ESFERAS
ESPIRITUAIS |
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BIBLIOGRAFIA |
|
| 01- A crise da morte - pág. 140 | 02 - A vida além do véu - 194, 200 |
| 03 - Ave Cristo - pág. 9 | 04 - Caminhos da Div. Espírita - pág. 33 |
| 05 - Como vivem os Espíritos - pág. 125 | 06 - Depois da morte - pág.214 |
| 07 - E a vida continua - pág. 55 | 08 - Evolução em dois mundos - pág. 97 |
| 09 - Expiação - pág. 206 | 10 - Iquisição - pág. 53 |
| 11 - Libertação - pág. 50, 52 | 12 - Manual e Dic. B.do Espiritismo - pág. 43 |
| 13 - Minha doce Casa Espírita - pág. 44 | 14 - No limiar do infinito - pág. 93 |
| 15 - O Livro dos Espíritos - Intro. xvi, q. 29,188,342,1017 | 16 - Obreiros da vida eterna - pág. 52 |
| 17 - Os mensageiros - pág. 82, 154, 159 | 18 - Pinga fogo com Chico Xavier - pág. 33 |
ESFERAS
INFERIORES |
|
BIBLIOGRAFIA |
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| 01 - Da alma humana - pág. 231 | 02 - Devassando o invisível - pág. 84, 217 |
| 03 - Libertação - pág. 90 | 04 - Missionários da luz - pág. 135 |
| 05 - Nosso Lar - pág. 17 | 06 - O Livro dos Espíritos q. 300,303 |
| 07 - Obreiros da vida eterna - pág. 52, 79, 116 | 08 - Os mensageiros - pág. 82 |
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ESFERAS ESPIRITUAIS – COMPILAÇÃO
03 - Ave Cristo - Emmanuel - pág. 9
Preparando
caminhos
Quase duzentos anos de Cristianismo começavam a modificar a paisagem
do mundo. De Nero aos Antoninos, todavia, as perseguições aos
cristãos haviam recrudescido. Triunfantemente assentada sobre as sete
colinas, Roma prosseguia ditando o destino dos povos, à força
das armas, alimentando a guerra contra os princípios do Nazareno, mas
o Evangelho caminhava sempre, por todo o Império, construindo o espírito
da Era Nova. Se na organização terrestre a Humanidade se desdobrava
em movimentação intensa, no trabalho da transformação
ideológica, o serviço nos planos superiores atingia culminâncias.
Presididas pelos apóstolos do Divino Mestre, todos então na vida
espiritual, as obras de soerguimento humano multiplicavam-se, em vários
setores. Tornara Jesus ao sólio resplendente de sabedoria e de amor,
de onde legisla para todas as criaturas terrenas, mas os continuadores do seu
ministério, entre os homens encarnados, qual enxame crescente de abelhas
da renovação, prosseguiam ativos, preparando o solo dos corações
para o Reino de Deus. Enquanto exércitos compactos de cristãos
desapareciam nas fogueiras e nas cruzes, nos suplícios intermináveis
ou nas mandíbulas das feras, templos de esperança se levantavam
felizes, além das fronteiras de sombra, dentro dos quais falanges enormes
de Espíritos convertidos ao Bem se ofereciam para a batalha de suor e
sangue, em que, usando a vestimenta física, dariam testemunhos de fé
e boa vontade, colaborando na expansão da Boa Nova, para a redenção
da Terra.
Assim é que, em formosa cidade espiritual, nas adjacências da Crosta
Planetária, vamos encontrar grande assembléia de almas atraídas
ao Roteiro Divino, escutando a exortação de iluminado orientador,
que lhes falava, de coração posto nos lábios:- Irmãos
- dizia ele, envolvido em suaves irradiações de luz -, o Evangelho
é código de paz e felicidade que precisamos substancializar dentro
da própria vida! O Sol que jorra bênçãos sobre o
mundo incorpora-se à natureza, sustentando-a e renovando-lhe as criações.
A folha da árvore, o fruto nutriente, o cântico do ninho e a riqueza
da colmeia são dádivas do astro sublime, materializadas pelos
princípios da Eterna Inteligência. Cristo é o Sol Espiritual
dos nossos destinos.
Urge, pois, associarmo-nos voluntariamente aos ensinamentos dele, concretizando-lhes
a essência em nossas atividades de cada dia.
Não podemos esquecer, entretanto, que a mente do homem jaz petrificada
na Terra, dormindo nas falsas concepções da vida celeste.
