IMORTALIDADE |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01 - A alma é imortal - pág. 11, 285, 309 | 02 - A loucura sob novo prisma- pág. 43 |
| 03 - A reencarnação - pág. 286 | 04 - A reencarnação na biblia - pág. 35 |
| 05 - Antologia do perispírito - ref. 819 | 06 - Caminho, verdade e vida - pág. 159 |
| 07 - Catecismo espírita - pág.24 | 08 - Chão de flores - pág. 90 |
| 09 - Cristianismo e Espiritismo - pág. 238 | 10 - Crônicas de um e de outro - pág. 27 |
| 11 - Conversando sobre a morte - pág. 107, 137 | 12 - Cruso Dinâmico de Espiritismo - pág. 92 |
| 13 - Depois da Morte - pág. 127 | 14 - Emmanuel - pág. 38, 85 |
| 15 - Entre a matéria e o espírito - pág. 168 | 16 - Escrínio de Luz - pág. 169 |
| 17 - Gêneses da alma - pág. 133 | 18 - Justiça Divina - pág. 35,151 |
| 19 - Lampadário espírita - pág.57 | 20 - O espírito do cristianismo - pág. 10 |
| 21 - O Livro dos Espíritos - q. 222 conclu. iii | 22 - O porquê da vida - pág. 48 |
| 23 - O que é a morte - pág. 51,55 | 24 - Pão nosso - pág. 95, 147, 163 |
| 25 - Parnaso de além-túmulo - pág. 258 | 26 - Pérolas do além - pág. 120 |
| 27- Poetas redivivos - pág. 124 | 28 - Seara dos médiuns - pág. 217 |
| 29 - Seareiros de volta - pág. 91 | 30 - Síntese de o novo testamento - pág. 164 |
| 31 - Parapsicologia hoje e amanhã- pág. 170 | 32 - Tambores de Angola - pág. 146 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
IMORTALIDADE – COMPILAÇÃO
01 - A alma é imortal - Gabriel Delanne - pág. 11, 285, 309
DEMONSTRAÇÃO
EXPERIMENTAL DA IMORTALIDADE
INTRODUÇÃO
O Espiritismo projeta luz nova sobre o problema da natureza da alma. Fazendo
que a experimentação interviesse na filosofia, isto é,
numa ciência que, como instrumento de pesquisa, apenas empregava o senso
íntimo, ele facultou que o Espírito seja visto de maneira efetiva
e que todos se certifiquem de que até então o mesmo Espírito
estivera muito mal conhecido.
O estudo do "eu", isto é, do funcionamento da sensibilidade,
da inteligência e da vontade, faz se perceba a atividade da alma, no momento
em que essa atividade se exerce, porém nada nos diz sobre o lugar onde
se passam tais fenômenos, que não parecem guardar entre si outra
relação, afora a da continuidade. Entretanto, os recentes progressos
da psicologia fisiológica firmaram que íntima dependência
existe entre a vida psíquica e as condições orgânicas
de suas manifestações. A todo estado da alma corresponde uma modificação
molecular da substância cerebral e reciprocamente. Mas, param aí
as observações e a ciência se revela incapaz de explicar
porque a matéria que substitui a Que é destruída pela usura
vital conserva as impressões anteriores do espírito.
A ciência espírita se apresenta, justo, para preencher essa lacuna,
provando que a alma não é uma entidade ideal, uma substância
imaterial sem extensão e sim que é provida de um corpo sutil,
onde se registram os fenômenos da vida mental e a que foi dado o nome
de perispírito. Assim como, no homem vivo, importa distinguir do espírito
a matéria que o incorpora, também não se deve confundir
o perispírito com a alma. O "eu" pensante é inteiramente
distinto do seu envoltório e não se poderia identificar com este,
do mesmo modo que a veste não se identifica com o corpo físico.
Todavia, entre o espírito e o perispírito existem as mais estreitas
conexões, porquanto são inseparáveis um do outro, como
mais tarde o veremos.
Quererá isto dizer que encontramos a verdadeira natureza da alma? Não,
visto que esta se mantém inacessível, tanto quanto, aliás,
a essência da matéria. Temos, no entanto, descoberto uma condição,
uma maneira de ser do espírito, que explica grande cópia de fenômenos,
até então insolúveis. Evolveram, com o correr das idades,
as concepções sobre a natureza da alma, desde a mais grosseira
materialidade, até a espiritualidade absoluta. Os trabalhos dos filósofos,
tanto quanto os ensinos religiosos, nos habituaram a considerar a alma como
pura essência, como uma chama imaterial. Tão diferentes formas
de ver prendem-se à maneira por que se encara a alma.
Se
estudada objetivamente, fora do organismo humano, durante as aparições,
ela às vezes se afigura tão material, quanto o corpo físico.
Se observada em si mesma, parece que o pensamento é a sua característica
única. Todas as observações da primeira categoria foram
atiradas ao rol das superstições populares e prevaleceu a idéia
de uma alma sem corpo. Nessas condições, impossível se
tornava compreender por que processo podia essa entidade atuar sobre a matéria
do corpo ou dele receber as impressões. Como se havia de imaginar que
uma substância sem extensão e, conseguintemente, fora da extensão,
pudesse atuar sobre a extensão, isto é, sobre corpos materiais?
Ao mesmo tempo que nos ensinam a espiritualidade da alma, ensinam-nos a sua
imortalidade. Como explicar, porém, que essa alma conserve suas lembranças?
Neste mundo, temos um corpo definido pela sua forma de envoltório físico,
um cérebro que se afigura o arquivo da nossa vida mental; mas, quando
esse corpo morre, quando esse substrato físico é destruído,
que sucede às lembranças da nossa existência atual? Onde
se localizarão as aquisições da nossa atividade física,
sem as quais não há possibilidade de vida intelectual? Estará
a alma destinada a fundir-se na erraticidade, a se apagar no Grande Todo, perdendo
a sua personalidade?
São rigorosas estas consequências, porquanto a alma não
poderia subsistir sem uma forma que a individualizasse. No oceano, uma gota
dágua não se pode distinguir das que a cercam, não se diferencia
das outras partes do líquido, a não ser que se ache contida nalguma
coisa que a delimite, ou que, isolada, tome a forma esférica, sem o que
ela se perde na massa e já não tem existência distinta.
