AMOR |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- A agonia das religiões - pág. 119 | 02 - A constituição divina- pág. 134 |
| 03 - A reencarnação na Bíblia- pág. 44 | 04 - A vida além do véu - pág.104 |
| 05 - As aves feridas na Terra voam - pág. 51 | 06 - Boa Nova - pág. 33, 82 |
| 07 - Contos desta e doutras vidas - pág. 63 | 08 - Escrínio de luz - pág.131 |
| 09 - Estante da vida - pág. 65 | 10 - O exilado - pag. 14, 171 |
| 11 - O pensamento de Emmanuel - pág. 117 | 12 - Palavras de vida eterna- pág. 21, 81, 139 |
| 13 - Religião dos Espíritos - pág.133, 169, 197 | 14 - Renúncia - pág. 200 |
| 15 - Rumo certo - pág. 117 | 16 - Saúde e Espiritismo - pág. 150, 313 |
| 17 - Sinal verde - pág. 63 | 18 - Universo e vida- pág. 56, 77 |
| 19 - Vinha de luz - pág. 21 | 20 - Visão espírita da educação - pág. 24, 68 |
| 21 - O Evangelho S. o Espiritismo - pág. 141 | 22 - Mais perto - pág. 33 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
AMOR – COMPILAÇÃO
06 - Boa Nova - Humberto de Campos - pág. 33, 82
AMOR
E RENÚNCIA
O manto da noite caía de leve sobre a paisagem de Cafarnaum e Jesus,
depois de uma das grandes assembléias populares do lago, se recolhia
à casa de Pedro em companhia do apóstolo. Com a sua palavra divina
havia tecido luminosos comentários em torno dos mandamentos de Moisés;
Simão, no entanto, ia pensativo como se guardasse uma dúvida no
coração.
Inquirido com bondade pelo Mestre, o apóstolo esclareceu:
— Senhor, em face dos vossos ensinamentos, como deveremos interpretar
a vossa primeira manifestação, transformando a água em
vinho, nas bodas de Canaã? Não se tratava de uma festa mundana?
O vinho não iria cooperar para o desenvolvimento da embriaguez e da gula?
Jesus compreendeu o alcance da interpelação e sorriu.
— Simão — disse ele —, conheces a alegria de servir
a um amigo?
Pedro não respondeu, pelo que o Mestre continuou:
— As bodas de Canaã foram um símbolo da nossa união
na Terra. O vinho, ali, foi bem o da alegria com que desejo selar a existência
do Reino de Deus nos corações. Estou com os meus amigos e amo-os
a todos. Os afetos d'alma, Simão, são laços misteriosos
que nos conduzem a Deus. Saibamos santificar a nossa afeição,
proporcionando aos nossos amigos o máximo da alegria; seja o nosso coração
uma sala iluminada onde eles se sintam tranquilos e ditosos. Tenhamos sempre
júbilos novos que os reconfortem, nunca contaminemos a fonte de sua simpatia
com a sombra dos pesares! As mais belas horas da vida são as que empregamos
em amá-los, enriquecendo-Ihes as satisfações íntimas.
Contudo,
Simão Pedro, manifestando a estranheza que aquelas advertências
lhe causavam, interpelou ainda o Mestre, com certa timidez:— E como deveremos
proceder quando os amigos não nos entendam, ou quando nos retribuam com
ingratidão? Jesus pôs nele o olhar lúcido e respondeu:
— Pedro, o amor verdadeiro e sincero nunca espera recompensas. A renúncia
é o seu ponto de apoio, como o ato de dar é a essência de
sua vida. A capacidade de sentir grandes afeições já é
em si mesma um tesouro. A compreensão de um amigo deve ser para nós
a maior recompensa. Todavia, quando a luz do entendimento tardar no espírito
daqueles a quem amamos, deveremos lembrar-nos de que temos a sagrada compreensão
de Deus, que nos conhece os propósitos mais puros. Ainda que todos os
nossos amigos do mundo se convertessem, um dia, em nossos adversários,
ou mesmo em nossos algozes, jamais nos poderiam privar da alegria infinita de
lhes haver dado alguma coisa!...
E com o olhar absorto na paisagem crepuscular, onde vibravam sutis harmonias,
Jesus ponderou, profeticamente:
— O vinho de Canaã poderá, um dia, transformar-se no vinagre
da amargura; contudo, sentirei, mesmo assim, júbilo em sorvê-lo,
por minha dedicação aos que vim buscar para o amor do Todo-Poderoso.
Simão Pedro, ante a argumentação consoladora e amiga do
Mestre, dissipou as suas derradeiras dúvidas, enquanto a noite se apoderava
do ambiente, ocultando o conjunto das coisas no seu leque imenso de sombras.
Muito tempo ainda não decorrera sobre essa conversação,
quando o Mestre, em seus ensinos, deixou perceber que todos os homens, que não
estivessem decididos a colocar o Reino de Deus acima de pais, mães e
irmãos terrestres, não podiam ser seus discípulos.
No dia desses novos ensinamentos, terminados os labores evangélicos,
o mesmo apóstolo interpelou o Senhor, na penumbra de suas expressões
indecisas:
— Mestre, como conciliar estas palavras tão duras com as vossas
anteriores observações, relativamente aos laços sagrados
entre os que se estimam?! Sem deixar transparecer nenhuma surpresa, Jesus esclareceu:
— Simão, a minha palavra não determina que o homem quebre
os elos santos de sua vida; antes exalta os que tiverem a verdadeira fé
para colocar o poder de Deus acima de todas as coisas e de todos os seres da
criação infinita. Não constitui o amor dos pais uma lembrança
da bondade permanente de Deus? Não representa o afeto dos filhos um suave
perfume do coração?! Tenho dado aos meus discípulos o título
de amigos, por ser o maior de todos.
