BATISMO |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- A agonia das religiões - pág. 29 | 02 - A vingança do judeu - pág. 23, 47, 58 |
| 03 - Allan Kardec - vol. I - pág. 31 | 04 - Caminho verdade e vida - pág. 331 |
| 05 - Cristianismo e espiritismo - pág. 61, 86 | 06 - De Jesus para as crianças - pág. 111 |
| 07 - Dramas da obsessão - pág. 66 | 08 - Escrínio de luz - pág. 35 |
| 09 - Expiação - pág. 178 | 10 - História do Espiritismo - pág. 39 |
| 11 - Jesus o verbo do pai- pág. 47, 49, 56 | 12 - Magnetismo espiritual- pág. 179 |
| 13 - Mão de luz - pág. 117 | 14 - Na seara do Mestre - pág. 131 |
| 15 - Na sombra e na luz - pág. 221 | 16 - Nas pegadas do Mestre - pág. 22 |
| 17 - O Batismo - toda a obra | 18 - O céu e o inferno - cap. II-6 |
| 19 - O consolador- pág. 175 | 20 - O espírito do cristianismo- pág. 164 |
| 21 - O redentor - pág. 70 | 22 - O trabalho dos mortos - pág. 157 |
| 23 - Os milagres de Jesus - III | 24 - Parábolas e ensinos de Jesus - pág. 170, 275 |
| 25 - Personagens do espiritismo - pág. 113 | 26 - Pureza doutrinária - pág. 96 |
| 27 - Síntese de o Novo Testamento - pág.46,47 | 28 - Vida e atos dos apóstolos -pág. 91, 103, 167 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
BATISMO – COMPILAÇÃO
01 - A AGONIA DAS RELIGIÕES - J.HERCULANO PIRES - PÁG. 29
(..)O problema da religião no Espiritismo tem provocado discussões e controvérsias infindáveis, porque essa doutrina não se apresenta como religião no sentido comum do termo. Allan Kardec, discípulo de Pestalozzi, adotava a posição de seu mestre no tocante à classificação das religiões. Pestalozzi admitia a existência de três tipos de religião: a animal ou primitiva, a social e a espiritual. Mas recusava-se a chamar esta última de religião, dando-lhe a designação de moralidade.
Isso
porque a religião superior ou espiritual, segundo ele, só era
professada individualmente pela criatura que superava o ser social e desenvolvia
em si o ser moral. Kardec recusou-se a falar em Religião Espírita,
sustentando que o Espiritismo é doutrina científica e filosófica,
de consequências morais. Mas deu a essas consequências enorme importância
ao considerar o Espiritismo como desenvolvimento histórico do Cristianismo,
destinado a restabelecer a verdade dos princípios cristãos, deformados
pelo processo natural de sincretismo-religioso que originou as igrejas cristãs.
Essa posição espírita manteve a doutrina e o movimento
doutrinário em posição marginal no campo religioso. Para
os espíritas, entretanto, a posição da doutrina não
é marginal, mas superior, pois o Espiritismo representaria o cumprimento
da profecia evangélica da Religião em espírito e verdade,
que se desenvolveria sob a égide do próprio Cristo. A religião
espírita não se organizou em forma de igreja, não admite
sacramentos nem admitiu nenhuma forma de autoridade religiosa de tipo sacerdotal.
Não há batismo, nem casamento religioso
no Espiritismo, nem confissões ou indulgências. Todos esses formalismos
são considerados como de origem pagã e judaica. Entende-se o batismo
como rito de iniciação, que Jesus substituiu pelo batismo do espírito,
sendo este considerado como a iniciação no conhecimento doutrinário,
feita naturalmente pelo estudo da doutrina, sem nenhum ato ritual. Admite-se
também que o batismo do espírito, segundo o texto do Livro de
Atos dos Apóstolos sobre a visita de Pedro à casa do centurião
Cornélius, no porto de Jope, pode completar-se, nos médiuns, quando
se verifica espontaneamente, com o desenvolvimento da mediunidade.
Essa posição espírita no campo religioso causou numerosas
dificuldades aos espíritas no tocante às relações
de instituições doutrinárias com os poderes oficiais, particularmente
para a declaração de religião em documentos oficiais, para
o resguardo dos direitos escolares em face do ensino religioso, para a declaração
de religião nos recenseamentos da população, até
que medidas oficiais reconheceram esses direitos.
