| CARIDADE |
| BIBLIOGRAFIA |
| 01 - A sombra do olmeiro - pág. 22/48 | 02 - As aves feridas na Terra voam - pág. 24 |
| 03 - Ave Luz - pág. 226 | 04 - Caridade - toda a obra |
| 05 - Catecismo Espírita - pág. 18 8ª. lição | 06 - Ceifa de Luz - pág. 17 |
| 07 - Coragem - pág. 31/105 | 08 - Curso Dinâmico de Espiritismo - pág. 106 |
| 09 - Depois da morte - pág. 272 | 10 - Espírito e Vida - pág. 51 |
| 11 - Estudos Espíritas - pág. 121 | 12 - Fonte Viva - pág. 31/225/277/309 |
| 13 - Jesus no Lar - pág. 91/127 | 14 - O batismo - pág. 315 |
| 15 - O Consolador - pág. 151 | 16 - O Homem Novo - pág. 27/30/33/36 |
| 17 - O Livro dos Espíritos - Q. 627/648/655/717 | 18 - Obras Póstumas - pág. 337 |
| 19 - Pérolas do Além - pág. 40 | 20 - Religião dos Espíritos - pág. 63 |
| 21 - Roteiro - pág. 71 | 22 - Síntese de O Novo Testamento - pág. 62/250 |
| 23 - Somos Reis - pág. 126/1349 | 24 - Vinhas de Luz - pág. 233/339 |
| 25 - Do país da Luz - pág. 138 | 26 - Do calvário ao apocalipse - pág. 246 |
| 27 - Seareiros de volta - pág. 46 | 28 - Cartas e Crônicas - pág. 78 |
| 29 - Lázaro Redivivo - pág. 96 | 30 - Vinhas de Luz - pág. 234 |
| 31 - Mediunidade e evolução - pág. 153 | 32 - O Evangelho S. o Espiritismo - pág. 219 |
| 33 - Bênção de paz - pág. 82 | 34 - Construção do amor - pág. 55, 59 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
CARIDADE - COMPILAÇÃO
07 – CORAGEM – FRANCISCO CÂNDIDO
XAVIER, pág. 31/105
Na
hora da caridade – 9 – pág. 31. Não te furtarás
ao serviço de emenda e nem recusarás as constrangedoras obrigações
de restaurar a realidade, mas unge o coração de brandura para
corrigir abençoando e orientar construindo!...
A dificuldade do próximo é intimação à beneficência,
no entanto, assim como é preciso condimentar de amor o pão que
se dá para que ele não amargue a boca que o recebe, é indispensável
também temperar de misericórdia o ensino que se ministra para
que a palavra esclarecedora não perturbe o ouvido que o recolhe.
Na hora da caridade, não reflitas apenas naquilo que os irmãos
necessitados devem fazer !... Considera igualmente aquilo que lhes não
foi possível fazer ainda !..
Coteja as tuas oportunidades com as deles. Quantos atravessaram a infância
sem a refeição de horário certo e quantos se desenvolveram,
carregando moléstias ocultas ! Quantos suspiram em vão pela riqueza
do alfabeto, desde cedo escravizados a tarefas de sacrifício e quantos
outros cresceram em antros de sombra, sob as hipnoses da viciação
e do crime! ... Quantos desejaram ser bons e foram arrastados à delinquência
no instante justo em que o anseio de retidão lhes aflorava na consciência
e quantos foram colhidos de chofre nos processos obsessivos que os impeliram
a resvaladouros fatais !
Soma as tuas facilidades, revisa as bênçãos que usufruis,
enumera as vantagens e os tesouros de afeto que te coroam os dias e socorre
aos companheiros desfalecentes da estrada, buscando soerguê-los ao teu
nível de entendimento e conforto.
Na hora da caridade, emudece as humanas contradições e auxilia
sempre, mas sempre clareando a razão com a luz do amor fraterno, ainda
mesmo quando a verdade te exija duros encargos, semelhantes às dolorosas
tarefas da cirurgia. Emmanuel
09 - DEPOIS DA MORTE - LÉON DENIS - ÍTEM XLVII - A CARIDADE:
XLVII — A CARIDADE: Ao encontro das religiões exclusivistas, que tomaram por preceito: Fora da Igreja não há salvação, como se, pelo seu ponto de vista puramente humano, pudessem decidir da sorte dos seres na vida futura, Allan Kardec colocou as seguintes palavras no frontispício das suas obras: Fora da caridade não há salvação. Efetivamente, os Espíritos ensinam-nos que a caridade é a virtude por excelência e que só ela nos dá a chave dos destinos elevados."É necessário amar os homens", assim repetem eles as palavras em que o Cristo havia condensado todos os mandamentos da lei moisaica. Mas, objetam, os homens não se amam. Muita maldade aninha-se neles, e a caridade é bem difícil de praticar a seu favor. Se assim os julgamos, não será porque nos é mais agradável considerar unicamente o lado mau de seu caráter, de seus defeitos, paixões e fraquezas, esquecendo, muitas vezes, que disso também não estamos isentos, e que, se eles têm necessidade da nossa caridade, nós não precisamos menos da sua indulgência?
Entretanto, não é só o mal que reina no mundo. Há
no homem também boas qualidades e virtudes, mas há, sobretudo,
sofrimentos. Se desejarmos ser caritativos, como devemos sê-lo em nosso
próprio interesse e no da ordem social, não deveremos inclinar-nos
a apreciações sobre os nossos semelhantes, à maledicência,
à difamação; não deveremos ver no homem mais que
um companheiro de provas ou um irmão na luta pela vida. Vejamos os males
que ele sofre em todas as classes da sociedade. Quem não oculta um queixume,
um desgosto no fundo da própria alma; quem não suporta o peso
das mágoas, das amarguras? Se nos colocássemos neste ponto de
vista para considerar o próximo, em breve nossa malquerença transformar-se-ia
em simpatia. Ouvem-se, por exemplo, muitas vezes, recriminações
contra a grosseria e as paixões brutais das classes operárias,
contra a avidez e as reivindicações de certos homens do povo.