A política de dominação militar asfixiou as velhas tradições
dos primitivos santuários. As coortes romanas abafaram as vozes da filosofia
grega, como os povos bárbaros sufocaram a revelação egípcia.
Adensou-se o nevoeiro da estagnação e da morte entre as criaturas.
As águias imperiais assentaram na cega idolatria de Júpiter a
mentirosa religião da vaidade e do poder...
E enquanto os deuses de pedra absorvem os favores da fortuna, alonga-se a miséria
e a ignorância do povo, reclamando o pronunciamento do Céu. Como
se expressará, porém, a intervenção divina, sem
a cooperação humana? Sem a heróica renunciação
dos que se consagram ao progresso e ao aprimoramento das almas, a educação
não passará de letra morta. Imprescindível, portanto, é
que saibamos escrever com o nosso próprio exemplo as páginas vivas
do Cristianismo remissor. O Mestre Crucificado é divino desafio.
Até agora, os conquistadores do mundo conseguiram avançar no carro
purpúreo da vitória, matando ou destruindo, valendo-se das legiões
de guerreiros e lidadores cruéis. Jesus, no entanto, triunfou pelo sacrifício.
César, atado às vicissitudes humanas, governa os assuntos referentes
à carne em trânsito para a renovação. Cristo reina
sobre a alma que nunca morre, aos poucos sublimando-a para a glória imperecível...(..)
06 - Depois da morte -Léon Denis - pág.214
XXXIII
— A VIDA NO ESPAÇO
Segundo as diferentes doutrinas religiosas, a Terra é o centro do Universo
e o céu estende-se como abóbada sobre nós. É na
sua parte superior, dizem, que está a morada dos bem-aventurados; o inferno,
habitação dos condenados, prolonga suas sombrias galerias nas
próprias entranhas do globo. A ciência moderna, de acordo com o
ensino dos Espíritos, mostrando-nos o Universo semeado de inumeráveis
mundos habitados, deu golpe mortal nessas teorias.
O céu está por toda parte; por toda parte, o incomensurável,
o insondável, o infinito; por toda parte, um fervilhamento de sóis
e de esferas, entre as quais o nosso planeta é apenas mesquinha parcela.
No meio dos espaços não existem moradas circunscritas para as
almas. Tanto mais livres quanto mais puras forem, estas percorrem a imensidade
e vão para onde as levam suas afinidades e simpatias. Os Espíritos
inferiores, sobrecarregados pela densidade de seus fluidos, ficam ligados ao
mundo onde viveram, circulando em sua atmosfera ou envolvendo-se entre os seres
humanos.
As alegrias e as percepções do Espírito não procedem
do meio que ele ocupa, mas de suas disposições pessoais e dos
progressos realizados. Embora com o perispírito opaco e envolto em trevas,
o Espírito atrasado pode encontrar-se com a alma radiante cujo invólucro
sutil se presta às delicadas sensações, às mais
extensas vibrações. Cada um traz em si sua glória ou sua
miséria. A condição dos Espíritos na vida de além-túmulo,
sua elevação, sua felicidade, tudo depende da respectiva faculdade
de sentir e de perceber, que é sempre proporcional ao seu grau evolutivo.
Aqui mesmo, na Terra, vemos os gozos intelectuais aumentarem com a cultura do
espírito. As obras literárias e artísticas, as belezas
da civilização, as cone sublimes do gênio humano são
incompreensíveis vagem e também a muitos dos nossos concidadãos,
os Espíritos de ordem inferior, como cegos no na natureza resplandecente,
ou como surdos em um permanecem indiferentes e insensíveis diante das
maravilhas do infinito.
Esses Espíritos, envolvidos em fluidos espessos, as leis da atração
e são inclinados para a matéria a influência dos apetites
grosseiros, as moléculas corpo fluídico fecham-se às percepções
externas e nam escravos das mesmas forças naturais que governam a Humanidade.
Não há que insistir neste fato, porque ele é o fundamento
da ordem e da justiça universais. As almas colocam-se e agrupam-se no
espaço o grau de pureza do seu respectivo invólucro; a condição
do Espírito está em relação direta com a sua condição
fluídica, que é a própria obra, a resultante do seu passado
e de todos os seus trabalhos. Determinando a própria situação,
acham, depois, a recompensa que merecem.
