ADÃO |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- A agonia das religiões- pág. 58, 103 | 02 - A caminho da luz - pág. 30 |
| 03 - A Gênese - cap.XI, 38 - cap. XII, 13 | 04 - A plural.dos Mundos Hab. - pág. 229, 311 |
| 05 - A reencarnação na bíblia - pág. 60 | 06 - Adão e Eva - toda a obra |
| 07 - As margens do Eufrates - pág. 17, 31, 58 | 08 - Caminhos da Div. Espírita - pág. 77, 96 |
| 09 - Curso Dinâmico de Espiritismo - pág. 21 | 10 - Estudos Espíritas - pág. 47 |
| 11 - Falando à Terra - pág. 206 | 12 - Jesus o verbo do Pai - pág. 96 |
| 13 - Jesus perante a cristandade - pág. 76 | 14 - No invisível - pág. 305 |
| 15 - O alvorecer da espiritualidade - pág. 17,31 | 16 - O Espírito e o tempo - pág. 156 |
| 17 - O exilado - pág. 194 | 18 - O Livro dos Espíritos - que. 50 a 59 |
| 19 - O ser e a serenidade - pág. 30 | 20 - Parnaso de Além-túmulo - pág. 123 |
| 21 - Revista Espírita 1862, 1868 - pág. 6, 331 | 22 - Uma análise crítica da Bíblia - pág. 30 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
ADÃO – COMPILAÇÃO
01- A agonia das religiões - J. Herculano Pires - pág. 58, 103
(..) O Espírito
a que a Bíblia se refere em numerosos tópicos e que nos Evangelhos
toma o nome de Espírito Santo é o Espírito de Deus em sua
manifestação universal. A Criação tem dois aspectos,
o material e o espiritual. O sopro de Deus é o espírito criado
no fiat e o homem de barro, o Adão terreno, o ápice da criação
nos mundos em desenvolvimento, como a Terra. O sopro de Deus nas ventas do homem
de barro, para infundir-lhe o princípio da vida e da inteligência,
é a ligação do espírito com a matéria na
formação da mônada.
No pensamento divino todo o quadro da criação estava presente
desde o princípio. E tudo era perfeito. A perfeição do
ideal constituía o modelo da realidade (o mundo da rés, das coisas)
que devia projetar-se no Infinito. Por isso, as mônadas diferenciadas,
com características específicas, seriam semeadas no espaço
para a germinação lenta, mas segura e contínua, dos conteúdos
essenciais de cada uma delas. A mônada é a semente do ser, da criatura
humana e divina que dela surgirá nas dimensões da temporalidade.
Não se pode conceber, em nossa relatividade humana, mais grandiosa e
perfeita concepção do ato criador. Podemos perguntar porque Deus,
que é o supremo poder, precisa do tempo para realizar essa obra gigantesca.
Mas o Espiritismo ensina que a nossa relatividade decorre de necessidades nossas
e não de Deus. O que para nós são séculos e milênios,
para Deus pode ser apenas aquele instante que, para Kierkegaard, era o encontro
do tempo com a eternidade. Um instante de profundidade e extensão imensas,
que resume para o homem todas as suas existências nas duas dimensões
do Universo que hoje nos são acessíveis: a espiritual e a material.
É, sem dúvida, espantoso pensar, como Gustave Geley, que tudo
quanto consideramos inconsciente, desde o grão de areia aos mundos que
geram em torno dos sóis, possui a potencialidade da consciência
em desenvolvimento no seu interior. Mas quando compreendemos que a mônada,
síntese de espírito e matéria é uma unidade infinitesimal,
sobre a qual se apoia toda a realidade — o que corresponde à concepção
atómica da Ciência em nossos dias — nossa mente começa
a abrir-se para um entendimento superior. Se o poder do átomo nos espanta,
a potencialidade da mônada nos aturdiria. E ambos esses poderes nada mais
são do que fragmentos do poder de Deus. Quando pensamos nisso, a teoria
do princípio inteligente começa a revelar-nos a grandeza da doutrina
espírita.
