07 - OS DEFEITOS |
"Como
definir o limite em que as paixões deixam de ser boas ou más?
— As paixões são como um cavalo, que é útil
quando governado e perigoso quando governa. Reconhecei, pois, que uma paixão
se torna perniciosa no momento em que a deixais de governar, e quando resulta
num prejuízo qualquer para vós ou para outro."
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Pergunta 908.)
Procuremos focalizar neste capítulo os principais defeitos que têm
sido para o homem os grandes impedimentos ao seu progresso moral. A nossa preocupação
obviamente é esclarecer e colaborar de alguma forma, com o diagnóstico
que, pessoalmente, cada um pode fazer dos defeitos que se acham mais acentuadamente
incrustados no próprio íntimo. Muitos deles, às vezes,
constituem verdadeiro obstáculo para nosso avanço evolutivo.
Sabemos que, conhecendo as características peculiares de cada um desses
defeitos, será mais fácil identificá-los e combatê-los.
Devido aos envolvimentos que obstruem a nossa consciência, temos, às
vezes, reais dificuldades em decifrar as artimanhas e tramas inconscientes,
muitas delas até sugeridas hipnoticamente pelos irmãos invisíveis,
que se apoiam nas nossas fraquezas. E então, titubeamos, nos deixamos
levar e nos desequilibramos.
Conhecendo nitidamente como se manifestam em nós o orgulho e a vaidade,
a inveja e a avareza, o ódio e a vingança, o personalismo, a agressividade
e a maledicência, a intolerância e a impaciência, podemos
registrar mais rapidamente as ações de cada um deles e iniciar
de imediato a luta interior para controlá-los, podando as suas interferências,
bloqueando a sua propagação e diminuindo as suas consequências
desastrosas. É condição de sucesso, numa batalha, conhecer
o melhor possível os nossos inimigos, suas tendências e modos de
agir, para não sermos tomados de surpresa e não sucumbirmos aos
seus ataques.
"O preço da liberdade é a eterna vigilância",
antigo ditado militar, aplica-se inteiramente à batalha que realizamos
nos campos da luta íntima. Para estarmos libertos das investidas dos
nossos próprios defeitos é imperioso que nos vigiemos sempre,
conhecendo os perigos a que estamos sujeitos nas oportunidades em que cedemos
terreno, abrindo brechas à sua livre ação.
Vamos conhecer melhor esses nossos defeitos, retratando bem as suas particularidades,
localizando em nós as ocasiões em que estamos vulneráveis
a eles e, assim, nos afastando dos momentos propícios às suas
manifestações, para não sermos mais envolvidos pelos seus
tentáculos, nem cairmos nas suas perigosas teias.
Evidentemente, para vencermos nossas más tendências e nossos defeitos,
necessitamos daquela ferramenta muito importante: "a
vontade". Já refletimos um pouco sobre a vontade e vimos
que ela é a tradução do nosso "querer"
diante de algum propósito. Quando queremos ou desejamos algo, movimentamos
interiormente o impulso da vontade, que se caracteriza numa disposição
de conseguir, de obter. Segue-se, então,
o esforço que desenvolvemos nesse trabalho de conquistar o que idealizamos.
Verificamos, no entanto, que o nosso "querer",
principalmente no terreno, dos ideais transformadores, quase sempre não
passa de impulsos fugazes, passageiros, fracos e indecisos. Diante dos primeiros
impedimentos, que são importantes testes para pormos em prova a nossa
vontade, abandonamos a luta, largamos aquela ferramenta e caímos nos
mesmos erros. Mas a queda está no início do aprendizado de qualquer
um. Comparando-se a base de apoio dos seres humanos, bípedes, com a dos
animais, quadrúpedes, vemos que, ao nos tornarmos eretos, humanos e racionais,
a insegurança, até mesmo do equilíbrio físico, é
uma condição própria do homem.
O homem cai quando começa a andar, quando ensaia os primeiros passos
ao erguer-se sobre si mesmo, evoluindo da fase do engatinhar, imitação
do quadrúpede, com pouca mobilidade e relativo domínio de si mesmo.
