HUMILDADE |
|
BIBLIOGRAFIA |
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| 01- A agonia das religiões - pág. 70 | 02 - A educação S. o Espiritismo - pág. 73 |
| 03 - A prece S. o Evangelho - pág. 27 | 04 - A sombra do olmeiro - pág. 31 |
| 05 - Alerta - pág. 160 | 06 - Amizade - pág. 80, 120 |
| 07 - Caminho, verdade e vida - pág. 21, 25 | 08 - Cartas e crônicas - pág. 13 |
| 09 - Catecismo Espírita - pág. 65 31ª lição | 10 - Ceifa de luz - pág. 73 |
| 11 - Chão de flores - pág. 139 | 12 - Chico e Emmanuel - pág. 34 |
| 13 - Contos desta e doutra vida - pág. 71 | 14 - Convites da vida - pág. 92 |
| 15 - Cristo espera por ti - pág. 99 | 16 - Dinheiro - pág. 77 |
| 17 - Do país da luz - vol. i pág. 207 | 18 - Escrínio de luz - pág. 121, 132 |
| 19 - Estude e viva - pág. 119 | 20 - Nas pegadas do Mestre - pág. 95 |
| 21 - O Espírito da verdade - pág. 151, 206 | 22 - O Evangelho S. o espiritismo - cap. vii, cap. xv |
| 23 - O Livro dos Espíritos - introd. xi, q. 194, 216 | 24 - Pão nosso - pág. 97 |
| 25 - Religião dos Espíritos - pág. 47 | 26 - Sinal verde - pág. 63 |
| 27 - Síntese de o Novo Testamento - pág. 161, 255 | 28 - Vida e atos dos apóstolos - pág. 125 |
| 29 - Plantão da paz - pág.14 | 30 - Refúgio -pág. 34 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
HUMILDADE – COMPILAÇÃO
05 - Alerta - Joana de Ângelis - pág. 160
58.
HUMILDADE SEMPRE
Alegra-te por fazeres parte da grandeza indescritível do Universo. Não
te subestimes, a ponto de constituireste uma nota dissonante, nesta sinfonia
de incomparável musicalidade. Busca sintonizar-te com a melodia que paira
no ar, vibrante, afinando-te com a glória da vida. Engrandece-te na ação
das coisas de menor monta; apequena-te, quando diante das expressivas realizações
que promovem os pruridos da vaidade e desarticulam as peças da simplicidade.
No contexto das expressões do Universo tu és importante, traduzindo
a glória da Criação e evoluindo sem cessar. A humildade
exterioriza o valor e a conquista pessoais. Ignorando-se, irradia-se e fomenta
a paz em toda parte. Jamais te deixes engolfar pela revolta, que traduz soberba
e orgulho. Quando alguém se permite penetrar de humildade, enriquece-se
de força renovadora que se não exaure. Contempla as estrelas,
mas não te descuides dos pedregulhos sob os teus pés.
Sonha com os acumes esplendorosos das alturas, no entanto, não desconsideres
as dificuldades-desafio da ascensão. O Sol, que mantém a corte
de astros que o cercam, desgasta-se, lentamente. A Tecnologia, de tão
salutares benefícios para a Humanidade, também responde pela tremenda
poluição que ameaça a vida e a Natureza. O metal, que reluz,
se consome no burilamento a que se entrega. Só a humildade brilha sem
desgastar-se e eleva sem por em perigo.
Muitos falam, escrevem e traçam definições sobre a humildade
de que se dizem possuidores ou que propõem para vivê-la os outros.
Sê tu aquele que passa incompreendido, porém entendendo o próximo
e as circunstâncias, sem tempo para justificativas ou colocações
defensivas. Segue a programação a que te vinculas com o bem, não
descurando o burilamento íntimo, o sacrifício pessoal. Se outros
pensam em contrário à tua atividade— cala e prossegue.
Cada qual responde a si mesmo pelo que é e pelo que faz. A humildade
difere da humilhação. Uma é luz, outra é treva;
a primeira eleva, a segunda rebaixa. Investe-te da segurança, de que,
na Terra, ainda não há lugar ou pelo menos compreensão,
para a verdadeira humildade de que Jesus se fez o protótipo por excelência,
e , olhos n'Ele postos, ignora o mal e os sequazes dos maus, não revidando
nem magoando ninguém, embora ferido, em sofrimento intenso, na certeza
da vitória plena e final, após a larga travessia pelo oceano das
paixões humanas dilacerantes.
07 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 21, 25
3.
EXAMINA-TE
- "Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade."
— Paulo. (FILIPENSES, 2:3.)
O serviço de Jesus é infinito. Na sua órbita, há
lugar para todas as criaturas e para todas as idéias sadias em sua expressão
substancial. Se, na ordem divina, cada árvore produz segundo a sua espécie,
no trabalho cristão, cada discípulo contribuirá conforme
sua posição evolutiva. A experiência humana não é
uma estação de prazer. O homem permanece em função
de aprendizado e, nessa tarefa, é razoável que saiba valorizar
a oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.
O apóstolo Paulo compreendeu essa verdade, afirmando que nada deveremos
fazer por espírito de contenda e vanglória, mas, sim, por ato
de humildade Quando praticares alguma ação que ultrapasse o quadro
das obrigações diárias, examina os móveis que a
determinaram. Se resultou do desejo injusto de supremacia, se obedeceu somente
à disputa desnecessária, cuida de teu coração para
que o caminho te seja menos ingrato. Mas se atendeste ao dever, ainda que hajas
sido interpretado como rigorista e exigente, incompreensivo e infiel, recebe
as observações indébitas e passa adiante.