O Espiritismo nos leva a comprovar que a alma é sempre inseparável
de uma certa substancialidade material, porém com uma modalidade especial,
infinitamente rarificada, cujo estado físico procuraremos definir. Essa
matéria possui formas variáveis, segundo o grau de evolução
do espirito e conforme ele esteja na Terra ou no espaço. O caso mais
geral é o da alma conservar temporariamente, após a morte, o tipo
que tinha o corpo físico aqui na Terra. Esse ser invisível e imponderável
pode, às vezes, em circunstâncias determinadas, assumir um caráter
de objetividade, bastante para afetar os sentidos e impressionar a chapa fotográfica,
deixando assim traços duráveis da sua ação, o que
põe fora de causa toda tentativa de explicação desse fenómeno,
mediante a ilusão ou a alucinação.
O nosso objetivo, neste volume, é apresentar algumas das provas que já
se possuem da existência de tal envoltório, a que foi dado o nome
de perispírito (de peri, em torno, e spiritus, espirito).
Para essa demonstração, recorreremos não só aos
espiritas propriamente ditos, mas também aos magnetizadores espiritualistas
e aos sábios independentes que hão começado a explorar
este domínio novo. Ao mesmo tempo, facultado nos será comprovar
que a corporeidade da alma não é uma idéia nova, que teve
numerosos partidários, desde que a humanidade entrou a preocupar-se com
a natureza do princípio pensante.
Veremos, primeiro, que a antiguidade, quase toda ela, mais ou menos admitiu
essa doutrina; eram, porém, vagos e incompletos os conhecimentos de então
sobre o corpo etéreo. Depois, à medida que se foi cavando o fosso
entre a alma e o corpo, que as duas substâncias mais e mais se diferençavam,
uma imensidade de teorias procuraram explicar a ação recíproca
que elas entre si exercem. Surgiram as "almas mortais" de Platão,
as "almas animais e vegetativas" de Aristóteles, o "ochema"
e o "eidolon" dos gregos, o "nephesh" dos hebreus, o "baí"
dos egípcios, o "corpo espiritual" de São Paulo, os
"espíritos animais" de Descartes, o "mediador plástico"
de Cudworth, o "organismo sutil" de Leibnitz, ou a sua "harmonia
preestabelecida"; o "influxo físico" de Euler, o "arqueu"
de Van Helmont, o "corpo aromai" de Fourier, as "idéias-força"
de Fouillée, etc.
Todas
essas hipóteses, que por alguns de seus lados roçam a realidade,
carecem do cunho de certeza que o Espiritismo apresenta, porque não imagina:
demonstra. O espírito humano, pelo só esforço de suas especulações,
jamais pode estar certo de haver chegado até aí. É-lhe
necessário o auxílio da ciência, isto é, da observação
e da experiência, para estabelecer as bases da sua certeza. Não
é, pois, guiados por ideias preconcebidas que os espíritas proclamam
a existência do perispírito: é, pura e simplesmente, porque
essa existência resulta, para eles, da observação.
Os magnetizadores já haviam chegado, por outros métodos, ao mesmo
resultado. Pela correspondência que permutaram Billot e Deleuze, bem como
pelas pesquisas de Cahagnet, veremos que a alma, após a morte, conserva
uma forma corporal que a identifica. Os médiuns, isto é, as pessoas
que gozam — no estado normal — da faculdade de ver os Espíritos,
confirmam, em absoluto, o testemunho dos sonâmbulos. Essas narrativas,
entretanto, constituem uma série de documentos de grande valor, mas ainda
não nos dão uma prova material. Mostraremos, por isso, que os
espíritas fizeram todos os esforços por oferecer a prova inatacável
e que o conseguiram.
As fotografias de Espíritos desencarnados, as impressões por estes deixadas em substâncias moles ou friáveis, as moldagens de formas perispirituais são outras tantas provas autênticas, absolutas, irrecusáveis da existência da alma unida ao perispírito e tão grande é hoje o número dessas provas, que impossível se tornou a dúvida. Mas, se verdadeiramente a alma possui um envoltório, há de ser possível comprovar-se-lhe a realidade durante a vida terrena. É, com efeito, o que se dá. Abriram-nos o caminho os fenômenos de desdobramento do ser humano, denominados por vezes de bicorporeidade.
Sabe-se em que eles consistem. Estando, por exemplo, em Paris um indivíduo, pode a sua imagem, o seu duplo mostrar-se noutra cidade, de maneira a ser ele reconhecido. Há, no atual momento, mais de dois mil fatos, bem verificados, de aparições de vivos. Veremos, no correr do nosso estudo, que não são alucinatórias essas visões e por que caracteres especiais podemos certificar-nos da objetividade de algumas de tão curiosas manifestações psíquicas. Os pesquisadores não se limitaram, porém, à observação pura e simples de tais fenômenos, senão que também chegaram a reproduzi-los experimentalmente.
Verificaremos, com o Sr. de Rochas, que a exteriorização da motricidade constitui, de certa forma, o esboço do que se produz completamente durante o desdobramento do ser humano. Chegaremos, afinal, à demonstração física da distinção existente entre a alma e o corpo, fotografando a alma de um vivo, fora dos limites do seu organismo material. Para todo pesquisador imparcial, esse formidável conjunto de documentos estabelece solidamente a existência do perispírito. A isso, contudo, não deve limitar-se a nossa aspiração.
Temos
que perquirir de que matéria é formado esse corpo. Quanto a isso,
todavia, estamos reduzidos a hipóteses; veremos, porém, estudando
as circunstâncias que acompanham as aparições dos vivos
e dos mortos, ser possível encontrarem-se, nas últimas descobertas
científicas sobre a matéria radiante e os raios X, preciosas analogias
que nos permitirão compreender o estado dessa substância imponderável
e invisível. Esperamos mostrar que nada se opõe, cientificamente,
à concepção de semelhante invólucro da alma. Desde
então, esse estudo entra no quadro das ciências ordinárias
e não pode merecer a censura de se achar eivado de sobrenatural ou de
maravilhoso.
