GÊNIOS
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- A Gênese - cap. I,5 | 02 - A mansão Renoir - pág. 173 |
| 03 - Chão de flores - pág. 129 | 04 - Da alma humana - pág. 82 |
| 05 - Deus na natureza - pág. 220 | 06 - Entre a matéria e o Espírito - pág. 13 |
| 07 - Entre a Terra e o céu - pág. 78 | 08 - Hipnotismo e Espiritismo - pág. 288 |
| 09 - Hipnotismo e mediunidade- pág. 246, 337, 432 | 10 - O Consolador - pág. 101 |
| 11 - O Livro dos Espíritos - pág. q. 88, 128, 131, 146.. | 12 - O matuto - pág. 205 |
| 13 - O problema do ser e do destino e da dor - pág. 74 | 14 - Palingênese, a grande lei - pág. 138 |
| 15 - Psiquiatria em face da Reenc. - pág. 25 | 16 - Reencarnação e evol.das espécies - pág. 123 |
| 17 - Revista Espírita - 1861, 1865 pág. 83, 47 | 18 - Revista Espírita- 1867 - pág. 47, 163 |
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GÊNIOS – COMPILAÇÃO
01- A Gênese - Allan Kardec - cap. I,5
(..)
Deste ponto de vista, todas as ciências que nos dão a conhecer
mistérios da Natureza são revelações, e pode se
dizer que há, para nós, revelação incessante; a
Astronomia nos revelou o mundo astral, que não conhecíamos; a
Geologia, a formação da Terra; a Química, as leis da afinidade;
a Fisiologia, as funções do organismo, etc.; Copérnico,Galileu,
Newton, Laplace, Lavoisier são reveladores.
3. - O caráter essencial de toda revelação deve ser a verdade.
Revelar um segredo, é dar a conhecer um fato; se a coisa é falsa,
não é um fato e, por consequência, não há
revelação. Toda revelação desmentida pelos fatos
não é revelação; se é atribuída a
Deus, e Deus não podendo nem mentir e nem enganar, ela não pode
emanar dele; é preciso considerá-la como produto de uma concepção
humana.
4. - Qual é o papel do professor, diante de seus alunos, se não
o é de um revelador? Ensina-lhes o que não sabem, o que não
teriam nem tempo e nem possibilidade de descobrirem por si mesmos, porque a
ciência é a obra coletiva dos séculos e de uma multidão
de homens que deram, cada um, o seu contingente de observações,
e das quais se aproveitam aqueles que vêm após eles. O ensinamento
é, pois, em realidade, a revelação de certas verdades científicas
ou morais, físicas ou metafísicas, feitas por homens que as conhecem
a outros que as ignoram, e que, sem isso, as teriam sempre ignorado.
5. - Mas o professor não ensina senão o que aprendeu: é
um revelador de segunda ordem; o homem de gênio ensina o que descobriu
por si mesmo: é o revelador primitivo; produz a luz que, gradualmente,
se vulgariza. Onde estaria a Humanidade sem a revelação dos homens
de gênio, que aparecem de tempos em tempos?
Mas, o que são os homens de gênio? Por que são homens de
gênio? De onde vêm? Em que se convertem? Notemos que, a maior parte,
traz, em nascendo, faculdades transcendentais e conhecimentos inatos, que um
pouco de trabalho basta para desenvolver. Pertencem, realmente, à Humanidade,
uma vez que nascem, vivem e morrem como nós. Onde, pois, haurem esses
conhecimentos que não puderam adquirir em sua vida? Dir-se-á,
como os materialistas, que o acaso lhes deu a matéria cerebral em maior
quantidade, e de melhor quantidade? Neste caso, não teriam mais mérito
do que um legume maior e mais saboroso do que um outro.
Dir-se-á, com certos espiritualistas, que Deus os dotou, de uma alma
mais favorecida do que a do homem comum? Suposição inteiramente
ilógica, uma vez que acusaria Deus de parcialidade. A única solução
racional desse problema está na preexistência da alma e na pluralidade
as existências. O homem de gênio é um Espírito que
viveu por mais tempo; que, por consequência, mais adquiriu e progrediu
mais do que aqueles que estão menos avançados.
Em se encarnando, traz o que sabe, e como sabe muito mais do que os outros,
sem ter necessidade de aprender, é o que se chama um homem de gênio.
Mas o que sabe não deixa de ser o fruto de um trabalho anterior, e não
o resultado de um privilégio. Antes de nascer, era, pois, Espírito
adiantado; ele se reencarna, seja para fazer os outros aproveitarem o que sabe,
seja para adquirir mais.
