ALMA |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- A agonia das Religiões - pág. 106 | 02 - A alma é imortal - pág. 21, 80, 112, 200 |
| 03 - A crise da morte - pág. 160 | 04 - A Gênese - cap. VIII 7 |
| 05 - A evoluçao anímica - pág. 51, 75, 85 | 06 - Agenda cristã - pág. 117 |
| 07 - Alerta - pág. 166 | 08 - Alquimia da mente - pág. 53, 98 |
| 09 - Animais nossos irmãos - pág. 82 | 10 - Animismo e Espiritismo - vol. I pág.24 |
| 11 - Animismo ou Espiritismo - pág. 132 | 12 - Antologia do Perispírito - ref. 82 - 135a pág. 665 |
| 13 - Coragem - pág. 133 | 14 - Depois da Morte - pág. 23, 50, 127 |
| 15 - Deus na Natureza - pág. 193 | 16 - Emmanuel - pág. 47, 134, 185 |
| 17 - Espírito, perispírito e alma - toda a obra | 18 - Estude e Viva - pág. 17 |
| 19 - Estudos espíritas- pág. 40 | 20 - Evocando os Espíritos - pág. 227 |
| 21 - Evolução em dois mundos - pág. 79, 87, 95, 121 | 22 - Forças sexuais da alma - toda a obra |
| 23 - Gêneses da Alma - pág. 18 | 24 - Mediunidade - pág. 57 |
| 25 - No invisível - pág. 131 | 26 - No mundo maior - pág. 108 |
| 27 - O céu e o inferno - pág. 102 | 28 - O Evangelho S. o Espiritismo - cap. III 2 |
| 29 - O grande enigma - pág. 36, 49, 214 | 30 - O Livro dos Espíritos - Introd. II - IV - XIII |
| 31 - Oferenda - pág. 57 | 32 - Bênçãos de paz - pág. 43 |
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ALMA – COMPILAÇÃO
01 - A AGONIA DAS RELIGIÕES - J. HERCULANO PIRES - PÁG. 106
CAPITULO
- XIII - REVOLUÇÃO CÓSMICA
Em meados do Século XIX ocorreu uma abertura cósmica para o homem
em todos os sentidos. Três séculos após a Revolução
Copérnica, que começara a demolir o geocentrismo de Ptolomeu,
Kardec rompia o organocentrismo da concepção científica
do homem, que tinha em seu apoio a tradição religiosa judeu-cristã.
Nicolau Copérnico escrevera em latim o seu tratado De Revolucionibus
Orbium Celestium (Das Revoluções das Orbes Celestes) que só
foi publicado em 1543, após a sua morte, e condenado pelo Papa Paulo
V. Kardec publicou "O Livro dos Espíritos", em 1857, que também
não escapou à dupla condenação da Igreja e da Ciência.
A concepção da vida como inerente às estruturas orgânicas
foi o último refúgio do geocentrismo. Já que a Terra não
era o centro do Universo, o homem sustentava a sua vaidade e o seu orgulho considerando-se
o centro da vida. Isso é evidente ainda hoje, transparecendo na luta
desesperada das religiões contra a concepção espírita
do homem e na desesperada resistência das Ciências à evidência
resultante de suas próprias conquistas. Na América e na Europa
de hoje as declarações positivas de Rhine, Soai, Carington e outros
sobre a existência de um conteúdo extrafísico nos seres
humanos e de sua sobrevivência à morte orgânica são
combatidas ferozmente e classificadas como ridículas. É um curioso
espetáculo na arena intelectual, em que vemos o homem lutando, por orgulho,
para sustentar que não é mais do que pó e cinza.
Podem os clérigos argumentar que nas religiões não se passa
o mesmo, pois os princípios religiosos sustentam a concepção
metafísica do homem. Entretanto, pode-se aplicar às religiões
a advertência de Descartes quanto ao perigo de fazer-se confusão
entre alma e corpo. Enquanto para o Espiritismo a alma é o espírito
que anima o corpo, havendo nítida distinção entre um e
outro, as religiões admitem a unidade substancial de alma e corpo, de
tal maneira que a ressurreição se verifica no próprio corpo.
A complexa teoria de matéria e forma, de Aristóteles, deu muito
pano para manga na teologia medieval, resultando na doutrina da forma substancial,
em que forma é substância e substância é forma.
Em
consequência, matéria e forma se misturam e não se sabe
como explicar o homem sem a sua estrutura orgânica de matéria,
pois chega-se mesmo a sustentar que o homem é pó e em pó
se reverterá na morte. Opondo-se a essa posição restritiva,
que reduz o homem à condição de bicho da terra, segundo
a expressão camoneana, o Espiritismo o reintegra na dignidade de sua
natureza espiritual e reajusta a sua imagem no panorama cósmico. A manifestação
dos mortos, demonstrando que continuam vivos e atuantes noutra dimensão
da vida, e que continuam a ser o que eram apesar de não mais possuírem
o corpo material, não deixa nenhuma possibilidade de dúvida sobre
a diferença entre conteúdo e continente, entre espírito
e corpo. A confusão de forma e substância resolve-se com a demonstração
da estrutura tríplice do homem: o espírito é a substância,
a essência necessária, o ser do primado ôntico de Heideggar;
o perispírito (corpo espiritual ou bioplásmico) é a forma
da hipótese aristotélica, o padrão estrutural dos biólogos
soviéticos; o corpo é a matéria que nos dá o ser
existencial. Essa é a tese espírita dos dois seres do homem: o
ser do espírito e o ser do corpo.
E o não-ser, como queria Hegel, não é um ente específico
e autônomo, oposto ao ser, mas inerente ao ser de relação
ou existencial, ligado a ele na existência como contrafação,
determinado pela oposição da existência ao ser. E o que
vemos no problema da relação Deus-Diabo, em que a figura do Diabo
só é tomada em sentido mitológico, nunca real, como personifição
das forças do passado, que pesam sobre o ser existencial, embaraçando-lhe
o desenvolvimento. O não-ser é o que não quer ser, não
quer atualizar-se na existência, mas permanecer o que era, apegado aos
resíduos das fases anteriores ao ser. Uma das funções do
ser é absorver o não-ser para levá-lo a ser, segundo a
tese da passagem do inconsciente ao consciente, de Gustave Geley.
É assim que o homem se reintegra, pela concepção espírita,
na realidade cósmica. Não é mais um ser isolado na Criação,
privilegiado pela inteligência e amesquinhado pela morte, não é
mais aquela paixão inútil de Sartre que o tempo consome e reduz
a nada. O homem é a síntese superior produzida pela dialética
da evolução criadora de Bergson nos reinos inferiores da Natureza,
a partir das entranhas da Terra. No seu curso de milhões e milhões
de anos, a partir da mônada oculta na matéria cósmica, impulsionado
na ascensão filogenética das coisas e dos seres, passando pelas
metamorfoses de uma ontogenia assombrosa, ele atingiu a conciência e descobriu
a marca de Deus em si mesmo. Herdeiro de Deus e co-herdeiro de Cristo, segundo
a expressão do Apóstolo Paulo, o homem não está
condenado à frustração da morte, mas destinado à
vida em abundância na plenitude do espírito.
Não é fácil à mentalidade necrófila desenvolvida
pelas religiões da morte, sob o peso esmagador da escatologia judaica
e da tragédia grega, compreender essa visão nova do homem como
um ser cósmico. Por isso acusa-se o Espiritismo de reativar antigas superstições
e voltar à concepção da metempsicose egípcia elaborada
pelo génio de Pitágoras. Não percebe essa mentalidade que
a teoria pitagórica da metempsicose impunha-se ao sistema do filósofo
por uma intuição do seu próprio gênio e pela necessidade
lógica. O homem pitagórico antecipou o homem do Espiritismo na
medida possível das grandes antecipações históricas.
Era um homem cósmico por antevisão, tão integrado e entranhado
na realidade universal que não podia escapar do círculo vicioso
das formas se não despertasse em seu íntimo os poderes secretos
da mônada. O conceito do homem em Pitágoras é infinitamente
superior ao das religiões atuais e ao das filosofias do desespero e da
morte em nosso século.
