DIVÓRCIO |
|
BIBLIOGRAFIA |
|
| 01- A educação da nova era - pág. 17 | 02 - A mulher na dimensão espírita - pág. 76 |
| 03 - Após a tempestade - pág. 63 | 04 - Calma - pág. 78 |
| 05 - Celeiro de bênçãos - pág. 106 | 06 - Coragem - pág. 73 |
| 07 - Curso dinâmico de Espiritismo - pág. 139, 140 | 08 - Dos hippies aos problemas do mundo - pág. 90 |
| 09 - Encontro marcado - pág. 154 | 10 - Evolução em dois mundos - pág. 179 |
| 11 - Florações Evangélicas - pág. 11 | 12 - Livro da esperança - pág. 201 |
| 13 - Luz no lar - pág. 56 | 14 - Na era do Espírito- pág. 24,68, 95, 117 |
| 15 - Na sombra e na luz - pág. 83, 84 | 16 - O Evangelho Seg. o Espiritismo - cap. XXII |
| 17 - O Livro dos Espíritos - q. 695, 697, 940 | 18 - O sermão da montanha - pág. 81 |
| 19 - Pedaços do cotidiano - pág. 136 | 20 - Pérolas do Além - pág. 67 |
| 21 - Repositório de sabedoria - pág. 175 | 22 - Sexo e Destino - pág. 281 |
| 23 - Sexo sublime tesouro - pág. 107 | 24 - Sintese de O Novo testamento - pág. 61,140 |
| 25 - Vida e sexo - pág. 37, 41, 45 | |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
DIVÓRCIO – COMPILAÇÃO
03 - Após a tempestade - Desquite e divórcio - pág. 63 - Joanna de Ângelis
Na sua generalidade o matrimônio é laboratório de reajustamentos emocionais e oficina de reparação moral, através dos quais, espíritos comprometidos se unem para elevados cometimentos no ministério familial.
Sem dúvida, reencontros de Espíritos afins produzem vida conjugal equilibrada, em clima de contínua ventura, através da qual missionários do saber e da bondade estabelecem a união, objetivando nobres desideratos, em que empenham todas as forças.
Outras vezes, programando a elaboração de uma tarefa relevante para o futuro deles mesmos, se penhoram numa união conjugal que lhes enseje reparação junto aos desafetos e às vítimas indefesas do passado, para necessidade de socorrer e elevar compreendem ser inadiável.
Fundamental, entretanto, em tais conjunturas, a vitória dos cônjuges sobre o egoísmo, granjeando recursos que os credenciem a passos mais largos, na esfera das experiências em comum.
Normalmente, porém, através do consórcio matrimonial, exercitam-se melhor as virtudes morais que devem ser trabalhadas a benefício do lar e da compreensão de ambos os comprometidos na empresa redentora. Nessas circunstâncias a prole, quase sempre vinculada por desajustes pretéritos, é igualmente convocada ao buril da lapidação, na oficina doméstica, de cujos resultados surgem compromissos vários em relação ao futuro individual de cada membro do clã, como do grupo em si mesmo.
Atraídos por necessidades redentoras, mas despreparados para elas, os membros do programa afetivo, não poucas vezes, descobrem, de imediato, a impossibilidade de continuarem juntos.
De certo modo, a precipitação resultante do imediatismo materialista que turba o discernimento, quase sempre pelo desequilíbrio no comportamento sexual, é responsável pelas alianças de sofrimento, cuja harmonia difícil, quase sempre culmina em ódios ominosos ou tragédias lamentáveis.
Indispensável, no matrimônio, não se confundir paixão com amor, interesse sexual com afeição legítima. Causa preponderante nos desajustes conjugais o egoísmo, que se concede valores e méritos superlativos em detrimento do parceiro a quem se está vinculado.
Mais fascinados pelas sensações brutalizantes do que pelas emoções enobrecidas, fogem os nubentes desavisados um do outro a princípio pela imaginação e depois pela atitude, abandonando a tolerância e a compreensão, de pronto iniciando o comércio da animosidade ou dando corpo às frustrações, que degeneram em atritos graves e enfermidades perturbadoras.
Comprometessem-se, realmente, a ajudar-se com lealdade, estruturassem-se nos elementos das lições evangélicas, compreendessem e aceitassem como legítimas a transitoriedade do corpo e o valor da experiência provacional, e se evitariam incontáveis dramas, inumeráveis desastres do lar, que ora desarticulam as famílias e infelicitam a sociedade.