Continua trabalhando em teu ministério, recordando que, por servir aos
outros, com humildade, sem contendas e vanglorias, Jesus foi tido por imprudente
e rebelde, traidor da lei e inimigo do povo, recebendo com a cruz a coroa gloriosa.
5. BASES: "Disse-lhe
Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não
te lavar, não tens parte comigo." — (JOÃO, 13:8.)
É natural vejamos, antes de tudo, na resolução do Mestre,
ao lavar os pés dos discípulos, uma demonstração
sublime de humildade santificante. Primeiramente, é justo examinarmos
a interpretação intelectual, adiantando, porém, a análise
mais profunda de seus atos divinos. É que, pela mensagem permanente do
Evangelho, o Cristo continua lavando os pés de todos os seguidores sinceros
de sua doutrina de amor e perdão.
O homem costuma viver desinteressado de todas as suas obrigações
superiores, muitas vezes aplaudindo o crime e a inconsciência. Todavia,
ao contacto de Jesus e de seus ensinamentos sublimes, sente que pisará
sobre novas bases, enquanto que suas apreciações fundamentais
da existência são muito diversas.
Alguém
proporciona leveza aos seus pés espirituais para que marche de modo diferente
nas sendas evolutivas. Tudo se renova e a criatura compreende que não
fora essa intervenção maravilhosa e não poderia participar
do banquete da vida real.
Então, como o apóstolo de Cafarnaum, experimenta novas responsabilidades
no caminho e, desejando corresponder à expectativa divina, roga a Jesus
lhe lave, não somente os pés, mas também as mãos
e a cabeça.
08 - Cartas e crônicas - Irmão X - pág.
13
2.
As três orações
Instado pela assembléia de amigos a falar sobre a resposta do Criador
às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor
cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo
e da síntese:— Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga
lenda que corre mundo nos contos populares de numerosos países... Em
grande bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram
a Deus lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes.
A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouvi-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do carro que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu. Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições.
Decorrido muito tempo, lenhadores invadiram o horto selvagem e as árvores, com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas, foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis. Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir com paciência e humildade.
Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa!... Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande cocho destinado à alimentação de carneiros; a segunda foi adquirida por um velho praiano que construía barcos por encomenda; e a terceira foi comprada e recolhida para servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores.
As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixas às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham... No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas. ..
A
primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria
de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente Mais Alto do Mundo;
a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de uma barca valente e pobre,
fora o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas
muitos dos seus mais belos ensinamentos; e a terceira, convertida apressadamente
numa cruz em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali,
ereta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto
de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino
Celestial...
Simão silenciou, comovido.E, depois de longa pausa, terminou, a entremostrar
os olhos marejados de pranto:— Em verdade, meus amigos, todos nós
podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais
variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência
e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.
19 - Estude e viva -Emmanuel e André Luiz - pág.
119
O poder da migalha
Não desprezes o poder da migalha na obra do auxilio. O prato simples
que partilhas com o irmão em penúria não resolve o problema
da fome; entretanto, ele em si não é apenas favor providencial
para quem o recebe, mas também mensagem de fraternidade expedida na direção
de outras almas, que se inclinarão a repartir as alegrias da mesa.
A peça de roupa com que atendes ao viajor, estremunhado de frio, não
extingue o flagelo da nudez; todavia, ela em si não constitui apenas
valioso abrigo para quem a recolhe, mas também apelo silencioso aos amigos
que esperam, unicamente, um sinal de amor para se entregarem aos júbilos
do serviço. Acontece o mesmo com a moeda humilde que, ajustada à
beneficência, faz pensar no valor da cooperação, e com o
livro edificante que, funcionando no apoio a companheiros necessitados de esclarecimento
e consolo, nos obriga a meditar no impositivo da cultura espiritual.
Em
muitas circunstâncias, é um gesto só de tua compreensão
que salvará alguém de calamidade iminente e, em muitos casos,
uma só frase de tua parte representa a segurança de comunidades
inteiras. Bem-aventurado todo aquele que estende milhões à supressão
dos problemas de natureza material e bem aventurado todo aquele que cede algo
de si próprio, a benefício dos outros, ainda que seja tão-somente
uma palavra de bênção para o conforto de uma criança
esquecida.
Não desprezes o poder da migalha na obra do auxílio. Por dádiva
de sustentação e misericórdia para felizes e infelizes,
sábios e ignorantes, justos e injustos, Deus entrega o Sol por atacado,
mas por dom inefável, capaz de conduzir as criaturas com harmonia e discernimento,
no rumo das perfeições divinas, Deus dá o tempo, trocado
em miúdo, através das migalhas dos minutos, iguais para todos.
O coração humano é comparável a cofre repleto de
riquezas incalculáveis, e ninguém o possui impenetrável
ou inacessível... Habitualmente, resistirá a golpes de martelos,
à ação de gazuas e até mesmo ao impacto de explosivos
e provas de fogo; mas, quase sempre, é a tua migalha de humildade e paciência,
bondade e cooperação que simboliza a chave capaz de abri-lo.