10 - HISTÓRIA DO ESPIRITISMO - ARTHUR CONAN DOYLE - PÁG. 39
(...)Swedenborg
resume o assunto dizendo que quando se comunicava com os Espíritos, durante
uma hora respirava profundamente, "tomando apenas a quantidade de ar necessária
para alimentar os seus pensamentos". De lado essa peculiaridade, Swedenborg
era normal durante as suas visões, conquanto preferisse, na ocasião,
estar só. Parece que teve o privilégio de examinar várias
esferas do outro mundo e, conquanto as suas idéias sobre teologia tivessem
marcado as suas descrições, por outro lado a sua imensa cultura
lhe permitiu excepcional poder de observação e de comparação.
Vejamos quais os principais fatos que suas jornadas nos trouxeram e até
onde eles coincidem com os que, desde então, têm sido obtidos pelos
métodos psíquicos.
Verificou que o outro mundo, para onde vamos após a morte, consiste de
várias esferas, representando outros tantos graus de luminosidade e de
felicidade; cada um de nós irá para aquela a que se adapta a nossa
condição espiritual. Somos julgados automaticamente, por uma lei
espiritual das similitudes; o resultado é determinado pelo resultado
global de nossa vida, de modo que a absolvição ou o arrependimento
no leito de morte têm pouco proveito. Nessas esferas verificou que o cenário
e as condições deste mundo eram reproduzidas fielmente, do mesmo
modo que a estrutura da sociedade. Viu casas onde viviam famílias, templos
onde praticavam o culto, auditórios onde se reuniam para fins sociais,
palácios onde deviam morar os chefes.
A morte era suave, dada a presença de seres celestiais que ajudavam os
recém-chegados na sua nova existência. Esses recém-vindos
passavam imediatamente por um período absoluto repouso. Reconquistavam
a consciência em poucos dias, segundo a nossa contagem. Havia anjos e
demônios, mas não eram de ordem diversa da nossa: eram seres humanos,
que tinham vivido na Terra e que ou eram almas retardatárias, como demônios,
ou altamente desenvolvidas, como anjos.
De modo algum mudamos com a morte. O homem nada perde pela morte: sob todos
os pontos de vista é ainda um homem, conquanto mais perfeito do que quando
na matéria. Levou consigo não só as suas forças,
mas os seus hábitos mentais adquiridos, as suas preocupações,
os seus preconceitos.
Todas as crianças eram recebidas igualmente, fossem ou não batizadas.
Cresciam no outro mundo; jovens lhes serviam de mães, até que
chegassem as mães verdadeiras. Não havia penas eternas. Os que
se achavam nos infernos podiam trabalhar para a sua saída, desde que
sentissem vontade. Os que se achavam no céu não tinham lugar permanente:
trabalhavam por uma posição mais elevada. Havia o casamento sob
a forma de união espiritual no mundo próximo, onde um homem e
uma mulher constituíam uma unidade completa. E' de notar-se que Swedenborg
jamais se casou. Não havia detalhes insignificantes para a sua observação
no mundo espiritual. Fala de arquitetura, do artesanato, das flores, dos frutos,
dos bordados, da arte, da música, da literatura, da ciência, das
escolas, dos museus, das academias, das bibliotecas e dos esportes.
Tudo isso pode chocar as inteligências convencionais, conquanto se possa
perguntar por que toleramos coroas e tronos e negamos outras coisas menos materiais.
Os que saíram deste mundo velhos, decrépitos, doentes, ou deformados,
recuperavam a mocidade e, gradativamente, o completo vigor. Os casais continuavam
juntos, se os seus sentimento recíprocos os atraíam. Caso contrário,
era desfeita a união. "Dois amantes verdadeiros não são
separados pela morte, de vez que o Espírito do morto habita com o do
sobrevivente, até à morte deste último, quando se encontram
e se unem, amando-se mais ternamente do que antes".
18 - O CÉU E O INFERNO - ALLAN KARDEC - CAP. II ÍTEM 6
(..)5.
