EPILEPSIA |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- Alquimia da mente - pág. 96 | 02 - Antologia do perispírito - Ref. 644 |
| 03 - De Mário a Tiradentes - pág. 290 | 04 - Dinâmica Psi - pág. 166 |
| 05 - Falando à Terra - pág. 147 | 06 - Grilhões partidos - pág. 101 |
| 07 - Hipnotismo e espiritismo - pág. 20, 77, 108, 136, 144 | 08 - Hipnotismo e Mediunidade - pág. 84, 164 |
| 09 - Homeopatia e espiritismo - pág. 15 | 10 - Magnetismo espiritual - pág. 79, 104, 111 |
| 11 - Minha doce casa Espírita - pág. 85 | 12 - O Espírito do Cristianismo - pág. 279 |
| 13 - O Livro dos Espíritos - introd. XV 5°, q. 47 | 14 - O ser subconsciente - pág. 76 |
| 15 - O sermão da montanha - pág. 183 | 16 - Obsessão e desobsessão - pág. 58 |
| 17 - Ressurreição e vida - pág. 223 | 18 - Revista Espírita 1864 - pág. 6, 46 |
| 19 - Saúde e espiritismo - pág. 151, 193 | 20 - Técnicas da mediunidade - pág. 133 |
| 21 - Tramas do Destino - pág. 65, 93 | 22 - |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
EPILEPSIA – COMPILAÇÃO
13 - O Livro dos Espíritos -Allan Kardec - introd. XV 5°, questão. 47
XV—A
LOUCURA E SUAS CAUSAS
Há ainda criaturas que vêem perigo por toda parte, em tudo aquilo
que não conhecem, não faltando as que tiram conclusões
desfavoráveis ao Espiritismo do fato de terem algumas pessoas, que se
entregaram a estes estudos, perdido a razão. Como podem os homens sensatos
aceitar essa objeção? Não acontece o mesmo com todas as
preocupações intelectuais, quando o cérebro é fraco?
Conhece-se o número de oucos e maníacos produzidos pelos estudos
matemáticos, médicos, musicais, filosóficos e outros? E
devemos, por isso, banir tais estudos? O que provam esses fatos? Nos trabalhos
físicos, estropiam-se os braços e as pernas que são os
instrumentos da ação material; nos trabalhos intelectuais estropia-se
o cérebro que é o instrumento do pensamento. Mas se o instrumento
se quebrou, o mesmo não acontece com o Espírito: ele continua
intacto e quando se libertar da matéria não desfrutará
menos da plenitude de suas faculdades. Foi no seu setor, como homem, um mártir
do trabalho.
Todas as grandes preocupações intelectuais podem ocasionar a loucura:
as Ciências, as Artes e a Religião fornecem os seus contingentes.
A loucura tem por causa primária uma predisposição orgânica
do cérebro, que o torna mais ou menos suscetível a determinadas
impressões. Havendo essa predisposição à loucura,
ela se manifestará com o caráter da preocupação
principal do indivíduo, que se tornará uma idéia fixa.
Essa ideia poderá ser a dos Espíritos, naquele que se ocupa do
assunto, ou a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte,
de uma ciência, da materialidade ou de um sistema político ou social.
E provável que o louco religioso se apresente como louco espírita,
se o Espiritismo foi a sua preocupação dominante, como o louco
espírita se apresentaria de outra forma, segundo as circunstâncias.
Digo, portanto, que o Espiritismo não tem nenhum privilégio neste
assunto. E vou mais longe: digo que o Espiritismo bem compreendido é
um preservativo da loucura. Entre as causas mais frequentes de superexcitação
cerebral devemos contar as decepções, as desgraças, as
afeições contrariadas, que são também as causas
mais frequentes do suicídio. Ora, o verdadeiro espírita olha as
coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem
tão pequenas, tão mesquinhas, em face do futuro que o aguarda;
a vida é para ele tão curta, tão fugitiva, que as tribulações
não lhe parecem mais do que incidentes desagradáveis de uma viagem.
