DOENÇA |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- Alquimia da mente - pág. 62 | 02 - Caminho, verdade e vida - pág. 173 |
| 03 - Cartilha da natureza - pág. 51 | 04 - Ceifa de Luz - pág. 49 |
| 05 - Conduta Espírita - pág. 84, 122 | 06 - Contos desta e doutra vida - pág. 27 |
| 07 - Entre a Terra e o céu - pág. 167 | 08 - Escrínio de luz - pág. 200 |
| 09 - Estamos no além - pág. 51 | 10 - Falando à Terra - pág. 147 |
| 11 - Florações evangélicas - pág. | 12 - Justiça Divina - pág. 102, 113, 126 |
| 13 - Lampadário espírita - pág. 99 | 14 - Magnetismo espiritual - pág. 9 |
| 15 - Mãos de luz - pág. 26,70, 189 | 16 - Na era do Espírito - pág. 61 |
| 17 - O consolador - pág. 66 | 18 - O Livro dos Espíritos - q. 714 |
| 19 - O passe espírita - pág. 95 | 20 - Passes e radiações - pág. 75, 171 |
| 21 - Religião dos espíritos - pág. 165 | 22 - Renúncia - pág. 298 |
| 23 - Sexo e evolução - pág.66 | 24 - Universo e vida - pág. 98 |
| 25 - Vinhas de luz - pág. 329 | 26 - Voltei - pág. 124 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
DOENÇA – COMPILAÇÃO
02 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 173
79. A CADA UM - "Levanta-te direito sobre os teus pés". - Paulo (Atos, 14:10)
De modo geral, quando encarnados no mundo físico, apenas enxergamos os aleijados do corpo, os que perderam o equilíbrio corporal, os que se arrastam penosamente no solo, suportando escabrosos defeitos. Não possuímos suficiente visão para identificar os doentes do espírito, os coxos do pensamento, os aniquilados de coração.
Onde existissem somente cegos, acabaria a criatura perdendo interesse e a lembrança do aparelho visual; pela mesma razão, na crosta da Terra, onde esmagadora maioria de pessoas se constituem de almas paralíticas, no caso se refere à virtude, raros homens conhecem a desarmonia de saúde espiritual que lhes diz respeito, conscientes de suas necessidades incontestes.
Infere-se, pois, que a missão do Evangelho e muito mais bela e mais extensa que possamos imaginar. Jesus continua derramando bênçãos todos os dias. E os prodígios ocultos, operados no silêncio de seu amor infinito, são maiores que os verificados em Jerusalém e na Galiléia, porquanto os cegos e leprosos curados, segundo as narrativas apostólicas, voltaram mais tarde a enfermar e morrer.
A cura de nossos espíritos doentes e paralíticos é mais importante, porquanto se efetua com vistas à eternidade. É indispensável que não nos percamos em conclusões ilusórias. Agucemos os ouvidos, guardando a palavra do apóstolo aos gentios. Imprescindível é que nos levantemos, individualmente, sobre os próprios pés, pois há muita gente esperando as asas de anjo que lhe não pertencem.
06 - Contos desta e doutra vida - Irmão X - pág. 27
O
anjo cinzento
Para que o Homem adquirisse confiança em Sua Bondade Infinita, determinou
o Senhor que vários Anjos o amparassem na Terra, amorosamente...Em razão
disso, quando mal saía do berço, aproximou-se dele um Anjo Lirial
que, aproveitando os lábios daquela que se lhe constituíra em
mãezinha adorável, lhe ensinou a repetir:— Deus... Pai do
Céu... Papai do Céu...Era o Anjo da Pureza.
Mais tarde, soletrando o alfabeto, entre as paredes da escola, acercou-se dele
um Anjo de Luz Verde que, por intermédio da professorado ajudou a pronunciar
em voz firme:— Deus, Nosso Pai Celestial, é o Criador de todos
os seres e de todas as coisas...Era
o Anjo da Esperança.
Alongaram-se-lhe os dias, até que penetrou uma casa de ensino superior,
sob cujo teto venerável foi visitado por um Anjo Vestido em Luz de Ouro
que, através de educadores eméritos, lhe falou acerca da glória
e da magnificência do Eterno, utilizando a linguagem da filosofia e da
ciência.Era o Anjo da Sabedoria.
O Homem compulsou livros e consultou autoridades, desejando a comunhão
mais direta com o Senhor e fazendo-se caprichoso e exigente. Olvidando o direito
dos semelhantes, propunha-se conquistar as atenções de Deus tão
somente para si. A Majestade divina, a seu parecer, devia inclinar-se-lhe aos
petitórios, atendendo-lhe as desarrazoadas solicitações,
sem mais nem menos; e, porque o Criador não se revelasse disposto a personalizar-se
para satisfazê-lo, começou a cultivar o espinheiro da negação
e da dúvida.
Por
mais insistisse o Anjo Dourado, rogando--Ihe reverenciar o Senhor, acatando-lhe
as leis e os desígnios, mais se mergulhava na hesitação
e na indiferença. Atormentado, procurou um templo religioso, onde um
Anjo Azul o socorreu, valendo-se de um sacerdote para recomendar-lhe a prática
do trabalho e da humildade, com a retidão da consciência e
com a perseverança no bem.
Era o Anjo da Fé.
O Homem registrou-lhe os avisos, mas, sentindo enorme dificuldade para render-se
aos exercícios da virtude, clamava intimamente: — "Deus? mas
existirá Deus, realmente? por que razão não me oferece
provas indiscutíveis do seu poder?" Frequentando o templo para não
ferir as convenções sociais, foi auxiliado por um Anjo Róseo,
que lhe conduziu a inteligência à leitura de livros santos, comovendo-lhe
o coração e conduzindo-lhe o sentimento à prática
do amor e da renúncia, da benevolência e do sacrifício,
de maneira a abreviar o caminho para o Divino Encontro. Era o Anjo da Caridade.
