CONSCIÊNCIA |
|
BIBLIOGRAFIA |
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| 01- Agonia das religiões - pág. 110 | 02 - A pluralidade dos mundos habitados - pág. 272 |
| 03 - Alerta - pág. 115 | 04 - Alquimia da Mente - pág. 40, 55 |
| 05 - Análise das coisas - pág. 44, 61 | 06 - Antologia do Perispirito - pág. ref. 943 |
| 07 - Caminho, Verdade e vida - pág. 21,101, 167 | 08 - Cartas e crônicas - pág. 35 ítem 7 |
| 09 - Chão de flores - pág. 33 | 10 - Coragem - pág. 95 |
| 11 - Deus na Natureza - pág. 284 | 12 - Do país da luz - vol iv pág. 115, 124 |
| 13 - Encontro marcado - pág. 49 | 14 - Energética do psiquismo - pág. 27 |
| 15 - Estante da vida - pág. 137 | 16 - Estude e viva - pág. 29, 42, 157 |
| 17 - Evolução em dois mundos - pág. 155 | 18 - Justiça Divina - pág. 111 |
| 19 - Lázaro redivivo - pág. 195 | 20 - Mediunidade - pág.198 |
| 21 - Missionários da luz - pág. 103 | 22 - No invisível - pág. 347 |
| 23 - No mundo maior - pág. 59, 63, 169 | 24 - O livro dos Espíritos - q. 598, 621, 835 |
| 25 - O mestre na educação - pág. 64 | 26 - O ser e a serenidade - pág. 51, 58, 76 |
| 27 - Os funerais da Santa Sé - pág. 154 | 28 - Pão nosso - pág. 105 |
| 29 - Passos da vida - pág. 14, 18 | 30 - Pérolas do Além - pág.50 |
| 31 - Pontos e contos - pág. 247 ítem 47 | 32 - Renúncia- pág. 358 |
| 33 - Sinal verde - pág. 91 | 34 - Síntese de o novo testamento - pág.161 |
| 35 - Universo e vida - pág. 35, 52 | 36 - Vinhas de luz - pág. 275 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
CONSCIÊNCIA – COMPILAÇÃO
01- Agonia das religiões - José Herculano Pires - pág. 110
(...)
Podem os clérigos argumentar que nas religiões não se passa
o mesmo, pois os princípios religiosos sustentam a concepção
metafísica do homem. Entretanto, pode-se aplicar às religiões
a advertência de Descartes quanto ao perigo de fazer-se confusão
entre alma e corpo. Enquanto para o Espiritismo a alma é o espírito
que anima o corpo, havendo nítida distinção entre um e
outro, as religiões admitem a unidade substancial de alma e corpo, de
tal maneira que a ressurreição se verifica no próprio corpo.
A complexa teoria de matéria e forma, de Aristóteles, deu muito
pano para manga na teologia medieval, resultando na doutrina da forma substancial,
em que forma é substância e substância é forma. Em
consequência, matéria e forma se misturam e não se sabe
como explicar o homem sem a sua estrutura orgânica de matéria,
pois chega-se mesmo a sustentar que o homem é pó e em pó
se reverterá na morte.
Opondo-se a essa posição restritiva, que reduz o homem à
condição de bicho da terra, segundo a expressão camoneana,
o Espiritismo o reintegra na dignidade de sua natureza espiritual e reajusta
a sua imagem no panorama cósmico. A manifestação dos mortos,
demonstrando que continuam vivos e atuantes noutra dimensão da vida,
e que continuam a ser o que eram apesar de não mais possuírem
o corpo material, não deixa nenhuma possibilidade de dúvida sobre
a diferença entre conteúdo e continente, entre espírito
e corpo. A confusão de forma e substância resolve-se com a demonstração
da estrutura tríplice do homem: o espírito é a substância,
a essência necessária, o ser do primado ôntico de Heideggar;
o perispírito (corpo espiritual ou bioplásmico) é a forma
da hipótese aristotélica, o padrão estrutural dos biólogos
soviéticos; o corpo é a matéria que nos dá o ser
existencial. Essa é a tese espírita dos dois seres do homem:
o ser do espírito e o ser do corpo.
E o não-ser, como queria Hegel, não é um ente específico
e autônomo, oposto ao ser, mas inerente ao ser de relação
ou existencial, ligado a ele na existência como contra farão, determinado
pela oposição da existência ao ser. E o que vemos no problema
da relação Deus-Diabo, em que a figura do Diabo só é
tomada em sentido mitológico, nunca real, como personifição
das forças do passado, que pesam sobre o ser existencial, embaraçando-lhe
o desenvolvimento. O não-ser é o que não quer ser, não
quer atualizar-se na existência, mas permanecer o que era, apegado aos
resíduos das fases anteriores ao ser. Uma das funções do
ser é absorver o não-ser para levá-lo a ser, segundo a
tese da passagem do inconsciente ao consciente, de Gustave Geley.