Apoiar-nos-emos longamente na identidade dos fenómenos produzidos pela
alma de um vivo, saída momentaneamente do teu corpo, e os que se observam
operados pêlos Espíritos. Veremos que eles se assemelham de tal
sorte, que impossível se torna diferençá-los, a não
ser por seus caracteres psíquicos. Logo, e é se um dos pontos
mais importantes, há continuidade real, absoluta, nas manifestações
do Espírito, encarnado ou não, em um corpo terrestre. Inútil,
portanto, atribuir os fatos espiritas a seres fictícios, a demônios,
a elementais, cascas astrais, egrégoros, etc. Forçoso será
reconhecer que os produzem as almas que viveram na Terra.
Estudando os altos fenômenos do Espiritismo, fácü se nos tornará
demonstrar que o organismo fluidico contêm todas as leis organogênicas
segundo as quais o corpo se forma. Aqui, o Espiritismo faz surgir uma idéia
nova, explicando como a forma típica do indivíduo pode manter-se
durante a vida toda, sem embargo da renovação incessante de todas
as partes do corpo. Simultaneamente, do ponto de vista psíquico, fácil
se torna compreender onde e como se conservam as nossas aquisições
intelectuais. Firmamos alhures como concebemos o papel que o perispirito desempenha
durante a encarnação; bastar-nos-á dizer agora que, graças
à descoberta desse corpo fluídico, podemos explicar, cientificamente,
de que maneira a alma conserva a sua identidade na imortalidade.
Possam estes primeiros esboços de uma fisiologia psicológica transcendental
incitar os sábios a perscrutar tão maravilhoso domínio!
Se os nossos trabalhos derem em resultado trazer para as nossas fileiras alguns
espíritos independentes, não teremos perdido o nosso tempo; mas,
qualquer que seja o resultado dos nossos esforços, estamos seguro de
que vem próxima a época em que a ciência oficial, levada
aos seus últimos redutos, se verá obrigada a ocupar-se com o assunto
que faz objeto das nossas pesquisas. Nesse dia, o Espiritismo aparecerá
qual realmente é: a Ciência do Futuro.
A
IMORTALIDADE DA ALMA
"Nada se pode acrescentar à Natureza, diz
Tyndall, e nada se lhe pode subtrair. É constante a soma das suas energias
e tudo o que o homem pode fazer, na pesquisa da verdade, ou na aplicação
das ciências, é mudar de lugar as partes constituintes de um todo
que nunca varia e com uma delas formar outra.
"A
lei de conservação exclui rigorosamente a criação
e a nulificação: o número pode substituir a grandeza e
a grandeza o número; asteróides podem aglomerar-se em sóis;
podem sóis resolver-se em floras e faunas; faunas e flores podem dissipar-se
em gases; a potência em circulação é perpetuamente
a mesma. Rola em ondas de harmonia através das Idades e todas as energias
da Terra, todas as manifestações da vida, tanto quanto o desdobramento
dos fenômenos não são mais do que modulações
ou variações de uma melodia celeste."
Vemos, pois, que temos de considerar tudo o que existe atualmente, matéria
e força, como rigorosamente eterno; o que muda é a forma. As palavras
criação e destruição perderam o sentido primitivo;
significam unicamente passagem de uma forma a outra. Quando um ser nasce ou
um corpo se produz, diz-se que há criação; chama-se destruição
ao desaparecimento desse ser ou desse corpo, mas, a matéria e a força
que o formavam nenhuma alteração experimentaram e prosseguem o
curso de suas metamorfoses infinitas. A alma inteligente conserva a substância
de sua forma etérea, que é imperecível, do mesmo modo que
a matéria. Um ser vivo, quando nasce, apodera-se, em proveito seu, de
certas combinações químicas que constituem o seu alimento.
É um empréstimo que toma ao grande capital disponível da
Natureza.
Desenvolve-se,
assimilando uma quantidade cada vez maior de matéria, até completar
o seu desenvolvimento. Depois, mantém-se estável durante a idade
viril e, em chegando a velhice, com o tornar-se maior a desassimilação
do que a regeneração pela nutrição, ele restitui
à terra o que lhe tomara. Pela morte, restitui integralmente o que recebera.
Em suma, que é o que desaparece? Não é a matéria,
é a forma que individualizava essa matéria. E essa forma é
destruída? Não, responde o Espiritismo, e o prova, demonstrando
que ela sobrevive à destruição do envoltório carnal
e, o que ainda mais é, demonstrando ser absolutamente impossível
o seu aniquilamento. Eis como:
Se o corpo físico se decompõe por ocasião da morte, isso
se dá por ser ele heterogêneo, isto é, formado pela reunião
de muitas partes diversas. Quanto mais elementos um corpo contém, tanto
mais instável é ele quimicamente. Os compostos quaternários
do reino animal são essencialmente proteiformes, porque neles o movimento
molecular — muito complicado, pott resulta dos de seus componentes —
pode mudar sob a influência de fracas forças exteriores. Nos corpos
vivos, os tecidos são comparáveis a esses pós explosivos
que a menor centelha basta para inflamar. Estão constantemente a decompor-se
por efeito das ações vitais e a reconstituir-se por meio do sangue.
O organismo humano é um perpétuo laboratório, onde as mais
complicadas ações químicas se executam incessantemente,
sob as mais fracas excitações exteriores.
No mundo mineral já não é assim. Muito mais estáveis
são as combinações, sendo as vezes necessário o
emprego de meios enérgicos para separar dois corpos que muito facilmente
se unem um ao outro. Assim, sem dificuldade alguma, um pedaço de carvão
se combina com o oxigênio, para formar o ácido carbônico.
Pois bem: faz-se mister uma temperatura de 1.200 graus para, em seguida, separar
do carbono o oxigénio. Vê-se, pois, que quanto menos fatores entram
numa combinação, tanto mais estável é ela.
No que concerne aos corpos simples, tem-se verificado que nenhuma temperatura,
neste mundo, é capaz de os decompor. Unicamente o enorme calor do Sol
o consegue com relação a alguns deles. Fácil então
se nos torna compreender que a matéria primitiva, donde eles provieram,
é absolutamente irredutível e, como não pode aniquilar-se,
é rigorosamente indestrutível. Essa matéria primordial,
em que a alma se acha individualizada, constitui a base do universo físico,
gozando do mesmo estado de perenidade o perispírito, que é dela
formado. Por outro lado, a alma é uma unidade indivisível.