O Evangelho — continuou o Mestre, estando o apóstolo a ouvi-lo
atentamente — não pode condenar os laços de família,
mas coloca acima deles o laço indestrutível da paternidade de
Deus. O Reino do Céu no coração deve ser o tema central
de nossa vida. Tudo mais é acessório. A família, no mundo,
está igualmente subordinada aos imperativos dessa edificação.
Já pensaste, Pedro, no supremo sacrifício de renunciar? Todos
os homens sabem conservar, são raros os que sabem privar-se. Na construção
do Reino de Deus, chega um instante de separação, que é
necessário se saiba suportar com sincero desprendimento. E essa separação
não é apenas a que se verifica pela morte do corpo, muitas vezes
proveitosa e providencial, mas também a das posições estimáveis
no mundo, a da família terrestre, a do viver nas paisagens queridas,
ou, então, a de uma alma bem-amada que preferiu ficar, a distância,
entre as flores venenosas de um dia!...
Ah! Simão, quão poucos sabem partir, por algum tempo, do lar tranquilo,
ou dos braços adorados de uma afeição, por amor ao reino
que é o tabernáculo da vida eterna! Quão poucos saberão
suportar a calúnia, o apodo, a indiferença, por desejarem permanecer
dentro de suas criações individuais, cerrando ouvidos à
advertência do céu para que se afastem tranquilamente!... Como
são raros os que sabem ceder e partir em silêncio, por amor ao
reino, esperando o instante em que Deus se pronuncia! Entretanto, Pedro, ninguém
se edificará, sem conhecer essa virtude de saber renunciar com alegria,
em obediência à vontade de Deus, no momento oportuno, compreendendo
a sublimidade de seus desígnios. Por essa razão, os discípulos
necessitam aprender a partir e a esperar onde as determinações
de Deus os conduzam, porque a edificação do Reino do Céu
no coração dos homens deve constituir a preocupação
primeira, a aspiração mais nobre da alma, as esperanças
centrais do espírito!...
Ainda não havia anoitecido. Jesus, porém, deu por concluídas
as suas explicações, enquanto as mãos calosas do apóstolo
passavam, de leve, sobre os olhos úmidos. Dando o testemunho real de
seus ensinamentos, o Cristo soube ser, em todas as circunstâncias, o amigo
fiel e dedicado. Nas elucidações de João, vemo-lo a exclamar:
— "Já não vos chamo servos, porque o servo não
sabe o que faz o seu senhor; tenho-vos chamado amigos, porque vos revelei tudo
quanto ouvi de meu Pai!" E, na narrativa de Lucas, ouvimo-lo dizer, antes
da hora extrema:
— "Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa,
antes da minha paixão."
Ninguém no mundo já conseguiu elevar, à altura em que o
Senhor as colocou, a beleza e a amplitude dos elos afetivos, mesmo porque a
sua obra inteira é a de reunir, pelo amor, todas as nações
e todos os homens, no círculo divino da família universal. Mas,
também, por demonstrar que o reino de Deus deve constituir a preocupação
primeira das almas, ninguém como ele soube retirar-se das posições,
no instante oportuno, em obediência aos desígnios divinos. Depois
da magnífica vitória da entrada em Jerusalém, é
traído por um dos discípulos amados; negam-no os seus seguidores
e companheiros; suas ideias são tidas como perversoras e revolucionárias;
é acusado como bandido e feiticeiro; sua morte passa por ser a de um
ladrão.
Jesus, entretanto, ensina às criaturas, nessa hora suprema, a excelsa
virtude de retirar-se com a solidão dos homens, mas com a proteção
de Deus. Ele, que transformara toda a Galiléia numa fonte divina; que
se levantara com desassombro contra as hipocrisias do farisaísmo do tempo;
que desapontara os cambistas, no próprio templo de Jerusalém,
como advogado enérgico e superior de todas as grandes causas da verdade
e do bem, passa, no dia do Calvário, em espetáculo para o povo,
com a alma num maravilhoso e profundo silêncio. Sem proferir a mais leve
acusação, caminha humilde, coroado de espinhos, sustendo nas mãos
uma cana imunda à guisa de cetro, vestindo a túnica da ironia,
sob as cusparadas dos populares exaltados, de faces sangrentas e passos vacilantes,
sob o peso da cruz, vilipendiado, submisso.
No momento do calvário, Jesus atravessa as ruas de Jerusalém, como se estivesse diante da humanidade inteira, sem queixar-se, ensinando a virtude da renúncia por amor do Reino de Deus, revelando por essa a sua derradeira lição.
08 - Escrínio de luz - Emmanuel - pág.131
CARIDADE
CONOSCO
À frente do companheiro que avança em tua companhia na senda redentora,
não te refugies na indiferença. Ajuda-o com a tua palavra estimulante
e estarás colocando a fraternidade no vaso da própria mente.
Se surpreendido pelo ataque dos maledicentes e dos ingratos, não te associes
à revolta. Ampara-os com o esquecimento de todo mal e estarás
cultivando a paciência no solo da própria alma.
