EMANCIPAÇÃO
DA ALMA |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- De Mário a Tiradentes - pág. 44, 123 | 02 - Estudos sobre mediunidade - pág. 65, 71 |
| 03 - O Livro dos Espíritos - 2ª parte cap. VIII, q. 400,455 | 04 - O problema do ser do destino e da dor - pág. 40 |
| 05 - Obras Póstumas - pág. 59 | 06 - Pérolas do Além - pág. 73 |
| 07 - Revista Espírita 1866 - pág. 22 | 08 - Vida e Atos dos Apóstolos - pág. 6 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
EMANCIPAÇÃO DA ALMA – COMPILAÇÃO
03 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 2ª parte cap. VIII, questões: 400, 455
Capítulo—
VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA - I _ O SONO E OS SONHOS
400.O Espírito encarnado permanece voluntariamente no envoltório
corporal?
— E como perguntar se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves.
O Espírito encarnado aspira incessantemente à libertação,
e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais deseja ver- se desembaraçado.
401 . Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
— Não, o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os
liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito.
Então ele percorre o espaço e entra em relação mais
direta com os outros Espíritos.
402. Como podemos avaliar a liberdade do Espírito durante o sono?
— Pelos sonhos. Sabei que, quando o corpo repousa, o Espírito dispõe
de mais faculdades que no estado de vigília. Tem a lembrança do
passado e, às vezes, a previsão do futuro; adquire mais poder
e pode entrar em comunicação com os outros Espíritos, seja
deste mundo, seja de outro. Frequentemente dizes: "Tive um sonho bizarro,
um sonho horrível, mas que não tem nenhuma verossimilhança".
Enganas-te. É quase sempre uma lembrança de lugares e de coisas
que viste ou que verás numa outra existência ou em outra ocasião.
O corpo estando adormecido, o Espírito trata de quebrar as suas cadeias
para investigar no passado ou no futuro. Pobres homens, que conheceis tão
pouco dos mais ordinários fenômenos da vida! Acreditais ser muito
sábios, e as coisas mais vulgares vos embaraçam. A esta pergunta
de todas as crianças: "O que é que fazemos quando dormimos;
o que são os sonhos?" ficais sem resposta.
O sono liberta parcialmente a alma do corpo. Quando o homem dorme, momentaneamente
se encontra no estado em que estará de maneira permanente após
a morte. Os Espíritos que logo se desprendem de maneira ao morrerem,
tiveram sonos inteligentes. Esses Espíritos, quando dormem, procuram
a sociedade dos que lhes são superiores: viajam, conversam e se instruem
com eles; trabalham mesmo em obras que encontram concluídas, ao morrer.
Destes fatos deveis aprender, uma vez mais, a não ter medo da morte,
pois morreis todos os dias, segundo a expressao de um santo. Isto, para os Espíritos
elevados; pois os homens que, com a morte, devem permanecer longas horas nessa
perturbação, nessa incerteza de que vos têm falado, vão,
seja a mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições
o chamam, seja á procura de prazeres talvez ainda mais baixos do que
possuíam aqui; vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis,
mais nocivas do que as que professavam entre vós.
E
o que engendra a simpatia na Terra não e outra coisa senão o fato
de nos sentirmos, ao acordar, ligados pelo coração aqueles com
quem acabamos de passar oito ou nove horas de felicidade ou de prazer. O que
explica também as antipatias invencíveis é que sentimos,
no fundo do coração, que essas pessoas têm uma consciência
diversa da nossa, porque as conhecemos sem jamais as ter visto. E ainda o que
explica a indiferença, pois não procuramos fazer novos amigos
quando sabemos ter os que nos amam e nos querem. Numa palavra: o sono influi
mais do que pensais, sobre a vossa vida.
Por efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação
com o mundo dos Espíritos, e é isso o que faz que os Espíritos
superiores consintam, sem muita repulsa, em encarnar-se entre vós. Deus
quis que, durante o seu contato com o vício, pudessem eles retemperar-se
na fonte do bem, para não falirem, eles que vinham instruir os outros.
O sono é a porta que Deus lhes abriu para o contato com os seus amigos
do céu; é o recreio após o trabalho, enquanto esperam o
grande livramento, a libertação final, que deve restituí-los
ao seu verdadeiro meio.
