CURA |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- A agonia das religiões- pág. 87 | 02 - A alma é imortal - pág. 292, 293 |
| 03 - A Gênese - cap. XXIV, 31 - XXV | 04 - A mediunidade e a lei - toda a obra |
| 05 - A renascença da alma - pág. 107 | 06 - Antologia dos perispírito - ref. 322 |
| 07 - As aves feridas na Terra voam - pág. 84 | 08 - Ave luz - pág. 106 |
| 09 - Caminho, Verdade e Vida - pág. 103, 155 | 10 - Cromoterapia - pág. toda a obra |
| 11 - Da alma humana - pág. 170 | 12 - Depois da morte - pág. 33 |
| 13 - Dos hippies aos problemas do mundo - pág. 30 | 14 - Emmanuel - pág. 123 |
| 15 - Falando à Terra - pág. 214 | 16 - Fonte viva - pág. 387 |
| 17 - Katie King - pág. 122 | 18 - Magnetismo curativo - pág. 151, 20 |
| 19 - Mãos de luz - toda a obra | 20 - Mecanismos da Mediunidade - pág. 157, 168 |
| 21 - Mensagens de além-túmulo - pág. 66 | 22 - O Centro Espírita - pág. 25 |
| 23 - O Consolador - pág. 66,68,70 | 24 - O Espírito da Verdade - pág. 129 |
| 25 - O Espírito do cristianismo - pág. 247,256 | 26 -O Espírito e o tempo - pág. 196 |
| 27 -O Livro dos Espíritos - q. 479, 556 | 28 - O Livro dos Médiuns - q.131, 175, 189 |
| 29 - O redentor - pág. 94 | 30 - Obras Póstumas - pág. 66 |
| 31 - Pão Nosso- pág. 99 | 32 - Passes e radiações - pág. 71 |
| 33 - Pinga fogo com Chico Xavier - pág. 58 | 34 - Vinhas de luz - pág. 329 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
CURA – COMPILAÇÃO
01 - A AGONIA DAS RELIGIÕES - J. HERCULANO PIRES - pág. 87
CAPÍTULO: XI A CURA DIVINA:
Para as
camadas pobres da população e a gente simples dos bairros elegantes,
onde a ignorância anda sobre tapetes de luxo, o Espiritismo não
é mais do que uma seita de terapeutas obscuros, de curandeiros broncos.
Acredita-se que a única finalidade do Espiritismo é curar por
meio de processos mágicos. Mas a cura divina não é privilégio
de ninguém. Encontramo-la em todas as religiões e seitas religiosas
do passado e do presente. E mais ainda a encontraremos no futuro, mas então
já reconhecida como um processo cientificamente explicável e não
mais sujeito à exploração dos missionários por conta
própria que hoje, nas grandes cidades, enriquecem-se à sombra
da ignorância ilustrada e da miséria analfabeta, tendo por patrono
o orgulho botocudo da alta medicina e o comodismo criminoso da burocracia dos
órgãos oficiais de assistência social.
Ligo o rádio às 4 da manhã e ouço o locutor anunciar
o programa de um missionário da cura divina. O missionário se
apresenta declinando o seu título auto-concedido. Sua voz e suas expressões
revelam o tipo de ignorância radiofonizada. É um ex-trabalhador
braçal que descobriu em si mesmo o meio de superar sua condição
inferior. Fala em nome de Jesus-Cristo e faz desfilar pelo microfone várias
criaturas dos bairros humildes que relatam as curas divinas com que foram agraciadas.
A linguagem de todos é pitoresca e emocionante. Revela ao mesmo tempo
a penúria cultural e a fé ingênua do povo. Algumas pessoas
se curaram com o programa de rádio, outras com o disco de preces do missionário,
outras nas reuniões tumultuosas da igreja, outras, levando peças
de roupas de certos doentes ao recinto sagrado, conseguiram curá-los.
É um desfile impressionante de sofrimento e miséria, de ignorância
e crendice pelos canais de comunicação da tecnologia moderna.
Às vezes, isso acontece também na televisão, embora em
programas eventuais, o que acentua o contraste dos desníveis culturais
da nossa época. Não se pode condenar essa revelação
natural da realidade em que vivemos. O mais chocante é que não
se pode nem mesmo condenar a indústria e o comércio dos missionários
espertalhões, que bem ou mal atendem às necessidades de milhares
de pessoas desamparadas.
A cura divina — hoje cura paranormal — é uma realidade inegável
em todo o mundo. Mesmo os cientistas de cabeça-dura reconhecem a sua
existência e procuram explicá-la através dos processos psicossomáticos,
da influência de energias psíquicas sobre o físico. Essa
influência pertence, segundo o Espiritismo — e agora segundo as
pesquisas parapsicológicas e a descoberta do corpo-bioplásmico
pelos físicos e biólogos soviéticos — à própria
estrutura psicofísica do homem. A vida se revela aos nossos olhos, nestes
dias, como o resultado da ação do espírito sobre a matéria,
e isso em todas as suas manifestações, como já ficou evidente
no capítulo sobre o corpo-bioplásmico. Não se trata de
nada excepcional ou sobrenatural, mas, pelo contrário, de um fato simplesmente
natural. E precisamente por isso o problema da cura divina exige atenção
imediata e acurada da Ciência, para que ela seja retirada das mãos
ineptas e em geral gananciosas dos missionários por conta própria.
Se isso não for feito, se os cientistas não levarem o assunto
a sério e os médicos e suas associações profissionais
não puserem de lado os seus preconceitos, enfrentando corajosa e dignamente
o problema, serão vãs todas as tentativas repressoras por meios
policiais e ações judiciais. Um fato deve ser encarado como fato
e não como lenda ou superstição. Temos de usar a cabeça
e livrar-nos da estúpida pretensão de superioridade cultural em
área que não conhecemos.
