EMMANUEL |
CIÊNCIAS APLICADAS - (O CONSOLADOR)
94
— Como é considerada nos planos espirituais a medicina terrena?
— A medicina humana, compreendida e aplicada dentro de suas finalidades
superiores, constitui uma nobre missão espiritual.
O médico honesto e sincero, amigo da verdade e dedicado ao bem, é
um apóstolo da Providência Divina, da qual recebe a precisa assistência
e inspiração, sejam quais forem os princípios religiosos
por ele esposados na vida.
95 — Em face dos esforços da Medicina, como devemos considerar
a saúde?
— Para o homem da Terra, a saúde pode significar o equilíbrio
perfeito dos órgãos materiais; para o plano espiritual, todavia,
a saúde é a perfeita harmonia da alma, para obtenção
da qual, muitas vezes, há necessidade da contribuição preciosa
das moléstias e deficiências transitórias da Terra.
96 — Toda moléstia do corpo tem ascendentes espirituais?
— As chagas da alma se manifestam através do envoltório
humano. O corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo.
A patogenia é um conjunto de inferioridades do aparelho psíquico.
E é ainda na alma que reside a fonte primária de todos os recursos
medicamentosos definitivos. A assistência farmacêutica do mundo
não pode remover as causas transcendentes do caráter mórbido
dos indivíduos. O remédio eficaz está na ação
do próprio espírito enfermiço.
Podeis objetar que as injeções e os comprimidos suprimem a dor;
todavia, o mal ressurgirá mais tarde nas células do corpo. Indagareis,
aflitos, quanto às moléstias incuráveis pela ciência
da Terra e eu vos direi que a reencarnação, em si mesma, nas circunstâncias
do mundo envelhecido nos abusos, já representa uma estação
de tratamento e de cura e que há enfermidades dalma, tão persistentes,
que podem reclamar várias estações sucessivas, com a mesma
intensidade nos processos regeneradores.
97 — Se as enfermidades são de origem espiritual, é justa
a aplicação dos medicamentos humanos, a cirurgia, etc., etc.?
— O homem deve mobilizar todos os recursos ao seu alcance, em favor do
seu equilíbrio orgânico. Por muito tempo ainda, a Humanidade não
poderá prescindir da contribuição do clínico, do
cirurgião e do farmacêutico, missionários do bem coletivo.
O homem tratará da saúde do corpo, até que aprenda a preservá-lo
e defendê-lo, conservando a preciosa saúde de sua alma.
Acima de tudo, temos de reconhecer que os serviços de defesa das energias
orgânicas, nos processos humanos, como atualmente se verificam, asseguram
a estabilidade de uma grande oficina de esforços santificadores no mundo.
Quando, porém, o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos
medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos
recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á elevada a
santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas.
98 — Nos processos de cura, como deveremos compreender o passe?
— Assim como a transfusão de sangue representa uma renovação
das forças físicas, o passe é uma transfusão de
energias psíquicas, com a diferença de que os recursos orgânicos
são retirados de um reservatório limitado, e os elementos psíquicos
o são do reservatório ilimitado das forças espirituais.
99 — Como deve ser recebido e dado o passe?
— O passe poderá obedecer à fórmula que forneça
maior porcentagem de confiança, não só a quem o dá,
como a quem o recebe. Devemos esclarecer, todavia, que o passe é a transmissão
de uma força psíquica e espiritual, dispensando qualquer contacto
físico na sua aplicação.
100 — A chamada "benzedura", conhecida nos meios populares,
será uma modalidade do passe?
— As chamadas "benzeduras", tão comuns no ambiente popular,
sempre que empregadas na caridade, são expressões humildes do
passe regenerador, vulgarizado nas instituições espiritistas de
socorro e de assistência.
Jesus nos deu a primeira lição nesse sentido, impondo as mãos
divinas sobre os enfermos e sofredores, no que foi seguido pelos apóstolos
do Cristianismo primitivo.
"Toda boa dádiva e dom perfeito vêm do Alto" —
dizia o apóstolo, na profundeza de suas explanações.