Diante dos choques desferidos sobre o teu sentimento pelos maus, não
te confies à desesperação. Fortalece-te para auxiliá-los,
quando a oportunidade de cooperação amiga voltar novamente e estarás
entronizando o verdadeiro amor no imo do próprio ser.
Quando a dificuldade ou o problema te buscarem à porta, não abraces
a mentira brilhante da fuga. Esforça-te por recebê-los dignamente,
incorporando-lhes as lições à tua economia sentimental
e estarás enriquecendo o teu imperecível tesouro de experiências.
Perante a deserção de alguém, não te cristalizes
no pranto inativo e preguiçoso. Prossegue no trabalho que o Alto te confiou
e estarás engrandecendo a fé, no templo de tuas melhores aspirações.
Se a maldade se aproxima, tecendo comentário aleivoso e cruel, não
te entregues à onda escura do verbo desvairado e infeliz. Usa palavras
de bondade e entendimento e estarás plantando a virtude, no campo da
própria vida.
Se a cólera e a incompreensão te requisitarem o espírito
a duelos torpes e inúteis, não caias no nível de sombra
em que se expressam. Socorre os interlocutores com silêncio ou com o serviço
e estarás cultuando a humildade no domicílio dos próprios
ideais.
É preciso recordar o impositivo da caridade conosco, porque o nosso coração
é uma taça que ainda trazemos repleta do veneno de nossos impulsos
primitivistas, por tigrina recordação de outras eras.
Purifiquemos, auxiliemos, esperemos, sirvamos, toleremos e humilhemo-nos, praticando
a renúncia construtiva, na compreensão e na aplicação
dos deveres que nos unem ao Evangelho do Cristo e lavaremos o velho cálice
de nossas emoções, substituindo os tóxicos da vaidade e
do orgulho, da treva e do egoísmo, pela Agua Viva do Infinito Bem que
passará, então, a jorrar de nossa vida, para benefício
de todos.
Caridade com os outros é dar o que retemos.
Caridade conosco é dar de nós.
12
- Palavras de vida eterna- Francisco Cândido Xavier - pág. 21,
81, 139
AMOR
E TEMOR
"O perfeito amor lança fora o temor." (I JOÃO, 4:18.)
Para que nossa alma se expanda sem receio, através das realizações
que o Senhor nos confia, não basta o imperfeito amor que estipula salários
de gratidão ou que se isola na estufa do carinho particular, reclamando
entendimento alheio.
É necessário rendamos culto ao perfeito amor que tudo ilumina
e a todos se estende sem distinção.
O imperfeito amor, procurando o gozo próprio no concurso dos outros,
é quase sempre o egoísmo em disfarce brilhante, buscando a si
mesmo nas almas afins para atormentá-las sob múltiplas formas
de temor, quais sejam a exigência e o ciúme, a crueldade e o desespero,
acabando ele próprio no inferno da amargura e da frustração.
O perfeito amor, contudo, compreende que o Pai Celeste traçou caminhos
infinitos para a evolução e aprimoramento das alrrias, que a felicidade
não é a mesma para todos e que amar significa entender e ajudar,
abençoar e sustentar sempre os corações queridos, no degrau
de luta que lhes é próprio.
Para que te libertes, assim, das algemas do medo, não basta te acolhas
no anseio de ser ardentemente querido e auxiliado pelos outros, segundo as disposições
do amor incompleto. É indispensável saibas amar, com abnegação
e ternura, entre a esperança incansável e o serviço incessante
pela vitória do bem, sob a tutela dos quais viverá sempre amado,
segundo o amor equilibrado e perfeito, pela força divina que nos ergue
triunfante, dos abismos da sombra para os cimos da luz.
O AMOR TUDO SOFRE "Tudo sofre..." —
Paulo. - (I CORÍNTIOS, 13:7.)
O noticiário terrestre reporta-se diariamente a desvarios cometidos em
nome do amor.
Homicídios são perpetrados publicamente.
Suicídios sulcam de pranto e desolação a rota de lares
esperançosos.
Furto, contenda, injúria e perversidade aparecem todos os dias invocando
a inspiração do sentimento sublime.
Mulheres indefesas, homens dignos, jovens promissores e infelizes crianças,
em toda a parte, sofrem abandono e aflição sob a legenda celeste.
Entretanto, só o, egoísmo, traduzindo apego da alma ao bem próprio,
é que patrocina os golpes da delinquência, os enganos da posse,
os erros da impulsividade e os desacertos da pressa... Apenas o egoísmo
gera ciúme e despeito, vingança e discórdia, acusação
e cegueira.
O amor, longe disso, sabe rejubilar-se com a alegria dos corações
amados, esposando-lhes as lições e as dificuldades, as dores e
os compromissos. Não se atropela, nem se desmanda.
Abraça no sacrifício próprio, em favor da felicidade da criatura a quem ama, a razão da própria felicidade. Por esse motivo, no amor verdadeiro não há sinal de qualquer precipitação conclamando à imoderação ou à loucura.
O apóstolo Paulo afirmou divinamente inspirado: - "O amor tudo sofre..." E, de nossa parte, acrescentaremos: - O amor genuíno jamais se desregra ou se cansa porque realmente sabe esperar.
PERDÃO
-REMÉDIO SANTO
"Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem..." —
Jesus. - (LUCAS, 23:34.)
Toda vez que a moléstia te ameaça, recorres necessariamente aos
remédios que te liberem da apreensão.