A terapêutica espírita existe e vive em luta incessante em duas
frentes. De um lado é atacada por associações médicas
e de outro lado pelas igrejas. A burrice e o interesse profissional estão
presentes nessas duas frentes. Entretanto, a terapêutica espírita
não se apoia em pressupostos ingênuos nem se serve dos processos
do curandeirismo. Suas bases teóricas são científicas e
seus métodos psicoterapêuticos, como demonstrou Jean Ehrenwald,
superam os da psicoterapia científica da atualidade. O que a prejudica
aos olhos dos especialistas não está nela, mas neles: é
o preconceito, a negação apriorística e portanto anticientífica
da interferência de influências estranhas no psiquismo humano. Esse
tipo de influências já não pode ser negado por ninguém,
depois dos avanços científicos do nosso tempo. Somente pessoas
desatualizadas cientificamente podem ainda insistir na negação
de realidades cientificamente demonstradas e aceitas nos meios universitários
mais conceituados do mundo.
Muitos dos casos relatados no programa de rádio do missionário
a que me referi, apesar das circunstâncias simplórias em que se
deram, são perfeitamente enquadráveis na terapêutica par
anormal, admitindo-se ou não que o missionário seja um sujeito
para-normal. Outros casos se explicam pelas próprias teorias da psicoterapêutica
científica, sem necessidade dos dados da paranormalidade. Kardec utilizou-se
várias vezes da contribuição de médicos para a verificação
de casos da chamada mediunidade-curadora, como se pode ver pelas suas relações
com o Dr. Demeure, relatadas minuciosamente na Revista Espírita. A médium
observada pelo referido médico, em sua clínica, era uma jovem
que curava pelos processos típicos do curandeirismo mais grosseiro, através
de beberagens produzidas com ervas, mas sob a orientação de espíritos
que a assistiam. O próprio Kardec foi médico e clinicou em Paris,
como se pode ver pela sua recente biografia de André Moreil. Discute-se
o problema da sua graduação em medicina, que não se conseguiu
provar, mas seu contemporâneo Henri Sausse, que foi também o seu
primeiro biógrafo, afirma que ele defendeu brilhantemente sua tese de
doutoramento. O que não se pode negar é que conhecia profundamente
ciências médicas e lecionou-as em Paris.
A terapêutica espírita não pretende superar a medicina,
mas tão-somente contribuir para torná-la mais eficiente. O número
de hospitais espíritas existentes em nosso país e o seu aumento
constante, apesar das restrições e da má-vontade que encontram
de parte dos poderes oficiais, é prova disso. Os hospitais espíritas
não são construídos por uma igreja poderosa nem segundo
um plano estadual ou nacional. São iniciativas de pequenos grupos ou
instituições doutrinárias, geralmente desprovidas de recursos
financeiros, que agem com absoluta autonomia. O móvel dessas iniciativas
é o desejo de estender a todos os recursos da terapêutica espírita
em conjugação com a medicina. Chega a ser emocionante o empenho
nesse sentido, quando se sabe que os médicos não-espíritas,
chamados a trabalhar em hospitais espíritas, criam dificuldades ao seu
funcionamento e os serviços oficiais proíbem os simples passes
e até mesmo as preces no recinto hospitalar. No caso dos hospitais psiquiátricos
o que se passa merecia um longo estudo. O oficialismo médico e governamental,
embora consciente das deficiências da medicina para curar a maioria dos
doentes, fecha-se numa rigidez irracional, negando aos espíritas o direito
de socorrer aqueles doentes com seus recursos próprios, que, no máximo,
seriam inócuos. As alegações teóricas em contrário
não resistem ao volume de fatos favoráveis aos espíritas
e particularmente às conquistas atuais das ciências no tocante
à realidade espiritual.
A finalidade do Espiritismo não é terapêutica, mas cultural.
No seu aspecto científico, no campo específico da Ciência
Espírita, o que importa é a descoberta das leis naturais do espírito,
que não estão ao alcance das pesquisas materiais nem das indagações
teológicas. Descobrir essas leis pela pesquisa espírita e os processos
de sua relação com as leis dos fenômenos materiais é
um objetivo que hoje se impõe como necessidade do próprio desenvolvimento
científico. A descoberta da antimatéria pelos físicos mostrou
a existência de outro mundo ligado ao nosso por um sistema evidente de
interpenetração. A descoberta do corpo-bio-plásmico mostrou
que esse mundo antimaterial pode ser habitado por seres humanos dotados de corpos
diferentes dos nossos. As pesquisas parapsicológicas mostraram, particularmente
através dos fenômenos teta (relacionados com a morte e as manifestações
espíritas) a existência de relações entre essas duas
populações. O Espiritismo antecipou de um século as pesquisas
sobre esses problemas, que são de interesse vital para toda a Humanidade.
A terapêutica espírita resulta naturalmente desse conhecimento
antecipado, a que somente agora as ciências estão encontrando acesso.
Ela não decorre, portanto, de superstições, hipóteses
ou práticas tradicionais de cura envoltas em mistério, sustentadas
por crenças populares. Seus fundamentos são racionais e científicos.
É prova de ignorância lamentável confundir-se a terapêutica
espírita com o curandeirismo ou com as práticas religiosas que
se apoiam apenas nos estímulos da fé irracional. Já vimos
que a própria fé encontra no Espiritismo explicação
e definição diversas das que lhe são dadas na cultura materialista
e na cultura religiosa. A fé não age nos casos de cura como um
poder atuante, mas como uma base em que se apoiam os poderes do espírito
para agirem com eficácia. O conhecimento dos fatores causadores da doença
e a descoberta das leis que permitem a aplicação de processos
curativos eficientes são os elementos essenciais da terapêutica
espírita. Justamente por isso ela pode e deve complementar os recursos
médicos, como a experiência secular tem provado.
Vejamos um caso típico de contribuição espírita
em plano concreto. Richet, fisiologista e médico, prêmio Nobel
de sua especialidade, descobriu o ectoplasma dos processos de materialização.
Geley, também fisiologista — e espírita — deu prosseguimento
às pesquisas de Richet. Ambos provaram, secundados por outros cientistas
eminentes, entre os quais Crookes e Zòllner, que o ectoplasma é
uma emanação do corpo do médium em forma de um plasma leitoso.
SchrenkNotzing, na Alemanha, conseguiu porções de ectoplasma,
colhidas em sessões mediúnicas experimentais, e submeteu-as a
exame histológico em laboratórios de Berlim e Viena, comprovando
a sua natureza orgânica. Várias manifestações espíritas
aludiram à possibilidade de aplicação terapêutica
desse elemento para a reconstituição de tecidos vivos afetados
ou destruídos por processos cancerosos. Experiências realizadas
atualmente em sessões de materialização deram resultados
animadores. Infelizmente não foram feitas em instituições
científicas. Mas os médicos participantes dessas experiências
entendem que, se pesquisadores categorizados tratarem do assunto abrirão
uma nova era no tratamento das recuperações consideradas impossíveis.