Os homens progridem, incontestavelmente, por si mesmos e pelos esforços
de sua inteligência; mas, entregues às suas próprias forças,
esse progresso é muito lento, senão são ajudados por homens
mais avançados, como o escolar o é por seus professores. Todos
os povos tiveram os seus homens de gênio, que viveram, em diversas épocas,
para dar-lhes impulso e tirá-los da inércia.
6.-Desde que se admite a solicitude de Deus para com suas criaturas, por que
não se admitir que Espíritos capazes, pela sua energia e a superioridade
de seus conhecimentos de fazer a Humanidade avançar, se encarnem, pela
vontade de Deus, tendo em vista ajudarem o progresso em um sentido determinado;
que recebam uma missão igual a um embaixador que recebe uma de seu soberano?
Tal é o papel dos grandes gênios.
Que
vêm fazer, senão ensinar aos homens as verdades que estes ignoram,
e que teriam ignorado ainda durante longos períodos, a fim de lhes dar
um impulso com a ajuda do qual possam se elevar mais rapidamente? Esses gênios,
que aparecem através dos séculos como estrelas brilhantes, que
deixam, depois deles, um longo rastro luminoso na Humanidade, são missionários,
ou, se o quiserem, messias. As coisas novas que ensinam aos homens, seja na
ordem física, seja na ordem filosófica, são revelações.
Se Deus suscita reveladores para as verdades científicas, pode, com mais
forte razão, suscitá-los para as verdades morais, que são
um dos elementos essenciais do progresso. Tais são os filósofos
cujas idéias atravessaram os séculos. (..)
05 - Deus na natureza - Camille Flammarion - pág. 220
(..)
O espírito não atinge o estado fenomenal senão quando a
matéria se tem organizado em corpo humano (que abismo tão grande,
que não se pode sequer entrever!), mas a tendência (!!) para esta
organização ou para a produção espiritual, não
existe na matéria."
A necessidade de admitir a ação da força ressalta, em que
lhes pese, de todas as suas definições. E que definições!
Julguem-nas pela precedente. Mais, eis um traço de luz que pode juntar-se
ao fogo de artifício: — "O pensamento, diz Büchner, espírito
e alma, nada tem de material, não é matéria (bravo), mas
(ouvide isto) é um complexo de forças heterogêneas, formando
uma unidade; é o efeito da ação concomitante de muitas
substâncias materiais, dotadas de forças ou propriedades."
Se não entenderdes bem o alcance dessa definição, aqui
vô-la damos em alemão: Der Effect eines zusammenwür-kens vieler
mit Kraften oder Eigenschaften bega-bter Stoff. Segundo a judiciosa conclusão
do Dr. Hoefer, aí temos uma explicação digna de emparelhar
com a resposta de Sganarelle: Ossabundiis, nequeis, nequer, potarium, quipsa
mïlus, eis o que faz seja muda a vossa filha."
Sábios! Já Epicuro tinha dito que a natureza de uma pedra é
cair, porque ela cai... mas isto não é mais ciência, é
comédia. As galimatias que nos impingem como definição
d'alma são uma pilhéria detestável. Adiante. Cada qual
com o seu paladar. Comparável a estas definições, só
mesmo a proposição de Hégel sobre a identidade de corpo
e espírito. Ei-la: "A matéria não é senão
espírito; e o espírito não é senão matéria.
Logo, são um e outra a mesma coisa!"
Este alto raciocínio, que o seu autor qualifica de irrefutável,
lá está na sua Grande Lógica. Famosa lógica, a demonstrar
que o puro materialismo está real e efetivamente puro de todo o espírito!
Como vedes, caro leitor, não faltam definições. Somente
estamos ainda a perguntar que é o que elas definem. Mas valem, ainda
assim, para nos provar que toda essa gente sabe tanto quanto nós da natureza
da alma.
Assim, neste capítulo, acabámos de ver que, se de um lado a constituição
física do cérebro está de harmonia com a alma e maravilhosamente
apropriada para que essa alma receba, de modo integral, as impressões
do mundo exterior, julgue-as e transmita as suas próprias determinações;
por outro lado, a anatomia do cérebro desautoriza a concluir não
passe a alma de produto orgânico, ao passo que a Filosofia deslinda, na
trama de incertezas e contradições do materialismo, a ação
evidente do espírito sobre a matéria.
Vimos que a loucura não é afecção orgânica,
porém psíquica, e que a alma tem o seu mundo de dores e de alegrias:
A determinação é patente. Será crível, entretanto, que, depois de considerar a loucura uma enfermidade fisiológica, ousassem equipará-la ao gênio, havendo, já agora, muitos médicos que a consideram uma nevrose ? Só a nossa época era capaz destas ousadias. "A constituição de muitos homens de gênio — diz Moreau (de Tours) é bem, e realmente a mesma dos idiotas". Desenvolvendo desmesuradamente uma tese do Dr. Lelut, o autor sustenta que o gênio não pertence aos domínios do espírito, mas do corpo!