E no entanto os seus fundamentos estão nos princípios evangélicos,
sobre os quais milhares de teólogos, filósofos, místicos
e pregadores escreveram e falaram sem cessar, numa catadupa de páginas
e palavrórios ao longo de dois mil anos! Essa opacidade da inteligência
humana, esse embotamento da capacidade de compreensão poderia fazer-nos
descrer das potencialidades do princípio inteligente se não soubéssemos
que o instinto gregário do homem o leva a imitação e à
repetição dos papagaios. Quando Kardec se atreveu, utilizando-se
de todos os recursos de sensatez e equilíbrio, apoiando-se na cultura
do Século XIX — para não provocar reações
precipitadas que lhe prejudicariam a obra - a publicar "O Livro dos Espíritos",
todos os anátemas da Religião, da Ciência e da Filosofia
caíram sobre ele como as bombas norte-americanas sobre o Vietnã.
(...)
03 - A Gênese - Allan Kardec - cap.XI, 38 - cap. XII, 13
RAÇA
ADÂMICA
38. - Segundo o ensino dos Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações,
ou, querendo-se, uma dessas colônias de Espíritos, vindos de uma
outra esfera, que deram nascimento à raça simbolizada na pessoa
de Adão, e, por esta razão, chamada raça adâmica.
Quando ela chegou, a Terra estava povoada desde tempos imemoriais, como a América,
quando chegaram os Europeus.
A raça adâmica, mais avançada do que aquelas que a precederam
sobre a Terra, era, com efeito, mais inteligente; foi ela que levou todas as
outras ao progresso. A Gênese no-la mostra, desde seus princípios,
industriosa, apta para as artes e para as ciências, sem passar pela infância
intelectual, o que não é o próprio das raças primitivas,
mas o que concorda com a opinião de que se compunha de Espíritos
que já progrediram. Tudo prova que ela não era antiga sobre a
Terra, e nada se opõe a que não esteja aqui senão há
alguns milhares de anos, o que não estaria em contradição
nem com os fatos geológicos, nem com as observações antropológicas,
e, ao contrario, tenderia a confirmá-las.
39. - A doutrina que fez todo o gênero humano proceder de uma única
individualidade, ha seis mil anos, não é mais admissível
no estado atual dos conhecimentos. As principais considerações
que a contradizem, tiradas da ordem física e da ordem moral, se resumem
nos seguintes pontos:
Do ponto de vista psicológico, certas raças apresentam tipos particulares
característicos, que não permitem assinalar-lhes uma origem comum.
Há diferenças que, evidentemente, não são o efeito
do clima, uma vez que os brancos que se reproduzem no país dos negros
não se tornam negros, e reciprocamente. O ardor do Sol tosta e amorena
a epiderme, mas nunca transformou um branco em negro, achatou o nariz, mudou
a forma dos traços da fisionomia, nem tornou encarapinhados e lanudos
os cabelos longos e macios. Sabe-se hoje que a cor do negro provém de
um tecido particular, subcutâneo, que se liga a espécie.
É necessário, pois, considerar as raças negras, mongólicas,
caucásicas, como tendo a sua origem própria e nascidas simultaneamente,
ou sucessivamente, sobre diferentes partes do globo; seu cruzamento produziu
as raças mistas secundárias. Os caracteres fisiológicos
das raças primitivas são o indício evidente de que elas
provieram de tipos especiais. As mesmas considerações existem,
pois, tanto para os homens como para os animais, quanto à pluralidade
de estirpes. (Cap. X, ns 2 e seguintes).
40.-Adão e seus descendentes são representados na Gênese
como homens essencialmente inteligentes, uma vez que, desde a segunda geração,
edificam as suas casas, cultivam a terra, trabalham os metais. Seus progressos
nas artes e nas ciências foram rápidos e constantemente sustentados.