Agentes calmantes para a dor... Sedativos para a ansiedade...
Em suma, à face de qualquer embaraço físico, procuras reabilitar
as funções do órgão lesado.
Lembra-te de semelhante impositivo e recorda que há pensamentos enfermiços
de queixa e mágoa, de prevenção e antipatia, a te solicitarem
adequada medicação para que se te restaure o equilíbrio.
E se nas doenças vulgares reclamas despreocupação, em favor
da cura, é natural que nos achaques do espírito necessites de
esquecimento para que se te refaçam as forças.
O perdão é, pois, remédio santo para a euforia da mente
na luta cotidiana.
Tanto quanto não deves conservar detritos e infecções no
vaso orgânico, não mantenhas aversão e rancor na própria
alma.
te aborreçam, perdoa a quantos quantos te firam.
Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente.
Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições
e fraquezas que lhes são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados,
trazemos também as nossas.
É por isso que Jesus, o Emissário Divino, crucificado pela perseguição
gratuita, rogou a Deus, ante os próprios algozes:
— "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem..."
E, deixando os ofensores nas inibições próprias a cada
um, sustentou em si a luz do amor que dissolve toda sombra, induzindo-nos à
conquista da luz eterna.
13 - Religião dos Espíritos - Emmanuel -
pág.133, 169, 197
Sexo
e amor
- Reunião pública de 7-8-59 Questão n° 201
Ignorar o sexo em nossa edificação espiritual seria ignorar-nos.
Urge, no entanto, situá-lo a serviço do amor, sem que o amor se
lhe subordine.
Imaginemo-los ambos, na esfera da personalidade, como o rio e o dique na largueza
da terra.
O rio fecunda. O dique controla. O rio espalha forças. O dique policia-lhes
a expansão. No rio, encontramos a Natureza. No dique, surpreendemos a
disciplina.
Se a corrente ameaça a estabilidade de construções dignas,
comparece o dique para canalizá-la proveitosamente, noutro nível.
Contudo, se a corrente supera o dique, aparece a destruição, toda
vez que a massa líquida se dilate em volume. Igualmente, o sexo é
a energia criativa, mas o amor necessita estar junto dele, a funcionar por leme
seguro. Se a simpatia sexual prenuncia a dissolução de obras morais
respeitáveis, é imprescindível que o amor lhe norteie os
recursos para manifestações mais altas, porquanto, sempre que
a atração genésica é mais poderosa que o amor, surgem
as crises de longo curso, retardando o progresso e o aperfeiçoamento
da alma, quando não lhe embargam os passos na loucura ou na frustração,
na enfermidade ou no crime.
Tanto quanto o dique precisa erguer-se em defensiva constante, no governo das
águas, deve guardar-se o amor em permanente vigilância, na frenação
do impulso emotivo. Fiscaliza, assim, teus próprios desejos. Todo pensamento
acalentado tende a expressar-se em ação. Quase sempre, os que
chegam ao além-túmulo sexualmente depravados, depois de longas
perturbações renascem no mundo, tolerando moléstias insidiosas,
quando não se corporificam em desesperadora condição inversiva,
amargando pesadas provas como consequências dos excessos delituosos a
que se renderam.
A maneira de doentes difíceis, no leito de contenção, padecem
inibições obscuras ou envergam sinais morfológicos em desarcordo
com as tendências masculinas ou femininas em que ainda estagiam, no elevado
tentame de obstar a própria queda em novos desmandos sentimentais. Ama,
pois, e ama sempre, porque o amor é a essência da própria
vida, mas não cogites de ser amado. Ama por filhos do coração
aqueles de quem, por enquanto, não podes partilhar a convivência
mais íntima, aprendendo o puro amor fraterno que Jesus nos legou.
Mas, se a inquietação sexual te vergasta as horas, não
te decidas a aceitar o conselho da irresponsabilidade que te inclina a partir
levianamente «ao encontro de um homem» ou «ao encontro de
uma mulher», muitas vezes em perigoso agravo de teus problemas.
Antes de tudo, procura Deus, na oração, segundo a fé que
cultivas, e Deus que criou o sexo em nós, para engrandecimento da criação,
na carne e no espírito, ensinar-nos-á como dirigi-lo.
Ao
sol do amor
- Reunião pública de 7-9-59 Questão n° 569
Brilhando por luz de Deus, ainda mesmo nas regiões em que a escuridade
aparentemente domina, o amor regenera e aprimora sempre.
Podem surgir grandes malfeitores abalando a ordem pública, mas, enquanto
existirem pais e mães responsáveis e devotados, o lar fulgirá
no mundo, cooperando para que se dissolva a lama da delinquência na charrua
do suor ou na fonte das lágrimas. Podem surgir crianças-problemas
e jovens transviados de todos os matizes, mas, enquanto existirem professores
dignos do nome bendito que carregam, erguer-se-á a escola por santuário
da educação.
Podem surgir doentes agoniados em todas as estâncias da vida, mas, enquanto
existirem cientistas consagrados ao socorro dos semelhantes, levantar-se-á
o hospital, como pouso da Bênção Divina para a redenção
dos enfermos. Podem surgir criminosos de todas as procedências, gerando
reações populares pelos delitos em que estejam incursos, mas,
enquanto existirem juizes compreensivos e humanos, destacar-se-á o instituto
correcional por cidadela do bem, onde as vítimas da sombra retornem de
novo à luz.