Quando Pitágoras falava da música das esferas não se embrenhava
nas superstições, mas abria a mente de seus discípulos
para a visão real do Cosmos, que só em nosso tempo se tornaria
acessível a todos. Mais tarde, Jesus também anunciaria as muitas
moradas do Infinito e ensinaria o princípio da ressurreição
e das vidas sucessivas, estarrecendo um mestre em Israel que não sabia
dessas coisas. Já numa fase mais avançada da evolução
terrena, Jesus não se referia à metempsicose, mas à palingenesia
do pensamento grego, à transformação constante dos seres
e das coisas no desenvolvimento do plano divino. Nesse mesmo tempo, nas antigas
Gálias, os celtas, que para Aristóteles eram um povo de filósofos,
divulgavam esses mesmos princípios pela voz dos seus bardos, poetas-cantores
das tríades sagradas. E entre eles, como um druida, Kardec se preparava
para a sua missão futura na França do Século XIX.
Vemos assim duas linhas paralelas na filogênese humana: de um lado temos
a evolução do princípio inteligente a partir dos reinos
inferiores da Natureza, onde a mônada, a semente espiritual lançada
pelo pensamento divino, desenvolve as suas potencialidades numa sequência
natural em que podemos perceber as seguintes etapas: o poder estruturador no
reino mineral, a sensibilidade no vegetal, motilidade do animal, o pensamento
produtivo no homem. A este esquema linear temos de juntar a idéia do
desenvolvimento simultâneo de todas essas potencialidades, num crescendo
incessante, num processo dialético de dinamismo tão intenso e
complexo que mal podemos imaginar. Foi isso que levou Gustave Geley, o grande
sucessor de Richet, a considerar a existência em todas as coisas de um
dinamismo-psíquico-inconsciente que rege toda a evolução.
Que abismo entre essa concepção da gênese universal que
o Espiritismo oferece e a gênese alegórica das religiões!
E mesmo em relação à gênese científica podemos
notar a superioridade da concepção espírita, que não
se restringe à idéia de um processo dinâmico de forças
desencadeadas no plano superficial da matéria, mas penetra nas entranhas
do fenômeno para descobrir o númeno, a essência determinante
do processo e os objetivos graduais e conscientes que são acessíveis
à nossa percepção e compreensão. A criação
do homem, a sua natureza e o seu destino tornam-se inteligíveis. Édipo
decifra os mistérios da Esfinge. (...)
02 - A alma é imortal - Gabriel Delanne - pág. 21, 80, 112, 200
(...)Efeitos
físicos produzidos por uma aparição
O Dr. Britten, no seu livro: Man and his' relations, cita o caso seguinte:
"Um Sr. Wilson, residente em Toronto (Canadá), tendo adormecido
no seu escritório, sonhou que se achava em Hamilton, cidade situada a
40 milhas inglesas a oeste de Toronto. Fez em sonho suas cobranças habituais
e foi bater à porta de uma amiga, a Sr» D... Acudiu uma criada,
que o informou de que sua patroa sairá. Apesar disso, ele entrou e bebeu
um copo dágua, depois do que saiu, incumbindo a criada de apresentar
seus cumprimentos àquela senhora. E o Sr. Wilson despertou após
40 minutos de sono.
"Passados uns dias, uma Sr» G... também residente em Toronto,
recebe uma carta da Sr» D..., de Hamilton, contando que o Sr. Wilson fora
a sua casa, bebera um copo dágua e partira, não mais voltando,
o que a contrariara, porquanto teria gostado imensamente de o ver. O Sr. Wilson
afirmou que, havia um mês, não ia a Hamilton; mas, recordando-se
do sonho que tivera, pediu à Sr» G... que escrevesse à Sr»
D.... rogando-lhe não falasse do incidente aos criados, a fim de verificar
se estes, porventura, o reconheceriam. Foi então a Hamilton com alguns
camaradas e todos juntos se apresentaram em casa da Sr» D. .. Duas das
criadas reconheceram no Sr. Wilson a pessoa que lá fora, batera à
porta, bebera um copo dágua e deixara recomendações para
a Sr» D. .."
Este caso nos apresenta a alma a realizar uma viagem durante o sono e lembrando-se,
ao despertar, dos acontecimentos ocorridos no curso do desprendimento. O duplo
se torna tão material, que bate à porta e bebe um copo dágua,
é visto e reconhecido por estranhos. Claro que aqui já não
se trata de telepatia; mas, sim, de bicorporeidade completa. A aparição,
que anda, conversa, engole água, não pode ser uma imagem mental:
é verdadeira materialização da alma de um vivo.
Algumas observações
Dentre os casos excessivamente numerosos, que a exiguidade do nosso quadro não
nos permite reproduzir, referidos pelos autores ingleses, tomamos os que evidenciam
a objetividade do fantasma vivo. Se, algumas vezes, possível se torna
admitir a alucinação como causa do fenômeno, é, no
entanto, fora de dúvida que não se pode compreender a maioria
deles, sem que se admita a bicorporeidade do ser humano.
Suposto que os diferentes fatos que acabamos de enumerar são devidos
à alucinação, somos forçados a fazer duas observações,muito
importantes. Para que o cérebro do paciente seja impressionado, fora
das condições habituais, necessário é que o agente
exerça a distância uma ação de natureza especial,
que não pode ser assimilada a nenhuma força conhecida.
Primeiramente, a distância não afeta o fenômeno. Esteja o
agente em Melbourne e o paciente em Londres, a aparição se dá.
Logo, a forma de energia que transmite o pensamento nada tem de comum com as
ondas luminosas, sonoras, caloríficas, porquanto ela se propaga no espaço
sem se enfraquecer e sem condução material. Ao demais, não
se refrata em caminho; atravessando todos os obstáculos, alcança
a meta que lhe está assinada.
Sabemos hoje que a eletricidade pode tomar a forma ondulatória e propagar-se
sem condutor material. Poder-se-ia, pois, admitir que há uma semelhança
entre a telegrafia sem fio e os fenômenos telepáticos. Evidentemente,
se não houvesse mais do que uma simples transmissão de sensações,
possível seria assimilar-se ao fluido elétrico o fluido que serve
para transmitir o pensamento e, a um receptor telegráfico, o cérebro
do paciente que vê. Mas, aqui, o fenômeno é muito mais complexo.
Se ponderarmos que o agente não teve vontade de se mostrar, torna-se
difícil crer seja só o seu pensamento que, à sua revelia,
disponha de tão singular poder. Se levarmos em conta que a imagem se
materializa suficientemente para abrir ou fechar uma porta, para dar beijos,
para segurar um livro de orações, para conversar, etc., teremos
de admitir que em tais fatos há mais do que simples impressão
mental do paciente. Melhor concebemos um desdobramento momentâneo do agente,
que, voltando à vida ordinária, não conserva lembrança
do ocorrido. Então, é a alma do próprio agente que se mostra
e que se move no espaço, como o fazem os Espíritos desencarnados.
Precisamente por estar a causa do fenômeno no sair do corpo a alma é
que geralmente não se conserva a lembrança desse êxodo,
visto que o cérebro do agente não foi impressionado pelos acontecimentos
que se deram sem participação sua. Para que houvesse lembrança,
fora mister pôr o agente em estado de sonambulismo, isto é, num
estado análogo ao em que ele se encontrava quando ocorreu o desdobramento.
Confrontando os caracteres diversos, peculiares a cada uma dessas aparições,
podem formular-se observações gerais que nos instruam sobre tais
manifestações da atividade psíquica, bem pouco conhecidas.
No curso da vida, a alma se acha intimamente unida ao corpo, do qual não
se separa completamente, senão pela morte; mas, sob a ação
de diversas influências: sono natural, sono provocado, perturbações
patológicas, ou forte emoção, é-lhe possível
exteriorizar-se bastante para se transportar, quase instantaneamente, a determinado
lugar e, lá chegando, tornar-se visível de maneira a ser reconhecida.
Vimos dois casos de ação desse género: o do noivo da Sr.a
Randolph Lichfield e o do jovem marinheiro.