É assim que o homem se reintegra, pela concepção espírita,
na realidade cósmica. Não é mais um ser isolado na Criação,
privilegiado pela inteligência e amesquinhado pela morte, não é
mais aquela paixão inútil de Sartre que o tempo consome e reduz
a nada. O homem é a síntese superior produzida pela dialética
da evolução criadora de Bergson nos reinos inferiores da Natureza,
a partir das entranhas da Terra. No seu curso de milhões e milhões
de anos, a partir da môna-da oculta na matéria cósmica,
impulsionado na ascensão filogenética das coisas e dos seres,
passando pelas metamorfoses de uma ontogenia assombrosa, ele atingiu a conciência
e descobriu a marca de Deus em si mesmo. Herdeiro de Deus e co-herdeiro de Cristo,
segundo a expressão do Apóstolo Paulo, o homem não está
condenado à frustração da morte, mas destinado à
vida em abundância na plenitude do espírito. Não é
fácil à mentalidade necrófila desenvolvida pelas religiões
da morte, sob o peso esmagador da escatologia judaica e da tragédia grega,
compreender essa visão nova do homem como um ser cósmico.
Por
isso acusa-se o Espiritismo de reativar antigas superstições e
voltar à concepção da metempsicose egípcia elaborada
pelo génio de Pitágoras. Não percebe essa mentalidade que
a teoria pitagórica da metempsicose impunha-se ao sistema do filósofo
por uma intuição do seu próprio gênio e pela necessidade
lógica. O homem pitagórico antecipou o homem do Espiritismo na
medida possível das grandes antecipações históricas.
Era um homem cósmico por antevisão, tão integrado e entranhado
na realidade universal que não podia escapar do círculo vicioso
das formas se não despertasse em seu íntimo os poderes secretos
da mônada. O conceito do homem em Pitágoras é infinitamente
superior ao das religiões atuais e ao das filosofias do desespero e da
morte em nosso século.
Quando Pitágoras falava da música das esferas não se embrenhava
nas superstições, mas abria a mente de seus discípulos
para a visão real do Cosmos, que só em nosso tempo se tornaria
acessível a todos. Mais tarde, Jesus também anunciaria as muitas
moradas do Infinito e ensinaria o princípio da ressurreição
e das vidas sucessivas, estarrecendo um mestre em Israel que não sabia
dessas coisas. Já numa fase mais avançada da evolução
terrena, Jesus não se referia à metempsicose, mas à palingenesia
do pensamento grego, à transformação constante dos seres
e das coisas no desenvolvimento do plano divino. Nesse mesmo tempo, nas antigas
Gálias, os celtas, que para Aristóteles eram um povo de filósofos,
divulgavam esses mesmos princípios pela voz dos seus bardos, poetas-cantores
das tríades sagradas. E entre eles, como um druida, Kardec se preparava
para a sua .missão futura na França do Século XIX.
Vemos assim duas linhas paralelas na filogênese humana: de um lado temos
a evolução do princípio inteligente a partir dos reinos
inferiores da Natureza, onde a mônada, a semente espiritual lançada
pelo pensamento divino, desenvolve as suas potencialidades numa sequência
natural em que podemos perceber as seguintes etapas: o poder estruturador no
reino mineral, a sensibilidade no vegetal, motilidade do animal, o pensamento
produtivo no homem. A este esquema linear temos de juntar a idéia do
desenvolvimento simultâneo de todas essas potencialidades, num crescendo
incessante, num processo dialético de dinamismo tão intenso e
complexo que mal podemos imaginar. Foi isso que levou Gustave Geley, o grande
suessor de Richet, a considerar a existência em todas as coisas de
um dinamismo-psíquico-inconsciente que rege toda a evolução.
Que abismo entre essa concepção da gênese universal que
o Espiritismo oferece e a génese alegórica das religiões!
E
mesmo em relação à gênese científica podemos
notar a superioridade da concepção espírita, que não
se restringe à idéia de um processo dinâmico de forças
desencadeadas no plano superficial da matéria, mas penetra nas entranhas
do fenômeno para descobrir o númeno, a essência determinante
do processo e os objetivos graduais e conscientes que são acessíveis
à nossa percepção e compreensão. A criação
do homem, a sua natureza e o seu destino tornam-se inteligíveis. Édipo
decifra os mistérios da Esfinge.
Apesar disso, há criaturas que acusam o Espiritismo de doutrina simplória,
de simples abecê da Espiritualidade, curso primário de iniciação
nos conhecimentos superiores da realidade universal. Enganam-se com a linguagem
simples das obras de Kardec, através da qual o mestre francês colocou
ao alcance de todos, graças a um processo didático dificílimo
de se atingir e aplicar, os mais graves problemas que os sábios do futuro
teriam de enfrentar, como estão enfrentando neste momento. A simplicidade
de Kardec é tão enganosa como a de Descartes.
À maneira do Discurso do Método, "O Livro dos Espíritos"é um desafio permanente à argúcia e ao bom-senso dos sábios do mundo. Esses dois livros nos lembram a simplicidade enganosa dos ensinos de Jesus, que os teólogos enredaram em proposições confusas, não compreendendo o seu sentido profundo e impedindo os simples de compreendê-lo. Mas voltemos às duas linhas paralelas da filogê-nese humana, para tratar da segunda. Na primeira tivemos o processo natural de desenvolvimento das potencialidades do princípio inteligente, que podemos comparar ao crescimento da criança e aos primeiros cuidados com a sua educação. Temos de aguardar o desenvolvimento orgânico da criança para que as suas possibilidades mentais se revelem. E temos então de orientar as suas disposições naturais para o aprendizado escolar. O que vimos na primeira paralela foi exatamente esse processo. Quando as potências da mônada atingiram o desenvolvimento necessário à sua individualização definitiva, como criatura humana, e a consciência mostrou-se estruturada, começou então o processo da sua maturação e do seu aprendizado.
