21 - AFABILIDADE, DOÇURA |
"A
benevolência para com os nossos semelhantes, fruto do amor ao próximo,
origina a afabilidade e a doçura, que lhe são formas de manifestação.
Entretanto, nem sempre é prudente confiar nas aparências: a educação
e os costumes mundanos podem aparentar tais qualidades."
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capitulo IX. Bem—aventurados
os Brandos e Pacíficos. Item 6. A Afabilidade e a Doçura.)
Aí
está a maneira prática de verificarmos, em nosso relacionamento
social, se apenas nos servimos do verniz superficial, que o mínimo de
educação nos ensina, ou se estamos verdadeiramente expressando,
em nossas cortesias, a benevolência para com os semelhantes.
Precisamos desenvolver a afabilidade, não apenas no trato formal, mas
em profundidade, interiormente.
Como vimos, a afabilidade e a doçura são manifestações
naturais da benevolência para com as criaturas, resultantes do amor ao
próximo. Amor ao próximo, portanto, é a questão
a ser colocada sempre, em nossas relações com as pessoas.
Entendemos, assim, que é necessário valorizar, no nosso convívio
social, cumprimentos, saudações, agradecimentos, votos e quaisquer
expressões ditas formalmente em ocasiões que lhe são próprias,
para aplicarmos o amor ao próximo, procurando, desse modo, sentir com
o coração aquilo que pronunciamos em benefício de alguém.
Afável é aquele ser dedicado, cortês, agradável,
benévolo, bondoso. Ter doçura, ou ser doce de coração,
é aquele indivíduo que transmite brandura, suavidade, serenidade,
meiguice, ternura.
Como cultivar a afabilidade e a doçura?
a) Examinando as emoções do nosso
coração nas oportunidades sociais, esforçando-nos em transmitir
amor através de nossos lábios;
b) Interessando-nos com discrição
pelas pessoas recém-apresentadas, criando elos de simpatia, mesmo com
aquelas mais fechadas ou rudes;
c) Ajudando sempre, com delicadeza, nos transportes
ou na rua, as criaturas em dificuldade: cedendo lugar, facilitando passagem,
carregando volumes;
d) Respeitando a aspereza do trato de alguém
para conosco, com o silêncio tranquilo, com o olhar sereno, com o gesto
bondoso;
e) Entendendo com ternura os aflitos que, ao nosso
lado, se desesperam em situações difíceis, transmitindo-lhes
encorajamento, proporcionando-lhes ajuda;
f) Perdoando com suavidade interior aqueles que
nos ofendem, afastando, conseqüentemente, quaisquer lembranças desagradáveis
ou resquícios de ódio;
g) Pautando nossa maneira de se dirigir aos auxiliares,
em casa e no emprego, com benevolência e brandura, embora revestidas da
necessária determinação;
h) Introduzindo no lar o hábito de falarmos
baixo e com meiguice, mesmo quando transmitimos ordens a serem seguidas.
"Não basta que dos lábios emanem leite e mel, se o coração
de modo algum lhes está associado, tratando-se tão-somente de
hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura são fingidas, jamais
se desmente. É o mesmo para o mundo ou na intimidade, e sabe que, se
pode enganar os homens pelas aparências, não pode enganar a Deus."