A lembrança das coisas percebidas nesse estado pode às vezes conservar-se,
como sucedeu ao reverendo Newnham, ao gravador e a Varley. Para isso, faz-se
mister seja muito viva a impressão experimentada. Também é
possível que subsistam algumas reminiscências vagas; mas, em geral,
ao despertar, aquele com quem se deu o fenómeno do desdobramento nenhuma
consciência tem do que se passou. Esta lacuna da vida mental assemelha-se
ao esquecimento, por parte dos sonâmbulos, do que ocorreu enquanto estiveram
em sono magnético. Desse fato apresentamos algures a explicação.
cap. IV, "A memória e as
Também pode acontecer que o desdobramento se produza, sem que o tenha
desejado a pessoa com quem ele se verifica.
É o caso daquela senhora cujo duplo se mostrou em três ocasiões
diferentes. Seu estado doentio faculta se suponha que a alma, por se achar menos
fortemente ligada ao corpo, há podido desprender-se deste com facilidade.
É uma possibilidade que, por muito frequente, merece assinalada. Citemos
alguns exemplos: Refere Leuret que um homem, convalescente de grave febre, se
julgava formado de dois indivíduos, um dos quais se encontrava de cama,
enquanto que o outro passeava. Embora lhe faltasse apetite, comia muito, porque
tinha, dizia ele, dois corpos para alimentar.
Pariset, que fora atacado, quando muito jovem, de um tifo epidêmico, passou
muitos dias num aniquilamento bem próximo da morte. Certa manhã,
despertou-se nele um sentimento mais distinto de si mesmo. Pensou e foi como
que uma ressurreição; mas, coisa maravilhosa! naquele momento,
tinha dois corpos, ou, pelo menos, julgava tê-los, e esses corpos lhe
pareciam deitados em leitos diferentes. Estando sua alma num, ele se sentia
curado e gozava de delicioso repouso. Quando se achava no outro, a alma sofria
e ele dizia para consigo mesmo: "Como é que me sinto tão
bem neste leito e tão mal, tão abatido no outro?" Essa idéia
o preocupou por muito tempo e ele, tão perspicaz na análise psicológica,
me relatou muitas vezes a história pormenorizada das impressões
que então experimentava. (...)
04
- A Gênese - ALLAN KARDEC - cap. VIII 7
7.
- A alma da Terra desempenha um papel principal na teoria da incrustação;
vejamos se esta ideia está melhor fundada.
O desenvolvimento orgânico está sempre em relação
com o desenvolvimento do princípio intelectual; o organismo se completa
à medida que as faculdades da alma se multiplicam; a escala orgânica
segue, constantemente, em todos os seres, a progressão da inteligência,
desde o pólipo até o homem; e isso não poderia ser de outro
modo, uma vez que é necessário, à alma, um instrumento
apropriado à importância das funções que ela deve
cumprir.
De
que serviria à ostra ter a inteligência do macaco sem os órgãos
necessários à sua manifestação? Se, pois, a Terra
fosse um ser animado, servindo de corpo a uma alma especial, em razão
mesmo de sua constituição, sua alma deveria ser mais rudimentar
que a do pólipo, uma vez que a Terra não tem nem mesmo a vitalidade
da planta, ao passo que, pelo papel que se atribui a essa alma, fez-se dela
um ser dotado de razão e do mais completo livre arbítrio, um Espírito
superior, em uma palavra, o que não é racional, porque nunca o
Espírito esteve mais dividido e mais aprisionado. A idéia da alma
da Terra, entendida neste sentido, deve, pois, ser alinhada entre as concepções
sistemáticas e quiméricas.
Por alma da Terra, pode-se entender, mais racionalmente, a coletividade dos
Espíritos encarregados da elaboração e da direção
de seus elementos constitutivos, o que já supõe um certo grau
de desenvolvimento intelectual; ou, ainda melhor: o Espírito ao qual
está confiada a alta direção dos destinos morais e do progresso
de seus habitantes, missão que não pode ser entregue senão
a um ser eminentemente superior em saber e em sabedoria. Neste caso, o Espírito
não é, propriamente falando, a alma da Terra, porque nem está
nela encarnado, nem subordinado ao seu estado material; é um chefe encarregado
de sua direção, como um general está encarregado da condução
de um exércíto.
Um Espírito, encarregado de missão tão importante como a do governo do mundo, não poderia ter caprichos, ou Deus seria bem imprevidente em confiar a execução de suas leis a seres capazes de transgredí-las pela sua má vontade; ora, segundo a doutrina da incrustação, foi a má vontade da alma da Lua que fez com que a Terra permanecesse incompleta. Há idéias que se refutam por si mesmas.
14 - Depois da Morte - Léon Denis - pág. 23, 50, 127
(...)
Todas as grandes religiões tiveram duas faces, uma aparente, outra oculta.
Está nesta o espírito, naquela a forma ou a letra. Debaixo do
símbolo material, dissimula-se o sentido profundo. O Bramanismo, na índia,
o Hermetismo, no Egito, o Politeísmo grego, o próprio Cristianismo,
em sua origem, apresentam esse duplo aspecto. Julgá-las pela face exterior
e vulgar é o mesmo que apreciar o valor moral de um homem pelos trajos.
Para conhecê-las, é preciso penetrar o pensamento íntimo
que lhes inspira e motiva a existência; cumpre desprender do seio dos
mitos e dogmas o princípio gerador que lhes comunica a força e
a vida. Descobre-se, então, a doutrina única, superior, imutável,
de que as religiões humanas não são mais que adaptações
imperfeitas e transitórias, proporcionadas às necessidades dos
tempos e dos meios.
Em nossa época, muitos fazem uma concepção do Universo,
uma idéia da verdade, absolutamente exterior e material. A ciência
moderna, em suas investigações, tem-se limitado a acumular o maior
número de fatos, e, depois, a deduzir daí as suas leis. Obteve,
assim, maravilhosos resultados, porém, por tal preço, ficar-lhe-á
sempre inacessível o conhecimento dos princípios superiores e
das causas primitivas. As próprias causas secundárias escapam-lhe.
O domínio invisível da vida é mais vasto do que aquele
que é atingido pelos nossos sentidos: lá reinam essas causas de
que somente vemos os efeitos.
Na antiguidade tinham outra maneira de ver, e um proceder muito diferente. Os
sábios do Oriente e da Grécia não desdenhavam observar
a natureza exterior, porém era sobretudo no estudo da alma, de suas potências
íntimas, que descobriam os princípios eternos. Para eles, a alma
era como um livro em que se inscrevem, em caracteres misteriosos, todas as realidades
e todas as leis. Pela concentração de suas faculdades, pelo estudo
profundo e medltativo de si mesmos, elevaram-se até à Causa sem
causa, até ao princípio de que derivam os seres e as coisas. As
leis inatas da inteligência explicavam-lhes a harmonia e a ordem da Natureza,
assim como o estudo da alma lhes dava a chave dos problemas da vida.
A alma, acreditavam, colocada entre dois mundos, o visível e o oculto,
o material e o espiritual, observando-os, penetrando em ambos, é o instrumento
supremo do conhecimento. Conforme seu grau de adiantamento ou de pureza, reflete,
com maior ou menor intensidade, os raios do foco divino. A razão e a
consciência não só guiam nossa apreciação
e nossos atos, mas também são os mais seguros meios para adquirir-se
e possuir-se a verdade.
A
tais pesquisas era consagrada a vida inteira dos iniciados. Não se limitavam,
como em nossos dias, a preparar a mocidade com estudos prematuros, insuficientes,
mal dirigidos, para as lutas e deveres da existência. Os adeptos eram
escolhidos, preparados desde a infância para a carreira que deviam preencher,
e, depois, levados gradualmente aos píncaros intelectuais, de onde se
pode dominar e julgar a vida. Os princípios da ciência secreta
eram-lhes comunicados numa proporção relativa ao desenvolvimento
das suas inteligências e qualidades morais. A iniciação
era uma refundição completa do caráter, um acordar das
faculdades latentes da alma.