O clã, a tribo, a horda, a família e as formas sucessivas de civilização representam as etapas da segunda linha paralela, em que se verifica o desenvolvimento cultural. A inteligência, já formada, vai ser cultivada ao longo do tempo, nas gerações sucessivas. As diferenciações monádicas intuídas por Leibniz, como as diferenciações na constituição atómica verificadas pela Física atual, respondem pelas características diversas e diversificadoras das criaturas humanas em substância e forma. Essas diferenciações não são apenas individuais, mas também grupais, determinando por afinidade os grupos familiais e raciais. Os elementos da natureza, do meio físico, e as miscigena coes, as misturas raciais e culturais, contribuirão para acentuar as diversificações no decorrer do tempo. Nota-se a existência de um dispositivo protetor das raças e culturas em desenvolvimento, nas primeiras fases do processo, com o isolamento dos grupos afins nos continentes.
Mas
esse dispositivo não é artificial, entrosa-se naturalmente no
processo evolutivo, em que todas as condições necessárias
decorrem das variantes evolutivas. São inerentes ao processo. Quando
os vários grupos amadureceram suficientemente e conquistaram um grau
relativamente elevado de civilização, inicia-se a fase das conquistas,
da dominação dos grupos mais poderosos sobre os mais fracos, numa
longa e penosa elaboração de novas condições de
vida e cultura. Kerschensteiner coloca o problema da cultura subjetiva e da
cultura objetiva, a primeira correspondendo ao plano das idéias, da elaboração
intelectual, a segunda ao plano da prática, do fazer, das realizações
materiais.
E Ernst Cassirer mostra como a cultura objetiva conserva em suas obras materiais,
gravadas nos objetos, as conquistas subjetivas de uma civilização
morta. A Renascença, por exemplo, revela como as conquistas espirituais
do mundo clássico greco-romano foram arrancadas das ruínas e dos
arquivos aparentemente perdidos e reelaboradas pelo mundo moderno. Dewey, por
sua vez, acentua a importância da reelaboração da experiência
nas gerações sucessivas. Mas quando chegamos ao ponto em que hoje
estamos, prontos para um salto cultural de natureza qualitativa, ainda não
podemos considerar-nos como obra concluída. Como observou Oliver Lodge,
o homem ainda não está acabado, mas em fase talvez de acabamento.
Sim, talvez, porque o nosso otimismo e a nossa vaidade podem enganar-nos a respeito
do nosso estágio atual de realização. (...)
02 - A pluralidade dos mundos habitados - Cammile Flammarion - pág. 272
Quando dizemos que os princípios universais da verdade são postos pelo próprio Deus em nossa alma, e que formam a base de nossas ciências, não queremos dizer que eles sejam conhecidos de todos no mesmo grau, e que por toda parte se tenham elevado sobre eles o edifícios que elevamos sobre a Terra. Longe disso, é certo, ao contrário, que os conhecimentos humanos são mais ou menos avançados, mais ou menos disseminados, conforme sejamos nós mesmos mais ou menos elevados na ordem mental. Dos mesmos princípios é possível extrair consequências muito diferentes, embora verdadeiras, e também consequências errôneas. Se, por exemplo, dos! princípios axiomáticos da numeração e da geometria temos] sucessivamente estabelecido nossas proposições de aritmética, a álgebra, trigonometria, análise e matemáticas transcendentes, desde os primeiros teoremas de Euclides até o cálculo diferencial e integral que nos legaram Descartes, Leibniz, Fermat, Lagrange etc., não está dito por isso que em todos os mundos do espaço onde as matemáticas são cultivadas tenha elevado o mesmo conjunto.
Nada nos prova que meios de cálculo que conhecemos sejam os únicos que se pode empregar, e que o caminho seguido por nós seja o único que pudesse ser aberto ao gênio do homem. Se é verdade, por um lado, que Pascal e outros pesquisadores isolados encontraram sozinhos as propriedades geométricas que Euclïdes e outros haviam já encontrado, é igualmente possível que em outros mundos se tenha de forma idêntica as mesma matemáticas que nós. Mas talvez também, em certos mundos se tenha parado nas equações de primeiro grau, talvez Napie não tenha tido êmulos, e as fecundas progressões logarítmicas sejam desconhecidas aos laboriosos calculadores; por outro lado, talvez em alguns mundos a análise infinitesimal seja dever de escolares de pouca idade, e lá se tenha chegado a concepções de que nem faríamos idéia. Nada impede também que se tenha construído todo um outro corpo de matemática sobre as mesmas proposições fundamentais que nós; que tenha julgado fecundos certos princípios que acreditam serem estéreis; que se haja deduzido proposições novas, e que se empregue, para a resolução dos mesmos problemas (e outros), métodos totalmente diferentes daqueles em uso entre nós. — Não temos nós mesmos diversos métodos para resolver as mesmas questões?