— Este estado de coisas é entretido e prolongado por causas puramente
humanas, que o progresso fará desaparecer. A primeira é a feição
com que se insinua a vida futura, feição que poderia contentar
as inteligências pouco desenvolvidas, mas que não conseguiria satisfazer
a razão esclarecida dos pensadores refletidos. Assim, dizem estes: "Desde
que nos apresentam como verdades absolutas princípios contestados pela
lógica e pelos dados positivos da Ciência, é que eles não
são verdades." Daí, a incredulidade de uns e a crença
dúbia de um grande número.
A vida futura é-lhes uma idéia vaga, antes uma probabilidade do
que certeza absoluta; acreditam, desejariam que assim fosse, mas apesar disso
exclamam: "Se todavia assim não for! O presente é positivo,
ocupemo-nos dele primeiro, que o futuro por sua vez virá." E depois,
acrescentam, definitivamente que é a alma? Um ponto, um átomo,
uma faísca, uma chama? Como se sente, vê ou percebe? É que
a alma não lhes parece uma realidade efetiva, mas uma abstração.
Os entes que lhes são caros, reduzidos ao estado de átomos no
seu modo de pensar, estão perdidos, e não têm mais a seus
olhos as qualidades pelas quais se lhes fizeram amados; não podem compreender
o amor de uma faísca nem o que a ela possamos ter. Quanto a si mesmos,
ficam mediocremente satisfeitos com a perspectiva de se transformarem em mônadas.
Justifica-se assim a preferência ao positivismo da vida terrestre, que
algo possui do mais substancial. É considerável o número
dos dominados por este pensamento.
6. — Outra causa de apego às coisas terrenas, mesmo nos que mais
firmemente crêem na vida futura, é a impressão do ensino
que relativamente a ela se lhes há dado desde a infância. Convenhamos
que o quadro pela religião esboçado, sobre o assunto, é
nada sedutor e ainda menos consolatório. De um lado, contorções
de condenados a expiarem em torturas e chamas eternas os erros de uma vida efêmera
e passageira. Os séculos sucedem-se aos séculos e não há
para tais desgraçados sequer o lenitivo de uma esperança e, o
que mais atroz é, não lhes aproveita o arrependimento.
De outro lado, as almas combalidas e aflitas do purgatório aguardam a
intercessão dos vivos que orarão ou farão orar por elas,
sem nada fazerem de esforço próprio para progredirem. Estas duas
categorias compõem a maioria imensa da população de além-túmulo.
Acima delas, paira a limitada classe dos eleitos, gozando, por toda a eternidade,
da beatitude contemplativa. Esta inutilidade eterna, preferível sem dúvida
ao nada, não deixa de ser de uma fastidiosa monotonia. É por isso
que se vê, nas figuras que retraíam os bem-aventurados, figuras
angélicas onde mais transparece o tédio que a verdadeira felicidade.
Este estado não satisfaz nem as aspirações nem a instintiva
ideia de progresso, única que se afigura compatível com a felicidade
absoluta. Custa crer que, só por haver recebido o batismo,
o selvagem ignorante — de senso moral obtuso —, esteja ao mesmo
nível do homem que atingiu, após longos anos de trabalho, o mais
alto grau de ciência e moralidade práticas. Menos concebível
ainda é que a criança falecida em tenra idade, antes de ter consciência
de seus atos, goze dos mesmos privilégios somente por força de
uma cerimônia na qual a sua vontade não teve parte alguma. Estes
raciocínios não deixam de preocupar os mais fervorosos crentes,
por pouco que meditem.(..)
19 - O CONSOLADOR - EMMANUEL - PÁG. 175 - PERG. 298
Perg. 298 - Considerando que as religiões invocam o Evangelho de Mateus para justificar a necessidade do BATISMO em seus característicos cerimoniais, como deverá proceder o espiritista em face desse assunto? - Os espiritistas sinceros, na sagrada missão de maternidade, devem compreender que o BATISMO, aludido no Evangelho, é o da invocação das bênçãos divinas para quantos a eles se reúnem no instituto santificado da família. Longe de quaisquer cerimônias de natureza religiosa, que possam significar uma continuação dos fetichismos da Igreja Romana, que se aproveitou do símbolo evangélico para a chamada venda dos sacramentos, o espiritista deve entender o batismo como o apelo do seu coração ao Pai de Misericórdia, para que os seus esforços sejam santificados no trabalho de conduzir as almas a ele confiadas no instituto familiar, compreendendo, além domais, que esse ato de amor e de compromisso divino deve ser continuado por toda a vida, na renúncia e no sacrifício, em favor da perfeita cristianização dos filhos, no apostalado do trabalho e da dedicação.
