ENCARNAÇÃO |
BIBLIOGRAFIA |
| 01 - A Gênese - Cap. XI, 10.17 | 02 - A pluralidade dos mundos habitados - pág. 298 |
| 03 - Agenda Cristã - pág. 53 | 04 - Fonte viva - pág. 99, 375 |
| 05 - Manual e Dic. Prat. do Espiritismo - pág. 40 | 06 - Mão de Luz - pág. 106 |
| 07 - O Céu e o Inferno - 1ª.parte, Cap. III, 8 | 08 - O Espírito da Verdade - pág. 190 |
| 09 - O Evangelho S. o Espiritismo - cap. IV, | 10 - O Livro dos Espíritos - Questões: 132/267/338/568 |
| 11 - O que é Espiritismo - pág. 197 | 12 - Pão Nosso - pág. 67/69 |
| 13 - Passos da vida - pág. 40 | 14 - Resumo da Doutrina Espírita - pág. 30 |
| 15 - Roteiro - pág. 15/19/27/35 | 16 - Universo e Vida - pág. 97 |
| 17 - Valeu a pena - toda a obra |
ENCARNAÇÃO – COMPILAÇÃO
01 - A Gênese - Allan Kardec - Cap. XI, 10.17
UNIÃO
DO PRINCÍPIO ESPIRITUAL E DA MATÉRIA
10. Devendo a matéria ser o objeto de trabalho
do Espírito, para o desenvolvimento de suas faculdades, era necessário
que pudesse atuar sobre ela, por isso veio habitá-la, como o lenhador
habita a floresta. Devendo ser a matéria, ao mesmo tempo, o objetivo
e o instrumento de trabalho, Deus, em lugar de unir o Espírito à
pedra rigida, criou, para seu uso, corpos organizados; flexíveis, capazes
de receber todos os impulsos de sua vontade, e de se prestar a todos os seus
movimentos.
O corpo é, pois, ao mesmo tempo, o envoltório e o instrumento do Espírito, e à medida que este adquire novas aptidões, ele reveste um envoltório apropriado ao novo gênero de trabalho que deve realizar, como se dá a um obreiro ferramentas menos grosseiras à medida que ele seja capaz de fazer uma obra mais cuidada.
ENCARNAÇÃO
DOS ESPÍRITOS
17. O Espiritismo nos ensina de que maneira se opera a união do Espírito
e do corpo na encarnação. O Espírito, pela sua essência
espiritual, é um ser indefinido, abstrato, que não pode ter uma
ação direta sobre a matéria, sendo-lhe necessário
um intermediário; esse intermediário está no envoltório
fluídico que faz, de alguma sorte, parte integrante do Espírito,
envoltório semi-material, quer dizer, tendo da matéria por sua
origem e da espiritualidade por sua natureza etérea; como toda matéria,
ela é haurida no fluido cósmico universal, que sofre, nessa circunstância,
uma modificação especial. Esse envoltório, designado sob
o nome de perispírito, de um ser abstraio, faz um ser concreto, definido,
perceptível pelo pensamento; ele o torna apto para agir sobre a matéria
tangível, do mesmo modo que todos os fluidos imponderável, que
são, como se sabe, os mais poderosos motores.
O fluido perispiritual é, pois, o traço de união entre
o Espírito e a matéria. Durante a sua união com o corpo,
é o veiculo de seu pensamento, para transmitir o movimento às
diferentes partes do organismo que agem sob o impulso de sua vontade, e para
repercutir no Espírito as sensações produzidas pelos agentes
exteriores. Ele tem por fio condutor os nervos, como no telégrafo o fluido
eletrico tem por condutor o fio metálico.