O casamento é contrato de deveres recíprocos, em que se devem empenhar os contratantes a fim de lograrem o êxito do cometimento. A sociedade materialista, embora disfarçada de religiiosa, facilita o rompimento dos liames que legalizam o desposório por questões de somenos importância, facultando à grande maioria dos comprometidos perseguirem sensações novas, com que desbordam pela via de alucinações decorrrentes de sutis como vigorosas obsessões resultantes do comportamento passado e do desassisamento do presente.
O divórcio como o desquite são, em conseqüência, soluções legais para o que moralmente já se encontra separado. Evidente, que tal solução é sempre meritória, por evitar atitudes mais infelizes que culminam em agravamento de conduta para os implicados na trama dos reajustamentos de que não se evadirão.
Volverão a encontrar-se, sem dúvida, quiçá em posição menos afortunada, oportunamente. Imprescindível que, antes da atitude definitiva para o desquite ou o divórcio, tudo se envide em prol da reconciiliação, ainda mais considerando quanto os filhos merecem que os pais se imponham uma união respeitável, de cujo esforço muito dependerá a felicidade deles.
Períodos difíceis ocorrem em todo e qualquer empreendimento humano. Na dissolução dos vínculos matrimoniais, o que padeça a prole será considerado como responsabilidade dos genitores, que se somassem esforços poderiam ter contribuído com proficiência, através da renúncia pessoal, para a dita dos filhos.
Se te encontras na difícil conjuntura de uma decisão que implique em problema para os teus filhos, pára e medita. Necessitam de ti, mas também do outro membro-base da família.
Não te precipites, através de soluções que às vezes complicam as situações. Dá tempo a que a outra parte desperte, concedendo-lhe ensancha para o reajustamento. De tua parte permanece no posto. Não sejas tu quem tome a decisão.
A humildade e a perseverança no dever conseguem modificar comportamentos, reacendendo a chama do entendimento e do amor, momentaneamente apagada. Não te apegues ao outro, porém, até a consumação da desgraça.
Se alguém não mais deseja, espontaneamente, seguir contigo, não te transformes em algema ou prisão. Cada ser ruma pela rota que melhor lhe apraz e vive conforme lhe convém. Estará, porém, onde quer que vá, sob o clima que merece.
Tem paciência e confia em Deus. Quando se modifica uma circunstância ou muda uma situação, não infiras disso que a vida, a felicidade, se acabaram.
Prossegue animado de que, aquilo que hoje não tens, será fortuna amanhã em tua vida. Se estiveres a sós e não dispuseres de forças, concede-te outra oportunidade, que enobrecerás pelo amor e pela dedicação.
Se
te encontrares ao lado de um cônjuge difícil amado, assim mesmo,
sem deserção, fazendo dele a alma amiga com quem estás
incurso pelo pretérito, para a construção de um porvir
ditoso que a ambos dará a paz, facultando, desse modo, a outros espíritos
que se revincularão pela carne, a ocasião excelente para a redenção.
06
- CORAGEM - ESPÍRITOS DIVERSOS - PÁG. 73
ÍTEM
22 - QUANTO PUDERES:
Quanto puderes, não te afastes do lar, ainda mesmo quando o lar te pareça
inquietante fornalha de fogo e aflição.
Quanto te seja possível, suporta a esposa incompreensiva e exigente,
ainda mesmo quando surja aos teus olhos por empecilho à felicidade.
Quanto estiver ao teu alcance, tolera o companheiro áspero ou indiferente,
ainda mesmo quando compareça ao teu lado, por adversário de tuas
melhores esperanças.
Quanto puderes, não abandones o filho impermeável aos teus bons
exemplos e aos teus sadios conselhos, ainda mesmo quando se te afigure acabado
modelo de ingratidão.
Quanto te seja possível, suporta o irmão que se fez cego e surdo
aos teus mais elevados testemunhos no bem, ainda mesmo quando se destaque por
inexcedível representante do egoísmo e da vaidade.
Quanto estiver ao teu alcance, tolera o chefe atrabiliário, o colega
leviano, o parente desagradável, ou o amigo menos simpático, ainda
mesmo quando escarneçam de tuas melhores aspirações.
Apaga a fogueira da impulsividade que nos impele aos atos impensados ou à
queixa descabida e avancemos para diante arrimados à tolerância
porque se hoje não conseguimos realizar a tarefa que o Senhor nos confiou,
a ela tornaremos amanhã com maiores dificuldades para a necessária
recapitulação.