Reflete-se então maduramente sobre a triste educação recebida,
sobre os maus exemplos que os rodearam
desde a infância? A carestia da vida, as necessidades imperiosas de cada
dia impõem-lhes uma tarefa pesada e absorvente.
Nenhum descanso, nenhum tempo existe para esclarecer-lhes a inteligência. São-lhes desconhecidas as nevolência que deve envolver todos os homens, desde o mais bem dotado em virtude até o mais criminoso, e bem assim regular as nossas relações com eles. A verdadeira caridade é paciente e indulgente. Não se ofende nem desdenha pessoa alguma; é tolerante e, mesmo procurando dissuadir, o faz sempre com doçura, sem maltratar, sem atacar idéias enraizadas. Esta virtude, porém, é rara. Um certo fundo de egoísmo leva-nos, muitas vezes, a observar, a criticar os defeitos do próximo, sem primeiro repararmos nos nossos próprios. Existindo em nós tanta podridão, empregamos ainda a nossa sagacidade em fazer sobressair as qualidades ruins dos nossos semelhantes. Por isso não há verdadeira superioridade moral sem caridade e modéstia. Não temos o direito de condenar nos outros as faltas a que nós mesmos estamos expostos; e, embora a elevação moral já nos tenha isentado dessas fraquezas, devemos lembrar-nos de que tempo houve quando nos debatíamos contra a paixão e o vício.
Há poucos homens que não tenham maus hábitos a corrigir,
impulsos caprichosos a modificar. Lembremo-nos de que seremos julgados com a
mesma medida de que nos servirmos para com os nossos semelhantes. As opiniões
que formamos sobre eles são quase sempre reflexo da nossa própria
natureza. Sejamos mais prontos a escusar do que a censurar. Muitas vezes nos
arrependemos de um julgamento precipitado. Evitemos, portanto, qualquer apreciação
pelo lado mau. Nada é mais funesto para o futuro da alma do que as más
intenções, do que essa maledicência incessante que alimenta
a maior parte das conversas. O eco das nossas palavras repercute na vida futura,
a atmosfera dos nossos pensamentos malignos forma uma espécie de nuvem
em que o Espírito é envolvido e obumbrado. Abstenhamo-nos dessas
críticas, dessas apreciações dolosas, dessas palavras zombeteiras
que envenenam o futuro. Acautelemo-nos da maledicência como de uma peste;
retenhamos em nossos lábios qualquer palavra mordaz que esteja prestes
a ser proferida, porque de tudo isso depende a nossa felicidade.
O homem caridoso faz o bem ocultamente; e, enquanto este encobre as suas boas
ações, o vaidoso proclama o pouco que faz. "Que a mão
esquerda ignore o que faz a direita", disse Jesus. "Aquele que fizer
o bem com ostentação já recebeu a sua recompensa."
Beneficiar ocultamente, ser indiferente aos louvores humanos, é mostrar
uma verdadeira elevação de caráter, é colocar-se
acima dos julgamentos de um mundo transitório e procurar a justificação
dos seus atos na vida que não acaba. Nessas condições,
a ingratidão e a injustiça não podem atingir aquele que
fora caritativo. Ele faz o bem porque é do seu dever e sem esperar nenhuma
recompensa. Não procura auferir vantagens; deixa à lei o cuidado
de fazer decorrer as consequências dos seus atos, ou, antes, nem pensa
nisso. É generoso sem cálculo. Para tornar-se agradável
aos outros, sabe privar-se do que lhe é necessário, plenamente
convencido de que não terá nenhum mérito dispondo do que
for supérfluo. Eis por que o óbolo do pobre, o denário
da viúva, o pedaço de pão que o proletário divide
com seu companheiro de infortúnio têm mais valor que as larguezas
do rico. Há mil maneiras de nos tornarmos úteis, de irmos em socorro
dos nossos irmãos.
O pobre, em sua parcimônia, pode ainda ir em auxílio de outro mais necessitado do que ele. Nem sempre o ouro seca todas as lágrimas ou cura todas as feridas. Há males sobre os quais uma amizade sincera, uma ardente simpatia ou uma afeição operam melhor que todas as riquezas. Sejamos generosos com esses que têm sucumbido na luta das paixões e foram desviados para o mal, sejamos liberais com os pecadores, com os criminosos e endurecidos. Porventura sabemos quais as fases cruéis por que eles passaram, quais os sofrimentos que suportaram antes de falir? Teriam essas almas o conhecimento das leis superiores como sustentáculo na hora do perigo? Ignorantes, irresolutas, agitadas pelo sopro da desgraça, poderiam elas resistir e vencer? Lembremo-nos de que a responsabilidade é proporcional ao saber e que muito será pedido àquele que já possui o conhecimento da verdade. Sejamos piedosos para com os que são pequenos, débeis ou aflitos, para com esses a quem sangram as feridas da alma ou do corpo. Procuremos os ambientes onde as dores fervilham, os corações se partem, onde as existências se esterilizam no desespero e no esquecimento.
Desçamos aos abismos da miséria, a fim de levar consolações animadoras, palavras que reconfortem, exortações que vivifiquem, a fim de fazer luzir a esperança, esse sol dos infelizes. Esforcemo-nos por arrancar daí alguma vítima, por purificá-la, salvá-la do mal, abrir-lhe uma via honrosa. Só pelo devotamento e pela afeição encurtaremos as distâncias e preveniremos os cataclismos sociais, extinguindo o ódio que transborda do coração dos deserdados. Tudo o que fizermos pelos nossos irmãos gravar-se-á no grande livro fluídico, cujas páginas se expandem através do espaço, páginas luminosas onde se inscrevem nossos atos, nossos sentimentos, nossos pensamentos. E esses créditos ser-nos-ão regiamente pagos nas existências futuras.