18. - Quando o Espírito deve se encarnar num corpo humano em vias de
formação, um laço fluídico, que não é
outra coisa senão uma expansão do seu perispírito, liga-o
ao germe para o qual se acha atraído, por uma força irresistível,
desde o momento da concepção. À medida que o germe se desenvolve,
o laço se aperta; sob a influência do princípio vital material
do germe, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria,
se une, molécula a molécula, com o corpo que se forma: de onde
se pode dizer que o Espírito, por intermédio de seu perispírito,
toma, de alguma sorte, raiz nesse germe, como uma planta na terra. Quando o
germe está inteiramente desenvolvido, a união é completa,
e, então, ele nasce para a vida exterior.
Por um efeito contrário, essa união do perispírito e da
matéria carnal, que se cumprira sob a influência do princípio
vital do germe, quando esse princípio deixa de agir, em consequência
da desorganização do corpo, a união, que era mantida por
uma força atuante, cessa quando essa força deixa de agir; então
o perispírito se desliga, molécula a molécula, como estava
unido, e o Espírito se entrega à sua liberdade. Assim, não
é a partida do Espírito que causa a morte do corpo, mas a morte
do corpo que causa a partida do Espírito.
Desde o instante que se segue à morte, a integridade do Espírito
está inteira; que as suas faculdades adquirem mesmo uma penetração
maior, ao passo que o princípio de vida está extinto no corpo,
é a prova evidente de que o princípio vital e o princípio
espiritual são duas coisas distintas.
19.-O Espiritismo nos ensina, pelos fatos que nos faculta observar, os fenómenos
que acompanham essa separação; algumas vezes, ela é rápida,
fácil, doce e insensível; de outras vezes, é lenta, laboriosa,
horrivelmente penosa, segundo o estado moral do Espírito, e pode durar
meses inteiros.
20. - Um fenômeno particular, igualmente assinalado pela observação,
acompanha sempre a encarnação do Espírito. Desde que este
é preso pelo laço fluídico que o liga ao germe, a perturbação
se apodera dele; essa perturbação cresce à medida que a
laço se aperta, e, nos últimos momentos, o Espírito perde
toda a consciência de si mesmo, de sorte que ele nunca é testemunha
consciente de seu nascimento. No momento em que a criança respira, o
Espírito começa a recobrar as suas faculdades, que se desenvolvem
à medida que se formam e se consolidam os órgãos que devem
servir para a sua manifestação.
21.-Mas, ao mesmo tempo que o Espírito recobra a consciência de
si mesmo, ele perde a lembrança de seu passado, sem perder as faculdades,
as qualidades e as aptidões adquiridas anteriormente, aptidões
que estavam, momentaneamente, estacionadas em seu estado latente e que, em retomando
a sua atividade, vão ajudá-lo a fazer mais e melhor do que o fazia
precedentemente; ele renasce o que se fez pelo seu trabalho anterior, é,
por isso, um novo ponto de partida, um novo degrau a subir.
Aqui
ainda se manifesta a bondade do Criador, porque a lembrança de um passado,
frequentemente penoso ou humilhante, juntando-se às amarguras de sua
nova existência, poderia perturbá-lo ou entravá-lo; ele
não se lembra senão daquilo que aprendeu, porque isso lhe é
útil. Se, algumas vezes, conserva uma vaga intuição dos
acontecimentos passados, é como a lembrança de um sonho fugidio.
É, pois, um homem novo, por ancião que seja o seu Espírito,
ele se apoia sobre novos hábitos, com a ajuda dos que adquiriu. Quando
ele entra na vida espiritual, o seu passado se desenrola aos seus olhos, e julga
se empregou bem ou mal o seu tempo.
07 – O CÉU
E O INFERNO – 1ª. PARTE – CAP. III, ÍTEM 8
8.
– A encarnação é necessária ao duplo progresso
moral e intelectual do Espírito: ao progresso intelectual pela atividade
obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca
dos homens entre si. A vida social é a pedra de toque das boas ou más
qualidades.
A bondade, a maldade, a doçura, a violência, a benevolência,
a caridade, o egoísmo, a avareza, o orgulho, a humildade, a sinceridade,
a franqueza, a lealdade, a má-fé, a hipocrisia, em uma palavra,
tudo o que constitui o homem de bem ou o perverso tem por móvel, por
alvo e por estímulo as relações do homem com os seus semelhantes.