Coragem
Coragem também é caridade. Hesitação do conhecimento
— poder à ignorância. Debilidade da retidão —
apoio ao desequilíbrio. Decisão firme — leme seguro. Vontade
frágil — barco à matroca. Irresolução dos
bons — garantia dos maus.
Nada se realiza de útil e grande sem a coragem . Descobertas e inventos
não se consolidariam nos fastos da civilização material,
sem os sacrifícios daqueles que lhes hipotecaram a existência.
Harvey torturou-se até a morte, a fim de provar a circulação
do sangue.
Jesus não foi mais feliz, procurando revelar a verdade...
Em Doutrina Espírita, sabemos o que seja o bem, como fazer o bem, quando
praticar o bem e quanto nos cabe atender ao bem, de vez que nos achamos informados
de que o maior bem para nós nasce, invariável, da obrigação
nobremente cumprida de formar o bem para os outros.
Não vale pedir alheia orientação, se a orientação
desse modo se nos estampa, luminosa, na consciência. Esqueçamos
os antigos chavões «não sei se vou» e «não
sei se posso», ante os deveres que as circunstâncias nos traçam.
Timidez não é humildade. Para que haja luz não bastará
temer presença da sombra. Ê preciso acendê-la.
22 - O Evangelho S. o espiritismo - Allan Kardec - cap.
vii, cap. xv
Capítulo
VII - BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPIRITO
O QUE SE DEVE ENTENDER POR POBRES DE ESPIRITO
1. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino
dos Céus. (Mateus, V: 3.)
2. A incredulidade se diverte com esta máxima: Bem-aventurados os pobres
de espírito, como com muitas outras coisas que não compreende.
Por pobres de espírito, entretanto, Jesus não entende os tolos,
mas os humildes, e diz que o Reino dos Céus é destes e não
dos orgulhosos. Os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem geralmente
tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade,
que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção.
Preocupados somente com eles mesmos, não podem elevar o pensamento a
Deus.
Essa tendência a se acreditarem superiores a tudo leva-os muito frequentemente
a negar o que, sendo-lhes superior, pudesse rebaixá-los, e a negar até
mesmo a Divindade. E, se concordam em admiti-la, contestam-lhe um dos seus mais
belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo,
convencidos de que são suficientes para bem governá-lo. Tomando
sua inteligência como medida da inteligência universal, e julgando-se
aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível aquilo
que não compreendem. Quando se pronunciam sobre alguma coisa, seu julgamento
é para eles inapelável.
Se não admitem o mundo invisível e um poder extra-humano, não
é porque isso esteja fora do seu alcance, mas porque o seu orgulho se
revolta à idéia de alguma coisa a que não possam sobrepor-se,
e que os faria descer do seu pedestal. Eis porque só têm sorrisos
de desdém por tudo o que não seja do mundo visível e tangível.
Atribuem-se demasiada inteligência e muito conhecimento para acreditarem
em coisas que, segundo pensam, são boas para os simples, considerando
como pobres de espírito os que as levam a sério.
Entretanto, digam o que quiserem, terão de entrar, como os outros, nesse
mundo invisível que tanto ironizam. Então seus olhos se abrirão,
e reconhecerão o erro. Mas Deus, que é justo, não pode
receber da mesma maneira aquele que desconheceu o seu poder e aquele que humildemente
se submeteu às suas leis, nem aquinhoá-los por igual.
Ao dizer que o Reino dos Céus é para os simples, Jesus ensina
que ninguém será nele admitido sem a simplicidade de coração
e a humildade de espírito; que o ignorante que possui essas qualidades
será preferido ao sábio que acreditar mais em si mesmo do que
em Deus. Em todas as circunstâncias, ele coloca a humildade entre as virtudes
que nos aproximam de Deus, e o orgulho entre os vícios que dele nos afastam.
E isso por uma razão muito natural, pois a humildade é uma atitude
de submissão a Deus, enquanto o orgulho é a revolta contra Ele.
Mais vale, portanto, para a felicidade do homem, ser pobre de espírito,
no sentido mundano, e rico de qualidades morais.
QUEM SE ELEVAR SERÁ REBAIXADO
3. Naquela hora, chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo: Quem
é o maior no Reino dos Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs
no meio deles, e disse: Na verdade vos digo que, se não vos fizerdes
como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois,
que se humilhar e se fizer pequeno como este menino, esse será o maior
no Reino dos Céus. E o que receber em meu nome um menino como este, a
mim é que recebe. (Mateus, XVIII: 1-5.)
4. Então se chegou a Ele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus
filhos, adorando-O e pedindo-lhe alguma coisa. Ele lhe disse: Que queres? Respondeu
ela: Dize a estes meus dois filhos que se assentem no teu Reino, um à
tua direita e outro à tua esquerda. E respondendo Jesus disse: Não
sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber?
Disseram-lhe eles: Podemos. Ele lhes disse: é verdade que haveis de beber
o meu cálice; mas, pelo que toca a terdes assento à minha direita
ou à minha esquerda, não me pertence a mim conceder-vos, mas isso
é para aqueles a quem meu Pai o tem preparado. E quando os dez ouviram
isto, indignaram-se contra os dois irmãos.
Mas
Jesus os chamou a si e lhes disse: Sabeis que os príncipes das nações
dominam os teus vassalos, e que os maiores exercitam sobre eles o seu poder.
Não será assim entre vós; mas aquele que quiser ser o maior,
esse seja o vosso servidor; e o que entre vós quiser ser o primeiro,
seja o vosso escravo; assim como o Filho do Homem, que não veio para
ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em redenção
de muitos. (Mateus, XX: 20-28.)