Podem surgir empreiteiros do ateísmo e do ódio, da intolerância
e da guerra, como verdadeiros alienados mentais, mas, enquanto existirem sacerdotes
e missionários da fé, com bastante abnegação para
ajudar e perdoar, luzirá o templo, nas diversas confissões religiosas
do mundo, como autêntica oficina de acrisolamento da alma. É justificável,
portanto, que a afeição não repouse, além da morte.
Para lá da fronteira de cinza, agiganta-se o trabalho para todos
os corações acordados ao clarão do amor sem mácula.
Mães esquecidas na legenda do túmulo transformam-se em anjos invisíveis
de renúncia, ao pé de filhos desmemoriados e ingratos, para que
não resvalem de todo nas tenebrosidades do abismo; esposas renascidas
do nevoeiro carnal apoiam companheiros desorientados no infortúnio, para
que se restaurem no tálamo doméstico; filhos, desligados do corpo
físico, tornam, despercebidos, à convivência dos pais, arrebatando-os
às tentações do desânimo ou do suicídio, e
arautos de idéias renovadoras sustentam-se, em espírito, ao lado
daqueles que lhes continuam as obras.
Se te encontras, assim, em tarefas de sacrifício, não recalcitres
contra os aguilhões que te acicatam as horas, consciente de que a matemática
do destino não nos entrega problemas de que não estejamos necessitados.
Humilha-te e serve, desculpa e edifica, diante dos que se fazem complicados
instrumentos de tua dor. A prova antecipa o resgate, a luta anuncia a vitória
e a dificuldade encerra a lição. E embora se te situem as esperanças
no agressivo espinheiro do sofrimento, ama os que te não compreendem
e ora pelos que te injuriam, porque a Lei conhece o motivo pelo qual cada um
deles te cruza os passos, e erguer-te-á o ânimo, aqui e além
da Terra, para que prossigas no apostolado do amor, em perpetuidade sublime.
Justiça
e amor - Reunião pública de 9-10-59 Questão n° 876
Sempre que te reportes à justiça, repara que Deus a fez assistida
pelo amor, a fim de que os caídos não sejam aniquilados. Terás
contigo a lógica indicando-te os males e o entendimento inspirando-te
o necessário socorro aos que lhes sofrem o assédio. Onde passes,
compadece-te dos vencidos que contemples à margem. .. Muitos pranteiam
as ilusões que lhes trouxeram arrependimento e remorso e muitos se levantam
ainda sobre os próprios enganos, à maneira de trapezistas inconscientes,
ensaiando o último salto ao precipício da morte.
Dir-te-ão alguns não precisarem de teu consolo, fugindo-te à
presença, com receio da verdade que te brilha na boca, e outros, que
descreram do poder renovador do trabalho, preferem rolar no vício, descendo,
mais cedo, os degraus do sepulcro. Além deles, porém, surgem outros...
Os que desanimaram em plena luta, recolhendo-se ao frio da retaguarda, os que
enlouqueceram de sofrimento, os que perderam a fé por falta de vigilância,
os que se transviaram à mingua de reconforto e os que se abeiram do suicídio,
tomados pelo superlativo do desespero.
Tentando dar-lhes remédio, ergue o mundo penitenciárias e
hospitais, reformatórios e manicômios; no entanto, para ajudá-los,
confere-te o Cristo a flama do amor no santuário do coração.
Todos esses padecentes da estrada têm algo para ensinar. Os que tombam
esmagados de aflição induzem-te ao serviço pelo mundo melhor,
e os que se arrojam a monstruosos delitos falam, sem palavras, em louvor do
equilíbrio de que dispões, auxiliando-te a preservá-lo.
Não permitas que a justiça de tua alma caminhe sem amor, para
que se não converta em garra de violência.
Ao pé dos maiores celerados da Terra, Deus colocou mães que amam,
embora esses filhos desditosos de sua bênção lhes transformem
a vida em fonte de lágrimas. Diante, pois, dos vencidos de todas as condições
e de todas as procedências, não mostres desprezo, nem grites anátema.
Não lhes conheces a história desde o princípio e não
percebes, agora, a causa invisível da dor que os degrada. Ora e auxilia
em silêncio, porque não sabes se amanhã raiará teu
instante de abatimento e de angústia, e manda a regra divina façamos
aos outros aquilo que desejamos nos seja feito.
Justiça sem amor é como terra sem água. Recorda que o próprio
Cristo, reconhecendo que os vencedores do mundo habitualmente se inclinam à
vaidade — perigosa armadilha para quedas maiores —, preferiu nascer
na palha dos que vagueiam sem rumo, viver na dificuldade dos menos felizes e
morrer na cruz reservada às vítimas do crime e aos filhos da escravidão.
17
- Sinal verde - André Luiz - pág. 63
Em matéria de felicidade convém não esquecer que nós transformamos sempre naquilo que amamos. Quem se aceita como é, doando de si à vida o melhor que tem, caminha mais facilmente para ser feliz como espera ser.
A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros. A alegria do próximo começa muitas vezes no sorriso que você lhe queira dar.
A felicidade pode exibir-se, passear, falar e cominicar-se na vida externa, mas reside com endereço exato na consciência tranquila. Se você aspira a ser feliz e traz ainda consigo determinados complexos de culpa, comece a desejar a própria libertação, abraçando no trabalho em favor dos semelhantes o processo de reparação desse ou daquele dano que você haja causado em prejuízo de alguém.
