COMPAIXÃO |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- As aves feridas na Terra voam - pág. 51, 80 | 02 - Ceifa de luz - pág. 69 |
| 03 - Contos e apólogos - pág. 165 | 04 - Convites da vida - pág. 29 |
| 05 - Encontro marcado - pág. 76, 138 | 06 - Escrínio de luz - pág. 203 |
| 07 - Estude e viva - pág. 102 | 08 - Florações evangélicas - pág. 205 |
| 09 - Jesus no Lar - pág. 179 | 10 - Justiça Divina - pág. 114 |
| 11 - Livro da esperança - pág. 101, 103 | 12 - Minha doce casa espírita - pág. 34 |
| 13 - O Espírito da Verdade - pág. 219 | 14 - O Evangelho Seg. o Espiritismo - cap. XIII, 13 |
| 15 - Oferenda - pág. 116 | 16 - Poetas redivivos - pág. 153 |
| 17 - Religião dos Espíritos - pág. 191 | 18 - Repositório de sabedoria - pág. 96 |
| 19 - Sexo e Evolução - pág. 91 | 20 - Vinhas de Luz - pág. 23 |
| 21 - Inspiração - pág. 56 | |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
COMPAIXÃO – COMPILAÇÃO
01 - AS AVES FERIDAS NA TERRA VOAM - NANCY P.D. GIROLAMO - ÍTEM X - ÔJE - O LOIRINHO BAIANO
Seu
nome era Ôje, pronunciado em paroxítono. Não sabemos se
alguém lhe deu esse nome, ou se foi ele mesmo que o escolheu do fundo
do seu pensamento preso. Veio do Nordeste em "pau de arara". Entre
duas dezenas de gente ele foi incluído, não se sabe por quem.
Magrinho e calado, tão mal vestido como os outros meninos de sua idade
— teria seis ou nove anos? — passou despercebido. No caminho lhe
deram pedaços de pão amanhecido. Cada um dos adultos, a maioria
homens, pensava que ele era do outro. Foi assim que chegou a São Paulo.
E só então, na divisão das pessoas, percebeu-se que ele
não estava com ninguém, não era de nenhum, e nem sequer
alguém o conhecia. Uma "polícia feminina" tentou interrogá-lo,
sem resultado. Levou-o a um assistente social, a um comissário de menores,
a... Não adiantou. Ele não dizia nada. Olhava o ar comose estivesse
vazio por fora e por dentro. Não fixava as pessoas. Tudo lhe parecia
indiferente, até o alimento que mastigava como se fosse um "robô"
e isso após longos intervalos de jejum. Só reagia — e negativamente
— quando era tocado, como se sua pele quisesse ficar só para ele
e se sentisse ofendida ou maculada pelos contatos. Foi assim que o conhecemos
quando foi levado para o Centro de Reabilitação onde trabalhávamos.
Embora de procedência baiana, depois de lavado e escovado, viu-se que
era loiro, lembrando os invasores holandeses do Brasil nascente. Perguntamos:
— Qual o seu nome? Sem resposta. Tentamos chamá-lo: João!
Pedro! António! Nada. Cortamos, com grande dificuldade, seus cabelos
loiros embaraçados. Ficou de "franjinha" e viu-se que era bonito.—
Será mais bonito ainda quando conseguirmos que seu olhar marrom deixe
de ficar curto e vago. Foi o que pensamos.
As pessoas, principalmente as crianças, são difíceis de
ser compreendidas, mas é pelo olhar que podemos saber — não
"como são" mas "como estão" naquele momento.
O excepcional, ou os que agem como tal por motivos vários, apresentam
seu grau de "status" interior pela expressividade do olhar. No Evangelho
de Mateus 7:22 é dito o seguinte: "A candeia do corpo são
os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons todo o teu corpo terá
luz". Depois de bem examinado pela nossa equipe de reabilitação,
o prontuário deste menino se resumiu em observações exteriores.
Ele não se abriu para ninguém. Um resumo em linguagem popular
seria este: Não era surdo, nem mudo, nem cego, mas estava trancado em
si mesmo... Houve um diagnóstico, até complicado, e um prognóstico
"reservado", o que é sempre um desafio. No dia seguinte ao
de sua chegada, já foi colocado no programa de Desenvolvimento Integral
de Possibilidades, que é, em suma, um ambiente de oportunidades e motivações.
