BONDADE |
|
BIBLIOGRAFIA |
|
| 01- A sombra do olmeiro - pág. 114 | 02 - Allan Kardec - vol 1 pág. 93 |
| 03 - Ave luz - pág. 118 | 04 - Ceifa de Luz- pág. 165 |
| 05 - Depois da morte - pág. 279 | 06 - Do País da luz - vol II - pág. 98 |
| 07 - Encontro marcado - pág.32 | 08 - Estude e Viva - pág. 48, 84, 102 |
| 09 - Falando à Terra- pág.186, 198 | 10 - Lázaro redivivo - pág. 46 |
| 11 - Nas pegadas do Mestre - pág. 111 | 12 - O Espírito da Verdade- pág. 21, 183 |
| 13 - O Evangelho S. o Espiritismo - cap. XIII | 14 - O Livro dos Espíritos - q. 13, 55, 98, 107, 108 |
| 15 - Os funerais da Santa Sé - pág. 46, 159 | 16 - Palavras do alvorecer - pág. 144 |
| 17 - Parnaso do além túmulo - pág. 331 | 18 - Passos da vida - pág. 88 |
| 19 - Pérolas do além - pág. 35 | 20 - Técnica da mediunidade - pág. 55 |
| 21 - Trilha de Luz - pág. 53 | |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
BONDADE – COMPILAÇÃO
05 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 279
XLVIII
— DOÇURA, PACIÊNCIA, BONDADE
Se o orgulho é o germe de uma multidão de vícios, a caridade
produz muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a
prudência. Ao homem caridoso é fácil ser paciente e afável,
perdoar as ofensas que lhe fazem. A misericórdia é companheira
da bondade. Para uma alma elevada, o ódio e a vingança são
desconhecidos. Paira acima dos mesquinhos rancores, é do alto que observa
as coisas. Compreende que os agravos humanos são provenientes da ignorância
e por isso não se considera ultrajada nem guarda ressentimentos. Sabe
que perdoando, esquecendo as afrontas do próximo aniquila todo germe
de inimizade, afasta todo motivo de discórdia futura, tanto na Terra
como no espaço.
A caridade, a mansuetude e o perdão das injúrias tornam-nos invulneráveis,
insensíveis às vilanias e às perfídias: promovem
nosso desprendimento progressivo das vaidades terrestres e habituam-nos a elevar
nossas vistas para as coisas que não possam ser atingidas pela decepção.
Perdoar é o dever da alma que aspira à felicidade. Quantas vezes
nós mesmos temos necessidade desse per-dão? Quantas vezes não
o temos pedido? Perdoemos a fim de sermos perdoados, porque não poderíamos
obter aquilo que recusamos aos outros. Se desejamos vingar-nos, que isso se
faça com boas ações. Desarmamos o nosso inimigo desde que
lhe retribuímos o mal com o bem. Seu ódio transformar-se-á
em espanto e o espanto, em admiração. Despertando-lhe a consciência
obscurecida, tal lição pode produzir-lhe uma impressão
profunda. Por esse modo, talvez tenhamos, pelo esclarecimento, arrancado uma
alma à perversidade.
O único mal que devemos salientar e combater é o que se projeta
sobre a sociedade. Quando esse se apresenta sob a forma de hipocrisia, simulação
ou embuste, devemos desmascará-lo, porque outras pessoas poderiam sofrê-lo;
mas será bom guardarmos silêncio quanto ao mal que atinge nossos
únicos interesses ou nosso amor-próprio. A vingança, sob
todas as suas formas, o duelo, a guerra, são vestígios da selvageria,
herança de um mundo bárbaro e atrasado. Aquele que entreviu o
encadeamento grandioso das leis superiores, do princípio de justiça
cujos efeitos se repercutem através das idades, esse poderá pensar
em vingar-se?
Vingar-se é cometer duas faltas, dois crimes de uma só vez; é
tornar-se tão culpado quanto o ofensor. Quando nos atingirem o ultraje
ou a injustiça, imponhamos silêncio à nossa dignidade ofendida,
pensemos nesses a quem, num passado obscuro, nós mesmos lesamos, afrontamos,
espoliamos, e suportemos então a injúria presente como uma reparação.