O teimoso estudante aprendeu que não lhe seria lícito aguardar
as alegrias do Céu, sem havê-las merecido pela própria sublimação
na Terra. Ainda assim, monologava indisciplinado: — "Se sou filho
de Deus e se Deus existe, não justifico tanta formalidade para encontrá-lo..."
E prosseguia surdo aos orientadores angélicos. Casou-se, constituiu família,
amealhou dinheiro e garantiu-se contra as vicissitudes da sorte; entretanto,
por mais se esforçassem os Anjos da Caridade e da Sabedoria, da Esperança
e da Fé, no sentido de favorecer-lhe a comunhão com o Céu,
mais repudiava os generosos conselheiros, exclamando de si para consigo: —
"Deus? mas existirá efetivamente Deus?"
Enrugando-se-lhe o rosto e encanecendo-se-lhe a cabeça orgulhosa, reuniram-se
os gênios amigos, suplicando a compaixão do Senhor, a benefício
do rebelde tutelado. Foi quando desceu da Glória Celeste um Anjo Cinzento,
de semblante triste e discreto. Não tomou instrumentos para comunicar-se.
Ele próprio abeirou-se do revoltado filho do Altíssimo, abraçou-o
e assoprou-lhe ao coração a mensagem que trazia...Sentindo-lhe
a presença, o Homem cambaleou, deitou-se e começou a reconhecer
a precariedade dos bens do mundo...
Notou quão transitória era a posse dos patrimônios terrestres, dos quais não passava de usufrutuário egoísta... Observou que a sua felicidade passageira era simples sombra a esvair-se no tempo...E, assinalando sofrimento e desequilíbrio no âmago de si mesmo, compreendeu que tudo que desfrutava na vida era empréstimo divino da Eterna Bondade.
Meditou..meditou...reconsiderando as atitudesque lhe eram peculiares e, em lágrimas de sincera e profunda compunção, qual se fora tenro menino, dirigiu-se pela primeira vez, com toda a alma, ao Todo Poderoso, suplicando-lhe: - Deus de Infinita Misericórdia, meu Criador e meu Pai, compadece-te de mim!... O Anjo Cinzento era o Anjo da Enfermidade.
07 - Entre a Terra e o céu - André Luiz - pág. 167
24
- carinho reparador
Odlla, sob o patrocínio da Irmã Clara, foi internada numa instituição
de tratamento, por alguns dias, e, durante sete noites consecutivas, visitamos
Zulmira, em companhia de nosso orientador, a fim de auxiliar o soerguimento
dela. A segunda esposa de Amaro mostrava-se melhor. Mais silenciosa. Mais calma.
Não saíra, porém, da inércia a que se recolhera.
Alijara a excitação de que se via objeto, mas prosseguia entregue
a extrema prostração. Subnutrida, apática, sustentava-se
no mais absoluto desânimo. Atendendo-nos à inquirição
habitual, Clarêncio observou, prestimoso:- Acha-se agora liberta, contudo,
reclama estímulo para subtrair-se à exaustão. Falta-lhe
a vontade de lutar para viver. Confiemos, no entanto. A própria Odila
favorecer-lhe-á a recuperação. À medida que se lhe
restaure a visão espiritual, a primeira esposa de Amaro aceitará
o Imperativo de renúncia e fraternidade para construir o futuro que lhe
interessa. Zulmira, com efeito, continuava livre e tranquila.
As peças do corpo funcionavam com irrepreensível harmonia, mas,
efetivamente, algo prosseguia faltando...A máquina mostrava-se reequilibrada,
entretanto, mantinha-se preguiçosa, exigindo adequadas providências.
Transcorrida uma semana, Irmã Clara convidou--nos a breve entendimento.
Comunicou-nos que Odila revelava grande transformação. Submetida
à assistência magnética, a fim de sondar o passado, reconhecera
o impositivo de sua colaboração com o marido para alcançarem
ambos a vitória real nos planos do espírito. Suspirava pelo reencontro
com o filhinho, dispunha-se a tudo fazer para ser útil ao esposo e à
filhinha... E, para tanto, combateria a repulsa espontânea que experimentava
por Zulmira, a quem auxiliaria corno irmã, reajustando-se devidamente
para fortalecê-la e ampará-la.
A benfeitora mostrava-se satisfeita. Recomendava-nos trouxéssemos Amaro,
tão logo pudesse ele ausentar-se do veículo físico, na
noite próxima, até à casa espiritual de refazimento em
que Odila se encontrava. Do entendimento entre ambos, resultariam decerto os
melhores efeitos. A mãezinha de Evelina estava reformada e daria provas
do reajuste, efetuando o primeiro esforço para a reconciliação.
A solicitação de Clara foi alegremente atendida. Depois de meia-noite,
quando o ferroviário se rendeu à branda influência do sono,
guiamo-lo ao sítio indicado. No aposento claro e florido do santuário
de recuperação em que Odila se localizava, aguardava-nos a instrutora
junto dela. O pai de Júlio, que seguia menos consciente ao nosso lado,
em reconhecendo a presença da mulher que
amava, ajoelhou-se, cobrou a lucidez que lhe era possível em tais circunstâncias,
e exclamou, enlevado:
-Odila!... Odila!...- Amaro! - respondeu a antiga companheira, então
completamente transfigurada - sou eu! sou eu quem te pede coragem e fé,
serenidade e valor na tarefa a realizar!...- Estou farto, farto... - clamou
ele, agora em lágrimas a lhe verterem, copiosas.
Odila, sustentada pela venerável amiga, levantou-se com alguma dificuldade
e, alisando-lhe os cabelos, perguntou, em voz comovida:
- Farto de quê?- Sinto-me entediado da vida... Casei-me, de novo, como
deves saber, acreditando garantir a segurança de nossos filhos para o
futuro, entretanto, a mulher que desposei nem de longe chega a teus pés...