Fisioterapeuta, Psicólogo, Fonoaudiólogo, Terapeuta Ocupacional
nada conseguiram. Na sala de socioterapia, cheia de miniaturas ligadas à
vida social, nada o interessou. Entretanto, uma tarde, quinze dias após
sua chegada, estando no escritório, percebemos que o loirinho baiano
passava pelo corredor no seu andar vago como folha ao vento. E, como se o vento
atendesse a uma predestinação, o menino entrou na nossa sala e
parou em nossa frente. De repente, o telefone tocou. íamos atender quando
estacamos surpreendidos. O loirinho estremecera ao som do telefone. Tivemos
a impressão subjetiva de que ele agia como quem esperasse um telefonema,
uma chamada exatamente para ele. Tocou de novo. Agora o menino olhava fixa e
diretamente o aparelho preto.
Terceiro sinal. Pegamos o fone e o colocamos em posição de atendimento
sobre o ouvido do garoto. Com as duas mãos, suas próprias mãos,
ele segurou fortemente o telefone e, como se respondesse a alguém, falou
sua primeira e única palavra, num som que saiu como que do fundo de um
túnel: Ôje. Pegamos aquele fiozinho de abertura solto de dentro
para fora e não o largamos mais. Repetimos muitas vezes: Ôje! Ôje!,
tentando uma integração olho no olho e, naquele mesmo dia, isso
começou a ser conseguido. O baiano loirinho passou a responder à
palavra mágica e, desde então, todos ficaram sabendo que o seu
nome era Ôje. O estranho é que ele mesmo nunca mais falou durante
os dois anos em que esteve na Terra conosco. Mas sempre respondeu "Ôje"
como se esse fosse o seu nome.
— Ôje, venha almoçar.— Ôje, é hora de
ginástica.— Ôje, vamos passear. Realmente ele ficou lindo
quando seu olhar marrom conseguiu acompanhar o movimento dos objetos e mergulhar
nos olhos das outras pessoas. Desde que teve um nome, aprendeu muitas coisas.
Aceitou o manuseio e manifestou a alegria pelo sorriso. Chegou a bater palmas
e a participar de jogos junto com outras crianças. Executou exercícios
de forma ativa, o que não pensávamos lhe ser possível.
Aprendeu a receber bem os abraços, e depois começou a retribuí-los.
Ficou forte e corado. Parecia feliz, mas quando estava em seu melhor momento
de saúde e receptividade, ficou doente e, em três dias, saiu do
corpo, regressando à pátria dos espíritos.
Nos últimos segundos de vida corporal, na respiração profunda
de despedida, tentamos ouvir algum som, mas ele nada disse. Abriu bem os olhos
numa expressão luminosa, e depois, lentamente, cerrou as pálpebras.
Nós é que ficamos falando: — Boa viagem, Ôje. Boa
Viagem! Relembrando essa pequena história de vida, ocorre-nos associar
a sua palavra mágica à conotação daquela outra palavra
que, como som, é a mesma: Hoje. Vem ao nosso pensamento, dentro da saudade
do loirinho baiano, a importância da hora presente, do minuto de vivência,
da oportunidade do "agora", a significação que pode
ter a mensagem das coisas, assim como o som do telefone para o garoto que tirou
do fundo de seu pensamento a sua identificação. Talvez tivesse
havido apenas uma tentativa de repetir a expressão baiana "ôche",
ou o início de uma palavra inacabada, ou simplesmente um som sem sentido
algum. O importante é que desse som nasceu o laço pessoal, afetivo,
individual, que permitiu marcar a sua passagem consciente por mais uma experiência
de vida na Terra.
Excepcionais como o pequeno Ôje, com incalculável esforço,
chegam a perfurar uma brecha em meio à escuridão de um caminho
fechado para canalizar uma preciosa gota de comunicação, enquanto
nós, os libertos para a interprenetração em tudo o que
Deus criou para mútuo burilamento, usamos e abusamos da palavra e da
ação livres para, muitas vezes, confundir coisas e desperdiçar
tempo. Cada vez mais certos de que temos muito a aprender com os "excepcionais",
agradecemos ao loirinho baiano por nos ter dito o seu nome, o que nos permite
extrapolar para uma verdade filosófica de grande alcance pragmático:
a de que nosso verdadeiro,no dinamismo das mudanças, está sempre
no "Hoje",no que fazemos em cada segundo de vida, porque só
o "Hoje" realmente nos pertence, para nele construirmos o que quisermos;
só ele nos identifica, e essa identidade é grande ou pequena,
boa ou má, na medida em que nele nos movemos e nele nos transformamos.