Vimos,
na primeira parte deste volume, que as almas de Pascal e de Vergílio
se mostraram a médiuns sob uma aparência física que reproduzia
a que ambos tiveram neste mundo. Não está aí uma prova
positiva de que nada se perde do envoltório fluídico e que, assim
como aqui na Terra uma lembrança não pode desaparecer, também
no espaço nenhuma forma pode aniquilar-se? Todas as que a alma revestiu
se conservam em estado virtual e são imperecíveis.
A alma se encontra unida à substância perispiritica, que coisa
nenhuma pode destruir, visto que, pelo seu estado físico, ela é
o último termo das transformações possíveis: ela
é a matéria em si. Nem os milhões de graus de calor dos
sóis ardentes, nem os frios do espaço Infinito têm ação
sobre esse corpo incorruptível e espiritual. Somente a vontade o pode
modificar, não, porém, mudando-lhe a substância, mas expurgando-a
dos fluidos grosseiros de que se satura no começo de sua evolução.
É a grande lei do progresso, que tem por fim depurar essa massa, despojar
esse diamante, a alma, da ganga impura que a contém. As vidas múltiplas
são o cadinho purificador. A cada passagem por ele, o Espírito
sai do invólucro corpóreo mais purificado e, quando há
vencido as contingências da matéria, acha-se liberto das atrações
terrenas e desfere o voo para outras regiões menos primitivas.
Nesse mundo do espaço, nesse meio imponderável, onde vibra toda
a gama dos fluidos, um único poder existe soberano: o da vontade. Sob
a sua ação potente, a matéria fluídica se lhe curva
a todas as fantasias. A alma que se haja tornado bastante sábia para
os manipular realiza tudo o que lhe possa aflorar à imaginação,
não passando as formas terrestres de pálidos reflexos de tudo
isso. Veremos em breve que essa vontade pode mesmo atuar sobre a matéria
tangível, em certas condições que vamos determinar.
Conclusão
O problema da Imortalidade da alma, que outrora pertencia à alçada
da Filosofia, pôde, nos dias atuais, ser atacado pelo método positivo.
Já observamos uma orientação nova, criada pela pesquisa
experimental. O hipnotismo prestou serviço imenso à Psicologia,
com o facultar que se dissecasse, por assim dizer, a alma humana e fecundo foi
o emprego que dele se fez, para obter-se o conhecimento do princípio
pensante em suas modalidades conscientes e subconscientes. A Isso, entretanto,
não se reduziu o seu papel; ele deu ensejo a que se pusessem em foco
fenômenos mal conhecidos, quais os da sugestão mental a distância,
da exteriorização da sensibilidade e da motricidade, que levam
diretamente à telepatia e ao Espiritismo.
Essa evolução lógica mostra que a Natureza procede por
transições insensíveis. Há certos fenômenos
em que a ação extra-corpórea da alma humana se pode explicar
por uma simples irradiação dinâmica, produzindo os fenômenos
telepáticos propriamente ditos, ao passo que outros absolutamente necessitam,
para serem compreendidos, da exteriorização da inteligência,
da sensibilidade e da vontade, isto é, da própria alma.
Assinalamos, de passagem, essa sucessão das manifestações
anímicas e, embora fôssemos constrangido a resumir extremamente
os fatos, temos para nós, contudo, que a atenção do leitor
foi atingida por essa continuidade, que de modo ainda mais empolgante ressalta
quando se chega às manifestações extraterrestres. São
preciosas as observações dos sábios da Sociedade de Pesquisas
Psíquicas, no sentido de que fazem se apreenda bem a notável semelhança
que existe entre as aparições dos mortos e as dos vivos. Melhor
então se compreendem as narrativas de que são copiosos os anais
de todos os povos. Chegamos a persuadir-nos de que, se a vida de além-túmulo
foi negada com tanta fúria por muitos espíritos bons, é
que ela era incompreensível, quer fizessem da alma uma resultante do
organismo, quer a supusessem formada de uma essência puramente espiritual.
Pudemos, com efeito, convencer-nos de que a alma humana não é,
conforme o julgam os materialistas, uma função do sistema nervoso;
que ela é um ser dotado de existência independente do organismo
e que se revela precisamente com todas as suas faculdades: sensitivas, inteligentes
e voluntárias, quando o corpo físico se tornou inerte, insensível,
completamente aniquilado. A alma humana não é, tampouco, qual
o afirmam os espiritualistas, uma entidade imaterial, um ser intangível.
Ela possui um substratum material, porém formado de matéria especial,
infinitamente sutil, cujo grau de rarefação ultrapassa de muito
todos os gases até hoje conhecidos.
Se bem, desde o instante do nascimento, alma e corpo se achem intimamente unidos,
de maneira a formarem um todo harmonioso, não é tão profunda
essa união, nem tão indissolúvel, quanto se pensava. Sabemos,
por fatos de observação e de experiência, que o princípio
pensante se evade por vezes da sua prisão carnal e percebe a natureza,
com exclusão do ministério dos sentidos. Os casos de Varley, do
Dr. Britten, do jovem gravador citado pelo Dr. Gibier são, a esse respeito,
inteiramente probantes. O desprendimento anímico pode ser provocado,
como vimos nas pesquisas do Sr. de Rochas, nas quais apanhamos ao vivo o processo
de desintegração que, quando se completa, dá lugar à
formação de um fantasma que reproduz com exatidão o corpo
físico. Aliás, as experiências dos magnetizadores conduzem
ao mesmo resultado.
Os casos do negro Lewis e da Sr.a Morgan estabelecem, com caráter de certeza, que é possível à alma separar-se voluntariamente do corpo. Foi sempre experimentalmente que se observou ter esse corpo da alma uma realidade física, pois que ele pode ser visto (caso de Lewis e do Dr. Britten) e não raro fotografado, conforme o demonstramos várias vezes (casos do capitão Volpi, do Sr. Stead, do Dr. Hasdeu, etc.). Finalmente, a realidade física do desdobramento está inteiramente provada com a Sr.a Fay e o médium Eglinton, de cujo duplo a materialização se tornou Irrecusável por um molde em parafina. Esse duplo, sósia do ser vivo, não é, pois, uma miragem, uma imagem virtual, ou uma alucinação.