Fui ludibriado! Em lugar da felicidade, encontrei o desapontamento que não
sei disfarçar!... E, fitando-a com enternecedora expressão, comentou,
triste:
- Nosso Júlio morreu num desastre, quando encerrava para mim as melhores
aspirações, nossa filha se estiola num quarto sem alegria e a
madrasta que lhes impus apodrece num leito!... Ah! Odila, poderás compreender
o que sofro? Tenho rogado a morte ao Céu para que nos reunamos na eternidade,
mas a morte não vem...A esposa, compreensivelmente mais bela pelos pensamentos
redentores que agora lhe manavam do ser, com os olhos enevoados de pranto, falou-lhe
com inflexão inesquecível:- Sim, Amaro, compreendo! Também
eu padeci muito, no entanto, hoje reconheço que a nossa dor é
agravada por nós mesmos... Por que havemos de converter a distância
em rebelião e a saudade em venenoso fel? por que não reconhecer
a Majestade Suprema de Deus, na orientação de nossos destinos?
não temos sabido cultivar o amor que é sacrifício na Terra
para a edificação de nosso paraíso espiritual... Temos
exigido quando devemos dar, dilacerado quando nos cabe recompor!...
Amaro,
é preciso acalmar o coração para que a vida nos auxilie
a entendê-la, é indispensável ceder de nós, a fim
de receber dos outros o concurso de que necessitamos... Na aspereza de meus
sentimentos deseducados, vinha eu adubando o espinheiro do ciúme, atormentando-te
o pensamento e perturbando a nossa casa! Mas, em alguns dias rápidos,
adquiri mais ampla penetração em nossos problemas, usando a chave
da boa vontade!... Quero melhorar-me, progredir, reviver...O ferroviário
contemplou-a, carinhoso e reverente, e acentuou, desalentado:- Isso não
impede a terrível realidade. Achamo-nos em dois mundos diferentes...
Infortunado que sou! sinto-me desarvorado e infeliz!...- Achava-me igualmente
assim, contudo, procurei no silêncio e na oração o roteiro
renovador.
- Que fazer de Zulmira, colocada entre nós como empecilho à nossa
verdadeira união?- Não raciocines desse modo! ela não permaneceria
em tua estrada sem motivo justo. Nesse instante, Clarêncio abeirou-se
do ferroviário e, tocando-lhe a fronte com a destra, ofereceu-lhe ao
campo mental o retorno imediato às recordações das dívidas
por ele contraídas no Paraguai. Amaro estremeceu e continuou escutando.-
Se Zulmira foi situada no templo de nosso amor -prosseguiu Odila, admiravelmente
inspirada -, é que nosso amor lhe deve a bênção da
felicidade de que nos sentimos possuídos...- Sim... sim... - aprovava
agora o interlocutor, de posse das reminiscências fragmentárias
que lhe assomavam do coração.
- Interpretemo-la por nossa filha, por irmã de Evelina, cujos passos
nos compete encaminhar para o bem. O lar não é apenas o domicílio
dos corpos... É o ninho das almas, em cujo doce aconchego desenvolvemos
as asas que nos transportarão aos cumes da glória eterna. Aceitemos
a provação e a dor, como abençoadas instrutoras de nossa
romagem para Deus...- Todavia - ponderou o moço, triste -, sabes quanto
te amo!...- Não ignoras, por tua vez, que o teu coração
constitui para mim o tesouro maior da vida, entretanto, hoje vejo o horizonte
mais largo... Valeria realmente o brilho dos oásis fechados? Serviria
a construção de um palácio, em pleno deserto, onde estaríamos
humilhando com a nossa saciedade os viajores que passassem por nós, mortificados
de sede e fome? como categorizar o carinho que se pervertesse no isolamento,
a pretexto de conservar a ventura só para si? Renovemo-nos, Amaro!
Nunca é tarde para recomeçar o bem!... Trabalhemos, valorizando
o tempo e a vida!...Tocado talvez nas fibras mais íntimas, o pai de Evelina
chorava convulsivamente, infundindo piedade...Odila enlaçou-o com mais
ternura e Clara convidou-nos a excursão através do grande jardim
próximo. A breves instantes, achávamo-nos em plena contemplação
do céu...Os dois cônjuges instalaram-se em perfumado recanto para
a conversação a sós.(...)
08 - Escrínio de luz - Emmanuel - pág. 200
ONTEM
NO HOJE
Não rogues prodígios à memória cerebral, a fim de
que penetres o domínio do passado, de modo a conhecer a bagagem das próprias
dívidas. Recordar pormenores das defecções e deserções
a que empenhávamos ontem os melhores recursos da vida, seria encarcerar-nos
hoje em feridas e sombras, sem capacidade de esperança e de movimento.
Ainda assim, nas linhas do olvido temporário em que a Misericórdia
do Senhor te situa, valorizando-te a oportunidade de recapitular e redimir,
pagar e reaprender, podes refletir no pretérito, baseando ilações
e raciocínios nas circunstâncias que te rodeiam.
O berço é marco de reinicio. O templo doméstico é
oficina salvadora em que retomamos o trabalho interrompido e as lutas que nos
cercam falam sem palavras da natureza de nossos erros e compromissos. A enfermidade
no corpo físico referir-se-á a ruinosos excessos que precisamos
retificar, e a inibição da inteligência, na dificuldade
e no pauperismo, é lembrança do abuso intelectual que nos reclama
o serviço da corrigenda.
A aflição na equipe familiar reporta-se aos sacrifícios
edificantes que devemos aos desafetos antigos, e os impedimentos no trabalho
profissional recordam nossa desídia e relaxamento de outrora, solicitando-nos
tolerância e fidelidade na obrigação a cumprir. A dor prolongada
é advertência contra nossas distrações sistemáticas
e a incompreensão social, quase sempre, é o caminho em que se
nos regenerará por intermédio de lágrimas sucessivas, a
consciência culpada.
Na tela das circunstâncias de agora, é possível auscultar
as causas de nossas amarguras e expiações, no presente, bastando
que o nosso espírito se incline com humildade ao entendimento da Lei.