Aquilo
que para qualquer outro produziria violenta emoção, pouco o afeta,
pois sabe que as amarguras da vida são provas para o seu adiantamento,
desde que as sofra sem murmurar, porque será recompensado de acordo com
a coragem demonstrada ao suportá-las. Suas convicções lhe
dão uma resignação que o preserva do desespero e conseqüentemente
de uma causa constante de loucura e suicídio. Além disso, conhece,
pelo exemplo das comunicações dos Espíritos, a sorte daqueles
que abreviam voluntariamente os seus dias, e esse quadro é suficiente
para o fazer meditar. Assim, o número dos que têm sido detidos
à beira desse funesto despenhadeiro é considerável. Este
é um dos resultados do Espiritismo. Que os incrédulos se riam
quanto quiserem: eu lhes desejo as consolações que ele proporciona
a todos os que se dão ao trabalho de lhe sondar as misteriosas profundidades.
Entre as causas da loucura devemos ainda incluir o pavor, sendo que o medo do
Diabo já desequilibrou alguns cérebros. Sabe-se o número
de vítimas que ele tem feito ao abalar imaginações fracas
com essa ameaça, que cada vez se procura tornar mais terrível
por meio de hediondos pormenores? O diabo, dizem, só assusta as crianças,
e um meio de torná-las mais ajuizadas. Sim, como o bicho-papão
e o lobisomem. Mas quando elas deixam de temê-lo ticam piores do que antes.
E para conseguir tão belo resultado não se levam em conta as epilepsias
causadas pelo abalo de cérebros delicados. A religião seria
bem fraca se, por não usar o medo, seu poder ficasse comprometido. Felizmente
assim não acontece. Ela dispõe de outros meios para agir sobre
as almas, e o Espiritismo lhe fornece os mais eficazes e mais sérios,
desde que os saiba aproveitar. Mostra as coisas na sua realidade e com isso
neutraliza os efeitos funestos de um temor exagerado.
19
- Saúde e espiritismo - A.M.E. Brasil- pág. 151, 193
Epilepsia e obsessão: - Osvaldo Hely Moreira
O
Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência sem
o Espiritismo se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos
só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência,
faltariam apoio e comprovação. (Génese, Allan Kardec, 12
- edição, pág. 20, FEB)
A epilepsia constitui-se num dos desafios da medicina devido sua alta incidência
( 0,5% a 2 % da população ), diagnóstico etiológico
difícil e abordagem terapêutica ainda discutida. A história
relata casos de epilépticos sempre sendo vistos como seres envolvidos
por anjos ou demônios, já que a intuição mostrava
ao homem a conexão de determinados processos de convulsão com
atuação obsessiva. A responsabilidade dos profissionais da área
médica, diante dessa patologia, cresce não só em função
da alta incidência relatada, mas também em função
de suas implicações sociais e emocionais. O epiléptico
encontra dificuldades para progredir em sua vida social e profissional.
Seu
campo de trabalho é restrito e suas inibições, pelo receio
da ocorrência das crises convulsivas, levam-no a evitar a convivência
habitual na sociedade, além do fato de ver-se obrigado a utilizar medicação
de forma crônica. Essa visão da patologia em estudo, leva-nos,
profissionais médicos espíritas, a buscarmos soluções
mais definitivas para esses pacientes, motivando a realização
desse estudo.
DEFINIÇÕES
Epilepsia - As epilepsias são um grupo de distúrbios caracterizados
por alterações primárias, crônicas e recorrentes
na função neurológica causadas por anormalidades na atividade
elétrica do cérebro, podendo ser:
- Idiopática (primária ou genuína) - indivíduo sem
lesão neurológica aparente.
- Secundária - (resultado de lesão neurológica ou alteração
estrutural do cérebro):
- Hipóxia e isquemia perinatal;
- Distúrbios genéticos;
- Doença cérebro-vascular;
- Malformação congênita;
- Distúrbios metabólicos;
- Tumores;
- Drogas ;
- Infecção;
- Traumatismos.
Obsessão - 1) Do latim obsessione - impertinência, perseguição,
vexação. Preocupação com determinada idéia,
que domina doentiamente o espírito. (Dicionário Aurélio);
2) "É a ação persistente que um espírito mau
exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde
a simples influência moral sem perceptíveis sinais exteriores até
a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais".