Somente quando tinha sabido extinguir em si o fogo das paixões, comprimir
os desejos impuros, orientar os impulsos do seu ser para o Bem e para o Belo,
é que o adepto participava dos grandes mistérios. Obtinha, então,
certos poderes sobre a Natureza, e comunicava-se com as potências ocultas
do Universo. Não deixam subsistir dúvida alguma sobre tal ponto
os testemunhos da História a respeito de Apolônio de Tiana e de
Simão, o Mago, bem como os fatos, preten-samente miraculosos, levados
a efeito por Moisés e pelo Cristo. Os iniciados conheciam os segredos
das forças fluídicas e magnéticas. Este domínio,
pouco familiar aos sábios dos nossos dias, a quem se afiguram inexplicáveis
os fenômenos do sonambulismo e da sugestão, no meio dos quais se
debatem impotentes em conciliá-los com teorias preconcebidas, esse domínio,
a ciência oriental dos santuários havia explorado, e estava possuidora
de todas as suas chaves.
Nele encontrava meios de ação incompreensíveis para
o vulgo, mas facilmente explicáveis pelos fenômenos do Espiritismo.
Em suas experiências fisiológicas, a ciência contemporânea
chegou ao pórtico desse mundo oculto conhecido dos antigos e regido por
leis exatas. Ainda bem perto está o dia em que a força dos acontecimentos
e o exemplo dos audaciosos constrangê-la-ão a tal. Reconhecerá,
então, que nada há aí de sobrenatural, mas, ao contrário,
uma face ignorada da Natureza, uma manifestação das forças
sutis, um aspecto novo da vida que enche o infinito.
Se, do domínio dos fatos, passarmos ao dos princípios, teremos
de esboçar desde logo as grandes linhas da doutrina secreta. Ao ver desta,
a vida não é mais que a evolução, no tempo e no
espaço, do Espírito, única realidade permanente. A matéria
é sua expressão inferior, sua forma variável. O Ser por
excelência, fonte de todos os seres, é Deus, simultaneamente triplo
e uno — essência, substância e vida — em que se resume
todo o Universo. Daí o deísmo trinitário que, da índia
e do Egito, passou, desfigurando-se, para a doutrina cristã. Esta, dos
três elementos do Ser, fez as pessoas.
A alma humana, parcela da grande alma, é imortal. Progride e sobe para o seu autor através de existências numerosas, alternativamente terrestres e espirituais, por um aperfeiçoamento contínuo. Em suas encarnações, constitui ela o homem, cuja natureza ternária — o corpo, o perispírito e a alma —, centros correspondentes da sensação, sentimento e conhecimento, torna-se um microcosmo ou pequeno mundo, imagem reduzida do macrocosmo ou Grande-Todo. Eis por que podemos encontrar Deus no mais profundo do nosso ser, interrogando a nós mesmos na solidão, estudando e desenvolvendo as nossas faculdades latentes, a nossa razão e consciência. Tem duas faces a vida universal: a involução ou descida do Espírito à matéria para a criação individual, e a evolução ou ascensão gradual, na cadeia das existências, para a Unidade divina. (...)
(...) Segundo Pitágoras, a evolução material dos mundos e a evolução espiritual das almas são paralelas, concordantes, e explicam-se uma pela outra. A grande alma, espalhada na Natureza, anima a substância que vibra sob seu impulso, e produz todas as formas e todos os seres. Os seres conscientes, por seus longos esforços, desprendem-se da matéria, que dominam e governam a seu turno, libertam-se e aperfeiçoam-se através de existências inumeráveis. Assim, o invisível explica o visível, e o desenvolvimento das criações materiais é a manifestação do Espírito Divino. (...)
X - A vida imortal: O estado do Universo conduz-nos ao estudo da alma, à investigação do princípio que nos anima e dirige-nos os atos. Já o dissemos: a inteligência não pode provir da matéria. A Fisiologia ensina-nos que as diferentes partes do corpo humano renovam-se em um lapso de tempo que não vai além de alguns meses. Sob a ação de duas grandes correntes vitais, produz-se em nós uma troca perpétua de moléculas. Aquelas que desaparecem do organismo são substituídas, uma a uma, por outras, provenientes da alimentação. Desde as substâncias moles do cérebro até as partes mais duras da estrutura óssea, tudo em nosso ser físico está submetido a contínuas mutações.
O
corpo dissolve-se, e, numerosas vezes durante a vida, reforma-se. Entretanto,
apesar dessas transformações constantes, através das modificações
do corpo material, ficamos sempre a mesma pessoa. A matéria do cérebro
pode renovar-se, mas o pensamento é sempre idêntico a si mesmo,
e com ele subsiste a memória, a recordação de um passado
de que não participou o corpo atual. Há, pois, em nós um
princípio distinto da matéria, uma força indivisível
que persiste e se mantém entre essas perpétuas substituições.
Sabemos que, por si mesma, não pode a matéria organizar-se e produzir
a vida. Desprovida de unidade, ela desagrega-se e divide-se ao infinito. Em
nós, ao contrário, todas as faculdades, todas as potências
intelectuais e morais grupam-se em uma unidade central que as abraça,
liga, e esclarece, e esta unidade é a consciência, a personalidade,
o Eu, ou, por outra, a Alma.
A alma é o princípio da vida, a causa da sensação;
é a força invisível, indissolúvel que rege o nosso
organismo e mantém o acordo entre todas as partes do nosso ser. Nada
de comum têm as faculdades da alma com a matéria. A inteligência,
a razão, o discernimento, a vontade, não poderiam ser confundidos
com o sangue das nossas veias, ou com a carne do nosso corpo. O mesmo sucede
com a consciência, esse privilégio que temos para medir os nossos
atos, para discernir o bem do mal. Essa linguagem íntima, que se dirige
a todo homem, ao mais humilde ou ao mais elevado, essa voz cujos murmúrios
podem perturbar o estrondo das maiores glórias nada tem de material.
Correntes contrárias agitam-se em nós. Os apetites, os desejos
ardentes chocam-se de encontro à razão e ao sentimento do dever.
Ora, se mais não fôssemos do que matéria, não conheceríamos
essas lutas, esses combates; e entregar-nos-íamos, sem mágoa,
sem remorsos, às nossas tendências naturais. Mas, ao contrário,
a nossa vontade está em conflito frequente com os nossos instintos. Por
meio dela podemos escapar às influências da matéria, domá-la,
transformá-la em instrumento dócil. Não se têm visto
homens nascidos nas mais precárias condições vencerem todos
os obstáculos, a pobreza, as enfermidades, os defeitos e chegarem à
primeira classe por seus esforços enérgicos e perseverantes? Não
se vê a superioridade da alma sobre o corpo afirmar-se, de maneira ainda
mais positiva, no espetáculo dos grandes sacrifícios e das dedicações
históricas? Ninguém ignora como os mártires do dever, da
verdade revelada prematuramente, como todos aqueles que, pelo bem da Humanidade,
têm sido perseguidos, supliciados, levados ao patíbulo, puderam,
no meio das torturas, as portas da morte, dominar a matéria e, em nome
de uma grande causa, impor silêncio aos gritos da carne dilacerada! (...)
15 - Deus na Natureza - Camille Flammarion - pág.
193
A
Alma - Hoc principium quo primo intelligimos, intellectus est corporis actus...Anima
coninet corpus.
O CÉREBRO - SUMÁRIO — Erro
dos psicólogos e metafísicos que desdenham os trabalhos da Fisiologia.
— Fisiologia anátomo-cerebral. — Relações do
cérebro com o pensamento. — Tais relações não
provam seja o pensamento um atributo da substância cerebral. — Discussão
e provas contrárias. — O Espírito governa o corpo. —
Errônea a comparação do pensamento a uma secreção
ou combinação química. — Algumas definições
ingênuas dos materialistas. — Absurdidade de sua hipótese
e respectivas consequências.
Há muito tempo que o geólogo Agassiz emitiu este conceito, frequentemente
justificado: Todas as vezes que um fato novo se revela no campo da Ciência,
logo o averbam de apócrifo; depois, que é contrário à
Religião; e, por fim, que há muito era sabido. Efetivamente, a
verdade tem duas espécies de adversários: os cépticos do
materialismo, e os cépticos do dogma. Se, com razão, nos admiramos
de ver os fisiologistas, adoradores da matéria, ousadamente proclamarem
com entonos de autoridade e certeza que o homem, bem como o parque integral
da vida planetária, não passam de produtos da matéria cega,
com mais razão devemos estranhar ainda exista, em nossos tempos, espíritos
cultos, e mesmo célebres, que se deixem ficar completamente fora
do movimento das ciências físico-químicas, a ponto de fazerem
as objeções mais banais ao que essas ciências apresentam
ao idealismo, sem se precatarem das modificações necessárias
e derivadas desse movimento em todas as concepções do humano pensamento
.