20 - O ESPÍRITO DO CRISTIANISMO - CAIRBAR SCHUTEL - ÍTEM 29 - PÁG. 164 - A SIMPLICIDADE DE ESPÍRITO
"Traziam-lhe
também as crianças para que as tocasse; e os discípulos,
vendo isto, repreendiam aos que as traziam. Mas Jesus, chamando-as para junto
de si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais;
pois dos tais é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: Aquele que não
receber o Reino de Deus como um menino, de maneira alguma entrará nele."
(Lucas, xvm, 15-1?)
"Então lhe traziam alguns meninos para que os tocasse; e os discípulos
repreenderam aos que os trouxeram. Mas Jesus, vendo isto, indignou-se e disse-lhes:
Deixai vir a mim os meninos, não os impeçais; porque dos tais
é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: Aquele que não receber
o Reino de Deus como um menino, de modo algum entrará nele. E abraçando
os meninos, os abençoava, pondo as mãos sobreeles." (Marcos,
X, 13-16)
Deus criou os Espíritos simples e ignorantes e lhes concedeu os meios
de progresso e perfeição. É preciso que haja ignorância
para que haja aperfeiçoamento, de cujo trabalho vem o mérito de
cada um; e o aperfeiçoamento não se faz sem simplicidade. Os Espíritos
simples são por isso bem-aventurados. As bem-aventuranças são
as remunerações da simplicidade. Os vaidosos, os arrogantes, não
podem ter simplicidade, sendo por isso condenados por suas idéias preconcebidas.
Jesus usou as crianças como símbolo, ou antes, como personificação
da simplicidade; elas são, quando em sua inocência, a representação
da simplicidade de espírito. Sabem que não sabem, e se esforçam
para saber, perguntando, inquirindo aqui e ali. Não têm opinião
preconcebida, nem se arrogam títulos de mestres e doutores; costumam
respeitar as convicções, e, quando estas lhes parecem disparatadas,
indagam os motivos e procuram tirar deduções, as que lhes pareçam
justas. A simplicidade de espírito é uma das grandes prerrogativas,
indispensável à aquisição do Reino de Deus. Por
que os escribas, os fariseus, os doutores da Lei, os religiosos de então
repeliram a Doutrina de Jesus, chegando a ponto de pedir a morte do Filho de
Deus?
Porque, sem nenhuma simplicidade de espírito, vaidosos dos seus conhecimentos,
orgulhosos do seu saber, não percebiam a ignorância em que se achavam
das coisas divinas e se julgavam possuidores de toda a verdade. Jesus, abençoando
as crianças e acariciando-as, mostrou que mais vale ser ignorante e simples,
do que presumir-se de sábio sem simplicidade. E assim como um "odre
velho" não pode suportar um "vinho novo", por estar impregnado
do velho licor, também é preciso que o homem se torne simples,
isto é, ponha de lado as crenças avoengas que recebeu por herança,
para analisar, sem preconceito, o Cristianismo que a ninguém veio impor
os seus preceitos, mas apresentar-se a todos como a única Doutrina capaz
de nos dar a perfeição, se a estudarmos e a compreendermos em
espírito e verdade.
Nas passagens acima, de Lucas e Marcos, Jesus faz também uma ligeira
alusão à reencarnação, como um dos meios de nos
desembaraçarmos das idéias preconcebidas desde a infância,
e nos tornarmos aptos para a boa recepção da Verdade, consubstanciada
nos princípios redentores do Cristianismo. De modo que "aquele
que não receber o Reino de Deus como um menino, de maneira alguma entrará
nele". Aquele que não receber o Reino de Deus com simplicidade,
humildade c boa vontade de se aproximar de Deus, não entrará nele.