Não percamos de vista o alvo da existência que tais acidentes poderiam
fazer-nos olvidar. Não abandonemos a estrada firme e reta; não
deixemos que a paixão nos faça escorregar pelos declives perigosos
que poderiam conduzir-nos à bestialidade; encaminhemo-nos com ânimo
robustecido. A vingança é uma loucura que nos faria perder o fruto
de muitos progressos, recuar pelo caminho percorrido.
Algum
dia, quando houvermos deixado a Terra, talvez abençoemos esses que foram
inflexíveis e intolerantes para conosco, que nos despojaram e nos cumularam
de desgostos; abençoá-los-emos porque das suas iniqüidades
surgiu nossa felicidade espiritual. Acreditavam fazer o mal e, entretanto, facilitaram,
nosso adiantamento, nossa elevação, fornecendo-nos a ocasião
de sofrer sem murmurar, de perdoar e de esquecer. A paciência é
a qualidade que nos ensina a suportar com calma todas as impertinências.
Consiste em extinguirmos toda sensação, tornando-nos indiferentes,
inertes para as coisas mundanas, procurando nos horizontes futuros as consolações
que nos levam a considerar fúteis e secundárias todas as tribulações
da vida material.
A paciência conduz à benevolência. Como se fossem espelhos,
as almas reenviam-nos o reflexo dos sentimentos que nos inspiram. A simpatia
produz o amor; a sobranceria origina a rispidez. Aprendamos a repreender com
doçura e, quando for necessário, aprendamos a discutir sem excitação,
a julgar todas as coisas com benevolência e moderação. Prefiramos
os colóquios úteis, as questões sérias, elevadas;
fujamos às dissertações frívolas e bem assim de
tudo o que apaixona e exalta. Acautelemo-nos da cólera, que é
o despertar de todos os instintos selvagens amortecidos pelo progresso e pela
civilização, ou, mesmo, uma reminiscência de nossas vidas
obscuras.
Em
todos os homens ainda subsiste uma parte de animalidade que deve ser por nós
dominada à força de energia, se não quisermos ser submetidos,
assenhoreados por ela. Quando nos encolerizamos, esses instintos adormecidos
despertam e o homem torna-se fera. Então, desaparece toda a dignidade,
todo o raciocínio, todo o respeito a si próprio. A cólera
cega-nos, faz-nos perder a consciência dos atos e, em seus furores, pode
induzir-nos ao crime. Está no caráter do homem prudente o possuir-se
sempre a si mesmo, e a cólera é um indício de pouca sociabilidade
e muito atraso. Aquele que for suscetível de exaltar-se, deverá
velar com cuidado as suas impressões, abafar em si o sentimento de personalidade,
evitar fazer ou resolver qualquer coisa quando estiver sob o império
dessa terrível paixão.
Esforcemo-nos por adquirir a bondade, qualidade inefável, auréola
da velhice, a bondade, doce foco onde se reaquecem todas as criaturas e cuja
posse vale essa homenagem de sentimentos oferecida pelos humildes e pelos pequenos
aos seus guias e protetores. A indulgência, a simpatia e a bondade apaziguam
os homens, congregando-os, dispondo-os a atender confiantes aos bons conselhos;
no entanto, a severidade dissuade-os e afugenta. A bondade permite-nos uma espécie
de autoridade moral sobre as almas, oferece-nos mais probabilidade de comovê-las,
de reconduzi-las ao bom caminho. Façamos, pois, dessa virtude um archote
com o auxílio do qual levaremos luz às inteligências mais
obscuras, tarefa delicada, mas que se tornará fácil com um sentimento
profundo de solidariedade, com um pouco de amor por nossos irmãos.
08 - Estude e Viva - André Luiz e Emmanuel - pág. 48, 84, 102
Troca
incessante
Todos estamos situados em extenso parque de oportunidades para trabalho, renovação,
desenvolvimento e melhoria. Dentre aquelas que segues no encalço, como
sendo as que te respondem às melhores aspirações, detém,
quanto possível, a oportunidade de auxiliar.
Tempo é comparável a solo. Serviço é plantação.
Ninguém vive deserdado da participação nas boas obras,
de vez que todos retemos sobras de valores específicos da existência.
Não somente disponibilidades de recursos materiais, mas também
de tempo, conhecimento, amizade, influência. Não percas por omissão.
«Colherás o que semeias», velha verdade sempre nova.