(O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec, Cap. XXVIII, item 81)
Esclarecendo, Kardec continua: "A obsessão decorre sempre de uma
imperfeição moral do obsediado, que dá ascendência
a um Espírito mau..." Mas porque se pensar nessa associação
(epilepsia e obsessão)?
A história relata-nos, há milénios, os quadros epilépticos
sendo atribuídos à ação de bons ou maus espíritos.
Com o advento de Jesus surgem novas informações confirmando essa
associação. No Evangelho de Lucas, cap. 9, versículos 38
a 43 encontramos o seguinte relato: "A cura do jovem possesso.
38 - E eis que, dentre a multidão, surgiu um homem dizendo em voz alta:
Mestre, suplico-te que vejas meu filho, porque é o único.
39 - Um espírito se apodera dele e, de repente, grita e o atira por terra,
convulsiona-o até espumar, e dificilmente o deixa, depois de o ter quebrantado.
40 - Roguei aos teus discípulos que o expelissem, mas eles ; não
puderam.
41 - Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa!
Até quando estarei convosco e vos sofrerei? Traze o teu filho.
42 - Quando ia se aproximando, o demônio o atirou no chão e o convulsionou,
mas Jesus repreendeu o espírito imundo, curou o menino e o entregou ao
pai".
Essa passagem do evangelho é também encontrada no Evangelho de
Marcos, 9: 14 a 29, que nos versículos 25 e 26 relata o estado do jovem
após a ação de Jesus:
"25 - ... sai desse jovem e nunca mais tornes a ele.
26 - E ele, clamando, agitando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto,
ao ponto de muitos dizerem: morreu".
Os relatos de Lucas e Marcos permitem diagnosticar o quadro apresentado
pelo jovem como epilepsia com crise generalizada tônico-clônica.
Na obra de Kardec, encontramos mais informações sobre o assunto:
Em O Livro dos Espíritos, cap. IX, parte 2", pergunta 474, encontramos
a seguinte resposta:
"Sem dúvida e esses são ao verdadeiros possessos(...) isto
nunca ocorre sem que aquele consinta, quer por sua fraqueza quer por desejo;
muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médicos
que de exorcismos, têm sido tomados por possessos". O relato do Evangelho
confirma a existência de quadros epilépticos secundários
à ação de obsessores desencarnados e na fala dos espíritos
na obra de Kardec esclarece que existem quadros de epilepsia não secundários
à interferência espiritual e ainda, na 2a parte do mesmo livro,
Kardec fala da postura cármica das doenças.Esse estudo objetiva
encontrar esclarecimentos sobre a questão apresentada. Quando há
obsessão ou não?
No entendimento da ação obsessiva levando à crise convulsiva,
vemos que da mesma forma que a enfermidade orgânica manifesta-se onde
há carência, o campo obsessivo desloca-se da mente do paciente
para o departamento somático onde as imperfeições morais
do passado deixaram marcas profundas no Perispírito. Todos os nossos
corpos e suas células têm a sua função governada
pelo Espírito. Cada órgão do corpo é submetido ao
governo do Espírito. Quando erramos, entramos em situação
de "culpa", que significa desequilíbrio de nossa mente, que,
por sua vez, tem reduzida a sua capacidade de governo celular adequado, gerando
no Perispírito uma "área de remorso". Essa área
seria a região de nossos corpos utilizada para o erro ou que nos lembra
pessoas ou situações ligadas ao erro. No nosso estudo, essa área
seria a região cerebral utilizada inadequadamente como abuso da inteligência
ou, por exemplo, como consequência de traumatismos provocados em atos
de auto-extermínio.
Essa região, o cérebro, no caso em estudo, terá não
somente sua função prejudicada, mas terá também
suas defesas vibratórias reduzidas possibilitando a ação
obsessiva sobre ela. A ação obsessiva dá-se na área
previamente lesada pelo obsediado. A ação obsessiva gera maior
desequilíbrio da fisiologia pela associação da emissão
mental tóxica do obsessor, agravando ou fazendo evidente o processo de
doença.