(ESTE É O BATISMO ESPIRITUAL)
21 - O REDENTOR - EDGARD ARMOND - CAP. 14 - OS
COSTUMES DA ÉPOCA - PÁG. 71
Todos
os pátios do grande Templo sempre regurgitavam de gente e, no meio da
turba, circulavam os sacerdotes menores, vestidos de branco, os levitas e demais
auxiliares do Templo, descalços, silenciosos, e atentos à rigorosa
disciplina a que estavam sujeitos. As horas da noite eram cantadas por sacerdotes
especiais que, para cada uma, entoavam melodia diferente e a guarda se revezava
rigorosamente nos períodos determinados. Havia três categorias
de sacerdotes com atribuições especiais: o sumo-sacerdote, os
sacerdotes de graus maiores e os sacerdotes menores, encarregados, mais especialmente,
dos serviços internos, que se subordinavam diretamente ao sgan (diretor)
do Templo. Além disso havia ainda os trombeteiros, os supervisores do
serviço interno, os acendedores de lâmpadas, as tecedeiras, os
sacrificadores, os fiscais dos sacrifícios, os inúmeros acólitos
e auxiliares do complicado cerimonial; enfim, um exército de servidores
que vivia no Templo e do Templo, todos diretamente subordinados ao referido
sgan, a seu turno direíamente subordinado ao poderoso sumo-sacerdote.
Os sacerdotes mercadejavam com muitas coisas: animais (bois, carneiros, pombos)
destinados aos holocaustos; perfumes, óleos, arômatas, utilizados
nas cerimónias de purificação; moedas estrangeiras trazidas
pelos peregrinos e negociantes, em permuta com moeda nacional. Cobravam os tributos
devidos ao Templo, tanto em dinheiro como em espécies, pois os israelitas
eram obrigados a pagar dízimos, bem como entregar parte da primeira colheita
de suas plantações e a primeira cabeça do gado de seus
rebanhos. Negociavam ainda com a carne dos animais sacrificados, bem como com
o seu sangue, que corria para os fundos do Templo em canalizações
apropriadas. O holocausto ritual dependia do ato que se celebrava; no caso,
por exemplo, da purificação das mulheres, por parto (30 dias após,
sendo menino e 60 dias, sendo menina), o sacerdote tomava as vítimas
do sacrifício (cabritos ou pombos, segundo os recursos da família),
abria-lhes o pescoço e aspergia o altar com o sangue, enquanto jogava
uma parte sobre o braseiro, para que a fumaça subisse ao Deus. Este holocausto
se denominava "oferta queimada". Se o holocausto era de expiação
ou de ação de graças, o sacerdote tomava uma das aves e
a arrojava viva ao braseiro.
A farinha para o pão ritual, as ervas para os arômatas, o incenso,
os óleos, o linho para as vestes do sacerdote e tudo o mais de uso deles,
era considerado como sagrado e só podia ser fornecido pelos sumo-sacerdotes,
para o que o Templo mantivesse fabricações próprias sempre
que possível. Os judeus usavam e abusavam de perfumes e no próprio
Templo havia alambique para a fabricação. Magdalena, a hetaira
famosa, que se transformou, mais tarde, em devotada e fervorosa discípula
de Jesus, no tempo em que morava em Jerusalém, possuía no seu
horto do Jardim das Oliveiras, uma fábrica de essências e óleos
perfumados, para uso de sua casa e seus inúmeros admiradores. Todos os
dízimos, oferendas, donativos, vendas de produtos consumidos nos holocaustos,
inclusive os de carne e sangue para adubo, redundavam em benefício da
classe sacerdotal elevada, enquanto os sacerdotes menores arcavam com todo o
peso dos serviços, vivendo dificultosamente ou de propinas mesquinhas.
Os sacerdotes declaravam imundos os produtos dos mercadores e camponeses que
deixavam de pagar os tributos devidos ao Templo, os quais ficavam excomungados
e, deles, por medo, se afastavam os compradores. Nos dias de Páscoa e
outras festas nacionais, quando a cidade regurgitava de peregrinos vindos de
todas as partes do mundo então conhecido onde havia colónias judaicas,
e de mercadores estrangeiros, que para ali acorriam a negócios, a cidade
transformava-se em um colossal mercado, do qual o Templo era o centro mais movimentado
pelo vulto e complexidade dos interesses a ele vinculados. Ao redor do Templo
e em seus pátios enxameavam os cambistas e os escribas, com penas de
ganso presas atrás das orelhas, sentados às suas mesinhas baixas,
vendendo escrita e pequenos rolos de papiros com transcrições
das Escrituras, que usavam nos braços e, na testa, bolsinhas de couro
contendo o "schema" (capítulos da Tora).