Em todos os lugares, há quem te espere a cooperação. Aparentemente
aqueles que te recorrem aos préstimos contam apenas com o apoio que lhes
é necessário, seja um gesto de amparo substancial, uma nota de
solidariedade, uma palavra de bom ânimo ou um aviso oportuno. Entretanto,
não é só isso. A vida é troca incessante. Aqueles
a quem proteges ser-te-ão protetores. Socorres o pequenino desfalecente;
é possível seja ele, mais tarde, o amigo prestimoso que te guarde
a cabeceira no dia da enfermidade. O transeunte anônimo a quem prestas
humilde favor pode ser em breve o elemento importante de que dependerás
na solução de um problema.
O poder do amor, porém, se projeta mais longe. Doentes que sustentaste,
nas fronteiras da morte, formarão entre os amigos que te assistem do
Plano Espiritual. E ainda mesmo o auxílio desinteressado que levaste
a corações empedernidos na delinquência, quando não
consigas tocá-los de pronto, te granjeará a colaboração
dos benfeitores que os amam, conquanto ignorados e desconhecidos .
Todos nós, os espíritos em evolução no educandário
do mundo, nos assemelhamos a viajores demandando eminências que nos conduzam
à definitiva sublimação. Ninguém na Terra efetua
viagem longa sem o auxílio de pontes, desde o viaduto imponente à
pinguela simples, para a travessia de barrancos, depressões, vales ou
abismos. Por mais regular se nos mostre a jornada, chega sempre o instante em
que precisaremos de alguém para transpor obstáculo ou perigo.
Construamos pontes de simpatia com o material da bondade. Hoje alguém
surge, diante de nós, suplicando apoio. Amanhã, diante de alguém,
surgiremos nós.
Nosso
concurso
Com efeito, o nosso concurso na obra do bem possui características marcantes:
É sempre oportuno.
Nunca se torna excessivo.
Apresenta valor específico.
Recebe beneplácito superior.
Demonstra-nos o desejo de acertar.
Constitui experiência sempre nova.
Mostra campo ilimitado de manifestação.
Não precisa impor nem condicionar.
Revela hoje o amanhã melhor.
Significa chamamento à cooperação dos outros.
Carreia o progresso.
Preenche-nos o tempo de maneira ideal.
Valoriza a vida de todos.
Sustenta o equilíbrio comum.
Constrói para sempre.
Estenda mão amiga às tarefas do bem anônimo, pois quem viaja
na Terra dá e recebe invariavelmente os dons da alegria ou os tóxicos
da tristeza que semeia por onde passa, na peregrinação para a
Vida Eterna.
Doações
espirituais
Feliz daquele que destaca uma parcela do que possui, a benefício dos
semelhantes! Bem-aventurado aquele que dá de si próprio! Através
de todos os filtros do bem, o amor é sempre o mesmo, mas, enquanto as
dádivas materiais, invariavelmente benditas, suprimem as exigências
exteriores, as doações de espírito interferem no íntimo,
dissipando as trevas que se acumulam no reino da alma. Dolorosa a tortura da
fome, terrível a calamidade moral.
Divide o teu pão com as vítimas da penúria, mas estende
fraternas mãos aos que vagueiam mendigando o esclarecimento e o consolo
que desconhecem. Não precisas procurá-los, de vez que te cercam
em todos os ângulos do caminho... São amigos e por vezes te ferem
com supostas atitudes de crueldade, quando apenas te esmolam conforto, comunicando-te,
em forma de intemperança mental, as chamas de sofrimento que lhes calcinam
os corações; categorizam-se por adversários e criam-te
problemas, não por serem perversos, mas porque lhes faltam ainda as luzes
do entendimento ; aparecem por pessoas entediadas, que dispõem de todas
as vantagens humanas para serem felizes, mas a quem falta uma voz verdadeiramente
amiga, capaz de induzi-las a descobrir a tranquilidade e a alegria, através
da sementeira das boas obras; surgem na figura de criaturas consideradas indesejáveis
e viciosas, cujo desequilíbrio nada mais é que a expectativa frustrada
do amparo afetivo que suplicaram em vão!...
Para atender aos que carecem de apoio físico, é preciso bondade;
no entanto, para arrimar os que sofrem necessidades da alma, é preciso
bondade com madureza. Se já percebes que nem todos estamos no mesmo
degrau evolutivo, auxilia com a tua palavra ou com o teu silêncio, ou
com o teu gesto ou com a tua decisão no plantio da união e da
concórdia, da esperança e do otimismo, no terreno em que
vives!...