Nada
fica perdido ou esquecido. Os laços que unem as almas na extensão
dos tempos são tecidos com os benefícios do passado. A sabedoria
eterna tudo dispôs para bem das criaturas. As boas obras realizadas neste
mundo tornam-se, para aquele que as produziu, fonte de infinitos gozos no futuro.
A perfeição do homem resume-se a duas palavras: Caridade e Verdade.
A caridade é a virtude por excelência, pois sua essência
é divina. Irradia sobre os mundos, reanima as almas como um olhar, como
um sorriso do Eterno. Ela se avantaja a tudo, ao sábio e ao próprio
gênio, porque nestes ainda há alguma coisa de orgulho, e às
vezes são contestados ou mesmo desprezados. A caridade, porém,
sempre doce e benevolente, reanima os corações mais endurecidos
e desarma os Espíritos mais perversos, inundando-os com o amor.
15 – O CONSOLADOR – FRANCISCO C. XAVIER (EMMANUEL)
Virtude.
Perg. 255 – Devemos nós, os espiritistas, praticar somente
a caridade espiritual ou também a material?
-A divisa fundamental da codificação kardequiana, formulada no
“fora da caridade não há salvação”,
é bastante expressiva para que nos percamos em minuciosas considerações.
Todo serviço da caridade desinteressada é um reforço divino
na obra da fraternidade humana e da redenção universal.
Urge, contudo, que os espiritistas sinceros, esclarecidos no Evangelho, procurem
compreender a feição educativa dos postulados doutrinários,
reconhecendo que o trabalho imediato dos tempos modernos é o da iluminação
interior do homem, melhorando-se-lhe os valores do coração e da
consciência.
25 – DO PAÍS DA LUZ – FERNANDO DE LACERDA, V.2, Cap. 24, pág. 138
A
caridade é o bálsamo que consola todas as dores; o manto que tapa
toda a nudez; o auxílio que socorre toda a miséria; o pão
que mitiga toda a fome; a água que sacia toda a sede; a luz que ilumina
toda a treva; a força que anima toda a fraqueza; o sentimento que penetra
todos os corações; a riqueza ao alcance de todos os mendigos.
Caridade é fazer justiça, é corrigir defeito, é
animar o tímido, é proteger o ousado, é exalçar
a verdade, é enobrecer o humilde, é semear a paz, é pugnar
pelo bem, é estabelecer a concórdia, é servir o amor, é
esquecer agravos, é desculpar as faltas alheias, e é, acima de
tudo, adorar a Deus.
Se é caridade tudo que se pense, de que se obre, que se deseje, que se
peça, em benefício dos outros, não é menos caridade
a que se tiver para conosco próprios. E amar a Deus é ter caridade
para conosco.
26 – DO CALVÁRIO AO APOCALIPSE – FREDERICO PEREIRA DE SILVA JR., Cap. 19, pág. 246
Caridade – irmã gêmea da fé que montanhas transporta; caridade que em todas as formas se desdobra, porque em todas as formas o amor existe; caridade que bem podemos denominar a soberana do infinito, porque é no infinito que se escondem todos os segredos (...).
27 – SEAREIROS DE VOLTA – WALDO VIEIRA, Caridade real, pág. 46
A
caridade real é essa doação de algo pessoal e único
que trazemos dentro de nós e que somente nós podemos oferecer.
É o esforço de esquecimento do “EU” para louvar os
outros.
É a anulação do direito que nos compete para consagrar
o direito de alguém.
É o silêncio de nossa voz que se faça ouvir uma voz mais
frágil que a nossa.
É a luta contra os incômodos pessoais para dilatar o bem-estar
alheio.
É a muda sufocação de toda tristeza nossa para acentuar
a alegria no coração de outrem..
A caridade é a presença do Cristo. (Em vossas artérias,
pág. 129)
(..) é o sol do Divino amor, a sustentar o Universo.
(..) Com Jesus, aprendemos que a caridade é semelhante ao ar que respiramos
– agente da vida que atinge a tudo e a todos. (A caridade e o porvir,
pág. 148).
28 – CARTAS E CRÔNICAS – FRANCISCO C. XAVIER, cap. 17, pág. 78
Além
disso, a caridade é ingrediente da paz em todos os climas da existência,
não apenas aliviando sofredores ou soerguendo caídos, mas também
frustrando crimes e arredando infortúnios.
Caridade é servir sem descanso, ainda mesmo quando a enfermidade sem
importância te convoque ao repouso;
É cooperar espontaneamente nas boas obras, sem aguardar o convite dos
outros;
É não incomodar quem trabalha;
É aperfeiçoar-se alguém naquilo que faz para ser mais útil;
É suportar sem revolta a bílis do companheiro;
É auxiliar os parentes, sem reprovação;
É rejubilar-se com a prosperidade do próximo;
É resumir a conversação de duas horas em três ou
quatro fases;
É não afligir quem nos acompanha;
É ensurdecer-se para a difamação;
É guardar o bom-humor, cancelando a queixa de qualquer procedência;
É respeitar cada pessoa e cada coisa, na posição que lhes
é própria...(cap. 27, pág. 118).
29 – LÁZARO REDIVIVO – FRANCISCO C. XAVIER, cap. 19, pág. 96
A
caridade não depende da bolsa. É fonte nascida no coração.
