| XENOGLOSSIA |
| BIBLIOGRAFIA |
| 01 - Allan Kardec - vol. 2 pág. 86 | 02 - Ciência e Espiritismo - pág. 131 |
| 03 - Diálogo com as sombras - pág. 214 | 04 - Estudando a Mediunidade - pág. 198 |
| 05 - Estudos Espíritas - pág. 74 | 06 - Guia do Espiritismo - pág. 177 |
| 07 - Hipnotismo e Espiritismo - pág. 94/111 | 08 - Metapsíquica humana - pág. 112 |
| 09 - O exilado - pág. 124 | 10 - Os fenômenos Espíritas - pág. 106 |
| 11 - Parábolas e Ensino de Jesus - pág. 268 | 12 - Para psicologia experimental - pág. 32 |
| 13 - Reencarnações no Brasil - pág. 10 | 14 - Resumo da Doutrina Espírita - pág. 189 |
| 15 - Saúde e Espiritismo - pág. 184 | 16 - Síntese de O Novo Testamento - pág. 214/233 |
| 17 - Vida e atos dos Apóstolos - pág. 15/146 | 18 - Xenoglossia - toda a obra |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
XENOGLOSSIA - COMPILAÇÃO
04 - Estudando a Mediunidade - Martins Peralva - pág. 198
xxxvm
- Mediunidade poliglota
Xenoglossia — ou mediunidade poliglota — é a faculdade pela
qual o médium se expressa, oral ou graficamente, por meio de idioma que
não conhece na atual encarnação. Há uma interessante
monografia de Ernesto Bozzano, por sinal o mais completo estudo que conhecemos
sobre o assunto, a qual serviu, subsidiariamente, para os nossos apontamentos.
O presente capítulo deve, pois, ser considerado como o resultado das
observações que extraímos do livro «Nos Domínios
da Mediunidade» e das valiosíssimas anotações de
Bozzano, em sua obra «Xenoglossia».
A mediunidade poliglota pode ser classificada da seguinte maneira:
a) — Falante (pela incorporação ou na materialização)
;
b) — Audiente;
c) — Escrevente (psicografia ou tiptologia);
d) — Voz direta;
e) — Escrita direta (mãos visíveis ou invisíveis).
Xenoglossia falante é a em que o médium, incorporado, fala em
qualquer idioma, seja inglês ou francês, latim ou hebraico, sem
conhecer essas línguas. Pode, também, ouvir os Espíritos
em outros idiomas, psicografar mensagens e, ainda, possibilitar sejam grafados
caracteres estranhos, em lousas e paredes.
Prescindimos de mencionar inúmeros casos, verificados em cada uma dessas
modalidades, por não ser este o escopo fundamental deste livro. Todavia,
podemos afirmar que não são apenas os tratados e monografias que
registram tais fenómenos. O Velho e o Novo Testamento são ricos
em comunicações xenoglóssicas.
A mediunidade poliglota tem a sua causa no recolhimento de valores intelectuais
do passado, os quais repousam na subconsciência do sensitivo ou médium.
Ela decorre, primordialmente, de um simples fenômeno de sintonia no tempo.
Que é «sintonia no Tempo»? E' o processo pelo qual a mente
humana, ligando-se ao pretérito distante, provoca a emersão, das
profundezas subconscienciais, de expressões variegadas e multiformes
que ali jazem adormecidas.
A subconsciência é o «porão da individualidade».
Lá se encontram «guardados» todos os valores intelectuais
e conquistas morais acumulados em várias reencarnações,
como fruto natural de sucessivas experiências evolutivas. Só pode
ser médium poliglota aquele que já conheceu, noutros tempos, o
idioma pelo qual se expresse durante o transe.
A criatura que, noutras encarnações, não conheceu o latim,
não pode, mediunizada, expressar-se por ele. E' o que se depreende, por
sinal com muita lógica, da explicação do Assistente Àulus:
«Quando um médium analfabeto se põe a escrever sob o controle
de um amigo domiciliado em nosso plano, isso não quer dizer que o mensageiro
espiritual haja removido milagrosamente as pedras da ignorância.