Não se conceberia, pois, que essa estirpe tivesse, por descendentes,
povos numerosos tão atrasados, de uma inteligência tão rudimentar,
que costeiam, ainda em nossos dias, a animalidade; que perdessem todo o traço
e até a menor lembrança tradicional do que faziam seus pais. Uma
diferença tão radical nas aptidões intelectuais, e no desenvolvimento
moral, atesta, com não menos evidência, uma diferença de
origem.
41.-Independentemente dos fatos geológicos, a prova da existência
do homem sobre a Terra antes da época fixada pela Gênese é
tirada da população do globo. Sem falar da cronologia chinesa,
que remonta, diz-se, a trinta mil anos, documentos mais autênticos atestam
que o Egito, a índia e outros países, estavam povoados e florescentes
pelo menos três mil anos antes da era cristã, mil anos, conseqüentemente,
depois da criação do primeiro homem, segundo a cronologia bíblica.
Documentos e observações recentes não deixam nenhuma dúvida,
hoje, sobre as relações que existiram entre a América e
os antigos Egípcios; de onde é necessário concluir que
esse continente já era povoado nessa época. Seria, pois, preciso
admitir que, em mil anos, a posteridade de um único homem pôde
cobrir a maior parte da Terra; ora, uma tal fecundidade seria contrária
a todas as leis antropológicas (1).
42.-A impossibilidade se torna ainda mais evidente se se admite, com a Gênese,
que o dilúvio destruiu todo o gênero humano, com excessão
de Noé e sua família, que não era numerosa, no ano de 1656,
seja 2348 anos antes da era cristã. Não seria, pois, em realidade,
que de Noé dataria o povoamento do globo; ora, quando os Hebreus se estabeleceram
no Egito, 612 anos depois do dilúvio, esse já era um poderoso
império, que teria sido povoado, sem falar de outros países, em
menos de seis séculos, só pelos descendentes de Noé, o
que não é admissível.
Notemos, de passagem, que os Egípcios acolheram os Hebreus como estrangeiros;
seria de espantar que tivessem perdido a lembrança de uma comunidade
de origem tão próxima, então que conservavam religiosamente
os monumentos de sua história.
Uma lógica rigorosa, corroborada pelos fatos, demonstra, pois, da maneira
mais peremptória, que o homem está sobre a Terra há um
tempo indeterminado, bem anterior à época assinalada pela Gênese.
Ocorre o mesmo com a diversidade de estirpes primitivas; porque demonstrar a
impossibilidade de uma proposição é demonstrar a proposição
contrária. Se a geologia descobre traços autênticos da presença
do homem antes do grande período diluviano, a demonstração
será ainda mais absoluta.
(1) A Exposição universal de 1867 apresentou antiguidades do México,
que não deixam nenhuma dúvida sobre as relações
que os povos desse continente tiveram com os antigos Egípcios. O Sr.
Léon Méchedin, numa nota afixada no templo mexicano da Exposição,
assim se expressou:
"É conveniente não publicar antes do tempo as descobertas
feitas do ponto de vista da história do homem, pela recente expedição
científica do México; entretanto, nada se opõe a que o
público saiba, desde hoje, que a exploração constatou a
existência de um grande número de cidades encobertas pelo tempo,
mas que a picareta e o incêndio podem tirar de sua mortalha.
As escavações puseram a descoberto, por toda a parte, três
berços de civilizações que parecem dar, ao mundo americano,
uma antiguidade fabulosa."
É assim que, cada dia, a ciência vem dar o desmentido dos fatos
à doutrina que limita em 6000 anos a aparição do homem
sobre a Terra, ao pretender fazê-lo sair de uma estirpe única.
05 - A reencarnação na bíblia - Herminio
C. Miranda - pág. 60
PRELIMINARES A UMA INTERPRETAÇÃO
Vamos, pois, ordenar as idéias expostas nesse longo trecho. Antes, um
pouco de preparação que nos garanta o entendimento de certas referências
a partir de definição de algumas preliminares. Para os antigos,
viver era o supremo bem, enquanto morrer, especialmente em pecado, a tragédia
irreparável e definitiva. A seita dos saduceus, mais tarde, nem mesmo
acreditaria na sobrevivência da alma; para eles, a morte era o fim.