É
preciso saber, de um lado que cada inteligência é limitada, se
nós a consideramos num dado momento, e que, segundo a sua capacidade,
ela está como no centro de uma esfera mais ou menos extensa, além
da qual ela não vê mais nada; de outro lado, é preciso saber
que cada um tem suas aptidões e sua própria faculdade de invenção,
de tal forma que sobre os mesmos princípios universais uma imensa variedade
de ciências pode se edificar.
Feita esta restrição, restabeleçamos o ponto reconhecido
antes: que os princípios absolutos das verdades eternas estão
na consciência de toda alma responsável; que eles são a
luz iluminando todo homem que nasce no mundo, e que constituem com aqueles do
Belo e do Bem a unidade moral da criação. Para terminar, coroaremos
nossas asserções com as palavras de Bossuet em seu Tratado do
conhecimento de Deus e de si mesmo, como coroamos nossas asserções
sobre o Belo com as palavras emprestadas ao Banquete de Platão.
"As verdades eternas que nossas ideias representam são o verdadeiro
objeto das ciências. — Se eu procuro onde c em qual objeto elas
subsistem eternas e imutáveis, sou forçado a reconhecer um ser
onde a verdade é eternamente subsistente, e onde ela é sempre
compreendida; e esse ser deve ser a própria verdade, e deve ser toda
verdade, e é dele que toda verdade deriva em tudo o que existe e se compreende
fora dele. É então nele, de uma certa maneira que me é
incompreensível, é nele, digo, que vejo essas verdades eternas;
e vê-las, é me voltar Àquele que é imutavelmente
todo verdade, e receber suas luzes. Esse objeto eterno é Deus eternamente
subsistente, eternamente verdadeiro, eternamente a própria verdade. É
nesse eterno que as verdades eternas subsistem. É lá também
que a vejo, que todos os homens a vêem como eu.
"De onde vem ao meu espírito esta impressão tão pura
da verdade? De onde lhe vêm essas regras imutáveis que orientam
o raciocínio, que formam os costumes, pelas quais ele descobre as proporções
secretas das figuras e dos movimentos? (...)
03 - Alerta - Joana de Ângelis - pág. 115
40.
PROBLEMA DE CONSCIÊNCIA
Enquanto estás no caminho dos homens, desdobra as tuas possibilidades
de ação beneficente.
Não postergues a edificação do bem onde te encontres, sob
pretexto algum. ..
A vida são as oportunidades de que cada um dispõe para o crescimento
próprio.
A raiz, frágil e persistente, penetra a frincha da pedra e fende a rocha,
adquirindo segurança para o vegetal.
A semente arrebenta-se e libera a planta sob a pressão da terra que a
encarcera.
A gota dágua atravessa em largo prazo a pequenina brecha da represa e
derruba a construção colossal.
A ação resulta da perseverança no tentame do que se deseja.
Há quem programe realizações relevantes por largos anos,
enquanto a dor ceifa as vidas que aguardam no deperecimento e na miséria.
Inumeráveis pessoas acalentam propósitos superiores e anelam por
dedicar-se a eles, enquanto a ampulheta do tempo deixa que passem os dias, sem
os transformar em realidade.
Cristãos bem intencionados se disputam a caridade verbal, elaborando
programas expressivos sob condições de alto nível enquanto
a oportunidade passa e a dor faz-se mordoma cruel. . .
Une a ação aos teus projetos do bem, sem adiar a realização
da obra de solidariedade humana.
Espíritos que foram bem intencionados na Terra; personalidades que se
fizeram famosas pelo verbo ou agentes da reformulação social ricos
de teorias; religiosos sensíveis que planejaram obras monumentais, diariamente
retornam à Pátria Espiritual com a mente repleta de projetos formidandos
e as mãos vazias de ação, tombando em remorsos cruéis,
que os vergastam, em razão do tempo perdido que não souberam utilizar
na realização do compromisso superior da Vida. Problema de consciência,
pessoal e intransferível, de cada um, programar o bem, discuti-lo e concretizá-lo
ou não durante o processo da reencarnação.
08 - Cartas e crônicas - Irmão X - pág.
35 ítem 7
Consciência
espírita
Diz você que não compreende o motivo de tanta autocensura nas comunicações
dos espíritas desencarnados. Fulano, que deixou a melhor ficha de serviço,
volta a escrever, declarando que não agiu entre os homens como deveria;
sicrano, conhecido por elevado padrão de virtudes, regressa, por vários
médiuns, a lastimar o tempo perdido... E você acentua, depois de
interessantes apontamentos: «Tem-se a impressão de que os nossos
confrades tornam, do Além, atormentados por terríveis complexos
de culpa. Como explicar o fenómeno?»
Creia, meu caro, que nutro pessoalmente pelos espíritas a mais enternecida
admiração. Infatigáveis construtores do progresso, obreiros
do Cristianismo Redivivo. Tanta liberdade, porém, receberam para a interpretação
dos ensinamentos de Jesus que, sinceramente, não conheço neste
mundo pessoas de fé mais favorecidas de raciocínio, ante os problemas
da vida e do Universo. Carregando largos cabedais de conhecimento, é
justo guardem eles a preocupação de realizar muito e sempre mais,
a favor de tantos irmãos da Terra, detidos por ilusões e inibições
no capítulo da crença.