Mas,
em que base se firma ele? no fato de (dizem) certos homens de gênio manifestarem
esquisitices, excentricidades, distrações, ou serem enfermiços,
raquíticos, adiposos, surdos, gagos, ou ainda passíveis de alucinações.
E' realmente singular aferir o gênio pela singularidade das opiniões,
pela originalidade, pelo entusiasmo ou pelo delírio. Á nós
nos parece que ele consiste, antes, na sublimidade do pensamento, na elevação
da alma aos cimos do estudo científico, na plena posse de si mesma, em
face das contemplações intelectuais.
Esta singular identificação do gênio com a loucura foi valorosamente
refutada pelo Sr. Paulo Janet, no seu valioso trabalho sobre O Cérebro
e o Pensamento. "Esta teoria — diz ele — tomou a aparência
como realidade, o acidente pela substância, os sintomas mais ou menos
variáveis, pelo fundamental e essencial. O que constitui o gênio
não é o entusiasmo (pois este pode existir nos espíritos
mais medíocres e vazios) e sim a superioridade do racionalismo. O homem
de gênio é o que vê mais claro, o que percebe maior contingente
de verdade, o que pode relacionar maior número de fatos a uma idéia
geral, o que encadeia todas as partes de um todo a uma lei comum, e que, mesmo
quando cria, qual se dá na poesia, não faz mais que realizar,
pela imaginação, a idéia que a sua inteligência concebeu.
"A característica do gênio está no possuir-se a si
mesmo e não em ser arrastado por uma força fatal e cega; está
em governar suas idéias e não em ser subjugado por imagens; está
em ter consciência nítida do que quer e vê, e não
em perder-se num êxtase vazio e absurdo, semelhante ao dos faquires indianos.
"Certo, o homem de gênio quando compõe não pensa mais
em si mesmo, isto é, nos seus mesquinhos interesses e paixões,
na sua pessoa trivial; pensa no que pensa, ou, por outra, não seria mais
que um eco sonoro e ininteligente, o que S. Paulo admiravelmente qualifica de
cymbalum sonans. Numa palavra: o gênio é, para nós, o espírito
humano no seu melhor estado de saúde e vigor."
Nada obstante, isolados no seu triste deserto, nossos apaixonados fisiologistas
fazem a noite em torno de si, recusam confessar as faculdades mais nobres do
espírito humano. Pretendem ser os rigorosos intérpretes da Ciência,
ter em suas mãos o futuro da inteligência, a olharem desdenhosos
os pobres mortais, cujo peito serve de refúgio derradeiro à fé
no passado e à esperança exilada. Fora do seu círculo,
não há mais que trevas, fantásticas ilusões. Eles
têm na mão a lâmpada da salvação, sem perceberem
(ai de nós!) que o fumo negro que dela se exala perturba a visão
e falseia a rota.
Tudo
comprimem, à força, para lhe extrair a essência, e quando
chegam a capacitar-se de que a essência não corresponde ao que
esperavam, declaram que — "a essência das coisas não
existe em si mesma e não passa de relações, que acreditamos
apreender nas transformações da matéria". Não
há outra lei que a da nossa imaginação, nem mesmo forças,
mas simplesmente propriedades da matéria, qualidades ocultas que, em
lugar de nos fazer evoluir, recuam-nos a vinte séculos atrás,
ao tempo de Arístoto.
Suas conclusões são meramente arbitrárias, nem a Química
nem a Física as demonstram, qual dão a entender. Não são
proposições geométricas a derivarem necessariamente umas
das outras, como outros tantos corolários sucessivos, mas enxertos estranhos,
arbitrariamente soldados à árvore da Ciência. Felizmente
para nós, eles também desconhecem as leis da enxertia.
Essas vergônteas natimortas, de uma espécie exótica, são
incapazes de receber a seiva vivificante, e a árvore em crescimento as
esquece no seu progresso. Dito seja que, também hoje, elas, essas vergônteas,
não oferecem viabilidade maior que ao tempo de Epicuro e Lucrécio.
A posteridade não terá, jamais, o trabalho de lhes recolher flores
e frutos.
Entretanto, a dar-lhes ouvidos, dir-se-ia estarem elas tão naturalmente
enxertadas na árvore da Ciência, que se nutrem da sua própria
vida e se alimentam por seus próprios cuidados, como se uma mãe
inteligente pudesse consentir em derramar a seiva do seu leite nos lábios
de semelhantes parasitas! (...)