Como já vimos, o prêmio que o Decálogo promete àquele
que honra pai e mãe não é um paraíso póstumo,
mas uma "longa vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te dará".
De certa forma, o conceito de que o pecado acarreta a morte do pecador preservou-se
da dogmática cristã, dado que o pecado afasta o homem de Deus.
Ê necessário entender bem que ninguém poderá desligar-se
de Deus, simplesmente porque nada existe senão nele, criado e sustentado
por ele.
"Vivemos e nos movemos em Deus e nele temos o nosso ser", disse Paulo de Tarso. A linguagem bíblica, porém, é rica em simbolismos, que outra coisa não são senão maneiras de expressar verdades ainda transcendentais, de forma que o maior número possível de pessoas possa entendê-las. Como dizer, por exemplo, que o erro nos aliena de Deus, senão dizendo que Deus nos vira o rosto, ou que se aparta de nós e nos deixa entregues à nossa sorte, ou nos castiga, ou nos priva daqueles bens que mais desejamos?
Quando
se quer, por exemplo, caracterizar a gravidade do erro cometido por Adão
e Eva — uma evidente alegoria — o autor do Penta-teuco declara que
a primeira providência de Deus foi expulsá-los do Éden,
onde viviam na maior felicidade e inocência. A "morte da alma"
era, pois, a pena máxima. Não que na concepção daqueles
povos a alma fosse perecível, porque os justos iam para o "seio
de Abraão" e os pecadores para a região de agonias e trevas,
o "sheol". Cada povo ou seita tem a sua maneira de figurar esses dois
pólos opostos da destinação: os bons, de um lado e os maus
de outro.
A Doutrina dos Espíritos veio, finalmente, esclarecer que tanto "céu"
como "inferno" são estados d'alma, porque o ser humano leva
para onde for, aqui ou no mundo espiritual, o seu próprio "céu"
ou o seu "inferno" interior. Outro ponto a destacar, ainda nestas
preliminares, é o conceito de justiça. Era considerado justo aquele
que cumprisse rigorosamente os preceitos morais contidos na lei divina e nas
prescrições posteriores elaboradas principalmente por Moisés.
Justo era, portanto, o homem de bem, cumpridor de seus deveres religiosos e
sociais; justa a mulher honesta, fiel, de procedimento correto. O prêmio
do justo era o mesmo de sempre: viver.
O
destino do pecador, a morte. No contexto da linguagem
moderna, o conceito bíblico de justiça tornou-se um tanto obscuro
para a mentalidade atual. Praticar, fazer, exercer justiça hoje é
diferente de ser justo tal como o entendiam os antigos judeus. No contexto da
Bíblia, o ser humano é justo quando age com justeza e não
necessariamente com justiça. Não é nada justo, por exemplo,
aquele que resolve "fazer justiça por suas próprias mãos"
e matar um inimigo.
Somente assim poderemos entender frases como esta: ele viverá por causa
da justiça que praticou. Ou seja: aquele foi um homem justo — bom,
caridoso, pacífico, correto — e por isso será premiado por
suas virtudes. Tanto é assim que não se emprega jamais a forma
negativa em frases como esta: o injusto será castigado, ou morrerá
pela sua injustiça.
Resta um terceiro e importante aspecto: a conceituação do que
era considerado bom procedimento e, reversamente, mau procedimento. Era considerado
bom (justo) aquele que cumpria os preceitos da lei. Quais eram ? Não
ser idólatra, não trair a sua mulher com outra, nem o seu amigo,
ou irmão, seduzindo-lhes a esposa; não emprestar dinheiro a juros;
não ser violento; ser caridoso na ajuda ao pobre; evitar, enfim, o mal
e procurar praticar o bem, ainda que certas regrinhas, hoje inexpressivas, também
fossem incluídas nas proibições, como "comer nos montes".
Era considerado ímpio (em oposição ao justo) aquele que
praticasse os erros codificados na lei.
18 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões.
50 a 59
III
- POVOAMENTO DA TERRA, ADÃO
Perg. 50 - A espécie humana começou por um só homem?