O Templo regurgitava de mesas, guichês, repartições na forma
de tabiques e balcões, destinados a essas transações e
recebimento de donativos, bem como de gente que entrava e saía, rebanhos
de animais que chegavam para serem vendidos, ao mesmo tempo em que outros eram
transportados para junto do Altar dos Sacrifícios, no Pátio dos
Levitas. Em repartições próprias eram recebidas as dádivas
espontâneas em dinheiro, para custeio de órfãos, alvarás
para sacrifícios, como também havia celas denominadas de "caridade
silenciosa e cega" que não possuíam funcionários atendentes,
sendo os donativos jogados para dentro do balcão, por serem da classe
daqueles que o Templo recusava, por impróprios ou insuficientes. Reinava
em todo o Templo verdadeiro tumulto e um estridor contínuo, misturado
de vozes humanas, lamentações, mugidos de animais, campainhas,
disputas intermináveis de negócios e interpretações
religiosas, coro e recitações de salmos, exposições
de matéria religiosa pelos rabis mais populares no Pátio dos Gentios
e outros rumores, enquanto sacerdotes hábeis e ligeiros, com seus aventais
de couro, empastados de sangue, empunhando cutelos e macetes, abatiam uns após
outros, os animais que vinham sendo trazidos para os holocaustos. Ambição,
cobiça, prepotência, mistificação religiosa, tudo
estava ali representado ern larga escala, oferecendo, do clero judeu, uma impressionante,
porém desoladora impressão.
24- PARÁBOLAS E ENSINOS DE JESUS- CAIRBAR SCHUTEL - PÁG. 170
OS
DOIS TESTAMENTOS E A REVOGAÇÃO DA LEI: "Não penseis
que vim para revogar a lei e os profetas; não vim revogar, mas cumprir.
Porque em verdade vos digo: passará o Céu e a Terra, mas de modo
nenhum passará da lei um só i ou um só til sem que tudo
se cumpra". (Mateus, V - 17-18.)
Assim como não existem duas "leis" em vigor, uma em oposição
à outra, também não podem existir dois "testamentos"
em validade, ambos contradizendo-se, defraudando-se aniquilando-se. Existe a
lei, existem os profetas; existiram os profetas e existiram a lei e os profetas.
Jesus não veio revogar a lei e os profetas, mas cumprir; lembrar o cumprimento
da lei, trabalhar pelo cumprimento da lei, ensinar o cumprimento da lei, impor
o cumprimento da lei. Jesus é a luz do mundo: essa luz ilumina a lei,
distingue-a do que não é lei, orientando todas as almas de um
modo racional, inteligível, para cumprirem a lei, obedecerem a lei, praticarem
as ordenações da lei.
Jesus é o caminho, a verdade e a vida: sendo
sua principal missão cumprir a lei, a lei deve, forçosamente,
limitar-se, circunscrever-se ao caminho que ele personificou, à verdade
de que ele foi o paradigma, à vida de que deu o mais vivo exemplo. A
lei está intimamente ligada à incomparável personalidade
de Jesus. O que a Jesus não se liga, não se adapta, não
se ajusta, não é lei; não é, portanto, caminho,
não é verdade, não é luz, não é vida:
é desvio, é falsidade, é morte, é treva. "De
modo nenhum passará da lei um só i, ou um só til, sem que
tudo se cumpra". A lei é eterna, é de todos os tempos, de
todos os povos; o seu escopo é felicitar os homens unindo-os pelo mesmo
ideal a Deus. O ideal é o amor. "O amor a Deus e ao próximo
é a síntese, o resumo de toda a lei e os profetas".
