quitutes. É realmente atraente o prazer de comer bem. Quem faz os alimentos
se esmera para ser elogiado, agrada-o bem servir socialmente.
Quem
aproveita os alimentos não se contém; o sabor não estabelece
limites, mais e mais vai sendo engolido. O processo sugestivo é também
um meio para se libertar, porém a orientação alimentar
para as pessoas excessivamente gordas ou descontroladas nesse sentido deve ser
dada por médico especialista, pois o controle alimentar por conta própria
pode provocar um desbalanceamento, com graves consequências.
O processo sugestivo entra como meio de reação ao vício.
Quando o desejo e os estímulos exagerados do apetite, diante de suculentos
pratos e bonitas travessas, nos impulsionam a comer desmedidamente, podemos
reagir pensando nos futuros prejuízos ao nosso corpo e nas consequências
nocivas ao nosso espírito. Procuremos sempre reagir aos excessos alimentares,
contendo os impulsos da gula, principalmente aos domingos, quando procuramos
descansar o corpo físico das sobrecargas semanais. Há um preceito
que ensina: "devemos terminar as refeições
com fome".
Assim fazendo, naturalmente aprenderemos a comer menos, absorvendo melhor as
energias alimentícias através de uma atitude tranquila e de uma
mentalização positiva nas qualidades substanciosas dos mesmos.
Comendo pouco nos alimentamos muito: essa é a chave para adquirir o equilíbrio
alimentar e vencer a gula.
FAÇA SUA AVALIAÇÃO INDIVIDUAL
1. Quando você se alimenta, sente necessidade incontida de comer muito?
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2. Acha que, de alguma forma, se excede na alimentação?
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3. Cria na imaginação as oportunidades de saborear deliciosos
pratos?
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4. Fica tenso, nervoso ou contrariado quando tem que comer menos para dividir
com outros?
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5. Acha que reage com ganância e preocupação de não
satisfazer a fome nas refeições conjuntas?
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6. Consegue conter naturalmente o desejo exagerado de comer?
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7. Quando se alimenta, procura mentalizar a absorção tranquila
dos valores nutritivos?
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8. Evita discussões e contrariedades nas horas das refeições?
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9. Acha que necessita fazer regime alimentar?
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10. Às vezes o comer muito reflete um desequilíbrio emocional
ou psicológico. Acha que seria esse o seu caso? Em caso afirmativo, procure
já um médico.
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Ney P. Peres