Enquanto a alma purificada percorre a vasta e fulgente amplidão, repousa à vontade sobre os mundos e quase não vê limites ao seu vôo, o Espírito impuro pode afastar-se da vizinhança dos globos materiais. Entre esses estados extremos, numerosos graus permitem que Espíritos similares se agrupem e constituam verdadeiras sociedades do invisível. A comunhão de sentimentos, a harmonia de pensamentos, a identidade de gostos, de vistas, de aspirações, aproximam e unem essas almas, de modo a formarem grandes famílias. Sem fadigas, a vida do Espírito adiantado é essencialmente ativa.
As distâncias não existem para ele, pois se transporta com a rapidez do pensamento. Seu invólucro, semelhante a tênue vapor, adquiriu tal sutileza que o torna invisível aos Espíritos inferiores. Vê, ouve, sente, percebe não mais pelos órgãos materiais que se interpõem entre nós e a Natureza, mas, sim, diretamente, sem intermediário, por todas as partes do seu ser. Suas percepções, por Isso mesmo, são muito mais precisas e aumentadas que as nossas. O Espírito elevado desliza, por assim dizer, no seio de um oceano de sensações deliciosas. Constante variedade de quadros apresenta-se-lhe à vista, harmonias suaves acalentam-no e encantam; para ele, as cores são perfume, são sons.
Entretanto, por mais agradáveis que sejam essas impressões, pode subtrair-se a elas, e, se lhe aprouver, recolher-se-á, envolvendo-se num véu fluídico e insulando-se no selo dos espaços. O Espírito adiantado está liberto de todas as necessidades materiais. Para ele, não têm razão de ser a nutrição e o sono. Ao abandonar a Terra, deixa para sempre os vãos cuidados, os sobressaltos, todas as quimeras que envenenam a existência corpórea. Os Espíritos inferiores levam consigo para além do túmulo os hábitos, as necessidades, as preocupações materiais.
Não
podendo elevar-se acima da atmosfera terrestre, voltam a compartilhar a vida
dos entes humanos, intrometem-se nas suas lutas, trabalhos e prazeres. Suas
paixões, seus desejos, sempre vivazes e aguçados pelo permanente
contacto da Humanidade, os acabrunham; a impossibilidade de os satisfazerem
torna-se para eles causa de constantes torturas.
Os Espíritos não precisam da palavra para se fazerem compreender.
O pensamento, refletindo-se no perispírito como imagem em espelho, permite-lhes
permutarem suas idéias sem esforço, com uma rapidez vertiginosa.
O Espírito elevado pode ler no cérebro do homem e conhecer os
seus secretos desígnios. Nada lhe é oculto. Perscruta todos os
mistérios da Natureza, pode explorar à vontade as entranhas do
globo, o fundo dos oceanos, e assim apreciar os destroços das civilizações
submersas. Atravessa os corpos por mais densos que sejam e vê abrir-se
diante de si os domínios impenetráveis à Humanidade.
08 - Evolução em dois mundos - André Luiz - pág. 97
ESFERAS
ESPIRITUAIS
— Muitos comunicantes da Vida Espiritual têm afirmado, em diversos
países, que o plano imediato à residência dos homens jaz
subdividido em várias esferas. Assim é com efeito, não
do ponto de vista do espaço, mas sim sob o prisma de condições,
qual ocorre no globo de matéria mais densa, cujo dorso o homem pisa orgulhosamente.
Para justificar a nossa asserção, lembraremos, em rápida
síntese, que a crosta terrestre, na maior parte dos elementos que a constituem,
é sólida, mas conservando, aqui e ali, vastas cavidades repletas
de líquido quente ou de material plástico. Guarda o orbe grande
núcleo no seio, e que podemos considerar como sendo plasmado num aço
de níquel natural, revestido por grossa camada de rocha basáltica,
medindo dois mil quilômetros, aproximadamente, de raio, no tope da qual,
ali e acolá, surgem finas superfícies de rocha granítica,
entre as quais a face basáltica está recoberta de água.
Mais
ou menos nessa superfície, reside a zona mais apropriada para indicar
o limite do solo que é, conseqüentemente, o leito do oceano. Temos,
desse modo, os continentes do mundo, como ligeira película, com a propriedade
de flutuar, à maneira de barcaças imensas, sobre o maciço
basáltico, película essa que mantém a espessura de cinquenta
quilômetros em média.
Encontramos, assim, na constituição natural do Planeta, desde
a barisfera à ionosfera, múltiplos círculos de força
e atividade na terra, na água e no ar, tanto quanto nos continentes identificamos
as esferas de civilização e nas civilizações as
esferas de classe, a se totalizarem numa só faixa do espaço.