A prática do bem pode assumir as fórmulas mais diversas. Sua essência,
porém, é sempre a mesma diante do Senhor.
101 — Por que não será permitida às entidades espirituais
a revelação dos processos de cura da lepra, do câncer, etc.?
— Antes de qualquer consideração, devemos examinar a lei
das provações e a necessidade de sua execução plena.
Na própria natureza da Terra e na organização de fluidos
inerentes ao planeta, residem todos esses recursos, até hoje inapreendidos
pela ciência dos homens. Jesus curava os leprosos com a simples imposição
de suas mãos divinas.
O plano espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço
próprio, como a direção de uma escola não pode decifrar
os problemas relativos à evolução de seus discípulos.
Além de tudo, a doença incurável traz consigo profundos
benefícios. Que seria das criaturas terrestres sem as moléstias
dolorosas que lhes apodrecem a vaidade? Até aonde poderiam ir o orgulho
e o personalismo do espírito humano, sem a constante ameaça de
uma carne frágil e atormentada?
Observemos as dádivas de Deus no terreno das grandes descobertas, mobilizadas
para a guerra de extermínio, e contemplemos com simpatia os hospitais
isolados e escuros, onde, tantas vezes, a alma humana se recolhe para as necessárias
meditações.
102 — Podem os Espíritos amigos atuar sobre a flora microbiana,
nas moléstias incuráveis, atenuando os sofrimentos da criatura?
— As entidades amigas podem diminuir a intensidade da dor nas doenças
incuráveis, bem como afastá-la completamente, se esse benefício
puder ser levado a efeito no quadro das provas individuais, sob os desígnios
sábios e misericordiosos do plano superior.
103 — No tratamento ministrado pelos Espíritos amigos, a água
fluidificada, para um doente, terá o mesmo efeito em outro enfermo?
- A água pode ser fluidificada, de modo geral, em benefício de todos; todavia, pode sê-lo em caráter particular para determinado enfermo, e, neste caso, é conveniente que o uso seja pessoal e exclusivo.
Emmanuel
SE TODOS PERDOASSEM
Imaginemos,
por um minuto, que mundo maravilhoso seria a Terra, se todos perdoassem!...
Se todos perdoassem, a ventura celeste começaria de casa, onde todo companheiro
de equipe doméstica perceberia que a experiência na reencarnação
é diferente para cada um e, por isso mesmo, teria suficiente disposição
para agir em apoio dos associados da edificação em família,
a fim de que venham a encontrar o tipo de felicidade pessoal e correta a que
se dirigem.
Se todos perdoassem, cada grupo na comunidade terrestre alcançaria o
máximo de eficiência na produção do bem comum, porquanto,
em toda parte, existiria entendimento bastante para que a inveja e o despeito,
o azedume e a crítica destrutiva fossem banidos para sempre do convívio
social.
Se todos perdoassem, o espírito de competição, no progresso
das ciências e na efetivação dos negócios, subiria
constantemente de nível moral, suscitando as mais belas empresas de aprimoramento
do mundo, porque o golpe e a vingança desapareceriam do intercâmbio
entre pessoas e instituições, com o respeito mútuo revestindo
de lealdade os menores impulsos à concorrência, que se fixaria
exclusivamente no bem com esquecimento do mal.
Se todos perdoassem, a guerra seria automaticamente abolida no Planeta, de vez
que o ódio seria erradicado das nações, com a solidariedade
traçando aos mais fortes a obrigação do socorro aos mais
fracos, não mais se verificando a corrida de armamentos e sim a emulação
incessante à fraternidade entre os povos.
Se todos perdoassem, a saúde humana atingiria prodígios de equilíbrio e longevidade, porquanto a compreensão recíproca extinguiria o ressentimento e o ciúme, que deixariam, por fim assegurar, entre as criaturas, terreno propício à obsessão e à loucura, à enfermidade e à morte.
Quando todos aprendermos a perdoar, o amor entoará hosanas, de polo a polo da Terra, e então o Reino de Deus fulgirá em nós e junto de nós para sempre.
Emmanuel