Conta-se que Allan Kardec, quando reunia os textos de que nasceria «O
Livro dos Espíritos», recolheu-se ao leito, certa noite, impressionado
com um sonho de Lutero, de que tomara notícias. O grande reformador,
em seu tempo, acalentava a convicção de haver estado no paraíso,
colhendo informes em torno da felicidade celestial. Comovido, o codificador
da Doutrina Espírita, durante o repouso, viu-se também fora do
corpo, em singular desdobramento. . . Junto dele, identificou um enviado de
Planos Sublimes que o transportou, de chofre, a nevoenta região, onde
gemiam milhares de entidades em sofrimento estarrecedor. Soluços de aflição
casavam-se a gritos de cólera, blasfémias seguiam-se a gargalhadas
de loucura.
0 Atonito, Kardec lembrou os tiranos da História e inquiriu, espantado:
— Jazem aqui os crucificadores de Jesus?— Nenhum deles — informou
o guia solícito. — Conquanto responsáveis, desconheciam,
na essência, o mal que praticavam. O próprio Mestre auxiliou-os
a se desembaraçarem do remorso, conseguindo-lhes abençoadas
reencarnações, em que se resgataram perante a Lei.— E os
imperadores romanos? Decerto, padecerão nestes sítios aqueles
mesmos suplícios que impuseram à Humanidade. . .— Nada disso.
Homens da categoria de Tibério ou Calígula não possuíam
a mínima noção de espiritualidade. Alguns deles, depois
de estágios regenerativos na Terra, já se elevaram a esferas superiores,
enquanto que outros se demoram, até hoje, internados no campo físico,
à beira da remissão.
— Acaso, andarão presos nestes vales sombrios — tornou o
visitante — os algozes dos cristãos, nos séculos primitivos
do Evangelho?
— De nenhum modo — replicou o lúcido acompanhante —,
os carrascos dos seguidores de Jesus, nos dias apostólicos, eram homens
e mulheres quase selvagens, apesar das tintas de civilização que
ostentavam. .. Todos foram encaminhados à reencarnação,
para adquirirem instrução e entendimento. O codificador do Espiritismo
pensou nos conquistadores da Antiguidade, Átila, Aníbal, Alarico
I, Gengis Khan.. . Antes, todavia, que enunciasse nova pergunta, o mensageiro
acrescentou, respondendo-lhe à consulta mental:— Não vagueiam,
por aqui, os guerreiros que recordas. . . Eles nada sabiam das realidades do
espírito e, por isso, recolheram piedoso amparo, dirigidos para o renascimento
carnal, entrando em lides expiatórias, conforme os débitos contraídos.
..
— Então, dize-me — rogou Kardec, emocionado —, que
sofredores são estes, cujos gemidos e imprecações me cortam
a alma?
E o orientador esclareceu, imperturbável:— Temos junto de nós
os que estavam no mundo plenamente educados quanto aos imperativos do Bem e
da Verdade, e que fugiram deliberadamente da Verdade e do Bem, especialmente
os cristãos infiéis de todas as épocas, perfeitos conhecedores
da lição e do exemplo do Cristo e que se entregaram ao mal, por
livre vontade... Para eles, um novo berço na Terra é sempre mais
difícil...Chocado com a inesperada observação, Kardec regressou
ao corpo e, de imediato, levantou-se e escreveu a pergunta que apresentaria,
na noite próxima, ao exame dos mentores da obra em andamento e que figura
como sendo a Questão número 642, de «O Livro dos Espíritos»:
«Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará
que o homem não pratique o mal?», indagação esta
a que os instrutores retorquiram:
«Não; cumpre-lhe fazer o bem, no limite de suas forcas, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.»Segundo é fácil de perceber, meu amigo, com princípios tão claros e tão lógicos, é natural que a consciência espírita, situada em confronto com as idéias dominantes nas religiões da maioria, seja muito diferente.
11 - Deus na Natureza - Cammile Flammarion - pág. 284
Uma
última condição da liberdade é a influência
da volição sobre os instrumentos que devam operar suas ordens
pessoais. O homem não é responsável por desejo ou por faculdades
afetivas dele independentes. A responsabilidade individual começa com
a reflexão e com a possibilidade de proceder voluntariamente. No estado
de saúde os instrumentos operatórios subordinam-se à influência
da vontade. A fome é involuntária, mas, se em senti-la, eu me
abstiver de comer, exerço a influência da minha vontade sobre os
instrumentos do movimento voluntário. A cólera é involuntária,
mas eu não sou forçado a maltratar quem me provoque, só
porque a minha vontade influi em meus músculos. Perdido o domínio
dessa influência, então, sim, o homem já não é
livre. E' o que amiúde sucede com os alienados, que experimentam desejos,
reconhecem a sua inconveniência, chegam a maldizê-los, mas não
têm a força de restringir os movimentos involuntários, chegando
mesmo, algumas vezes, a pedir que lho embarguem.