Para o homem que vivesse insulado não haverá vícios nem
virtudes; preservando-se do mal pelo insulamento o bem de si mesmo se anularia.
9. – Uma só existência corporal é manifestamente insuficiente
para o Espírito adquirir todo o bem que lhe falta e eliminar o mal que
lhe sobra. Como poderia o selvagem, por exemplo, em uma só encarnação
nivelar-se moral e intelectualmente ao mais adiantado europeu? É materialmente
impossível. Deve ele, pois, ficar eternamente na ignorância e barbaria,
privado dos gozos que só o desenvolvimento das faculdades pode proporcionar-lhe?
O simples bom-senso repele tal suposição, que seria não
somente a negação e bondade divinas, mas das próprias leis
evolutivas e progressivas da Natureza. Mas Deus, que é soberanamente
justo e bom, concede ao Espírito tantas encarnações quantas
as necessárias para atingir seu objetivo – a perfeição.
Para cada nova existência de permeio à matéria, entra o
Espírito com o cabedal adquirido nas anteriores, em aptidões,
conhecimentos intuitivos, inteligência e moralidade. Cada existência
é assim um passo avante no caminho do progresso.
A encarnação é inerente à inferioridade dos Espíritos,
deixando de ser necessária desde que estes, transpondo-lhes os limites,
ficam aptos para progredir no estado espiritual, ou nas existências corporais
de mundos superiores, que nada têm de materialidade terrestre.
Da parte destes a encarnação é voluntária, tendo
por fim exercer sobre os encarnados uma ação mais direta e tendente
ao cumprimento da missão que lhes compete junto dos mesmos. Desse modo
aceitam abnegadamente as vicissitudes e sofrimentos da encarnação.
10. – No intervalo das existências corporais o Espírito torna
a entrar no mundo espiritual, onde é feliz ou desgraçado segundo
o bem ou o mal que fez.Uma vez que o estado espiritual é o estado definitivo
do Espírito e o corpo espiritual não morre, deve ser esse também
o seu estado normal. O estado corporal é transitório e passageiro.
É no estado espiritual sobretudo que o Espírito colhe os frutos
do progresso realizado pelo trabalho da encarnação; é também
nesse estado que se prepara para novas lutas e toma as resoluções
que há de pôr em prática na sua volta à Humanidade.
O Espírito progride igualmente na ERRATICIDADE, adquirindo conhecimentos
especiais que não poderia obter na Terra, e modificando as suas idéias.
O estado corporal e o espiritual constituem a fonte de dois gêneros de
progresso, pelos quais o Espírito tem de passar alternadamente nas existências
peculiares a cada um dos dois mundos.
11. – A reencarnação pode dar-se na Terra ou em outros mundos.
Há entre os mundos alguns mais adiantados onde a existência se
exerce em condições menos penosas que na Terra, física
e moralmente, mas onde também só são admitidos Espíritos
chegados a um grau de perfeição relativo ao estado desses mundos.
A vida nos mundos superiores já é uma recompensa, visto nos acharmos
isentos, aí, dos males e vicissitudes terrenos. Onde os corpos, menos
materiais, quase fluídicos, não mais são sujeitos às
moléstias, às enfermidades, e tampouco têm as mesmas necessidades.
Reina lá a verdadeira fraternidade, porque não há egoísmo;
a verdadeira igualdade, porque não há orgulho, e a verdadeira
liberdade por não haver desordens a reprimir, nem ambiciosos que procurem
oprimir o fraco.(..)
12. – A felicidade dos Espíritos bem-aventurados não consiste
na ociosidade contemplativa, que seria, como temos dito muitas vezes, uma eterna
e fastidiosa inutilidade. A vida espiritual em todos os seus graus é,
ao contrário, uma constante atividade, mas atividade isenta de fadigas.