Recordemos o Evangelho do Cristo quando nos diz que "o amor cobre a multidão
de nossas faltas" e, servindo aos outros, na lavoura do progresso e do
aperfeiçoamento incessante, baniremos hoje as trevas de ontem para que
o nosso amanhã fulgure, sublime, em sublime vitória de paz e luz.
12 - Justiça Divina - EMMANUEL - pág. 102, 113, 126
DESLIGAMENTO
DO MAL - Reunião pública de 26-6-61 - 1ª Parte, cap. VII,
As Penas Futuras segundo o Espiritismo
Antes da reencarnação, no balanço das responsabilidades
que lhe competem, a mente, acordada perante a Lei, não se vê apenas
defrontada pelos resultados das próprias culpas. Reconhece, também,
o imperativo de libertar-se dos compromissos assumidos com os sindicatos das
trevas. Para isso partilha estudos e planos referentes à estrutura do
novo corpo físico que lhe servirá por degrau decisivo no reajuste,
e coopera, quanto possível, para que seja ele talhado à feição
de câmara corretiva, na qual se regenere e, ao mesmo tempo, se isole das
sugestões infelizes, capazes de lhe arruinarem os bons propósitos.
Patronos da guerra e da desordem, que esbulhavam a confiança do povo,
escolhem o próprio encarceramento na idiotia, em que se façam
despercebidos pelos antigos comparsas das orgias de sangue e loucura, por eles
mesmos transformados em lobos inteligentes; tribunos ardilosos da opressão
e caluniadores empeçonhados pela malícia pedem o martírio
silencioso dos surdos-mudos, em que se desliguem, pouco a pouco, dos especuladores
do crime, a cujo magnetismo degradante se rendiam, inconscientes; cantores e
bailarinos de prol, imanizados a organizações corrompidas, suplicam
empeços na garganta ou pernas cambaias, a fim de não mais caírem
sob o fascínio dos empreiteiros da delinquência; espiões
que teceram intrigas de morte e artistas que envileceram as energias do amor
imploram olhos cegos e estreiteza de raciocínio.
Receosos
de voltar ao convívio dos malfeitores que, um dia, elegeram por associados
e irmãos de luta mais íntima; criaturas insensatas, que não
vacilavam em fazer a infelicidade dos outros, solicitam nervos paralíticos
ou troncos mutilados, que os afastem dos quadrilheiros da sombra, com os quais
cultivavam rebeldia e ingratidão; e homens e mulheres, que se brutalizaram
no vício, rogam a frustração genésica e, ainda,
o suplício da epiderme deformada ou purulenta, que provoquem repugnância
e consequente desinteresse dos vampiros, em cujos fluidos aviltados e vómitos
repelentes se compraziam nos prazeres inferiores.
Se alguma enfermidade irreversível te assinala a veste física,
não percas a paciência e aguarda o futuro. E se trazes alguém
contigo, portando essa ou aquela inibição, ajuda esse alguém
a aceitar semelhante dificuldade como sendo a luz de uma bênção.
Para todos nós, que temos errado infinitamente, no caminho longo dos
séculos, chega sempre um minuto em que suspiramos, ansiosos, pela mudança
de vida, fatigados de nossas próprias obsessões.
Doenças
da alma - Reunião pública de 7-8-61 1$ Parte, cap. VII, item 7
Na forja moral da luta em que temperas o caráter e purificas o sentimento,
é possível acredites estejas sempre no trato de pessoas normais,
simplesmente porque se mostrem com a ficha de sanidade física. Entretanto,
é preciso pensar que as moléstias do espírito também
se contam. O companheiro que te fala, aparentemente tranquilo, talvez guarde
no peito a lâmina esbraseada de terrível desilusão. A irmã
que te recebe, sorrindo, provavelmente carrega o coração ensopado
de lágrimas. Surpreendeste amigos de olhos calmos e frases doces, dando-te
a impressão de controle perfeito, que soubeste, mais tarde, estarem
caminhando na direção da loucura.
Enxergaste outros, promovendo festas e estadeando poder, a escorregarem, logo
após, no engodo da delinquência. É que as enfermidades do
espírito atormentam as forças da criatura, em processos de corrosão
inacessíveis à diagnose terrestre. Aqui, o egoísmo sombreia
a visão; ali, o ódio empeçonha o cérebro; acolá,
o desespero mentaliza fantasmas; adiante, o ciúme converte a palavra
em látego de morte... Não observes os semelhantes pelo caleidoscópio
das aparências.
É necessário reconhecer que todos nós, espíritos
encarnados e desencarnados em serviço na Terra, ante o volume dos débitos
que contraímos nas existências passadas, somos doentes em laboriosa
restauração. O mundo não é apenas a escola, mas
também o hospital em que sanamos desequilíbrios recidivantes,
nas reencarnações regenerativas, através do sofrimento
e do suor, a funcionarem por medicação compulsória. Deixa,
assim, que a compaixão retifique em ti próprio os velhos males
que toleras nos outros.
Se alguém te fere ou desgosta, debita-lhe o gesto menos feliz à
conta da moléstia obscura de que ainda se faz portador. Se cada pessoa
ofendida pudesse ouvir a voz inarticulada do Céu, no instante em que
se vê golpeada, escutaria, de pronto, o apelo da Misericórdia Divina:
«Compadece-te!» Todos somos enfermos pedindo alta. Compadeçamo-nos
uns dos outros, a fim de que saibamos auxiliar. E mesmo que te vejas na obrigação
de corrigir alguém — pelas reações dolorosas das
doenças da alma que ainda trazemos —, compadece-te mil vezes antes
de examinar uma só.