O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante
o sono; mas observai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais
daquilo que vistes, ou de tudo o que vistes. Isso porque não tendes a
vossa alma em todo o seu desenvolvimento; frequentemente não vos resta
mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a
vossa partida e a vossa volta, a que se junta a lembrança do que fizestes
ou do que vos preocupa no estado de vigília. Sem isto, como explicaríeis
esses sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios
quanto os mais simples? Os maus Espíritos também se servem dos
sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.(...)
Questão 455. Os fenômenos do sonambulismo natural se produzem espontaneamente e independem de qualquer causa exterior conhecida; mas, entre algumas pessoas, dotadas de organização especial, podem ser provocados artificialmente, pela ação do agente magnético. O estado designado pelo nome de sonambulismo magnético não difere do sonambulismo natural, senão pelo fato de ser provocado, enquanto o outro é espontâneo.
04 - O problema do ser do destino e da dor - Léon Denis - pág. 40
(..)
A Revelação Espírita levantou, como sucede com todas as
doutrinas novas, muitas objeções e críticas. Ponderemos
algumas. Acusam-nos, primeiro que tudo, de termos grande empenho em filosofar;
acusam-nos de termos edificado, sobre a base de fenômenos, um sistema
antecipado, uma doutrina prematura, e de havermos comprometido assim o caráter
positivo do Espiritualismo moderno. Um escritor de valia, fazendo-se intérprete
de um certo número de psiquistas, resumia as suas críticas nestes
termos: "Uma objeção séria contra a hipótese
espírita é a que se refere à filosofia com que certos homens
demasiadamente apressados dotaram o Espiritismo. O Espiritismo, que apenas devia
ser uma ciência no seu início, é já uma filosofia
imensa para a qual o Universo não tem segredos."
Poderíamos lembrar a esse autor que os homens de quem ele fala representaram
em tudo isso simplesmente o papel de intermediários, limitando-se a coordenar
e publicar os ensinamentos que recebiam por via mediúnica. Por outro
lado, devemos notar, haverá sempre indiferentes, cépticos, espíritos
retardados, prontos a achar que andamos com muita pressa. Não haveria
progresso possível, se se tivesse de esperar pêlos retardatários.
É deveras engraçado ver pessoas, cujo interesse por essas questões
apenas data de ontem, darem regras a homens como Allan Kardec, por exemplo,
que só se atreveu a publicar os seus trabalhos ao cabo de anos de investigações
laboriosas e de maduras reflexões, obedecendo nisso a ordens formais
e bebendo em fontes de informação de que os nossos excelentes
críticos nem sequer parecem ter idéia.
Todos aqueles que seguem com atenção o desenvolvimento dos estudos
psíquicos, podem verificar que os resultados adquiridos vieram confirmar
em todos os pontos e fortalecer cada vez mais a obra de Kardec. Fredrich
Myers, o eminente professor de Cambridge, que foi durante vinte anos, diz Charles
Richet, a alma da "Society for Psychical Researches", de Londres,
e que o Congresso oficial internacional de Psicologia de Paris elevou, em 1900,
à dignidade de presidente honorário, Myers declara nas últimas
páginas de sua obra magistral — "La Personnalité Humaine,
sã Survivance", cuja publicação produziu no mundo
sábio uma sensação profunda: "Para todo investigador
esclarecido e consciencioso essas indagações vão dar lugar,
lógica e necessariamente, a uma vasta síntese filosófica
e religiosa."
Partindo desses dados, consagra o capítulo décimo a uma "generalização ou conclusão que estabelece um nexo mais claro entre as novas descobertas e os esquemas já existentes do pensamento e das crenças dos homens civilizados". Termina assim a exposição de seu trabalho: "Bacon previra a vitória progressiva da observação e da experiência em todos os domínios dos estudos humanos; em todos, exceto um — o domínio das coisas divinas. Empenho-me em mostrar que essa grande exceção não é justificada. Pretendo que existe um método para chegar ao conhecimento das coisas divinas com a mesma certeza, a mesma segurança com que temos alcançado os progressos que possuímos no conhecimento das coisas terrestres. A autoridade das igrejas será substituída, assim, pela da observação e experiência.
Os
impulsos da fé transformar-se-ão em convicções racionais
e firmes, que darão origem a um ideal superior a todos os que a Humanidade
houver conhecido até esse momento." Assim, o que certos críticos
de pouca sagacidade consideram como tentativa prematura, aparece a F. Myers
como "evolução necessária e inevitável".
