DESEQUILÍBRIO |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- Alerta - pág. 60 | 02 - Caminho verdade e vida - pág. 195 |
| 03 - Estudando a mediunidade - pág. 214 | 04 - Jesus no lar - pág. 167, 171 |
| 05 - Justiça divina - pág. 81 | 06 - Lampadário espírita - pág. 211 |
| 07 - Lastro espiritual nos fatos cient. - pág. 43 | 08 - Lázaro redivivo - pág. 239 |
| 09 - Mãos de luz - pág. 33 | 10 - Minha doce Casa Espírita - pág. 65 |
| 11 - O céu e o inferno - 2ª p. cap.V | 12 - O Livro dos Espíritos - pág. introd. XV |
| 13 - Pão nosso - pág. 77 | 14 - Sexo e evolução - pág. 56 |
| 15 - Síntese de o novo testamento - pág. 102 | 16 - Voltas que a vida dá - pág. 36 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
DESEQUILÍBRIO – COMPILAÇÃO
02 - Caminho verdade e vida - Emmanuel - pág. 195
90 - Ensejo ao Bem -"Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? -Então, aproximando-se, lançaram mão de Jesus e o prenderam". ( Mateus 26:50)
É significativo observar o otimismo do Mestre prodigalizando oportunidades ao bem, até ao fim de sua gloriosa missão de verdade e amor, junto dos homens. Cientificara-se o Cristo, com respeito ao desvio de Judas, comentara amorosamente o assunto, na derradeira reunião mais íntima com os discípulos, não guardava qualquer dúvida relativamente aos suplícios que o esperavam; no entanto, em que se aproximando, o cooperador transviado beija-o na face, identificando-o perante os verdugos, e o Mestre, com sublime serenidade, recebe-lhe a saudação carinhosamente e indaga: Amigo a que vieste?
Seu coração misericordioso proporcionava ao discípulo inquieto o ensejo ao bem, até ao derradeiro instante. Embora notasse Judas em companhia dos guardas que lhe efetuariam a prisão, dá-lhe o título de amigo. Não lhe retira a confiança do minuto primeiro, não o maldiz, não se entrega a queixas inúteis, não o recomenda à posteridade com acusações ou conceitos menos dignos.
Nesse gesto de inolvidável beleza espiritual, ensinou-nos Jesus que é preciso oferecer portas ao bem, até à última hora das experiências terrestres, ainda que, ao término da derradeira oportunidade, nada mais reste além do caminho para o martírio ou para a cruz dos supremos testemunhos.
04 - Jesus no lar - Néio Lúcio - pág. 167, 171
39 - O PODER DAS TREVAS
- Centralizando a palestra no estudo das tentações, contou Jesus, sorridente:- Um valoroso servidor do Pai movimentava-se, galhardamente, em populosa cidade de pecadores, com tamanho devotamento à fé e à caridade, que os Espíritos do Mal se impacientaram em contemplando tanta abnegação e desprendimento. Depois de lhe armarem os mais perigosos laços, sem resultado, enviaram um representante ao Gênio das Trevas, a fim de ouví-lo a respeito.
Um
companheiro de consciência enegrecida recebeu a incumbência e partiu.
O Grande Adversário escutou o caso, atenciosamente, e recomendou ao Diabo
Menor que apresentasse sugestões. O subordinado falou, com ênfase:—
Não poderíamos despojá-lo de todos os bens?— Isto,
não — disse o perverso orientador —; para um servo dessa
têmpera a perda dos recursos materiais é libertação.
Encontraria, assim, mil meios diferentes para aumentar suas contribuições
à Humanidade.
— Então, castigar-lhe-emos a família, dispersando-a e constrangendo-lhe
os filhos a enchê-lo de opróbrio e ingratidão... —
aventou o pequeno perturbador, reticencioso.
O perseguidor maior, no entanto, emitiu gargalhada franca e objetou:—
Não vês que, desse modo, se integraria facilmente com a família
total que é a multidão? O embaixador, desapontado, acentuou:—
Será talvez conveniente lhe flagelemos o corpo; crivá-lo-emos
de feridas e aflições.— Nada disto — acrescentou o
gênio satânico —, ele acharia meios de afervorar-se na confiança
e aproveitaria o ensejo para provocar a renovação íntima
de muita gente, pelo exercício da paciência e da serenidade na
dor.— Movimentaremos a calúnia, a suspeita e o ódio gratuito
dos outros contra ele! — clamou o emissário.— Para quê?