07 - ESTUDE E VIVA - EMMANUEL E ANDRÉ LUIZ - ACIDENTADOS DA ALMA - PÁG.102
Acidentados
da alma:
Compadeces-te dos caídos em moléstia ou desastre, que apresentam
no corpo comovedoras mutilações. Inclina-te, porém, com
igual compaixão para aqueles outros que comparecem, diante de ti, por
acidentados da alma, cujas lesões dolorosas não aparecem. Além
da posição de necessitados, pelas chagas ocultas de que são
portadores, quase sempre se mostram na feição de companheiros
menos atrativos e desejáveis. Surgem pessoalmente bem-postos, estadeando
exigências ou formulando complicações, no entanto bastas
vezes trazem o coração sob provas difíceis; espancam-te
a sensibilidade com palavras ferinas, contudo, em vários lances da experiência,
são feixes de nervos destrambelhados que a doença consome; revelam-se
na condição de amigos, supostos ingratos, que nos deixam em abandono,
nas horas de crise, mas, em muitos casos, são enfermos de espírito,
que se enviscam, inconscientes, nas tramas da obsessão; acolhem-te o
carinho com manifestações de aspereza, todavia, estarão
provavelmente agitados pelo fogo do desespero, lembrando árvores benfeitoras
quando a praga as dizima; são delinquentes e constrangem-te a profundo
desgosto, pelo comportamento incorreto; no entanto, em múltiplas circunstâncias,
são almas nobres tombadas em tentação, para as quais já
existe bastante angústia na cabeça atormentada que o remorso atenaza
e a dor suplicia...
Não te digo que aproves o mal, sob a alegação de resguardar
a bondade. A retificação permanece na ordem e na segurança
da vida, tanto quanto vige o remédio na defesa e sustentação
da saúde. Age, porém, diante dos acidentados da alma, com a prudência
e a piedade do enfermeiro que socorre a contusão, sem alargar a ferida.
Restaurar sem destruir. Emendar sem proscrever. Não ignorar que os irmãos
transviados se encontram encarcerados em labirintos de sombra, sendo necessário
garantir-lhes uma saída adequada. Em qualquer processo de reajuste, recordemos
Jesus que, a ensinar servindo e a corrigir amando, declarou não ter vindo
à Terra para curar os sãos. Aspectos da
dor: Os soluços de dor são compreensíveis até
o ponto em que não atingem a fermentação da revolta, porque,
depois disso, se convertem todos eles em censura infeliz aos planos do Céu.
A enfermidade jamais erra o endereço para as suas visitas. As lágrimas,
em verdade, são iguais às palavras. Nenhuma existe destituída
de significação. Somente chega a entender a vida quem compreende
a dor. A evolução regula também o sofrimento das criaturas
e nelas se evidencia mais superficial ou mais profunda, conforme o aprimoramento
de cada uma. Se você pretende vencer, não menospreze a possibilidade
de amargar, algumas vezes, a aflição da derrota como lição
no caminho para o triunfo. Aprende melhor quem aceita a escola da provação,
porquanto, sem ela, os valores da experiência permaneceriam ignorados.
A dor não provém de Deus, de vez que, segundo a Lei, ela é
uma criação de quem a sofre.
09- JESUS NO LAR - NÉIO LUCIO - ÍTEM 42 - A MENSAGEM DE COMPAIXÃO - PÁG. 179
A
mensagem da compaixão:
Dentro da noite clara, a assembléia familiar em casa de Pedro centralizara-se
no exame das dificuldades no trato com as pessoas. Como estender os valores
da Boa Nova? como instalar o mesmo dom e a mesma bênção
em mentalidades diversas entre si? Findo o longo debate fraternal, em que Jesus
se mantivera em pesado silêncio, João perguntou-lhe, preocupado:—
Senhor, que fazer diante da calúnia que nos dilacera o coração?—
Tem piedade do caluniador e trabalha no bem de todos — respondeu o Celeste
Mentor, sorrindo —, porque o amor desfaz as trevas do mal e o serviço
destrói a idéia desrespeitosa.— Mestre — ajuntou Tiago,
filho de Zebedeu —, e como agir perante aquele que nos ataca, brutalmente
?— Um homem que se conduz pela violência — acentuou o Cristo,
bondoso —, deve estar louco ou envenenado. Auxiliemo-lo a refazer-se.—
Senhor — aduziu Judas, mostrando os olhos esfogueados —, e quando
o homem que nos ofende se reveste de autoridade respeitável, qual seja
a dum príncipe ou dum sacerdote, com todas as aparências do ordenador
consciente e normal?— A serpente pode ocultar-se num ramo de flores e
há vermes que se habituam nos frutos de bela apresentação.