Pietro Ubaldi, que apesar de médium não era espírita, admite
em suas obras que o ectoplasma pode ser um ensaio de nova forma de reprodução
da espécie, um novo sistema biológico em desenvolvimento, que
substituirá o sistema animal de reprodução sexual. Todas
as pessoas envolvidas nessas duas hipóteses são dotadas de cultura
científica. Nenhuma delas apelou para explicações sobrenaturais
do fenômeno.
As campanhas clericais contra o Espiritismo, apoiadas muitas vezes pelas corporações
científicas, alimentaram o preconceito antiespírita numa sociedade
fechada, cuja cultura rigidamente estruturada não admitia incursões
estranhas, nem mesmo quando lideradas por expoentes dessa mesma cultura. A luta
de Pasteur contra os cabeças-duras do seu tempo é suficiente para
mostrar as barreiras que se levantam quando uma novidade aparece no campo científico.
Mas hoje essas barreiras já foram de tal maneira derrubadas dentro da
própria fortaleza científica que podemos ter alguma esperança.
Parece não estar longe o dia em que o sonho de Kardec será realizado:
as ciências do espírito e da matéria se conjugarão.
Estamos às portas de uma revolução cultural decisiva. A
terapêutica espírita exerce uma fascinação crescente
sobre os cientistas e os médicos arejados, de mente aberta para as possibilidades
novas. Que farão as religiões dogmáticas em face das transformações
radicais que já abalam suas velhas estruturas? Continuarão apegadas
aos seus dogmas envelhecidos ou flutuarão no vácuo das reformas
teológicas baseadas em sofismas brilhantes? E qual a doutrina, qual a
concepção do mundo que apresenta essas condições
gerais de unificação do conhecimento e ampliação
das dimensões da vida e do homem, além do Espiritismo?
O problema da experiência de Deus e o da cura divina se confundem, tanto
em sua origem quanto em seu desenvolvimento histórico, em seus pressupostos
e em sua prática. Suas raízes se entrelaçam no chão
das heranças atávicas, ambos têm a mesma procedência
remota, derivam das fórmulas mágicas e passaram pelos mesmos processos
de elaboração mística nas coordenadas do tempo e do psiquismo
em desenvolvimento. Fundam sua eficácia na fé ingênua que
brota do sentimento religioso intuitivo (ou instinto espiritual) e requerem
posturas corporais específicas e elementos materiais como veículos
da graça celeste. As religiões formalistas se acomodam nesses
processos da tradição milenar, esquecidas de que o homem já
superou o uso de instrumentos rudimentares nas relações com Deus.
O complicado aparato das religiões mágicas, que auxiliou no passado
o pensamento humano a desprender-se das entranhas da terra, atualmente impede
esse mesmo pensamento de atingir a autonomia de que necessita para librar-se
aos planos superiores da verdadeira vida espiritual. Enquanto os clérigos
ilustrados retêm os seus adeptos no emaranhado das práticas rituais,
impossibilitando-lhes a compreensão verdadeira dos princípios
evangélicos, os missionários por conta própria capitalizam
habilmente os resultados dessa retenção indébita através
do comércio da cura divina. É uma espécie de conluio inconsciente,
de que uns e outros não têm a percepção clara, e
cujos resultados, úteis no plano específico da prática,
são entretanto prejudiciais no plano geral da evolução
humana. Imantar o psiquismo das camadas ingênuas da população,
através de excitações emocionais, ao campo hipnótico
dos mitos é o mesmo que incentivar o uso de psicotrópicos a pretexto
de socorrer o desespero humano. Na própria Bíblia, os clérigos
atuais (uma espécie social em vias de extinção) encontram
a lição arrepiante de Moisés, que preferiu mandar passar
a fio de espada os israelitas apegados à idolatria e à magia egípcia,
a comprometer o futuro espiritual de Israel. Hoje não precisamos dessa
violência assassina, basta um pouco de boa; vontade e raciocínio
para se compreender que as raízes amargas do passado podem ser extirpadas
com ensinos e exemplos de renovação mental.
O sentimento religioso do homem responde pelo impulso de transcendência
que as filosofias existenciais são unânimes em reconhecer no devir
humano, no instinto evolutivo da espécie. O desenvolvimento da lei de
adoração, atestado pelas pesquisas antropológicas, o confirma.
Não há mais tempo a perder com artificialismos superados.
02 - A ALMA É IMORTAL - GABRIEL DELANNE - PÁG. 292, 293
O
Sr. Cross foi gravemente mordido por um gato, que, no mesmo dia, morreu hidrófobo.
A princípio, ele pouca atenção : deu a essa circunstância,
que, sem dúvida, em nada lhe perturbou a imaginação ou
o sistema nervoso. Três meses, no entanto, depois do acidente, sentiu,
certa manhã, forte dor no braço, ao mesmo tempo que grande sede.
Pediu um copo dágua."No momento, porém, diz ele, em que eu
ia levar o copo aos lábios, senti na garganta violento espasmo. Logo
se me apoderou do espirito a terrível convicção de que
me achava atacado de hidrofobia, em consequência da mordedura do gato.
É indescritível a angústia que experimentei durante uma
hora. Era-me quase intolerável a idéia de tão terrível
morte. Senti uma dor que começou na mão e ganhou o cotovelo, depois
a espádua, ameaçando estender-se mais. Percebi que seria inútil
qualquer assistência humana e acreditei que só me restava morrer.