Compreender e compreender para a sustentação da lavoura do bem
que se cobrirá de frutos para a felicidade geral. Não te digas
em solidão para fazer tanto... Refletindo em nossos deveres, ante as
doações espirituais, lembremo-nos de Jesus. Nos dias de fome da
turba inquieta, reunia-se o Divino Mestre com os amigos para beneficiar a milhares;
entretanto, na hora do extremo sacrifício, quando lhe cabia socorrer
as vítimas da ignorância e do ódio, da violência e
do fanatismo, ele sozinho fez o donativo de si mesmo, em favor de milhões.
Desportos
Se há esportes que auxiliam o corpo, há esportes que ajudam a
alma...
A marcha do dever retamente cumprido.
A regata de suor no trabalho.
O exercício do devotamento ao estudo.
O salto do esforço, acima dos obstáculos.
A maratona das boas obras.
O torneio da gentileza.
O mergulho no silêncio, diante da injúria.
O nado da paciência nas horas difíceis.
A ginástica da tolerância perante as ofensas.
O voo do pensamento às esferas superiores.
A demonstração de resistência moral nas provas de cada
dia.
Todos esses desportos do espírito podem ser praticados em todas as idades
e condições. E creia que qualquer campeonato num deles será
prêmio de luz em seu coração, a brilhar para sempre.
Acidentados
da alma
Compadeces-te dos caídos em moléstia ou desastre, que apresentam
no corpo comovedoras mutilações.
Inclina-te, porém, com igual compaixão para aqueles outros que
comparecem, diante de ti, por acidentados da alma, cujas lesões dolorosas
não aparecem. Além da posição de necessitados, pelas
chagas ocultas de que são portadores, quase sempre se mostram na
feição de companheiros menos atrativos e desejáveis.
Surgem pessoalmente bem-postos, estadeando exigências ou formulando complicações,
no entanto bastas vezes trazem o coração sob provas difíceis;
espancam-te a sensibilidade com palavras ferinas, contudo, em vários
lances da experiência, são feixes de nervos destrambelhados
que a doença consome; revelam-se na condição de amigos,
supostos ingratos, que nos deixam em abandono, nas horas
de crise, mas, em muitos casos, são enfermos de espírito, que
se enviscam, inconscientes, nas tramas da obsessão; acolhem-te o
carinho com manifestações de aspereza, todavia, estarão
provavelmente agitados pelo fogo do desespero, lembrando árvores
benfeitoras quando a praga as dizima; são delinquentes e constrangem-te
a profundo desgosto, pelo comportamento incorreto; no entanto, em múltiplas
circunstâncias, são almas nobres tombadas em tentação,
para as quais já existe bastante angústia na cabeça atormentada
que o remorso atenaza e a dor suplicia...
Não te digo que aproves o mal, sob a alegação de resguardar
a bondade. A retificação permanece na ordem e na segurança
da vida, tanto quanto vige o remédio na defesa e sustentação
da saúde. Age, porém, diante dos acidentados da alma, com a prudência
e a piedade do enfermeiro que socorre a contusão, sem alargar a ferida.
Restaurar sem destruir. Emendar sem proscrever. Não ignorar que
os irmãos transviados se encontram encarcerados em labirintos de sombra,
sendo necessário garantir-lhes uma saída adequada.
Em qualquer processo de reajuste, recordemos Jesus que, a ensinar servindo e
a corrigir amando, declarou não ter vindo à Terra para curar os
sãos.
Aspectos da dor
Os soluços de dor são compreensíveis até o ponto
em que não atingem a fermentação da revolta, porque,
depois disso, se convertem todos eles em censura infeliz aos planos do Céu.
A enfermidade jamais erra o endereço para as suas visitas. As lágrimas,
em verdade, são iguais às palavras. Nenhuma existe destituída
de significação.
Somente chega a entender a vida quem compreende a dor. A evolução regula também o sofrimento das criaturas e nelas se evidencia mais superficial ou mais profunda, conforme o aprimoramento de cada uma.