O homem de elevada categoria que se revele violento e cruel é enfermo,
ainda assim. Compadece-te dele, porque dorme num pesadelo de escuras ilusões,
da qual será constrangido a despertar, um dia. Ampara-o como puderes
e marcha em teu caminho, agindo na felicidade comum.— Mestre, e quando
a nossa casa é atormentada por um crime? como procederei diante daquele
que me atraiçoa a confiança, que me desonra o nome ou me ensanguenta
o lar?
— Apiada-te do delinquente de qualquer classe — elucidou Jesus —
e não desejes violar a Lei que o próximo desrespeitou, porque
o perseguidor e o criminoso de todas as situações carrega consigo
abrasadora fogueira. Uma falta não resgata outra falta e o sangue não
lava sangue. Perdoa e ajuda. O tempo está encarregado de retribuir a
cada criatura, de acordo com o seu esforço.— Mestre — atalhou
Bartolomeu —, que fazer do juiz que nos condena com parcialidade?—
Tem compaixão dele e continua cooperando no bem de todos os que te cercam.
Há sempre um juiz mais alto, analisando aqueles que censuram ou amaldiçoam
e, além de um horizonte, outros horizontes se desdobram, mais dilatados
e luminosos.— Senhor — indagou Tadeu —, como proceder diante
da mulher que amamos, quando se entrega às quedas morais? Jesus fitou-o,
com brandura, e inquiriu, por sua vez:— Os sofrimentos íntimos
que a dilaceram, dia e noite, não constituirão, por si só,
aflitiva punição? Fêz-se balsâmico silêncio
no círculo doméstico e, logo ao perceber que os aprendizes haviam
cessado as interrogações, o Senhor concluiu:— Se pretendemos
banir os males do mundo, cultivemos o amor que se compadece no serviço
que constrói para a felicidade de todos. Ninguém se engane. As
horas são inflexíveis instrumentos da Lei que distribui a cada
um, segundo as suas obras. Ninguém procure satíar um crime, praticando
outros crimes, porque o tempo tudo transforma na Terra, operando com as labaredas
do sofrimento ou com o gelo da morte.
10 - JUSTIÇA DIVINA - EMMANUEL - DOENÇAS DA ALMA - PÁG. 113
DOENÇAS
DA ALMA - REUNIÃO PÚBLICA DE 7.8.61 - 1ª. PARTE. CAP. VII,
ÍTEM 7:
Na forja moral da luta em que temperas o caráter e purificas o sentimento,
é possível acredites estejas sempre no trato de pessoas normais,
simplesmente porque se mostrem com a ficha de sanidade física. Entretanto,
é preciso pensar que as moléstias do espírito também
se contam. O companheiro que te fala, aparentemente tranquilo, talvez guarde
no peito a lâmina esbraseada de terrível desilusão. A irmã
que te recebe, sorrindo, provavelmente carrega o coração ensopado
de lágrimas. Surpreendeste amigos de olhos calmos e frases doces, dando-te
a impressão de controle perfeito, que soubeste, mais tarde, estarem caminhando
na direção da loucura. Enxergaste outros, promovendo festas e
estadeando poder, a escorregarem, logo após, no engodo da delinquência.
É que as enfermidades do espírito atormentam as forças
da criatura, em processos de corrosão inacessíveis à diagnose
terrestre. Aqui, o egoísmo sombreia a visão; ali, o ódio
empeçonha o cérebro; acolá, o desespero mentaliza fantasmas;
adiante, o ciúme converte a palavra em látego de morte. . . Não
observes os semelhantes pelo caleidoscópio das aparências.
É necessário reconhecer que todos nós, espíritos
encarnados e desencarnados em serviço na Terra, ante o volume dos débitos
que contraímos nas existências passadas, somos doentes em laboriosa
restauração. O mundo não é apenas a escola, mas
também o hospital em que sanamos desequilíbrios recidivantes,
nas reencarnações regenerativas, através do sofrimento
e do suor, a funcionarem por medicação compulsória. Deixa,
assim, que a compaixão retifique em ti próprio os velhos males
que toleras nos outros.
Se alguém te fere ou desgosta, debita-lhe o gesto menos feliz à
conta da moléstia obscura de que ainda se faz portador. Se cada pessoa
ofendida pudesse ouvir a voz inarticulada do Céu, no instante em que
se vê golpeada, escutaria, de pronto, o apelo da Misericórdia Divina:
«Compadece-te!» Todos somos enfermos pedindo alta. Compadeçamo-nos
uns dos outros, a fim de que saibamos auxiliar. E mesmo que te vejas na obrigação
de corrigir alguém — pelas reações dolorosas das
doenças da alma que ainda trazemos — , compadece-te mil vezes antes
de examinar uma só.