11 - Libertação - André Luiz - pág. 50, 52
Apesar dos soluços de emoção que lhe Vibravam no peito, continuou: - Abençoa-nos para a grande jornada!... Há muito tempo aguardamos esta hora breve de reencontro contigo... Perdoa-nos, Mãezinha, se insistimos tanto na rogativa... Contudo, sem tua proteção amorosa, como vencer nos turbilhões do abismo? Desejando talvez justificar-se, ante os olhos maternos, acrescentava em pranto:- De conformidade com as tuas amadas recomendações, além de nossas tarefas habituais na zona de serviço em que a tua bondade nos situou, temos velado pelo Paizinho, mergulhado nas sombras; todavia, há seis anos buscamo-lo embalde...
Escapa-nos
à influência renovadora e se compraz na companhia de entidades
que, por onde passam, vampirizam as criaturas. Não nos recebe a atuação
carinhosa, senão em forma de pensamentos vagos, de que se desvencilha
facilmente, e, se multiplicamos providências salvacionistas, procede como
louco... Gesticula a esmo, colérico e irritado, grita blasfêmias
e solicita o concurso de seres viciados, a cujas radiações escuras
se entrelaça, repelindo-nos as sugestões e a presença...
Prefere o contacto de entidades ignorantes e infelizes, detestando-nos a ternura...Nesse
ponto, crise mais intensa de emotividade impediu-lhe continuar. A nobre senhora
que descera da tribuna, erguendo as filhas e acolhendo-as nos braços,
exclamou com acento consolador na voz sem lágrimas, não obstante
a visível melancolia:
- Filhas amadas, o Sol combate a treva todos os dias. Batalhemos contra o mal,
incessantemente, até à vitória. Não se suponham
sozinhas no conflito doloroso. Desculpemos o Papai, infinitamente, e colaboremos
por restituí-lo â terra firme da luz. Se o Cristo trabalha por
nós, desde o princípio dos séculos, sem que lhe possamos
compreender a amplitude dos sacrifícios, que dizer das nossas obrigações
de amparo e tolerância, uns para com os outros? Cláudio se fez
para sempre credor da nossa estima e gratidão, apesar do pavoroso crime
oculto que no-lo arrebatou às profundezas... Envenenou um parente para
conseguir a riqueza material que nos ofereceu educação e conforto
na esfera carnal. Por extrema dedicação a nós três,
não hesitou diante da tentação que o constrangeu a infernal
compromisso.
Dono de afeição inquieta, não soube esperar a bênção
do tempo e lançou mão de inconfessável processo para localizar-nos
em um oásis de superioridade mentirosa... Para que ele nos sentisse garantidas
e felizes, viveu durante quarenta anos consecutivos, entre o remorso e o sofrimento,
psiquicamente sintonizado com espíritos maliciosos e vingativos das sombras,
mas, na realidade, sobre as aflições dele nos foi possível
atravessar abençoada existência de progresso e conforto, numa casa
ditosa e farta, sem sabermos que em nossos alicerces espirituais vivia um ato
escuro de assassínio e violência! A essa altura, a entidade materializada
chorou, comovedoramente.
Abraçadas as três, num quadro emocionante e mudo, a Mãezinha
encontrou recursos a fim de prosseguir:- Tornaremos, contudo, ao campo de luta
regeneradora e benfazeja... Que vale para nós a paisagem celestial sem
a libertação daqueles que amamos? O coração amoroso,
atormentado, abdicará do ingresso numa estrela para persistir ao lado
de um ente querido, em duelo com as serpentes de um charco... Poderíamos
gozar, porventura, o espetáculo augusto das esferas resplandecentes,
ouvindo-lhes a harmonia indefinível, numa situação de destaque
adquirida à custa daqueles que gemem e desfalecem nas trevas? Abandonar
quem nos serviu de degrau em plena ascensão divina é das mais
horrendas formas de ingratidão. O Senhor não pode abençoar
uma ventura colhida ao preço de angústias para aqueles que no-las
deram.
