17 - HUMILDADE, MODÉSTIA, SOBRIEDADE |
"Os
males deste mundo estão na razão das necessidades artificiais
que criais para vós mesmos. Aquele que sabe limitar os seus desejos,
e ver sem cobiça o que está fora das suas possibilidades, poupa-se
a muitos aborrecimentos nesta vida. O mais rico é aquele que tem menos
necessidades." (Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Quarto.
Capítulo I. Penas e Gozos Terrenos. Parte da resposta à pergunta
926.)
Como cultivar em nós a simplicidade de coração e a humildade
de espírito?
Como transformar o orgulho que tanto predomina em todas as nossas atitudes?
Vejamos como podemos ser verdadeiramente humildes:
a) Quando estivermos nos dando muito valor, pelo
que possuímos financeiramente, pela posição social à
qual chegamos, pelo cargo que ocupamos, ou pelo conhecimento adquirido, no elevado
conceito que possamos fazer de nós mesmos, meditemos seriamente, com
urgência, no falso rumo em que nos achamos e esforcemo-nos em refrear
os ímpetos de revolta, de inconformação, as exaltações
de ânimo, os melindres, as queixas, indicativos de nosso engano;
b) Aplicando o princípio de que a verdadeira
sabedoria está na condição de, pelo muito que possamos
conhecer, conseguir avaliar o pouco que atingimos e a pequenez que representamos
diante da imensidão universal. O pouco saber nos afasta de Deus, o muito
saber Dele nos aproxima. O verdadeiro sábio percebe que nada sabe;
c) Aceitando com respeito e igualdade as opiniões,
idéias, pensamentos e convicções dos que conosco convivendo
contrariem nossas certezas, procurando entender que anteriormente às
palavras por eles pronunciadas, incontáveis experiências marcaram-lhes
o espírito, não raro dolorosamente;
d) Ouvindo com paciência e atenção,
sem deixar perturbar nossas emoções de revide, todas as vezes
que formos por alguém criticados;
e) Vigiando o nosso entusiasmo, nos planos a serem
concretizados, para não resvalarmos nos prejudiciais destaques que a
nossa pessoa sempre almeja, confundindo-se nas manifestações de
vaidade;
f) Evitando o menosprezo a quem quer que seja,
por maiores que sejam as razões a nosso favor, para não faltarmos
com o importante dever de caridade, que precisa revestir todas as nossas ações;
g) Sendo submissos às ordens recebidas nos
deveres assumidos, mesmo que contrárias aos nossos pontos de vista, como
treinamento necessário de renúncia aos nossos caprichos;
h) Procurando sempre o lado simples e belo de todas
as coisas, independente das aparências enganosas que possam agradar aos
nossos sentidos físicos;
i) Valorizando todas as oportunidades de exercer
as funções mais modestas e desempenhar os afazeres mais singelos,
silenciando com toda a força as possíveis inconformações,
pois quem quiser ser o maior, seja o melhor servo dentre todos;
j) Verificando que pobreza de espírito não
é desmazelo, nem aparência esfarrapada, ou até falsa modéstia,
é condição íntima de reconhecimento da nossa parca
evolução, sem que para isso chamemos a atenção da
nossa inferioridade pela maneira de vestir, de falar ou de se referir a nós
mesmos;
l ) Resistindo de todos os modos possíveis
aos nossos impulsos de insubordinação e ódio quando formos
injustiçados, caluniados, humilhados, menosprezados, machucados ou ofendidos
por quaisquer pessoas. Reconheçamos que somente Deus pode julgar nossos
atos e, se temos nosso coração puro, Ele nos recompensará;
m) Evitando de qualquer maneira a ostentação
ou mesmo a espera do reconhecimento, por outrem, das boas obras que estejamos
conduzindo. Fazer o bem destruindo aos poucos os altares e monumentos, erguidos
ou referidos à vaidade, é também combate ao orgulho humano.
Em poucas palavras, resumimos: Ser humilde é ser:
1°. - Despretensioso;
2° - Conformado;
3° - Resignado;
4° - Simples;
5° - Submisso;
6° - Respeitoso;
7° - Reservado;
8° - Comedido;
9° - Moderado;
10° - Sóbrio.
Esse é o decálogo do homem humilde, que precisamos guardar para
confronto diário com as nossas manifestações interiores.
Ney P. Peres