- Não; aquele que chamais Adão não foi o primeiro nem o
único a povoar a Terra.
Perg. 51 - Podemos saber em que época viveu Adão?
- Mais ou menos naquela que lhe assinalais: cerca de quatro mil anos antes de
Cristo.
O homem cuja tradição se conservou sob o nome de Adão foi um dos que sobreviveram, em alguma região, a um dos grandes cataclismos que em diversas épocas modificaram a superfície do globo, e tornou-se o tronco de uma das raças que hoje o povoam. As leis da Natureza contradizem a opinião de que os progressos da Humanidade, constatados muito tempo antes de Cristo, se tenham realizado em alguns séculos, como o teria de ser, se o homem não tivesse aparecido senão a partir da época assinalada para a existência de Adão. Alguns, e com muita razão, consideram Adão como um mito ou uma alegoria, personificando as primeiras idades do mundo.
IV
- DIVERSIDADE DAS RAÇAS HUMANAS
Perg. 52 - De onde vêm as diferenças físicas e morais que
distinguem as variedades de raças humanas na Terra?
- Do clima, da vida e dos hábitos. Dá-se o mesmo que se daria
com duas crianças da mesma mãe, que, educadas uma longe da outra
e de maneira diferente, não se assemelham em nada quanto ao moral.
Perg. 53 - O homem apareceu em muitos pontos do globo?
- Sim, e em diversas épocas, e é essa uma das causas da diversidade
das raças; depois, o homem se dispersou pelos diferentes climas, e aliando-se
os de uma raça aos de outras, formaram-se novos tipos.
Perg.
53a - Essas diferenças representam espécies distintas?
- Certamente não, pois todos pertencem à mesma família.
As variedades do mesmo fruto acaso não pertencem à mesma espécie.
Perg. 54 - Se a espécie humana não procede de um só tronco,
não devem os homens deixar de considerar-se irmãos?
- Todos os homens são irmãos em Deus, porque são animados
pelo espírito e tendem para o mesmo alvo. Quereis sempre tomar as palavras
ao pé da letra.
V
- PLURALIDADE DOS MUNDOS
Perg. 55 - Todos os globos que circulam no espaço são habitados?
- Sim, e o homem terreno está bem longe de ser, como acredita, o primeiro
em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto,
homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno
globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais. Orgulho e
vaidade! Crê em que Deus criou o Universo somente para eles.
Deus povoou os mundos de seres vivos, e todos concorrem para o objetivo final da providência. Acreditar que os seres vivos estejam limitados apenas ao ponto que habitam no Universo, seria pôr em dúvida a sabedoria de Deus, que nada fez de inútil e deve ter destinado esses mundos para um fim mais sério do que o de alegrar os nossos olhos. Nada, aliás, nem na posição, no volume ou na constituição física da Terra, pode razoavelmente levar-nos à suposição de que ela detenha o privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes.
Perg.
56 - A constituição física dos mundos é a mesma?
- Não; eles absolutamente não se assemalham.
Perg. 57 - A constituição física dos mundos não
sendo a mesma para todos, os seres que os habitam terão organização
diferente?
- Sem dúvida, como entre vós os peixes são feitos para
viver na água e os pássaros no ar.
Perg. 58 - Os mundos mais distanciados do Sol são privados de luz e calor,
de vez que o Sol aparece apenas como uma estrela?
- Acreditais que não há outras fontes de luz e de calor, além
do Sol? Não tendes em conta a eletricidade, que em certos mundos desempenha
um papel desconhecido para vós, bem mais importante que o que lhe cabe
na Terra? Aliás, não dissemos que todos os seres vivem da mesma
maneira que vós, com órgãos semelhantes aos vossos.
VI - CONSIDERAÇÕES E CONCORDÂNCIAS BÍBLICAS REFERENTES À CRIAÇÃO
59.