"Afinal, pus-me a refletir sobre a minha situação. Pensei
comigo mesmo que tanto eu podia morrer, como não morrer; que, se houvesse
de morrer, teria a sorte que outros tinham tido e outros ainda terão
e que me cumpria afrontar a morte como homem; que se, por outro lado, me restasse
alguma possibilidade de conservar a vida, um único era, para mim, o meio
de o conseguir: firmar as minhas resoluções, enfrentar o mal e
exercer esforços enérgicos sobre o meu espírito. Conseguintemente,
compreendendo que precisava de exercício ao mesmo tempo intelectual e
físico, tomei do meu fuzil e saí a caçar, sem embargo da
dor que continuava a sentir no braço. "Em resumo, não encontrei
caça, mas caminhei durante toda a tarde, fazendo, a cada passo que dava,
um rigoroso esforço de espirito contra a moléstia. Retornando
a casa, achava-me realmente melhor. Ao jantar, pude comer e beber água,
como de ordinário. No dia seguinte de manhã, a dor recuara para
o cotovelo; no dia imediato, retrocedera para o pulso e no terceiro dia desaparecera.
Falei do caso ao Dr. Kinglake. Disse-me que, na sua opinião, eu sofrera,
indubitavelmente, um ataque de hidrofobia, que me poderia ter sido fatal, se
eu não houvera reagido energicamente contra ele, por vigoroso esforço
do espírito."
O espírito precisa, às vezes, de um suplemento de força,
para agir eficazmente sobre o corpo. No hipnotismo, podem considerar-se as injunções
imperativas do operador como o estimulante necessário. Lembraremos, de
memória, as experiências do Sr. Focachon e dos Srs. Bourru e Burot.
O farmacêutico de Charmes aplica na espádua de seu paciente alguns
selos do correio e passa-lhes por cima, a fim de segurá-los, umas tiras
de diaquilão e uma compressa, sugerindo-lhe, ao mesmo tempo, que lhe
aplicara um vesicatório. O paciente fica sob vigilância. Depois
de vinte horas, retiraram o penso, que se conservara intacto. No lugar, a pele,
espessada e macerada, apresentava uma cor azul-amarelado, estando a região
cercada de uma zona de intensa vermelhidão, com intumescimento. Esse
estado verificaram-no os Srs. Liégeois, Bernheim, Liébault, Beaunis.
Pouco mais tarde sobreveio a supuração.
Tão grave perturbação orgânica fora causada pela
vontade, atuando como elemento material sobre os tecidos do corpo. Na Salpétrière,
o Sr. Charcot e seus alunos ocasionaram queimaduras por sugestão. Finalmente,
os Srs. Bourru e Burot conseguiram produzir, à vontade, estigmas no corpo
de um paciente. À hora que os operadores determinavam, o corpo do paciente
sangrava nos lugares que eram tocados por um estilete sem ponta. Letras traçadas
na carne se desenhavam em relevo, de um vermelho vivo, sobre o fundo pálido
da pele. Prova isto à evidência que a vontade de um operador pode
mudar a matéria do corpo de um paciente, em sentido favorável
ou nefasto ao indivíduo, conforme a direção que se lhe
imprima. Poderíamos também citar o caso do célebre Edward
Irwing que se curou, pela ação da vontade, de um ataque de cólera,
durante a epidemia de 1832. O poder da vontade se exerce igualmente sobre as
sensações. Jacinto Langlols, distinto artista, íntimo de
Talma, narrou ao Dr. Brierre de Boismont que esse grande ator lhe referira que,
quando estava em cena, tinha o poder, pela força da sua vontade, de fazer
desaparecessem as vestes do seu numeroso e brilhante auditório e de substituir
essas personagens vivas por outros tantos esqueletos. Logo que a sua imaginação
enchera assim a sala daqueles singulares espectadores, a emoção
que em consequência experimentava lhe imprimia tal força ao jogo
cênico, que muitas vezes os mais empolgantes efeitos se produziam.
Não é único este fato: Goathe também conseguia ter
visões voluntárias e sabe-se que Newton podia obter para si, à
vontade, a imagem do Sol. O Or. Wigan faz menção de uma família,
cada um de cujos membros possuía a faculdade de ver mentalmente, sempre
que o queria, a imagem de um objeto e de fazer deste, de memória, um
desenho mais ou menos exato. Esse poder da vontade, que se exerce sobre o corpo
com tanto império, quando a pessoa sabe servir-se dele, também
tem ação determinada sobre outros organismos. Vamos mostrá-lo
experimentalmente. Ação da vontade a distância:
A influência da vontade de um hipnotizador sobre o seu paciente é
fato que hoje dispensa qualquer demonstração. A sugestão,
cujas formas são tão variadas, tornou incontestável a ação
que, sobre o espírito de um paciente sensível, exerce uma ordem
formulada de modo imperativo. Essa ordem se grava no espírito do paciente
e pode fazê-lo executar todos os movimentos, dar-lhe todas as alucinações
dos sentidos, como lhe pode perturbar as faculdades intelectuais e, até,
aniquilá-las completamente, por certo tempo. Os tratados sobre hipnotismo
estão cheios de exemplos desse gênero de ações voluntárias.
O que queremos mostrar aqui é o que foi com muita frequência contestado:
a ação da vontade, a distância. Os antigos magnetizadores
lhe haviam revelado a existência e os modernos experimentadores, sem embargo
da repugnância que manifestam, terão que se resignar a confessá-la.
É, aliás, o que fazem os mais sinceros. Aqui estão dois
fatos, buscados em fontes de confiança, que mostram, sem contestação
possível, a influência da vontade a exercer-se fora dos limites
do organismo.
No seu célebre relatório à Academia, refere assim o Dr.
Husson o primeiro deles:"A Comissão se reuniu no gabinete de Bourdais,
a 6 de outubro, ao meio-dia, hora em que chegou o Sr. Cazot (o paciente). O
Sr. Foissac, o magnetizador, fora convidado a comparecer as 12h30m. Ele se conservou
no salão, sem que Cazot o soubesse e sem nenhuma comunicação
conosco. Foi-lhe dito, no entanto, por uma porta oculta, que Cazot se achava
sentado num canapé, distante dez pés de uma porta fechada, e que
a Comissão desejava que ele, magnetizador, adormecesse o paciente e o
despertasse àquela distancia, permanecendo no salão e Cazot no
gabinete. "As 12h37m, estando Cazot atento à conversação
que entabuláramos, ou a examinar os quadros que adornam o gabinete, o
Sr. Foissac, colocado no compartimento ao lado, começa a magnetizá-lo.