A suprema felicidade consiste no gozo de todos os esplendores da Criação,
que nenhuma linguagem humana jamais poderia descrever, que a imaginação
mais fecunda não poderia conceber. Consiste também na penetração
de todas as coisas, na ausência de sofrimentos físicos e morais,
numa satisfação íntima, numa serenidade d’alma imperturbável,
no amor que envolve todos os seres, por causa da ausência de atrito pelo
contato dos maus, e, acima de tudo, na contemplação de Deus e
na compreensão dos seus mistérios revelados aos mais dignos.
08 – O ESPÍRITO DA VERDADE – FRANCISCO C. XAVIER (DIVERSOS) – pág. 190
82. NEM CASTIGO, NEM PERDÃO. CAP. V – ÍTEM 5.
O
espírita encontra na própria fé – o Cristianismo
Redivivo – estímulos novos para viver com alegria, pois, com ele,
os conceitos fundamentais da existência recebem sopros poderosos de renovação.
A Terra não é prisão de sofrimento eterno. É escola
abençoada das almas.
A felicidade não é miragem do porvir. É realidade de hoje.
A dor não é forjada por outrem. É criação
do próprio Espírito.
A virtude não é contentamento futuro. É júbilo que
já existe.
A morte não é santificação automática. É
mudança de trabalho e de clima.
O futuro não é surpresa atordoante. É conseqüência
dos atos presentes.
O bem não é o conforto do próximo, apenas. É ajuda
a nós mesmos.
Deus é Equidade Soberana, não castiga e nem perdoa, mas o ser
consciente profere para si as sentenças de absolvição ou
culpa ante as Leis Divinas.
Nossa conduta é o processo, nossa consciência o tribunal. Não
nos esqueçamos, portanto, de que, se a Doutrina Espírita dilata
o entendimento da vida, amplia a responsabilidade da criatura.
As raízes das grandes provas irrompem do passado – subsolo da nossa
existência – e, na estrada da evolução, quem sai de
uma vida entra em outra, porque berço e túmulo são, simultaneamente,
entradas e saídas em planos da Vida Eterna.
André Luiz
09 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – ALLAN KARDEC – Cap. IV, pág. 61
24.
QUAIS SÃO OS LIMITES DA ENCARNAÇÃO?
-A encarnação não tem, propriamente falando, limites nitidamente
traçados, se por isto se entende o envoltório que constitui o
corpo do Espírito, pois a materialidade desse envoltório diminui
à medida que o Espírito se purifica. Em certos mundos, mais avançados
que a Terra, ele já se apresenta menos compacto, menos pesado e menos
grosseiro, e, conseqüentemente, menos sujeito a vicissitudes. Num grau
mais elevado, desmaterializa-se e acaba por se confundir com o perispírito.
De acordo com o mundo a que o Espírito é chamado a viver, ele
se reveste do envoltório apropriado à natureza desse mundo.
O perispírito mesmo sofre transformações sucessivas. Eteriza-se
mais e mais, até a purificação completa, que constitui
a natureza dos Espíritos puros. Se mundos especiais estão destinados,
como estações, aos Espíritos mais avançados, estes
não ficam sujeitos a eles, como nos mundos inferiores: o estado de libertação
que já atingiram lhes permite viajar para toda a parte, onde quer que
sejam chamados pelas missões que lhes formam confiadas.
Se considerarmos a encarnação do ponto de vista material, tal
como a vemos na Terra, podemos dizer que ela se limita aos mundos inferiores.
Depende do Espírito, portanto, libertar-se mais ou menos rapidamente
da encarnação, trabalhando pela sua purificação.
Temos ainda a considerar que, no estado de erraticidade, ou seja, no intervalo
das existências corporais, a situação do Espírito
está em relação com a natureza do mundo a que o liga o
seu grau de adiantamento. Assim, na erraticidade, ele é mais ou menos
feliz, livre e esclarecido, segundo for mais ou menos desmaterializado.
A NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO
25.A ENCARNAÇÃO É UMA PUNIÇÃO, E SOMENTE
OS ESPÍRITOS CULPADOS É QUE LHE ESTÃO
SUJEITOS?