A caridade é muito maior que a esmola. Ser caridoso é ser profundamente
humano e aquele que nega entendimento ao próximo pode inverter consideráveis
fortunas no campo de assistência social, transformar-se em benfeitor dos
famintos, mas terá de iniciar, na primeira oportunidade, o aprendizado
do amor cristão, para ser efetivamente útil.
Calar a tempo, desculpar ofensas, compreender a ignorância dos outros
e tolerá-la, sofrer com serenidade pela causa do bem comum, ausentar-se
da lamentação, reconhecer a superioridade onde se encontre e aproveitar-lhe
as sugestões é exercer o ministério sagrado da divina virtude.
30 – VINHA DE LUZ – FRANCISCO C. XAVIER, cap. 110, pág. 234
Antes,
porém, da caridade que se manifesta exteriormente nos variados setores
da vida, pratiquemos a caridade essencial, sem o que não poderemos efetuar
a edificação e a redenção de nós mesmos.
Trata-se da caridade de pensarmos, falarmos e agirmos, segundo os ensinamentos
do Divino Mestre, no Evangelho. É a caridade de vivermos verdadeiramente
n’ELE para que Ele viva em nós. Sem esta, poderemos levar a efeito
grandes serviços externos, alcançar intercessões valiosas,
em nosso benefício, espalhar notáveis obras de pedra, mas dentro
de nós mesmos, nos instantes de supremo testemunho na fé, estaremos
vazios e desolados, na condição de mendigos da luz.
31 – MEDIUNIDADE E EVOLUÇÃO – MARTINS PERALVA, cap. 44, pág. 153
Caridade
Material – é representada pelo alimento, o vestuário,
o remédio e outros bens que dependem do recurso financeiro.
(...) a que se traduz pela dádiva representativa de algum desses valores
(materiais).
32 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – ALLAN KARDEC, Cap. 13, it.9, pág. 219
Caridade Moral. Desejo compreendais bem o que seja a caridade moral, que todos podem praticar, que nada custa, materialmente falando, porém, que é a mais difícil de exercer-se. A caridade moral consiste em se suportarem umas as outras criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados. Grande mérito há, crede-me, em um homem saber calar-se, deixando fale outro mais tolo do que ele. É um gênero de caridade isso. Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdém com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se supõe, acima de vós, quando na vida espírita, a única real, estão, não raro, muito abaixo, constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porquanto não dar atenção ao mau proceder de outrem é caridade moral.
Capítulo
XV: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO: O NECESSÁRIO
PARA SALVAR-SE. O BOM SAMARITANO
-
pág. 193
Mas quando vier o Filho do Homem na sua majestade, e todos os com ele, então
se assentará sobre o trono de sua majestade; E serão todas as
gentes congregadas diante dele, e separará uns dos outros, como o pastor
que aparta dos cabritos as ovelhas; E assim porá as ovelhas à
direita, cabritos à esquerda; Então dirá o rei aos que
hão de estar à sua direita: benditos de meu Pai, possuí
o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo; Porque
tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era hóspede,
e recolhestes-me; Estava nu, e cobristes-me; enfermo, e visitastes-me; estava
no cárcere, e viestes ver-me.
Então lhe responderão os justos, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto demos de comer; ou sequioso, e te demos de beber? E quando te vimos hóspede te recolhemos; ou nu, e te vestimos? Ou quando te vimos enfermo, cárcere, e te fomos ver? E respondendo o rei, lhes dirá: Na verdade vos digo quantas vezes vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, é a mim que o fizestes. Então dirá também aos que hão de estar à tua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno que está aparelhado para o diabo e para os seus anjos; Porque tive fome, e não me destes o de comer; tive sede, e não me destes de beber; Era hóspede, e não me recolhestes; estava nu, e não me cobristes; estava enfermo, e no cárcere, e não me visitastes.
Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando é que te vimos faminto, ou sequioso, ou hóspede, ou nu, ou enfermo, ou não te deixamos de te assistir? Então lhes responderá ele, dizendo: Na verdade vos digo que quantas vezes o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (Mateus, XXV: 31-46.)
2. E eis que se levantou um doutor da lei, e lhe disse, para o tentar: Mestre,
que hei de eu fazer para entrar na posse da vida eterna? Disse-lhe então
Jesus: Que é o que está escrito na lei? Como lês tu? Ele,
respondendo disse: Amarás o Senhor-teu Deus de todo o teu coração,
de toda a tua alma e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento,
e ao teu próximo o a ti mesmo. E Jesus lhe disse: Respondeste bem; faze
isso, e viverás. Mas ele, querendo justificar-se a si mesmo, disse a
Jesus: E quem é o meu próximo? E Jesus, prosseguindo no mesmo
discurso, disse: Um homem baixava de Jerusalém a Jericó, e caiu
nas mãos dos ladrões, que logo o despojaram do que levava; e depois
de o terem maltratado com muitas feridas, se retirando deixando-o meio morto.
Aconteceu, pois, que passava pelo mesmo cair um sacerdote; e quando o viu, passou
de largo.
E
assim mesmo um levita, chegando perto daquele lugar, e vendo-o, passou também
de largo. Mas samaritano, que ia a seu caminho, chegou perto dele, e quando
o viu, se moveu à compaixão; E chegando-se lhe atou as feridas,
lançando nelas azeite e vi e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, o levou
a uma estalagem, e teve cuidado dele. E ao outro dia tirou dois denários,
e deu-os ao estalajadeiro, e lhe disse: -Tem-me cuidado dele; e quanto gastares
demais, eu to satisfarei quando voltar. Qual desses destes três te parece
que foi o próximo daquele que caiu nas mãos ladrões? Respondeu
logo o doutor: Aquele que usou com o tal de misericórdia: Então
lhe disse Jesus: Pois vai, e faze tu o mesmo. (Lucas, X: 25-37.)
3. Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas
duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os
seus ensinamentos, mostra essas virtudes como ser caminho da felicidade eterna.
Bem-aventurados, diz Ele, os pobres de espírito — quer dizer: os
humildes — porque deles é o Reino dos Céus; bem-aventurados
os que têm o coração puro; bem-aventurados os mansos e pacíficos;
bem-aventurados os misericordiosos. Amai o vosso próximo como a vós
mesmos; fazei aos outros o que desejaríeis que vos fizessem; amai os
vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quereis ser perdoados; fazei o bem sem
ostentação; julgai a vós mesmos, antes de julgardes os
outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar, e de
que Ele mesmo dá exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não
cessa de combater.
Ele faz mais do que recomendar a caridade, pondo-a, claramente em termos explícitos, como a condição absoluta da felicidade futura. No quadro que Jesus apresenta, do juízo final, como em muitas outras coisas, temos de separar o que pertence à figura e à alegoria. A homens como aos que falava, ainda incapazes de compreender as coisas puramente espirituais, devia apresentar imagens materiais, surpreendentes e capazes de impressionar. Para que fossem mais bem aceitas, não podia mesmo afastar-se muito das idéias em voga, no tocante à forma, reservando sempre para o futuro a verdadeira interpretação das suas palavras e dos pontos que ainda não podia explicar claramente.
Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, uma idéia dominante: a da felicidade que espera o justo e a da infelicidade reservada ao mau. Nesse julgamento supremo, quais são os considerandos da sentença? Sobre o que se baseia a inquirição? Pergunta o juiz se foram atendidas estas ou aquelas formalidades, observadas mais ou menos estas ou aquelas práticas exteriores? Não, ele só pergunta por uma coisa: a prática da caridade. E se pronuncia dizendo: "Passai à direita, vós que socorrestes aos vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles." Indaga pela ortodoxia da fé? Faz alguma distinção entre o que crê de uma maneira, e o que crê de outra? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que tem amor ao próximo, sobre o ortodoxo a quem falta caridade.
Jesus
não faz portanto, da caridade, uma das condições da salvação,
mas a condição única. Se outras devessem ser preenchidas,
Ele as mencionaria. Se Ele coloca a caridade na primeira linha entre as virtudes,
é porque ela encerra implicitamente todas as outras: a humildade, a mansidão,
a benevolência, a justiça etc.; e porque é ela a negação
absoluta do orgulho e do egoísmo.
O MAIOR MANDAMENTO
4 Mas os fariseus, quando viram que Jesus tinha feito calar a boca aos saduceus
se ajuntaram em conselho. E um deles, que era doutor da lei, tentando-o, perguntou-lhe:
Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Jesus lhe disse: Amarás,
o Senhor teu Deus de todo o coração, e de toda a tua alma e de
todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o
segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como
a ti mesmo. Estes dois mandamentos contêm toda a lei e os profetas. (Mateus,
XXII: 34-40.)
5. Caridade e humildade, esta é a única via de salvação;
egoísmo e orgulho, esta é a via da perdição. Esse
princípio é formulado em termos precisos nestas palavras: "Amarás
a Deus de toda alma, e ao teu próximo como a ti mesmo; estes dois mandamentos
contém toda a lei e os profetas." E para que não houvesse
equívoco na interpretação do amor de Deus e do próximo,
temos ainda: "E o segundo, semelhante a este, é", significando
que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar ao próximo,
porque tudo quanto se faz contra o próximomo, é contra Deus que
se faz. Não se podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o
próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos nesta máxima:
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
A CARIDADE SEGUNDO SÃO PAULO
6. Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver
caridade sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o
de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e
— toda a fé, até ao ponto de transportar montanhas, e não
tiver caridade, não sou nada. E se eu distribuir todos os meus bens em
o sustento dos pobres e se entregar o meu corpo para ser queimado, se, todavia,
não tiver caridade nada disto me aproveita. A caridade é paciente,
é benigna; a caridade invejosa, não obra temerária nem
precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa,
não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não
mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo
tole crê, tudo espera, tudo sofre. A caridade nunca, jamais há
de acabar, ou deixem de ter lugar as profecias, ou cessem as línguas,
ou seja abolida a ciência. — Agora, pois, permanecem a fé,
a esperança e a caridade, estas três ' porém a maior delas
é a caridade. (Paulo, I Coríntios, XIII: 1-7 e 13.)
7. São Paulo compreendeu tão profundamente esta verdade que diz:
"Se eu falar as línguas dos anjos; se tiver o dom de profecia e
penetrar todos os mistérios; se tiver toda a fé possível,
até ao ponto de transportar montanhas, mas não tiver caridade,
nada sou. Entre essas três virtudes: a fé, a esperanca e a caridade,
a mais excelente é a caridade." Coloca, assim, sem equívoco,
a caridade acima da fé. Porque a caridade está ao alcance de todos,
do ignorante, do sábio, do rico e do pobre; e porque independe de toda
crença particular. E faz mais: define a verdadeira, caridade; mostra-somente
na beneficência, mas no conjunto de todas as qualidades do coração,
na bondade e na benevolência para com o próximo.
FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO.
FORA DA VERDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO
8. Enquanto a máxima — Fora da caridade não há salvação
— apóia-se num princípio universal, abrindo a todos os filhos
de Deus o acesso à felicidade suprema, o dogma — Fora da Igreja
não salvação — apóia-se, não na fé
fundamental em Deus e na imorItalidade da alma, fé comum a todas as religiões,
mas na fé especial em dogmas particulares. É, portanto, exclusivista
e absoluto. Em vez de unir os filhos de Deus, divide-os. Em vez de incitá-los
ao amor fraterno, mantém e acaba por legitimar a animosidade entre os
sectários dos diversos cultos, que se consideram reciprocamente malditos
na eternidade, sejam embora parentes ou amigos neste mundo; e desconhecendo
a grande lei de igualdade perante o túmulo, separa-os também no
campo-santo.