Estude a si mesmo, observando que o auto-conhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz. Amor é a força da vida e trabalho vinculado ao amor é a usina geradora da felicidade.
Se você parar de se lamentar, notará que a felicidade está chamando o seu coração para vida nova. Quando o céu estiver em cinza, a derrmar-se em chuva, medite na colheita farta que chegará do campo e na beleza das flores que surgirão no jardim.
19 - Vinha de luz - Emmanuel - pág. 21
Em silêncio - "Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos do Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus" - Paulo (Efésios, 6:6)
Se sabes, atende ao que ignora, sem ofuscá-lo com a tua luz. Se tens, ajuda ao necessitado, sem molestá-lo com tua posse. Se amas, não firas o objeto amado com exigências. Se pretendes curar, não humilhes o doente.
Se queres melhorar os outros, não maldigues ninguém. Se ensinas a caridade, não te trajes de espinhos para que teu contacto não dilacere os que sofrem. Tem cuidado na tarefa que o Senhor te confiou. É muito fácil servir à vista. Todos querem fazer procurando o apreço dos homens.
Difícil, porém, é servir às ocultas, sem o ilusório manto da vaidade. É por isto que, em todos os tempos, quase todo o trabalho das criaturas é dispersivo e enganoso. Em geral, cuida-se de obter a qualquer preço as gratificações e as honras humanas.
Tu, porém, meu amigo, aprende que o servidor sincero de Cristo, no divino silêncio do espírito... Vai e serve. Não te deêm cuidado as fantasias que confundem os olhos da carne e nem te consagres aos ruídos da boca.
Faze o bem, em silêncio. Foge às referências pessoais e aprendamos a cumprir, de coração, a vontade de Deus.
21 - O Evangelho S. o Espiritismo - Allan Kardec - pág. 141
Instruções dos Espíritos - A Lei de Amor - Lázaro - Paris, 1862
O amor resume toda a Doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruido e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento. Não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior, que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei do amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais.
Feliz
aquele que, sobrelevando-se à Humanidade, ama com imenso amor os seus
irmãos em sofrimento! Feliz aquele que ama, porque não conhece
as angústias da alma, nem as do corpo! Seus pés são leves,
e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou essa
palavra divina — amor — fez estremece rem os povos, e os mártires,
ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Espiritismo, por sua vez, vem pronunciar a segunda palaví do alfabeto
divino. Ficai atentos, porque essa palavra levanta a lápide dos túmulos
vazios, e a reencarnação, vencendo a morte, revela homem deslumbrado
o seu patrimônio intelectual. Mas já não é mais aos
suplícios que ela conduz, e sim à conquista do seu ser, elevado
transfigurado. O sangue resgatou o Espírito, e o Espírito deve
agora resgatar o homem da matéria.
Diz-se que o homem, no seu início, tem apenas instintos. Aquele pois,
que os instintos dominam, está mais próximo do ponto de partida
que do alvo. Para avançar em direção ao alvo, é
necessário vencer ele os instintos a favor dos sentimentos, ou seja,
aperfeiçoar estes, sufocando os germes latentes da matéria. Os
instintos são germinação e os embriões dos sentimentos.
Trazem consigo o gresso, como a bolota oculta o carvalho. Os seres menos adiantados
são os que, libertando-se lentamente de sua crisálida, permanem
subjugados pêlos instintos.
O Espírito deve ser cultivado como um campo. Toda a riqueza futura depende
do trabalho atual. E mais que aos bens terrenos, vos conduzirá à
gloriosa elevação. Será então que, compreendendo
a lei do amor, que une todos os seres, nela buscareis os suaves prazeres da
alma, que são o prelúdio das alegrias celestes.
FÉNELON Bordeaux, 1861
9. O amor é de essência divina. Desde o mais elevado at mais humilde,
todos vós possuís, no fundo do coração, a centelha
desse fogo sagrado. É um fato que tendes podido constatar mi vezes: o
homem mais abjeto, o mais vil, o mais criminso, tem um ser ou um objeto qualquer
uma afeição viva e ardente, à prova de todas as vicissitudes,
atingindo frequentemente alturas sublimes.
Diz-se por um ser ou um objeto qualquer, porque existem, vós, indivíduos
que dispensam tesouros de amor, que lhes transborda do coração,
aos animais, às plantas, e até mesmo aos objetos materiais. Espécies
de misantropos a se lamentarem da Humanidade em geral, resistem à tendência
natural da alma, que busca em seu redor afeição e simpatia. Rebaixam
a lei do amor à condição do instinto.
Mas, façam o que quiserem, não conseguirão sufocar o germe
vivaz que Deus depositou em seus corações, no ato da criação.
Esse germe se desenvolve e cresce com a moralidade e a inteligência, e
embora frequentemente comprimido pelo egoísmo, é a fonte das santas
e doces virtudes que constituem as afeições sinceras e duradouras,
e que os ajudam a transpor a rota escarpada e árida da existência
humana.
Há algumas pessoas a quem repugna a prova da reencarnação,
pela idéia de que outros participarão das simpatias afetivas de
que são ciosas. Pobres irmãos! O vosso afeto vos torna egoístas.