A liberdade moral é a base mesma da sociedade e se ela não passa
de ilusão, todo o género humano, tanto as nações
incipientes como as mais civilizadas, que cultivam a Ciência e governam
a Matéria, bem como o's povos remotos, toda a Humanidade,— repetimo-lo
— ter-se-ia deixado iludir pelo mais colossal dos erros que ainda existiu,
depois de enveredar pela senda mais falsa e injusta que possamos imaginar. Mas...
que dizemos: — injusta. Neste sistema, essa palavra nada significa; e
vista que o bom e o mau não existem; visto não haver ordem moral,
claro é que todas as palavras concernentes à descrição
dessa ordem, todos os pensamentos e julgamentos carecem de sentido. E contudo,
a menos que abstraiamos a própria consciência, não podemos
anuir a semelhantes conclusões. Quaisquer que sejam as conclusões
teóricas a que chegueni os lógicos na questão do livre
arbítrio — dizia Samuel Smiles —, todos sentimos que somos
pràticamente livres de escolher entre o bem e o mal. Não somos
o seixo que, lançado na torrente, apenas pode indicar, seguindo-a, o
curso das águas.
Ao
contrário, sentimos em nós a força da nadador, que pode
escolher a direção convinhável, lutar contra a corrente,
ir mais ou menos aonde lhe praza. Nenhum constrangimento absoluto nos empece
a vontade. Sentimos e sabemos, no concernente aos nossos atos, que não
somos encadeados por qualquer espécie de magia. Todas as nossas aspirações
para o bem e para o belo ficariam paralisadas, se pensássemos de modo
diverso. Todos os negócios, nossa conduta - na vida, regime doméstico,
contratos sociais, instituições públicas, tudo, enfim,
se baseia na noção prática do livre-arbítrio. E,
sem ele, onde estaria a responsabilidade? De que serviria ensinar, aconselhar,
predicar, reprimir, punir? Para que leis, se não houvesse uma crença
universal como o próprio fato universal, de que dos homens e de
sua determinação depende conformar-se ou não? O homem
que melhor evidencia seu valor moral é o que se observa a si mesmo, dirige
as suas paixões, vive conforme a regra que se impôs, estuda suas
aptidões e suas falhas.
Eis, verdadeiramente, o homem: sua grandeza está na sua liberdade. Não
fora livre o homem, não se lhe permitiria ter fome e sede, nem comer
nem beber; nem senhorear, em coisa alguma, as tendências do seu corpo.
A ordem social não se teria constituído. Mas nós não
temos necessidade de prova alguma exterior para afirmar a nossa liberdade. Ninguém
melhor o sabe do que a nossa própria consciência. Ela é,
aliás, a única coisa que possuímos cempletamente nossa,
e a boa ou má direção que lhe damos, em definitivo, só
depende de nós. Nossos hábitos e pendores não são
nossos amos, mas servos. Mesmo quando com eles transigimos, a consciência
adverte-nos de que poderíamos resistir e que, para vencê-los, não
careceríamos de fortaleza superior às nossas possibilidades, se
fizéssemos finca-pé. E' pelo emprego livre da razão que
nos fazemos o que somos. Se ela apenas propende para o sensualismo é
que a vontade, forte e demoníaca, subjuga e escraviza a inteligência.
Bem dirigida, porém, essa mesma vontade compara-se a uma rainha, tendo
por ministros as faculdades intelectuais e presidindo ao maior desenvolvimento
compatível com a natureza humana.
Este pretenso ateísmo científico tomou o encargo de rebaixar
e destruir todos os caracteres da grandeza humana. Não pode, contudo,
impedir a alma de provar o seu valor, de assomar a matéria, construindo-se
de si mesma com os elementos do seu meio e do seu clima. Ele, o materialismo,
não percebe que se a personalidade humana fosse resultado de influências
fatalísticas da Natureza, a criança e o selvagem, sob o governo
quase exclusivo dessas forças, seriam mais sensatos, mais íntegros
que o sábio, o filósofo, o artista. Uma tal consequência
destrói, por si só, a teoria dos nossos adversários. Moleschott
ri-se inconsideradamente do químico espiritualista Liebig, a propósito
desta assertiva do eminente pensador: "O homem tem umas tantas necessidades
que radicam na sua natureza espiritual e não podem ser satisfeitas
pelas forças físicas, necessidades que são as diversas
condições de suas funções intelectuais."
E'
claro — responde Moleschott — que estas palavras não
têm sentido. Pode a ambição humana imaginar um fim mais
orgulhoso que o decorrente de sua própria elevação a necessidades
impossíveis de serem providas por forças naturais ? Certo, o autor
de A Circulação da Vida jamais sentiu essas aspirações
superiores à natureza física e às forças que a regem.
Nunca contemplou o ideal do bem e do belo, jamais exorbitou da esfera das funções
corporais, seja da assimilação e desassimilação
orgânicas. Se assim é, nós o lastimamos e nos contristamos
de saber que há, no mundo pensante, criaturas para as quais o mundo
intelectual permanece completamente fechado.
Mas, dirijo-me a vós, espíritos pensantes que aqui me ledes, sejais
quem fordes, homem ou mulher, criança ou velho, moça ou rapaz:
Concordais em que todos os anseios dalma, todos os requisitórios do coração,
todas as aspirações da mente não tendam a fins estranhos
e transcendentes às transformações da matéria? Acreditais
que no círculo da sensação e do sensualismo se encerrem
todas as tendências da nossa personalidade? Se já amastes na aurora
da vida, se já sonhastes os sonhos primaveris, se o céu de vossa
juventude já vos deixou entrever, ainda que por um instante, uma estrela
verdadeiramente celestial em sua auréola atrativa; dizei-me se é
possível aceitar, como expressão de realidade, a palavra de Stendhal,
quando diz que o amor não é mais que um contacto de duas epidermes?