Mostra
simplesmente que o psicógrafo traz consigo, de outras encarnações,
a arte da escrita já conquistada e retida no arquivo da memória,
cujos centros o companheiro desencarnado consegue manobrar". Não
basta, por conseguinte, ser médium para receber comunicações
em outras línguas. É preciso tê-las conhecido no passado
ou conhecê-las no presente. A leitura da excelente monografia de Bozzano
e do livro ora apreciado, elucida exuberantemente o assunto, e confirma, sem
dúvida, essa conclusão.
05 – ESTUDOS ESPÍRITAS – DIVALDO
P. FRANCO (JOANNA DE ÂNGELIS), pág. 74
A
memória da aprendizagem e dos fatos não se perde nunca, pois que
esta não é patrimônio das células cerebrais, que
as traduzem, estando incorporada ao perispírito, que a fixa, acumulando
as experiências das múltiplas existências, mediante as quais
o Espírito evolui, nas diversas faixas que se lhe fazem necessárias.
Crianças houve que foram capazes de se expressar corretamente em diversos
idiomas, desde os dois anos de idade, sem os terem aprendido. Incontáveis
crianças também revelaram pendor musical, compondo e interpretando
peças clássicas antes que pudessem segurar um violino, ou dispor
de mobilidade para uma oitava no teclado de um piano.Escultores deslumbraram
seus mestres em plena idade infantil.
Assim também, matemáticos, astrônomos, físicos modernos
evocam da última reencarnação quanto aprenderam e agora
retornam a ampliar, ainda mais, as suas aquisições para serem
aplicadas a serviço da Humanidade. No passado, Jean Baratier, que desencarnou
com a idade de dezenove anos, vítima de “cansaço cerebral”,
falava corretamente diversos idiomas. Aos nove anos escreve um dicionário,
com larga complexidade etimológica.
William Hamilton com apenas três anos estudou o hebraico. Mais tarde,
aos doze anos, conhecia 12 idiomas que falava corretamente.
Outros – como no caso de Jaques Criston, que conseguia discutir utilizando-se
do latim, grego, árabe, hebraico, sobre as mais diversas questões,
com tranqüilidade – fizeram célebres. Henri de Hennecke, com
dois anos, expressava-se em três línguas...
Volumosa é a literatura sobre o assunto, não somente na xenoglossia,
como em diversos ramos do Conhecimento. As evocações das vidas
passadas independem da idade em que podem ocorrer. Naturalmente que na primeira
infância são mais repetidas as lembranças da reencarnação
anterior, pela facilidade com que o espírito, não totalmente interpenetrado
pelas células físicas, conserva a memória das ocorrências
guardadas.
No presente, as experiências de regressão da memória, pela
hipnologia, vêm trazendo larga e valiosa contribuição ao
estudo da reencarnação, pelas largas possibilidades de comprovação
de que se podem dispor, ampliando grandemente o campo das observações
e provas.
06 - Guia do Espiritismo -Angelo de Micheli - pág. 177
Este termo representa o uso mediúnico de uma língua estrangeira (do grego: xênos = estrangeiro e glossa - língua). Trata-se de um fenômeno paranormal que ocorre nas sessões mediúnicas. A condição essencial é que o médium esteja em estado de transe. O médium escreve ou fala utilizando uma língua estrangeira, que ele não conhece e, por vezes, que os demais participantes também não conhecem. Este fenômeno é fácil de explicar: o médium está em condição de "possessão", ou seja, a Entidade toma posse do corpo físico do médium e se comunica através das suar cordas vocais (às vezes modificando-lhe a voz).
E
eis como se manifesta o fenômeno da possessão: a personalidade
do médium é completamente excluída sendo substituida por
aquela da Entidade. Saliento
que o fenômeno pode ser produzido também através da "voz
direta" e da "escrita automática". Às vezes, mês
nestas formas de manifestação o conteúdo das mensagens
é língua desconhecida do médium. Muito raramente Entidades
materializadas se comunicarar em língua estrangeira; poderia citar o
fantasma de Nepenth que constitui um caso histórico interessantíssimo.
As manifestações de xenoglossia em nível consciente são
raríssímas, ainda que, em alguns casos, seja possível encontrar
sinais delas. Tudor Polé, em sua obra The Silent Road (A estrada silenciosa)
relata um estranho caso. Neste fenômeno mediúnico parece não
haver limites para as possibilidades; de fato, parece que todas as línguas,
até mesmo as mortas há séculos, podem ser consideradas.