10 - O Consolador - Emmanuel - pág. 101
Perg.
164 - Como devemos compreender o gênio?
O gênio constitui a súmula dos mais longos esforços em múltiplas
existências de abnegação e de trabalho, na conquista dos
valores espirituais. Entendendo a vida pelo seu prisma real, muita vez desatende
ao círculo estreito da vida terrestre, no que se refere às suas
fórmulas convencionais e aos seus preconceitos, tornando-se um estranho
ao seu próprio meio, por suas qualidades superiores e inconfundíveis.
Esse é o motivo por que a ciência terrestre, encarcerada nos cânones do convencionalismo, presume observar no gênio uma psicose condenável, tratando-o, quase sempre, como a célula enferma do organismo social, para glorificá-lo, muitas vezes, depois da morte, tão logo possa apreender a grandeza da sua visão espiritualna paisagem do futuro.
11 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 88, 128, 131, 146, 370, 373a, 557, 581, 584, 607, 623
Perg.
88 - Os Espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante?
-
Aos vossos olhos, não; aos nossos, sim. Eles são,se o quiserdes,
uma flama, um clarão ou uma centelha etérea.
Perg. 88a - Esta flama ou centelha tem alguma cor?
- Para vós, ela varia do escuro ao brilho do rubi, de acordo com menor
ou maior pureza do Espírito.
Perg.
128 - Os seres que chamamos anjos, arcanjos, serafins formam uma categoria especial,
de natureza diferente da dos outros Espíritos? - Não; são
Espíritos puros: estão no mais alto grau da escala e reúnem
em si todas as perfeições.
Perg. 131 - Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra?
- Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus. E Deus seria justo e
bom, criando seres infelizes, eternamente voltados ao mal? Se há demônios,
é no teu mundo inferior e em outros semelhantes que eles residem: são
esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo um Deus mau e vingativo,
e que pensam lhe ser agradáveis pelas abominações que cometem
em seu nome.
Perg.
146 - A alma tem, no corpo, uma sede determinada e circunscrita?
- Não. Mas ela se situa mais particularmente na cabeça, dos grandes
gênios e de todos aqueles que usam bastante o pensamento; e no coração
dos que sentem bastante, dedicando todas as suas ações à
humanidade.
Perg. 146a - Que pensar da opinião da opinião dos que situam a
alma num centro vital?
- Que o Espírito se encontra de preferência nessa parte do vosso
organismo, que é o ponto se dirigem todas as sensações.
Os que a situam naquilo que consideram como o centro da vitalidade, a confundem
com o fluído ou princípio vital. Não obstante, pode-se
dizer que a sede da alma se encontra mais particularmente nos órgãos
que servem para as manifestações intelectuais e morais.
Perg.
370 - Pode-se induzir da influência dos órgãos uma relação
entre o desenvolvimento dos órgãos cerebrais e o das faculdades
morais e intelectuais?
- Não confundais o efeito com a causa. O Espírito tem sempre as
faculdades que lhe são próprias. Assim, não são
os órgãos que lhe dão as faculdades, mas as faculdades
que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.
Perg. 373a - Um corpo de idiota pode então encerrar um Espírito
que tivesse animado um homem de gênio numa existência procedente?
- Sim, o gênio torna-se às vezes uma desgraça, quando dele
se abusa.
Perg.
557 - A bênção e a maldição podem atrair o
bem e o mal para aqueles a que são lançadas?
- Deus não ouve uma maldição injusta, e aquele que a pronuncia
é culpável aos seus olhos. Como temos as tendências opostas
do bem e do mal, pode nesses casos haver uma influência momentânea,
mesmo sobre a matéria; mas essa influência nunca se verifica sem
a permissão de Deus, como acréscimo de prova para aquele que a
sofre. De resto, mais frequentemente se maldizem os maus e bendizem os bons.
A bênção e a maldição não podem jamais
desviar a Providência da senda da justiça: esta não fere
o amaldiçoado se ele não for mau, e sua proteção
não cobre aquele que não a mereça.
Perg.
581 - Os homens que são os faróis do gênero humano, que
o esclarecem pelo gênio, têm certamente uma missão. Mas,
no seu número, há os que se enganam, e que ao lado de grandes
verdades difundem grandes erros. Como devemos considerar a sua missão?
- Como falseada por eles. Estão abaixo da tarefa que empreenderam. É
necessário porém considerar as circunstâncias: os homens
de gênio devem falar de acordo com o tempo, e um ensino que parece errôneo
ou pueril para uma época avançada poderia se suficiente para o
seu século.
Perg. 584 - Qual pode ser a natureza da missão do conquistador, que só
tem em vista satisfazer a sua ambição e para atingir o alvo não
recua diante de nenhuma calamidade?