Não vale a fuga que complica os problemas, ao invés de simplificá-los.
Aceitemos o combate em nós mesmos, reconhecendo que a disciplina antecede
a espontaneidade.
Quanto estiver ao teu alcance, tolera o chefe atrabiliário, o colega
leviano, o parente desagradável, ou o amigo menos simpático, ainda
mesmo quando escarneçam de tuas melhores aspirações.
Não há purificação sem burilamento, como não
há metal acrisolado sem cadinho esfogueante.
A educação é obra de sacrifício no espaço
e no tempo, e atendendo à Divina Sabedoria, — que jamais nos situa
uns à frente dos outros sem finalidade de serviço e reajustamento
para a vitória do amor —, amemos nossas cruzes por mais pesadas
e espinhosas que sejam, nelas recebendo as nossas mais altas e mais belas lições.
EMMANUEL
07 - CURSO DINÂMICO DE ESPIRITISMO - 139, 140
ÍTEM
XIX — AMOR, SEXUALIDADE E CASAMENTO:
No Espiritismo o problema do amor implica a relação direta do
homem com Deus. Criador e criatura se religam no desenvolvimento humano da lei
de adoração. Quanto mais o homem desenvolve as suas potencialidades
existenciais, o seu potencial ôntico, mais ele se aproxima de Deus, mais
o sente e mais o compreende. Nunca houve nem poderia haver um rompimento total
e definitivo entre Criador e criatura. No próprio dogma da queda a expulsão
do homem da face de Deus é apenas temporária. Por isso o Espirismo
é Religião, mas não é Igreja. A diferença
entre Igreja e Religião é a mesma que existe entre alma e corpo.
O homem perde o corpo na morte, mas não perde a alma. A Religião
anunciada por Jesus não possui corpo, é alma pura, que sobrevive
por si mesma. No diálogo com a Mulher Samaritana Jesus desprezou o Templo
de Jerusalém e o Templo do Monte Gerasin, referindo-se apenas à
Religião Livre do Futuro. Porque a relação religiosa é
puramente espiritual. A Religião não depende de formalismos, sacramentos,
instituições e órgãos. É subjetiva e se define
como o Amor a Deus. Essa relação direta exclui naturalmente todas
as formas de discriminação, pois seu objetivo é a unidade.
Quando uma criatura se liga a Deus, liga-se ao mesmo tempo a todas as criaturas
e a todo o Universo, integra-se na realidade absoluta. Tudo o mais são
coisas humanas, pertence à diáspora, ou seja, ao tempo do exílio,
em que o homem se afastou de Deus. Esta simplificação da Religião
só ocorre na máxima complexidade, que é o mergulho do homem
em sua essência, proveniente de Deus e que é o próprio Deus
em nós. Exemplifiquemos humanamente esta questão.
Conta-se que um sábio indiano mandou três filhos estudar na Inglaterra.
Quando voltaram diplomados perguntou ao primeiro: "O que é Deus"?
O rapaz fez uma longa e confusa digressão a respeito. O segundo vacilou
em sua explicação e disse que precisava estudar mais o assunto.
O terceiro calou-se e seus olhos se encheram de estranha névoa luminosa.
O pai disse aos três; por ordem das perguntas: Você, meu filho,
procurou Deus nas teologias e não conseguiu achá-lo; você,
meu segundo filho, está tateando no escuro como um cego; e você,
meu filho, que não me respondeu, encontrou Deus e nele mergulhou de tal
maneira que não pode traduzi-lo em palavras. Você não perdeu
tempo com as coisas exteriores e por isso foi o único que realmente aprendeu
o que é Deus". A contradição máxima complexidade
e máxima simplicidade não é contradição,
mas fusão. A complexidade infinita das coisas e dos seres no Universo
aturde o homem que busca Deus, mas ao encontrá-lo o homem percebe de
pronto que toda a complexidade se funde na Existência Única de
Deus. É como o marinheiro que navegou por muitos mares, surpreso com
as variedades e as diferenciações formais de todos eles, mas ao
terminar a sua navegação constata que todos os mares não
são mais do que o Grande Mar. A religião em Espírito e
Verdade é esse Mar Total em que todos mares e todas as águas se
reúnem numa coisa só.
Todas as religiões nasceram da mediunidade, que é o fundamento
de todas as religiões, que por sua vez se fundem na Religião em
essência que é a Religião do Espírito ou o Espiritismo.