Compromissos
em nós - Reunião pública de 25-8-61 1$ Parte, cap. III,
item 13
Considerando as elevadas missões dos Espíritos que se agigantaram
nos louros da virtude, refutamos nos compromissos anônimos que rogamos,
com ardor, em nós e por nós. Encontraste o marido ideal e a abastança
doméstica; no entanto, recebeste no próprio sangue o filho retardado
que te corta o coração por difícil problema. Um dia, compreenderás
que, noutras épocas, foi ele o companheiro que induziste à loucura.
Dispões de títulos respeitáveis para luzir nos encargos
mais nobres e padeces uma esposa mentalmente fixada na fronteira do hospício.
Um dia, compreenderás que, em estradas distantes, foi ela a parceira
menos feliz, em cujos pés colocaste lama escorregadia, para que resvalasse,
desamparada, na esquina do sofrimento. Tens dinheiro e instrução,
mas carregas um pai irascível e intransigente, que mais se assemelha
a um tigre de sentinela. Um dia, compreenderás que ele vive assim por
defeitos da educação que lhe impuseste em outra existência.
Acalentas projetos superiores, exaltando anseios de ascensão e sonhos
de arte; no entanto, gastas o próprio corpo, dobrando a cerviz sobre
o tanque ou lavando pratos e caçarolas. Um dia, compreenderás
que para sermos livres é preciso escravizar-nos, por algum tempo, ao
pé daqueles que, por algum tempo, nos foram também escravos. Percebes
a grandeza da obra de que te responsabilizas, sem achar colaborador que te dê
mão no trabalho, arrostando, sozinho, a obrigação de fazer.
Um dia, compreenderás que te valias, ontem, da confiança alheia
para tiranizar os que mais te amavam, e lutas, hoje, desentendido, para te libertares
da violência.
Possuis conhecimentos admiráveis e legiões de amigos que tudo
fazem por ajudar-te; contudo, amargas penosa anormalidade orgânica, à
maneira de espinho oculto. Um dia, compreenderás que a mutilação
e a deformidade, a inibição e a moléstia constituem remédios
nos pontos fracos da própria alma. Desfrutas mediunidade notável
e não consegues outro mister que não seja o consolo e o apaziguamento
na própria casa. Um dia, compreenderás que carecias de longo tempo,
desempenhando a função de bússola viva para alguns poucos
viajantes do mundo, arrojados por ti mesmo nas trevas das grandes provas.
Bendize as dores desconhecidas que te pungem, silenciosas ! Agradece as ocupações ignoradas que pediste alegremente, na Vida Espiritual, e que, muita vez, exerces chorando na vida física. Se ninguém, na Terra, te anota o serviço obscuro, recorda que Deus te vê! Se todos te desprezam, à face das tuas atividades supostas insignificantes e humildes, ainda mesmo por entre lágrimas, regozija-te nelas, aguardando o futuro. Ninguém consegue realmente ser grande, quando não aprendeu a ser pequenino.
16 - Na era do Espírito - Espíritos diversos - pág. 61
9
- Irmão Saulo - O Doente e o Remédio
Quando os fariseus censuraram Jesus por sentar-se à mesa com publicanos
e pecadores, Ele respondeu: "O sãos não precisam de médico,
mas sim os enfermos". Essa é a lição evangélica
tratada nos itens 11 e 12 do capítulo XXIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Como vemos, os temas de estudo nas reuniões públicas com Chico
Xavier sempre concordam com os problemas principais que os visitantes de várias
cidades vão lá discutir. Os livros são abertos ao acaso,
de maneira que essa constância no acerto dos temas basta para provar a
ação dos Espíritos no desenrolar dos trabalhos.
As atividades espíritas são o meio certo para a cura dos doentes
da alma. A terapêutica ocupacional, que é a cura por meio do trabalho,
muito antes de ser descoberta pela Medicina era empregada no Cristianismo primitivo.
Todos os que lutaram pela implantação do Cristianismo encaminharam
os fracos, os doentes, os viciosos à cura através da execução
de tarefas na seara. Há um princípio pedagógico segundo
o qual só se aprende fazendo. Como aprender as lições da
elevação espiritual sem praticá-las? A aptidão para
o bem se adquire na prática do bem.
As pessoas consideradas sem merecimento para a execução de tarefas
espirituais são as que mais necessitam de executá-las. Porque
o merecimento vem precisamente do esforço e da dedicação.
Comentando que a mediunidade é concedida sem distinção,
sem escolha, Kardec lembra que ela é dada "aos virtuosos para os
fortalecer no bem e aos viciosos para os corrigir". E acrescenta: "Estes
últimos são os doentes que precisam de médico".
Maria Dolores, nas suas comparações poéticas, mostra-nos o mesmo princípio ao afirmar: "...só se vence o mal pelo serviço ao bem". Se o serviço do bem é o remédio para o mal, como curar o doente que se recusa a tomar o remédio? As pessoas que se sentem inúteis porque se reconhecem cheias de imperfeições e defeitos deviam lembrar-se de que Jesus não procurou anjos nem sábios para o serviço do Evangelho, mas homens rudes e imperfeitos que se aprimoraram na execução de tarefas do seu ministério.
17 - O consolador - Emmanuel - pág. 66
94
— Como é considerada nos planos espirituais a medicina terrena?
— A medicina humana, compreendida e aplicada dentro de suas finalidades
superiores, constitui uma nobre missão espiritual.
O médico honesto e sincero, amigo da verdade e dedicado ao bem, é
um apóstolo da Providência Divina, da qual recebe a precisa assistência
e inspiração, sejam quais forem os princípios religiosos
por ele esposados na vida.
95 — Em face dos esforços da Medicina, como devemos considerar
a saúde?
— Para o homem da Terra, a saúde pode significar o equilíbrio
perfeito dos órgãos materiais; para o plano espiritual, todavia,
a saúde é a perfeita harmonia da alma, para obtenção
da qual, muitas vezes, há necessidade da contribuição preciosa
das moléstias e deficiências transitórias da Terra.
96 — Toda moléstia do corpo tem ascendentes espirituais?
— As chagas da alma se manifestam através do envoltório
humano. O corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo.
