I - INTRODUÇÃO |
"Com
o espiritismo, a humanidade deve entrar numa fase nova, a do progresso moral,
que lhe é consequência inevitável."
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Conclusão V.)
Estas
palavras nos foram ditas pelo emérito Codificador do Espiritismo, no
final de O Livro dos Espíritos, editado no ano de 1857. Como nós,
espíritas, seguimos hoje os rumos dessa verdade enunciada pelo respeitável
mestre lionês? Continua sendo difícil encarar, com vontade de mudar,
a realidade intima, própria de cada um, e exercer o esforço de
conseguir o progresso moral.
Na pergunta 661 desse mesmo livro, relativamente ao perdão de Deus para
as nossas faltas, respondem os espíritos: "a
prece não oculta as faltas" e "o perdão só é
obtido mudando de conduta". Isso é conclusivo, e não
requer uma formação escolar muito ampla para realizar-se a transformação
interior preconizada. O meio de se fazer essa Reforma já nos foi ensinado
há dois mil anos pelo meigo Rabi da Galiléia. Ele mesmo disse:
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém
vai ao Pai senão por Mim".
Pergunta 661: Pode-se, eficazmente, pedir a Deus perdão
para nossas faltas? Deus sabe discernir o bem e o mal: a prece não
oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não
o obtém senão mudando de conduta. As boas ações
são a melhor prece, porque os atos valem mais do que as palavras.
Ainda é através da passagem pela "porta estreita" e
pelo esforço perseverante, pelos testemunhos, que conquistamos os valores
do espirito. Abraçar a dificuldade, aceitando-a e utilizando-a como forma
de alcançar o progresso moral, essa é a posição
a ser tomada.
Temos perdido muito tempo em discussões, dissensões e críticas,
mesmo no meio espírita, e o objetivo central, que efetivamente impulsiona
o homem a melhorar, esse tem sido de certo modo olvidado, com alegações
de que não podemos afugentar os poucos adeptos, ou que a evolução
não dá saltos.
Das palavras do texto escrito por Kardec, entendemos que já entramos
na "fase nova da humanidade" ou, quando
não, estamos no seu limiar. E o que tem o Espiritismo realizado, depois
de cento e vinte anos, em termos de progresso moral da humanidade? Perdoem-me
os confrades e os amigos internautas, mas quando penso nisso, vendo o que temos
às mãos, oferecido por esta Doutrina, e o que já poderíamos
ter avançado, fico angustiado. Somos responsáveis pelo bem que
deixamos de fazer e por todo o mal decorrente desse bem não praticado
(O Livro dos Espíritos, pergunta 642).
É ainda muito pouco, na dimensão da humanidade planetária,
o que a Doutrina dos Espíritos tem realizado. Poder-se-ia ter realizado
bem mais, e se isso não foi feito ainda em proporções razoáveis,
como articular todos os nossos recursos e potencialidades para a execução
desse gigantesco trabalho?
Não podemos encontrar as respostas em poucas palavras, mas a centralização
de esforços nesse objetivo poderia unir a família espírita
dos quatro cantos da Terra no estudo direcionado, o aprimoramento dos profitentes,
de modo prático e eficaz, sem muita perda de tempo, integrando todos
no trabalho de exemplificação pelas obras e, ao mesmo tempo, na
divulgação do consolo que a Doutrina dá aos apelos dos
que sofrem. Temos constatado, na execução do programa das Escolas
de Aprendizes do Evangelho (o que lhe autentica os propósitos), a comprovação
da assistência espiritual superior, auxiliando os que buscam triunfar
sobre as suas paixões e o incentivo aos caminhos da abnegação,
como meio eficaz para combater os vícios e os predomínios da natureza
corpórea. Essas escolas, criadas pelo Sr. Edgard Armond em 1940 e iniciadas
na Federação Espírita do Estado de São Paulo em
1950, conduzem de forma disciplinar, num programa de quase três anos,
o objetivo precípuo da autotransformação, baseada no conhecimento
evangélico à luz do Espiritismo e nas oportunidades de servir.
É
o que temos visto, até hoje, nesses nossos trinta anos de Doutrina Espírita,
como trabalho de resultados mais efetivos, exatamente dentro desse sentido prioritário
concluído por Kardec, ou seja, o de levar a criatura a realizar o seu
progresso moral. Trazemos nossa despretensiosa colaboração aos
Aprendizes do Evangelho e a todos os que buscam realizar a sua transformação
interior, aqui reunindo informações e dispondo de elementos que
melhor nos conduzam nos ideais colunados, de forma prática e numa linguagem
simples.
Ney Prieto Peres