16
- Estude e viva - Emmanuel - André Luiz - pág. 29, 42, 157
Consciência
e conveniência
As boas soluções nem sempre são as mais fáceis e
as manifestações corretas nem sempre as mais agradáveis.
A trilha do acerto exige muito mais as normas do esforço maior que as
saídas circunstanciais ou os atalhos do oportunismo. Nos mínimos
atos, negócios, resoluções ou empreendimentos que você
faça, busque primeiro a substância «post-mortem» de
que se reveste, porquanto, sem ela, seu tentame será superficial e sem
consequências produtivas para o seu espírito. Hoje como ontem,
a criatura supõe-se em caminho tedioso tão-só quando lhe
falta alimento espiritual aos hábitos. Alegria que dependa das ocorrências
do terra-a-terra não tem duração. Alegria real dimana da
intimidade do ser.
Não
há espetáculo externo de floração sem base na seiva
oculta.Meditação elevada, culto à prece, leitura superior
e conversação edificante constituem adubo precioso nas raízes
da vida. Ninguém respira sem os recursos da alma. Todos carecemos de
espiritualidade para transitar no cotidiano, ainda que a espiritualidade surja
para muitos, sob outros nomes, nas ciências psicológicas de hoje
que se colocam fora dos conceitos religiosos para a construção
de edifícios morais. À vista disso, criar costumes de melhoria
interior significa segurança, equilíbrio, saúde e estabilidade
à própria existência. Debaixo de semelhante orientação,
realmente não mais nos será possível manter ambiguidade
nas atitudes.
Em cada ambiente, a cada hora, para cada um de nós, existe a conduta
reta, a visão mais alta, o esforço mais expressivo, a porta mais
adequada. Atingido esse nível de entendimento, não mais é
lícita para nós a menor iniciativa que imponha distinção
indevida ou segregação lamentável, porque a noção
de justiça nos regerá o comportamento, apontando-nos o dever para
com todos na edificação da harmonia comum. Estabelecidos por nós,
em nós mesmos, os limites de consciência e conveniência,
aprendemos que felicidade, para ser verdadeira, há de guardar essência
eterna. Constrangidos a encontrar a repercussão de nossas obras, além
do plano físico, de que nos servirá qualquer euforia alicerçada
na ilusão?
De que nos vale o compromisso com as exte-rioridades humanas, quando essas exterioridades
não se fundamentam em nossas obrigações para com o bem
dos outros, se a desencarnação não poupa a ninguém?
Cogitemos de felicidade, paz e vitória, mas escolhamos a estrada que
nos conduza a elas sob a luz das realidades que norteiam a vida do Espírito,
de vez que receberemos de retorno, na aduana da morte, todo o material que despachamos
com destino aos outros, durante a jornada terrestre . Não basta para
nenhum de nós o contentamento de apenas hoje. É preciso saber
se estamos pensando, sentindo, falando e agindo para que o nosso regozijo de
agora seja também regozijo depois.
Diante
da consciência
A vontade do Criador, na essência, é, para nós, a atitude
mais elevada que somos capazes de assumir, onde estivermos, em favor de todas
as criaturas. Que vem a ser, porém, essa atitude mais elevada que estamos
chamados a abraçar, diante dos outros? Sem dúvida, é a
execução do dever que as leis do Eterno Bem nos preceituam para
a felicidade geral, conquanto o dever adquira especificações determinadas,
na pauta das circunstâncias. Vejamos alguns dos nomes que o definem, nos
lugares e condições em que somos levados a cumpri-lo :
na conduta — sinceridade;
no sentimento — limpeza;
na idéia — elevação;
na atividade — serviço;
no repouso — dignidade;
na alegria — temperança;
na dor — paciência:
no lar — devotamento;
na rua — gentileza:
na profissão — diligência;
no estudo — aplicação;
no poder — liberalidade;
na afeição — equilíbrio;
na corrigenda — misericórdia;
na ofensa — perdão;
no direito — desprendimento:
na obrigação — resgate:
na posse — abnegação:
na carência — conformidade;
na tentação — resistência;
na conversa — proveito;
no ensino — demonstração;
no conselho — exemplo.
Em qualquer parte ou situação, não hesites quanto à
atitude mais elevada a que nos achamos intimados pelos Propósitos Divinos,
diante da consciência. Para encontrá-la, basta procures realizar
o melhor de ti mesmo, a benefício dos outros, porquanto, onde e quando
te esqueces de servir em auxílio ao próximo, aí surpreenderás
a vontade de Deus que, sustentando o Bem de Todos, nos atende ao anseio de paz
e felicidade, conforme a paz e a felicidade que oferecemos a cada um.
17 - Evolução em dois mundos - André Luiz - pág. 155
RELIGIÃO
EGIPCIANA:
Depois de longos e porfiados milênios de luta espiritual, surgem no mundo
como grupos por eles organizados, a China pré-histórica e a Índia
védica, o antigo Egito e civilizações outras que se perderam
no abismo das eras, nos quais a religião assume aspecto enobrecido como
ciência moral de aperfeiçoamento, para mais alta ascensão
da mente humana à Consciência Cósmica.