Notamos que ao cabo de quatro minutos Cazot pisca ligeiramente os olhos, inquieto,
e que, afinal, decorridos nove minutos adormece..."O resultado é
positivo, com exclusão de toda suspeita, dado que se produziu diante
de investigadores pouco crédulos e de toda a competência exigida
para se pronunciarem com conhecimento de causa. Cedamos agora a palavra ao Sr.
Pierre Janet, cujos trabalhos sobre o hipnotismo têm autoridade no mundo
sábio. "Pode-se adormecer o paciente sem o tocar, por uma ordem
não expressa, mas apenas pensada diante dele. Numa nova série
de experiências, cuja narrativa ainda não está publicada,
após longa educação do paciente, cheguei eu próprio
a repetir à vontade esse fenômeno. (...)
03 - A GÊNESE - ALLAN KARDEC - CAP. XXIV - ÍTEM 31 - CURAS
31.
- O fluido universal, como se viu, é o elemento primitivo do corpo carnal
e do perispírito, que dele não são senão transformações.
Pela identidade de sua natureza, este fluido, condensado no perispírito,
pode fornecer ao corpo os princípios reparadores; o agente propulsor
é o Espírito, encarnado ou desencarnado, que infiltra num corpo
deteriorado uma parte da substância de seu envoltório fluídico.
A cura se opera pela substituição de uma molécula sã
a uma molécula malsã. O poder curador está, pois, em razão
da pureza da substância inoculada; ele depende ainda da energia da vontade,
que provoca uma emissão fluídica mais abundante, e dá ao
fluido uma maior força de penetração; enfim, as intenções
que animam aquele que quer curar, quer seja homem ou Espírito. Os fluidos
que emanam de uma fonte impura são como substâncias medicinais
alteradas.
32. - Os efeitos da ação fluídica sobre as enfermidades
são extremamente variados, segundo as circunstâncias; esta ação,
algumas vezes, é lenta e reclama um tratamento continuado, como no magnetismo
comum; de outras vezes, ela é rápida como uma corrente elétrica.
Há pessoas dotadas de uma força tal que elas operam, sobre certos
enfermos, curas instantâneas pela só imposição das
mãos, ou mesmo só por um ato da vontade. Entre os dois pólos
extremos desta faculdade, há nuanças ao infinito. Todas as curas
deste gênero são variedades do magnetismo e não diferem
senão pelo poder e a rapidez da ação. O princípio
é sempre o mesmo: e o fluido que desempenha o papel de agente terapêutico,
e cujos efeitos estão subordinados à sua qualidade e às
circunstancias especiais.
33. - A ação magnética pode se produzir de várias
maneiras: Pelo próprio fluido do magnetizador; é o magnetismo
propriamente dito, ou magnetismo humano, cuja ação está
subordinada ao poder e, sobretudo, à qualidade do fluido; Pelo fluido
dos Espíritos agindo diretamente, e sem intermediário, sobre um
encarnado, seja para curar ou acalmar um sofrimento, seja para provocar o sono
sonambúlico espontâneo, seja para exercer, sobre o indivíduo,
uma influência física ou moral qualquer. É o magnetismo
espiritual, cuja qualidade está em razão das qualidades do Espirito.
Pelos fluidos que os Espíritos despejam sobre o magnetizador e ao qual
este serve de condutor. É o magnetismo misto, semi-espiritual ou, querendo-se,
humano-espiritual. O fluido espiritual, combinado com o fluido humano, dá
a este as qualildades que lhe faltam. O concurso dos Espíritos, em semelhante
circunstância, é por vezes espontâneo, mas, o mais frequentemente,
é provocado pelo pedido do magnetizador.
34. - A faculdade de curar por influência fluídica é muito
comum, e pode se desenvolver pelo exercício; mas a de curar instantaneamente,
pela imposição das mãos, é mais rara, e o seu apogeu
pode ser considerado como excepcional. Entretanto, foram vistos em diversas
épocas, e quase entre todos os povos, indivíduos que a possuíam
em grau eminente. Nestes últimos tempos, viram-se vários exemplos
notáveis, cuja autenticidade não pode ser contestada. Uma vez
que estas espécies de cura repousam sobre um princípio natural,
e que o poder de operá-las não é um privilégio,
é que elas não saem da Natureza e não têm de miraculosas
senão a aparência.
07 - AS AVES FERIDAS NA TERRA VOAM - NANCY P. D. GIROLAMO - PÁG. 84
ÍTEM
V - A oração do paralítico:
Tomamos conhecimento da Oração do paralítico por intermédio
do primeiro número da revista "Reabilitação",
e achamos que seria bom divulgá-la em outros veículos de comunicação
pela singeleza da forma e beleza do conteúdo.
É uma oração-depoimento, por isso equivale a muitas páginas
de suposições ou a muitas dissertações escritas
da forma: "faz de conta que sou eu". Salientamos antes um aspecto
óbvio, mas que merece ser lembrado. O deficiente físico, sobretudo
quando a incapacidade surgiu na idade adulta ou plena juventude, enfrenta uma
superdificuldade: a consciência e a aquilatação da perda,
do corte em sua vida, da limitação e do apequenamento de suas
aspirações e da destruição de seus planos. Sente-se
emparedado e geralmente cai em profundo desânimo que leva à revolta.
A doença ou o desastre causaram a sua desgraça e ele pode sentir-se
como uma vítima escolhida ao acaso.
Essa compreensível situação tem maior ou menor duração
segundo inúmeros fatores, entre os quais pesam mais a filosofia de vida,
o apoio dos próximos, a influência dos reabilitadores e a reserva
moral de que disponha. Compensativamente, depois do período de mais aguda
prostração, surge uma fase de revigoramento — imprescindível
para a sobrevivência em equilíbrio — e se desenvolve a maturidade
interior. Começa a procura de uma fresta no emparedamento e pode ser
encontrado um horizonte novo, desde que se procure na direção
vertical. Porque é nessa direção que ele está. A
perda pode, paradoxalmente, gerar uma riqueza imponderável de imenso
valor, dessa a que se refere o Evangelho: "a traça não rói
e os ladrões não roubam". Sob o ponto de vista da doutrina
espírita, esse é o fruto magnífico da difícil provação
redentora porque é, nitidamente, um fruto de sabor evolutivo. A oração
do paralítico, que transcreveremos abaixo, ilustra bem o que estamos
procurando dizer.