Nela não se precisa de coisas específicas, pois todas as coisas
se fundem numa só — o Amor a Deus. Um jovem e uma jovem se amam
e o amor que os atrai é o Amor de Deus nas criaturas. A bênção
do amor já os ligou e eles não necessitam de palavras, ritos ou
sacramentos para se unirem, pois unidos já estão. Se não
houver amor entre eles, não estão unidos e de nada valera a união
formal por meios sacramentais. É por isso que no Espiritismo não
há sacramentos nem formalismo algum, pois tudo depende, em todas as circunstâncias,
da essência única — e única verdadeira — que
é o Amor. Mas o Espiritismo reconhece a necessidade humana de disciplinação
social, e por isso recomenda apenas o casamento civil. Ainda por isso o Espiritismo
reconhece a necessidade do divórcio, pois
no plano ilusório da matéria as criaturas se confundem e misturam
sexualidade e desejo com o Amor. Jesus, respondendo aos judeus por que motivo
Moisés permitia o divórcio, disse-lhes: "Por causa da dureza
dos corações, mas no princípio não foi assim".
Kardec explica que, no princípio da humanidade o amor era espontâneo,
livre de injunções estranhas, e então não era necessário
o divórcio. O Espirismo não faz casamentos nem divórcios,
nem as anulações de casamento que a Igreja faz, pois esses problemas
pertencem às leis humanas. Da mesma maneira o Espiritismo não
faz batizados — pois o batismo é do espírito — nem
recomenda defuntos ou distribui bênçãos, pois todas essas
coisas não são feitas pelos homens e sim por Deus.
Todos os sacramentos e formalismos são substituídos no Espiritismo
pela prece, que serve em todas as ocasiões da vida e da morte, pois é
um momento de ligação do homem com Deus, o diálogo com
o Outro, como queria Kierkegaard. Toda intervenção humana interesseira
e venal é substituída pela serena confiança nas bênçãos
gratuitas do Céu. Nesse ato humano de louvor ou de súplica, desprovido
de aparatos exteriores, a presença da Divindade é o cumprimento
da promessa de Jesus, sem nenhuma evocação formal. A solidariedade
espiritual se revela no esforço de transcendência vertical das
criaturas, conscientes da lei da sublimação. Não há
fórmulas orais nem gestos, nem signos ou mitos na tranquila vibração
das consciências na intimidade de todos e de cada um. A prece espontânea
brota das profundezas do ser com a naturalidade de uma flor que desabrocha.
Não é um ato da vontade, mas um aflorar do espírito. Não
é uma ficha arrancada do arquivo da memória, mas um impulso do
coração. As raízes latinas: prex, precis, determinaram
no tempo, através de séculos e milénios, a forma leve e
suave da palavra portuguesa prece, que soa nos lábios como um bater secreto
de asas minúsculas. Prefere-se prece à oração, porque
a primeira condiz e se harmoniza com o ato interior e invisível com que
a alma se lança na transcendência. Há um mistério
sutil nessa escolha intuitiva desse par de sílabas poéticas que
repercutem nos corações como o perpassar de uma brisa entre pétalas.
Não tentamos fazer poesia nem divagar, mas descobrir através de
imagens e palavras, o imponderável do instante da prece.(...)
08 - DOS HIPPIES AOS PROBLEMAS DO MUNDO - CHICO XAVIER - PÁG. 90
ÍTEM
23 - Divórcio e superpopulação
- FREITAS NOBRE: Vou usar de um recurso, mas muito legítimo, porque eu
vou fazer duas perguntas dada à premência do tempo e à necessidade
de fazê-las. A primeira é a seguinte: o texto evangélico
lembra que não deve o homem separar o que Deus uniu. Argumenta-se de
um lado, que o casamento, portanto, é indissolúvel, e de outro
lado, que aquilo que Deus não uniu pode ser separado, porque não
foi Deus que uniu. Pergunto então como os mentores espirituais de Chico
Xavier interpretariam o texto bíblico e, em segundo lugar, há
uma preocupação, ainda hoje os nossos companheiros de rádio
me pediram: "pergunta ao Chico Xavier, já que você vai ser
um dos perguntadores, pergunta como é que a população deste
planeta cresce desta maneira, se com o problema da reencarnação
a fonte de vida para toda essa população teria origem exatamente
onde?" Essa pergunta dos companheiros de rádio é uma pergunta
que anda, às vezes, nas preocupações gerais de muitas pessoas.