Estou convencida de que há mais grandeza no anjo que desce ao inferno para salvar os filhos de Deus, transviados e sofredores, do que no mensageiro espiritual que se dá pressa em comparecer ante o Trono do Eterno para louvá-Lo, com esquecimento dos próprios benfeitores...A venerável matrona enxugou o pranto copioso e prosseguiu:- Olvidemos, pois, minhas filhas, o que hoje somos, para socorrer os que, com o propósito de nos servirem, resvalaram a despenhadeiro sinistro e tormentoso. Saldemos nossas dívidas secretas com abnegação e devotamento. Mais tarde, recebe o rei Antônio, o sobrinho envenenado, em meus braços maternos, reaproximando-o de Cláudio, através da cordialidade e do respeito vividos em comum. Ensinar-lhe-eí com alegre ternura a pronunciar o nome de Deus e a desfazer as pesadas nuvens de revolta que lhe empanam a vida íntima.
A
fim de incliná-lo à compreensão e à piedade, com
mais eficiência, comprometi-me a acolher também no tabernáculo
materno as seis criaturas desviadas do bem, às quais se apegou, desvairado,
nas regiões inferiores, em face da culpa de quem nos foi desvelado amigo.
Meu afeto reinará dificilmente num lar repleto de corações
menos afins com o meu, onde Jesus me ensinará a soletrar, venturosa,
a doce lição do sacrifício silencioso... Muitas vezes,
lidarei com a discórdia e a tentação; todavia, não
podemos acreditar em felicidades de improviso. Conquistaremos em cooperação
abençoada aquela paz que Cláudio sonhou para nós e que
ele próprio não desfrutou...
Para que eu parta, porém, no rumo da reencarnação, é
necessário que o Papai renasça primeiro. Sem esse marco inicial,
não posso atacar o nosso processo redentor em nova fase. Ajudemo--nos,
assim, reciprocamente. Enquanto procuro transformar Antônio, reajustando-lhe
as fibras afetlvas, inclinem ambas o espírito paterno à esperança
e à meditação reconstrutivas...As jovens derramavam pranto
comovedor, em que se misturavam angústia e alegria, e a matrona Iluminada,
revelando-se em despedida, acrescentou: Não desanimem. O tempo é
das mais provas mais preciosas dádivas do Senhor e o tempo nos auxiliará.
O porvir reunir-nos-á, de novo, em abençoado refúgio terrestre.
(...)
15 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Intro.
xvi, questões: 29,188, 342, 1017
Perg. 29 - A ponderabilidade é atributo essencial da matéria? - Da matéria como a entendei, sim; mas não da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que forma esse fluido é imponderável para vós, mas nem por isso deixa de ser o princípio da vossa matéria ponderável.
A ponderabilidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, da mesma maneira que não há alto nem baixo.
Perg. 188 - Os Espíritos puros habitam mundos especiais ou encontram-se no espaço universal, sem estar ligado especialmente a um globo? - Os Espíritos puros habitam determinados mundos, mas não estão confinados a eles como os homens à Terra; eles podem, melhor que os outros, estar em toda parte.
Perg. 342 - No momento de sua reencarnação o Espírito é acompanhado por outros Espíritos, seus amigos, que assistem à sua partida do mundo espírita, como o vão receber na sua volta? - Isso depende da esfera em que o Espírito habita. Se está nas esferas em que reina a afeição, os Espíritos que o amam o acompanham até o derradeiro momento, encorajam-nos, e frequentemente mesmo, seguem-no durante a vida.
Perg. 1017 - Disseram alguns Espíritos habitar o quarto, o quinto céu etc.. o que entendiam por isso? - Vós lhes perguntais que céu habitam, porque tendes a idéia de muitos céus sobrepostos como os andares de uma casa; então eles respondem de acordo com a sua linguagem. Mas para eles as palavras "quarto, quinto céu" exprimem diferentes graus de purificação e por conseguinte de felicidade. E exatamente como quando se pergunta a um Espírito se ele está no inferno. Se for infeliz dirá que sim, porque para ele Inferno é sinônimo de sofrimento; mas ele sabe muito bem que não se trata de uma fornalha. Um pagão vos responderia que estava no Tártaro.
Acontece o mesmo com outras expressões análogas, tais como as de cidade das flores, cidade dos eleitos, segunda ou terceira esfera, etc.. que não são mais do que alegoria empregadas por certos Espíritos, seja como figuras, seja por ignorância da realidade das coisas e mesmo das mais simples noções científicas.
16 - Obreiros da vida eterna - André Luiz - pág. 52
Depois de viagem normal, através dos caminhos comuns, alcançámos nevoenta região, onde asfixiante tristeza parecia imperar incessantemente. De outras vezes, eu já atravessara sítios semelhantes, gastando apenas alguns minutos. Agora, porém, era compelido a longa marcha em sentido horizontal. Atendendo a imperativos da missão, o Assistente Jerônimo procurava certa localidade, sob a denominação expressiva de "Casa Transitória de Fabiano".