Tudo o que inspira desamor a Deus e ao próximo, não é lei,
nem provém da lei ou dos profetas; tudo o que divide, desune, desarmoniza
a família humana, está fora da lei; tudo o que tolhe a liberdade,
o livre exame, a compreensão, não está compreendido na
lei. A lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça
e a verdade da compreensão da lei foi dada por Jesus Cristo; ele é
a luz e a verdade. A lei não é de Moisés; se fosse, passaria
com Moisés, tomo a lei de Moisés do dente por dente, olho por
olho passou, para não mais voltar; não só desapareceram
dela o i e o til, como também todo o valor, toda a potência, todos
ns caracteres. Para que a lei se cumpra, é preciso que desapareçam
todos os opressores que, constituindo-se guardas da lei, não a praticam,
mas corrompem-na. Para que a lei se cumpra, é preciso que o Velho Testamento
seja posto à margem, porque "Na verdade, nenhum outro fundamento
pode ser posto entre o Céu e a Terra senão Jesus Cristo".
O maior dos profetas anuncia o maior dos enviados; o maior enviado exalta o
ministério dos profetas, adstrito à lei sintetizada no amor a
Deus e ao próximo. Os sacerdotes foram postos à margem, como infratores
da lei; as igrejas de pedra estão fora de lei: delas não ficará
pedra sobre pedra que não seja derrubada. (Lucas XXI, 6.) Os sacerdotes
têm uma lei que não é a lei, assim como os cientistas e
políticos têm uma lei, que não é a lei; suas igrejas,
suas academias, seus palácios têm os seus mandamentos, mas estes
mandamentos não constituem a lei de Deus, são mandamentos e ordenações
que estão fora da lei: têm passado, estão passando e passarão
para desaparecerem para sempre.
Não pode haver dois testamentos, não pode haver duas leis de Deus:
há um só Deus, um só batismo, uma só fé,
uma única verdade. A lei das sinagogas, dos templos, do monte, foi revogada
pelo Cristo: "É chegada a hora, e agora é, em que não
adorareis a Deus em Jerusalém, nem no Monte Garizim, mas sim em espírito
e verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores".
(João, IV, 21-24.) A lei das igrejas não é parte integrante
da lei, ela é a mesma das sinagogas, dos templos, dos montes; a lei das
igrejas foi denunciada como infração da lei, por Jesus Cristo
A lei não passará, nem um i nem um til deixará de ter o
seu cumprimento. O Espiritismo repete as palavras de Jesus: "Não
pensem que vim revogar a lei e os profetas, não vim revogar, mas cumprir".
LEMBRETE:
1° - João batizava os homens na água, e Jesus no Espírito - e o batismo de Jesus é a vida do Espírito, porque seu batismo é a palavra - e as palavras de Jesus são espírito e vida. José Amigó Y Pellicer
2° - Esse batismo de fogo, pelo qual Jesus se mostrava ansioso, não era outra coisa senão a luta que os belos e nobres ideais do Cristianismo precisou enfrentar, e continua enfrentando, para que os privilégios, a tirania e o fanatismo venha a desaparecer da face da Terra, cedendo lugar a uma ordem social fundada na justiça, na liberdade e na concórdia. Rodolfo Caligaris
3° - O batismo com o Espírito Santo é a comunhão com os Espíritos elevados que velam por vós; mas, para chegar a essa comunhão, era preciso, ao tempo da missão terrena de Jesus, e o é ainda, ser puro, cheio de zelo, de amor e de fé, como o eram os apóstolos fiéis. Roustaing
4° - O batismo por meio da água, que João Batista administrou e que Jesus recebeu para ensinar pelo exemplo, comprovando assim que esse batismo não passava de uma figura, era, a um tempo, material e simbólico; material pela ablução do corpo; simbólico pelo arrependimento e pela humildade que a ablução consagrava e que tinham a proclamá-los a confissão pública que, diante de todos, cada uma fazia, em voz alta, dos seus pecados, isto é, de suas faltas, de suas torpezas, de todas as infâmias que podem germinar no coração humano. O batismo pela água era, pois, uma preparação para o batismo pelo Espírito Santo e pelo fogo, batisto este que vem de Deus e que o Cristo defere aos que dele se tornam dignos, concedendo-lhes a assistência e o concurso dos Espíritos purificados. Roustaing
5° - Os espiritistas sinceros, na sagrada missão de paternidade, devem compreender que o batismo, aludido no Evangelho, é o da invocação das bênçãos divinas para quantos a eles se reúnem no instituto santificado da família. Emmanuel
Edivaldo