5. E aconteceu que, entrando Jesus num sábado em casa de um dos principais
fariseus, a tomar a sua refeição, ainda eles o estavam ali observando.
E notando como os convidados escolhiam os primeiros assentos à mesa,
propôs-lhes esta parábola: Quando fores convidado a alguma boda,
não te assentes no primeiro lugar, porque pode ser que esteja ali outra
pessoa, mais autorizada que tu, convidada pelo dono da casa, e que, vindo este,
que te convidou a ti e a ele, te diga: dá o teu lugar a este; e tu, envergonhado,
vás buscar o último lugar. Mas, quando fores convidado, vai tomar
o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: amigo,
senta-te mais para cima.
Servir-te-á isto então de glória, na presença dos
que estiverem juntamente sentados à mesa. Porque todo o que se exalta
será humilhado; e todo o que se humilha lerá exaltado. (Lucas,
XIV: l, 7-11.)
6. Estas máximas são consequências do princípio de
humanidade, que Jesus põe incessantemente como condição
essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor, nas seguintes palavras:
'Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino
dos Céus." Ele toma um menino como exemplo da simplicidade de coração,
e diz: "Todo aquele, pois, que se fizer pequeno como este menino, será
o maior no Reino dos Céus"; ou seja, aquele que não ter pretensões
à superioridade ou à infalibilidade.
O mesmo pensamento fundamental se encontra nesta outra máxima: "Aquele
que quiser ser o maior, seja o que vos sirva", e ainda nesta: "Porque
quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado."
O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar i|uc os grandes
no mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra, e que
frequentemente são bem pequenos os que foram grandes e poderosos. É
que os primeiros levaram consigo, ao morrer, aquilo que unicamente constitui
a verdadeira grandeza no céu, e que nunca se perde: as virtudes; enquanto
os outros tiveram de deixar aquilo que os fazia grandes na Terra, e que não
se pode levar: a fortuna, os títulos, a glória, a linhagem. Não
tendo nada mais, che-perderam, até as roupas.
Conservam apenas o orgulho, que torna ainda mais humilhante a sua nova posição,
porque vêem acima deles, e resplandescentes de glória, aqueles
que espezinharam na Terra. O Espiritismo nos mostra outra aplicação
desse princípio nas encarnações sucessivas, onde aqueles
que mais se elevaram, numa existência, são abaixados até
o último lugar na existência seguinte, se se deixaram dominar pelo
orgulho e pela ambição. Não procureis, pois, o primeiro
lugar na Terra, nem queirais sobrepor-vos aos outros, se não quiserdes
ser obrigados a descer. Procurai, pelo contrário, o mais humilde e o
mais modesto, porque Deus saberá dar-vos um mais elevado no céu,
se o merecerdes. i
MISTÉRIOS OCULTOS AOS SÁBIOS E PRUDENTES
7. Naquele tempo, respondendo, disse Jesus: Graças te dou a ti, Pai,
Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios
e prudentes, e as revelaste aos simples e pequeninos. (Mateus, XI: 25.)
8. Pode parecer estranho que Jesus renda graças a Deus por haver revelado
essas coisas aos simples e pequeninos, que são os pobres de espírito,
ocultando-as aos sábios e prudentes, mais aptos, aparentemente, a compreendê-las.
É que precisamos entender pelos primeiros os humildes, os que se humilham
diante de Deus e não se consideram superiores aos outros; e, pelos segundos,
os orgulhosos, envaidecidos com o seu saber mundano, que se julgam prudentes,
pois que eles negam a Deus, tratando-o de igual para igual, quando não
o rejeitam. Isso porque, na antiguidade, sábio era sinónimo de
sabichão. Assim, Deus lhes deixa a busca dos segredos da Terra, e revela
os do Céu aos humildes, que se inclinam perante Ele.
9. O mesmo acontece hoje com as grandes verdades reveladas pelo Espiritismo.
Certos incrédulos se admiram de que os Espíritos se esforcem tão
pouco para os convencer. É que eles se ocupam dos que buscam a luz com
boa fé e humildade, de preferência aos que julgam possuir toda
a luz e parecem pensar que Deus deveria ficar muito feliz de os conduzir a Ele,
provando-lhes a sua existência. O poder de Deus se revela nas pequenas
como nas grandes coisas. Ele não põe a luz sob o alqueire, mas
a derrama por toda a parte; cegos são os que não a vêem.
Deus não quer abrir-lhes os olhos à força, pois que eles
gostam de os ter fechados.
Chegará a sua vez, mas antes é necessário que sintam as
angústias das trevas, e reconheçam Deus, e não o acaso,
na mão que lhes fere o orgulho. Para vencer a incredulidade, Deus emprega
os meios que lhe convêm, segundo os indivíduos. Não é
a incredulidade que lhe há de prescrever o que deva fazer, ou lhe vai
dizer: Se quiseres gam ao outro mundo desprovidos de tudo, como náufragos
que tudo me convencer, é necessário que faças isto ou aquilo,
neste momento e não naquele, porque este é que me convém.
Não se admirem, pois, os incrédulos, se Deus e os Espíritos,
que são os agentes da sua vontade, não se submetem às suas
exigências. Perguntem o que diriam, se o último dos seus servos
lhes quisessem fazer imposições. Deus impõe condições,
não se submete a elas. Ouve com bondade os que o procuram humildemente,
e não os que se julgam mais do que Ele.
