13 -INTOLERÂNCIA E TENDÊNCIAS |
"Ninguém
sendo perfeito, seguir-se-á que ninguém tem o direito de repreender
o seu próximo? - Certamente que não, pois cada um de vós
deve trabalhar para o progresso da coletividade, e sobretudo dos que estão
sob a vossa tutela. Mas, por isso mesmo deveis fazê-lo com moderação,
para colimar um fim útil, e não, como as mais das vezes, pelo
prazer de denegrir... " (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Capítulo X. Bem-aventurados os Misericordiosos. Item 19.)
A
- INTOLERÂNCIA
Intolerância é a qualidade do indivíduo intransigente. Para
melhor identificar a intolerância nas nossas manifestações,
relacionemos alguns traços característicos desse defeito. São
eles:
a) Austeridade para com o comportamento ou para
com as obrigações dos outros, nas situações familiares,
profissionais ou sociais de um modo geral;
b) Severidade exagerada quando nas funções
de mando, perdendo quase sempre o controle emocional e repreendendo violentamente
algum subalterno que tenha cometido certo erro em suas obrigações
de serviço;
c) Rigidez nas determinações ou nas
posições tomadas em relação a alguma penalidade
aplicada a alguém que tenha errado e sobre quem exerça autoridade;
d) Rispidez e maus-tratos para com aqueles com
quem convive, agindo com dureza e radicalidade;
e) Não-aceitação e incompreensão
das infrações que alguém possa cometer, condenando-as inapelavelmente
com julgamentos agressivos e depreciativos;
f) Prazer em denegrir as pessoas, evidenciando,
de preferência, seus defeitos.
O intolerante não perdoa, nem mesmo atenua as falhas humanas e, por isso,
falta-lhe a moderação nas apreciações para com o
próximo. Vê apenas o lado errado das pessoas, o que em nada estimula
o bem proceder. A fácil irritação é também
um aspecto predominante do tipo intolerante. O senso de análise e de
crítica é nele muito forte. Na sua maneira de ver, quem erra tem
que pagar pelo que fez. Não há considerações que
possam aliviar uma falta.
Por que somos ainda tão intolerantes? Vemos o cisco no olho do nosso
vizinho e não enxergamos a trave no nosso. Gostamos de comentar só
o lado desagradável e desairoso das pessoas, e isso até nos dá
prazer. Será que nessas críticas não estamos inconscientemente
projetando nos outros o que mais ocultamos de nós mesmos? Não
estaríamos assim salientando nas pessoas o que não temos coragem
de encarar dentro de nós?
A intolerância doentia é um sintoma indicativo de que algo muito
sério precisa ser corrigido dentro do nosso próprio ser. Por que
exigimos perfeição dos que nos rodeiam e somos complacentes com
nossos abusos? Sejamos primeiro rigorosos conosco e, então, compreensivos
com os outros.
"Incontestavelmente, é o orgulho que leva o homem a dissimular os
seus próprios defeitos, tanto morais quanto físicos".
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo X. Bem-aventurados
os Misericordiosos. O argueiro e a trave no olho.)
Mostrando o mal nos outros, ressaltamos as supostas qualidades que acreditamos
ter. É manifestação de orgulho, não nos enganemos.
É proceder contrário à caridade "que Jesus se empenhou
tanto em combater, como o maior obstáculo ao progresso". A censura
que façamos a outrem deve antes ser dirigida a nós próprios
procurando indagar se não a mereceríamos. Analisemos, identifiquemos
e lutemos por extirpar a intolerância dos nossos hábitos.
B - IMPACIÊNCIA
O indivíduo impaciente é tipicamente nervoso, apressado. Outros
aspectos são igualmente indicativos, como os abaixo citados:
a) Inconformação: não-aceitação
do desejo que não realizou;
b) Precipitação: não faz por
esperar a ocasião precisa;
c) Inquietação: não se acalma
quando tem que aguardar;
d) Agitação: desespero pelas frustrações
sofridas;
e) Sofreguidão: angústia, ansiedade
por algo que tanto quer;
f) Impertinência: teimosia, insistência
intranqüila;
g) Pressa: urgência na realização
dos desejos;
h) Irritação: contrariedade por algo
não conseguido;
i) Aborrecimento: não-realização
daquilo que queria.
Nem de tudo que desejamos possuir somos merecedores, ou estamos preparados para
ter. Muitas das nossas ambições materiais poderão nos precipitar
a enormes abismos, dificílimos de sair. Contentar-se com aquilo que a
sorte nos proporciona é esforço no treinamento de valorizar adequadamente
o que antes desperdiçamos.
A impaciência, em qualquer área de aprendizado, indica sempre desconhecimento
dos reais valores espirituais. É apego aos bens passageiros, que estimulam
nossas necessidades imediatas mas que nos escravizam aos condicionamentos dos
sentidos físicos.
Paciência que se esgota reflete coração
que se intoxica pelo veneno da ira.
Nas manifestações em que expressamos a impaciência, a primeira
providência é indagar onde reside a sua origem, o que a gerou e,
a partir daí, fazer as ponderações sobre a importância
essencial daquilo que nos intranqüiliza. É quase certo que localizaremos,
nessas ocorrências, desejos, ambições, anseios que necessitam
reparos e atenuações para eliminarmos as desastrosas tensões
nervosas, desencadeantes dos problemas cardíacos e circulatórios,
tão frequentes no homem atual.
Contrariamo-nos quando não concretizamos o que queremos, impacientamo-nos
deixando-nos levar pela irritação, que envenena nossa alma, contamina
o perispírito de ondas magnéticas desequilibradoras, comprometendo
os envoltórios sutis que constituem nossa aura, abrindo fulcros geradores
de enfermidades, atingindo nossos órgãos mais predispostos e sensíveis.
Vale refrear essas nossas manifestações, exercer sobre elas nosso
domínio pacífico, tranquilo, nas reflexões dosadas com
calma, no equilíbrio, na conformação e na fé nos
Desígnios Maiores, elaborados sempre em nosso favor, para melhor impulsionar
a evolução nos caminhos por nós mesmos escolhidos, quando
na Espiritualidade.
Ney P. Peres