É evidente que muitos de nós aqui podemos ter o nosso entendimento
a propósito do assunto, mas os nossos companheiros de rádio que
hoje estão tão interessados nesta matéria de espírito,
me pedem para formular a pergunta e aí ficam as duas interrogações,
pedindo a você desculpas pelo expediente que usei para formular a pergunta.
CHICO XAVIER: A primeira questão apresentada pelo nosso digno amigo sr.
deputado federal, dr. Freitas Nobre, envolve o problema do divórcio
no Brasil. Isso traz uma outra questão, que é a questão
do desquite. Sem nenhum desrespeito às nossas leis, com absoluta veneração
aos nossos magistrados, que são zeladores da nossa dignidade como povo
cristão, mas os nossos amigos espirituais consideram que o desquite facultado
pelo artigo 316 do nosso Código Civil de algum modo, sem qualquer irreverência,
pode ser comparado, com todo o respeito nosso à dignidade dos nossos
governantes e dos nossos legisladores, o desquite no Brasil pode ser comparado
ao presente de um carro de luxo, que é doado sem o motor. O carro não
pode funcionar porque o motor está de um lado e a estrutura do veículo
de outro. No artigo número 323 do nosso Código Civil, existe a
possibilidade da reconciliação dos cônjuges seja de que
modo for, e a lei então aprova a reaproximação dos cônjuges
que não puderam viver juntos. Então é o trazimento do motor
ao carro, para que o carro venha a funcionar da mesma forma pela qual o mesmo
foi considerado em dificuldade antes do reajuste. Por isso mesmo, nós,
que hoje vivemos em dimensões econômicas diferentes, em dimensões
de intercâmbio diferentes, dimensões comerciais, dimensões
diplomáticas muito diferentes daquelas que nos caracterizavam até
1916, quando o nosso Código era herdeiro de muitas das idiossincrasias
do Código de Napoleão, e já diferente da lei 4.121, de
27 de agosto de 1962, considerada como sendo o estatuto da mulher casada. Nós
que vivemos hoje em dimensões tão grandes de compreensão
humana, nós consideramos o divórcio como medida humana, medida
legítima, porquanto dói ao nosso coração quando
ouvimos, nas palavras públicas de nossos grandes magistrados a palavra,
desculpem-me, a palavra concubina para designar senhoras distintíssimas,
grandes mães de família que estão em segunda, terceira
ou quarta união, com absoluto respeito ao regime monogâmico que
impera em nossas relações.
Peçamos a Deus que as nossas autoridades possam ouvir os nossos sentimentos,
mas não apressadamente, porque as leis não devem se alterar de
um dia para outro, para que determinadas alas de criaturas ainda não
matriculadas na escola da compreensão humana, da ternura humana, venham
a abusar da magnanimidade de nossos preceitos legais. Nós vamos esperar
que dias melhores venham para a família brasileira, e que o divórcio
possa ser consagrado, por nós todos, como medida humana, porque do ponto-de-vista
espírita cristão, muitos, talvez, afirmem: mas, e a dívida
de outras reencarnações? Muito bem, mas os nossos bancos fornecem
moratórias, fornecem reformas, será que o banco da providência
divina está em penúria tal que não nos possa dar tempo
para depois resgatarmos as nossas dívidas, com determinados companheiros
ou companheiras, para que nós não venhamos a cair, muitas vezes,
em delinquência, para salvaguardar os nossos interesses, a nossa integridade
mental, mesmo? O divórcio é uma medida humana,
mas nós devemos considerar e isso digo na condição de espírita,
nós os espíritas precisamos e sabemos respeitar a maioria católica
da Nação brasileira. Por isso mesmo, fazemos votos para que o
Soberano Pontífice, que nós tratamos com a máxima veneração,
e que suas eminências, os cardeais do Brasil, e suas excelências,
os senhores arcebispos e bispos do Brasil possam também abençoar
esses nossos ideais para que o divórcio venha tranquilizar tantos adultos
e legalizar tantos adultos e jovens que necessitam de semelhante medida para
que a paz e o amor, na fala do nosso caro entrevistador, dr. Durval Monteiro,
para que a paz e o amor reinem dentro do lar pátrio, do território
brasílio, isto sem desconsiderar os princípios monogâmicos,
os princípios de fidelidade que os cônjuges devem entre si, dentro
das novas dimensões psicológicas em que os nossos grupos sociais
são chamados a viver. Nós temos dois fantasmas que precisamos
abolir do campo de nossas vidas, que são a promiscuidade e a prostituição.