Durante a guerra civil americana um soldado foi ferido e ficou paralítico
irreversivelmente. Após superar muitos meses de grandes sofrimentos,
vislumbrou o novo horizonte. Escreveu uma oração que se transformou,
desde aquela época, numa das mais belas páginas escritas por um
deficiente físico. A tradução livre, do original inglês,
é de Gustavo Joppert: "Eu pedi a Deus por força, para tudo
conseguir... Fui feito fraco para aprender a obedecer. Eu pedi a Deus por saúde,
para realizar coisas grandiosas...Fui feito doente para realizar coisas difíceis.
Eu pedi a Deus por riquezas, para comprar felicidade... Fui feito pobre, para
vender sabedoria. Eu pedi a Deus por poder, para que os homens necessitassem
de mim... Fui feito insignificante, para sentir a necessidade de Deus. Eu pedi
a Deus por tudo isso, para poder gozar a vida... Foi me dada a vida para poder
avaliar seu gozo. Eu não recebi nada do que pedi. Mas obtive tudo aquilo
que esperava ganhar. A despeito dos meus erros, as preces que não fiz
foram atendidas. E, dentre todos os homens, eu me considero O mais ricamente
abençoado". Em lugar de tecer alguns comentários a respeito
dessa Oração, sugerimos aos leitores que usem o próximo
minuto relendo as palavras do soldado ferido que se tornou um paralítico
anônimo e só depois, exatamente através do que perdeu, conseguiu
sentir-se o mais ricamente abençoado entre todos os homens.
13 - DOS HIPPIES AOS PROBLEMAS DO MUNDO - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER -PÁG. 30
ÍTEM
AUXÍLIOS E CURAS:
ALMIR GUIMARÃES: Tenho uma pergunta, que vem de Uberlândia. Quem
formula esta pergunta é o dr. Domingos Pimentel de Ulhoa, reitor da Universidade
de Uberlândia. Ele, antes, faz um preâmbulo, uma observação,
que é a seguinte, referindo-se a uma entrevista que você deu à
revista "Realidade": "Minha tarefa é o livro, não
é a cura." Apesar da afirmativa, o sr., pelos seus guias receita
dezenas ou centenas de vezes em cada sessão. Muitas, somente exaltações
inspiradas na moral, na fé e na esperança. Na maioria, homeopatia
e dinamização suave. Pergunta: "Qual o objetivo: o sofrimento
que a doutrina, julgo, considera como processo de expiação e aprimoramento?
A caridade de curar algumas vezes e consolar sempre, com perdão da irreverência,
é simplesmente proselitismo?"
CHICO XAVIER: -A informação da revista "Realidade" é
uma informação autêntica. Nós, desde o princípio,
temos estado convocados por nossos amigos espirituais à manutenção
do livro. E o livro, por nosso intermédio, vem sendo produzido desde
o ano de 1931, quatro anos depois de nosso ingresso na doutrina espirita, explicada
por Allan Kardec, com base nos Evangelhos de Jesus Cristo. Compreendemos que
as nossas respostas, as respostas dos amigos espirituais por nosso intermédio,
aos amigos que nos visitam, em sua maioria quase que esmagadora, são
sempre respostas baseadas na própria doutrina, em nossa necessidade de
paciência, de compreensão, de calma, de humanidade, diante dos
outros e há um pequeno setor em que os amigos espirituais a pedido de
amigos que nos é liberada nos Estados Unidos da América do Norte
e até mesmo em países da Europa, como a Alemanha Ocidental, com
plena aprovação do mundo médico. Além da quinta
dinamização, somente os nossos amigos diplomados em Medicina tem
autoridade para apresentar os requisitos necessários ao tratamento ou
cura dos enfermos. Quanto ao problema do auxílio, nós nos recordamos
daquela palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando, dirigindo-se aos sofredores,
Ele afiançou: "Vinde a mim vós, os que sofreis, que eu vos
aliviarei". O próprio Senhor, não prometeu cura: Ele prometeu
alívio. Não estamos fazendo absolutamente qualquer comparação.
Conhecemos a nossa posição de subvermes em minha condição
pessoal. Quanto ao proselitismo, devemos informar ao nosso caro consulente de
Uberlândia que começamos nosso grupo orando, a bem dizer, em família,
um pequeno grupo. Se houvesse da nossa parte qualquer impulso de proselitismo,
nós estaríamos recrutando os que sofrem nas cidades de que eles
procedem em Pedro Leopoldo ou Uberaba. Nós estamos em nosso grupo muito
humilde de orações. Os amigos nos visitam. É impossível
recusar acolhimento, porque aqueles que nos visitam nos conferem uma honra.
Orar, conosco, vir ao nosso encontro para uma prece: isto é uma bênção
para nós. Isto, para nós é calor humano, fraternidade,
amor em Jesus, aproximação humana, vontade de nos compreendermos
uns aos outros, vontade de nos aquecermos de coração para coração,
mas não proselitismo, porque em nossa vida de 45 anos na doutrina espírita-cristã
ainda não fomos a cidade alguma recrutar os nossos amigos para as nossas
reuniões.
14 - EMMANUEL - EMMANUEL - ÍTEM XXIII - A SAÚDE HUMANA:
Justifica-se
o esforço dos experimentadores da medicina tentando descobrir um caminho
novo para atenuar a miséria humana; todavia, sem abstrairmos das diretrizes
espirituais, que orientam os fenômenos patogênicos nas questões
das provas individuais, temos necessidade de reconhecer a imprescindibilidade
da saúde moral, antes de atacarmos o enigma doloroso e transcendente
das enfermidades físicas do homem. A RENOVAÇÃO
DOS MÉTODOS DE CURA: Em todos os séculos tem-se estudado
o problema da saúde humana. Até à metade do século
XVIII, admitia-se plenamente a medicina da Idade Média que, por sua vez,
representava quase integralmente o mesmo processo de cura dos egípcios,
na antiguidade. Todas as moléstias eram atribuídas à vacilação
dos humores, baseando-se a maior parte dos métodos terapêuticos
na sangria e nas substâncias purgativas. No século XIX, as grandes
descobertas científicas eliminaram esses antigos conhecimentos. Os aparelhos
de laboratório perquirindo o mundo obscuro e vastíssimo da microbiologia,
as novas teses anatomopatológicas, apresentadas pelos estudiosos do assunto,
estabelecem, com a severidade das análises, que as moléstias residem
na modificação das partes sólidas do organismo, abandonando-se
a teoria da alteração dos humores. Os médicos esqueceram,
então, o estudo dos líquidos viciados do corpo, concentrando atenções
e pesquisas na lesão orgânica, criando novos métodos de
cura.