Numerosíssimas manifestações acontecem em dialetos locais
e em formas extintas há séculos. Mas, é preciso ser cautelosos;
de fato, as linguagens hoje extintas foram reconstruídas apenas parcialmente.
Sons e formas obtidos através de mediunidade forneceram testemunhos autênticos
de altíssimo interesse científico e parapsicológico. O
fenômeno não é novo; em escritos do princípio do
século XVI leêm-se referências a línguas desconhecidas,
definidas como a "linguagem dos anjos", porque o fenômeno é
imediatamente atribuído a uma origem mística. Existem línguas
das quais não se conhece nem a origem nem a real procedência; apenas
o médium, em alguns casos, sempre em estado de transe, forneceu a tradução
da mensagem. É o caso do médium americano Albert Lê Baron,
cujas mensagens eram incompreensíveis para os participantes mas, em seguida,
a Entidade fornecia sua tradução.
Uma experiência interessantíssima foi realizada por um médium,
sob o controle do estudioso Tallmadge: o médium escrevia o Antigo Testamento
em hieróglifos, afirmando que aquela constituía a redação
autêntica da época. Um fenômeno semelhante foi negado durante
longo tempo pela ciência. No início do século passado foi
reconhecido como autêntico, mas não explicável à
luz das hipóteses científicas. Ainda hoje este fenômeno
constitui um obstáculo para aqueles que querem derrubar as doutrinas
do espiritismo.
Esta manifestação representa um dos fenômenos mais excepcionais
e desconcertantes que aparecem e autenticam as doutrinas espíritas. O
caso mais clamoroso, do qual as crônicas se ocuparam, é aquele
da Entidade conhecida como "Lady Nona". Durante uns cinco anos, em
Londres, um modesto grupo de experimentadores reunia-se sob o controle científico
do Dr. Frederick. A médium que produzia esses fenômenos era Rosemary,
por meio da qual a Entidade de Lady Nona, no decorrer dos cinco anos de sessões,
forneceu explicações sobre a escrita Egípcia, sobre a dicção
fonética do antigo idioma dos faraós, em Uso cerca de 1400 a.C.
A origem desta maravilhosa experiência deve-se ao acaso. O Dr. Wood, apaixonado
pelos fenômenos psíquicos, estava à procura de uma "boa"
médium escrevente para tentar algumas Experiências. Propôs
a uma amiga, uma professora, experimentar sua mediunidade latente e, eventualmente,
colaborar com ele nas experiências. Esta jovem professora, de maneiras
gentis, simples alegre, espantou-se com esta proposta. Essas "tolices"
nunca haviam despertado nela nem mesmo a menor curiosidade, mas sob a insistência
do Dr. Wood, consentiu na experiência.
O êxito das primeiras sessões foi superior a todas as expectativas,
trazendo à luz na novata surpreendentes capacidades mediúnicas.
Depois de algumas experiências, a entidade-guia da jovem, que denominou-se
Tibério, informou ao Dr. Wood que sua assistência deveria ser intensa
e constante, uma vez que fora destinada à médium uma tarefa de
especial importância. , Foram dois anos de preparação e
treinamento, durante os quais a mediunidade de Rosemary se aperfeiçoou
ainda mais, feriando na médium não apenas a possibilidade de uma
ótima escrita automática, mas permitindo-lhe ouvir e falar com
as Entidades presentes, mantendo-se em estado de transe. .
A
essa altura manifestou outra Entidade: Lady Nona, que substituiu o espírito
de Tibério. Desta troca de guarda pode-se dizer que data o início
do caso de xenoglossia que mais interessou aos estudiosos. Com Lady Nona iniciou-se
uma sequência de sessões que, durante anos, constituíram
o mais interessante fenômeno que a história do espiritismo registra
na área de xenoglossia. Os relatórios dessas memoráveis
sessões estão reunidos em um grupo de mais de trinta volumosos
livros, datilografados, fáceis de encontrar e acessíveis a qualquer
pessoa.