Vosso amor se restringe a um círculo estreito de parentes ou de amigos,
e todos os demais vos são indiferentes. Pois bem: para praticar a lei
do amor, como Deus a quer, é necessário que chegueis a amar, pouco
a pouco, e indistintamente, a todos os vossos irmãos. A tarefa é
longa e difícil, mas será realizada. Deus o quer, e a lei do amor
é o primeiro e o mais importante preceito da vossa nova Doutrina, e é
ela que deve um dia matar o egoísmo, sob qualquer aspecto que se apresente,
pois além do egoísmo pessoal, há ainda o egoísmo
de família, de casta, de nacionalidade. Jesus disse: "Amai ao vosso
próximo como a vós mesmos"; ora, qual é o limite do
próximo? Será a família, a seita, a nação?
Não: é toda a Humanidade! Nos mundos superiores, é o amor
recíproco que harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os
habitam. E o vosso planeta, destinado a progresso que se aproxima, para a sua
transformação social, verá seus habitantes praticarem essa
lei sublime, reflexo da própria Divindade.
Os
efeitos da lei do amor são o aperfeiçoamento moral da raça
humana e a felicidade durante a vida terrena. Os mais rebeldes e os mais viciosos
deverão reformar-se, quando presenciarem os benefícios produzidos
pela prática deste princípio: "Não façais aos
outros o que quereis que os outros vos façam, mas fazei, pelo contrário,
todo o bem que puderdes."
Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração
humano, que cederá, mesmo de malgrado, ao verdadeiro amor. Este é
um imã a que ele não poderá resistir, e o seu contato vivifica
e fecunda os germes dessa virtude, que estão latentes em vossos corações.
A Terra, morada de exílio e de provas, será então purificada
por esse fogo sagrado, e nela se praticarão a caridade, a humildade,
a paciência, a abnegação, a resignação, o
sacrifício, todas essas virtudes filhas do amor.
Não
vos canseis, pois, de escutar as palavra de João Evangelista. Sabeis
que, quando a doença e a velhice interromperam o curso de suas pregações,
ele repetia apenas estas doces palavras: "Meus filhinhos, amai-vos uns
aos outros!"
Queridos irmãos, utilizai como proveito essas lições: sua
prátid é difícil, mas delas retira a alma imenso benefício.
Crede-me, fazei} sublime esforço que vos peço: "Amai-vos",
e vereis, muito em bre\ a Terra modificada tornar-se um novo Eliseu, em que
as almas justos virão gozar o merecido repouso.
SANSÃO - Membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863
10. Meus queridos condiscípulos, os Espíritos aqui presentes vos
dizem pela minha voz: Amai muito, para serdes amados! justo é este pensamento,
que nele encontrareis tudo quanto consola e acalma as penas de cada dia. Ou
melhor: fazendo isso, de maneira vos elevareis acima da matéria, que
vos espiritualizardes antes mesmo de despirdes o vosso corpo terreno. Os estudos
espíritas ampliaram a vossa visão do futuro, e tendes agora uma
certeza:' do vosso progresso para Deus, com todas as promessas que cor pondem
às aspirações da vossa alma. Deveis também elevar-vos
alto, para julgardes sem as restrições da matéria, e assim
não condenardes o vosso próximo, antes de haverdes dirigido o
vosso pena mento a Deus.
Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, prol consciencioso,
para fazer aos outros aquilo que deseja para si mesmo. É buscar em torno
de si a razão íntima de todas as dores que brunham o próximo,
para dar-lhe alívio. Ë encarar a grande família humana como
a sua própria, porque essa família todos vós ireis reencontrar
um dia em mundos mais adiantados, pois os Espíritos que constituem são,
como vós, filhos de Deus, marcados na fronte, se elevarem ao infinito.
É por isso que não podeis recusar aos vos irmãos aquilo
que Deus vos deu com liberdade, pois, de vossa parte seríeis muito felizes
se vossos irmãos vos dessem aquilo de que tendes necessidades. A todos
os sofrimentos, dispensai, pois, uma palavra de ajuda e de esperança,
para vos fazerdes todo amor e todo justiça.
Crede que estas sábias palavras: "Amai muito, para serdes amados",
seguirão o seu curso. Esta máxima é revolucionária
e segue uma rota firme e invariável. Mas vós já haveis
progredido, vós que me escutais: sois infinitamente melhores do que há
cem anos; de tal maneira vos modificastes para melhor, que aceitais hoje sem
repulsa uma infinidade de idéias novas sobre a liberdade e a fraternidade,
que antigamente teríeis rejeitado. Pois daqui a cem anos aceitareis também,
com a mesma facilidade, aquelas que ainda não puderam entrar na vossa
cabeça.
Hoje, que o movimento espírita avançou bastante, vede com e rapidez
as idéias de justiça e de renovação, contidas nos
ditados dos Espíritos, são aceitas pela metade das pessoas inteligentes.
É que essas idéias correspondem ao que há de divino em
vós. É que estais preparados por uma semeadura fecunda: a do último
século, que implantou na sociedade as grandes idéias do progresso.
E como tudo se encadeia, sob as ordens do Altíssimo, todas as lições
recebidas e assimiladas resultarão nessa mudança universal do
amor ao próximo.
Graças
a elas, os Espíritos encarnados, melhor julgando e melhor sentindo, dar-se-ão
as mãos até os confins do vosso planeta. Todos se reunirão,
para se entenderem e se amarem, destruindo todas as injustiças, todas
as causas de desentendimento entre os povos.
