MIGUEL COUTO |
MENTALISMO
O progresso do MENTALISMO abrirá, indubitavelmente, novos rumos à Medicina para engrandecimento do futuro humano.
O corpo físico é máquina viva, constituída pela congregação de miríades de corpúsculos ativos, sob o comando do espírito que manobra com a rede biológica dentro das mesmas normas que seguimos ao utilizar a corrente elétrica.
Avançando
pesadamente, da animalidade para a humanidade, aumentamos o poder da consciência
pela assimilação dos valores que a vida nos oferece, por intermédio
do tempo e do trabalho; e, com esse poder armazenado na economia do próprio
ser, manejamos o equipamento celular, com antecipado conhecimento de suas ações
e reações, qualidades superiores ou idiossincrasias genéticas,
para que nos ajustemos ao laborioso esforço da encarnação,
dela retirando os proventos necessários.
À custa de insano trabalho, emerge a alma do passado obscuro, elevando-se
para as zonas de equilíbrio e sublimação, deixando, porém,
na retaguarda, verdadeiros mundos submersos, dos quais recebe apelos deprimentes,
que, muita vez, a compelem à estagnação nas trevas. Tudo
é vibração, movimento, magnetismo e eletricidade, nos domínios
quase desconhecidos da matéria e do espírito, cujo ponto de interação
estamos singularmente distantes de alcançar.
O homem, na estruturação fisiopsíquica, é uma grande
bateria criando e acumulando cargas elétricas, com que influencia e é
influenciado.
Todo sentimento é energia estática.
Todo pensamento é criação dinâmica.
Toda ação é arremesso, com todos os seus efeitos.
Cada individualidade, assim, conforme os sentimentos que nutre na estrutura
espiritual e segundo os pensamentos que entretém na mente, atrai ou repele,
constrói ou destrói, através das forças que emite
nas obras, nas palavras, nas atitudes, com que se evidencia pela instrumentação
mental que lhe é própria.
A saúde é questão de equilíbrio vibracional, de
conformação de frequências. Naturalmente, enquanto
na Terra, esse problema implica uma equação de vários parâmetros,
quais sejam a respiração e a atividade, o banho e o alimento.
Forçoso é, todavia, convir que as raízes morais são
sempre os fatores de maior importância, não somente na vida normal,
senão também, e em particular, nas horas conturbadas.
Cada alma vive carregada dos princípios eletromagnéticos gerados
por ela mesma, projetando ondas que, na essência, são os fluidos
positivos ou negativos com os quais jogamos no campo de atividades a que fomos
chamados ou conduzidos. Nossa mente vive cercada de forças complexas
que procedem das constelações próximas e remotas, do Sol,
da Lua, da própria Terra, dos nossos semelhantes e dos seres superiores
e inferiores que partilham conosco a habitação coletiva.
Achamo-nos, no Planeta, como que presos a poderoso imã: desenvolvemos
nossas virtudes potenciais; apuramos tendências e recolhemos as vantagens
da educação espiritual; emitimos as irradiações
que nos são peculiares e graças às quais somos aproveitados
pelas Potências Sublimes, no serviço da Humanidade; entesouramos
nossa riqueza futura, ou por ela nos castigamos a nós mesmos: são
os choques de retorno, em cuja manifestação somos sempre vítimas
das cargas asfixiantes que arremessamos, no espaço e no tempo, ferindo
pessoas e coisas, na tentativa de quebra da Harmonia Divina.
Nossos sentimentos e pensamentos criam linhas de força, e, destarte,
conforme a nossa polaridade, ou se nos facilita a ascensão, que é
luz, ou sofremos retardamento em níveis mais baixos, quais os apresenta
o mundo terrestre, voluntário cárcere de sombra. Tudo é
santo nos círculos da Natureza, mas a inteligência que se elevou
na escala do aperfeiçoamento moral não professará o magnetismo
dos seres em movimentação primária, sem dano grave a si
mesma.
A vida pede a nossa renovação permanente para chegarmos ao Sólio
Divino, que lhe é meta fulgurante. Para isso é imprescindível
aprender, transformar, agir e santificar, incessantemente, assimilando as ondas
de vitalidade que nos cercam em nosso crescimento espiritual. Confiarmo-nos
a paixões bastardas será estabelecer linhas de forças repulsivas,
que nos constrangem à demora na paisagem das sombras.
Acendermos
a confiança e o entusiasmo na vitória do bem é formar linhas
de forças atrativas, com as quais estruturamos para a nossa individualidade
eterna um mundo vasto de felicidade, alegria e paz incessantes. O homem é
o distribuidor de cargas eletromagnéticas, geradas por ele mesmo, em
toda parte. O equilíbrio, portanto, é questão
de toda hora.
Examinado em seus aspectos reais, o corpo físico é uma grande
república federativa, onde as células, diferenciadas pela especialização,
agem sob o comando da mente. Esses indivíduos microscópicos requisitam,
porém, incentivo, nutrição e amparo, a fim de viverem convenientemente,
e possuem também o seu campo vibratório circunscrito, dependendo
de estímulos dessa natureza para se enquadrarem na harmonia necessária.
A missão de curar, deste modo, é muito mais a ciência de
equilibrar os movimentos oscilatórios que a de socorrer o veículo
somático; e somos obrigados a considerar que, ainda quando praticamos
a clínica ou a cirurgia, é imprescindível ponderar a modificação
do tônus vibratório de imensas colônias de protozoários,
através de cargas elétricas de produtos químicos ou de
golpes renovadores do bisturi, se desejamos alcançar a almejada restauração.
Cada alma vive e respira na atmosfera mental que estabelece para si mesma, em
qualquer distrito do Universo. Purifiquemos o pensamento, encaminhando-o às
zonas superiores do nosso idealismo, buscando, simultaneamente, materializá-lo
no terreno chão da luta diária, criando novos motivos de felicidade,
de confiança, de luz e de alegria, na esfera de nossas horas vulgares,
e a harmonia será a resposta divina aos nossos empreendimentos.
Em baixo, a inteligência encarnada sofre a influência de pesado
clima vibratório, em vastíssimo parque de contrastes e de experiências,
na condição do aluno que se deve impor estudo e exercício
para alcançar o conhecimento. Em cima, resplandece a Lei Cósmica,
retribuindo a cada criatura, no tempo e no espaço, conforme as próprias
obras. A ciência mental, com bases nos princípios que presidem
à prosperidade do espírito, será, no grande futuro, o alicerce
da saúde humana.
Saudando, assim, o porvir da Humanidade, exaltemos o Médico Divino que,
sem usar sequer uma gota de elixir da Terra, atuou na mente do mundo, legando-lhe
a fonte renovadora do Evangelho, com o qual, na esteira infinita das reencarnações,
gradualmente nos ajustamos aos deveres da fraternidade e do trabalho, na real
aplicação do "amemo-nos uns aos outros", aprendendo
a subir, vagarosamente embora, o monte da glorificação espiritual.
Miguel Couto