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- Indulgência |
A - INDULGÊNCIA
"O
homem indulgente jamais se preocupa com os maus atos alheios, a menos que seja
para prestar um serviço, mas ainda assim com o cuidado de os atenuar
tanto quanto possível. Não faz observações chocantes,
nem traz censuras nos lábios, mas apenas conselhos, quase sempre velados.
Quando criticais, que dedução se deve tirar das vossas palavras?
A de que vós, que censurais, não praticastes o que condenais,
e que valeis mais do que o culpado. Oh, homens! Quando passareis a julgar os
vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos
e os vossos próprios atos, sem vos ocupardes do que fazem os vossos irmãos?
Quando fitareis os vossos olhos severos somente sobre vós mesmos?"
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo X. Bem-aventurados
os Misericordiosos. Item 16. A Indulgência.)
Aqueles que passam pela provação experimentam mais profundamente
em si mesmos os efeitos causados pela dor e sentem mais como magoam as palavras
duras e inflexíveis dos que lhes fazem o prejulgamento condenatório,
as censuras e as injúrias impiedosas.
Quem sofre já tem a própria sensibilidade ampliada, encontra-se
em geral próximo ao desespero, chorando silenciosamente, apelando muitas
vezes aos corações mais próximos e buscando nas preces
o conforto espiritual. Então, não temos como e por que condenar
esses que já vêm carregando tamanho peso, o que aliás é
a condição geral de toda Humanidade.
As almas assim amolecidas apresentam-se como um terreno revolvido e preparado para um novo plantio: estão prontas para a semeadura de Jesus. Nessas ocasiões, as palavras suaves, os gestos maneirosos, de um coração indulgente, exerce nos que sofrem uma benfazeja atuação: são expressões de carinho, lenitivos para a alma. São verdadeiros tranquilizantes que vão acalmar em profundidade aquelas criaturas em aflição.
O
remédio nessas horas é o Evangelho, melhor corretivo da alma,
que a nossa própria indulgência pode também transmitir dosadamente.
A indulgência é uma das expressões da caridade e podemos
muito bem motivá-la em nós mesmos, nas mais diversas ocasiões,
entre as quais indicamos algumas:
a) Afastando críticas e juízos falsos
a quem quer que seja;
b) Procurando discretamente inteirar-se das amarguras
de alguém no sincero propósito de amenizá-la em sua dor;
c) Dirigindo-se com suavidade e segurança,
nas observações ponderadas com antecipação, que
devamos fazer em nossas relações de trabalho;
d) Transformando na atmosfera do lar as oportunidades
de observações ao comportamento dos que nos foram confiados, em
esclarecimentos tranquilos e objetivos, em lugar de apenas evidenciar falhas
e erros;
e) Impedindo que os problemas particulares, a nós
confiados por pessoas que recorrem ao auxílio do nosso grupo espírita,
de modo algum transvaze das quatro paredes do ambiente de trabalho;
f) Evitando, no ímpeto de querer ajudar,
a informação aos socorridos, dos quadros observados nas consultas
espirituais, principalmente nos casos obsessivos mais graves. Lembremos que
para quem está envolto nas sombras muita luz poderá cegar.
"Sede, pois, severos convosco e indulgentes para com os outros. Pensai
n'Aquele que julga em última instância, que vê os secretos
pensamentos de todos os corações, e que, em consequência,
desculpa frequentemente as faltas que condenais, ou verbera as que desculpais,
porque conhece o móvel de todas as ações."
Ney P. Peres