Assim, temos ainda hoje sábios, filósofos, teólogos, metafísicos
e pensadores, cujos nomes poderíamos aqui alinhar se houvesse oportunidade,
que nos falam de Deus, da Providência, da prece, da alma, da vida futura
e presente, das relações da Divindade com o mundo, das causas
finais, da marcha dos acontecimentos, da independência do espírito,
das fórmulas de culto, das entidades espirituais, etc., no mesmo sentido
e nos mesmos termos da escolástica do século XVI. Os palradores
anquilosados desta espécie, são ainda mais curiosos e inexplicáveis
do que os precedentes. Em os ouvindo afirmar, em tom magistral, as proposições
mais contestáveis; em lhes observando a ignorância das rudes dificuldades
que espíritos mais clarividentes tão penosamente venceram; em
defrontá-los na sua verve inesgotável e na calma ingénua
com que asseguram a inexpugnabilidade das suas pretensas verdades; — dir-se-ia
estarem eles verdadeiramente adormecidos nesse ano memorável em que Copérnico,
já moribundo, recebia o primeiro exemplar do seu De Revolutionïbus
— para só acordarem hoje, na inconsciência das revoluções
operadas. Sendo numerosos, ai de nós! esses espíritos, e porque
ainda lhes gravite em torno um número considerável de partidários,
é bom dar a todos uma ideia dos fatos que lhes deveriam interessar, mostrando-lhes
não ser a eles que incumbe guardar o depósito crescente do tesouro
humano, uma vez que persistem adormecidos no seu triste letargo.
Todos os que descrevem, minudentes, a natureza e as funções da
alma; que explicam perfeitamente em que momento e por qual meio ela se incorpora
no ventre materno e a porta por onde se escapa com o derradeiro suspiro; que
contam como comparece ela perante Deus e recebe, no outro mundo, o prêmio
ou castigo temporário ou eterno de seus atos neste mundo; que evidenciam
o processo de comunicação com o Criador; que a estimam completamente
independente do organismo e regendo a matéria mediante ideias inatas,
que traz consigo ao encarnar, e que pode dominar essa matéria como coisa
estranha, perseguindo o corpo com o recusar-lhe em jejuns, macerações
e abstinências, a satisfação das próprias necessidades;
que expõem minuciosamente a história da alma, puro espírito
baixado à Terra como a um vale de provações; — numa
palavra, enfim, todos quantos, em qualquer religião, em qualquer escola,
em qualquer país gastam a sua eloquência e o seu tempo a propor
soluções que nada resolvem e símbolos que nada significam;
— esses, repito, devem ser convidados a meditar as observações
de ano em ano carreadas pelo progresso das ciências positivas. E, como
essas observações constituem precisamente a base das conclusões
materialistas, temos o duplo dever de as expor preliminarmente, a fim de julgar
depois se as conclusões foram legitimamente concluídas.
Em regra, os homens que encaram com desdém e displicência quaisquer
questões, são os que pretendem opinar com maior segurança,
e isto simplesmente porque, não as tendo profundado, são incapazes
de avaliar as dificuldades que elas apresentam aos pesquisadores. Ainda hoje,
temos metafísicos que cerram os olhos para melhor se verem a si mesmos,
e sem noção alguma de método experimental. Esses, pois,
que vêm repetindo há 50 anos, sem se precatarem das dificuldades
da proposição, que a alma é um ser encarnado no corpo e
independente desse corpo, terão muito o que meditar na sequência
dos fatos que vamos desenvolver.
Seja qual for a opinião a respeito da natureza do espírito, não
há duvidar de que o cérebro não seja o órgão
das faculdades intelectuais. Examinemos-lhe a estrutura. Esta, diz Cari Vogt,
é extremamente complicada. Não há no corpo humano nenhum
órgão que, com um número proporcionalmente tão diminuto
de elementos anatômicos a lhe constituírem a substância,
possua tamanha quantidade de partes diferentemente conformadas e provando, à
evidência, por sua forma exterior e estrutura interna, sua posição
e relações mútuas, que elas presidem a funções
especiais, que ainda não foi possível fixar.
Quanto às partes elementares, componentes da substância cerebral
do homem e dos animais, formam elas dois grupos principais: — uma substância
cinzenta, mais ou menos escura, ou amarelada, que oferece a olho nu uma aparência
bastante homogênea, e uma substância branca na qual podemos distinguir
feixes mais ou menos aparentes, projetando-se em direções determinadas.
A substância parda forma, certamente, o núcleo principal da atividade
nervosa, e a branca, ao contrário, parece ser a parte condutora. Se cogitarmos
de conceber as relações da estrutura cerebral com o desenvolvimento
intelectual, é, sobretudo, na substância parda e nos pontos em
grande parte formados por ela, que importa atentar de preferência.
O cérebro divide-se em dois hemisférios laterais por um sulco
profundo, que segue sua linha mediana, e na qual se intermite uma dobra da duramáter,
chamado foice do cérebro. Uma segunda prega dessa membrana, tenda do
cerebelo, estende-se horizontalmente na região posterior do crânio
e separa o cerebelo dos lobos posteriores do cérebro, servindo-lhe de
suporte. O cérebro propriamente dito forma, assim, um todo completo,
que, conforme o comprovam o desenvolvimento embriológico e a anatomia
comparada, avoluma-se e acaba comprimindo e avassalando as demais partes. Esse
aumento de volume, nos animais, corresponde à sua elevação
na escala, com acentuada tendência para o tipo do cérebro humano.
Examinando por cima, cada hemisfério parece formar uma massa distinta,
apresentando à superfície uma porção de sulcos de
contorno, permeando cordões intestiniformes, ou circunvoluções.
Comumente, os dois hemisférios são semelhantes e se dividem em
três segmentos sucessivos, de diante para trás: — os lobos
frontal, parietal e occipital. Visto de lado, haveria que juntar o lobo inferior
temporal e, além deste, um pequeno lobo oculto, chamado — ilha,
ou lobo central.
Os anatomistas antigos pouca atenção ligaram às cicunvoluções,
ainda porque, tardaram em reconhecer que os dois hemisférios não
são inteiramente simétricos. Assim, consideravam fortuita a distribuição
das ditas circunvoluções, ou, conforme diz um observador, como
um punhado de intestinos lançados ao acaso, de sorte que os desenhistas
costumavam fantasiá-los assim nas suas estampas anatônicas. (...)
18 - Estude e Viva - Emmanuel e André Luiz - pág.
17
Na escola da alma: Levantam-se educandários em toda a Terra. Estabelecimentos para a instrução primária, universidades para o ensino superior. Ao lado, porém, das instituições que visam à especialização profissional e científica, na atualidade, encontramos no templo espírita a escola da alma, ensinando a viver.
Semelhante trabalho de burilamento do espírito, porém, não é novo. Lucas, o evangelista, conta-nos que Jesus, num sábado, em Nazaré, participou de uma assembléia de fiéis, junto da qual leu uma página de Isaias, com vistas à edificação dos ouvintes, provocando aliás, acirrada discussão.
Mencionamos o fato para salientar os hábitos de estudo nas coletividades de então, porquanto, para citar o Cristo, à feição de mestre, basta recordar-lhe a palavra constantemente endereçada ao povo, tanto nas praças quanto nos recintos familiares, qual aconteceu na casa de Betânia.
No dia de Pentecoste, mensageiros sublimes prevaleceram-se das faculdades medianímicas dos continuadores diretos de Jesus e falaram, em línguas diversas, instruindo a multidão sobre assuntos de espiritualidade superior. Sabemos que um Espírito amigo se aproximou de Filipe e solicitou-lhe a gentileza de encontrar a caminho um alto funcionário etiope, a fim de ler em comunhão com ele certas passagens das Escrituras.