O nosso processo de transformação progressiva é igualmente
semelhante. Quando nos dispomos a ser melhores e a crescer espiritualmente,
precisamos contar com as quedas, pois elas são parte da nossa experiência.
São
elas que nos fortalecem a vontade, ensinando-nos a ter "persistência".
São as quedas responsáveis pela continuidade da luta por realizar
algo. Somos aquilo que realizamos e não o que apenas prometemos realizar.
E é imprescindível, para nossa firmeza e segurança, aprender
a cair, saber os riscos e perigos que corremos, conhecer as ameaças ao
nosso equilíbrio, conviver conscientemente com aquilo que pode nos derrubar,
pois, desse modo, tornamo-nos capazes de nos afastar de áreas movediças.
Somos, ainda, biologicamente frágeis e espiritualmente imperfeitos. Somos
todos aspirantes ao equilíbrio, e o conhecimento é o meio de atingirmos
nosso objetivo. Pedro de Camargo (Vinícius), em seu livro O Mestre na
Educação, nos mostra, no capítulo 20 — "Querer
é Poder?" - que: "Há muita gente que procura com afinco
realizar seu 'querer', por este ou aquele meio,
desprezando precisamente o processo seguro de êxito:
o saber. Daí os fracassos, o desânimo, a descrença
e o pessimismo de muitos".
E no final conclui: "Saber é poder,
repetimos. Aquele que sabe, pode. Aquele que quer, e ignora a maneira de realizar
seu 'querer', não pode coisa alguma". O que objetivamos é
precisamente indicar a maneira de como realizar o combate aos nossos defeitos,
superando os consciente e tranquilamente, com conhecimento de causa.
Vamos, nos próximos capítulos, analisar as características
de cada um daqueles defeitos mais evidentes, na tentativa de melhor identificá-los
nas ocasiões em que se manifestam em nós, em matizes e intensidades
mais variados, aplicando sempre os meios que já vimos até aqui,
para progressivamente transformá-los dentro de nós mesmos.
FAÇA SUA AVALIAÇÃO INDIVIDUAL
1 - Já refletiu sobre os defeitos que se acham mais acentuadamente incrustados
no seu íntimo?
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2 - Já identificou particularmente algum, dentre outros defeitos, que constitua verdadeiro empecilho? Qual é?
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3 - Acha que muitos dos seus defeitos não foram ainda conscientemente identificado?
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4 - Quando algum defeito seu é manifestado não foram ainda conscientemente identificado?
a)
conscientemente
b) pelos males causados a si próprio
c) pelos males causados a alguém
d) por outro meio, além desses
5 - Diante de uma atitude ou reação errada cometida por você mesmo, como se sente?
a)
triste
b) com autopunição
c) indiferente
d) procura redimir-se
6 - Já pensou se quer mesmo combater e superar os seus defeitos? Em caso afirmativo, descreva os seus motivos?
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7 - Entende que as "quedas" são oportunidades valiosas de progresso interior? Pode lembrar de algumas experiências próprias que lhe confirmem esse entendimento? Descreva-as, pois isso lhe será útil.
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8 - Como considera o esforço próprio que tem desenvolvido para vencer as sua más tendências?
a)
nulo
b) fraco
c) razoável
d) persistente
9 - Entende que a paixão propriamente dita é perniciosa no excesso e nas consequências maléficas que provoca, e não na sua causa e no seu princípio humano? Reflita melhor sobre isso, você é um espírito condicionado a um corpo humano.
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10 - Das suas respostas às perguntas acima, que conclusão pode tirar relativamente a você mesmo, a seus propósitos de transformação moral, a seu esforço por conseguí-los e as suas conquistas nesse campo?
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Leia para alicerçar seus propósitos:
1 - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Cap. XII, Perfeição Moral. Perguntas de 907 a 912 das paixões
2 - O Mestre na Educação, Pedro de Camargo (Vinícius) - Capítulos 6, 7, 20, 22.
Pratique para se auto-educar:
Emmanuel - Calma. Cap. 46, Relacionamento
André Luiz - Conduta Espírita, Cap. 9, Na sociedade.
Ney P. Peres