A síntese filosófica, que remata a sua obra, recebeu, no meio
científico, a. mais alta aprovação. Para Sir Oliver Lodge,
o acadêmico inglês, "constitui ela um dos mais vastos, compreensíveis
e bem fundados esquemas que, acerca da existência, têm sido vistos".
O Prof. Flournoy, de Genebra, tece-lhe o maior elogio nos seus "Archives
de Psychologie de Ia Suisse Romande" (junho de 1903). Na França,
outros homens de ciência, sem ser espíritas, chegam a conclusões
idênticas.
Sr. Maxwell, doutor em Medicina, substituto do Procurador Geral junto à
Corte de Apelação de Paris, exprimia-se assim:"O Espiritismo
vem a seu tempo e corresponde a uma necessidade geral... A extensão que
essa doutrina está tomando é um dos fenômenos mais curiosos
da época atual. Assistimos ao que me parece ser o nascimento de uma verdadeira
religião sem cerimônias rituais e sem clero, mas com assembléias
e práticas. Pelo que me diz respeito, acho extremo interesse nessas reuniões
e sinto a impressão de assistir ao nascimento de um movimento religioso
fadado para grandes destinos."
À vista de tais apreciações, as argúcias e as recriminações
dos nossos contraditores caem por si mesmas. A que devemos atribuir a sua aversão
à doutrina dos Espíritos? Será por se tornar o ensino espírita,
com a sua lei das responsabilidades, o encadeamento de causas e efeitos que
se desenvolvem no domínio moral, e a sanção dos exemplos
que nos traz, um terrível embaraço para grande número de
pessoas que pouca importância ligam à filosofia? (..)
05 - Obras Póstumas - Allan Kardec - pág.
59
§
IV - emancipação da alma
24. Durante o sono, só o corpo repousa; o Espírito não
dorme e até se vale do repouso do corpo, e dos momentos om que a sua
presença é desnecessária, para agir separadamente e ir
onde quiser, no gozo da sua liberdade e na plenitude das faculdades. Entretanto,
e durante toda a vida, nunca se separa completamente do corpo, e, embora ele
se distancia, fica sempre preso por um laço fluídico, que o adverte
quando a sua presença é necessária, laço que só
se rompe com a morte.
"O sono liberta, em parte, a alma do corpo. Quando se dorme, entra-se por
momentos no estado que é permanente depois da morte. Os Espíritos
que, por ocasião da morte, se libertam logo da matéria, tiveram
durante a vida sonos inteligentes; quando dormem, vão procurar a companhia
de outros seres que lhes são superiores, com os quais viajam, conversam
e se instruem; trabalham mesmo em obras, que ao morrer lá encontram terminadas.
Isto deve ensinar-vos uma vez mais que não deveis temer a morte, pois
que vós morreis dia-tiamente, como já o disse um santo varão.
"Isto pelo que respeita aos Espíritos elevados pois a grande maioria
dos Espíritos encarnados, aqueles que, na ocasião da morte, ficam
longas horas na perturbação e na incerteza, de que eles próprios
vos falam às vezes, esses vão, durante o sono, aos mundos inferiores
à terra, onde os chamam antigas afeições, ou em busca
de prazeres ainda mais baixos do que aqueles que encontram por aqui; vão
haurir doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que aquelas
que professam entre vós. A origem da simpatia entre os habitantes da
terra está justamente no fato de, ao despertarem, sentirem-se presos
pelo coração àqueles com quem acabam de passar oito ou
nove horas de felicidade e prazer.
O
que explica também essas simpatias invencíveis entre eles é
o saberem intimamente que as pessoas, por quem as sentem, possuem consciência
diversa da sua, e as conhecem mesmo sem nunca as terem visto com os olhos do
corpo. É ainda o que explica a indiferença de outros, que não
buscam fazer novos amigos por saberem e existem criaturas de quem possuem o
amor e a dedicação, em resumo, o sono tem sobre a vida uma influência
maior do que supondes.