Aplicando esse raciocínio à Epilepsia, o tecido cerebral é
composto por células de limiar de estimulação baixo. Pequenos
estímulos mecânicos ou elétricos aplicados diretamente no
cérebro podem desencadear crise convulsiva. Compreenderemos a ocorrência
da convulsão, ao imaginarmos a falta do equilíbrio do encarnado
sobre a região cerebral associada à emissão tóxica
do obsessor. Resumindo, diríamos que no caso da Epilepsia a convulsão
ocorre por excitação interna ou anímica (sem obsessão),
associada ou não à excitação externa (obsessão).
(..)
LEMBRETE:
EPILEPSIA:
No processo epiléptico, como no histérico, existe um arcabouço
psicológico oscilante, como pano de fundo, porém mostrando tendências
muito mais marcantes; isto porque, no processo epiléptico, mais do que
no histérico, a obsessão espiritual parece ser ressonante e como
que se impondo na estrutura íntima do Espírito. (...) Daí
podermos dizer que o quadro epiléptico parece traduzir um grau de maior
intensidade de influências espirituais pregressas; isto é, a mente
do epiléptico, em alguns casos, tendo sido comprometida em etapas anteriores
de vida, os efeitos podem manifestar-se posteriormente, mesmo que a influência
espiritual negativa tenha desaparecido. Também devemos dizer que muitas
formas epilépticas se instalam devido a traumatismos cranianos, sem correlações
com o passado. Jorge Andrea dos Santos
— "A epilepsia é conhecida desde remotas eras, particularmente
na antiguidade clássica, quando se acreditava que Hércules fosse
epiléptico, daí se derivando designação de morbus
hércules. É também sabido que as sacerdotisas experimentavam
convulsões de caráter punitivo, dando origem ao morbus divinus.
Por muito tempo acreditou-se na influência da lua como desencadeadora
de crises, facultado a denominação de morbus lunaticus e, por
fim, entre outros nomes e causas morbus demoníacus, por suposição
de que os pacientes eram possuídos por seres demoníacos. Nessa
última classificação, incluímos os episódios
mediúnicos-ostensivos, que certamente alguns psiquiatras e neurologistas
não consideram legítimos. A história da epilepsia é
longa e tem raízes profundas nas sutis engrenagens do Espírito
(...). O estudo dos efeitos e da sua psicogênese necessita avançar
no rumo das estruturas originais do ser humano, a fim de serem detectados os
fatores sencadeantes verdadeiros. (...)
"Abandonando a hipótese obsessiva, a ciência médica
refere-se a epilepsias reflexas, por traumatismos cranianos, por tumorações
no sistema nervoso Central, dócrinas, tóxicas e emocionais..."De
acordo com as síndromes — conjunto de fatores etiológicos
— que facultam o surgimento da forma sintomática, acredita-se naquela
denominada essencial ou idiopâtica, que seria efeito de manifestações
constitucionais, não obedecendo às gêneses estabelecidas,
porém derivada de fatores hereditários." (...) "A epilepsia
não perturba a inteligência, podendo encontrar-se pacientes idiotas
como intelectualizados. Lamentavelmente, como irrompe de surpresa, leva sua
vítima a complexos de inferioridade, graças à insegurança
em que vivem, do quando pode ocorrer um episódio ou crise.
Esse
caráter faculta-lhes reações inesperadas, mesmo em decorrência
de acontecimentos de pequena monta. Tal crise pode ser precedida de uma aura
psíquica, sensitiva, sensorial, motora mediante pequeno tremor, visões,
percepções de sons inexistentes, falsas sensações
gustativas, olfativas, tácteis, cenestésicas... Alguns pacientes,
às vezes, tem o ataque em razão de determinadas percepções...
"O epiléptico pode ser vítima de impulsos inesperados, que
o levam a atitudes criminosas e até mesmo automutiladoras, qual ocorreu
com Van Gogh, uma orelha depois de acirrada discussão com Gaugin. "Há
muitos outros fenômenos patológicos e criminosos que decorrem da
epilepsia — desnecessário aqui serem apresentados. Manoel P. Miranda
Edivaldo