OS PROBLEMAS CLÍNICOS INQUIETANTES: Não
obstante a nobreza e a sublimidade da missão de quantos se entregam ao
sagrado labor de aliviar as amarguras alheias aí no mundo, reconhecemos
que muitos estudiosos perdem um tempo precioso, mergulhados na discussão
de mesquinhas rivalidades profissionais, quando não se acham atolados
no pântano dos interesses exclusivistas e particulares, desconhecendo
a grandiosidade espiritual do seu sacerdócio. O que se torna altamente
necessário nos tempos modernos é reconhecer-se, acima de todos
os processos artificiais de cura da atualidade, o método indispensável
da medicina natural, com suas potencialidades infinitas. Analisando-se todos
os descobrimentos notáveis dos sistemas terapêuticos dos vossos
dias, orientados pelas doutrinas mais avançadas, em virtude dos novos
conhecimentos humanos com respeito à bacteriologia, à biologia,
à química, etc., reconhecemos que, com exceção da
cirurgia, que teve com Ambroise Pare, e outros inteligentes cirurgiões
de guerra, o mais amplo dos desenvolvimentos, pouco têm adiantado os homens
na solução dos problemas da cura, dentro dos dispositivos da medicina
artificial por eles inventada. Apesar do concurso precioso do microscópio,
existem hoje questões clínicas tão inquietantes, como há
duzentos anos. Os progressos regulares que se verificam na questão angustiosíssima
do câncer e da lepra, da tuberculose e de outras enfermidades contagiosas,
não foram além das medidas preconizadas pela medicina natural,
baseadas na profilaxia e na higiene. Os investigadores puderam vislumbrar o
mundo microbiano sem saber eliminá-lo. Se foi possível devassar
o mistério da Natureza, a mentalidade humana ainda não conseguiu
apreender o mecanismo das suas leis. É que os estudiosos, com poucas
exceções, se satisfazem com o mundo aparente das formas, demorando-se
nas expressões exteriores, incapazes de uma excursão espiritual
no domínio das origens profundas. Sondam os fenômenos sem lhes
auscultarem as causas divinas.
MEDICINA ESPIRITUAL: A saúde humana nunca
será o produto de comprimidos, de anestésicos, de soros, de alimentação
artificialíssima. O homem terá de voltar os olhos para a terapêutica
natural, que reside em si mesmo, na sua personalidade e no seu meio ambiente.
Há necessidade, nos tempos atuais, de se extinguirem os absurdos da "fisiologia
dirigida". A medicina precisa criar os processos naturais de equilíbrio
psíquico, em cujo organismo, se bem que remoto para as suas atividades
anatômicas, se localizam todas as causas dos fenômenos orgânicos
tangíveis. A medicina do futuro terá de ser eminentemente espiritual,
posição difícil de ser atualmente alcançada, em
razão da febre maldita do ouro; mas os apóstolos dessas realidades
grandiosas não tardarão a surgir nos horizontes acadêmicos
do mundo, testemunhando o novo ciclo evolutivo da Humanidade. O estado precário
da saúde dos homens, nos dias que passam, tem o seu ascendente na longa
série de abusos individuais e coletivos das criaturas, desviadas da lei
sábia e justa da Natureza. A Civilização, na sua sede de
bem-estar, parece haver homologado todos os vícios da alimentação,
dos costumes, do sexo e do trabalho. Todavia, os homens caminham para as mais
profundas sínteses espirituais. A máquina, que estabeleceu tanta
miséria no mundo, suprimindo o operário e intensificando a facilidade
da produção, há de trazer, igualmente, uma nova concepção
da civilização que multiplicou os requintes do gosto humano, complicando
os problemas de saúde; há de ensinar às criaturas a maneira
de viverem em harmonia com a Natureza.
O MUNDO MARCHA PARA A SÍNTESE: Marcha-se
para a síntese e não deve causar surpresa a ninguém a minha
assertiva de que não vos achais na época em que a ciência
prática da vida vos ensinará o método do equilíbrio
perfeito, em matéria de saúde. Os corpos humanos serão
alimentados, segundo as suas necessidades especiais, sem dispêndio excessivo
de energias orgânicas. As proteínas, os hidrates de carbono e as
gorduras, que constituem as matérias-primas para a produção
de calorias necessárias à conservação do vosso corpo
e que representam o celeiro das economias físicas do vosso organismo,
não serão tomados de maneira a prejudicar-se o metabolismo, estabelecendo-se,
dessa forma, uma harmonia perfeita no complexo celular da vossa personalidade
tangível, harmonia essa que perdurará até o fenômeno
da desencarnação. Mas, todas essas exposições objetivam
a necessidade de aplicarmos largamente as nossas possibilidades na solução
dos problemas humanos para a melhoria do futuro. É verdade que, por muito
tempo ainda, teremos, em oposição ao nosso idealismo, a questão
do interesse e do dinheiro, porém, trabalhemos confiantes na misericórdia
divina. Emprestemos o nosso concurso a todas as iniciativas que nobilitem o
penoso esforço das coletividades humanas, e não olvidemos que
todo bem praticado reverterá em benefício da nossa própria
individualidade. Trabalhemos sempre com o pensamento voltado para Jesus, reconhecendo
que a preguiça, a suscetibilidade e a impaciência nunca foram atributos
das almas desassombradas e valorosas.
16 - FONTE VIVA - EMMANUEL - PÁG. 387 - ÍTEM 174 - MÃOS ESTENDIDAS
"Estende
a tua mão. E ele a estendeu e foi-lhe restituída a sua mão,
sã como a outra." — (MARCOS, 3:5.)
Em todas as casas de fé religiosa, há crentes de mãos estendidas,
suplicando socorro ...
Almas aflitas revelam ansiedade, fraqueza, desesperança e enfermidades
do coração.