É
a própria alma que se revela, não só pela sua aparição,
mas também intelectualmente, por mensagens que lhe atestam a individualidade.
O que reproduzimos de forma experimental se deu naturalmente e foi observado
grande número de vezes, porquanto os sábios da Sociedade de Pesquisas
Psíquicas reuniram considerável acervo de documentos acerca desse
assunto, tão eminentemente instrutivo e interessante. O cepticismo, em
verdade, não pode sentir-se à vontade diante desses dois mil casos
perfeitamente comprovados. É fora de dúvida que a incredulidade
sistemática surge aqui com tara cerebral, como um caso patológico,
ao qual não há porque dar atenção.
A identidade física e intelectual das manifestações fantas-máticas
provindas de indivíduos vivos, ou mortos há mais ou menos tempo,
patenteia a sobrevivência da atividade anímica após a morte
corporal. Os fenômenos extremamente numerosos e variados do Espiritismo
confirmam os fatos de observação. Possuímos provas de todos
os géneros, atestando que o ser pensante resiste à desagregação
física e persiste na posse integral de suas faculdades intelectuais e
morais. Ainda a esse respeito são abundantes e precisos os documentos.
A fotografia permite se afirme com segurança absoluta que os impropriamente
chamados mortos são, ao contrário, perfeitamente vivos.
Os
testemunhos de Wallace, do Dr. Thomson, de Bromson Murray, de Beattie não
consentem dúvidas. Embora remonte por vezes a uma época distante
o momento da sua desencarnação, o ser que vem dar o seu retrato
nenhum traço revela de decrepitude. Em geral, mostra-se mesmo rejuvenescido,
isto é, gosta de ser representado na fase da sua existência em
que dispunha do máximo de atividade física. Também nas
descrições dos médiuns videntes temos excelentes meios
de convicção e bastará lembremos o caso de Violeta, citado
pelo Sr. Robert Dale Owen, para pormos em evidência todos os recursos
encontráveis nesse género de investigações. Vimos
igualmente que o grau de objetividade do Espírito pode chegar até
a uma verdadeira materialização.
Opera-se então o magnífico fenômeno mediante o qual ressuscita,
por assim dizer, um ser desaparecido de há muito do mundo dos vivos.
Sabemos de quantas precauções se cercam os experimentadores, para
não serem iludidos pêlos médiuns ou pelos seus próprios
sentidos. Apesar do número considerável das narrativas, a despeito
da autoridade dos sábios, que controlaram os fenômenos, indispensáveis
se tornaram testemunhos materiais da realidade deles, para que se desse crédito
a tão singulares relatos. Só depois das fotografias de Katie King
se formou a convicção de que os espectadores não tinham
sido vítimas de sugestões vígeis, convicção
que ainda mais se robusteceu quando, pelas moldagens, como as que obtiveram
os Srs. Reimers e Oxley, se fez certo que havia ali uma realidade esplêndida,
uma grandiosa evidência.
Surgiram então todas as teorias imaginadas para combater essa demonstração
que embaraçava os incrédulos. Já não podendo negar
os fatos, tentaram eles desacreditá-los, atribuindo-os ao desdobramento
do médium; a criações de seu cérebro objetivadas
diante dos espectadores; a intervenções de elementais ou elementares,
etc. Sabe-se, porém, quanto são inadmissíveis todas essas
hipóteses, e, assim, a convicção se impõe de que
a morte não é o fim do ser humano, mas um degrau da sua vida imperecível.
A conservação do perispírito após a morte faculta
se compreenda que a integridade da vida psíquica não se destrói,
apesar do desaparecimento do cérebro material que parecia indispensável
à sua manifestação.
Durante
a vida, o perispírito existe, sabemo-lo sem sombra de dúvida,
e desempenha papel notável na vida fisiológica e psíquica
do ser, pois, desde que ele sobrevive ao organismo, é que era absolutamente
diferente deste. O ser humano então nos aparece qual realmente é:
uma forma, pela qual passa a matéria. Quando se acha gasta a energia
que fazia funcionar essa máquina; quando, numa palavra, a força
vital se transformou completamente, a matéria fica sem poder mais incorporar-se,
o corpo físico se desagrega, seus elementos voltam à terra e a
alma, revestida sempre de sua forma espiritual, continua no espaço a
sua evolução sem-fim.
As materializações, suficientemente objetivadas para deixarem
traços materiais da sua realidade por meio de impressões e moldes,
mostraram que o perispírito é a forma ideal sobre que se constrói
o corpo físico. Ele contém todas as leis organogênicas do
ser humano e, se essas leis se encontram em estado latente no espaço,
subsistem, no entanto, prontas sempre a exercer a ação que lhes
é própria, desde que para isso se lhes forneça matéria
e essa forma da energia a que se dá o nome de força nervosa ou
vital. A existência desse corpo espiritual é conhecida de toda
a antiguidade; mas, apenas vagas e incompletas noções se possuíam
sobre a sua verdadeira natureza.
Não
temos a pretensão de afirmar que já se fez luz completa sobre
esse assunto; já principiamos, todavia, a estabelecer melhor os termos
do problema. As modernas descobertas da ciência permitem mesmo se acredite
que a sua solução está porventura mais próxima do
que geralmente se imagina. Procuramos mostrar que a existência de uma
substancialidade etérea não é incompatível com os
nossos conhecimentos atuais sobre a matéria e a energia. Cremos que essa
tentativa não parecerá demasiado temerária, pois que a
ciência positiva se encaminha para esse domínio do imponderável,
que inúmeras surpresas lhe reserva. Diremos, pois, com o Sr. Léonce
Ribert, que temos hoje nas mãos todos os elementos para a solução
do grande problema dos nossos destinos.