13 - O ESPÍRITO DA VERDADE - ÍTEM 96 - SÊ
COMPASSIVO - CAIRBAR SCHUTEL - PÁG. 219
ÍTEM
96 - SÊ COMPASSIVO - Cap. XIII — Item 17:
Sem compaixão não há caridade. As lágrimas vertidas
ao calor vívido da piedade corroem as densas cadeias da provação.
Desterremos de nós a insensibilidade crua diante das telas de angústia
que se desenrolam em nossa estrada. A piedade é a simpatia espontânea
e desinteressada que se antepõe à antipatia gratuita ou despeitosa.
Ela deve induzir-nos à prática do socorro moral e material, junto
daqueles que no-la despertam, sem o que se torna infrutífera. Quando
o sofrimento alheio não nos sensibiliza, a Orientação Divina
estatui venhamos a experimentá-lo igualmente para avaliar a dor do próximo
e nos predispormos a ampará-lo. Só a piedade consoladora traz
alegria ao espírito, criando elevação e valor. Fujamos
à compaixão aparente que se manifesta em lágrimas de crocodilo,
gestos e exclamações pomposas, nos cenários artificiais
do fingimento. Mede-se a comiseração pelo devotamento e solicitude
fraternais que promove. Deve-se-lhe o despovoamento gradativo das zonas de purgação
moral da Espiritualidade.
Deixa-te enternecer ante os painéis comovedores das crises de pranto,
vezes e vezes temperadas em sangue e suor; contudo, não te detenhas aí:
busca dirimi-las. Perlustra as vielas ínvias da necessidade e beneficia
as almas que se agitam em desespero, dentro da jaula do próprio corpo.
Tem dó, não apenas dos quadros gritantes de falência íntima,
mas também dos padecimentos mascarados de silêncio e de orgulho,
ingenuidade e inexperiência. Inunda de amor os corações
mantidos sob o vácuo do tédio. Protege a infância desvalida,
pois os pequenos viajores da carne carecem de guias. Favorece com a moeda e
abençoa com a palavra os pedintes andrajosos somente acariciados pelos
cães que vagueiam nas ruas. E na certeza de que a piedade sincera jamais
expressa covardia a derruir o bem, nem ridículo a excitar o riso alheio,
acatemo-la como força de renovação das almas e luz interior
da Verdadeira Vida, eternizada por Deus. Sê compassivo.
14 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAP. XIII, 13
13.
Chamo-me Caridade, sou o caminho principal que conduz a Deus; segui-me, porque
eu sou a meta a que vós todos deveis visar. Fiz nesta manhã o
meu passeio habitual, e com o coração magoado venho dizer-vos:
Oh! meus amigos, quantas misérias, quantas lágrimas, e quanto
tendes de fazer para secá-las todas! Inutilmente tentei consolar as pobres
mães, dizendo-lhes ao ouvido: Coragem! Há corações
bondosos que velam por vós, que não vos abandonarão; paciência!
Deus existe, e vós sois as suas amadas, as suas eleitas. Elas pareciam
ouvir-me e voltavam para mim os seus grandes olhos assustados. Eu lia em seus
pobres semblantes que o corpo, esse tirano do Espírito, tinha fome, e
que, se as minhas palavras lhes tranquilizavam um pouco o coração,
não lhes saciavam o estômago. Então eu repetia: Coragem!
Coragem! E uma pobre mãe, muito jovem, que amamentava uma criancinha,
tomou-a nos braços e ergueu-a no espaço vazio, como para me rogar
que protegesse aquele pobre e pequeno ser, que só encontrava num seio
estéril alimento insuficiente.
Mais adiante, meus amigos, vi pobres velhos sem trabalho e logo sem abrigo,
atormentados por todos os sofrimentos da necessidade, e envergonhados de sua
miséria, não se atrevendo, eles que jamais mendigaram, a implorar
a piedade dos passantes. Coração empolgado de compaixão,
eu, que nada tenho, me fiz mendiga para eles, e vou para toda a parte estimular
a beneficência, inspirar bons pensamentos aos corações generosos
e compassivos. Eis por que "venho até vós, meus amigos, e
vos digo: Lá embaixo há infelizes, cuja cesta está sem
pão, a lareira sem fogo, o leito sem cobertas. Nào vos digo o
que deveis fazer; deixo a iniciativa aos vossos bons corações;
pois se eu vos ditasse a linha de conduta, não teríeis o Emérito
de vossas boas ações. Eu vos digo somente: Sou a caridade e vos
estendo as mãos pelos vossos irmãos sofredores.