- Ele não é, na maioria das vezes, mais do que instrumento de
que Deus se serve para o cumprimento dos seus desígnios. Essas calamidades
são muitas vezes o meio de fazer avançar mais rapidamente um povo.
Perg.
607 - Ficou dito que a alma do homem, em sua origem, assemelha-se ao estado
de infância da vida corpórea, que a sua inteligência apenas
desponta e que ela ensaia para a vida. Onde cumpre o Espírito essa primeira
fase?
- Numa série de existências que precedem o período que chamais
de Humanidade.
Perg. 623 - Esses que pretenderam instruir os homens na lei de Deus, não
se enganaram algumas vezes e não os fizeram transviar-se muitas vezes,
por meio de falsos princípios?
- Os que não eram inspirados por Deus e que atribuíram a si mesmos,
por ambição, uma missão que não tinham certamente
os fizeram extraviar; não obstante, como eram homens de gênio,
em meio aos próprios erros ensinaram frequentemente grandes verdades.
13 - O problema do ser e do destino e da dor - Léon Denis - pág. 74
(..)
No seu conjunto, estes fenômenos demonstram uma coisa. É que, abaixo
do nível da consciência normal, fora da personalidade comum, existem
em nós planos de consciência, camadas ou zonas dispostas de tal
maneira que, em certas condições, se podem observar alternações
nessas planos. Vê-se então emergirem e manifestarem-se, durante
um certo tempo, atributos, faculdades que pertencem à consciência
profunda, mas que não tardam a desaparecer para volverem ao seu lugar
e tornarem a mergulhar na sombra e na inação.
O nosso "eu" ordinário, superficial, limitado pelo organismo,
não parece ser mais do que um fragmento do nosso "eu" profundo.
Neste está registrado um mundo inteiro de fatos, de conhecimentos, de
recordações referentes ao longo passado da alma. Durante a vida
normal, todas essas reservas permanecem latentes, como que sepultadas por baixo
do invólucro material; reaparecem no estado de sonambulismo. O apelo
da vontade e a sugestão as mobilizam e elas entram em ação
e produzem os estranhos fenômenos que a psicologia oficial comprova sem
os poder explicar.
Todos os casos de desdobramento da personalidade, todos os fenômenos de
clarividência, telepatia, premonição, aparecimento de sentidos
novos e de faculdades desconhecidas, todo esse conjunto de fatos, cujo número
aumenta e constitui já um grandíssimo amálgama, deve ser
atribuído à intervenção das forças e recursos
da personalidade oculta.
O estado de sonambulismo, que permite a sua manifestação, não
é um estado "regressivo" ou mórbido, como o julgaram
certos observadores; é, antes, um estado superior e, segundo a expressão
de Myers, "evolutivo". É verdade que o estado de degenerescência
e enfraquecimento orgânico facilita, em alguns pacientes, a emergência
das camadas profundas do "eu", o que é designado pelo nome
de histeria. Tudo o que, de um modo geral, deprime o corpo físico, favorece,
convém notar, o desprendimento, a saída do Espírito.
A esse respeito, muitos testemunhos nos seriam fornecidos pela lucidez dos moribundos; mas, para avaliar somente esses fatos, é mister considerá-los principalmente sob o ponto de vista psicológico. Aí está toda a sua importância. A ciência materialista viu nesses fenômenos o que ela chama "desintegrações", isto é, alterações e dissociações da personalidade. Os diversos estados da consciência aparecem algumas vezes tão distintos e os tipos que surgem são de tal modo diferentes do tipo normal, que têm levado a crer que se está em presença de várias consciências autônomas, em alternação no mesmo paciente. Acreditamos, com Myers, que nada disso sucede.
Há aí simplesmente uma variedade de estados sucessivos coincidindo com a permanência do "eu". A consciência é uma, mas se manifesta de diversos modos: de maneira restrita, na vida normal, enquanto está limitada ao campo do organismo; mais completa, mais extensa em estados de desprendimento, e, finalmente, de maneira cabal, perfeita, na ocasião da morte, depois da separação definitiva, como o demonstram as manifestações e os ensinamentos dos Espíritos. A cisão é, pois, apenas aparente. A única diferença entre os estados variados de consciência é uma diferença de graus.
Esses
graus podem ser numerosos. O espaço que, por exemplo, medeia entre o
estado de incorporação e a exteriorização completa,
parece considerável. A personalidade não deixa, por isso, de permanecer
idêntica através da concatenação dos fatos da consciência,
que um laço contínuo liga entre si, desde as modificações
mais simples do estado normal, até os casos que comportam transformação
da inteligência e do caráter; desde a simples idéia fixa
e os sonhos até a projeção da personalidade no mundo espiritual,
nesse Além onde a alma recupera a plenitude das suas percepções
e dos seus poderes.