A patogenia é um conjunto de inferioridades do aparelho psíquico.
E é ainda na alma que reside a fonte primária de todos os recursos
medicamentosos definitivos. A assistência farmacêutica do mundo
não pode remover as causas transcendentes do caráter mórbido
dos indivíduos. O remédio eficaz está na ação
do próprio espírito enfermiço.
Podeis objetar que as injeções e os comprimidos suprimem a dor;
todavia, o mal ressurgirá mais tarde nas células do corpo. Indagareis,
aflitos, quanto às moléstias incuráveis pela ciência
da Terra e eu vos direi que a reencarnação, em si mesma, nas circunstâncias
do mundo envelhecido nos abusos, já representa uma estação
de tratamento e de cura e que há enfermidades dalma, tão persistentes,
que podem reclamar várias estações sucessivas, com a mesma
intensidade nos processos regeneradores.
97 — Se as enfermidades são de origem espiritual, é justa
a aplicação dos medicamentos humanos, a cirurgia, etc., etc.?
— O homem deve mobilizar todos os recursos ao seu alcance, em favor do
seu equilíbrio orgânico. Por muito tempo ainda, a Humanidade não
poderá prescindir da contribuição do clínico, do
cirurgião e do farmacêutico, missionários do bem coletivo.
O homem tratará da saúde do corpo, até que aprenda a preservá-lo
e defendê-lo, conservando a preciosa saúde de sua alma.
Acima de tudo, temos de reconhecer que os serviços de defesa das energias
orgânicas, nos processos humanos, como atualmente se verificam, asseguram
a estabilidade de uma grande oficina de esforços santificadores no mundo.
Quando, porém, o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos
medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos
recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á elevada a
santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas.
98 — Nos processos de cura, como deveremos compreender o passe?
— Assim como a transfusão de sangue representa uma renovação
das forças físicas, o passe é uma transfusão
de energias psíquicas, com a diferença de que os recursos orgânicos
são retirados de um reservatório limitado, e os elementos psíquicos
o são do reservatório ilimitado das forças espirituais.
18
- O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questão. 714
714.
Que pensar do homem que procura nos excessos de toda espécie um refinamento
dos seus gozos?
— Pobre criatura, que devemos lastimar e não invejar, porque está
bem próxima da morte!
714-a. Éda morte física ou da morte moral que ele se aproxima?
— De uma e de outra.
O homem que procura, nos excessos de toda espécie, um refinamento dos
gozos, coloca-se abaixo dos animais, porque estes sabem limitar-se à
satisfação de suas necessidades. Ele abdica da razão que
Deus lhe deu para guia e, quanto maiores forem os seus excessos, maior é
o império que concede à sua natureza animal sobre a espiritual.
As doenças, a decadência, a morte mesmo, que são a consequência
do abuso, são também a punição da transgressão
da lei de Deus.
21
- Religião dos espíritos - Emmanuel - pág. 165
Doenças escolhidas - Reunião pública
de 4-9-59 Questão n° 259
Convictos de que o Espírito escolhe as provações que experimentará
na Terra, quando se mostre na posição moral de resolver quanto
ao próprio destino, é justo recordar que a criatura, durante a
reencarnação, elege, automaticamente, para si mesma, grande parte
das doenças que se lhe incorporam às preocupações.
Não precisamos lembrar, nesse capítulo, as grandes calamidades
particulares, quais sejam o homicídio, de que o autor arrasta as consequências
na forma de extrema perturbação espiritual, ou o suicídio
frustrado, que assinala o corpo daquele que o perpetra com dolorosos e
aflitivos remanescentes.
Deter-nos-emos, de modo ligeiro, no exame das decisões lamentáveis,
que assumimos quando enleados no carro físico, sem saber que lhe martelamos
ou desagregamos as peças. Sempre que já tenhamos deixado as constrições
do primitivismo, todos sabemos que a prática do bem é simples
dever e que a prática do bem é o único antídoto
eficiente contra o império do mal em nós próprios.Entretanto,
rendemo-nos, habitualmente, às sugestões do mal, criando em nós
não apenas condições favoráveis à instalação
de determinadas moléstias no cosmo orgânico, mas também
ligações fluídicas aptas a funcionarem como pontos de apoio
para as influências perniciosas interessadas em vampirizar-nos a vida.
Seja na ingestão de alimento inadequado, por extravagâncias à
mesa, seja no uso de entorpecentes, no alcoolismo mesmo brando, no aborto criminoso
e nos abusos sexuais, estabelecemos em nosso prejuízo as síndromes
abdominais de caráter urgente, as úlceras gastrintestinais, as
afecções hepáticas, as dispepsias crónicas, as pancreatites,
as desordens renais, as irritações do cólon, os desastres
circulatórios, as moléstias neoplásicas, a neurastenia,
o traumatismo do cérebro, as enfermidades degenerativas do sistema nervoso,
além de todo um largo cortejo de sintomas outros, enquanto que na crítica
inveterada, na inconformação, na inveja, no ciúme, no despeito,
na desesperação e na avareza, engendramos variados tipos de crueldade
silenciosa com que, viciando o próprio pensamento, atraímos o
pensamento viciado das Inteligências menos felizes, encarnadas ou desencarnadas,
que nos rodeiam.
Exteriorizando ideias conturbadas, assimilamos as ideias conturbadas que se
agitam em torno de nosso passo, elementos esses que se nos ajustam ao desequilíbrio
emotivo, agravando-nos as potencialidades alérgicas ou pesando nas
estruturas nervosas que conduzem a dor. Mantidas tais conexões, surgem
frequentemente os processos obsessivos que, muitas vezes, sem afetarem a razão,
nos mantêm no domínio de enfermidades — fantasmas que
nos esterilizam as forças e, pouco a pouco, nos corroem a existência.
Guardemo-nos, assim, contra a perturbação, procurando o equilíbrio
e compreendendo no bem — expressando bondade e educação
— a mais alta fórmula para a solução de nossos problemas.