Mas, se peço, também dou, e muito; eu vos convido para um grande
festim, e ofereço a árvore em que vós todos podereis saciar-vos.
Vede como é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide,
ide, colhei, tomai todos os frutos dessa bela árvore que se chama beneficência.
Em lugar dos ramos que lhe arrancardes, porei todas as boas ações
que fizerdes e levarei a árvore a Deus, para que Ele a carregue de novo,
porque a beneficência é inesgotável. Segui-me, pois, meus
amigos, a fim de que eu vos possa contar entre os que se alistam sob a minha
bandeira. Sede intrépidos: eu vos conduzirei pela via da salvação,
porque eu sou a Caridade! CARITAS Lyon, 1861
14. Há
muitas maneiras de fazer a caridade, que tantos de vós confundem com
a esmola. Não obstante, há grande diferença entre elas.
A esmola, meus amigos, algumas vezes é útil, porque alivia os
pobres. Mas é quase sempre humilhante, tanto para o que a dá,
quanto para o que a recebe. A caridade, pelo contrário, liga o benfeitor
e o beneficiário, e além disso se disfarça de tantas maneiras!
A caridade pode ser praticada mesmo entre colegas e amigos, sendo indulgentes
uns para com os outros, perdoando-se mutuamente suas fraquezas, cuidando de
não ferir o amor-próprio de ninguém. Para vós, espíritas,
na vossa maneira de agir em relação aos que não pensam
convosco, induzindo os menos esclarecidos a crer, sem os chocar, sem afrontar
as suas convicções, mas levando-os amigavelmente às reuniões,
onde eles poderão ouvir-nos, e onde saberemos encontrar a brecha que
nos permitirá penetrar nos seus corações. Eis uma das formas
da caridade. Escutai agora o que é a caridade para com os pobres, esses
deserdados do mundo, mas recompensados por Deus, quando sabem aceitar as suas
misérias sem murmurações, o que depende de vós.
Vou-me fazer compreender por um exemplo. Vejo, muitas vezes, na semana, uma
reunião de damas de todas as idades. Para nós, como sabeis, são
todas irmãs.
Trabalham rápidas, bem rápidas. Os dedos são ágeis.
Vede também como os rostos estão radiantes e como os seus corações
batem em uníssono! Mas qual o seu objetivo? É que elas vêem
aproximar-se o inverno, que será rude para as famílias pobres.
As formigas não puderam acumular durante o verão os grãos
necessários à provisão, e a maior parte de seus utensílios
está empenhada. As pobres mães se inquietam e choram, pensando
nos filhinhos que, neste inverno, sofrerão frio e fome! Mas tende paciência,
pobres mulheres! Deus inspirou a outras, mais afortunadas que vós. Elas
se reuniram e confeccionam roupinhas. Depois, num destes dias, quando a neve
tiver coberto a terra, e murmurardes, dizendo: "Deus não é
justo!", pois é esta a expressão comum dos vossos períodos
de sofrimento, então vereis aparecer um dos enviados dessas boas trabalhadoras,
que se constituíram em operárias dos pobres. Sim, era para vós
que elas trabahavam assim, e vossos murmúrios se transformarão
em bênçãos, porque, no coração dos infelizes,
o amor segue de bem perto o ódio. Como todas essas trabalhadoras necessitam
de encorajamento vejo as comunicações dos Bons Espíritos
lhes chegarem de todas as partes. Os homens que participam desta sociedade oferecem
tambem o seu concurso, fazendo uma dessas leituras que tanto agradam. E nós,
para recompensar o zelo de todos e de cada um em particular, prometemos a essas
obreiras laboriosas uma boa clientela, que as pagará em moeda sonante
de bênçãos, a única moeda que circula no céu,
assegurando-lhes ainda, sem medo de nos arriscarmos, que essa moeda não
lhes faltará.
15 - OFERENDA - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG. 116
COMPAIXÃO E SEVERIDADE
Os infortúnios ocultos são epígrafe abrangente de muitos problemas, que merecem da piedade cristã especial atenção. Pelo hábito da caridade material, muitos lidadores da Causa evangélica preocupam-se em minimizar as necessidades socioeconômicas, oferecendo aos aflitos os recursos monetários, alimentícios, medicamentosos, habitacionais, firmados em salutares propósitos, dominados por euforia legítima e espírito nobre de solidariedade.
São de relevante importância essas expressões socorristas, sem dúvida. Visitar morros e favelas, distribuir agasalhos e farnéis, orar com unção em caráter intercessório, ministrar passes constituem todo um equipamento de amor com que o Céu visita as necessidades da Terra, distendendo consolação e esperança.