Já no decurso da existência terrestre, da infância à
velhice, vemos o "eu" modificar-se incessantemente; a alma atravessa
uma série de estados, anda em mudança contínua. Não
obstante, no meio dessas diversas fases, é invariável a fiscalização
que exerce sobre o organismo. A Fisiologia salientou a sábia e harmoniosa
coordenação de todas as partes do ser, as leis da vida orgânica
e do mecanismo nervoso, que não podem ser explicadas sem a presença
de uma unidade central. Essa unidade soberana é a origem e a causa conservadora
da vida; relaciona-lhe todos os elementos, todos os aspectos.
Foi por uma consequência não menos perniciosa das teorias materialistas
que os "psicólogos" da escola oficial chegaram a considerar
o -gênio como uma nevrose, quando ele pode ser a utilização,
em maior escala, dos poderes psíquicos ocultos no homem. Myers, falando
da categoria dos histéricos que conduzem o mundo, emite a opinião
de que "a inspiração do gênio não seria mais
do que a emergência, no domínio das idéias conscientes,
de outras idéias em cuja elaboração a consciência
não tomou parte, mas que se têm, formado isoladamente, por assim
dizer, independentemente da vontade, nas regiões profundas do ser".
Em geral, aqueles que tão levianamente são qualificados como "degenerados"
são muitas vezes "progenerados", e, nestes, sensitivos, histéricos
ou nevróticos, as perturbações do organismo físico
e as alterações nervosas podem realmente ser um processo de evolução
pelo qual toda a Humanidade terá de passar para chegar a um grau mais
intenso da vida planetária.
O desenvolvimento do organismo humano até à sua expansão
completa é sempre acompanhado de perturbações, do mesmo
modo que o aparecimento de cada novo ser na Terra é delas precedido.
Em nossos esforços dolorosos para maior soma de vida, os valores mórbidos
transmutam-se em forças morais. As nossas necessidades são instintos
em fusão, que se concretizam em novos sentidos para adquirir mais poder
e conhecimento.
Mesmo no estado ordinário, no estado de vigilância, podem emergências,
impulsos do "eu" profundo, remontar até às camadas exteriores
da personalidade, trazendo intuições, percepções,
lampejos bruscos sobre o passado e o futuro do ser, os quais denotam faculdades
muito extensas, que não pertencem ao "eu" normal.
Cumpre relacionar com essa ordem de fenômenos a maior parte dos casos
de escrita automática. Dizemos a maior parte, porque sabemos de outros
que têm como causa agentes externos e invisíveis.
Há em nós um como reservatório de águas subterrâneas,
donde, em certas horas, rompe e sobe à superfície uma corrente
rápida e em ebulição. Os profetas, os mártires de
todas as religiões, os missionários, os inspirados, os entusiastas
de todos os gêneros e de todas as escolas conheceram estes impulsos surdos
e poderosos, que nos têm brindado com as maiores obras que hão
revelado aos homens a existência de um mundo superior.
14 - Palingênese, a grande lei - Jorge Andréa - pág. 138
(..)
Isto porque, no estágio evolutivo de nível inferior em que nos
encontramos ainda, este proceder é praticamente um bem, uma proteção,
pela nossa capacidade de avaliação dos horizontes e alcances da
vida. Todas as atividades têm consequências e os esquecimentos temporários
determinados pelas vivências nas personalidades, longe de serem interpretados
como fator negativo, reforçam e sustentam a moral palingenética.
Vem corroborar, no caráter moral da questão, as divergências
nas aptidões humanas, onde anotamos casos de gênios precoces, cuja
única explicação seria a continuação de condições
adquiridas em etapas anteriores, jamais como resultado direto da herança
cromos-sômica. Se a herança fosse exclusivamente resultado do jogo
cromossomial paterno e materno, os gênios, os grandes dotados de aptidões,
seriam aqueles que apresentariam um sentido prolífico maior. No caso,
a natureza possuiria o esquema de suas defesas, os mecanismos para que a evolução
se afirmasse, cada vez mais, protegendo o que fosse melhor.
Assim, os inteligentes, os artistas, os mais capacitados seriam os vanguardeiros da procriação, o que realmente não acontece. Os mais prolíficos são os menos dotados. Isto seria contrário ao sapiente e conhecido poder do aproveitamento da evolução. Ainda nessas mesmas idéias, os jovens são os que possuem melhores condições procriativas em comparação com os mais velhos. Entretanto, os mais velhos apresentam melhores aptidões, até mesmo em dose superlativa em comparação com os jovens, na herança dos caracteres psicológicos, intelectuais e experiências morais.