Tratava-se de grande instituição piedosa, seu campo de sofrimentos mais duros em que se reunem almas recém-desencarnadas, nas cercanias da Crosta Terrestre, a qual, segundo nos informou o chefe da expedição, fora fundada por Fabiano de Cristo, devotado servo da caridade entre antigos religiosos do Rio de Janeiro, desencarnado há muitos anos. Organizada por ele, era confiada, periodicamente a, outros benfeitores de elevada condição, em tarefa de assistência evangélica, junto aos Espíritos recém-desligados do plano carnal.
Na Casa Transitória - prosseguia Jerônimo, explicando-nos - prestaremos o auxílio que nos seja possível à organização e asilaremos em seguida, os irmãos que nos cabe socorrer. Não fossem esses pousos de amor, tornar-se-ia muito difícil nosso trabalho. Raramente encontramos companheiros carnais em condições de atravessarem semelhante zona, imediatamente após a morte física. Quase todos permanecem estonteados, nos primeiros dias. Se entregues à própria sorte, seria fatalmente agredidos pelas entidades perversas ou habilmente desviados por elas do bom caminho de restauração gradual das energias interiores.
Daí a necessidade desses abrigos fraternais, em que almas heróicas e dedicadas ao sumo bem consagram-se a santificadas tarefas de amparo e vigilância. Após breve pausa, concluiu: - Além disso, teremos aí todo o equipamento necessário aos trabalhos que nos cumpre realizar. Curioso, guardei silêncio e esperei. Não se passou muito tempo, defrontava-nos casarão enorme em plena sombra. Nada que evidenciasse preocupação artística e bom gosto na construção. Nem árvores, nem jardins em torno. A edificação baixa e simples mal se destacava no nevoeiro denso.
Certo, percebendo-me a estranheza, Jerônimo esclareceu: - O nome do Instituto, André, fala por si mesmo. Temos, à frente acolhedora casa de transição, destinada a socorros urgentes. Embora seu assombro natural, é asilo móvel, que atende segundo as circunstâncias do ambiente. Sofre permanente cerco de Espíritos desesperados e sofredores, condenados pela própria consciência à revolta e à dor. Suas defesas magnéticas exigem considerável número de servidores e os amigos da piedade e da renunciação, que aí atendem, passam dia e noite ao lado do sofrimento. Todavia, o trabalho desta Casa é dos mais dignos e edificantes.
Neste edifício de benemerência cristã, centralizam-se numerosas expedições de irmãos leais ao bem, que se dirigem à Crosta Planetária ou às esferas escuras, onde se debatem na dor seres angustiados e ignorantes, em trânsito prolongado nos abismos tenebrosos. Além disso, a Casa Transitória de Fabiano de Cristo, à maneira de outras instituições salvadoras, nestas regiões, que representam verdadeiros templos de socorro, é também precioso ponto de ligação com as nossas cidades espirituais em zonas superiores.
Nesse instante, antes que Jerônimo pudesse prosseguir nos esclarecimentos, atingimos as barreiras magnéticas, à distância de alguns metros do portão de acesso ao interior. Atendidos por trabalhadores vigilantes, que sem hesitação nos ofereceram passagem, acionamos pequeno aparelho que nos ligou, de pronto, ao porteiro prestativo. Não decorreram muitos minutos e achamo-nos diante de figura respeitável. Não supunha que a instituição estivesse administrada por mãos sensíveis de mulher. A Irmã Zenóbia, aparentando idade madura e aureolada de cabelos negros, proporcionava-nos informações vivas de sua energia e admirável capacidade de trabalho através dos olhos transbordantes de luz. (...)
ESFERAS INFERIORES:
03 - Libertação -ANDRÉ LUIZ - pág. 90
(..)
O dirigente da seleção mostrou reservada piedade no semblante
calmo e elucidou, firme: - Clamais debalde, porque desagradável vibração
de egoísmo cristalizante vos caracteriza a todos. Que fizeste do tesouro
cultural recebido? Vosso "tom vibratório" demonstra avareza
sarcástica. O homem que ajunta letras e livros, teorias e valores científicos,
sem distribuí-los a benefício dos outros, é irmão
infortunado daquele que amontoa moedas e apólices, títulos e objetos
preciosos, sem ajudar a ninguém. O mesmo prato lhes serve na balança
da vida.