10. Deus, dir-se-á, não poderia tocá-los pessoalmente por
meio de prodígios evidentes, perante os quais o mais duro incrédulo
teria que curvar-se? Sem dúvida que o poderia, mas, nesse caso, onde
estaria o seu mérito; e ademais, de que serviria isso? Não os
vemos diariamente recusar a evidência, e até mesmo dizer: Ainda
que o visse, não acreditaria, pois sei que é impossível?
Se eles se recusam a reconhecer a verdade, é porque o seu espírito
ainda não está maduro para a compreender, nem o seu coração
para a sentir.
O
orgulho é a vftida que lhes tapa os olhos. Que adianta apresentar a luz
a um o? Seria preciso, pois, curar primeiro a causa do mal; eis porque, no hábil
médico, Ele castiga primeiramente o orgulho. Não aban-ia os filhos
perdidos, pois sabe que, cedo ou tarde, seus olhos se irão; mas quer
que o façam de vontade própria. E então, vencidos os tormentos
da incredulidade, atirar-se-ão por si mesmos em seus braços, e
como o filho pródigo lhe pedirão perdão.
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS - O ORGULHO E A HUMILDADE
LACORDAIRE
Constantina, 1863
11. Que a paz do Senhor esteja convosco, meus queridos amigos! Venho até
vós para encorajar-vos a seguir o bom caminho. Aos pobres Espíritos
que outrora viveram na Terra, Deus concede a missão de vir esclarecer-vos.
Bendito seja pela graça que nos dá, de podermos ajudar o vosso
adiantamento. Que o Espírito Santo me ilumine, me ajude a tornar compreensível
a minha palavra, e me conceda a graça de pô-la ao alcance de todos.
Todos vós, encarnados, que estais sob a pena e procurais a luz, que a
vontade de Deus venha em minha ajuda, para fazê-la brilhar aos vossos
olhos!
A humildade é uma virtude bem esquecida, entre vós. Os grandes
exemplos que vos foram dados são tão pouco seguidos. E, no entanto,
sem humildade, podeis ser caridosos para o vosso próximo? Oh! não,
porque esse sentimento nivela os homens, mostra-lhes que são irmãos,
que devem ajudar-se mutuamente, e os encaminha ao bem. Sem a humildade, enfeitai-vos
de virtudes que não possuís, como se vestísseis um hábito
para ocultar as deformidades do corpo. Lembrai-vos d'Aquele que nos salva; lembrai-vos
da sua humildade,: que o fez tão grande e o elevou acima de todos os
profetas,
O orgulho é o terrível adversário da humildade. Se o Cristo
prometeu o Reino dos Céus aos mais pobres, foi porque os grandes da Terra
imaginavam que os títulos e as riquezas eram a recompensa de seus méritos,
e que a sua essência era mais pura que a do pobre. Acreditavam que essas
coisas lhes eram devidas, e, por isso, quando Deus as retira, acusam-no de injustiça.
Oh! irrisão e cegueira! Deus, acaso, estabeleceu entre vós alguma
distinção pelos corpos? O invólucro do pobre não
é o mesmo do rico? O Criador fez duas espécies de homens? Tudo
quanto Deus fez é grande e sábio. Não lhe atribuais as
idéias concebidas por vossos cérebros orgulhosos.
Oh rico! Enquanto dormes em teus aposentos suntuosos, ao abrigo do frio, não
sabes quantos milhares de irmãos, iguais a ti, jazem na miséria?
O desgraçado faminto não é teu igual? Bem sei que o teu
orgulho se revolta com estas palavras. Concordarás em lhe dar uma esmola;
nunca, porém, em lhe apertar fraternalmente a mão,! Que! exclamarás:
Eu, nascido de sangue nobre, um dos grandes da Terra, ser igual a esse miserável
estropiado? Vã utopia de pretensos filósofos! Se fôssemos
iguais, por que Deus o teria colocado tão baixo-e a mim tão alto?
É verdade que vossas roupas não são nada iguais, mas, se
vos despirdes a ambos, qual a diferença que então haveifi entre
vós?
A
nobreza do sangue, dirás. Mas a química não encontrou diferenças
entre o sangue do nobre e o do plebeu, entre o do senhor e o do escravo. Quem
te diz que também não foste miserável como ele? Que não
pediste esmolas? Que não a pedirás um dia a esse mesmo que hoje
desprezas? As riquezas são por acaso eternas? Não acabam com o
corpo, invólucro perecível do Espírito? Oh! debruça-te
humildemente sobre ti mesmo! Lança, enfim, os olhos sobre a realidade
das coisas desse mundo, sobre o que constitui a grandeza e a humilhação
no outro; pensa que a morte não te poupará mais do que aos outros;
que os teus títulos não te preservarão dela; que te pode
ferir amanhã, hoje, dentro de uma hora; e se ainda te sepultas no teu
orgulho, oh! então, eu te lamento, porque serás digno de piedade!
Orgulhosos! Que fostes, antes de serdes nobres e poderosos? Talvez mais humildes
que o último de vossos servos. Curvai, portanto, vossas frontes altivas,
que Deus as pode rebaixar, no momento mesmo em que as elevais mais alto. Todos
os homens são iguais na balança divina; somente as virtudes os
distinguem aos olhos de Deus. Todos os Espíritos são da mesma
essência, e todos os corpos foram feitos da mesma massa. Vossos títulos
e vossos nomes em nada os modificam; ficam no túmulo; não são
eles que dão a felicidade prometida aos eleitos; a caridade e a humildade
são os seus títulos de nobreza.