— tornou o Espírito das Sombras. — Transformar-se-ia num
mártir, redentor de muitos. Valer-se-ia de toda perseguição
para melhor engrandecer-se, diante do Céu.
Exasperado, agora, o demônio menor aduziu:— Será, enfim,
mais aconselhável que o assassinemos sem piedade...— Que dizes?
— redarguiu a Inteligência perversa — A morte ser-lhe-ia a
mais doce bênção por reconduzi-lo as claridades do Paraíso.
E vendo que o aprendiz vencido se calava, humilde, o Adversário Maior
fez expressivo movimento de olhos e aconselhou, loquaz:— Não sejas
tolo. Volta e dize a esse homem que ele é um zero na Criação,
que não passa de mesquinho verme desconhecido... ïmpõe-lhe
o conhecimento da própria pequenez, a fim de que jamais se engrandeça,
e verás... O enviado regressou satisfeito e pôs em prática
o método recebido.
Rodeou o valente servidor com pensamentos de desvalia, acerca de sua pretendida
insignificância e desfechou-lhe perguntas mentais como estas: «como
te atreves a admitir algum valor em tuas obras destinadas ao pó? não
te sentes simples joguete de paixões inferiores da carne? não
te envergonhas da animalidade que trazes no ser? que pode um grão de
areia perdido no deserto? não te reconheces na posição
de obscuro fragmento de lama?»
O valoroso colaborador interrompeu as atividades que lhe diziam respeito e,
depois de escutar longamente as perigosas insinuações, olvidou
que a oliveira frondosa começa no grelo frágil e deitou-se, desalentado,
no leito do desânimo e da humilhação, para despertar somente
na hora em que a morte lhe descortinava o infinito da vida. Silenciou Jesus,
contemplando a noite calma. Simão Pedro pronunciou uma prece sentida
e os apóstolos, em companhia dos demais, se despediram, nessa noite,
cismarentos e espantadiços.
40 - O VENENO ANTAGONISTA
Diante
da noite refrescada de brisas cariciantes, Filipe, de mãos calejadas,
falou das angústias que lhe povoavam a alma, com tanta emotividade e
amargura que aflitivas notas de dor empolgaram a assembléia. E interpelado
pelo respeitoso carinho de Pedro, que voltou a tanger o problema das tentações,
o Mestre contou, pausadamente: - O Senhor, Nosso Pai, precisou de pequeno grupo
de servidores numa cidade revoltada e dissoluta e, para isso, localizou no centro
dela uma família de cinco pessoas, pai, mãe e três filhos
que o amavam e lhe honravam as leis sábias e justas.
Aí situados, os felizes colaboradores começaram por servi-lo,
brilhantemente. Fundaram ativo núcleo de caridade e fé transformadora
que valia por avançada sementeira de vida celeste; e tanto se salientaram
na devoção e na prática da bondade que o Espírito
das Trevas passou a mover-lhes guerra tenaz. A princípio, flagelou-os
com os morcegos da maledicência; todavia, os servos sinceros se uniram
na tolerância e venceram. Espalhou ao redor deles, logo após, as
sombras da pobreza; contudo, os trabalhadores dedicados se congregaram
no serviço incessante e superaram as dificuldades.
Em seguida, atormentou-os com as serpentes da calúnia; entretanto, os
heróis desconhecidos fizeram construtivo silêncio e derrotaram
o escuro perseguidor. Depois de semelhantes ataques, o Gênio Satânico
modificou as normas de ação e enviou-lhes os demônios da
vaidade, que revestiram os servos fiéis do Senhor de vastas considerações
sociais, como se houvessem galgado os pináculos do poder de um momento
para outro; entretanto, os cooperadores previdentes se fizeram mais humildes
e atribuíam toda a glória que os visitava ao Pai que está
nos Céus.
