22 - COMPREENSÃO, TOLERÂNCIA |
"O
verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade,
e consiste em não se ver superficialmente os defeitos alheios, mas em
se procurar salientar o que há de bom e virtuoso no próximo. Porque,
se o coração humano é um abismo de corrupção,
existem sempre, nos seus mais ocultos refolhos, os germes de alguns bons sentimentos,
centelha vivaz da essência espiritual "
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo X. Bem-aventurados
os Misericordiosos. Item 18. Dufétre.)
A maneira de procurar entender as justificativas ou as atitudes daqueles com
quem estamos dialogando, leva-nos, certamente, a uma disposição
de não-interferência nos próprios pontos de vista, portanto,
de isenção, de imparcialidade, de neutralidade. Para sermos compreensivos
precisamos estar preparados para aceitar as reações, a conduta,
o modo de ser das pessoas, sem prejulgamentos ou condenações.
Precisamos
estar preparados para aceitar as criaturas como elas são, do jeito que
elas se expressam, até mesmo quando corrompidas, criminosas, assaltantes,
prostituídas ou viciadas. Encarando-as com o pressuposto de que possuem
uma essência espiritual e como tal são passíveis de bons
sentimentos, com potencialidades latentes, sujeitas ao desenvolvimento, a nossa
firme convicção nesses valores espirituais poderá transmitir
aos seres mais difíceis a confiança que um dia esperavam para
sair do estado conturbado e se conduzir a um rumo seguro em sua vida.
A rigor não temos mesmo muitos meios de avaliar as profundezas do caráter
de ninguém, pois quaisquer conclusões apressadas são falsas.
A atitude mais prudente, honesta e cristã é a de compreensão
e tolerância, para com quaisquer indivíduos. Esse é o nosso
comportamento mais produtivo.
O sentimento de tolerância é uma consequência da compreensão.
Como não nos cabe salientar os erros e defeitos alheios, nem mesmo criticá-los,
devemos admitir, desculpar, aceitar, perdoar, atenuar e mesmo comutar esses
erros. Em nosso relacionamento comum, como podemos ser compreensivos e tolerantes?
a) Evitando fazer comentários desairosos
e deprimentes em relação a quaisquer criaturas;
b) Aceitando as reações alheias sem
nos aborrecer e sem condená-las;
c) Ouvindo serenamente, por mais chocantes e pavorosas
que sejam suas narrações, aqueles que nos confiem seus problemas,
sem esboçarmos escândalo, mas ajudando-os a encontrar, por eles
mesmos, os caminhos de saída;
d) Afastando, de todas as maneiras, ressentimentos,
mágoas ou remorsos que os dissabores provocados por alguém estejam
nos perturbando a tranquilidade;
e) Eliminando a intransigência nas nossas
análises em relação ao comportamento do próximo;
f) Ponderando com isenção e equilíbrio
as infrações cometidas por funcionários, na oficina de
trabalho ou no meio doméstico, aproveitando as experiências deles
para renovar-lhes as oportunidades de acertos;
g) Não nos referindo a exemplos próprios
de boa conduta para recomendar procedimentos a outrem;
h) Transformando a austeridade punidora dos maus
comportamentos entre familiares em colóquios abertos, ouvindo e comentando
coletivamente em torno dos problemas, para que se chegue calmamente às
correções cabíveis.
"Sede indulgentes, meus amigos, porque a indulgência atrai, acalma,
corrige, enquanto o rigor desalenta, afasta e irrita." (Id., ibid. Item
16. A Indulgência - José, Espírito Protetor.)
Ney P. Peres