Nós poderemos vencer a prostituição com a dignidade do
trabalho porque, pelo trabalho, cada criatura se faz respeitada pelo rendimento
de sua própria vida no grupo social e a promiscuidade pela orientação
médica que vai liberar a nossa mente de aventuras suscetíveis
de comprometer o futuro de nossos descendentes. Mas, o divórcio, medida
humana, sem nenhum desrespeito à família brasileira, que é
profundamente cristã, é medida humana, mas devemos esperar que
os nossos magistrados reconsiderem os pontos de vista em andamento, e que processos
novos de vivência possam inspirar essa lei de libertação,
que é uma lei justa em favor da paz de nossos lares com emancipação
para o homem e emancipação para a mulher, sem as ilusões
e fantasias do amor possessivo, do amor egoístico de um lado ou de outro,
porque cada um é senhor do seu próprio destino. Quanto à
população, nós podemos dizer, podemos esclarecer ao nosso
caro informante, que a população, vamos dizer, flutuante do globo
terrestre é muito grande, e que orientadores de economia na Europa são
unânimes em asseverar, a maioria deles, que o nosso planeta ainda comporta
talvez mais de 30 bilhões de habitantes, desde que nós venhamos
a explorar também as nossas possibilidades no mar, porque há toda
uma flora e toda uma fauna a esperarem por nós no mar. Conversando a
esse respeito há algum tempo com alguns jovens, e quando falávamos
a respeito da pecuária com base na produção do anequim,
um deles me disse, com muita propriedade em seu sentimento de cristão:
mas, Chico Xavier, será possível que vamos viver até à
morte matando para comer? Sinceramente, eu me envergonhei porque é verdade,
matar, matar para comer. Mas, com base na pecuária justa, com base na
economia bem dirigida, nós precisamos viver, ainda, talvez, alguns milênios,
necessitando dos valores protéicos, adquiríveis na carne.
FREITAS NOBRE: Mas, Chico, a pergunta dos nossos companheiros de rádio
envolvia um pouco mais. Eles diziam, levando em conta a reencarnação,
como cresce a população do nosso planeta, qual a origem desses
espíritos que reencarnam.
CHICO XAVIER: A origem, a nossa origem está em Deus. Nós somos
uma faixa de população visível na Terra, considerados como
habitantes do plano físico, mas em torno da Terra há toda uma
população terrestre ainda eivada, ou vamos dizer, caracterizada
por sentimentos puramente terrestres. A evolução não se
faz num dia e somos bilhões...
10 - EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS - ANDRÉ LUIZ - PÁG. 179
ÍTEM
VIII - Matrimónio e divórcio:
— Poderíamos receber algumas noções acerca do matrimônio,
bem como do divórcio no Plano Físico, examinados espiritualmente?
— Nas esferas elevadas, as almas superiores identificam motivo de honra
no serviço de amparo aos companheiros menos evolvidos que estagiam nos
planos inferiores. Não podemos olvidar que, na Terra, o matrimônio
pode assumir aspectos variados, objetivando múltiplos fins. Em razão
disso, acidentalmente, o homem ou a mulher encarnados podem experimentar o casamento
terrestre diversas vezes, sem encontrar a companhia das almas afins com as quais
realizariam a união ideal. Isso porque, comumente, é preciso resgatar
essa ou aquela dívida que contraímos com a energia sexual, aplicada
de maneira infeliz ante os princípios de causa e efeito. Entretanto,
se o matrimônio expiatório ocorre em núpcias secundárias,
o cônjuge liberado da veste física, quando se ajuste à afeição
nobre, frequentemente se coloca a serviço da companheira ou do companheiro
na retaguarda, no que exercita a compreensão e o amor puro. Quanto à
reunião no Plano Espiritual, é razoável se mantenha aquela
em que prevaleça a conjunção dos semelhantes, no grau mais
elevado da escala de afinidades eletivas. Se os viúvos e as viúvas
das núpcias efetuadas em grau menor de afinidade demonstram sadia condição
de entendimento, são habitualmente conduzidos, depois da morte, ao convívio
do casal restituído à comunhão, desfrutando posição
análoga à dos filhos queridos junto dos pais terrenos, que por
eles se submetem aos mais eloquentes e multifários testemunhos de carinho
e sacrifício pessoal para que atendam, dignamente, à articulação
dos próprios destinos.