Convém examinar esta manifestação que representa uma melhores
fontes para o estudo da xenoglossia. Em 1956 foi publicada a segunda edição
do livro de Frederick H. Wood, This Egyptian Miracle (Este milagre egípcio),
que se seguiu a duas publicações anteriores do mesmo autor: After
thirty Centuries (Depois de trinta séculos) e Ancient Egypt speaks (Fala
o antigo Egito). A obra, publicada em 1956, nasceu da colaboração
entre o Dr. Wood e o egiptólogo, professor A. J. Howard Hulme; o conteúdo
constitui material de estudo para egiptólogos e peritos em egiptologia
ou no estudo dos hieróglifos.
O livro reúne as mensagens transmitidas em língua egípcia
arcaica, transcritas em sua edição fonética e traduzidas
em língua inglesa. Pelos estudos realizados verificou-se a autenticidade
do conteúdo, estabelecendo que a fonética utilizada pode ser datada
de 2400 a 1536 a.C., período definido como Médio Império.
Cerca de vinte anos depois desta produção, Pasquale Brazzini retoma
seu estudo na revista Luce ed Ombra (Luz e sombra), no número 3, maio/junho
de 1956.
O nome da médium Rosemary é um pseudônimo adotado pela interessada
para encobrir sua própria identidade. A mediunidade desta jovem exprimia-se
não apenas sob a forma de escrita, falante, vidente e clarividente, em
um estado de constante semitranse; a médium também era capaz de
produzir experiências de desdobramento e outras manifestações
paranormais que extrapolam desta investigação. O nome da entidade-guia
da médium era Muriel, que afirmou ser sua única tarefa preparar
a médium para interessantes experiências e assim aconteceu. Em
outubro de 1848 Muriel entregou a médium a uma nova entidade que se fazia
chamar "Nona".
Nona era uma senhora nobre egípcia que, durante as primeiras sessões,
por meio da escrita automática, comunicou o próprio nome e que,
somente mais tarde, falou através da boca da médium, com voz cordial
e agradável. Através destas conversas, soube-se que seu verdadeiro
nome era TELIKA VENTIU, princesa que vivera no antigo Egito, filha de nobre
babilônio, dada como esposa ao faraó. Seu fim foi trágico
porque, contrária à religião do Estado, seguindo o monoteísmo
que encontrava no Egito a primeira exaltação, foi afogada pelos
sacerdotes seus inimigos, que simularam um acidente. Afogou-se no Nilo com uma
escrava devotada.
A primeira consideração que surge espontânea diante de tal
narrativa é simples: poderia ser uma personalidade particular da médium.
Tenho motivos válidos para sustentar que não existe nenhuma correlação
entre as duas personalidades, embora Lady Nona tivesse, com o Dr. Wood e com
a própria médium, interessantes provas de interdependência
da médium. No conteúdo das suas mensagens destacam-se usos, costumes
e notícias detalhados n respeito da vida que ela levava no Egito. Forneceu
informações sobre os templos, a religião e os ritos que
constituíam objeto de vida do seu tempo. Falou a respeito dos instrumentos
musicais da época, das formas para a preparação de uma
múmia mas, sobretudo, pôde-se obter informações sobre
a personalidade e sobre as iniciativas do faraó.
É possível afirmar com certeza que nem a médium nem o Dr.
Wood tinham conhecimentos de tais informações, por não
dispor de nenhum conhecimento prévio em matéria de egiptologia.
As informações obtidas por via mediúnica demonstrara ser
autênticas, depois de estudos e confrontos efetuados no museu londrino
(British Museum). Com base em tais relevações foi possível
estabelecer que a egípcia Telika deve ter sido Amenotep III (1406-1370
a.C.).
Querer examinar detalhadamente este caso de xenoglossia exigiria volumes que
outros já publicaram: procurarei limitar-me a destacar a fase inicial
de estudo que se seguiu à publicação de alguns artigos
de Wood, na revista The Two Worlds (Os dois mundos).
(...)
16 - Síntese de O Novo Testamento - Mínimus - pág. 214/233
LÍNGUAS
DE FOGO. O DISCURSO DE PEDRO
Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar, quando
de repente veio do céu um ruído, como de um vento impetuoso, que
encheu toda a casa e lhes apareceram umas como línguas de fogo, as quais
pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito-Santo
e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito
lhes concedia que falassem (XENOGLOSSIA).