-São Luis, Paris, 1859. – A passagem dos Espíritos pela
vida corpórea é necessária, para que eles possam realizar,
com a ajuda do elemento material, os propósitos cuja execução
Deus lhe confiou. É ainda necessária por eles mesmos, pois a atividade
que então se vêm obrigados a desempenhar ajudá-los a desenvolver
a inteligência. Deus, sendo soberanamente justo, deve aquinhoar eqüitativamente
a todos os seus filhos. É por isso que Ele concede a todos o mesmo ponto
de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir
e a mesma liberdade de ação. Todo o privilégio seria uma
preferência, e toda preferência uma injustiça. Mas a encarnação,
para todos os Espíritos, é apenas um estado transitório.
É uma tarefa que Deus lhe impõe, no princípio da existência,
como primeira prova do uso que farão do seu livre arbítrio.
Os
que executam essa tarefa com zelo, sobem rapidamente, e de maneira menos penosa,
os primeiros degraus da iniciação, e gozam mais cedo do resultado
do seu trabalho. Os que, ao contrário, fazem mau uso da liberdade que
Deus lhe concede, retardam o seu progresso. E é assim que, por sua obstinação,
podem prolongar indefinidamente a necessidade de se reencarnarem. E é
então que a encarnação se torna um castigo.
26. Observação. – Uma comparação vulgar nos
fará melhor compreender esta diferença. O estudante não
atinge os graus superiores, sem ter percorrido a série de classes que
o levam até lá. Essas classes, por mais trabalho que exijam, são
o meio de atingir o fim, e não uma punição. O estudante
laborioso abrevia a caminhada, encontrando menos dificuldades. Acontece o contrário
com aquele que a negligência e a preguiça obrigam a repetir certas
classes. Não é, porém, o estudo que constitui uma punição,
mas a obrigação de recomeçá-lo em cada classe.
É
o que se passa com o homem na Terra. Para o Espírito do selvagem, que
está quase no começo da vida espiritual, a encarnação
é um meio de desenvolver a inteligência. Mas, para o homem esclarecido,
em que o senso moral está largamente desenvolvido, e que se vê
obrigado a repetir as etapas de uma vida corporal cheia de angústias,
enquanto já podia ter atingido o fim, é um castigo, pela necessidade
em que se acha de prolongar a sua permanência nos mundos inferiores e
infelizes.
Aquele que, ao contrário, trabalha ativamente para o seu progresso moral,
pode não somente abreviar a duração de sua encarnação
material, mas franquear de uma vez os graus intermediários, que o distanciam
dos mundos superiores. Os Espíritos não poderiam encarnar-se uma
só vez num mesmo globo, e passar suas diferentes existências em
diferentes esferas? Esta opinião seria admissível, se todos os
homens estivessem, na Terra, exatamente no mesmo nível intelectual e
moral. As diferenças existentes entre eles, desde o selvagem até
o homem civilizado, revelam os graus que têm de percorrer.
A encarnação, aliás, dever ter uma finalidade útil. Ora, qual seria a finalidade das encarnações efêmeras, das crianças que morrem em tenra idade? Teriam sofrido sem qualquer proveito, nem para elas nem para outros? Deus, cujas leis são todas soberanamente sábias, nada faz de inútil. Pelas reencarnações no mesmo globo, quis que os mesmos Espíritos se ponham de novo em contato, tendo assim ocasião de reparar as suas faltas recíprocas. E tendo em conta as suas relações anteriores, quis ainda, fundar sobre uma base espiritual os laços de família, apoiando numa lei natural os princípios de solidariedade, fraternidade e igualdade.
10 – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – ALLAN KARDEC – Questões 132/267/338/568
CAPÍTULO
II – ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS – I FINALIDADE
DA ENCARNAÇÃO:
Pergunta 132. Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos?
– Deus impõe com o fim de levá-los à perfeição.
Para uns é um expiação; para outros uma missão.