A
máxima — Fora da caridade não há
salvação — é a consequência do princípio
de igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-se esta
máxima por regra, todos homens são irmãos, e seja qual
for a sua maneira de adorar o Criador, eles se dão as mãos e oram
uns pelos outros. Com o dogma Fora da Igreja não há salvação
— anatematizam-se e perseguem-mutuamente, vivendo como inimigos: o pai
não ora mais pelo filho, e nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo,
desde que se julguem reciprocamente condenados, sem remissão. Esse dogma
é, portanto, essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo
e à lei evangélica.
9. Fora da verdade não há salvação seria equivalente
a Fora da Igreja não há salvação, e também
exclusivista, porque não existe uma única seita que não
pretenda ter o privilégio da verdade. Qual o homem que pode jactar-se
de possuí-la integralmente, quando a área do conhecimento aumenta
sem cessar, e cada dia- que passa as idéias são ratificadas? A
verdade absoluta só é acessível aos espíritos da
mais elevada categoria, e a Humanidade terrena não pode pretendê-la,
pois que não lhe é dado saber tudo, e ela só pode aspirar
a uma lide relativa, proporcional ao seu adiantamento. Se Deus houvesse feito,
da posse da verdade absoluta, a condição expressa da felicidade
futura, isso equivaleria a um decreto de proscrição geral, enquanto
a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, pode ser praticada
por todos. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo que a salvação
independe da forma de crença, contanto que de Deus seja observada, não
estabelece: Fora do Espiritismo não há salvação,
e como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não
diz: Fora da verdade não há salvação, máxima
que dividiria em vez de unir, e que perpetuaria a animosidade.
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO
- PAULO - Paris, 1860
10. Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação
estão contidos os destinos dos homens sobre a terra e no céu.
Sol a terra, porque, à sombra desse estandarte, eles viverão em
paz; céu, porque aqueles que a tiverem praticado encontrarão graça
dia do Senhor. Esta divisa é a flama celeste, a coluna luminosa que os
homens pelo deserto da vida, para conduzi-los à Terra da Promissão.
Ela brilha no céu como auréola santa na fronte dos eleitos na
terra está gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá:
"Passai à direita, benditos de meu Pai." Podeis reconhecê-los
pelo perfume de caridade que espargem ao seu redor. Nada exprime melhor o pensamento
de Jesus, nada melhor resume os deveres do homem, do que esta máxima
de ordem divina. O Espiritismo não podia prc melhor a sua origem, do
que oferecendo-a por regra, porque ela reflexo do mais puro Cristianismo.
Com
essa orientação, o homem jamais se transviará. Aplicai-vos,
portanto, meus amigos, a compreender-lhe o sentido profundo e as consequências
de sua aplicação e a procurar por vós mesmos todas as maneiras
de aplicá-la. Submetei todas as vossas ações ao controle
da caridade, e a vossa ciência vos responderá: não somente
ela evitará que façais o mal, mas ainda vos levará a fazer
o bem. Porque não basta uma virtude negativa, é necessária
uma virtude ativa. Para fazer o bem, é necessária a ação
da vontade, mas para não fazer o mal, bastam frequentemente a inércia
e a negligência.
Meus amigos, agradecei a Deus, que vos permitiu gozar a Espiritismo. Não
porque somente os que a possuem possam salvar-se, mas porque, ajudando-vos a
melhor compreender os ensinamentos do Cristo, ela vos torna melhores cristãos.
Fazei, pois, que, ao vos vendo, se possa dizer que o verdadeiro espírita
e o verdadeiro cristão são uma e a mesma coisa, porque todos os
que praticam a caridade são discípulos de Jesus, qualquer que
seja o culto a que pertençam.
33 - BÊNÇÃO DE PAZ - EMMANUEL - PÁG. 82, 140, 143
NAS TRILHAS DA CARIDADE
"A caridade nunca falha..." - Paulo (I Corintios, 13:8)
A
caridade possui maneiras múltiplas de ajudar, em tudo aplicando o senso
das dimensões. No atendimento de cada necessidade ei-la que se expressa
não somente com a luz da bondade, mas também com o metro da prudência:
- distribuindo alimento às vítimas da penúria, abstém-se
de azedar o pão com o vinagre da reprimenda, respeitando a condição
dos que lhe batem à porta;
- medicando o enfermo, não lhe exige atitudes em desacordo com os desajustes
orgânicos em que o socorrido se veja, e sim escolhe os melhores gestos
de tolerância e compreensão, de modo a serví-lo;
- alfabetizando o ignorante, não lhe reclama demonstrações
de cultura antes do aprendizado, mas revela paciência e brandura para
guiar-lhe a inteligência nos mais simples degraus da escola.
Assim também, se invocamos a caridade a fim de orientar os que se transviam, não nos cabe esquecer as dificuldades em que se encontram. Para recuperar-lhes o equilíbrio não basta identificar-lhes as fraquezas e reprová-las. É imprescindível anotar-lhes a posição desfavorável e socorrê-los sem exigência.
Daí o impositivo de se reconhecer, em qualquer parte, quanto à distribuição da verdade, que, se existe um modo distinto para que a beneficência exerça a caridade de saber assistir nos domínios do corpo, nos reinos do espírito é preciso que ela aperfeiçoe igualmente a caridade de saber explicar.