E ainda mesmo em nos sentindo enfermos, arrastando-nos embora, aperfeiçoemo-nos
ajudando aos outros, na certeza de que, servindo ao próximo, serviremos
a nós mesmos, esquecendo, por fim, o mercado da invigilância onde
cada um adquire as doenças que deseja para tormento próprio.
23 - Sexo e evolução - Walter Barcelos -
pág.66
5.6
— Libertação do instinto sexual doentio
Para sairmos desses estados íntimos infelizes que podem aprisionar a
alma na masmorra de sofrimentos por séculos, é necessário,
como nos diz o autor de "Nosso Lar": "Ensinemo-los a libertar
a mente das malhas do instinto, abrindo-lhes caminho aos ideais do amor
santificante (...)." (26.11) Não libertaremos a mente destes profundos
desequilíbrios, simplesmente na base de aplicação de técnicas
de concentração mental, de meditação ou de permanência
na fuga afetiva pela obediência a normas rigorosas de disciplina religiosa,
visando a conquistar virtudes de um momento para outro. Essas novas atitudes
pode facultar um descanso e fortalecimento para a alma, possibilitando a retomada
de uma vida nova, mas não decretará, por si só, uma mudança
profunda em nossos valores morais, pois são virtudes ilusórias
que não suportarão, mais tarde, o choque com os testes indispensáveis.
A
virtude, para confirmar-se realmente, deverá ser provada e comprovada,
inúmeras vezes, vencendo com valor moral as experiências difíceis
e dolorosas. O Espiritismo não nos apresenta normas rigoristas para aquisição
de virtudes imediatas. As técnicas de concentração podem
ajudar, mas com a concentração nas técnicas de viver o
bem legítimo para os outros, principalmente na vida afetiva e sexual.
É o que nos explica André Luiz: "Não desejamos, portanto,
preconizar no mundo normas rigoristas de virtude artificial, nem favorecer qualquer
regime de relações inconscientes. Nossa bandeira é, sobretudo,
a do entendimento fraternal. Trabalhemos para que a luz da compreensão
se faça entre os nossos amigos encarnados, a firn de que as angústias
afetivas não arrojem tantas vítimas à voragem da morte,
intoxicadas de criminosas paixões."
E o Espírito Emmanuel nos dá o seguinte esclarecimento sobre virtude:
"Virtude é o resultado de experiências in-comensuravelmente
recapituladas na vida." (16.23)
5.7 — Processo individual de cura dos desvarios
sexuais
Os graves problemas das angústias afetivas que assolam a Humanidade inteira
não podem ser resolvidos somente com a colaboração de livros
científicos, distanciados das leis morais e dos valores espirituais,
nem das orientações e indicações da Medicina, a
influir e beneficiar somente a organização física, com
desprezo pela personalidade espiritual. As enfermidades, antes de tudo, estão
radicadas no Espírito e a criatura humana precisa buscar a cura por si
mesma, com aprovação de sua consciência, materializada na
boa vontade sincera em conquistar valores morais mais elevados. Vejamos a palavra
segura do autor de "No Mundo Maior":
"O cativeiro nos tormentos do sexo não é problema que possa
ser solucionado por literatos ou médicos a agir no campo exterior: é
questão da alma, que demanda processo individual de cura, e sobre esta
só o Espírito resolverá no tribunal da própria consciência."
O equilíbrio moral e espiritual, tão desejado por todos nós,
somente será adquirido se trabalharmos com paciência e perseverança
o nosso próprio mundo interior, para uma vida mais nobre, iluminada pelos
esclarecimentos espirituais e alimentado pelo amor verdadeiro, que proporcionará
uma nova atividade mental e um comportamento mais fraterno e construtivo.
Desse
modo, aprenderemos a plantar a simpatia nos corações alheios,
que, por sua vez, se transformarão em colaboradores na caminhada de nossa
renovação, e conquistaremos também, pouco a pouco, o perdão
e a reconciliação com aqueles que infelicitamos, com os nossos
desvarios sexuais em vidas passadas. A recuperação da alma, vítima
do desequilíbrio sexual, exige o esforço individual na aquisição
de valores indicados a todos nós pelo Nosso Mestre e Senhor Jesus-Cristo.
Continua elucidando-nos o médico espiritual André Luiz:"(...)
cumpre-nos reconhecer que os escravos das perturbações do campo
sensorial só por si mesmo serão liberados, isto é, pela
dilatação do entendimento, pela compreensão dos sofrimentos
alheios e das dificuldades próprias, pela aplicação, enfim,
do 'amai-vos uns aos outros', assim na doutrinação, como no imo
da alma, com as melhores energias do cérebro e com os melhores sentimentos
do coração".
24 - Universo e vida - Hernani T. Sant'Anna - pág.
98
18. FLUIDO MAGNÉTICO
No processo da encarnação, ou reencarnação, a mente
espiritual, envolta no seu soma perispirítico reduzido, i.e., miniaturizado,
atrai magneticamente as substâncias celulares do ovo materno, ao qual
se ajusta desde a sua formação, revestindo-se com ele para, de
imediato, começar a imprimir-lhe as suas próprias características
individuais, que vão sendo absorvidas pelo novo organismo carnal, à
medida que este se desenvolve e se desdobra segundo as leis genésicas
naturais. Intimamente ligada, desse modo, a cada célula física,
que se forma segundo o molde da célula perispiritual preexistente a que
se acopla, a mente espiritual assume, de maneira mais ou menos consciente, em
cada caso, mas sempre rigorosamente efetiva, o comando da nova personalidade
humana, que assim se constitui de Espírito, perispírito e corpo
material.
