18 - RESIGNAÇÃO |
"Existem males que não
dependem da maneira de agir e que ferem o homem mais justo. Não há
algum meio de se preservar deles? - O atingido deve resignar-se e sofrer sem
queixas, se deseja progredir. Entretanto, terá sempre uma consolação
da sua própria consciência, que lhe dá a esperança
de um futuro melhor, desde que faça o necessário para obtê-lo!"
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Quarto. Capítulo I.
Penas e Gozos Terrenos. Pergunta 924.)
"A Doutrina de Jesus ensina a obediência e a resignação,
duas virtudes que são companheiras da doçura, muito ativas, embora
os homens as confundam erroneamente com a negação do sentimento
e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a
resignação é o consentimento do coração."
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo IX. Bem-aventurados
os Brandos e Pacíficos. Obediência e Resignação —
Lázaro.)
Para sermos resignados precisamos aprender a não lamentar a nossa sorte
e a aceitar com submissão paciente os sofrimentos da vida.
Pelo que já entendemos do valor que representa o sofrimento, no burilamento
do nosso espírito, nas ações corretivas ao nosso orgulho,
como colheita dos males que tenhamos plantado ontem, é a resignação
o melhor testemunho da nossa compreensão, a melhor prova do nosso amor
a Deus.
Nada nos acontece por acaso, e nos dói exatamente no local onde mais
carecemos de remédio. Onde mais somos atingidos pelo sofrimento é
também onde mais necessariamente a corrigenda deve ser feita.
Quando assim não aplicamos a resignação, desperdiçamos
o aproveitamento que a prova dolorosa nos oferece e prolongamos a experiência
retificadora até que o consentimento do coração nos transforme.
Então, como agir?
a) - Manter a paciência, por mais demorada
que pareça ser a fase de dificuldade pela qual estamos passando;
b) - Render obediência aos impositivos que
possam nos contrariar as preferências no trabalho ou em casa;
c) - Aceitar as incompreensões dos entes
mais próximos, nas horas mais amargas, sem esboçar quaisquer reações
de revolta;
d) - Submeter-se ao despotismo e à rispidez
das criaturas agressivas que surjam no nosso convívio;
e) - Renunciar ao que não podemos possuir,
mesmo sendo algo de há muito desejado;
f) - Conformar-se com os sacrifícios que
devamos fazer nas horas de escassez financeira;
g) - Não reclamar de quem quer que seja
nas épocas de crise social, política ou econômica;
h) - Consolar-se em preces profundamente sentidas
com a esperança de que a Providência Divina suprirá nossas
necessidades na hora aprazada;
i) - Recorrer à sustentação
vibratória dos Amigos Espirituais, pela leitura evangélica e pelo
estudo doutrinário nas reuniões do lar, quando renovamos nossas
forças para resistir aos embates da vida.
As expressões de obediência e resignação nos elevam
a alma, como forças de grande impulso transformador, ampliando-nos a
capacidade de amar a Deus, de seguir a Jesus e de difundir, entre os homens,
a fé, a esperança e a consolação. Com elas valorizamos
as nossas provas e completamos nossos resgates; sem elas repetimos oportunidades
perdidas e prorrogamos nossos ajustes.
Ney P. Peres