Depois dos luminosos trabalhos de Helmholtz, de Sir William Thomson (que se
tornou Lord Kelvin), de Crookes, de Cornu, sobre a constituição
da matéria ponderável e do imponderável éter; depois
dos de Kirkof e de Bunsen, de Lockyer, de Huggins, de Deslandes, sobre as revelações
do espectroscópio; dos de Faye, de Wolff e de Croll, sobre a constituição,
a marcha e o encontro dos gigantes celestes; aos de Claude Bernard, de Berthelot,
de Lewes, de Preyer, em Química orgânica e em Fisiologia; dos de
Pasteur sobre os infinitamente pequenos da vida; dos de Darwin e Wallace, sobre
a origem dos espécies; dos de seus discípulos e continuadores,
quais Huxley, na Inglaterra, Hceckel, na Alemanha, Ed. Perrier, na França;
dos de Broca e Ferrier, sobre as localizações cerebrais; dos de
Herbert Spencer, de Bain, de Ribot, em Psicologia; dos de Taine, sobre a inteligência;
dos de toda uma plêiade de sábios sobre a pré-história;
enfim, depois das grandes descobertas de Mayer, de Joule, de Hirn, sobre a conservação
da energia, podemos inteirar-nos, mais exatamente do que outrora, dos novos
fatos que as pesquisas contemporâneas revelam.
Quem não vê as relações que existem entre a sugestão
mental a distância e a telegrafia sem fio? Como não compreender
que a vista sem o concurso dos olhos já não é incompreensível,
após a descoberta dos raios X e quem não percebe as íntimas
analogias que o corpo perispirítico apresenta com a matéria ultra-radiante?
Sem dúvida, ainda são meras aproximações, mas a
estrada está toda traçada e a ciência de amanhã por
ela necessariamente enveredará, acompanhando os Crookes, os Wal-lace,
os Lodge, os Barrett, e os de Rochas, que levantaram o véu da grande
ísis.
Revelar-se-á então, em toda a sua grandeza, a lei evolutiva que
nos arrasta para destinos cada vez mais altos. Do mesmo modo que o planeta se
elevou lentamente da matéria bruta à vida organizada, para chegar
à inteligência humana, também compreenderemos que a nossa
passagem por este mundo mais não é do que um degrau da eterna
ascensão. Saberemos que somos chamados a desenvolver-nos sempre e que
o nosso planeta apenas representa uma etapa da senda infinita.
O
infinito e a eternidade são domínios nossos. Assim como certo
é que não se pode destruir a energia, também de certo uma
alma não pode aniquilar-se. Semeemos profusamente em todas as inteligências
estas consoladoras verdades que nos rasgam maravilhosos horizontes do futuro,
mostremos que existe para todos os seres uma igualdade absoluta de origem e
de destino e veremos efetuar-se a evolução espiritual e moral
que há de acarretar o advento da era augusta da regeneração
humana, pela prática da verdadeira fraternidade.
04 - A reencarnação na biblia - Herminio C. Miranda - pág. 35
Em
suma, a Bíblia "fala", sim, em reencarnação,
tanto quanto em bombardeiros nucleares feitos por velozes caças a jato.
E não é tão difícil assim identificar os textos
e abri-los com as chaves apropriadas — basta ter olhos de ver basta levantar
a letra e procurar o espírito que ela oculta. Para isso não é
necessário nem mesmo ser Doutor da Lei; ao contrário, Jesus certa
vez orou a Deus, agradecendo-lhe o haver o Pai escondido certas coisas aos sábios
e entendidos e as revelado aos pequeninos e humildes . . . Por isso disse também
que trazia luz aos cegos e cegueira aos que viam.
Parece haver, no mundo de hoje, um número crescente de "sábios
e entendidos", porque são multidão os que olham e não
enxergam.
Alias, documentos históricos como a Biblia, podem admitir reinterpretações
apoiadas em novos elementos informativos de absoluta confiança. Traduções
forçadas para permitirem a acomodação de idéias
pessoais de seus tradutores ou copistas têm sido comuns em todos os tempos
e em muitos idiomas. Prevendo isso e no firme propósito de preservar
a integridade e pureza do seu texto, João escreveu no Apocalipse (22:18-19):
— Eu testifico a todos os que ouvem as palavras da profecia deste livro:
se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará
as pragas escritas neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das
palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore
da vida e da cidade santa, que estão escritas neste livro. Paulo, a seu
turno, observou, não quanto às alterações textuais,
mas quanto às responsabilidades de cada pregador cristão, o cuidado
que deve pôr na interpretação do que lê. Ouçamo-lo
em 2 Cor. 3:5-6:
— ... a nossa capacidade vem de Deus, o qual também nos fez idôneos
ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito;
pois a letra mata, mas o espírito vivifica.
Em resumo: em textos históricos há espaço para interpretar
o que está escrito, mas não para acrescentar, subtrair, mutilar,
deformar e falsear. As responsabilidades do pregador estão muito bem
definidas e a advertência é claríssima: atenção
para o espírito, cuidado com a letra morta. Muito cuidado, também,
com a vaidosa erudição, que procura mais atentamente os meios
de exaltar-se do que a singela e direta abordagem dos simples. Nicodemos era
sábio e entendido e, no entanto, ignorava o sentido de importantíssimas
passagens bíblicas, enquanto aos apóstolos — rudes pescadores,
artesãos e trabalhadores braçais — a verdade se revelava
em toda a sua beleza.
O DECÁLOGO
As cinco obras básicas atribuídas à autoria de Moisés
representam as tónicas do pensamento religioso dos judeus. Uma parte
caracteriza-se como de origem nitidamente espiritual, conteúdo permanente
e de interesse geral, universal, transcendendo limitações de tempo
e espaço, raça e culto. A essência de tal pensamento está
sumarizada no Decálogo. Uma certa unanimidade existe em torno da considerável
importância desse documento. É ele a base, o ponto de partida,
a estrutura de todo o desenvolvimento posterior de uma ética para as
multidões que viriam a integrar a tradição judeu-cristã.
Quando
o Cristo dizia que não veio derrogar a lei e sim fazê-la cumprir,
é certo que se referia a esse conteúdo espiritual, intemporal
e universal do Decálogo. O restante da obra de Moisés é
desdobramento, detalhamento daquele código básico com a finalidade
de adaptá-lo ao que Kardec chama em O Evangelho Segundo o Espiritismo
de "costumes e (...) caráter do povo" hebreu. é como
se fossem a lei e a sua regulamentação.