Se você pretende vencer, não menospreze a possibilidade de amargar, algumas vezes, a aflição da derrota como lição no caminho para o triunfo. Aprende melhor quem aceita a escola da provação, porquanto, sem ela, os valores da experiência permaneceriam ignorados. A dor não provém de Deus, de vez que, segundo a Lei, ela é uma criação de que a sofre.
12 - O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos
- pág. 21, 183
SIMPATIA
E BONDADE
Gap. IX — Item 7
No plano infinito da Criação jamais encontraremos alguém
que prescinda de dois derivados naturais do amor: a simpatia e a bondade.
A árvore frondosa e plena de vigor solicita o apoio do Sol e a solicitude
do vento para conservar-se e estender as suas propriedades vitais. O animal,
por mais inferior na escala dos seres, requer o carinho e a ternura da Terra,
a fim de manter as próprias funções e aperfeiçoar
o seu modo de ser, no meio em que se desenvolve. A criança e o jovem,
a mulher e o homem, tornam-se enfermiços e infelizes, se não recebem
o calor da bondade e da simpatia por alimento providencial na sustentação
do equilíbrio e da saúde, da esperança e da paz que lhes
são indispensáveis no esforço de cada dia.
Procura, pois, revestir as próprias manifestações, perante
aqueles que te rodeiam, com os recursos da simpatia que ajuda e compreende,
e da bondade que concede e perdoa, ampliando a misericórdia no mundo
e fortalecendo a fraternidade entre todas as criaturas. Enriquece com o teu
entendimento o patrimônio afetivo do companheiro e o companheiro auxílios
originais e incessantes.
Envolve em tua generosidade fraterna a alma infeliz e desajustada, e nela descobrirás
imprevistas nuanças do amor. Não desprezes a simpatia e a bondade
ante as lutas alheias e a bondade e a simpatia nos outros abençoar-te-ão
toda a vida.
emmanuel
BENEFÍCIO
OCULTO
Gap. XIII — Item 3
"Não saiba vossa mão esquerda o que oferece a direita"
é a lição de Jesus que constantemente nos sugere a sementeira
do bem oculto. Entretanto, é preciso lembrar que se "nem só
de pão vive o homem", não se alimenta a virtude tão-somente
de recursos materiais. Acima do benefício que se esconde para ser mais
seguro no campo físico, de modo a que se não firam corpos doentes
e bocas famintas pêlos acúleos da ostentação, prevalece
o amparo mudo às necessidades do sentimento, na esfera do espírito,
a fim de que os tóxicos da maldade e os desastres do escândalo
não arrasem experiências preciosas com o fogo da imprevidência.
Se percebeste no companheiro as escamas do orgulho ou da rebeldia, envolve-o
no clima da humildade, socorrendo-lhe a sede imanifesta de auxílio,
e se presenciaste a queda de alguém, no caminho em que jornadeias, alonga-lhe
os braços de irmão, para que se levante, sem exagerar-lhe os desajustes
com a referência insensata.
Se um amigo aparece errado aos teus olhos, cala o verbo contundente da crítica,
ajudando-o com a bênção da prece, e se o próximo
surge desorientado e infeliz, em teus passos, oferta-lhe o favor do silêncio,
para que se reequilibre e restaure.
Não vale encarecer cicatrizes e imperfeições, a pretexto de apagá-las no corpo das horas, porquanto leve chaga, tratada com desamor, é sempre ferida a cronificar-se no tempo. Distribui, desse modo, a beneficência do agasalho e do pão, evitando humilhar quem te recolhe os gestos de providência e carinho; contudo, não olvides estender a caridade do pensamento e da língua, para que o bálsamo do perdão anule o veneno do ódio e para que a força do esquecimento extinga as sombras de todo mal.
Emmanuel
13 - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - cap. XIII
FAZER
O BEM SEM OSTENTAÇÃO
1. Guardai-vos, não façais as vossas boas obras diante dos homens,
com o fim de seres vistos por eles; de outra sorte não- tereis a recompensa
da mão de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, derdes
esmola, não façais tocar a trombeta diante de vós, como
praticam os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem honrados
dos homens; em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa.
Mas, quando derdes esmola, não saiba a vossa esquerda o que faz a vossa
direita; para que a vossa esmola fique escondida, e vosso Pai, que vê
o que fazeis em segredo, vos pagará. (Mateus, VI: 1-4.)