- Por amor de Deus! - suplicou um dos circunstantes, comovedoramente.- Esta
casa é de justiça, em nome do Governo do Mundo! - afiançou
o explicador sem alterar-se. E impassível, embora visivelmente amargurado,
pôs-se em marcha. Auscultava uma formação de oito pessoas;
todavia, enquanto se comunicava com os assessores, acerca das observações
recolhidas, um cavalheiro de faces macilentas salientou-se e exclamou, estadeando
enorme fúria:- Que ocorre neste recinto misterioso? estou entre caluniadores
confessos, quando desempenhei o papel de homem honrado... Criei numerosa família,
nunca traí as obrigações sociais, fui correto e digno e,
não obstante aposentado desde cedo, cumpri todos os deveres que o mundo
me assinalou... Com acento colérico, aduzia, aflito:
- Quem me acusa?... quem me acusa?...O selecionador elucidou, sereno: ,- A condenação
transparece de vós mesmo. Caluniastes vosso próprio corpo, inventando
para ele impedimentos e enfermidades que só existiam em vossa imaginação,
interessada na fuga ao trabalho benéfico e salvador. Debitastes aos órgãos
robustos deficiências e moléstias deploráveis, tão-somente
no propósito de conquistardes repouso prematuro. Conseguistes quanto
pretendíeis. Empenhastes amigos, subornastes consciências delituosas
e obtivestes o descanso remunerado, durante quarenta anos de experiência
terrestre em que outra ação não desenvolvestes senão
dormir e conversar sem proveito. Agora, é razoável que o vosso
círculo vital se identifique ao de quantos se mergulharam no pântano
da calúnia criminosa.
O infeliz não teve forças para a tréplica. Submeteu-se,
em lágrimas, à argumentação ouvida e retomou o lugar
que lhe competia. Alcançando o terceiro grupo, constituído de
mulheres diversas, mal havia aplicado o singular instrumento ao campo vibratório
que lhes dizia respeito, foi o mensageiro abordado por uma senhora, pavorosamente
desfigurada, que lhe lançou em rosto atrozes queixas. - Por que tamanha
humilhação? - inquiriu em pranto copioso - fui dona de uma casa
que me encheu de trabalho, voltei para cá rodeada de especiais considerações,
naturalmente devidas ao meu estado social e arrebanham-me entre mulheres sem
pudor? que autoridades são estas que impõem a mim, dama de nobre
procedência, o convívio de meretrizes?
Forte
crise de soluços embargou-lhe a voz. O selecionador, no entanto, dentro
de uma calma que mais se avizinhava da frieza, declarou sem rebuços:-
Estamos numa esfera onde o equívoco se faz mais difícil. Consultai
a própria consciência. Teríeis sido, realmente, a padroeira
de um lar respeitável, como julgais? O teor vibratório assevera
que as vossas energias santificantes de mulher, em maior parte, foram desprezadas.
Vossos arquivos mentais se reportam a desregramentos emotivos em cuja extinção
gastareis longo tempo. Ao que parece, o altar doméstico não foi
bem o vosso lugar. (..)
04 - Missionários da luz - André Luiz - pág. 135
—
Em verdade, seus males de agora não podem desaparecer milagrosamente.
Todos faremos a colheita compatível com a semeadura, mas também
nós, que hoje aprendemos alguma coisa, já passamos, vezes inúmeras,
pela lição de recomeçar. Tenha calma e coragem.
Em seguida, Alexandre passou a notificá-lo, relativamente à causa
de nosso interesse, explicando-lhe que o trabalho de auxílio fraterno
fora iniciado através de orações da esposa carinhosa e
desolada. Deu-lhe notícias dela, dos filhinhos e dos velhos tios; falou-lhe
das saudades de Ester e de sua ansiedade para vê-lo, ainda que fosse em
ligeiro minuto, em ocasião de sono do veículo físico.
Em ouvindo as derradeiras informações, o suicida pareceu reanimar-se
vivamente e observou:— Ai! não sou digno! minha miséria
acentuar-lhe-ia as dores!...O orientador, porém, afagando-lhe paternalmente
a fronte, prometeu intervir e solucionar o problema. Retiramo-nos, de novo,
e, percebendo-me a profunda admiração, Alexandre ponderou:—
No pequeno drama em observação, meu amigo, você pode calcular
a extensão e complexidade de nossas tarefas nos serviços "intercessórios".