Contudo, se a desesperação do ciúme ou a nuvem do despeito
enceguecem esse ou aquele membro da equipe fraterna, os cônjuges reassociados
no plano superior amparam-lhe a reencarnação, à maneira
de benfeitores ocultos, interpretando-lhes a rebelião por sintoma enfermiço,
sem lhes retirar o apoio amigo, até que se reajustem no tempo. Ninguém
veja nisso inovação ou desrespeito ao sentimento alheio, porquanto
o lar terrestre enobrecido, se analisado sem preconceitos, permanece estruturado
nessas mesmas bases essenciais, de vez que os pais humanos recebem, muitas vezes,
no instituto doméstico, por filhos e filhas, aqueles mesmos laços
do passado, com os quais atendem ao resgate de antigas contas, purificando emoções,
renovando impulsos, partilhando compromissos ou aprimorando relações
afetivas de alma para alma. É nessa condição que em muitas
circunstâncias surgem nas entidades renascentes sem que o véu da
reencarnação lhes esconda de todo a memória, as psiconeuroses
e fixações infanto-juvenis, cuja importância na conduta
sexual da personalidade é exagerada em excesso pelos sexólogos
e psicanalistas da atualidade, carentes de mais amplo contato com as realidades
do Espírito e da reencarnação, que lhes permitiriam ministrar
aos seus pacientes mais efetivo socorro de ordem moral. Quanto ao divórcio,
segundo os nossos conhecimentos no Plano Espiritual, somos de parecer não
deva ser facilitado ou estimulado entre os homens, porque não existem
na Terra uniões conjugais, legalizadas ou não, sem vínculos
graves no princípio da responsabilidade assumida em comum.
Mal saídos do regime poligâmico, os homens e as mulheres sofrem-lhe
ainda as sugestões animalizantes e, por isso mesmo, nas primeiras dificuldades
da tarefa a que foram chamados, costumam desertar dos postos de serviço
em que a vida os situa, alegando imaginárias incompatibilidades e supostos
embaraços, quase sempre simplesmente atribuíveis ao desregrado
narcisismo de que são portadores. E com isso exercem viciosa tirania
sobre o sistema psíquico do companheiro ou da companheira mutilados ou
doentes, necessitados ou ignorantes, após explorar-lhes o mundo emotivo,
quando nào se internam pelas aventuras do homicídio ou do suicídio,
espetaculares, com a fuga voluntária de obrigações preciosas.
É imperioso, assim, que a sociedade humana estabeleça regulamentos
severos a benefício dos nossos irmãos contumazes na infidelidade
aos compromissos assumidos consigo próprios, a benefício deles,
para que se não agreguem a maior desgoverno, e a benefício de
si mesma, a fim de que não regresse à promiscuidade aviltante
das tabas obscuras, em que o princípio e a dignidade da família
ainda são plenamente desconhecidos. Entretanto, é imprescindível
que o sentimento de humanidade interfira nos casos especiais, em que o divórcio
é o mal menor que possa surgir entre os grandes males pendentes sobre
a fronte do casal, sabendo-se, porém, que os devedores de hoje voltarão
amanhã ao acerto das próprias contas. Pedro Leopoldo, 18-5-58.
16 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC - CAP. XXII
O
DIVÓRCIO:
5. O divórcio é uma lei humana, cuja finalidade é separar
legalmente o que já estava separado de fato. Não é contrário
à lei depois só reforma o que os homens fizeram, e só tem
aplicação casos em que a lei divina não foi considerada.
Se fosse contrário essa lei, a própria Igreja seria forçada
a considerar como prevaricadores aqueles dos seus chefes que, por sua própria
autoridade, em nome da religião, impuseram o divórcio em várias
circunstâncias, prevaricação, aliás, porque praticada
com vistas unicamente interesses materiais, e não para atender à
lei do amor. Mas nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta casamento.
Não disse ele: "Moisés, pela dureza dos vossos coraçôes
permitiu repudiar as vossas mulheres?" Isto significa que, desde os tempos
de Moisés, não sendo a mútua afeição o motivo
único do casamento, a separação podia tornar-se necessária.
Mas acrescenta: "no princípio não foi assim", ou seja,
na origem da Humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos
pelo egoísmo e pelo orgulho, e viviam segunda a lei de Deus, as uniões,
fundadas na simpatia recíproca e não sobre a vaidade ou a ambição,
não davam motivo ao repúdio.
