4 - COMO CONHECER-SE? |
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- COMO CONHECER-SE
"Reconhece-se o verdadeiro espirita pela sua transformação
moral e pelo esforço que empreende no domínio das más inclinações."
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVII. Sede
Perfeitos. Os Bons Espiritistas.) A disposição de conhecer-se
a si mesmo pode surgir naturalmente como fruto do amadurecimento de cada um,
de forma espontânea, nata, resultante da própria condição
espiritual do indivíduo, ou poderá ser provocada pela ação
do sofrimento renovador que, sensibilizando a criatura, desperta-a para valores
novos do espírito. Uns chegam pela compreensão natural, outros,
pela dor, que também é um meio de despertar a nossa
compreensão.
Um grande número de indivíduos são levados, devido a desequilíbrios
emocionais, a gabinetes psiquiátricos ou psicoterápicos para tratamentos
específicos. Através desses tratamentos vêm a conhecer as
origens de seus distúrbios, aprendendo a identificá-los e a controlá-los,
normalizando, até certo ponto, a sua conduta. Porém, isso ocorre
dentro de uma motivação de comportamento compatível com
os padrões de algumas escolas psicológicas, quase todas materialistas.
Na Doutrina Espírita, como Cristianismo Redivivo, igualmente buscamos
o conhecimento de nós mesmos, embora dentro de um sentido muito mais
amplo, segundo o qual entendemos que a fração eterna e indissolúvel
de nosso ser só caminha efetivamente na sua direção evolutiva
quando pautando-se nos ensinamentos evangélicos, únicos padrões
condizentes com a realidade espiritual nos dois planos da nossa existência.
É preciso, então, despertar em nós a necessidade de conhecer
o nosso íntimo, objetivando nossa transformação dentro
do sentido cristão original, ensinado e exemplificado pelo Divino Mestre
Jesus. Conhecer exclusivamente as causas e as origens de nossos traumas e recalques,
de nossas distonias emocionais nos quadros da presente existência é
limitar os motivos dos nossos conflitos, olvidando a realidade das nossas existências
anteriores, os delitos transgressores do ontem, que nos vinculam aos processos
reequilibradores e aos reencontros conciliatórios do hoje.
As motivações que nos induzem a desenvolver nossa remodelação
de comportamento projetam-se igualmente para o futuro da nossa eternidade espiritual,
onde os valores ponderáveis são exatamente aqueles obtidos nas
conquistas nobilitantes do coração. Percebendo o passado longínquo
de erros, trabalhamos livremente no presente, preparando um futuro existencial
mais suave e edificante. Esse é o amplo contexto da nossa realidade espiritual,
à qual almejamos nos integrar atuantes e produtivos.
O emérito professor Allan Kardec, em sua obra O Céu e o Inferno
1ª parte, capítulo VII, mostra, nos itens 16° do Código
Penal da Vida Futura, que no caminho para a regeneração não
basta ao homem o arrependimento. São necessárias a expiação
e a reparação, afirmando que "A reparação consiste
em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal", e também
"praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é,
tornando-se humilde se tem sido orgulhoso, amável se foi rude, caridoso
se foi egoísta, benigno se perverso, laborioso se ocioso, útil
se foi inútil, frugal se intemperante, exemplar se não o foi".
Como podemos nos reabilitar, dentro dessa visão panorâmica da nossa
realidade espiritual, infinitamente ampla, é o que pretendemos, à
luz do Espiritismo, abordar neste trabalho de aplicação prática.
Reabilitar-se exige modificar-se, transformar o comportamento, a maneira de
ser, de agir; é reformar-se moralmente, começando pelo conhecimento
de si mesmo. Múltiplas são as formas pelas quais vamos conhecendo
a nós mesmos, nossas reações, nosso temperamento, o que
imprime as nossas ações ao meio em que vivemos, aquilo que é
a maneira como respondemos emocionalmente, como reagimos aos inúmeros
impulsos externos no relacionamento social.
Podemos concluir que a nossa existência é todo um processo contínuo
de reformulação de nossos próprios sentimentos e de nossa
compreensão dos porquês, como eles surgem e nos levam a agir. Quando
não procuramos deliberadamente nos conhecer, alargando os campos da nossa
consciência, dirigindo-a rumo ao nosso eu, buscando identificar o porquê
e a causa de tantas reações desconhecidas, somos Igualmente levados
a nos conhecer, exatamente nos entrechoques com aqueles do nosso convívio,
no seio familiar, no meio social, nos setores de trabalho, nos transportes coletivos,
nos locais públicos, nos clubes recreativos, nos meios religiosos, enfim,
em tudo o que compreende os contatos de pessoa a pessoa.
Ney P. Peres