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- MASDEÍSMO versão Espírita |
Esta
é a antiga religião persa e tem muitos pontos de contato com a
religião védica — dos hindus — que já analisamos
em suas linhas gerais.
Aliás, esses povos — persas e hindus — têm quase que
as mesmas origens geográficas e etnográficas. Realmente, remontando
séculos na história do mundo, vamos nos encontrar nas planícies
centrais da Europa, onde dois povos diferentes, representando duas civilizações
diferentes, se defrontam.
Um — de homens brancos, descendentes dos hiperbóreos — vindo
do norte misterioso e frígido; outro — de negros — vindo
do sul, mormente do continente africano, através do Mediterrâneo.
Esses dois grandes povos seguem estandartes perfeitamente opostos. Os negros
ostentam o estandarte do Touro e são violentos e opressores, ao passo
que os brancos, pacíficos, levantam o do Carneiro.
Seu
chefe é Rama, o eleito de Deus, merecedor de suas graças, o Enviado
do Alto para guiar essa humanidade tão bárbara daqueles recuados
dias da nossa história.
E para evitar a guerra e o extermínio entre as duas grandes raças
e para preservar a raça branca, detentora já de um civilização
mais avançada, Rama a conduz para o Oriente, localizando parte dela na
Pérsia e outra parte diretamente na índia.
Este acontecimento é conhecido na história como a "Invasão
dos Árias" e marca o início da civilização
oriental que a partir desse tempo fez-se mãe de quase todas as civilizações
do mundo.
Por isso é que dissemos, ainda há pouco, que esses dois povos
persa e hindu, têm quase a mesma origem. Rama organizou a vida religiosa
da índia primitiva e seus códigos mais tarde foram introduzidos
na Pérsia.
Mas, quanto à religião persa, em particular, seu fundador foi
Zoroastro e seus ensinos estão condensados em vários códigos
sagrados, dos quais o fundamental é o "Zend Avesta".
O conceito geral desta doutrina é o seguinte: quando o Ser Supremo —
Ahura-Mazda criou o mundo, criou também as forças antagônicas
dos dois princípios: bem e mal. Esses princípios são representados
pelas divindades Ormuzd, que personifica o bem e Arihman, que personifica o
mal, e ambos são assistidos por gênios e demônios, a saber:
os amshaspands e os devas, que os secundam na sua luta eterna.
Ambas as divindades agem sobre o mundo e sobre os homens, influenciando-os nos
sentidos que lhes são próprios, cada um devendo se orientar pelo
seu próprio livre-arbítrio e, ao fim dos tempos, quando o mundo
chegar ao seu termo e os homens tiverem terminado sua evolução,
os céus se abrirão para receber os frutos do trabalho universal
e neles entrarão os homens, bem como a ele voltarão os deuses
rivais, que tão relevante papel desempenharam na redenção
do gênero humano.
Esta singular concepção nos dá uma idéia perfeita
da relatividade do bem e do mal e nos faz compreender, em toda a sua grandeza,
a utilidade de ambos, nos primeiros degraus da evolução, para
a nossa libertação espiritual.
Nesta religião, herdada dos Árias, e como na Atlântida,
o culto predominante era o do fogo, que representava o Logos - a divindade visível
-e ao mesmo tempo as chamas das luta espiritual que os homens deviam travar
para vencer o mal.
Por toda a parte eram erguidos altares dedicados ao culto do fogo. Das grandes
religiões do mundo esta foi a única que desapareceu.
Quando os maometanos conquistaram a Pérsia e ali introduziram, a fio
de espada, a religião do Islã, cem mil zoroastrinos se passaram
à índia e seus remanescentes, em número de 8 a 10 mil,
ainda lá existem hoje: são os "parsis", que tendem também
a desaparecer, não só porque vivem isolados, não operam
conversões à sua doutrina, como porque dado o insignificante número,
serão forçosamente absorvidos pela massa ambiente, tanto mais
que não se cruzam com indivíduos de outra religião.
Vivem
na cidade de Bombaim e se dedicam principalmente às profissões
liberais, gozando de grande consideração popular.
Edgard Armond