24 - BRANDURA, PACIFICAÇÃO |
"Bem-aventurados
os que são brandos, porque possuirão a terra." (Mateus, 5:5)
"Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos
de Deus. " (Mateus, 5:9)
"Ao enunciar essas máximas, Jesus fez da brandura, da moderação,
da mansuetude, da afabilidade e da paciência uma lei."
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo IX. Bem-aventurados
os Brandos e Pacíficos. Injúrias e Violências.)
Como reagirmos com brandura num mundo de violências?
Como sermos pacíficos num mundo de guerras?
Quando os ódios se acirram e as revoltas crescem contra os poderosos
do mundo e contra as injustiças humanas, nas lutas pelos privilégios
que todos esperam e acham que têm direito, como aplicarmos a brandura
e a pacificação?
Por que motivos? Com quais resultados?
Qual o significado das palavras de Cristo ao dizer que os brandos herdarão
a Terra? Poderá parecer um contra-senso?
Para que a brandura e a pacificação tenham realmente lugar nos
corações dos homens, muito terão que mudar os quadros atuais
do panorama terrestre.
O clima nebuloso de conflitos e crimes não poderá perdurar por
muito mais tempo; haverá certamente um limite aos abusos do mal. Quando?
Não o sabemos. A cada um que entende que algo deve ser feito para pôr
um fim a tudo isso, concentre suas forças e faça sua parte, o
melhor que puder, porque eles formarão o mundo do amanhã e receberão
o resultado do seu esforço, as recompensas do seu trabalho.
Cada
um de nós é chamado a contribuir na edificação desse
mundo melhor. E entre as ferramentas e os instrumentos empregados estão,
sem dúvida, a brandura e a pacificação. Como utilizá-las?
Vejamos:
a) Dissipando quaisquer sentimentos de contrariedade
por motivos comuns que nos aborreçam;
b) Guardando a calma e a serenidade mesmo quando
em nossa volta o mundo ameace desabar;
c) Mantendo a paz interior nas horas em que tudo
nos induz a cometer desatinos;
d) Conciliando discórdias entre familiares
ou amigos nos mal-entendidos comuns;
e) Dosando a afabilidade e a doçura no relacionamento
com os nossos colegas de trabalho mais instáveis emocionalmente;
f) Apaziguando ânimos exaltados nas contendas
entre parentes ou companheiros de serviço;
g) Dispensando menor importância aos bens
terrenos, deixando de nos encolerizar pela ganância de adquiri-los;
h) Buscando na prece e na meditação
serena a renovação das forças e disposições
no bem;
i) Abastecendo os valores intelectuais com leituras
frequentes, análises e conclusões dos preceitos evangélicos
a serem seguidos nas diferentes circunstâncias da existência.
"Quando a lei de amor e caridade se constituir em lei da Humanidade, deixará
de existir o egoísmo; o fraco e o pacífico não serão
mais explorados nem espezinhados pelo forte e o violento. Será esse o
estado da Terra quando, segundo a lei do progresso e a promessa de Cristo, ela
estiver transformada num mundo ditoso, pelo afastamento do mal."
Ney P. Peres