Foi então que os seres escarninhos e perversos encheram-lhes a casa de
preciosidades e dinheiro, de modo a entorpecer-lhes a capacidade de trabalhar;
mas o conjunto amoroso, robustecido na confiança e na prece, recebia
moedas e dádivas, passando-as para diante, a serviço dos desalentados
e dos aflitos. Exasperado, o Espírito das Trevas mandou-lhes, então,
o Demônio da Tristeza que, muito de leve, alcançou a mente do chefe
da heróica família e disse-lhe, solene:— És um homem,
não um anjo... Não te envergonhas, pois, de falar tão insistentemente
no Senhor, quando conheces, de perto, as próprias imperfeições
? Busca, antes de tudo, sentir a extensão de tuas fraquezas na carne!...
Chora teus erros, faze penitência perante o Eterno! Clama tuas culpas,
tuas culpas!...
Registrando a advertência, o infeliz alarmou-se, esqueceu-se de que o
homem só pode ser útil à grandeza do Pai, através
do próprio trabalho na execução dos celestes desígnios
e, entristecendo-se profundamente, acreditou-se culpado e criminoso para sempre,
de maneira irremediável. Desde o instante em que admitiu a incapacidade
de reerguimento, recusou a alimentação do corpo, deitou-se e,
decorridos alguns dias, morreu de pesar. Vendo-o desaparecer, sob compacta onda
de lamentações e lágrimas, a esposa seguiu-lhe os passos,
oprimida de inominável angústia, e os filhos, dentro de algumas
semanas, trilharam a mesma rota.
E assim o venenoso antagonista venceu os denodados colaboradores da crença
e do amor, um a um, sem necessidade de outra arma que não fosse pequena
sugestão de tristeza. Interrompeu-se a palavra do Mestre, por longos
instantes, mas nenhum dos presentes ousou intervir no assunto. Sentindo assim,
que os companheiros preferiam guardar silêncio, o Divino Amigo concluiu
expressivamente: - Enquanto um homem possui recursos para trabalhar e servir
com os pés, com as mãos, com o sentimento e com a inteligência,
a tristeza destrutiva em torno dele não é mais que a visita ameaçadora
do Gênio das Trevas em sua guerra desventurada e persistentes contra a
luz.
05 - Justiça divina - Emmanuel - pág. 81
PREVIDÊNCIA:
Reunião pública de 22-5-61 1^ Parte, cap. VII, § 26
Há quem pergunte quanto à insistência com que os amigos
espirituais se reportam à sublimação da alma.
Aqui, mencionam a reencarnação, exaltando a justiça.
Ali, assinalam a experiência terrestre por escola de aperfeiçoamento
moral.
Adiante, ensinam o culto do Evangelho de Jesus, com os princípios espíritas,
no recesso dos lares.
Mais além, destacam a oração por luz da vida íntima.
Por que tamanha preocupação com o futuro dos outros?
Isso, porém, é tão natural quanto qualquer instituto de
amparo, no plano físico, onde os homens são obrigados a se prevenirem
contra as necessidades fatais.
Reúnem-se economistas e administradores, estudando a distribuição
dos recursos destinados à alimentação do povo, de vez que
o descaso estabelece consequências de controle difícil.
Higienistas movimentam medidas que assegurem o asseio
público, porquanto, relegar populações à imundície,
é favorecer a epidemia destruidora.
Professores fundam escolas em todas as regiões, para que a ignorância
não animalize a comunidade.
Milhares de laboratórios manipulam medicamentos de fórmulas diversas,
entendendo-se que, sem o apoio da Medicina, as enfermidades limitariam desastrosamente
a existência humana.
Sem previdência, qualquer organização ruiria indefesa.
Enquanto lhes for permitido pela Divina Bondade, as criaturas desencarnadas,
despertas para o bem, falarão às criaturas encarnadas, quanto
aos imperativos da lei do bem. Isso porque todas as paixões inferiores
que carregamos para o túmulo são calamidades mentais a valerem
por loucura contagiosa, e, compreendendo-se que todos somos uma família
única, é preciso reconhecer que o desequilíbrio, de um
só, é fator de perturbação atingindo a família
inteira.
