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- Dedicação, Devotamento |
"Meus
irmãos, amais aos órfãos! Se soubésseis quanto é
triste estar só e abandonado, sobretudo quando em tenra idade! Deus permite
que existam órfãos para nos levar a lhes servirmos de pais. Que
divina caridade amparar uma pobre criancinha abandonada, evitar que sofra fome
e frio, dirigir-lhe a alma, a fim de que não desgarre para o vício!
Torna-se agradável a Deus quem estende a mão a uma criança
abandonada, porque demonstra compreender e praticar a sua lei."
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIII. Que
a Mão Esquerda Não Saiba o Que Faz a Direita. Os Órfãos.
Um Espírito Protetor.)
Dedicar-se com desprendido amor a um trabalho em favor do próximo é
devotamento. Assumindo uma tarefa, a valorizamos quando realizamos com dedicação,
sem medir esforços ou sacrifícios, o que precisamos verificar
em nossos compromissos de quaisquer espécies.
Seremos reconhecidos como verdadeiros cristãos, discípulos de
Jesus, pelas boas obras que realizarmos, e, por mais insignificantes que elas
possam ser aos olhos dos homens, revestem-se de maior valor espiritual pelo
devotamento com que as produzirmos, isto é, com zelo, com sacrifício,
com amor, com incansável dedicação.
Admitimos que seja condição indispensável, quando nos dispusermos
a fazer algo na gleba do Senhor, indagarmos se estamos revestidos do carinho,
que caracteriza o devotamento.
Compreendemos que os primeiros passos na caridade, de início dados com
certa relutância e até má vontade, com o transcorrer do
tempo as nossas disposições de sentimentos vão refinando-se
e progressivamente vão elevando-se, até chegarem nas desejadas
expressões de devotamento.
Vale mencionar que iremos necessitar de um pouco de paciência para assim
atingir a condição ideal na prática da caridade. Mas, o
devotamento, de um modo geral, deve envolver tudo o que fizermos, e não
apenas os serviços que dedicamos ao próximo. Será o apanágio
das atividades dos homens no terceiro milênio. E por sinal, não
entendemos por que hoje deve ser diferente.
Qualquer
atividade executada a contragosto é um verdadeiro martírio, e
por isso mesmo é que ainda verificamos tanta gente produzindo pouco,
atendendo com má vontade, respondendo aborrecidamente às ordens
recebidas, desperdiçando o tempo em conversas particulares, justificando
enganosamente as obrigações não cumpridas em tempo hábil,
ocupando espaços do dia em serviços alheios ao seu trabalho, etc.
Podemos enumerar algumas situações comuns em que somos reclamados,
pela nossa própria consciência, por faltar com o devotamento:
a) Nas indiferenças pelo que fazemos em
nossas obrigações de trabalho;
b) No cansaço desgastante quando, disponíveis
no serviço, nos omitimos em iniciativas de aumentar o próprio
rendimento;
c)
No desinteresse em aprender mais para produzir com mais eficiência;
d) No desleixo com objetos e utensílios
dos quais nos servimos;
e) No descuido com deveres escolares que nos dizem
respeito;
f) Na pressa ao atender criaturas às quais
devemos nossa melhor atenção;
g) Nas omissões aos cuidados caseiros, desde
as retificações de costumes junto aos filhos, aos aconselhamentos
construtivos entre irmãos, cônjuges, pais;
h) No esquecimento da parcela de contribuição
carinhosa aos irmãos menores;
i) Na falta de tempo para as atividades beneméritas
que já assumimos.
"Dai delicadamente, juntai ao benefício que fizerdes o mais precioso
de todos os benefícios: o de uma boa palavra, de um carinho; damm sorriso
amistoso. Evitai esse aspecto de protetor, que equivale a revolver a lâmina
no coração que sangra, e pensai que, ao fazer o bem, trabalhais
para vós e para os outros." (Id., ibid.)
Ney P. Peres