Pobre criatura! És mãe, e teus filhos sofrem. Estão com
frio. fome. Vais, curvada ao peso da tua cruz, humilhar-te para conseguir um
pedaço de pão. Oh! eu me inclino diante de ti! Como és
nobre, santa e grande aos meus olhos! Espera e ora; a felicidade não
é deste mundo. Aos pobres oprimidos, que nele confiam, Deus concede o
Reino dos Céus. E tu, que és moça, pobre filha devotada
ao trabalho, entregue privações, por que esses tristes pensamentos?
Por que chorar? Que teus olhos se voltem, piedosos e serenos, para Deus: às
aves do céu Ele dá o alimento. Confia nele, que não te
abandonará. O ruído festas, dos prazeres mundanos, faz bater-te
o coração.
Querias també m enfeitar de flores a fronte e misturar-te aos felizes
da Terra. Dizes que poderias, como as mulheres que vês passar, estouvadas
e alegres, ser rica também. Oh! cala-te, filha! Se soubesses quantas
lágrimas e dores sem conta se ocultam sob esses vestidos bordados, Muitos
suspiros se asfixiam sob o ruído dessa orquestra feliz, prefererias teu
humilde retiro e tua pobreza. Conserva-te pura aos olhos de Deus, se não
queres que o teu anjo da guarda volte para Ele, escondendo o rosto sob as asas
brancas, e te deixe com os teus remorsos, sem guia, sem apoio, neste mundo em
que estarias perdida, esperando a punição no outro.
E todos vós que sofreis as injustiças dos homens, sede indulgentes
para as faltas dos vossos irmãos, lembrando que vós mesmos não
estais sem manchas: isso é caridade, mas é também humildade.
Se suportais calúnias, curvai a fronte diante da prova. Que vos importam
as calúnias do mundo? Se vossa conduta é pura, Deus não
pode vos recompensar? Suportar corajosamente as humilhações dos
homens, é ser humilde e reconhecer que só Deus é grande
e todo-poderoso.
Oh! meu Deus, será preciso que o Cristo volte novamente à Terra,
para ensinar aos homens as tuas leis, que eles esquecem? Deverá Ele ainda
expulsar os vendilhões do templo, que maculam tua casa, esse recinto
de orações? E, quem sabe? Ó homens, se Deus vos concedesse
essa graça agora, se não o renegaríeis, de novo, como outrora?
Se não o acusaríeis de blasfemo, por vir abater o orgulho dos
fariseus modernos? Talvez, mesmo, se não o faríeis seguir de novo
o caminho do Gólgota?
Quando Moisés subiu ao Monte Sinai, para receber os mandamentos da Lei
de Deus, o povo de Israel, entregue a si mesmo,; abandonou o verdadeiro Deus.
Homens e mulheres entregaram suas jóias e seu ouro, para a fabricação
de um ídolo que adoraram. Homens civilizados, fazeis, entretanto, como
eles. O Cristo vos deixou a sua Doutrina, vos deu o exemplo de todas as virtudes,
mas abandonastes exemplos e preceitos. Cada um de vós, carregando as
suas paixões, fabricou um deus de acordo com a sua vontade: para uns,
terrível e sanguinário; para outros, indiferente aos interesses
do mundo. O deus que fizestes é ainda o bezerro de ouro, que cada qual
apropria aos seus gostos e às suas ideias.
Despertai, meus irmãos, meus amigos! Que a voz dos Espíritos;
vos toque o coração. Sede generosos e caridosos, sem ostentação.
Quer dizer: fazei o bem com humildade. Que cada um vá demolindo aos poucos
os altares elevados ao orgulho. Numa palavra: sede verdadeiros cristãos,
e atingireis o reino da verdade. Não duvideis mais da bondade de Deus,
agora que Ele vos envia tantas provas. Vimos preparar o caminho para o cumprimento
das profecias.
Quando o Senhor vos der uma manifestação mais esplendente da sua clemência, que o enviado celeste vos encontre reunidos numa grande família; que os vossos corações, brandos e humildes, seja dignos de receber a palavra divina que Ele vos trará; que o eleito não encontre em seu caminho senão as palmas dispostas pelo vosso retorno ao bem, à caridade, à fraternidade; e então o vosso mundo se tornará um paraíso terreno.
Mas,
se permanecerdes insensíveis a voz dos Espíritos, enviados para
purificar e renovar a vossa sociedade civilizada, rica em conhecimentos e não
obstante tão pobre de sentimentos, ah! nada mais nos restará do
que chorar e gemer da vossa sorte. Mas, não, assim não acontecerá.
Voltai-vos para Deus, vosso pai, e então nós todos, que trabalhamos
para o cumprimento da sua vontade, entoaremos o cântico de agradecimento
do Senhor, por sua inesgotável bondade, e para O glorificar por todos
os séculos. Assim seja.