Os nossos companheiros encarnados pedem-nos, por vezes, determinados trabalhos,
muito distantes do conhecimento das verdadeiras situações. Para
a sociedade humana, Raul é uma vítima de sicários ocultos,
quando é apenas vítima de si mesmo. Para a companheira é
o marido ideal, quando foi criminoso e suicida.
Compreendi as dificuldades morais em que nos achávamos para atender a
petição que nos conduzira a semelhante serviço. As palavras
do instrutor não evidenciavam outra coisa. Entendendo assim, ousei perguntar:—
Acredita esteja a irmã Ester preparada para o realismo de nossas conclusões?Alexandre
abanou a cabeça, negativamente, e redarguiu:— Somente são
dignos da verdade plena os que se encontrem plenamente libertados das paixões.
Ester é profundamente bondosa, mas ainda não alcançou o
próprio domínio. Não possui as emoções, antes
é possuída por elas. Em vista disso, de modo algum lhe poderíamos
dar o conhecimento completo do assunto. Esta preparada para a consolação,
não para a verdade.
As afirmativas do instrutor chocaram-me de certo modo. De que maneira omitir
os pormenores da tragédia? Não seria faltar à realidade?
Por que processo confortar a esposa saudosa, ocultando-lhe o sentido verdadeiro
dos acontecimentos? Alexandre, porém, compreendeu-me as indagações
e observou:— Com que direito perturbaríamos o coração
de uma pobre viúva na Crosta, a pretexto de sermos verdadeiros? Por que
motivo tisnar a esperança tranquila de três crianças adoráveis,
envenenando-lhes, talvez, o destino, tão-só para nos exibirmos
como campeões da realidade?
Haverá
mais alegria em mostrar a sombra do crime, que em descobrir a fonte do conforto?
André, meu irmão, a vida pede muito discernimento! Cada palavra
tem sua ocasião, como cada revelação o seu tempo! Não
podemos compreender um serviço de socorro com o esmagamento do suplicante.
A oração de Ester não lhe poderia ser portadora de desalento.
Por isso mesmo, nem todos recebem, quando querem, a delegação
de Mais Alto para os serviços de assistência. Registrei a observação.
Nesse dia, Alexandre dirigiu-se em minha companhia às autoridades do
Auxílio, pedindo a colaboração de uma das irmãs
que funcionavam nas Turmas de Socorro, para concurso mais eficiente ao coração
de Ester. Foi destacada Romualda, criatura dedicada e bondosa, que desceu para
a Crosta, junto de nós, recebendo, atenciosamente, as recomendações
do prestimoso amigo. Alexandre não se alongou em muitas instruções.
Romualda deveria preparar a viúva, espiritualmente, para visitar, na
noite próxima, o esposo desencarnado e, em seguida, demorar-se junto
dela, duas semanas colaborando no reerguimento de suas energias psíquicas
e cooperando para que se lhe reorganizasse a vida econômica de colocação
honesta e digna. (..)
06 - O Livro dos Espíritos Allan Kardec - questões:
300,303
Perg. 300 - Dois Espíritos perfeitamente simpáticos, quando reunidos,
ficarão assim pela eternidade, ou podem separar-se e unir-se a outros
Espíritos? - Todos os Espíritos são unidos entre si. Falo
dos que já atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores,
quando um Espírito se eleva, já não tem a mesma simpatia
pelos que deixou.
Perg. 303 - Os Espíritos que hoje não são simpáticos, podem sê-lo mais tarde? - Sim, todos os serão. Assim, o Espírito que está hoje numa determinada esfera inferior, quando se aperfeiçoar, chegará à esfera em que se encontra o outro. Seu encontro se realizará mais prontamente, se o Espírito mais elevado, suportando mal as provas a que se submetera, tiver permanecido no mesmo estado.
LEMBRETES:
ESFERAS ESPIRITUAIS:
1° - Também o mundo espiritual é asim compostode diferentes planos, evidenciando variadíssimos graus de adiantamento (...) Luciano dos Anjos
2° - (..) O mundo espiritual é contíguo ao nosso, apenas localizado, por assim dizer, numa outra faixa vibratória (...). Luciano dos Anjos
3° - A esfera espiritual próxima do planeta é uma figura de transição, em que o gosto terrestre tem quase absoluta predominância. Irmão X
4° - (...) novo plano de matéria, que vibra em graduação diferente. Irmão Jacob
Edivaldo