06 - Lampadário espírita - Joana de Ângelis - pág. 211
52
- DESEQUILÍBRIOS:
Encontras-te angustiado. Sofrimento e desajuste unem-se
para dar à paisagem social da Terra o aspecto triste de imenso Nosocômio
onde as pessoas se apresentam dominadas por afecções de longo
curso, sem perspectivas de recuperação. Dizes que até o
oxigênio do ar parece carregado de substâncias tóxicas de
penetração profunda, que atingem os tecidos sutis da vida psíquica.
Anotas
desertores da ordem, que há pouco eram paradigmas do dever e te referes
às novas gerações que parecem enlouquecidas,na correria
desvairada, sexólatra, nos lontos dédalos da sandice. As melhores
afeições que constituíam fortaleza em que te refugiavas,
se encontram vencidas e transitam indiferentes como se o egoísmo as conquistasse
de inopino. Os ideais superiores da Humanidade parecem frouxa claridade que
tremeluz, apagando-se.Só desequilíbrios campeiam, fecundos, dominadores.
E temes a grande escuridão, aquela noite moral a que se reportam as advertências
evangélicas...
Estás receoso quanto ao futuro. Indagas, perquires e não te podes
furtar a sérias preocupações, observando o riso, que na
maioria dos semblantes é esgar agônico. Não duvides, porém,
da presença positiva do Cristo na Terra sofredora destes dias. Escutam-se
as vozes da vida imortal falando em toda a parte. Repercute em milhões
de espíritos o chamado do Consolador, restabelecendo as diretrizes da
verdade. Há dor, sim! Ela, porém, é o prenúncio
de justas alegrias. Quando a mente se ensoberbece e desvaira, o sofrimento é
a única voz que alcança a acústica do ser.
As grandes lutas produzem as melhores seleções. O atrito desgasta,
mas corrige arestas e dá formas harmoniosas. Não te permitas enxergar
somente uma parte do panorama da atualidade. Pensa nos que estão silenciosos
em laboratórios, atuantes nas cátedras do ensino nobre, afervorados
nos organismos da legislação em toda parte, atarefados nos gabinetes
de pesquisas, confiantes nos tratos de terra onde semeiam, e modificarás
o conceito. Amamentando, a mãe generosa não receia o amanhã
do filhinho: preserva-o e ajuda-o hoje. Sob teto acolhedor, o homem não
considera a possibilidade de ficar soterrado sob ele: frui a bênção
do agasalho hoje.
Bendize, também, a oportunidade de hoje produzires para o bem e cuida
que o Senhor se encarregará dos resultados para o porvir. Existe muito
amor onde somente enxergas degredo e horror. Muita bondade medra inesperadamente
em lugares em que ninguém supõe encontrá-la. O amor de
Nosso Pai por tudo zela. Reencoraja-te, levanta o ânimo, prossegue.
Quando tudo conspirava contra aquele reduzido grupo de homens e mulheres atemorizados; quando o Líder que os guiava com segurança experimentara o martírio até a morte; quando um amigo se deixara enganar, a ponto de em desequilíbrio trair o Amigo; quando o depositário da confiança geral, colhido de surpresa e temendo vinditas e represálias, negara o Benfeitor; quando a soledade e o temor os ameaçavam até o desespero; quando tudo parecia perdido: ideais desvanecidos, planos malbaratados, desejos acalentados em doces noites de vigília soçobrados; quando tudo eram sombras, ei-Lo que retorna rutilante e vivo, gentil e nobre, conclamando aqueles mesmos corações ao perene embate da redenção.
E
levantando-se do ânimo alquebrado para a alegria da vida, deram as próprias
vidas e renovaram com os seus exemplos as paisagens do mundo... Jesus vive,
e a doutrina que agora ressurge dos escombros dos séculos remodelará
a Terra inteira, um dia, em breve, quando estaremos todos felizes ao comando
d'Ele. NOTA — Tema para estudo: L. E. — Parte 3* — Capítulo
XII — Paixões.
11 - O céu e o inferno - Allan Kardec - 2ª p. cap.V
O SUICIDA DA SAMARITANA
A 7 de abril de 1858, pelas 7 horas da noite, um homem de cerca de 50 anos e decentemente trajado apresentou-se no estabelecimento da Samaritana, de Paris, e mandouque lhe preparassem um banho. Decorridas perto de 2 horas, o criadode serviço, admirado pelo silêncio do freguês, resolveu entrar no seu cômodo, a fim de verificar o que ocorria.