Há, pois, no Pentateuco, um código permanente de ética
ao lado de uma legislação mais ou menos variável e adaptada
à época e aos hábitos bem como às crenças
específicas do povo hebreu. É indisputável a autoridade
do Decálogo. Reconhecendo isto, a própria Igreja Católica
resolveu-aceita-lo e incorporá-lo aos seus ensinamentos, exatamente por
entender que a sua moral é sólida e que seus preceitos estão
acima de posturas meramente sectárias.
Qualquer religião que se preze há de recomendar o que ali está exposto: o respeito a Deus, â verdade, aos pais, à vida e aos bens alheios. Um exame atento dos textos nos leva, não obstante, a admitir que o Decálogo não é um documento de amor e sim de comando. Não é sem razão, pois, que seja também conhecido como os "Dez Mandamentos". Mais claro ainda em inglês: "The Ten Com-mandments", o que dá, ao pé da letra — "Os Dez Comandos". O primeiro preceito não nos convida a amar a Deus — identifica-o e determina secamente: "Não tereis, diante de mim, outros deuses".
Aliás,
quase todo o Decálogo é vazado em forma negativo-imperativa: não
mates, não cometas adultério, não roubes, não prestes
falso testemunho, não desejes a mulher do próximo, não
cobices os bens alheios. Somente dois dos preceitos são escritos de forma
positiva — a santificação de um dia por semana e o respeito
aos pais, este último, mesmo assim, não tanto pôr amor,
mas para que se possa viver "longo tempo na Terra" que Deus daria
ao povo hebreu.
A doutrina do amor, mantido o respeito pelas determinações
do Decálogo, seria introduzida alguns séculos depois pelo Cristo.
Estas observações não têm o caráter de uma
crítica que, obviamente, nada retiraria do mérito incontestável
que todos reconhecem no Decálogo. O Mundo Espiritual sabe dosar bem os
ensinamentos que nos traz. A um povo rude, ainda turbulento e heterogêneo
como os hebreus nómades dos primeiros tempos, seria totalmente inócuo
um código que apenas fizesse apelo ao amor fraterno, à mansuetude,
à obediência consciente e voluntária.
Não
é com gestos amistosos e fraternos que conseguiremos convencer um tigre
a não nos devorar. é preciso, primeiro, domesticá-lo, levando-o,
pela energia e persuasão insistentes, a compreender a força do
amor, traduzida em bons tratos ao nfvel de sua inteligência primitiva.
Só então ele aceitará uma carícia na sua cabeçorra
sem abocanhar-nos a mão.
O Decálogo figura duas vezes no Pentateuco: em Êxodo 20:2-17 e
em Deuteronômio 5:6-18. Há variações substanciais
entre um texto e outro, mas não tão significativas que invalidem
as colocações nele contidas. Os exegetas do Antigo Testamento
acham que os textos, tal como hoje os conhecemos, resultam da expansão
posterior de uma versão original e primitiva bem mais sintética.
Não vamos entrar nestas minúcias, dado que, para os objetivos
deste trabalho, nosso interesse fica centrado no "Primeiro Mandamento",
cujo texto não sofreu variações de substância nas
duas versões conhecidas.
17 - Gêneses da alma - Cairbar Schutel - pág.
133
PROVA
DA EXISTÊNCIA DA ALMA PELA FOTOGRAFIA
O fato que levamos ao conhecimento dos internautas, escolhido entre muitos que
fazem parte dos Anais Espíritas, suscitou-nos a lembrança de mais
dois casos interessantes, obtidos com o auxílio da fotografia. Extraímos
a súmula do relato do primeiro, do livro Animismo e Espiritismo, de Aksakof;
e a do segundo, da interessante obra do Dr. Baraduc, L'Ame Humaine, sés
Moviments Lumières.
"O Sr. Humber, espiritualista muito conhecido, fotografava um jovem médium,
o sr. Herred, que dormia sobre uma cadeira em estado sonambúlico. Viu-se
sobre o retrato, por trás do médium, a imagem astral da sua própria
individualidade, isto é, do seu Espírito, que se conservava em
pé, quase em perfil, com a cabeça um pouco inclinada para o sonâmbulo".
O outro caso é o seguinte: "O Dr. Istrati, indo para Campana, disse
ao Sr. Tasdeu, de Bucarest, diretor da Instrução Pública
na Romênia, que apareceria numa data determinada em Bucarest, sobre uma
placa fotográfica do sábio romeno, numa distância, mais
ou menos, equivalente à de Paris a Calais. No dia 4 de agosto de 1893,
o Dr. Hasdeu evocou, ao deitar-se, o Espírito do seu amigo, tendo um
aparelho fotográfico aos pés da cama e outro à cabeceira.
Depois
de uma prece ao seu anjo protetor, o Dr. Istrati adormece em Campana, formando,
com toda a força da vontade, o propósito de aparecer no aparelho
do Dr. Hasdeu. Ao acordar, o Dr. Istrati exclamou: "Tenho-certeza de que
me manifestei na chapa fotográfica do Dr. Hasdeu, sob a forma de uma
figurinha, pois sonhei que assim sucedera e com a maior nitidez".
Ele escreveu ao Dr. P., que, com a carta na mão, foi encontrar o Dr.
Hasdeu, prestes a revelar a chapa. Transcrevo textualmente a carta do Dr Hasdeu
ao sr. R.: "Sobre a placa A vêem-se três ensaios, dos quais
um, o que marquei nas costas com uma cruz, saiu extremamente bom.
"Vê-se, nela, o doutor olhando atentamente o obturador do aparelho,
cuja extremidade em bronze é iluminada pela própria luz do Espírito.
"O Dr. Istrati, voltando para Bucarest, fica muito admirado ao ver o seu
perfil fisionômico; sua imagem fluídica é muito característica,
pelo fato de apresentar uma expressão mais exata que o perfil fotográfico.
A redução do retrato e a fotografia telepática são
muito semelhantes".