A evolução terá que se valer e aproveitar outros mecanismos, outros caminhos seguros, a fim de conservar seus valores; a chave explicativa estaria na palingênese, onde não haverá perda, por menor que seja, no precessamento da herança. Mozart, aos 4 anos, executa sonatas e aos 11 anos torna-se compositor. Miguel Angelo, aos 8 anos, foi dado como completo na arte da pintura pelo seu mestre. Pascal, aos 13 anos, já era conhecido matemático e geômetra. Victor Hugo revelou-se, literariamente, aos 13 anos. Listz, menino ainda, já era considerado grande intérprete da música; aos 14 anos havia produzido uma pequena ópera. Hermógenes, aos 15 anos, ensinava retórica a Marco Aurélio. Leibnitz, aos 8 anos, conhecia o latim sem mestre e, aos 12, grego.
Gauss
resolvia, aos 3 anos, alguns problemas de matemática. Giotto, criança
ainda, traçava esboços plenos de arte e beleza, e Rembrandt já
era pintor antes de aprender a ler. Aos 10 anos Pie de La Mirandola, era respeitado
pelos conhecimentos que possuía do latim, do grego, do hebraico e do
árabe. Trombetti, que conhecia perto de 300 línguas, entre dialetos
e idiomas, aos 12 anos manuseava com facilidade o alemão, francês,
latim, grego e hebraico. Van de Kefkhore, falecido aos 11 anos, deixou 350 quadros
dignos de apreciação artística. O talento musical de Beethoven
fora reconhecido aos 10 anos. Pepito de Ariola, aos 4 anos, tocava áreas
com maestria e foi objeto de estudo pelo professor Richet.
A prova científica é o marco de que não podemos prescindir
jamais, porque a palingênese explica todas as dúvidas biológicas
e, mais do que isto, amplia os conceitos e dá um sentido harmonioso às
questões científicas. Dizia Geley que a palingênese é
provavelmente um fenômeno verdadeiro: 1) está de acordo com todos
os nossos conhecimentos científicos atuais e sem contradizer nenhum deles;
2) dá a chave de uma variedade imensa de enigmas psicológicos;
3) está apoiada em demonstração positiva.
Se colocarmos o fenômeno palingenético no mecanismo evolutivo,
a vida passa a nos dar um sentido de grandeza e finalidade. A aquisição
do espírito humano deve representar a elaboração de milhões
de milênios em experiências variadas e desconhecidas, não
ficando fora do quadro as vivências nos minerais, nos vegetais e animais.
"O homem e o seu cérebro atual não representam o remate da
evolução, mas um estágio intermediário entre o passado,
carregado de recordações animais, e o futuro, rico de promessas
mais altas. Tal é o destino humano (Leconte de Nouy)".
A prova científico-experimental da palingênese, a de maior importância,
teria um aspecto duplo. O primeiro, ligado à fenomenologia mediúnica
com todas suas nuanças, cujos relatos e estudos os psicologistas e biologistas
não tem o direito de desconhecer. Hoje, os fatos mediúnicos estão
sendo revisados e mais bem adaptados aos conhecimentos hodiernos em virtude,
principalmente, da queda que os audaciosos postulados materialistas tem sofrido
com a apresentação da matéria como energia concentrada.
(...)
17 - Revista Espírita - 1861, 1865 - Allan Kardec - pág. 83, 47
(..)
O dr. Riboli acha que a organização cerebral de Garibaldi corresponde
perfeitamente a todas as eminentes faculdades morais e intelectuais que o distinguem
e aduz: "Podeis sorrir de meu fanatismo, mas posso assegurar-vos que esse
momento que passei examinando essa cabeça notável foi o mais feliz
de minha vida. Meu caro amigo, vi esse grande homem prestar-se como uma criança
a tudo quanto lhe pedia; esta cabeça, que contém um mundo, eu
a tive entre as mãos durante mais de vinte minutos, sentindo a cada instante
ressaltar sob os meus dedos as desigualdades e os contrastes de seu gênio...
"Garibaldi tem l metro e 64 centímetros de altura. Medi todas as
proporções, a largura das espáduas, o comprimento dos braços
e das pernas, a grossura do tronco. Numa palavra, é um homem bem proporcionado,
forte e de temperamento nervoso sanguíneo. "O volume da cabeça
é notável. A principal fenomenalidade é a altura do crânio,
medido da orelha ao alto da cabeça, que é de 20 centímetros.