O sono faculta aos Espíritos encarnados o meio de à tarem sempre
em comunicação com o mundo espiritual, é o que leva os
Espíritos superiores a consentir sem grande repulsa em se encarnarem
entre vós. Deus quis que durante o seu contacto com o vício, pudessem
retemperar-se na fonte do bem, a fim de que aqueles, que virem instruir os outros,
não sucumbam também. O sono é porta que Deus lhes abriu
para se comunicarem com amigos do céu, é o recreio depois do trabalho
enquar esperam a grande libertação final, que deve restituí-los
seu verdadeiro ambiente.
"O sonho é a recordação do que o vosso Espírito
durante o sono, mas notai que nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de quanto
vistes. Essa recordação não está em vossa alma em
todo o seu desenvolvimento; muitas vezes apenas a lembrança da perturbação
que experimenta à partida ou à volta, à qual se junta a
lembrança do que haver feito ou do que vos preocupa no estado de vigília;
a não ser assim, como explicaria os sonhos absurdos que todos têm
tanto os homens mais sábios, como os mais simples? maus Espíritos
servem-se também dos sonhos para atormentarem as almas fracas e pusilânimes.
"A incoerência de certos sonhos explica-se pela recordação
imperfeita e incompleta dos fatos e cenas, que fora presentes em sonho, da mesma
forma que seria íncoerente uma narração em que se trocassem
frases, visto não darem os fragmentos uma significação
racional. Demais a mais, dentro de pouco tempo vereis desenvolver-se outra espécie
de sonhos, que é tão antiga como a que conheceis, e vos era desconhecida.
O sonho de Joana d'Arc, o de Jacó, os profetas judeus e de alguns adivinhos
indianos são lembrança do que a alma vê inteiramente desprendida
do corpo, a lembrança dessa segunda vida de que vos temos falado".
(O Livro dos Espíritos, Cap.j VIII, item 402).
25. O desprendimento e a emancipação da alma manifestam-se sobretudo
de maneira evidente, na fenômeno do sonambulismo natural e magnético,
na catalepsia e na letargia. A lucidez sonambúlica não é
senão a faculdade que a alma possui de ver e sentir sem o auxílio
dos órgãos materiais. Essa faculdade é um dos seus atributos,
existe em todo o seu ser e os órgãos do corpo são estreitos
canais, por onde lhe advêm certas impressões. A vista a distância,
que possuem esses sonâmbulos, provém do desprendimento da alma,
que vê o que se passa nos lugares para onde se transporta. Em suas peregrinações,
ela nunca se despe do perispírito, agente das suas sensações,
o qual, como o dissemos, não se desprende inteiramente do corpo. O desprendimento
da alma produz a inércia do corpo, que, às vezes, parece privado
da vida.
26. O desprendimento pode produzir-se no estado de vigília e em diversos
graus, não dispondo o corpo, de maneira completa, da sua atividade normal;
há sempre uma absorvência, um desapego mais ou menos completo das
coisas terrestres. Ele não dorme; anda, age; mas os olhos fitam sem ver
os objetos. Percebe-se bem que a alma não está aí.
Como no sonambulismo, ela vê as coisas distantes, tem percepções
e sensações, que nos são desconhecidas e, às vezes,
tem a presciência de futuros acontecimentos pelas relações
que os prendem às coisas presentes. Penetrando no mundo invisível,
vê os Espíritos, entretém-se com eles, e pode transmitir-nos
os seus pensamentos. O esquecimento, quando volta ao estado normal, é
quase constante; mas às vezes tem uma lembrança mais ou menos
vaga, como no sonho.
LEMBRETE:
Embora, durante a vida, o Espírito se encontre preso ao corpo pelo perispírito,
não se lhe acha tão escravizado, que não possa alongar
a cadeia que o prende e transportar-se a um ponto distante, quer sobre a Terra,
quer do espaço. Repugna ao Espírito estar ligado ao corpo, porque
a sua vida normal é a de liberdade e a vida corporal é a do servo
preso à gleba.
Ele, por conseguinte, se sente feliz em deixar o corpo, como o pássaro
em se encontrar fora da gaiola, pelo que aproveita todas as ocasiões
que se lhe oferecem para ela escapar, de todos os instantes em que a sua presença
não é necessária à vida de relação.
Tem-se então o fenômeno a que se dá o nome de EMANCIPAÇÃO
DA ALMA, fenômeno que se produz durante o sono. De todas as vezes que
o corpo repousa, que o sentidos ficam inativos, o Espírito se desprende.
Allan Kardec
Edivaldo