Os infortúnios ocultos se repletam, não obstante, de outros tantos problemas, que somente a acuidade cristã apurada os pode detectar e o coração amante, desarmado do egoísmo, consegue socorrer. Não apenas os que nos trazem seus dramas merecem nossa caridade Mas também, os que convivem conosco em regime de fraternidade e serviço, na condição de auxiliares humildes e pessoas difíceis, de enfermos impertinentes e de companheiros lutadores.
Pessoa alguma há, que se encontre na Terra, sem problemas nem testemunhos; todos, porém, com os seus infortúnios ocultos. Descobrir essas dores e atendê-las com elevação, deve constituir o desafio para quem enceta, com honestidade, a tarefa da lapidação íntima, da ascensão espiritual.
Evita censurar o teu irmão, mesmo que te escudes no eufemismo de que o fazes por amor. Impede a proliferação da maledicência, silenciando-a no algodão do descrédito, quando chegue a ti, não a divulgando. Credita ao próprio coração, com humildade, as lágrimas silenciosas que te constituem manancial de provação redentora, não espalhando azedume ou acrimônia.
Lembra-te de que o mundo passou até hoje sem ti e prosseguirá, depois que partas da Terra. Ouve os pedidos de socorro, sem palavras e atende-os quando se acerquem da tua afetividade. Mérito algum possui quem ama as pessoas simpáticas. Os que te parecem detestáveis têm suas dificuldades, como tu mesmo as tens, a teu turno antipático à apreciação de outrem...
Se não podes ou não queres ajudar, não reproves a ação alheia, nem geres animosidade contra eles. Tuas dificuldades e limitações merecem respeito. As do teu próximo também. Os infortúnios morais ocultos são muito complexos.
Estiolam vidas que se esforçam por sorrir e amar, e ninguém nota. Ceifam esperanças em que trabalha com aparente ânimo forte, e não se fazem perceber. Desagregam ideais em almas estóicas que lutam por vencê-los, sem se deixarem flagrar. São ácidos requeimando por dentro e intimamente atormentando, sem sinais exteriores.
Modifica a tua conduta diante das almas, já que estás informado, através da Doutrina Espírita, quanto à anterioridade do Espírito. Sabes que o processo evolutivo é grave desafio a todos. Por isso não abdiques da benignidade, da tolerância, da simpatia e da paciência - expressões edificantes da caridade! - no teu trato com as criaturas do caminho.
Enquanto estiveres no corpo, não cesses de burilar-te, vencendo os teus infortúnios ocultos de natureza moral, com a mesma compaixão e severidade com que os aplicas contra aqueles que se acercam de ti.
17 - RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS - EMMANUEL - PÁG. 191
Diante
das tentações - Reunião pública de 2-10-59 Questão
n°. 893:
Tentado à permanência nas trevas, embora de pés sangrando,
dirige-te para a luz. Enquanto não atravesse o suor e o cansaço
da plantação, lavrador algum amealha a colheita. Até que
atinjamos, um dia, o clima do reino angélico, seremos almas humanas,
peregrinos da evolução nas trilhas da eternidade. Aqui e ali,
ouviremos cânticos de exaltação à virtude e, louvando-a,
falaremos por nossa vez, acentuando-lhe os elogios. Entretanto, manda a sinceridade
nos vejamos por dentro, e, por dentro de nós, ruge o passado, gritando
injúrias contra as nossas mais belas aspirações. Toma,
porém, o facho que o Cristo te coloca nas mãos e clareia a intimidade
da consciência, parlamentando contigo mesmo. Hora a hora, esclareçamos
a nós próprios,tanto quanto nos lançamos no ensino aos
outros. Reparando os caídos em plena viciação, inventaria
as próprias fraquezas e perceberás que, provavelmente, respirarias
agora numa enxerga de lodo, não fosse a migalha do conhecimento que te
enriquece. Diante dos que se desvairam na crítica, observa a facilidade
com que te entregas aos julgamentos irrefletidos e pondera que serias igualmente
compelido ao braseiro da crueldade, não fosse algum ligeiro dístico
da prudência que consegues mentalizar.