Os povos fizeram idéias bastante divergentes sobre a Criação,
segundo o grau de seus conhecimentos. A razão apoiada na Ciência
reconheceu a inverossimilhança de algumas teorias. A que os Espíritos
nos oferecem confirma a opinião há muito admitida pelos homens
mais esclarecidos.
A objeção que se pode fazer a essa teoria é a de estar
em contradição com os textos dos livros sagrados. Mas um exame
sério nos leva a reconhecer que essa contradição é
mais aparente que real, resultante da interpretação dada a passagens
que, em geral, só possuíam sentido alegórico.
A questão do primeiro homem, na pessoa de Adão, como único
tronco da Humanidade, não é a única sobre a qual as crenças
religiosas têm de modificar-se. O movimento da Terra parecia, em determinada
época, tão contrário aos textos sagrados, que não
há formas de perseguição a que essa teoria não tenha
dado pretexto. Não obstante, a Terra gira, malgrado os anátemas,
e ninguém hoje em dia poderia contestar isto, sem ofender a sua própria
razão.
A Bíblia diz igualmente que o inundo foi criado em seis dias e fixa a
época da Criação em cerca de quatro mil anos antes da Era
Cristã. Antes disso, a Terra não existia; ela foi tirada do nada.
O texto é formal. E eis que a Ciência positiva, a Ciência
inexorável, vem provar o contrário. A formação do
globo está gravada em caracteres indeléveis no mundo fóssil,
e está provado que os seis dias da Criação representam
outros tantos períodos, cada um deles, talvez, de muitas centenas de
milhares de anos. E não se trata de um sistema, uma doutrina, uma opinião
isolada, mas de um fato tão constante como o do movimento da Terra, e
que a Teologia não pode deixar de admitir, prova evidente do erro em
que se pode cair, quando se tomam ao pé da letra as expressões
de uma linguagem frequentemente figurada.(1) Devemos concluir, então,
que a Bíblia é um erro? Não; mas que os homens se enganaram
na sua interpretação. (2)
(1) As declarações do Papa Pio XII, admitindo os cálculos
da Ciência para a formação da Terra, confirmam o acerto
de Kardec nesta nota. (N. do T)
(2) Advertência aos que condenam a Bíblia sem levar em conta os
fatores históricos e a linguagem figurada do texto. (N. do T.)
A Ciência, escavando os arquivos da Terra, descobriu a ordem em que os
diferentes seres vivos apareceram na sua superfície, e essa ordem concorda
com a indicada no Gênesis, com a diferença de que essa obra, em
vez de ter saído miraculosamente das mãos de Deus, em apenas algumas
horas, realizou-se sempre pela sua vontade, mas segundo a lei das forças
naturais, em alguns milhões de anos. Deus seria, por isso, menor e menos
poderoso? Sua obra se tornaria menos sublime, por não ter o prestígio
da instantaneidade?
Evidentemente, não. Ê preciso fazer da Divindade uma idéia
bem mesquinha, para não reconhecer a sua onipotência nas leis eternas
que ela estabeleceu para reger os mundos. A Ciência, longe de diminuir
a obra divina, no-la mostra sob um aspecto mais grandioso e mais conforme com
as noções que temos de poder e da majestade de Deus, pelo fato
mesmo de ter ela se realizado sem derrogar as leis da Natureza.
A Ciência, de acordo neste ponto com Moisés, coloca o homem por
último na ordem da criação dos seres vivos. Moisés,
porém, coloca o dilúvio universal no ano 1654 da formação
do mundo, enquanto a Geologia nos mostra o grande cataclismo como anterior à
aparição do homem, tendo em vista que, até agora, não
se encontra nas camadas primitivas nenhum traço da sua presença,
nem da presença dos animais que, sob o ponto de vista físico,
são da sua mesma categoria. Mas nada prova que isso seja impossível;
várias descobertas já lançaram dúvidas a respeito,
podendo acontecer, portanto, que de um momento para outro se adquira a certeza
material da anterioridade da raça humana. E então se reconhecerá
que, nesse ponto, como em outros, o texto bíblico é figurado.