Deparou então com um quadro horroroso: o infeliz degolara-se com uma navalha e todo o seu sangue misturava-se à água da banheira. E como a identidade do suicida não pôde ser averiguada, foi o cadáver removido para o necrotério.
1
- Evocação: (resposta do Guia do médium) - Espera, ele
ai está.
2 - Onde vos achais hoje?
- Não sei, dizei-me
3 - Estais numa reunião de pessoas que estudam o Espiritismo e que são
benévolas para convosco.
-Dizei-me se vivo, este ambiente me sufoca.
Sua alma, posto que separada do corpo está ainda completamente imersa
no que poderia chamar-se o turbilhão da matéria corporal; vivazes
são as idéias terrenas, a ponto de se acreditar encarnado.
4 - Quem vos impeliu a vir aqui?
- Sinto-me
aliviado.
5 - Qual o motivo que vos arrastou ao suicídio?
R. Morto? Eu? Não... que habito o meu corpo... Não sabeis como
sofro!... Sufoco-me... Oxalá que mão compassiva me aniquilasse
de vez!
6. Porque não deixaste indícios que pudessem tornar-vos reconhecível?
R. Estou abandonado; fugi ao sofrimento para entregar-me à tortura.
7 .Tendes ainda os mesmos motivos para ficar incógnito? R. Sim; não
revolvais com ferro candente a ferida que sangra.
8. Podereis dar-nos o vosso nome, idade, profissão e domicílio?
R. Não, de forma alguma.
9. Tínheis família, mulher, filhos?
R. Era um desprezado, ninguém me amava.
10. Que fizestes para ser assim repudiado?
R. Quantos o são como eu!... Um homem quando ninguém o preza,
pode viver abandonado no seio da família.
11. No momento de vos suicidardes não experimentastes qualquer hesitação?
R. Ansiava pela morte... Esperava repousar.
12. Como é que a ideia do futuro não vos fez renunciar a um projeto?
R. Não acreditava nele, em absoluto. Era um desiludido. O futuro é
a esperança.
13. Que reflexões vos ocorreram ao sentirdes a extinção
da vida? R. Não refleti, senti... Mas a vida não se extinguiu...
minha alma está ligada ao corpo... Sinto os vermes a corroer-me.
14. Que sensação experimentastes no momento decisivo da morte?
R. Pois ela se completou?
15. Foi doloroso o momento em que a vida se vos apagou? R. Menos doloroso que
depois, só o corpo sofreu.
16. (Ao Espírito de S. Luís) — Que quer dizer o Espírito
afirmando que o momento da morte foi menos doloroso que depois?
R. O Espírito descarregou o fardo que o oprimia, ressentia-se da voluptuosidade
da dor.
17. Esse estado sobrevêm sempre ao suicídio?
R. Sim. O Espírito do suicida fica ligado ao corpo até o termo
da vida. A morte natural é o livramento da vida; o suicida a intercepta
completamente.
18. Dar-se-á o mesmo nas mortes acidentais, embora involuntárias,
mas que abreviam a existência?
R. Não. Que entendeis por suicídio? O Espírito só
responde pêlos seus atos.
Esta dúvida da morte é muito comum nas pessoas recentemente desencarnadas
e sobretudo naquelas que, durante a vida, não elevam a alma acima da
matéria. É um fenômeno que parece singular à primeira
vista, mas que se explica naturalmente. Se a um indivíduo, pela primeira
vez posto em estado sonambúlico, perguntarmos se dorme, ele responderá
quase sempre que não e essa resposta é lógica: o interlocutor
parece que faz mal a pergunta, servindo-se de um termo impróprio. Na
linguagem comum, a idéia do sono prendeu-se à suspensão
de todas as faculdades sensitivas; ora, o sonâmbulo que pensa, que vê
e sente, que tem consciência da sua liberdade, não se crê
adormecido e de fato não dorme, na acepção vulgar do vocábulo.
Eis a razão porque responde não, até que se familiariza
com essa maneira de apreender o fato.