Dentre todos, desempenha o Egito missão especial, organizando escolas
de iniciação mais profunda. Em obediência aos requisitos
da crença popular, herdeira intransigente das fixações
mitológicas, mantém o sacerdócio cultos diversos a deuses
vários, nas manifestações esotéricas dos templos
descerrados ao povo. O lar e a escola, a agricultura e o comércio, as
indústrias e as artes possuem gênios especiais que os presidem,
em nome da convicção vulgar, mas, na intimidade do santuário,
o monoteísmo dirige a implantação da fé.
A unidade de Deus é o alicerce de toda a religião egipcia-na,
em sua feição superior. Para ela, os atributos divinos são
a vontade sábia e poderosa, a liberdade, a grandeza, a magnanimidade
incansável, o amor infinito e a imortalidade. Em síntese, acredita
que Deus plasmou os seus próprios membros, que são os deuses conhecidos.
Cada um desses deuses secundários pode ser tomado como sendo análogo
ao Deus Único, e cada um deles pode formar um tipo novo do qual se irradiam
por sua vez, e pelo mesmo processo, outros tipos de deuses inferiores.
Claro está que essa argumentação teológica, distanciada
de mais altos roteiros da evolução, imaginava erroneamente potências
espirituais centralizadas no Criador Excelso, quando só Deus tem a faculdade
de verdadeiramente criar, mas o conceito expressa, em sentido lato, a solidariedade
constante e inevitável que existe em todas as vidas de que se constitui
a família do Supremo Senhor em todo o Universo.
18
- Justiça Divina - Emmanuel - pág. 111
Perdoados,
mas não limpos
Reunião pública de 4-8-61 19 Parte, cap. VII, § 24
Em nossas faltas, na maioria das vezes somos imediatamente perdoados, mas
não limpos. Fomos perdoados pelo fel da maledicência, mas a sombra
que tencionávamos esparzir na estrada alheia permanece dentro de nós
por agoniado constrangimento. Fomos perdoados pela brasa da calúnia,
mas o fogo que arremessamos à cabeça do próximo passa a
incendiar-nos o coração. Fomos perdoados pelo corte da ofensa,
mas a pedra atirada aos irmãos do caminho volta, incontinenti, a
lanhar-nos o próprio ser. Fomos perdoados pela falha de vigilância,
mas o prejuízo em nossos vizinhos cobre-nos de vergonha.
Fomos perdoados pela manifestação de fraqueza, mas o desastre
que provocamos é dor moral que nos segue os dias. Fomos perdoados por
todos aqueles a quem ferimos, no delírio da violência, mas, onde
estivermos, é preciso extinguir os monstros do remorso que os nossos
pensamentos articulam, desarvorados. Chaga que abrimos na alma de alguém
pode ser luz e renovação nesse mesmo alguém, mas será
sempre chaga de aflição a pesar-nos na vida. Injúria aos
semelhantes é azorrague mental que nos chicoteia.
A serpente carrega consigo o veneno que veicula. O escorpião guarda em
si próprio a carga venenosa que ele mesmo segrega.
Ridiculizados, atacados, perseguidos ou dilacerados, evitemos o mal, mesmo quando
o mal assuma a feição de defesa, porque todo o mal que fizermos
aos outros é mal a nós mesmos. Quase sempre aqueles que passaram
pêlos golpes de nossa irreflexão já nos perdoaram, incondicionalmente,
fulgindo nos planos superiores; no entanto, pela lei de correspondência,
ruminamos, por tempo indeterminado, os quadros sinistros que nós mesmos
criamos. Cada consciência vive e evolve entre os seus próprios
reflexos. É por isso que Allan Kardec afirmou, convincente, que, depois
da morte, até que se redima no campo individual, «para o criminoso
a presença incessante das vítimas e das circunstâncias do
crime é suplício cruel».
LEMBRETE:
1° - "A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos." Allan Kardec
2° - É uma recordação intuitiva do progresso feito nas precedentes existências e das resoluções tomadas pelo Espírito antes de encarnar, resoluções que ele, muitas vezes, esquece como homem. Allan Kardec
3° - (...) A única ventura real que existe na Terra. (...) a felicidade incorruptível que os bandidos não usurpam, e Deus valoriza, que o tempo não destrói, e os vermes não corroem. (...) é a pureza da consciência, é a satisfação íntima por não haveres transgredido nenhum dos teus deveres morais, sociais e espirituais. Victor Hugo
4° - A consciência é um registro da Direção Divina, impelindo-nos a regular os batimentos do coração pelo ritmo da verdadeira fraternidade. Waldo Vieira
5° - A consciência é o juiz íntegro cuja toga não se macula, e cuja sentença ouviremos sempre, quer queiramos, quer não, censurando nossa conduta irregular. Esse juiz, essa voz débil,mas insopitável, é a centelha divina que refulge através da escuridão de nossa animalidade, é o dimante que cintila a despeito da negrura espessa do rude invólucro que o circunda. Vinícius
6° - Segundo o Espiritismo, os estados de consciência que estão impregnados pela tonalidade afetiva fundamental da alma, representam, na vida espiritual,os graus de evolução espiritual da personalidade e são prontamente reconhecíveis na tonalidade da aura bem como na densidade do corpo espiritual. Isso se deve ao fato de o corpo espiritual ser muito mais psíquico que somático, se é que se possar usar esse termo por analogia. Leopoldo Balduino
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