Mas, para chegar a essa perfeição eles devem sofrer todas as vicissitudes
da existência corpórea: nisto é que está a expiação.
A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de pôr
o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra
da criação. É para executa-la que ele toma um aparelho
em cada mundo, em harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim
de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. E dessa maneira,
concorrendo para a obra geral, também progride.
A ação dos seres corpóreos é necessária à
marcha do Universo. Mas Deus, na sua sabedoria, quis que eles tivessem, nessa
mesma ação, um meio de progredir e de se aproximarem d’Ele.
É assim que por uma lei admirável da sua providência, tudo
se encadeia, tudo é solidário na Natureza.
Perg. 133. Os Espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do bem, têm necessidade da encarnação? - Todos são criados simples e ignorantes e se instruem por meio das lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a alguns, sem penas e sem trabalhos, e por conseguinte sem mérito.
Perg. 133a. Mas, então, de que serve aos Espíritos seguirem o caminho do bem, se isso não os isenta das penas da vida corporal? - Chegam mais depressa ao alvo. Além disso, as penas da vida são frequentemente a consequência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeito ele for, menos tormentos sofrerá. Aquele que não for invejoso, nem ciumento, nem avarento ou ambicioso, não passará pelos tormentos que se originam desses defeitos.
Perg. 267. O Espírito poderia fazer a sua escolha durante a vida corporal? – Seu desejo pode ter influência. Isso depende da intenção. Mas, no estado de Espírito, freqüentemente vê as coisas de maneira bem diversa. É o Espírito quem faz a escolha. Mas, ainda assim, ele pode faze-la nesta vida material, porque o Espírito tem sempre os momentos em que se liberta da matéria.
Perg. 267a. Muitas pessoas desejam grandezas e riquezas, mas não como expiação nem como prova? - Sem dúvida; a matéria deseja essa grandeza para gozá-la, e o Espírito a deseja para conhecer-lhe as vicissitudes.
Perg. 268. Até que chegue ao estado de perfeita pureza, o Espírito tem de passar constantemente por provas? - Sim, mas elas não são como as entendeis. Chamais provas às tribulações materiais; ora, o Espírito, chegado a um certo grau, mesmo sem ser perfeito, não tem mais nada a sofrer. Mas tem sempre deveres que o ajudam a se aperfeiçoar, e que não são penosos para ele, a não ser os de ajudar os outros a se aperfeiçoarem.
Perg. 269. O Espírito pode enganar-se quanto à eficácia da prova a escolher? - Pode escolher uma que esteja acima das suas forças, e então sucumbe. Pode também escolher uma que não lhe dê proveito algum, como um gênero de vida ociosa e inútil. Mas, nesse caso, voltando ao mundo dos Espíritos, percebe que nada ganhou e pede para recuperar o tempo perdido.
Perg. 338. Se acontecesse que muitos Espíritos se apresentassem para ocupar um mesmo corpo que vai nascer, o que decidiria entre eles? - Muitos podem pedì-lo, mas é Deus quem julga, em casos assim, qual é o mais capaz de preencher a missão a que a criança se destina. Mas, como já disse, o Espírito é designado antes do instante em que deve unir-se ao corpo.
Perg. 339. O momento da encarnação é seguido de perturbação semelhante ao que se verifica na desencarnação? - Muito maior, e sobretudo mais longa. Na morte, o Espírito sai da escravidão; no nascimento, entra nela.
Perg. 340. O instante em que o Espírito deve encarnar-se é para ele um instante solene? Cumpre ele esse ato como coisa grave e importante? - É como um viajante que embarca para uma travessia perigosa e não sabe se vai encontrar a morte nas vagas que afronta.
O viajante que embarca sabe a que perigos se expõe, mas não sabe se naufragará. Assim se dá com o Espírito: ele conhece o gênero de provas a que se submete mas não sabe se sucumbirá. Da mesma maneira que a morte do corpo é um renascimento para o Espírito, a reencarnação é para ele uma espécie de morte, ou antes, de exílio e de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corpóreo, como o homem deixa o mundo corpóreo pelo mundo dos Espíritos.