2. E depois que Jesus desceu do monte, foi muita a gente do povo que o seguiu.
E eis que, vindo um leproso, o adorava dizendo: Se tu queres, Senhor, bem me
podes limpar. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o dizendo: Pois eu quero;
fica limpo. E logo ficou limpa toda a sua lepra. Então lhe disse Jesus:
Vê, não o digas a alguém; mas vai, mostra-te aos sacerdotes,
e faze a oferta que ordenou Moisés, para lhes servir de testemunho a
eles. (Mateus, VIII: 1-4.)
3. Fazer o bem sem ostentação tem grande mérito. Esconder
a mão que dá é ainda mais meritório, e o sinal incontestável
de uma grande superioridade moral. Porque, para ver as coisas de mais alto que
o vulgo, é necessário fazer abstração da vida presente
e identificar-se com a vida futura. É necessário, numa palavra,
colocar-se acima da Humanidade, para renunciar à satisfação
do testemunho dos homens e esperar a aprovação de Deus. Aquele
que preza mais a aprovação dos homens que a de Deus, prova que
tem mais fé nos homens que em Deus, e que a vida presente é para
ele mais do que a vida futura, ou até mesmo que não crê
na vida futura. Se ele diz o contrário, age, entretanto, como se não
acreditasse no que diz.
Quantos há que só fazem um benefício com a esperança
de que o beneficiado o proclame sobre os telhados; que darão uma grande
soma à luz do dia, mas escondido não dariam sequer uma moeda!
Foi por isso que Jesus disse: "Os que fazem o bem com ostentação
já receberam a sua recompensa." Com efeito, aquele que busca a sua
glorificação na terra, pelo bem que faz, já se pagou a
si mesmo. Deus não lhe deve nada; só lhe resta receber a punição
do seu orgulho.
Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita é uma
figura que caracteriza admiravelmente a beneficência modesta. Mas, se
existe a modéstia real, também existe a falsa modéstia,
o simulacro da modéstia, pois há pessoas que escondem a mão,
tendo o cuidado de deixar perceber que o fazem. Indigna paródia das máximas
do Cristo! Se os benfeitores orgulhosos são depreciados pêlos homens,
que não lhes acontecerá perante Deus? Eles também já
receberam a sua recompensa na terra. Foram vistos; estão satisfeitos
de terem sido vistos; é tudo quanto terão.
Qual será então a recompensa do que faz pesar os seus benefícios
sobre o beneficiado, que lhe exige de qualquer maneira testemunhos de reconhecimento,
que lhe faz sentir a sua posição ao exaltar o preço dos
sacrifícios que suportou por ele? Oh! para esse, não há
nem mesmo a recompensa terrena, porque está privado da doce satisfação
de ouvir bendizerem o seu nome, o que é um primeiro castigo para o seu
orgulho. As lágrimas que estanca, em proveito da sua vaidade, em lugar
de subiíem ao céu, recaem sobre o coração do aflito
para ulcerá-lo. O bem que faz não lhe aproveita, desde que o censura,
porque todo benefício exprobrado é moeda alterada que perdeu o
valor.
O benefício sem ostentação tem duplo mérito: além
da caridade material, constitui caridade moral, pois contorna a suscetibilidade
do beneficiado, fazendo-o aceitar o obséquio sem lhe ferir o amor-próprio
e salvaguardando a sua dignidade humana, pois há quem aceite um serviço,
mas recusa a esmola. Converter um serviço em esmola, pela maneira por
que é prestado, é humilhar o que o recebe, e há sempre
orgulho e maldade em humilhar a alguém. A verdadeira caridade, ao contrário,
é delicada e habilidosa para dissimular o benefício e evitar até
as menores possibilidades de melindre, porque todo choque moral aumenta o sofrimento
provocado pela necessidade.
Ela sabe encontrar palavras doces e afáveis, que põem o beneficiado à vontade diante do benfeitor, enquanto a caridade orgulhosa o humilha. O sublime da verdadeira generosidade está em saber o benfeitor inverter os papéis encontrando um meio de parecer ele mesmo agradecido àquele a quem presta o serviço. Eis o que querem dizer estas palavras: Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita.
14 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 13, 55, 98, 107, 108
Perg. 13 - Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos? -Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abrangertudo; mas ficai sabendo que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e para as quais a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e às vossas sensações, não dispõe de expressões. A razão vos diz que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, pois se tivesse uma de menos, ou que não fosse em grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito a vicissitudes e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação é capaz de conceber.