NECESSITADOS
"Tende o mesmo sentimento uns para com os outros..." - Paulo (Romanos, 12:16)
Seareiros do bem que esvaziam a bolsa em socorro dos semelhantes, conquanto a ventura que adquirem que espalham, às vezes trazem cruzes dolorosas por dentro do coração. E o mesmo acontece a muitos daqueles outros que levantam no mundo o archote do gênio, empunhando o buril da frase, transportando os tesouros da emoção, desvendando novos ângulos da Natureza ou detendo o cetro da autoridade.
Isso nos obriga a considerar que necessitados não são apenas aqueles que se nos mostram em condições visíveis de penúria material; em muitas circunstâncias somos procurados por dores disfarçadas sob títulos honrosos do mundo ou recobertas por enfeites dourados.
Descerra o coração para o grande entendimento! Aquele que julgas como sendo o mais rico, diante da realidade será provavelmente o mais pobre, tanto quanto o que se te afigura o mais feliz seja talvez o mais infortunado.
Ouçamos a solicitação oportuna do apóstolo Paulo: Tenhamos o mesmo sentimento uns para com os outros... Não te impressiones tão-somente pelos olhos físicos. Deixa que a tua visão espiritual funcione à frente de todos e encontrarás em cada um daqueles que te cruzam a estrada um filho de Deus e irmão nosso, qual acontece a nós no rude labor do próprio BURILAMENTO, pedinte de compreensão e necessitado de amor.
PROGRESSO E AMOR
"A caridade jamais acaba." - Paulo _I Corintios,13:8)
Mais atenção para os fenômenos da vida e verificaremos a instabilidade de todos os processos de aperfeiçoamento a que se lhe atrela o carro evolutivo, com exceção do amor que lhe sustenta as bases eternas. Muitas vezes afligem-se os cultivadores da fé perante os exotismos que surgem nos caminhos do povo, nos tempos de mais intensiva renovação.
Obviamente é preciso guardar a chama da confiança em Deus, com absoluta fidelidade às leis do Bem Eterno, a cavaleiro de quaisquer extravagâncias que alguém nos queira impingir; todavia, com a nossa lealdade ao Senhor é forçoso não conturbar a nossa tarefa com receios pueris.
A CARIDADE jamais acaba... asseverou o apóstolo Paulo, guiado pela Inspiração Divina. Remontemos ao passado e observaremos, com apoio na História, que as definições propriamente humanas sofrem transformações incessantes. Leis terrestres, com raras exceções, são muito diferentes de século para século.
A Ciência é sempre clara no propósito de acertar, mas é um quadro de afirmações provisórias, lidando incessantemente a caminho de mais amplos contatos com os princípios que regem as atividades do Universo. A cultura intelectual assemelha-se a largo movimento de idéias que procura esquecer a maior parte das concepções que valoriza ontem, para lembrar o que precisa estudar hoje, de modo a atingir o que deve ser amanhã.
A arte modifica-se de época para época. Progresso, na essência, é mudança com alicerces na experimentação. Tudo, na superfície da vida, é transformação permanente, mas por dentro dela vige o amor invariável. Não te assustes, assim, diante das inovações que caracterizam o espírito humano, insatisfeito e irriquieto, até que obtenha a madureza necessária à frente do Mundo e do Universo.
Cultiva o amor que constrói e ilumina, na esfera de cada um de nós, para a imortalidade, de vez que, enquanto aparecem e desaparecem as inquietações humanas, a CARIDADE jamais acaba.
DOAÇÕES
"...O cumprimento da lei é o amor." - Paulo (Romanos, 13:10)
Milhares de dádivas transitam na Terra diariamente. Vemos aquelas que se constituem do dinheiro generoso que alimenta as boas obras; as que se definem por glórias da arte enriquecendo a mente popular; as que se erigem sobre os louros da palavra traçando caminhos para o encontro fraternal entre as criaturas; e aquelas outras, inumeráveis, que consubstanciam a amizade de quem as oferece ou recolhe.
Todas elas, demonstrações da bondade humana, são abençoadas na Vida Superior. Entretanto, uma existe, inconfundível entre todas, da qual nós, os seres em evolução no Orbe Terrestre, não conseguimos prescindir... Ao alcance de todos ela se expressa por exigência inarredável do caminho de cada um. Desejamos referir-nos ao amor, sem o qual ninguém logra subsistir. Além disso, o amor é a força que valoriza qualquer dádiva, tanto quanto a maneira de dar.
Muitos de nossos irmãos necessitados, junto de quem praticamos o ideal da beneficência, decerto agradecem o concurso materializado que lhes possamos ofertar, mas quantas vezes estimariam, acima de tudo, receber uma bênção de solidariedade e otimismo que lhes restaure a alegria de viver e o conforto de trabalhar!
Reflitamos de igual modo nos companheiros temporariamente apresados no cárcere das paixões e reconheceremos que o mundo tem tanta necessidade de amor quanto de luz. Meditemos nisso, e, diante da parte de trabalho que nos compete, na construção do Reino de Deus entre os homens, seja à frente dos felizes ou dos imperfeitamente felizes, dos justos ou dos menos justos, comecemos por estender com as dádivas de nossas mãos aquelas outras que nos é lícito nomear como sendo o favor do sorriso fraterno, o benefício da boa palavra, o empréstimo da esperança e o donativo do entendimento.
34 - CONSTRUÇÃO DO AMOR - EMMANUEL - PÁG. 55, 59
CARIDADE DA PALAVRA
Lembra-te da caridade da palavra, a fim de que possas praticar o amor que o Mestre exemplicou. As guerrilhas da língua, há séculos, exterminam mais vidas na Terra, que todos os conflitos internacionais. Há sempre uma lavoura extensa de trabalho regenerativo e santificante no mundo, á espera do verbo que se inflama, não só de verdade e franqueza, mas, também de compreensão e carinho...