O Espírito sabe que se reencarnará, como o homem sabe que morrerá; mas, como este, não têm consciência do fato senão no último momento, quando chega o tempo desejado. Então, nesse momento supremo, a perturbação o envolve, como no homem em agonia, e essa perturbação persiste até que a nova existência esteja nitidamente firmada. O início da reencarnação é uma espécie de agonia para o Espírito.
Perg. 341. A incertez do Espírito, quanto à eventualidade do sucesso das provas que vai sofer na vida, é para ele uma causa de aflição, antes da encarnação? - Uma grande aflição, pois as provas da sua existência o retardarão ou farão avançar, segundo as tiver bem ou mal suportado.
Perg. 342. No momento de sua reencarnação o Espírito é acompanhado por outros Espíritos, seus amigos, que assistem à sua partida do mundo espírita, como o vão receber na sua volta? - Isso depende da esfera que o Espírito habita. Se está nas esferas em que reina a afeição, os Espíritos que o amam o acompanham até o derradeiro momento, encorajam-no, e frequentemente mesmo, seguem-no durante a vida.
Perg. 568. Os Espíritos que têm missões a cumprir, cumprem-nas em estado errante ou encarnado? - Podem fazê-lo num e noutro estado. Para certos Espíritos errantes, essa é uma grande ocupação.
12 - Pão Nosso - Emmanuel - pág. 67/69
28.
E OS FINS?
"Mas nem todas as coisas edificam."— Paulo.
(I CORlNTIOS, 10:23.)
Sempre existiram homens indefiníveis que, se não fizeram mal a
ninguém, igualmente não beneficiaram a pessoa alguma.
Examinadas nesse mesmo prisma, as coisas do caminho precisam interpretação
sensata, para que se não percam na inutilidade.
É lícito ao homem dedicar-se à literatura ou aos negócios
honestos do mundo e ninguém poderá contestar o caráter
louvável dos que escolhem conscientemente a linha de ação
individual no serviço útil. Entretanto, será justo conhecer
os fins daquele que escreve ou os propósitos de quem negocia.
De que valerá ao primeiro a produção de longas obras, cheias de lavores verbais e de arroubos teóricos, se as suas palavras permanecem vazias de pensamento construtivo para o plano eterno da alma? em que aproveitará ao comerciante a fortuna imensa, conquistada através da operosidade e do cálculo, quando vive estagnada nos cofres, aguardando os desvarios dos descendentes?
Em
ambas as situações, não se poderia dizer que tais homens
cogitavam de realizações ilícitas; todavia, perderam tempo
precioso, esquecendo que as menores coisas trazem finalidade edificante.
O trabalhador cônscio das responsabilidades que lhe competem não
se desvia dos caminhos retos.",
Há muita aflição e amargura nas oficinas do aperfeiçoamento
terrestre, porque os seus servidores cuidam, antes de tudo, dos ganhos de ordem
material, olvidando os fins a que se destinam. Enquanto isso ocorre, intensificam-se
projetos e experimentos, mas falta sempre a edificação justa e
necessária.
29. A VINHA
"E disse-lhes: Ide vós também para
a vinha e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram." — (MATEUS, 20:4.)
Ninguém poderá pensar numa Terra cheia de beleza e possibilidades,
mas vogando ao léu na imensidade universal.
O Planeta não é um barco desgovernado.
As coletividades humanas costumam cair em desordem, mas as leis que presidem
aos destinos da Casa Terrestre se expressam com absoluta harmonia. Essa verificação
nos ajuda a compreender que a Terra é a vinha de Jesus. Aí, vemo-lo
trabalhando desde a aurora dos séculos e aí assistimos à
transformação das criaturas, que, de experiência a experiência,
se lhe integram no divino amor.
A formosa parábola dos servidores envolve conceitos profundos. Em essência,
designa o local dos serviços humanos e refere-se ao volume de obrigações
que os aprendizes receberam do Mestre Divino.