A fotografia do Espirito não pode deixar de constituir uma prova evidente
da existência da alma. proclamada até pela placa sensível!
PROVA DA IMORTALIDADE DA ALMA
Depois das portentosas manifestações dos Espíritos, verificadas
no mundo todo, e verificáveis a todos os momentos, sempre que se deliberar
investigá-las sem espírito preconcebido, ninguém mais tem
o direito de negar a Imortalidade, sem que se livre do qualificativo de ignorante,
ou pessoa de má fé.
As materializações, as moldagens, as fotografias, a voz direta,
a escrita direta e os fatos que se dão com o auxílio dos médiuns
aí estão para confirmarem a sobrevivência do Espírito:
Que outra explicação plausível se poderia dar desses fatos
maravilhosos? Qual a causa a que se podem atribuir esses fenômenos, todos
de natureza espiritual, inteligentes, e cujos efeitos denotam critério,
raciocínio, a execução de um plano sabiamente formulado,
a manifestação da vontade pela força que molda a matéria,
dando-lhe as formas precisas de funcionamento?
O critério sadio proclama os fatos espíritas como provas patentes
da Imortalidade! Abstemo-nos de transcrever fenômenos que enchem milhares
de grossos volumes da bibliografia do Espiritismo e do Psiquismo.
O grande livro está aberto a todos, bastando a cada indivíduo
voltar suas vistas para estes interessantes estudos, indispensáveis à
felicidade, porque é deles que nos vem a certeza do futuro, e é
com o seu auxílio que palmilharemos a estrada do dever, que nos foi aberta
pelo Amado Filho de Deus, para a posse da Vida Verdadeira, da Vida Eterna, na
qual não se conhece a morte!
19 - Lampadário espírita - Joanna de Ângelis
- pág.57
12. - Imortalidade
À noite sombria da morte sucede a madrugada clarificadora da vida espiritual.
Em toda a parte estua a vibração miraculosa e pulsante da vida
que não cessa. Morre a semente para surgir a planta vitoriosa. Decompõe-se
a matéria a fim de nutrir outras formas de vidas.
Gasta-se uma estrutura desta ou daquela natureza para ressurgir, mais além,
em manifestações novas e expressivas. A serenidade do cadáver
humano é enganosa e utópica. Além das células em
transformações incessantes, onde se locupletam vibriões,
o espírito desperta.
Nada nem ninguém. Morrer é somente mudar de estado. A paz das
necrópoles é pobreza dos sentidos dos que supõem contemplá-la.
A perda da indumentária física não confere prosperidade
espiritual nem conduz à ruína desesperadora, senão àqueles
que as elaboraram antes. Cada ser desperta consoante viveu vinculado ou liberto
das paixões. A morte pode ser considerada como o despir da aparência
e o despertar para a realidade. Ela não apaga o amor que prossegue em
cânticos afetuosos, imanando sentimentos que se alongam além das
fronteiras do corpo, nem interrompe o intercâmbio do ódio que expele
emanações mefíticas, alongando processos obsessivos de
longo e tormentoso curso.
Quantos
se acostumaram à beleza das emoções superiores escalam
os óbices da limitação e atingem excelsas regiões.
Aqueles, no entanto, que se fixaram nas paisagens grotescas da animalidade primitiva,
acordam envoltos nas paixões que conduziram ao decesso carnal, mais vorazes,
mais infelizes, mais atormentados. Não há milagre ante a morte...
Não procures os que partiram para a Imortalidade, em dias a eles consagrados,
nas tumbas onde se diluíram as impressões da forma, pois
que lá não estão.
Evita visitá-los nos campos dos despojos carnais, considerando que lá
não os encontrarás. Se foram amorosos e bons, libram acima das
conjunturas imediatistas, visitam-te, intercambiam o amor e trabalham, vitoriosos,
esperando por ti. Se viveram descuidados, entorpecidos pelo ópio do prazer,
dormem o longo sono da consciência aparvalhada, experimentando pesadelos
e agonias de difícil tradução para o teu entendimento.
Se jornadearam adstritos à impiedade e atados ao erro deste ou daquele teor, sofrem e fazem sofrer, procurando, no próprio lar ou em outras mentes de fora do ninho doméstico, com as quais se afinam, intercâmbio inquietante e enfermiço.Seja qual for o roteiro por onde transitaram aqueles teus afetos, agora além da carne, ora por eles, pensa neles com bondade e amor.
Transforma
as moedas que iriam adquirir flores e luzes frágeis demais para os atingirem
— logo mais fanadas e mortas, bruxuleantes e sem lume — em leite
e pães para débeis criancinhas esquálidas, em caldo quente
e reconfortante para velhinhos esquecidos nas sombras espessas da miséria,
em medicamento refazente para enfermos em agonias e dores tormentosas, em agasalhos
para corpos em absoluta nudez, em oportunidade de trabalho para pais de família
ao desemprego e desassossegados, em meios honrosos para todos aqueles que seguem
pelo teu caminho, como homenagem a eles, os teus mortos queridos, que vivem
e te bendirão o amor.
O que fizeres em memória deles se transformará em lenitivo às
suas aflições, atestado inequívoco de afeição
que não passará despercebido por eles. Desobstrui gavetas e armários
e passa adiante o que conservas como lembrança deles, fazendo-os apegados
a esses valores realmente mortos... Teus mortos vivem! Respeita-os, homenageando-os
através da bênção da caridade dirigida a outros.
Enquanto a saudade macerava os corações atemorizados dos discípulos,
após os sucessos da tarde trágica de Jerusalém, e a inquietação
os sobressaltavam pela madrugada do domingo, mulheres piedosas, entre as quais
uma ex-cortesã, acorreram ao sepulcro aberto na rocha, para visitar o
inumado querido, encontrando, porém, a sepultura violada e vazia. Procurando
informar-se do que sucedera, a joven de Magdala defrontou-O nimbado de safirina
e radiosa luz, enquanto Ele, sorrindo, saúda-a jubiloso: - "Maria!".
Diante dos entes queridos, mortos, recorda Maria de Magdala aflita e Jesus triunfante
depois da morte, retornando em incomparável manifestação
de imortalidade gloriosa, vencedor das sombras e das dores.