É pelos sinais escuros da língua que levantamos os monstros da calúnia e as feras da discórdia nas furnas de treva a que se acolhem... É por ela que multiplicamos os lagartos da inveja e os vermes da maledicência... Através dela, espalhamos os tóxicos letais da indisciplina e da desordem e é ainda, por intermédio da espada verbalística, que provocamos as grandes hecatombes do sentimento invariavelmente expressas nos crimes passionais que envenenam o noticiário comum.
Aprendamos a praticar a sublime caridade oculta que somente a língua pode realizar. A pergunta inoportuna contida a tempo, a observação ingrata que emudece a propósito, a frase amiga com que podemos soerguer os irmãos transviados, a desistência da queixa, a renúncia às discussões estéreis e o abandono de apontamentos irrefletidos, são expressões dessa bondade que a boca pode estender sem que os outros percebam.
Sobretudo, não olvides os tesouros encerrados no silêncio e procura com devoção incorporá-los ao teu modo de ser, a fim de que o teu verbo não se faça fora de tempo. Quando nosso coração acorda para os ideais superiores do Evangelho, a nossa inteligência adquire preciosos serviços de auto-fiscalização.
Conduzamos nossa língua a esse trabalho renovador da personalidade e passaremos a viver em novo campo de simpatia, irradiando o bem e recebendo-o, enriquecendo aos outros e engrandecendo a nós mesmos, na abençoada ascenção para a Luz.
CARIDADE E MERECIMENTO
Em verdade, a maior expressão de amor que nos envolve na Vida é aquela da proteção de Nosso Pai Celestial, que tudo dispõe para a nossa felicidade. O sol que nos visita farto de luz, a chuva que nos prepara a colheita de pão, a terra que nos asila e esclarece, a fonte que nos dessedenta, a árvore que nos auxilia e a semente que nos prove o celeiro, com todos os recursos da natureza, expressam o devotamento da Providência Divina, em nosso favor.
Dir-se-ia que Deus estabelece com os homens, seus filhos conscientes, um contrato, em bases de carinho paternal, com que lhes cede todas as possibilidades de enriquecimento com uma simples condição - a do trabalho com boa vontade e perseverança. É por isso que, em renascendo na Terra, o espírito recebe com o instrumento do corpo físico a caridade maior do Senhor, porquanto vê-se novamente investido de bênçãos para adquirir o tesouro do seu próprio engrandecimento.
Eis porque, caridade, na vida de relação, não se aparta da lei do merecimento. Dai e dar-se-vos-á ensinou o Divino Mestre. Ninguém receberá suprimento de graças, sem constituir-se distribuidor diligente delas. Sem alicercs, a casa não se levanta. Sem esforço, a lavoura não produz.
Assim também, no campo da habilitação espiritual do homem para a vida eterna, somente se eleva quem se devota à ascensão e somente alcança a luz divina quem lhe prepara adequado combustível na candeia da própria alma. Sejamos caridosos para que a caridade nos auxilie. Saibamos dar para receber com abundância.
A fonte da vida fornece as dádivas, que lhe fluem da corrente sublime, segundo a medida que levamos aos seus preciosos mananciais. Aproximemo-nos do bem com o largo cântaro da boa vontade e do serviço, e a vida nos enriquecerá de sua paz invariável e de imorredoura alegria.
LEMBRETE:
1° - Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas (..) A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer (...) Allan Kardec
2° - (...) Virtude por excelência constitui a mais alta expressão do sentimento humano, sobre cuja base as construções elevadas do espírito encontram firmeza para desdobrarem atividades enobrecidas em prol de todas as criaturas. Joanna de Ângelis
3° - A caridade - alma da vida - é a mais alta conquista que o homem poderá lobrigar. Mais nobre do que a generosidade e a filantropia é o coroamento de ambas, (...) é resultado do exercício do amor em jornadas de sublimação pessoal, intransferível. (...) é o estímulo vivo da fraternidade, que ligará homens e nações numa só família, qual imenso "rebanho sob o comando de um único Pastor". Joanna A
4°
- Em todos os tempos, há exércitos de criaturas que ensinam a
caridade, todavia, poucas pessoas praticam-na verdadeiramente.
Torquemada, organizando os serviços da Inquisição, dizia-se
portador da divina virtude. A caminho de terríveis suplícios,
os condenados eram compelidos a agradecer os verdugos. Muitos deles, em plena
fogueira ou atados ao martírio da roda, acicatados pela flagelação
da carne, eram obrigados a louvar, de mãos postas, a bondade dos inquisidores
que os ordenava morrer. Essa caridade religiosa era irmã da caridade
filosófica da Revolução Francesa. Emmanuel
5° - A caridade, antes de tudo, pede compreensão. Não basta entregar os haveres ao primeiro mendigo que surja à porta, para significar a posse da virtude sublime. É preciso entender-lhe a necessidade e ampará-lo com amor. Desembaraçar-se dos aflitos, oferecendo-lhes o supérfluo, é livrar-se dos necessitados, de maneira elegante, com absoluta ausência de iluminação espiritual. Irmão X
6° - A caridade é muito maior que a esmola. Ser caridoso é ser profundamente humano e aquele que nega entendimento ao próximo pode inverter consideráveis fortunas no campo de assistência social, transformar-se em benfeitor dos famintos, mas terá de iniciar, na primeira oportunidade, o aprendizado do amor cristão, para ser efetivamente útil. Emmanuel
7° - A caridade é a virtude sublime que salva, aprimora, enaltece e aperfeiçoa, mas a imprudência, dissimulada por palavras lisonjeiras, não lhe pode arrebatar a auréola fulgurante. Emmanuel
8° - A caridade, por substitutos, indiscutivelmente é honrosa e louvável, mas o bem que praticamos em sentido direto, dando de nós mesmos, é sempre o maior e o mais seguro de todos. Néio Lúcio
Edivaldo