Esta predominância particular de toda a parte superior da cabeça
denota, à primeira vista, e sem exame prévio, uma organização
excepcional; o desenvolvimento do crânio na parte superior, sede dos sentimentos,
indica a preponderância de todas as faculdades nobres sobre os instintos.
A
craneologia da cabeça de Garibaldi logo apresenta, após o exame,
uma fenomenalidade original das mais raras, pode-se dizer sem precedentes. A
harmonia de todos os órgãos é perfeita; e a resultante
matemática de seu conjunto apresenta, antes de mais nada: a abnegação
antes de tudo e em tudo; a prudência e o sangue frio; a natural austeridade
dos costumes; a meditação quase contínua; a eloquência
grave e exata; a lealdade dominante; a deferência incrível com
os amigos a ponto de sofrer com isto; a perceptibilidade a respeito dos homens
que o cercam é, sobretudo, dominante.
"Numa palavra, meu caro, sem vos aborrecer com todas as comparações,
todos os contrastes da causalidade, da habitatividade, da construtividade, da
destrutividade, é uma cabeça maravilhosa, orgânica, sem
desfalecimentos, que a Ciência estudará e tomará por modelo,
etc." Toda a carta é escrita com um entusiasmo que denota a mais
profunda e a mais sincera admiração pelo herói italiano.
Contudo, queremos crer que as observações do autor não
tenham sido influenciadas por nenhuma idéia preconcebida. Mas não
é disto que se trata: aceitamos seus dados frenológicos como exatos
e, se não o fossem, Garibaldi não seria nem mais nem menos do
que é.
Sabe-se que os discípulos de Gall formam duas escolas: a dos materialistas
e a dos espiritualistas. Os primeiros atribuem as faculdades aos órgãos.
Para eles os órgãos são a causa; as faculdades, o produto.
De onde se segue que fora dos órgãos não há faculdade,
ou, por outras palavras, quando o homem morre, tudo está morto. Os segundos
admitem a independência das faculdades. Estas são a causa; o desenvolvimento
dos órgãos é o efeito. De onde se segue que a destruição
dos órgãos arrasta o aniquilamento das faculdades. Não
sa-bemos a qual das duas escolas pertence o autor da carta, pois sua opinião
não se revela por nenhuma palavra.
Mas, por um momento, suponhamos que as observações acima tenham sido feitas por um frenologista materialista: e perguntamos que impressão deveria ele sentir à idéia de que essa cabeça, que leva todo um mundo, só deve o seu gênio ao acaso, ou ao capricho da Natureza, que lhe teria dado maior massa cerebral num ponto que em outro. Ora, como o acaso é cego, não tem desígnio premeditado, poderia também ter aumentado o volume de uma outra circunvolução do cérebro e dar, assim, sem o querer, todo um outro curso às suas inclinações. Tal raciocínio aplica-se, necessariamente, a todos os homens transcendentes, seja a que titulo for.
Onde estaria o seu mérito se o devesse apenas ao deslocamento de um pedacinho de substância cerebral? Se um simples capricho da Natureza pode, ao invés de um grande homem, produzir um homem vulgar? Ao invés de um homem de bem, um celerado? Isto não é tudo. Considerando hoje essa cabeça poderosa, não existe algo de terrível ao pensar que talvez amanhã, desse gênio nada mais reste, absolutamente nada além de matéria Inerte, que será pasto dos vermes? Sem falar das funestas consequências de semelhante sistema, caso fosse acreditado, diríamos que formiga de contradições inexplicáveis, e que os fatos o demonstram a cada passo.
Ao contrário, tudo se explica pelo sistema espiritualista: as faculdades não são produto dos órgãos, mas atributos da alma, cujos órgãos não passam de instrumentos do serviço de sua manifestação. Sendo a faculdade independente, sua atividade estimula o desenvolvimento do órgão, como o exercício de um músculo lhe aumenta o volume. O ser pensante é o ser principal, cujo corpo não passa de acessório destrutível. Então o talento é um mérito real, porque é fruto do trabalho e não o resultado de uma matéria mais ou menos abundante. Com o sistema materialista, o trabalho, com o auxílio do qual se adquire o talento, é inteiramente perdido na morte, que muitas vezes não deixa tempo de o aproveitar.
Com a alma, o trabalho tem sua razão de ser, porque tudo o que a alma adquire serve ao seu desenvolvimento; trabalha-se para um ser Imortal, e não para um corpo que tenha apenas algumas horas de vida. Dlr-se-á, porém, que o gênio não se adquire: é inato. É verdade. Mas, assim, porque dois homens nascidos nas mesmas condições são tão diferentes do ponto de vista intelectual? Por que teria Deus favorecido a um mais que ao outro? Por que a um teria dado os meios de progredir, recusando-os ao outro? (...)