O mesmo acontece com o homem que acaba de desencarnar; para ele a morte era
o aniquilamento do ser e, tal como o sonâmbulo, ele vê, sente e
fala, e assim não se considera morto e isto afirma até que adquira
a intuição de seu novo estado. Essa ilusão é sempre
mais ou menos dolorosa, uma vez que nunca é completa e dá ao Espírito
uma tal ou qual ansiedade. No exemplo em apreço ela constitui verdadeiro
suplício pela sensação dos vermes que corroem o corpo,
sem falarmos da sua duração, que deverá equivaler ao tempo
de vida abreviada. Esse estado é comum nos suicidas, ainda que nem sempre
se apresente em idênticas condições, variando de duração
e intensidade, conforme as circunstâncias atenuantes ou agravantes da
falta.
A sensação dos vermes e da decomposição do corpo
não é tampouco privativa dos suicidas: sobrevêm igualmente
aos que viveram mais da matéria que do espírito. Em tese, não
há falta isenta de penalidade, mas também não há
regra absoluta e uniforme nos meios de punição.
12 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec- pág. introd. XV
XV—A
LOUCURA E SUAS CAUSAS
Há ainda criaturas que vêem perigo por toda parte, em tudo aquilo
que não conhecem, não faltando as que tiram conclusões
desfavoráveis ao Espiritismo do fato de terem algumas pessoas, que se
entregaram a estes estudos, perdido a razão. Como podem os homens sensatos
aceitar essa objeção? Não acontece o mesmo com todas as
preocupações intelectuais, quando o cérebro é fraco?
Conhece-se o número de loucos e maníacos produzidos pelos estudos
matemáticos, médicos, musicais, filosóficos e outros? E
devemos, por isso, banir tais estudos? O que provam esses feitos. Nos trabalhos
físicos, estropiam-se os braços e as pernas que são os
Imrnlmcntos da acão material; nos trabalhos intelectuais estropia-se
o cérebro que é o instrumento do pensamento.
Mas
se o instrumento se quebrou, o mesmo não acontece com o Espírito:
ele continua intacto e quando se libertar da matéria não desfrutará
menos da plenitude de suas faculdades. Foi no seu setor, como homem, um mártir
do trabalho. Todas as grandes preocupações intelectuais podem
ocasionar a loucura: as Ciências, as Artes e a Religião fornecem
os seus contingentes. A loucura tem por causa primária uma predisposição
orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos suscetível
a determinadas impressões. Havendo essa predisposição à
loucura, ela se manifestará com o caráter da preocupação
principal do indivíduo, que se tornará uma idéia fixa.
Essa idéia poderá ser a dos Espíritos, naquele que se ocupa
do assunto, ou a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma
arte, de uma ciência, da materialidade ou de um sistema político
ou social. E provável que o louco religioso se apresente como louco espírita,
se o Espiritismo foi a sua preocupação dominante, como o louco
espírita se apresentaria de outra forma, segundo as circunstâncias.
Digo, portanto, que o Espiritismo não tem nenhum privilégio neste
assunto. E vou mais longe: digo que o Espiritismo bem compreendido é
um preservativo da loucura. Entre as causas mais frequentes de superexcitação
cerebral devemos contar as decepções, as desgraças, as
afeições contrariadas, que são também as causas
mais frequentes do suicídio. Ora, o verdadeiro espírita olha as
coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem
tão pequenas, tão mesquinhas, em face do futuro que o aguarda;
a vida é para ele tão curta, tão fugitiva, que as tribulações
não lhe parecem mais do que incidentes desagradáveis de uma viagem.
Aquilo
que para qualquer outro produziria violenta emoção, pouco o afeta,
pois sabe que as amarguras da vida são provas para o seu adiantamento,
desde que as sofra sem murmurar, porque será recompensado de acordo com
a coragem demonstrada ao suportá-las. Suas convicções lhe
dão uma resignação que o preserva do desespero e conseqüentemente
de uma causa constante de loucura e suicídio. Além disso, conhece,
pelo exemplo das comunicações dos Espíritos, a sorte daqueles
que abreviam voluntariamente os seus dias, e esse quadro é suficiente
para o fazer meditar. Assim, o número dos que têm sido detidos
à beira desse funesto despenhadeiro é considerável.