A questão está em saber se o cataclismo é o mesmo de Noé,
Ora, a duração necessária à formação
das camadas fósseis não dá lugar a confusões, e
no momento em que se encontrarem os traços da existência do homem,
anteriores à grande catástrofe, ficará provado que Adão
não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde
na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios
possíveis, e será necessário aceitar o fato, como se aceitou
o do movimento da Terra e o dos seis períodos da Criação.
A existência do homem antes do dilívio geológico é,
não há dúvida ainda hipotética, mas eis como nos
parece menos. Admitindo-se que homem tenha aparecido pela primeira vez na Terra
há quatro mil anos antes de Cristo, se 1650 anos mais tarde toda a raça
humana foi destruída, com exceção apenas de uma família,
conclui-se que o povoamento da Terra data de Noé, ou seja, de 2.350 anos
antes da nossa era. Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo
oitavo século, encontraram esse país bastante povoado e já
bem avançado em civilização.
A
História prova, que nessa época, a Índia e outros países
eram igualmente florescentes, mesmo sem levarmos em conta a cronologia de certos
povos, que remonta a uma época mais recuada. Teria sido então
necessário que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século,
quer dizer, num espaço de seiscentos anos, não somente a posteridade
de um único homem tivesse podido povoar todas as imensas regiões
então conhecidas, supondo-se que as outras não estivessem povoadas,
mas também que, nesse curto intervalo, a espécie humana tivesse
podido elevar-se da ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto
grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas
as leis antropológicas.
A diversidade das raças humanas vem, ainda, em apoio desta opinião.
O clima e os hábitos produzem, sem dúvida, modificações
das características físicas, mas sabe-se até onde pode
chegar a influência dessas causas, e o exame fisiológico prova
a existência, entre algumas raças, de diferenças constitucionais
mais profunda que as produzidas pelo clima. O cruzamento de raças produz
os tipos intermediários; tende a surar os caracteres extremos, mas não
cria estes, produzindo apenas as variedades.
Ora, para que tivesse havido cruzamento de raças, era necessário
que houvesse raças distintas, e como explicarmos a sua existência,
dando-lhes um tronco comum, e sobretudo tão próximo? Como admitir-se
que, em alguns séculos, certos descendentes de Noé se tivessem
transformado, a ponto de produzirem a raça etíope, por exemplo?
Uma tal metamorfose não é mais admissível que a hipótese
de um tronco comum para o lobo e a ovelha, o elefante e o pulgão, a ave
e o peixe. Ainda uma vez, nada poderia prevalecer contra a evidência dos
fatos.
Tudo se explica, pelo contrário, admitindo-se a existência do homem
antes da época que lhe é vulgarmente assinalada; a diversidade
das origem: Adão, que viveu há seis mil anos, como tendo povoado
uma região ainda inabitada; o dilúvio de Noé como uma catástrofe
parcial, que se tomou pelo cataclismo geológico;(1) e tendo-se em conta,
por fim, a forma alegórica peculiar ao estilo oriental, que se encontra
nos livros sagrados de todos os povos. Eis porque é prudente não
se acusar muito ligeiramente de falsas as doutrinas que podem, cedo ou tarde,
como tantas outras, oferecer um desmentido aos que as combatem. As idéias
religiosas, longe de perder, se engrandecem, ao marchar com a Ciência;
esse é o único meio de não apresentarem ao ceticismo um
elo vulnerável.
(1) As escavações arqueológicas por Sir Charles Leonard Wooley, em 1929, ao norte de Basora, próximo ao Golfo Pérsico, para a descoberta de Ur, revelaram os restos de uma catástrofe diluviana ocorrida exatamente quatro mil anos antes de Cristo. Ao encontrar a camada de lodo que cobria as ruínas da Ur primitiva, Woolley transmitiu a notícia ao mundo nos seguintes termos: "Encontramos os sinais do dilúvio universal". Trabalhos posteriores comprovaram o fato, mostrando que houve um dilúvio local no delta do Tigre e do Eufrates, exatamente na data assinalada pela Bíblia. Este fato vem confirmar a previsão de Kardec (N.doT).