E vai ainda mais longe, pois especifica o caso em que o repúdio pode
verificar-se: o de adultério. Ora, o adultério não existe
onde reina uma afeição recíproca sincera. É verdade
que proíbe ao homem desposar a mulher repudiada, mas é necessário
considerar os costumes e o caráter dos homens do seu tempo. A lei mosaica
prescrevia a lapidação para esses casos. Querendo abolir um costume
bárbaro, precisava, naturalmente, de estabelecer uma penalidade, que
encontrou na ignomínia decorrente da proibição de novo
casamento. Era, de qualquer maneira, uma lei civil substituída por outra
lei civil, que, por sua vez, como todas as leis dessa natureza, devia sofrer
a prova do tempo.
25 - VIDA E SEXO - EMMANUEL - PÁG. 37, 41, 45
ÍTEM
8 - Divórcio
pág. 37: «O divórcio é lei humana que tem por objeto
separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não
é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que
os homens hão feito e só é aplicável nos casos em
que não se levou em conta a lei divina .» Do item 5, do Cap. XXII,
de «O evangelho segundo o espiritismo».
Partindo do princípio de que não existem uniões conjugais
ao acaso, o divórcio, a rigor, não deve ser facilitado entre as
criaturas. E' aí, nos laços matrimoniais definidos nas leis do
mundo, que se operam burilamentos e reconciliações endereçados
à precisa sublimação da alma. O casamento será sempre
um instituto benemérito, acolhendo, no limiar, em flores de alegria e
esperança, aqueles que a vida aguarda para o trabalho do seu próprio
aperfeiçoamento e perpetuação. Com ele, o progresso ganha
novos horizontes e a lei do renascimento atinge os fins para os quais se encaminha.
Ocorre, entretanto, que a Sabedoria Divina jamais institui princípios
de violência, e o Espírito, conquanto em muitas situações
agrave os próprios débitos, dispõe da faculdade de interromper,
recusar, modificar, discutir ou adiar, transitoriamente, o desempenho dos compromissos
que abraça. Em muitos lances da experiência, é a própria
individualidade, na vida do Espírito, antes da reencarnação,
que assinala a si mesma o casamento difícil que faceará na estância
física, chamando a si o parceiro ou a parceira de existências pretéritas
para os ajustes que lhe pacificarão a consciência, à vista
de erros perpetrados em outras épocas. Reconduzida, porém, à
ribalta terrestre e assumida a união esponsalícia que atraiu a
si mesma, ei-la desencorajada à face dos empeços que se lhe desdobram
à frente.
Por vezes, o companheiro ou a companheira voltam ao exercício da crueldade
de outro tempo, seja através de menosprezo, desrespeito, violência
ou deslealdade, e o cônjuge prejudicado nem sempre encontra recursos em
si para se sobrepor aos processos de dilapidação moral de que
é vítima. Compelidos, muita vez, às últimas fronteiras
da resistência, é natural que o esposo ou a esposa, relegado a
sofrimento indébito, se valha do divórcio por medida extrema contra
o suicídio, o homicídio ou calamidades outras que lhes complicariam
ainda mais o destino. Nesses lances da experiência, surge a separação
à maneira de bênção necessária e o cônjuge
prejudicado encontra no tribunal da própria consciência o apoio
moral da auto-aprovação para renovar o caminho que lhe diga respeito,
acolhendo ou não nova companhia para a jornada humana. Óbvio que
não nos é lícito estimular o divórcio em tempo algum,
competindo-nos tão-sòmente, nesse sentido, reconfortar e reanimar
os irmãos em lide, nos casamentos de provação, a fim de
que se sobreponham às próprias suscetibilidades e aflições,
vencendo as duras etapas de regeneração ou expiação
que rogaram antes do renascimento no Plano Físico, em auxílio
a si mesmos; ainda assim, é justo reconhecer que a escravidão
não vem de Deus e ninguém possui o direito de torturar ninguém,
à face das leis eternas.
O divórcio, pois, baseado em razões justas, é providência
humana e claramente compreensível nos processos de evolução
pacífica. Efetivamente, ensinou Jesus: "não separeis o que
Deus ajuntou", e não nos cabe interferir na vida de cônjuge
algum, no intuito de arredá-lo da obrigação a que se confiou.
Ocorre, porém, que se não nos cabe separar aqueles que as Leis
de Deus reuniu para determinados fins, são eles mesmos, os amigos que
se enlaçaram pelos vínculos do casamento, que desejam a separação
entre si, tocando-nos unicamente a obrigação de respeitar-lhes
a livre escolha sem ferir-lhes a decisão.