Não seremos todos nós, encarnados e desencarnados, que algo rogamos
à Providência Divina, semelhantes ao homem que trazia a mão
seca? Presos ao labirinto criado por nós mesmos, eis-nos a reclamar o
auxílio do Divino Mestre ... Entretanto, convém ponderar a nossa
atitude. É justo pedir e ninguém poderá cercear quaisquer
manifestações da humildade, do arrependimento, da intercessão.
Mas é indispensável examinar o modo de receber. Muita gente aguarda
a resposta materializada de Jesus. Esse espera o dinheiro, aquele conta com
a evidência social de improviso, aquele outro exige a imediata transformação
das circunstâncias no caminho terrestre... Observemos, todavia, o socorro
do Mestre ao paralítico. Jesus determina que ele estenda a mão
mirrada e, estendida essa, não lhe confere bolsas de ouro nem fichas
de privilégio. Cura-a. Devolve-lhe a oportunidade de serviço.
A mão recuperada naquele instante permanece tão vazia quanto antes.
É que o Cristo restituía-lhe o ensejo bendito de trabalhar, conquistando
sagradas realizações por si mesmo; recambiava-o às lides
redentoras do bem, nas quais lhe cabia edificar-se e engrandecer-se. A lição
é expressiva para todos os templos da comunidade cristã. Quando
estenderes tuas mãos ao Senhor, não esperes facilidades, ouro,
prerrogativas ... Aprende a receber-lhe a assistência, porque o Divino
Amor te restaurará as energias, mas não te proporcionará
qualquer fuga às realizações do teu próprio esforço.
27 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - QUESTÕES:
479, 556
Perg.
479 A prece é um meio eficaz para curar a obsessão?
- A prece é um poderoso socorro para todos os caos, mas sabei que não
é suficiente murmurar algumas palavras para obter o que se deseja. Deus
assiste aos que agem, e não aos que se limitam a pedir. Cumpre, portanto,
que o obsedado faça, de seu lado, o que for necessário para destruir
em si mesmo a causa que atrai os maus Espíritos.
Perg. 556. Certas pessoas têm realmente o dom de curar por simples contato?
- O poder magnético pode chegar até isso, quando é secundado
pela pureza de sentimentos e um ardente desejo de fazer o bem, porque então
os bons Espíritos auxiliam. Mas é necessário desconfiar
da maneira por que as coisas são contadas, por pessoas muito crédulas
ou muito entusiastas, sempre dispostas a ver o maravilhoso nas coisas mais simples
e mais naturais. É necessário também desconfiar dos relatos
interesseiros, por parte de pessoas que exploram a credulidade em proveito próprio.
31 - PÃO NOSSO - EMMANUEL - ÍTEM 44 - CURAS - PÁG. 99
"E
curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: É chegado a vós
o reino de Deus." — Jesus. (Lu-CAS, 10:9.)
Realmente Jesus curou muitos enfermos e recomendou-os, de modo especial, aos
discípulos. Todavia, o Médico Celestial não se esqueceu
de requisitar ao Reino Divino quantos se restauram nas deficiências humanas.
Não nos interessa apenas a regeneração do veículo
em que nos expressamos, mas, acima de tudo, o corretivo espiritual. Que o homem
comum se liberte da enfermidade, mas é imprescindível que entenda
o valor da saúde. Existe, porém, tanta dificuldade para compreendermos
a lição oculta da moléstia no corpo, quanta se verifica
em assimilarmos o apelo ao trabalho santificante que nos é endereçado
pelo equilíbrio orgânico. Permitiria o Senhor a constituição
da harmonia celular apenas para que a vontade viciada viesse golpeá-la
e quebrá-la em detrimento do espírito? O enfermo pretenderá
o reajustamento das energias vitais, entretanto, cabe-lhe conhecer a prudência
e o valor dos elementos colocados à sua disposição na experiência
edificante da Terra. Há criaturas doentes que lastimam a retenção
no leito e choram aflitas, não porque desejem renovar concepções
acerca dos sagrados fundamentos da vida, mas por se sentirem impossibilitadas
de prolongar os próprios desatinos. É sempre útil curar
os enfermos, quando haja permissão de ordem superior para isto, contudo,
em face de semelhante concessão do Altíssimo, é razoável
que o interessado na bênção reconsidere as questões
que lhe dizem respeito, compreendendo que raiou para seu espírito um
novo dia no caminho redentor.
34 - VINHAS DE LUZ - EMMANUEL - ÍTEM 157 - O REMÉDIO SALUTAR - PÁG. 329
"Confessai
as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pêlos outros para que sareis."
— (TIAGO, 5:16.)
A doença sempre constitui fantasma temível no campo humano, qual
se a carne fosse tocada de maldição; entretanto, podemos afiançar
que o número de enfermidades, essencialmente orgânicas, sem interferências
psíquicas, é positivamente diminuto. A maioria das moléstias
procede da alma, das profundezas do ser. Não nos reportando à
imensa caudal de provas expiatórias que invade inúmeras existências,
em suas expressões fisiológicas, referimo-nos tão-somente
às moléstias que surgem, de inesperado, com raízes no coração.
Quantas enfermidades pomposamente batizadas pela ciência médica
não passam de estados vibratórios da mente em desequilíbrio?
Qualquer desarmonia interior atacará naturalmente o organismo em sua
zona vulnerável. Um experimentar-lhe-á os efeitos no fígado,
outro, nos rins e, ainda outro, no próprio sangue.
Em tese, todas as manifestações mórbidas se reduzem a desequilíbrio,
desequilíbrio esse cuja causa repousa no mundo mental. O grande apóstolo
do Cristianismo nascente foi médico sábio, quando aconselhou a
aproximação recíproca e a assistência mútua
como remédio salutares. O ofensor que revela as próprias culpas,
ante o ofendido, lança fora detritos psíquicos, aliviando o plano
interno; quando oramos uns pelos outros, nossas mentes se unem, no círculo
da intercessão espiritual, e, embora não se verifique o registro
imediato em nossa consciência comum, há conversações
silenciosas pelo "sem-fio" do pensamento. A cura jamais chegará
sem o reajustamento íntimo necessário, e quem deseje melhoras
positivas, na senda de elevação, aplique o conselho de Tiago;
nele, possuímos remédio salutar para que saremos na qualidade
de enfermos encarnados ou desencarnados.