As cartas de Paulo aos cristão de várias comunidades eram lidas e trocadas para as elucidações devidas, nos centros de cultura evangélica dos tempos apostólicos. Justo, assim, que as instituições espíritas, revivendo agora o Cristianismo puro, sustentem estudos sistemáticos, destinados a clarear o pensamento religioso e traçar diretrizes à vida espiritual. (...)
21 - Evolução em dois mundos - André Luiz- pág. 79, 87, 95, 121
(...)
Existência da alma
EVOLUÇÃO MORFOLÓGICA E MORAL — A evolução
morfológica prosseguiu, emparelhando-se com a evolução
moral.
O crânio avançou, com vagar, no rumo de aprimoramento maior, os
braços refinavam-se, as mãos adquiriam excelência táctil
não sonhada, e os sentidos, todos eles, progrediam em acrisolamento e
percepção. Todavia, com o advento da responsabilidade que o separara
da orientação direta dos Benfeitores da Vida Maior, entregou-se
o homem a múltiplos tentames de progresso no campo do espírito.
No regime interior de livre indagação, conferia asas audaciosas
ao pensamento, e, com isso, mais se lhe acentuava o poder de imaginar, facilitando-se-lhe
a mentalização e o desprendimento do corpo espiritual, cujas células
em conexão com as células do corpo físico se automatizavam
assim, na emancipação parcial, através do sono, para acesso
da alma a ensinamentos de estrutura superior.
Guarda a criatura humana, então, consigo, na tessitura dos próprios
órgãos, a herança dos milhões de estágios
diferentes, nos reinos inferiores, e, no fundo, sente-se inclinada a viver no
plano dos outros mamíferos que lhe respiram a vizinhança, com
o instinto absoluto dominando sem restrições; no entanto, com
a evolução irreversível, o amor agigantou-se-lhe no ser,
sugerindo-lhe novas disposições à própria existência.
NOÇÃO DO DIREITO — Em razão do apego aos rebentos
da própria carne, institui a propriedade da faixa de solo em que se lhe
encrava a moradia e, atendendo a essa mesma raiz de afetividade, traça
a si próprio determinadas regras de conduta, para que não imponha
aos semelhantes ofensas e prejuízos que não deseja receber. Acontece,
assim, o inesperado. O homem selvático que não pretende abandonar
os apetites e prazeres da experiência animal, fabrica para si mesmo os
freios que lhe controlarão a liberdade, a fim de que se lhe enobreça
o caráter iniciante.
Estabelecendo a posse tirânica em tudo o que julga seu, desiste de aproveitar
o que pertence ao vizinho, sob pena de expor-se a penalidades cruéis.
Nasce, desse modo, para ele a noção do direito sobre o alicerce
das obrigações respeitadas.
CONSCIÊNCIA DESPERTA — É assim que ele transformado interpreta,
sob novo prisma, a importância de sua presença na Terra. Não
mais lhe seduzem a despreocupação e o nomadismo, assim como para
o homem adulto é já passado o ciclo da infância. Sabe agora
que o berço carnal se reveste de significação mais profunda.
Compreende, a pouco e pouco, que a vida lhe registra as contas pessoais, porquanto
aprende que pode negar o braço ao companheiro necessitado de apoio, sabendo,
porém, que o companheiro poderá recusar-lhe o seu, no momento
em que o desequilíbrio lhe bata à porta.
Reconhece que dispõe de liberdade para matar o desafeto, mas não
ignora que o desafeto, a seu turno, pode igualmente exterminar-lhe o corpo ou
amargar-lhe o caminho. Percebe que os seus gestos e atitudes, para com os outros,
criam nos outros atitudes e gestos semelhantes para com ele. Com esse novo cabedal
de observação, revela-se-lhe a vida mental mais surpreendente
e mais rica e, por essa mais intensa vida íntima, retraia com relativa
segurança as idéias dos Espíritos Abnegados que lhe custodiam
a rola. Desde então, não guarda a existência circunscrita
à romagem berço-túmulo, por alongá-la, do ponto
de vista de causa e efeito, para além do sepulcro em que se lhe guarda
o invólucro anulado ou imprestável.
Incorporando a responsabilidade, a consciência vibra desperta e, pela
consciência desperta, os princípios de ação e reação
funcionam, exatos, dentro do próprio ser, assegurando-lhe a liberdade
de escolha e impondo-lhe, mecanicamente, os resultados respectivos, tanto na
esfera física quanto no Mundo Espiritual.
A LARVA E A CRIANÇA — Nesse sentido, importa lembrar aqui, com
as diferenças justas, o símile que a vida assinala entre as alterações
da existência para a alma humana e para os insetos de metamorfose integral.
A larva que se afasta do ovo ingressa em novo período de desenvolvimento,
que pode perdurar por muito tempo, como ocorre entre os efemerídeos,
mostrando, no começo, a membrana do corpo ainda amolecida e conservando
no tubo digestivo os remanescentes de gema da fase embrionária, para
iniciar, depois da excreção, os processos de alimentação
e digestão.
A criança recém-nata retira-se do útero e entra em nova
fase de evolução, que se firma através de alguns anos.
A princípio, tenra e frágil, retém na própria organização
os recursos sanguíneos que lhes foram doados, por manutenção
endosmótica, no organismo materno, para, somente depois, eliminar, quanto
lhe seja possível, esses mesmos recursos, gerando os que lhe são
próprios. Avançando na execução dos programas traçados
para a sua existência, a larva cresce e recorre a matérias nutritivas
que lhe garantam o aumento do corpo e, conforme a espécie, promove por
si mesma a mudança de pele, indispensável ao condicionamento de
seu próprio volume.
Satisfazendo os imperativos da própria vida, a criança se desenvolve,
tomando o alimento preciso à expansão de sua máquina orgânica,
passando a realizar por si, isto é, ao comando da mente, a renovação
celular dos tecidos e órgãos que lhe constituem o campo somático,
de maneira a que se lhe ajuste a forma física aos moldes do corpo espiritual.
METAMORFOSE DO INSETO — A larva dos insetos de transformação
completa experimenta vários períodos de renovação
para atingir a condição de adulto, embora permaneça com
o mesmo aspecto, porquanto apenas depois da derradeira mudança de pele
é que se torna pupa. Em semelhante estágio, acusa progressiva
diminuição de atividade, até que não mais suporte
a alimentação. Esvaziam-se-lhe os intestinos e paralisam-se-lhe
os movimentos. A larva protege-se, então, no solo ou na planta, preparando
a própria liberação.
Permanece, assim, imóvel, e não se alimenta do ponto de vista
fisiológico, encrisalidando-se, segundo a espécie, em fios de
seda por ela própria constituídos com a secreção
das glândulas salivares, agregados a pequeninos tratos de terra ou a tecidos
vegetais, formando, desse modo, o casulo em que repousa, durante certo tempo,
fixado em alguns dias e até meses. Na posição de pupa,
ao impacto das vibrações de sua própria organização
psicossomática, sofre essencial modificação em seu organismo,
modificação que, no fundo, equivale a verdadeiro aniquilamento
ou histólise, ao mesmo tempo que elabora órgãos novos pelo
fenómeno da histogênese, valendo-se dos tecidos que perduraram.
A histólise, que se efetua por ação dos fermentos, verifica-se
notadamente nos músculos, no aparelho digestivo e nos tubos de Malpighi,
com reduzida atuação no sistema nervoso e circulatório.
Pela histogênese, os remanescentes dos músculos estriados desfazem-se
das características que lhes são próprias, perdendo, gradativamente,
a sua estriação, até que se convertam, qual se obedecessem
a processo involutivo, em células embrionárias fusiformes, com
um núcleo exclusivo, ou mioblastos, que se dividem por segmentação,
plasmando novos elementos estriados para a configuração dos órgãos
típicos.
Somente então, quando as ocorrências da metamorfose se realizam,
é que o inseto, integralmente renovado, abandona o casulo, revelando-se
por falena leve e ágil, com o sistema bucal transformado, como acontece
na borboleta de tipo sugador, na qual as maxilas se alongam, convertendo-se
numa trompa, enquanto que o lábio superior e as mandíbulas se
atrofiam. Entretanto, embora magnificentemente modificada, a borboleta alada
e multicor é o mesmo indivíduo, somando em si as experiências
dos três aspectos fundamentais de sua existência de larva-ninfa-inseto
adulto.