23 - O Livro dos Espíritos -Allan Kardec - introd.
xi, questões: 194, 216
XI—GRANDES
E PEQUENOS
É estranho, acrescentam, que só falem de Espíritos de personalidades
conhecidas. E perguntam por que motivo só estes se manifestam. E um erro
proveniente, como muitos outros, de observação superficial. Entre
os Espíritos que se manifestam espontaneamente há maior número
de desconhecidos do que de ilustres. Eles se designam por qualquer nome, muitas
vezes, por nomes alegóricos ou característicos. Quanto aos evocados,
desde que não se trate de parentes ou amigos, é muito natural
que sejam de preferência os conhecidos. Os nomes de personagens ilustres
chamam mais a atenção por serem mais destacados.
Acham ainda estranho que os Espíritos de homens eminentes atendam familiarmente
ao nosso apelo, ocupando-se às vezes de coisas insignificantes, em comparação
com as de que se ocupavam durante a vida. Isso nada tem de estranho para os
que sabem que o poder ou consideração de que esses homens gozavam
no mundo não lhes dão nenhuma supremacia no mundo espírita.
Os Espíritos confirmam com isto as palavras do Evangelho: Os grandes
serão humilhados e os pequenos serão exaltados, que devem ser
entendidas em relação à categoria que cada um de nós
ocupará entre eles. É assim que aquele que foi primeiro na Terra
poderá encontrar-se entre os últimos; aquele que nos faz curvar
a cabeça nesta vida pode voltar como o mais humilde artesão, porque
ao deixar a vida perdeu toda a sua grandeza, e o mais poderoso monarca talvez
lá se encontre abaixo do último dos seus soldados.
Perg. 194 - A alma de um homem de bem pode animar, noutra encarnação,
o corpo de um celerado?
- Não, pois ela não pode degenerar
Perg. 194a - A alma de um homem perverso pode transformar-se na de um homem
de bem?
- Sim, se ela se arrepender, e então será uma recompensa.
24 - Pão nosso - Emmanuel - pág. 97
43. BOAS MANEIRAS - "E assenta-te no último lugar" - Jesus (Lucas, 14:10)
O Mestre, nesta passagem, proporciona inolvidável ensinamento de boas maneiras. Certo, a sentença revela conteúdo altamente simbólico, relativamente ao banquete paternal da Bondade Divina; todavia, convém deslocarmos o conceito a fim de aplicá-lo igualmente ao mecanismo da vida comum.
A recomendação do Salvador presta-se a todas as situações em que nos vejamos convocados a examinar algo de novo, junto aos semelhantes. Alguém que penetre uma casa ou participe de uma reunião pela primeira vez, timbrando demonstrar que tudo sabe ou que é superior ao ambiente em que se encontra, torna-se intolerável aos circunstantes.
Ainda
que se trate de agrupamento enganado em suas finalidades ou intenções,
não é razoável que o homem esclarecido, aí ingressando
pela vez primeira, se faça doutrinador austero e exigente, porquanto,
para a tarefa de retificar ou reconduzir almas, é indispensável
que o trabalhador fiel ao bem inicie o esforço, indo ao encontro dos
corações pelos laços da fraternidade legítima. Somente
assim, conseguirá alijar a imperfeição eficazmente, eliminando
uma parcela de sombra, cada dia, através do serviço constante.
Sabemos que Jesus foi o grande reformador do mundo, entretanto, corrigindo e
amando, asseverava que viera ao caminho dos homens para cumprir a Lei. Não
assaltes os lugares de evidência por onde passares. E, quando te detiveres
com os nossos irmãos em alguma parte, não os ofusques com a exposição
do quanto já tenhas conquistado nos domínios do amor e da sabedoria.
Se te encontras decidido a cooperar pelo bem dos outros, apaga-te, de algum
modo, a fim de que o próximo te possa compreender. Impondo normas ou
exibindo poder, nada conseguirás senão estabelecer mais fortes
perturbações.
25 - Religião
dos Espíritos - Emmanuel - pág. 47
Jesus
e humildade
Reunião pública de 9-3-59 Questão
n<? 937
Estudando a humildade, vejamos como se comportava Jesus no exercício
da sublime virtude. Decerto, no tempo em que ao mundo deveria surgir a mensagem
da Boa-Nova, poderia permanecer na glória celeste e fazer-se representar
entre os homens pela pessoa de mensageiros angélicos, mas preferiu descer,
Ele mesmo, ao chão da Terra, e experimentar-lhe as vicissitudes.
Indubitavelmente, contava com poder bastante para anular a sentença de
Heródes que mandava decepar a cabeça dos recém-natos de
sua condição, com o fim de impedir-lhe a presença; entretanto,
afastou-se prudentemente para longínquo rincão, até que
a descabida exigência fosse necessariamente proscrita. Dispunha de vastos
recursos para se impor em Jerusalém, ao pé dos doutores que lhe
negavam autoridade no ensino das novas revelações; contudo, retirou-se
sem mágoa em demanda de remota província, a valer-se dos homens
rudes que lhe acolhiam a palavra consoladora.
Possuía suficiente virtude para humilhar a filha de Magdala, dominada
pela força das sombras; no entanto, silenciou a própria grandeza
moral para chamá-la docemente ao reajuste da vida. Atento à própria
dignidade, era justo mandasse os discípulos ao encontro dos sofredores
para consolá-los na angústia e sarar-lhes a ulceração;
todavia, não renunciou ao privilégio de seguir, Ele mesmo, em
cada canto de estrada, a fim de ofertar-lhes alívio e esperança,
fortaleza e renovação.