À frente daqueles que se envileceram na carruagem do ouro ou da influência
política, recorda quantas vezes a vaidade te procura, por dia, nos recessos
do coração, e reconhecerás que também forçarias
as portas da fortuna e do poder, caso não fosse o leve fio de responsabilidade
que te frena os impulsos. Analisando os que sofrem na tela da obsessão,
pensa nos reiterados enganos a que te arrojas e compreenderás que ainda
hoje chorarias nas angústias do manicômio, não fosse a pequenina
faixa de serviço no bem a que te afeiçoas. Perante os companheiros
atolados no crime, anota a agressividade que ainda trazes contigo e concluirás
que talvez estivesses na penitenciária, amargando aflitiva sentença,
não fosse o raiúnculo de oração que acendes na própria
alma. E as lutas que te marcam a rota assinalam também o campo de serviço
em que ainda estagias junto aos desencarnados da nossa esfera de ação.
Situemo-nos no lugar dos que erram e nosso raciocínio descansará
no abrigo do entendimento. Nenhum lidador vinculado à Terra se encontra
integralmente livre das tendências inferiores mesmos. E se a estrada para
semelhante triunfo se chama «caridade constante para com os outros»,
o primeiro passo de cada dia chama-se «compaixão».
20 -VINHAS DE LUZ - EMMANUEL - ÍTEM 6 - MULTIDÕES - PÁG. 23
MULTIDÕES: "Tenho compaixão da multidão." — Jesus. (MARCOS, 8:2.): Os espíritos verdadeiramente educados representam, em todos os tempos, grandes devedores à multidão. Raros homens, no entanto, compreendem esse imperativo das leis espirituais. Em geral, o mordomo das possibilidades terrestres, meramente instruído na cultura do mundo, esquiva-se da massa comum, ao invés de ajudá-la. Explora-lhe as paixões, mantém-lhe a ignorância e costuma roubar-lhe o ensejo de progresso. Traça leis para que ela pague os impostos mais pesados, cria guerras de extermínio, em que deva concorrer com os mais elevados tributos de sangue. O sacerdócio organizado, quase sempre, impõe-lhe sombras, enquanto a filosofia e a ciência lhe oferecem sorrisos escarnecedores. Em todos os tempos e situações políticas, conta o povo com escassos amigos e adversários em legiões. Acima de todas as possibilidades humanas, entretanto, a multidão dispõe do Amigo Divino. Jesus prossegue trabalhando. Ele, que passou no Planeta entre pescadores e proletários, aleijados e cegos, velhos cansados e mães aflitas, volta-se para a turba sofredora e alimenta-lhe a esperança, como naquele momento da multiplicação dos pães. Lembra-te, meu amigo, de que és parte integrante da multidão terrestre. O Senhor observa o que fazes. Não roubes o pão da vida; procura multiplicá-lo.
21 - INSPIRAÇÃO - EMMANUEL - PÁG. 86
COMPAIXÃO
E AUXÍLIO:
Existem criaturas na Terra tão extremamente agarradas
à idéia de posse dos bens de que dispõem no mundo e das
pessoas a que se dedicam, que, frequentemente, em favor de nossa própria
paz, necessitamos praticar, mais amplamente, os princípios da compaixão.
Esse companheiro foi indicado pela Divina Providência para exercer a justiça,
temperada de misericórdia; entretanto, apesar da autoridade de que disponha,
precisará da compaixão alheia, traduzida em atitudes e palavras,
para que o poder não se lhe converta nas mãos em bastão
de tirania.
Aquele recebeu do Senhor o dom de falar com desembaraço, de maneira a conduzir multidões para o caminho do bem; no entanto, em pleno fastígio do verbo, necessitará da compaixão dos semelhantes, a fim de não desmandar-se em paixões violentas. Outro, em nome do Mais Alto, guarda o depósito de grande fortuna, de modo a administrá-la, criteriosamente, criando trabalho, em benefício dos irmãos do mundo, chamados à sustentação própria; contudo, não prescindirá da compaixão dos outros pra que não venha a aniquilar o patrimônio que a vida lhe confiou.
Aquele outro ainda recolheu da Divina Bondade grande ciclo de provações, a fim de lecionar com elas paciência e humildade, fé e coragem, no auxílio espiritual aos companheiros do mundo; entretanto, não dispensará o apoio da compaixão de quantos o assistem para que o sofrimento não se lhe faça veneno o desespero, nos recessos da alma. Seja diante de quem seja, compadece-te e auxilia para o bem.
E sempre que o teu passo cruze com o passo de alguém que se comporta como se Deus não existisse, tratando criaturas e bens, qual se lhes fosse proprietário exclusivo, coloca a imagem desse alguém na tua enfermaria de oração, porque estarás renteando com uma dessas criaturas que ignoram a Paternidade de Deus, desconhecendo igualmente que todos os dons e vantagens que estejamos usufruindo nos foram emprestados pelos institutos da Divina Providência e dos quais daremos conta na Administração da Vida em momento exato.