"HISTOGÊNESE ESPIRITUAL" — Assim também, a criatura
humana, depois do período infantil, atravessa expressivas etapas de renovação
interior, até alcançar a madureza corpórea, não
obstante apresentar-se com a mesma forma exterior, porquanto somente após
o esgotamento da força vital no curso da vida, através da senectude
ou da caquexia por intervenção da enfermidade, é que se
habilita à transformação mais profunda. Nesse período
característico da caducidade celular ou da moléstia irreversível,
demonstra gradativa diminuição de atividade, não mais
tolerando a alimentação.
Pouco a pouco, declinam as suas atividades fisiológicas e a inércia
substitui-lhe os movimentos. Protege-se, desde então, no repouso horizontal
em decúbito, quase sempre no leito, preparando o trabalho liberatório.
Chega, assim, o momento em que se imobiliza na cadaverização,
mumificando-se à feição da crisálida, mas envolvendo-se
no imo do ser com os fios dos próprios pensamentos, conservando-se nesse
casulo de forças mentais, tecido com as suas próprias ideias reflexas
dominantes ou secreções de sua própria mente, durante um
período que pode variar entre minutos, horas, dias, meses ou decênios.
No ciclo de cadaverização da forma somática, sob o governo
dinâmico de seu corpo espiritual, padece extremas alterações
que, na essência, correspondem à histólise das células
físicas, ao mesmo tempo que elabora órgãos novos pelo fenômeno
que podemos nomear, por falta de termo equivalente, como sendo histogênese
espiritual, aproveitando os elementos vivos, desagregados do tecido citoplasmático,
e que se mantinham até então, ligados à colmeia fisiológica
entregue ao desequilíbrio ou à decomposição.
A histólise ou processo destrutivo na desencarnação resulta
da ação dos catalisadores químicos e de outros recursos
do mundo orgânico que, alentados em níveis de degenerescência,
operam a mortificação dos tecidos e, do ponto de vista do corpo
espiritual, afetam principalmente a morfologia dos músculos e os aparelhos
da nutrição, com escassa influência sobre os sistemas nervoso
e circulatório. (...)
30
- O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Introd. II - IV - XIII
II
— ALMA, PRINCÍPO VITAL E FLUIDO VITAL
Há outra palavra sobre a qual igualmente devemos entender-nos, porque
é uma das chaves de toda doutrina moral e tem suscitado numerosas controvérsias
por falta de uma acepção bem determinada: é a palavra alma.
A divergência de opiniões sobre a natureza da alma provém
da aplicação particular que cada qual faz desse vocábulo.
Uma língua perfeita, em que cada idéia tivesse a sua representação
por um termo próprio, evitaria muitas discussões; com uma palavra
para cada coisa todos se entenderiam.
Segundo uns, a alma é o princípio da vida orgânica material;
não tem existência própria e se extingue com a vida: é
o puro materialismo. Neste sentido, e por comparação, dizem de
uni instrumento quebrado, que não produz mais som, que ele não
tem alma. De acordo com esta opinião, a alma seria um efeito e não
uma causa. Outros pensam que a alma é o princípio da inteligência,
agente universal de que cada ser absorve uma porção. Segundo estes,
não haveria em todo o Universo senão uma única alma, distribuindo
fagulhas para os diversos seres inteligentes durante a vida; após a morte,
cada fagulha volta à fonte comum, confundindo-se no todo, como os córregos
e os rios retornam ao mar de onde saíram.
Esta
opinião difere da precedente em que, segundo esta hipótese, existe
em nós algo mais do que matéria, restando qualquer coisa após
a morte; mas é quase como se nada restasse, pois não subsistindo
a individualidade não teríamos mais consciência de nós
mesmos. De acordo com esta opinião, a alma universal seria Deus e cada
ser uma porção da Divindade; é esta uma variedade do Panteísmo.
Segundo outros, enfim, a alma é um ser moral, distinto, independente
da matéria e que conserva a sua individualidade após a morte.
Esta concepção é incontestavelmente a mais comum, porque,
sob um nome ou outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra
em estado de crença instintiva e independente de qualquer ensinança,
entre todos os povos, qualquer que seja o seu grau de civilização.
Essa doutrina, para a qual a alma é causa e não efeito, é
a dos espiritualistas.
Sem discutir o mérito dessas opiniões, e não considerando
senão o lado linguístico da questão, diremos que essas
três aplicações da palavra alma constituem três idéias
distintas, que reclamariam, cada uma, um termo diferente. Essa palavra tem,
portanto, significação tríplice, e cada qual está
com a razão, segundo o seu ponto de vista, ao lhe dar uma definição;
a falha se encontra na língua, que não dispõe de mais de
uma palavra para três idéias. Para evitar confusões, seria
necessário restringir a acepção da palavra alma a uma de
suas idéias. Escolher esta ou aquela é indiferente, simples questão
de convenção, e o que importa é esclarecer. Pensamos que
o mais lógico é toma-la na sua significação mais
vulgar e, por isso, chamamos alma ao ser imaterial e individual que existe em
nós e sobrevive ao corpo. Ainda que este ser não existisse e não
fosse mais que um produto da imaginação, seria necessário
um termo para designá-lo.
Na
falta de uma palavra especial para cada uma das duas outras idéias, chamaremos:
Princípio vital, o princípio da vida material e orgânica,
seja qual for a sua fonte, que é comum a todos os seres vivos, desde
as plantas ao homem. A vida podendo existir sem a faculdade de pensar, o princípio
vital é coisa distinta e independente. A palavra vitalidade não
daria a mesma idéia. Para uns, o principio vital é uma propriedade
da matéria, um efeito que se produz quando a matéria se encontra
em dadas circunstâncias; segundo outros, e essa idéia é
mais comum, ele se encontra num fluido especial, universalmente espalhado, do
qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como vemos os corpos
inertes absorverem a luz. Este seria então o fluído vital que,
segundo certas opiniões, não seria outra coisa senão o
fluido elétrico animalizado, também designado por fluido magnético,
fluido nervoso etc.
Seja como for, há fatos incontestáveis, pois resultam da observação,
e são que os seres orgânicos possuem uma força íntima
que produz o fenómeno da vida, enquanto essa força existe; que
a vida material é comum a todos os seres orgânicos, e que ela independe
da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento
são faculdades próprias de certas espécies orgânicas;
enfim, que entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência
e pensamento há uma dotada de um senso moral especial, que lhe dá
incontestável superioridade perante as outras, e que é a espécie
humana.
Compreende-se que, com uma significação múltipla, a alma
não exclui o materialismo nem o panteísmo. Mesmo o espiritualista
pode muito bem entender a alma segundo uma ou outra das duas primeiras definições,
sem prejuízo do ser imaterial distinto, ao qual dará qualquer
outro nome. Assim, essa palavra não representa uma opinião: é
um Proteu, que cada qual ajeita a seu modo, o que dá origem a tantas
disputas intermináveis.
Evitaríamos igualmente a confusão, mesmo empregando a palavra
alma nos três casos, desde que lhe ajuntássemos um qualificativo
para especificar a maneira pela qual a encaramos, ou a aplicação
que lhe damos. Ela seria então um termo genérico, representando
ao mesmo tempo o princípio da vida material, da inteligência e
do senso moral, que sr distinguiriam pelo atributo, como o gás, por exemplo,
que se distingue ajuntando-se-lhe as palavras hidrogênio, oxigênio
e azoto. Poderíamos dizer, e talvez fosse o melhor, a alma vital, para
designar o princípio da vida material, a alma intelectual, para o princípio
da inteligência, e a alma espírita, para o princípio da
nossa individualidade após a morte. Como se vê, tudo isto é
questão de palavras, mas questão muito importante para nos entendermos.
Dessa maneira, a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual seria própria dos animais e dos homens, e a alma espírita pertenceria somente a homem. Acreditamos dever insistir tanto mais nestas explicações, quanto a Doutrina Espírita repousa naturalmente sobre a existência, em nós, de um ser independente da matéria e que sobrevive ao corpo. Devendo repetir frequentemente a palavra alma no curso desta obra, tínhamos de lixar o sentido em que a tomamos, a fim de evitar qualquer engano.