Por enquanto, os homens guardam a ilusão de que o orbe pode ser o tablado
de hegemonias raciais ou políticas, mas perceberão em tempo o
clamoroso engano, porque todos os filhos da razão, corporificados na
Crosta da Terra, trazem consigo a tarefa de contribuir para que se efetue um
padrão de vida mais elevado no recanto em que agem transitoriamente.
Onde quer que estejas, recorda que te encontras na Vinha do Cristo.
Vives sitiado pela dificuldade e pelo infortúnio?
Trabalha para o bem geral, mesmo assim, porque o Senhor concedeu a cada cooperador
o material conveniente e justo.
15 – ROTEIRO – FRANCISCO C. XAVIER (EMMANUEL) – pág. 15/19/27/35
7. NO APRIMORAMENTO (pág. 35) – No aperfeiçoamento do corpo espiritual, além do primitivismo de certas almas que jazem, longo tempo, entorpecidas após a morte física, observemos, ainda, o quadro das mentes evolvidas intelectualmente, mas submersas nas densas vibrações decorrentes de compromissos escuros. Não permanecem no regime da inércia, em sono larval; entretanto, agitam-se nos desvarios da loucura. Criam imagens que vivem e se movimentam na intimidade delas próprias, por tempo indeterminado, cuja duração varia com a força do impulso de suas paixões.
Carregam consigo os dramas intensos de que se fizeram autoras. Encarnada na
Terra, a inteligência vive entre as provocações da esfera
carnal e as sugestões silenciosas da mente. Quanto mais intelectualizada
a criatura, mais profundamente respira no plano das idéias, influenciando
e sendo influenciada. Geralmente, porém, o homem desequilibra os próprios
sentimentos, inclinando-se, em maior ou menor percentagem, para o afastamento
das leis com as quais se deve nortear. Atravessa os caminhos humanos, ganhando
pouco e quase sempre perdendo muito, dentro de si mesmo, obscurecendo-se nas
pesadas sombras dos pensamentos inquietantes que produz para o consumo de suas
necessidades mentais. Assim é que a desencarnação não
lhes modifica o campo íntimo.
Encasulada no círculo vibratório das criações que lhe dizem respeito, a alma sofre naturais inibições, ante a paisagem da vida gloriosa. Não possui ainda órgão de percepção para sintonizar-se com os espetáculos deslumbrantes da imensidade, encarcerada, qual se encontra, entre as paredes estranhas das concepções obscuras e estreitas em que se agita. Como a lâmpada vive no seio das próprias irradiações, emitindo luz que é também matéria sutil, a alma permanece no seio das criações que lhe são peculiares, prendendo-se à paisagem em que prevaleçam as forças e desejos que lhe são afins, porque o pensamento é também substância rarefeita, matéria dentro de expressões inabordáveis até agora pelas investigações terrestres. Podendo alimentar-se, por tempo indefinível das emanações dos próprios desejos, entidades existem que estacionam, durante muitos anos, dentro dos quadros emocionais em que se comprazem, atrasando a marcha e volutiva, até que reencarnam na recapitulação das experiências em que faliram, retomando o serviço de purificação interior para a sublimação de si mesmas.
Desse modo, somos defrontados por dolorosos fenômenos congeniais. Suicidas
recomeçam a luta física, no círculo de moléstias
ingratas, e criminosos reaparecem no berço, com deploráveis mutilações
e defeitos; alcoólatras regressam à existência, em companhia
de quentes reencetam a viagem do aprimoramento moral, na esfera de provas temíveis,
quais sejam as de enfermidades indefiníveis e de aflições
dificilmente remediáveis. No extenso e abençoado viveiro de almas
que é o mundo, pouco a pouco, de século a século e de milênio
a milênio, usando variados corpos e diversas posições no
campo das formas, nosso espírito constrói lentamente, para o próprio
uso, o veículo acrisolado e divino, com que, um dia, ascenderemos à
sublime habitação que o Senhor nos reserva em plena imortalidade
vitoriosa.