Este é um dos resultados do Espiritismo. Que os incrédulos se
riam quanto quiserem: eu lhes desejo as consolações que ele proporciona
a todos os que se dão ao trabalho de lhe sondar as misteriosas profundidades.
Entre as causas da loucura devemos ainda incluir o pavor, sendo que o medo do
Diabo já desequilibrou alguns cérebros. Sabe-se o número
de vítimas que ele tem feito ao abalar imaginações fracas
com essa ameaça, que cada vez se procura tornar mais terrível
por meio de hediondos pormenores? O diabo, dizem, só assusta as crianças,
é um meio de torná-las mais ajuizadas. Sim, como o bicho-papão
e o lobisomem. Mas quando elas deixam de temê-lo ficam piores do que antes.
E para conseguir tão belo resultado não se levam em conta as epilepsias
causadas pelo abalo de cérebros delicados. A religião seria bem
fraca se, por não usar o medo, seu poder ficasse comprometido. Felizmente
assim não acontece. Ela dispõe de outros meios para agir sobre
as almas, e o Espiritismo lhe fornece os mais eficazes e mais sérios,
desde que os saiba aproveitar. Mostra as coisas na sua realidade e com isso
neutraliza os efeitos funestos de um temor exagerado.
13
- Pão nosso - Emmanuel - pág. 77
33 - TRABALHEMOS TAMBÉM
"E
dizendo: Varões, por que fazeis essas coisas? Nós também
somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões."
— (atos, 14:15.)
O grito de Paulo e Barnabé ainda repercute entre os aprendizes fiéis.
A família cristã muita vez há desejado perpetuar a ilusão
dos habitantes de Listra. Os missionários da Revelação
não possuem privilégios ante o espírito de testemunho pessoal
no serviço. As realizações que poderíamos apontar
por graça ou prerrogativa especial, nada mais exprimem senão o
profundo esforço deles mesmos, no sentido de aprender e aplicar com Jesus.
O Cristo não fundou com a sua doutrina um sistema de deuses e devotos,
separados entre si; criou vigoroso organismo de transformação
espiritual para o bem supremo, destinado a todos os corações sedentos
de luz, amor e verdade. No Evangelho, vemos Madalena arrastando dolorosos enganos,
Paulo perseguindo ideais salvadores, Pedro negando o Divino Amigo, Marcos
em luta com as próprias hesitações; entretanto, ainda aí,
contemplamos a filha de Magdala, renovada no caminho redentor, o grande perseguidor
convertido em arauto da Boa Nova, o discípulo frágil conduzido
à glória espiritual e o companheiro vacilante transformado em
evangelista da Humanidade inteira.
O Cristianismo é fonte bendita de restauração da alma para
Deus. O mal de muitos aprendizes procede da idolatria a que se entregam, em
derredor dos valorosos expoentes da fé viva, que aceitam no sacrifício
a verdadeira fórmula de elevação; imaginam-nos em tronos
de fantasia e rojam-se-lhes aos pés, sentindo-se confundidos, inaptos
e miseráveis, esquecendo que o Pai concede a todos os filhos as energias
necessárias à vitória.
Naturalmente, todos devemos amor e respeito aos grandes vultos do caminho cristão;
todavia, por isto mesmo, não podemos olvidar que Paulo e Pedro, como
tantos outros, saíram das fraquezas humanas para os dons celestiais e
que o Planeta Terreno é uma escola de iluminação, poder
e triunfo, sempre que buscamos entender-lhe a grandiosa missão.
LEMBRETES:
1° - (...) todo instante de turvação ou desequilíbrio é instrumento de teste para avaliação de nosso próprio aproveitamento. Emmanuel
2° - Desequilíbrio que anotes é apelo da vida a que lhe prestes cooperação. Espírito da Verdade
3° - DESEQUILÍBRIO PSÍQUICO: (...) quando a alma, quer o que não lhe convém, é que nela há desequilíbrio ou a ignorância. O desequilibrio psíquico é uma enfermidade anímica e bem assim a ignorância. (...) Angel Aguarod
4° - Instabilidade Mental.
Edivaldo