Importa aqui considerar que as características modulares que a mente
imprime às células físicas que se formam são por
ela transmitidas e fixadas através de uma força determinada, que
é a energia mental, veiculada pelas ondas eletromagnéticas do
pensamento. Quando o molde perispirítico preexiste exteriorizado, as
vibrações mentais, atingindo-o em primeiro lugar, encontram maiores
recursos para a ele ajustarem as novas células físicas. Noutros
casos, as vibrações mentais, atuando sobre moldes perispiríticos
amorfoidizados por ovoidização, valem-se do processo fisiológico
natural de desenvolvimento genético para reconstituir a tessitura da
organização perispiritual, ao mesmo tempo que imprimem às
novas células deste, e às do soma físico, as características
de sua individualidade.
Assim, as ondas eletromagnéticas do pensamento, carregadas das ídeo-emoções
do Espírito, constituem o que se denomina fluido magnético, que
é plasma fluídico vivo, de elevado poder de ação.
Daí em diante, e pela vida toda, refletem-se na mente espiritual todos
os fenômenos da experiência humana do ser, cuja quimiossíntese
final nela também se realiza. Justo é que nela se reflitam e se
imprimam tais resultados, por ser ela mesmo quem comanda o ser, ou, melhor dizendo,
por ser ela o próprio ser, que do mais se vale como de instrumentos indispensáveis
à sua ação e manifestação, porém
não mais do que instrumentos. É das vibrações da
mente espiritual que dependem a harmonia ou a desarmonia orgânicas da
personalidade e, portanto, a saúde ou a doença do perispírito
e do corpo material.
De acordo com o princípio da repercussão, as células corporais
respondem automaticamente às induções hipnóticas
espontâneas que lhes são desfechadas pela mente, revigorando-se
com elas ou sofrendo-lhes a agressão. Raios mentais desagregadores, de
culpabilidade ou remorso, formam zonas mórbidas no cosmo orgânico,
impondo distonia às células, que adoecem, provocando a eclosão
de males que podem ir desde a toxiquemia até o câncer. Tanto ou
mais do que os prejuízos causados pelos excessos e acidentes físicos,
muitas vezes de caráter transitório, as ondas mentais tumultuarias,
se insistentemente repetidas, podem provocar lesões de longo curso, a
repercutirem, no tempo, até por várias reencarnações
recuperadoras.
Além disso, na recapitulação natural e inderrogável
das experiências do Espírito, quando se trata de ônus cármicos
em aberto, eclodem, com frequência, em determinadas faixas de idade, e
em certas circunstâncias engendradas pelos mecanismos da expiação,
forças desarmônicas que afligem a mente, desafiando-lhe a capacidade
de autocontrole e auto-superação, sob pena de engolfar-se ela
em caos de intensidade e duração imprevisíveis.
Não podemos, tampouco, esquecer os problemas de sintonia, decorrentes
da lei universal das afinidades, que obriga os semelhantes a conviverem uns
com os outros e a se influenciarem mutuamente. Como a onda mental opera em regime
de circuito, incorpora inelutavelmente todos os princípios ativos que
absorve, sejam de que natureza forem. Assim, tanto acontecem, entre as almas,
maravilhosas fecundações de ideais e sentimentos nobres, como
terríveis contágios mentais, algumas vezes até de natureza
epidêmica, responsáveis por graves manifestações
da patologia mento-física.
Tudo depende, por conseguinte, do modo como cada Espírito se conduz,
no uso do fluido magnético que maneja. Com ele, pode-se ferir e prejudicar
os outros, criar distúrbios e zonas de necrose, soezes encantamentos
e fascinações escravizantes. Mas pode também manipular
medicações balsâmicas, produzir prodígios de amor
fecundo e estabelecer, através da prece e do trabalho benemerente, uma
sublime ligação com o Céu.
LEMBRETES:
Meu pai dizia há muito tempo atrás: "A dor é um ótimo professor". Então já era de conhecimento geral que a dor não é somente uma expiação, mas também um meio que usamos para mantermos-nos na linha, isto é, sempre que desencaminhamos acontece alguma coisa de ruim, de mal, por exemplo: o excesso da gula por doces acaba por nos trazer o diabetes, no Plano Espiritual muitas vezes pedimos já vir com ela somente para que possamos DISCIPLINAR o nosso Espírito pois, enquanto nos contermos devidamente ela não nos dará nenhuma problema.
A doença pode vir por dois motivos: 1° - expiação: para pagamentos de débitos pretéritos; 2° - prova: a nosso pedido, para que possamos evoluir ou para dar oportunidade a outrem de fazer o bem, e, com isto estaremos participando de sua evolução. Quando professava a religião católica apostólica romana como toda a minha família, eu dizia: "Se chegar um dia em que não puder praticar mais esportes, andar e executar outras tarefas com os meus próprios membros, eu estaria morto, eu preferia morrer. Ao conhecer a Doutrina Espírita vim aprender que este é um pensamento egoísta, visto que, que me desencarnando, tiraria a oportunidade de outros companheiros de jornada a praticarem o bem, exercendo a caridade plena de coração. Para mim também é uma caridade, uma forma de piedade a um irmão, porisso estando doente, devo ser resignado e abnegado sempre agradecendo a Deus por esta oportunidade dupla. Pois, não só estarei apagando muitas das minhas faltas, mas, também estarei colaborando na Redenção de outros irmãos necessitados.
A dor prolongada é advertência contra nossas distrações sistemáticas e a incompreensão social, quase sempre, é o caminho em que se nos regenerará por intermédio de lágrimas sucessivas, a consciência culpada.
Recordemos o Evangelho do Cristo quando nos diz que "o amor cobre a multidão de nossas faltas" e, servindo aos outros, na lavoura do progresso e do aperfeiçoamento incessante, baniremos hoje as trevas de ontem para que o nosso amanhã fulgure, sublime, em sublime vitória de paz e luz.
É
importante a abnegação e a resignação porque elas
nos dará o tempo necessário para viverciarmos mil experiências
quando então entenderemos e conscientizaremos do que estamos passando
desalgemando-nos dos nossos grilhões e deslumbrando o Mundo Espiritual
como a Nossa verdadeira Pátria.
Edivaldo