Perg. 55 - Todos os globos que circulam no espaço são habitados? - Sim, e o homem terreno está longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Crê em que Deus criou o Universo somente para eles.
Perg. 98 - Os Espíritos da segunda ordem só tem o desejo do bem, ou terão também o poder de o fazer? - Eles tem esse poder, de acordo com o grau de sua perfeição. Uns possuem a ciência; outros a sabedoria e a bondade. Todos, entretanto, ainda têm provas a sofrer.
Perg. 107 - Caracteres Gerais: Predomínio do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e seu poder de fazer o bem estão na razão do grau que atingiram: uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade; os mais adiantados juntam ao seu saber as qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, segundo sua ordem, os traços da existência corpórea, seja na linguagem, seja nos hábitos, nos quais se encontram até mesmo algumas de suas manias. Se não fosse assim seriam Espíritos perfeitos.
21 - TRILHA DE LUZ - EMMANUEL - PÁG. 53
SEJAMOS BONS
Não te aflijas com a perspectiva da perfeição de um dia para outro. As tarefas redentoras desconhecem o improviso.
Ergue-se
a casa, tijolo a tijolo.
Forma-se o rio, gota a gota.
Constitue-se o tecido, fio a fio.
O Mestre, por isso mesmo, não espera do discípulo prodígios de santidade, num simples momento, de vez que a virtude não é flor ilusória no jardim sublimado da alma. Entretanto, se não podermos realizar o aprimoramento numa hora, devemos aprender a lição de bondade, dia a dia.
Sejamos bons para com aqueles que a Divina Bondade situou em nossos próprios passos, auxiliando-os na senda de elevação. Sejamos bons para com os que caíram na margem de nossa própria estrada, oferecendo-lhes o toque da nossa amizade ou encorajando-lhes o reerguimento com o sorriso de nossa compreensão.
Sejamos bons para com as vítimas da maldade, amparando-as sem ruído para que a maledicência emudeça e para que a calúnia imobilize as garras de treva. Sejamos bons para com os fracos que não podem ainda caminhar sem a neurastenia, sem a queixa e sem a lágrima, sustentanto-lhes o coração com os nossos braços fraternos.
Por onde passamos há sempre alguém que espera um pouco de carinho a fim de restaurar-se. Na harmonia da natureza a flor estende o perfume, a ave carreia a música, a fonte desliza servindo e a árvore produz reconforto e alegria exaltando o sol que mergulha na Terra em ondas ilimitadas de luz.
Por nossa vez ofereçamos a bondade a quem passa por nós ou a quem respira conosco e estaremos louvando a Infinita Bondade do Pai Celestial que, em todos os ângulos da vida, nos envolve em suas Bênçãos de Amor.
LEMBRETE:
1° - A bondade não endossa a preguiça, nem suprime o valor da necessidade de luta, na evolução das almas. Humberto de Campos
2° - A bondade é o amor que se desenvolve. João de Brito
3° - A bondade é o princípio da elevação. Mariano J. P. da Fonseca
4° - Onde luzir o verbo da bondade que auxilia e educa, aí se reflete, magnânima, a voz da Providência. André de Cristo
5° - Bondade que ignora é assim como o poço amigo em plena sombra, a dessedentar o viajor sem ensinar-lhe o caminho. Emmanuel
6°
-
Vê-se a miséria desditosa
Perambulando numa praça;
Sob o seu manto de desgraça
Clama o infortúnio abrasador.
Eis
que a Fortuna se lhe esconde;
E passa o gozo, muito ao largo;
E ela chora, ao gosto amargo,
O seu destino, a sua dor.
Mas
eis que alguém a reconforta:
É a Bondade. Abre-lhe a porta!
E a fada, à luz dessa manhã,
Diz-lhes,
a sorrir: -Tens frio e fome?
Pouco te importe qual meu nome,
Chega-te a mim: sou tua irmã.
João de Deus
7° - (...) A bondade também é força, e a mais poderosa e fecunda de todas, porque é força que constrói, é força que edifica. É com ela que removeremos os obstáculos e as pedras de tropeço do caminho da nossa evolução, na conquista de todos os bens, na escalada às regiões luminosas onde a Vida é eterna, e o amor, sem restrições nem intermitências, reina em todas as almas (...) Vinícius
Edivaldo