Homens de todas as nações, que habitavam Jerusalém, ajuntaram-se ali e ficavam maravilhados, porque cada um ouvia falar na sua própria língua. E como não encontravam explicação para o fenômeno, muitos procuravam ridicularizá-los, dizendo: - Estão cheios de mosto, estão alcoolizados.
Pedro, porém, levantando a voz lhes disse: - Estes homens não estão embriagados, como supondes, mas agora se cumpre o que dissera o profeta Joel: -E acontecerá nos últimos dias, diz o Eterno, que derramarei o meu Espírito sobre toda carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões, vossos velhos terão sonhos; sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.
Mostrarei prodígios em cima, no céu; e sinais, em baixo na terra; sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas; e a lua, em sangue, antes que chegue o grande e glorioso dia do Eterno. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Eterno será salvo.
Após falar longo tempo aos israelitas e de responder-lhes às perguntas, Pedro e seus companheiros batizaram inúmeras pessoas, sendo admitidos naquele dia quase três mil adeptos.
OS
VENDEDORES DE IMAGENS
Voltando a Éfeso, Paulo batizou em nome de Jesus
cerca de doze discípulos, que só havia recebido o batismo de arrependimento,
o batismo de João. Impondo-lhe as mãos, veio sobre eles o Espirito-Santo
e eles falavam em diversas línguas e profetizavam. Durante 3 meses compareceu
Paulo à sinagoga, pregando ousadamente, mas, como alguns incrédulos
e endurecidos falavam mal do Caminho, passou ele a discutir diariamente na escola
de Tirano, pelo espaço de dois anos.
Tais
milagres Deus fazia pelas mãos de Paulo que muitos levavam lenços
e aventais do apóstolo e, com tais objetos, as enfermidades os deixavam
e deles saíam os Espíritos malignos. Exorcistas, filhos de um
dos principais da sinagoga, tentaram expelir Espíritos malignos que se
apossaram de algumas criaturas, invocando o nome do Jesus pregado por Paulo;
mas um Espírito maligno lhes disse:
— Conheço a Jesus, e sei quem é Paulo; mas vós, quem
sois? — E assim falando, o homem, sobre o qual atuava o Espírito
maligno, apoderou-se de dois dos pretensos doutrinadores e os dominou na luta,
de tal modo que, nus e feridos, fugiram daquela casa.
Este fato se tornou conhecido de todos os judeus e gregos residentes em Éfeso,
ocasionou inúmeras conversões e fez que vários mágicos
queimassem os seus livros em público. Por essa ocasião traçou
Paulo os seus planos futuros, entre os quais se encontrava a sua viagem a Roma,
mas, antes de qualquer deliberação, enviou Timóteo e Erasto
à Macedônia.
Novamente os interesses materiais prejudicados ocasionaram lutas contra os evangelizadores:
— Prejudicados com a diminuição das vendas das imagens da
deusa Diana, fonte de lucros que receavam perder, os que viviam desse comércio
se reuniram e acusaram os discípulos por afirmarem que não eram
deuses os que são feitos por mãos humanas, e que, dessa forma,
desconsideravam a grandeza do templo de Diana, a quem todo o mundo adorava.
Alguns
discípulos foram arrebatados e grandes seriam os seus sofrimentos se
não fosse a intervenção conciliadora do escrivão
da cidade, que aconselhou aos efésios o recurso aos tribunais, visto
que, assim, como pretendiam fazer, poderiam ser acusados como responsáveis
pela sedição daquele dia.
18
– XENOGLOSSIA – ERNESTO BOZZANO (TODA A OBRA)
Introdução:
O termo “xenoglossia”( mediunidade poliglota) foi o professor Richet
quem o propôs, com o intuito de distinguir, de modo preciso, a mediunidade
poliglota propriamente dita, pela qual os médiuns falam ou escrevem em
línguas que eles ignoram totalmente e, às vezes, ignoradas de
todos os presentes, dos casos afins, mas radicalmente diversos, de “glossolalia”,
nos quais os pacientes sonambúlicos falam ou escrevem em pseudo-línguas
inexistentes, elaboradas nos recessos de suas subconsciências, pseudo-línguas
que não raro se revelam orgânicas, pelo serem conformes às
regras gramaticais.