Certo, detinha elementos para desfazer-se de Judas, o aprendiz insensato; porém,
apesar de tudo, conservou-o até o último dia da luta, entre aqueles
que mais amava. Com uma simples palavra, poderia confundir os juizes que o rebaixavam
perante Barrabás, autor de crimes confessos; contudo, abraçou
a cruz da morte, rogando perdão para os próprios carrascos.
Por fim, poderia condenar Saulo de Tarso, o implacável perseguidor, a
penas soezes, pela intransigência perversa com que aniquilava a plantação
do Evangelho nascente; mas buscou-o, em pessoa, às portas de Damasco,
visitando-lhe o coração, por sabê-lo enganado na direção
em que se movia.
Com Jesus, percebemos que a humildade nem sempre surge da pobreza ou da enfermidade
que tanta vez somente significam lições regeneradoras, e sim que
o talento celeste é atitude da alma que olvida a própria luz para
levantar os que se arrastam nas trevas e que procura sacrificar a si própria,
nos carreiros empedrados do Mundo, para que os outros aprendam, sem constrangimento
ou barulho, a encontrar o caminho para as bênçãos do Céu.
29 - PLANTÃO DA PAZ - EMMANUEL - PÁG. 14
HUMILDES DE ESPÍRITO
A humildade é o ingrediente oculto sem o qual o pão da vida amarga invariavelmente na boca. Amealharás amoedados a mancheias; entretanto, se não te dispões a usá-los, edificando o conforto e a alegria dos outros, na convicção de que todos os bens pertencem a Deus, em breve converter-te-ás em prisioneiro do ouro que amontoaste, erguido à feição de teu próprio cárcere.
Receberás precioso mandato de autoridade entre as criaturas terrestres, no entanto, se não procuras a inspiração do Senhor para distribuir os talentos da justa fraternidade, como quem está convencido de que todo o poder é de Deus, transformar-te-ás, pouco a pouco, no empreiteiro inconsciente da crueldade, por favoreceres a própria ilusão, buscando o incenso a ti mesmo na prática da injustiça.
Erguerás teu nome no pedestal da cultura, contudo, se não te inclinas à Sabedoria Divina, acendendo a luz em benefício de todos, como quem não ignora que toda inteligência é de Deus, depressa te arrojarás ao chavascal da mentira, angariando em teu prejuízo a embriaguez da vaidade e a introdução à loucura.
Lembra-te de que a Bondade Celeste colocou a humildade por base de todo os equilíbrio da natureza. O sábio que honraa ciência ou o direito não prescinde da semente que lhe garantea bênção da mesa. O campo mais belo não dispensa o fio d'água que lhe fecunda as entranhas em dádivas de verdura.
E o próprio Sol, com toda a pompa de seu magnificente esplendor, embora fulcro de criação, converteria o mundo em pavoroso deserto não fosse a chuva singela que lhe ambienta no solo a força criadora. Não desdenhes servir, aprendendo com o Mestre Divino, que realizou o seu apostolado de amor entre a manjedoura desconhecida e a cruz da flagelação, e serás contado entre aqueles para os quais Ele mesmo pronunciou as inesquecíveis palavras:
"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque a eles mais facilmente se descerrão as portas do Céu".
30 - REFÚGIO - EMMANUEL- PÁG. 34
HUMILDADE DO CORAÇÃO
"Bem-aventurados os pobres de espírito" - proclamou o Senhor. Nesse passo, porém, não vemos Jesus contra os tesouros culturais da Humanidade, mas, sim, exaltando a humildade do coração. O Mestre recordava-nos, no capítulo das bem aventuranças, que é preciso trazer a mente descerrada à luz da vida para que a sabedoria e o amor encontrem seguro aconchego em nossa alma.
Hoje, como antigamente, somos defrontados em toda parte, pelas criaturas encarceradas nos museus acadêmicos, cristalizados nos preconceitos ruinosos, mumificadas em pontos de vista que lhe sombreiam a visão e algemadas a inutilidades do raciocínio ou do sentimento, engrossando as extensas fileiras da opressão.
Imprescindível clarear o pensamento, diante da natureza, e aceitar a extrema insignificância em que ainda nos agitamos, perante o Universo. Jesus induzia-nos a esquecer a paralisia mental, em que, muitas vezes, nos comprazemos, inclinando-nos à adoção da simplicidade por norma de ascensão espiritual.
Esvaziemos o coração de todos os débitos e de todos os fantasmas que experiências inferiores nos impuseram na peregrinação que nos trouxe ao presente. Cada dia é nova revelação do Senhor para a existência.
Cada companheiro da estrada é campo vivo que podemos arrojar as sementes abençoadas da renovação. Cada dor é uma bênção para os que prosseguem acordados no conhecimento edificante.
Cada hora na marcha pode converter-se em plantação de beleza e alegria, se caminhamos obedecendo aos imperativos do trabalho constante no Infinito Bem. Toda ciência do mundo, confrontada à sabedoria que nos espera, é menos que o ribeiro singelo ante o corpo ciclópico do oceano.
Toda a riqueza dos homens perante a herança de luz que o Pai Celestial nos reserva, é minúsculo grão de pó na química planetária. Sejamos simples e espontâneos, na senda em que a atualidade nos situa, aprendendo com a vida e doando à vida o melhor que pudermos, para que, em nos candidatando à láurea dos bem-aventurados, possamos ser realmente discípulos felizes daquele Amigo Eterno que nos recomendou: -"Aprendei de mim que sou humilde de coração".