Grande pensamento de renovação pelo Espiritismo, tão bem
exposto no "O Livro dos Espíritos", produzirá o grande
milagre do século futuro, o da reunião de todos os interesses
materiais e espirituais dos homens, pela aplicação desta máxima
bem compreendida: "Amai muito, para serdes amados!"
AMOR MATERNAL E FILIAL: O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 890 a 892
O
lar é a morada material temporária, onde muitos Espíritos
antagônicos reencarnam amparados pela tutela do amor maternal, sentimento
instintivo, comum tanto para os homens como para os animais, embora nestes tal
amor seja limitado às necessidades de sobrevivência de cada espécie;
esta limitação explica o fato do amor maternal entre os animais
se extinguir tão logo os filhotes se desprendam da mãe.
No homem, contudo, este amor persiste por toda a vida e comporta um devotamento
e uma abnegação que constituem virtudes (LE 890). Muito embora
o amor maternal seja um sentimento inerente à Lei Natural, existem mães
que repelem seus filhos, já a partir do nascimento; nestes casos, trata-se
de circunstâncias especiais que dizem respeito tão somente à
Lei de Causa e Efeito. Às vezes trata-se de uma provação
escolhida pelo Espírito reencarnante, ou então é uma expiação,
se aconteceu de, em vidas passadas, ele ter sido um mau pai ou mãe.
Em todos os casos, a mãe que rejeita o filho desde tenra idade é porque seu Espírito é inferior a tal ponto de criar obstáculos para o filho, concorrendo para o seu fracasso na prova por ele escolhida. Aos pais cabe, portanto, o dever de fazer todos os esforços no sentido de conduzir os filhos ao bem, independentemente dos desgostos que este lhe causem, pois muitas vezes apenas refletem o resultado de maus hábitos que os próprios pais deixaram que os filhos adquirissem; aos filhos cabe o dever de honrar seus pais e nessa convivência fraterna, tanto o amor maternal quanto o filial serão decorrência natural da Lei de Justiça, Amor e Caridade.
22 - MAIS PERTO - EMMANUEL - PÁG. 33
Não olvides que o Amor é a base de nossa sustentação nos menores passos da vida. Ele abarca em si todos os recursos da própria natureza em que te desenvolves, alimentando-te o ser e abençoando-te os dias. Observa-o no Sol que mantém a estabilidade do mundo...
No mundo que te oferece o pão da subsistência... No ar que te assegura o alento corpóreo... No alento corpóreo que te garante o aprendizado... Palpita na experiência que te auxilia o crescimento espiritual e ampara-te com o obstáculo que é medida de tua força...
Brilha nos dons que te conferem esperança e consolo, na palavra que te ensina, no amigo que te socorre, no companheiro que te levanta e no adversário que é sempre um valioso instrutor no campo da experiência..
Pelo amor, entraste na Terra e lhe desfrutas os bens, por ele trabalhas e te devotas à construção do futuro, dele aguardando a vitória que te polariza os sofrimentos e os sonhos.
Junto dele, ergueste o templo do lar, tecendo os elos suaves da família consanguínea em que te consagras à luta redentora e, com ele, penetrarás o segredo maravilhoso do sacrifício, esquecendo a ti mesmo, em favor daqueles que te povoam o coração..
É o amor à luz que te arrebatará ao assédio das sombras, a verdade que te dissipará as ilusões e o braço amigo que te conduzirá às eminências da Grande Vida.
Não permitas que semelhante bênção cintile apenas em teu pensamento ou em tua boca... Responde ao Amor que te ama em todos os ângulos do caminho, servindo aos outros infatigavelmente, e, mais cedo do que possas presumir, será tua alma por ele convertida em rutilante estrela, refletindo-lhe o brilho eterno...
LEMBRETE: O amor, como comumente se entende na Terra, é um sentimento, um impulso do ser, que o leva para outro ser com o desejo de unir-se a ele. Mas, na realidade, o amor reveste formas infinitas, desde as mais vulgares até as mais sublimes. Princípio da vida universal, proporciona à alma, em suas manifestações mais elevadas e puras, a intensidade ligada ao Poder Divino, foco ardente de toda a vida, de todo o amor. O amor é uma força inexaurível, renova-se sem cessar e enriquece ao mesmo tempo aquele que dá e aquele que recebe.
Amor é o princípio que emana de Deus, a causa da vida, inspira a gratidão e o reconhecimento ao Criador, espraiando-se por todas as coisas, pela criação inteira, sob múltiplas formas. Amar ao próximo é uma consequência do amor a Deus. Toda a Doutrina ensinada pelo Cristo resume-se no Amor, a Lei Divina que abrange todas as outras.
1° - O maior sustentáculo das criaturas é justamente o amor. Todo sistema de alimentação, nas variadas esferas da vida, tem no amor a base profunda. O alimento físico, mesmo aqui, propriamente considerado, é simples problema de materialidade transitória, como no caso dos veículos terrestres, necessitados da colaboração da graxa e do óleo. A alma, em si, apenas se nutre do amor. Quanto mais nos elevarmos no plano evolutivo da Criação, mais extensamente conheceremos essa verdade. Emmanuel
2° - O amor é o laço de luz eterna que une todos os mundos e todos os seres da imensidade; sem ele, própria Criação Infinita não teria razão de ser, porque Deus é a sua expressão suprema... Irmão X
3° - O amor sincero não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo, com a primeira ilusão; trabalha sempre, sem amargura e sem ambição, com os júbilos do sacrifício. Só o amor que renuncia sabe caminhar para vida suprema. Irmão X
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