Do ponto de vista teórico, a “mediunidade poliglota” se mostra
uma das mais importantes manifestações da fenomenologia metapsíquica,
pois, por ela, se eliminam de um só golpe todas as hipóteses de
que disponha quem queira tentar explicá-las, sem se afastar dos poderes
supra-normais inerentes à subconsciência humana, porquanto a interpretação
dos fatos, no sentido espiritualista, se impõe aqui de forma racionalmente
inevitável.
Quer isto dizer que, graças aos fenômenos de “xenoglossia”,
se deve considerar provado que, nas experiências mediúnicas, intervém
entidades espirituais extrínsecas ao médium e aos presentes. Não
ignoro que os propugnadores, a todo custo da origem subconsciente de toda a
fenomenologia metapsíquica, não chegando a explicar as manifestações
em apreço, por meio das hipóteses de que dispõem, formularam
timidamente uma outra, que se denomina “memória ancestral”,
segundo a qual os médiuns seriam aptos a conversar numa língua
inteiramente desconhecida deles, desde que algum de seus antepassados houvesse
pertencido ao povo cuja língua elas falam.
Nesse caso fora de presumir-se que as condições mediúnicas
fazem brotar, das estratificações de uma hipotética memória
ancestral subconsciente, o conhecimento pleno do idioma falado pelo ascendente
do médium.
Na xenoglossia já houve casos com o “automatismo falante”,
casos com o “automatismo escrevente”, casos por meio da “voz
direta” e casos por meio da “escrita direta”.
Categoria I – Casos de xenoglossia obtidos
com o “automatismo falante” e a mediunidade audiente.
Estas duas modalidades de características extrínsecas dos fenômenos
que examinamos, conquanto notavelmente diversas entre si, resultam afins, porquanto
derivam ambas de um fenômeno mais ou menos avançado de “possessão
mediúnica” e algumas vezes se desenvolvem entrecruzadas. Daí
decorre que não podem separar-se, ao serem classificadas.
Categoria II – Casos de xenoglossia obtidos
com o “automatismo escrevente” (psicografia)
Do ponto de vista científico, os casos que formam esta categoria são
os melhores, por isso que o texto escrito em língua que o médium
ignorava fica, como documento irrefragável, à disposição
dos estudiosos, ao passo que, com os médiuns pelos quais falam entidades
extrínsecas, quase sempre ocorre termos que fiar do perspicaz discernimento
dos experimentadores, a menos que entre estes haja quem tome o encargo de registrar
diligentemente as palavras que o médium profere.
Como se há visto, na precedente categoria citamos diversos casos em que
essa regra de indagação foi observada. Pelo diz respeito a esta
outra, previno que, embora seja mais rica em episódios, se apresentará,
como a primeira, muito reduzida quanto ao número dos casos apreciados,
devido ainda à forma anedótica em que eles, na sua maioria, são
relatados.
Categoria III – Casos de “xenoglossia” por meio da
“voz direta”:
No que concerne à presente categoria, faz-se necessária uma observação
de ordem geral muito interessante: a de que, nas experiências de “voz
direta”, o de “xenoglossia” é fenômeno mais ou
menos freqüente, tão freqüente que quase não há
bons “médiuns” dessa natureza, que não tenham oferecido
e não continuem a oferecer notáveis exemplos do aludido fenômeno.
Daí o dever inferir-se que as comunicações mediúnicas
por meio da “voz direta” se prestam de modo muito especial à
exteriorização das conversações poliglotas, o que,
presumivelmente, se deve atribuir à circunstância de permitir,
essa forma de mediunidade, que a entidade comunicante se mantenha bastante independente
do psiquismo do “médium”, para ficar em condições
de exprimir-se numa língua que este último ignora.
Ora, isto, as mais das vezes, não seria possível com a “psicografia”, porquanto esta se produz mediante a transmissão telepática do pensamento da entidade comunicante ao “médium”, que o traduz subconscientemente na sua língua, salvos os casos em que aquela entidade consegue influenciar mais ou menos diretamente, no “médium”, os centros cerebrais da linguagem falada ou escrita (possessão mediúnica).