31 - OFERENDA - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG. 57
ENFERMOS DA ALMA
Suas opiniões primam pela contundência. Dizem-se sinceros, expondo o que pensam, conforme pensam, com violência. Crêem-se possuidores do conhecimento integral. Combatem os demais com acrimônia. Desejam reformar o mundo, embora tenham dificuldade em melhorar-se.
Primam pelas colocações pessoais, não facultando que outros disponham do mesmo direito. Aceitos, fazem-se gentis. Não admitidos, tornam-se agressivos, ferrenhos adversários. Defendem a liberdade do comportamento franco. Em relação, porém, ao que eles gostam de expor, não de ouvir.
Evitam examinar o que não estão de acordo, porque receiam o contágio da realidade, que lhes contraria os "pontos de vista". Anatematizam com facilidade, mesmo quando não conhecem, satisfatoriamente, o com que discordam. Extrovertidos ou silenciosos, não abedicam dos seus conceitos, mesmo que a evidência seja diversa.
Extenuam os que lhes padecem a algaravia com o excesso de argumentação. Palavras vigorosas e conteúdo frágil. Tornam-se extremistas e pressupõem que o Sol apenas brilha para eles. Estão enfermos da alma, esses irmãos impetuosos.
Ignoram que, mesmo a verdade, deve ser lecionada com equilíbrio. Atitude excessiva em qualquer cometimento expressa desajuste. A gema preciosa arrojada com cólera fere, provocando reação compatível de ira, em quem lhe sofre o golpe. Afirmam não necessitar de ajuda, porque são carentes dela.
Recusam-se humildade por preferirem o autodeslumbramento em que se alucinam. Respeita-os sem os temer. Sê leal para contigo mesmo e gentil para com eles. Apesar de os deveres considerar, expressa a sã doutrina, no entanto não os valorizando o quanto se atribuem.
Dá testemunho do Cristo em tuas palavras e obras, quanto e onde estejas, sem te impressionares com o verbalismo fluente e vazio de que se fazem portadores. As cigarras cantam e nada realizam, enquanto zumbem as abelhas e produzem em abundância, tornando-se úteis e necessárias à vida.
Desobriga-te dos teus compromissos de esclarecer consciências e confortar corações sem alarde, porém, sem timidez. Quando se faz o que se pode, sempre se faz o melhor e o máximo. Assim agindo, estarás, sem dar-te conta, ajudando os irmãos enfermos da alma, que encontrarão em teu verbo e ação a psicoterapia e o estímulo para lograrem a cura de que necessitam e não o percebem.
32 - BÊNÇÃO DE PAZ - EMMANUEL- PÁG. 43, 80
NO REINO DA ALMA
"Por este motivo te lembro que despertes o dom de Deus, que existe em ti, pela imposição de minhas mãos". - Paulo (II Timóteo 1:6)
Numerosos os companheiros que pagam ou reclamam concurso alheio para que se lhes desenvolvam determinadas qualidades espirituais. Ginásticas, regimes dietéticos, penitências, austeridades místicas... Sem dúvida, semelhantes processos de educação do corpo e da mente valem por precioso concurso ao despertamento da vida interior, sempre que empregados de intenção e pensamento voltados para os interesses superiores do espírito. Mas não bastam.
A palavra do Evangelho, através do apóstolo Paulo, é suficientemente esclarecedora. Ele se reporta à colaboração dos passes magnéticos, ministrados por ele mesmo, em favor do discípulo; entretanto, não o exonera da obrigação de acordar, em si e por si próprio, os talentos de que é portador.
O convívio com um amigo da altura moral do convertido de Damasco, as preces e ensinamentos do lar, os apelos doutrinários e o amparo externo constantemente recebido não desligavam Timóteo do dever de estudar e aprender, trabalhar e servir, a fim de BURILAR os seus dons de alma e acioná-los na construção da própria felicidade pela extensão do bem.
Pensemos nisso e saibamos receber reconhecidamente os auxílios que a bondade alheia nos proporcione, aproveitando-os em nosso benefício, mas lembrando sempre que o auto-aperfeiçoamento, para que a luz do Senhor se nos retrate no coração e na vida, será resultado de esforço nosso, ação individual de que não poderemos fugir.
ENFERMOS DA ALMA
"...Não são os que gozam saúde que precisam de médico," - Jesus (Mateus, 9:12)
Aqui e ali encontramos inúmeros doentes que se candidatam ao auxílio da ciência médica, mas em toda parte, igualmente, existem aqueles outros, portadores de moléstias da alma, para os quais há que se fazer o socorro do espírito. E nem sempre semelhantes necessitados são os viciados e os malfeitores, que se definem de imediato por enfermos de ordem moral, quando aparecem.
Vemos outros muitos para os quais é preciso descobrir o remédio justo e, às vezes, difícil, de vez que se intoxicaram no próprio excesso das atitudes respeitáveis em que desfiguram os sentimentos, tais como sejam:
-
os extremistas da corrigenda, tão apaixonados pelos processos punitivos
que se perturbam na dureza de coração pela ausência de misericórdia;
- os extremistas da gentileza, tão interessados em agradar que descambam,
um dia, para as deficiências da invigilância;
- os extremistas da superioridade, tão agarrados à idéia
de altura pessoal que adquirem a cegueira do orgulho;
- os extremistas da independência, tão ciosos da própria
emancipação que fogem ao dever, caindo nos desequilíbrios
da licenciosidade
- os extremistas da poupança, tão receosos de perder alguns centavos
que acabam transformando o dinheiro, instrumento do bem e do progresso, na paralisia
da avareza em que se lhes arrasa a alegria de viver.
Há doentes do corpo e doentes da alma. É forçoso não esquecer isso, porque todos eles são credores de entendimento e bondade, amparo e restauração. Diante de quem quer que seja, em posição menos digna perante as leis de harmonia que governam a Vida e o Universo, recordemos as palavras do Cristo; não são os que gozam saúde que precisam de médico.
LEMBRETE:
1° - Allan Kardec define a alma como sendo o Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
2° - (...) ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo. (...) Allan Kardec
3° - Assim, é natural que, no instante da desencarnação, a alma volte a ser Espírito, conservando a sua individualidade e seu perispírito, guardando a mesma aparência da última encarnação.
4° - Individualidade, portanto, seria a consciência de si, sem ponderar o tempo, ou seja, o "eu sou". Não há fundamento a hipótese do que conjecturam que após a morte a alma retorna a um todo universal. Quando está numa assembléia, fazes parte integrante da mesma, e não obstante conservas tua individualidade.
5°
- Os pensadores se voltam para os vultos eminentes do passado. As autoridades
católicas valem-se de Tomás de Aquino, que acreditava na criação
da alma no período de tempo que precede o nascimento de um novo ser,
esquecendo-se dos grandes padres da antiguidade, como Orígenes, cuja
obra é um atestado eterno em favor das verdades da preexistência.
Outras doutrinas religiosas buscam a opinião falível da sua ortodoxia
e dos seus teólogos, relutando em aceitar as realidades luminosas da
reencarnação. Pascal, escrevendo em tenra idade o seu tratado
sobre os cones, e inúmeros espíritos de escol laborando com a
sua geniali-dade precoce nas grandes tarefas para as quais foram chamados à
Terra, constituem uma prova eloquente, aos olhos dos menos perspicazes e dos
estudiosos de menta-lidades tardas no raciocínio, a prol da verdade reencar-nacionista.
O homem atual recorda instintivamente os seus labores e as suas observações
do passado. Sua existência de hoje é a continuação
de quanto efetuou nos dias do pretérito. As conquistas de agora representam
a soma dos seus esforços de antanho, e a civilização é
a grande oficina onde cada um deixa estereotipada a própria obra. Emmanuel
6° - O entendimento da alma é qual lente minúscula no seio da Infinita Obra Universal e o problema primário da consciência interessada na aquisição de Amor e Sabedoria, não é o de perscrutar, com infantilidade ou desespero, os patrimônios da Vida e, sim, o de enriquecer a lente da própria compreensão, aprimorando-a e dilatando-lhe o poder, a fim de que possa refranger e disseminar a Eterna Grandeza do Senhor, aproveitando-a para si e para os outros. Emmanuel
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