INDIVIDUALIDADE |
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BIBLIOGRAFIA |
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| 01- A educação segundo o Espiritismo - pág. 23 | 02 - A evolução Anímica - pág. 149 |
| 03 - A mediunidade sem lágrimas - pág. 84 | 04 - Antologia do perispírito - pág. 679, 723, 891 |
| 05 - Caminho Verdade e Vida - pág. 115 | 06 - Coragem - pág. 107 |
| 07 - Críticas e Refl.em torno da M.Espírita - pág. 25 | 08 - O Livro dos Espíritos - q 150 |
| 09 - O ser e a serenidade - pág. 16 | 10 - Pérolas do Além - pág. 121 |
| 11 - Roteiro - pág. 67, 139 | 12 - Vinhas de luz - pág. 15 |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
INDIVIDUALIDADE – COMPILAÇÃO
02 - A EVOLUÇÃO ANÍMICA- GABRIEL DELLANE - PÁG. 149 - Os aspectos múltiplos da individualidade
A psicologia fisiológica, aquela que estuda o corpo humano como condição essencial, e mesmo, no seu conceito, primordial, das manifestações intelectuais, rejeitou por inteiro as antigas concepções filosóficas acerca da personalidade e das faculdades da alma. Segundo a nova doutrina, o eu não passa de simples unidade, formado por coordenação de elementos, cada qual com a sua vida peculiar, o que vale por dizer que é a associação do senso da existência com a memória, com as percepções, com as sensações, com as idéias, etc., o que engendra um resultado momentâneo, ao qual atribuímos uma unidade factícia, mas que não passa de ilusão do senso íntimo, porque na realidade não existe.
Eis o que a respeito diz Ribot: "A unidade do eu, no sentido psicológico
do vocábulo, é a coesão, por dado tempo, de um certo número
de estados conscienciais claros, acompanhados de outros menos claros, e de uma
multidão de estados fisiológicos que, sem se acompanharem da consciência,
qual seus congêneres, atuam tanto quanto eles. Unidade quer dizer coordenação."
Esta afirmativa, em nada aberrante das do materialismo, será verdadeira?
Dar-se-á, realmente, que o nosso eu não tenha existência
distinta? Claro que a prova experimental do Espiritismo fecha a questão,
de vez que a morte não destrói o Espirito, que do corpo não
deriva. Mas, então, de onde provêm o erro? Exatas as experiências
que demonstram a dualidade e mesmo a multiplicidade do eu pensante, elas são,
a nosso ver, mal interpretadas pelos observadores, que tiraram — como
tantas vezes sucede — deduções falsas de fenômenos
reais.
A fim de torná-la mais compreensível, vamos expor sucintamente
a questão. Estudaremos o que se tem impropriamente chamado desdobramentos
da personalidade, nos casos que se apresentam naturalmente; depois, os provocados
por manobras hipnóticas, e, assim, poderemos verificar que a individualidade
é una, embora revestindo aspectos diferentes; que é proteiforme,
posto que substancialmente idêntica, ainda quando nela pareçam
coexistir diversas personalidades. Sobretudo, é preciso não perder
de vista que a manifestação do Espírito encarnado liga-se
rigorosamente ao estado físico do corpo material, e que qualquer alteração
ou mudança neste resulta em perversão e falseamento do mecanismo
intelectual. Outra razão incita-nos a estudar particularmente o assunto,
qual a de haverem procurado nestes fenômenos uma arma contra a realidade
de umas tantas manifestações espíritas.
Quando se estuda o Espiritismo, verifica-se, às vezes, que alguns médiuns
adormecem espontaneamente e entram a falar. Notou-se que essas elocuções
não tinham, as mais das vezes, qualquer relação com as
idéias do médium no seu estado normal, e que o novo ser, que dessarte
testemunhava a sua presença, dava pormenores, relatava episódios
que o médium em absoluto não conhecia. Por vezes, a nova
individualidade exprimia-se em idioma estrangeiro, de que o médium
não tinha a minima noção. Neste caso, dizem os espíritas,
trata-se de pessoa que viveu na Terra que se apodera do organismo do médium,
e dele se utiliza para comunicar-se. A esse fenômeno denominaram —
encarnação.
Temos descrito e comentado esse fenômeno em livro anterior, e não
cabe aqui reincidir; mas, esses diversos aspectos da personalidade permitem-nos
estudar experimentalmente a memória, o que tem para nós grande
valor. Por bem compreender os fatos seguintes, importa não esquecer que,
para tornar-se consciente um fenômeno, ou seja, para que o espírito
o perceba, duas condições impõem-se como indispensáveis:
— intensidade e duração. Para experimentarmos uma sensação,
importa tenha a causa excitante um certo grau de energia, um mínimo de
intensidade variável, necessariamente, conforme a delicadeza dos órgãos
sensoriais de cada um; mas, não há concluir daí que, em
não ser percebida, a sensação se perca. Seria um grave
erro o supô-lo, porque, sem embargo, ela registra-se no perispírito,
em estado de inconsciência.
Assim, também, a durabilidade da excitação torna-se condicional
indispensável à percepção. Toda ação
sensorial que não tem o mínimo de durabilidade não desperta
a consciência, mas se grava no perispírito, e possível será
encontrar-lhe o vestígio, mediante uns tantos processos. Em suma: intensidade
e duração são funções que variam com o estado
de sensibilidade individual. Se a criatura tem o organismo muito delicado, muito
sensível, a sensação será mui rapidamente percebida,
o que vale por dizer — curtíssimo o tempo de reação.
Se, ao invés, se tratar de um organismo grosseiro, a percepção
será mais lenta, a ação demandará mais tempo, e
mesmo — qual se dá com os histéricos e anestesiados —
a sensação não será percebida, absolutamente, pelo
membro lesado, registrando-se, embora, no perispírito.
Pode, também, ocorrer que, no estado normal, não tenhamos consciência
de todas as sensações corporais, como, por exemplo, quando temos
o espírito absorvido, concentrado numa idéia. Se o espírito
estiver grandemente preocupado com assuntos absorventes, com trabalhos mentais
muito abstratos, ou ainda sob a impressão de um desgosto profundo, ipso
jacto, perturbadas as relações normais da alma com o corpo,
deixa de existir a consciência das sensações exteriores,
mas, nem por isso o cérebro deixará de reter a impressão
e apossar-se da modificação sobrevinda. A fase psíquica,
ou consciente, não vinga existência; mas, a etapa fisiológica,
que é fundamental, subsiste. Não será, pois, de admirar
que encontremos indícios desse trabalho cerebral, que não logrou
atingir primordialmente a consciência. Mas, para isso, diga-se, é
preciso que haja um abalo orgânico, um eretismo particular do sistema
nervoso, que reponha o indivíduo no estado em que ele se encontrava quando
se registrou a sensação inconsciente.(...)
06 - CORAGEM - ESPÍRITOS DIVERSOS - ÍTEM 34 - PÁG. 107 - NO DOMÍNIO DAS PROVAS
Imaginemos um pai que, a pretexto de amor, decidisse furtar um filho querido de toda a relação com os reveses do mundo. Semelhante rebento de tal devoção afetiva seria mantido em sistema de exceção. Para evitar acidentes climáticos inevitáveis, descansaria exclusivamente na estufa, durante a fase de berço e, posto a cavaleiro de perigos e vicissitudes, mal terminada a infância, encerrar-se-ia numa cidadela inexpugnável, onde somente prevalecesse a ternura paterna, a empolgá-lo de mimos. Não frequentaria qualquer educandário, a fim de não aturar professores austeros ou sofrer a influência de colegas que não lhe respirassem o mesmo nível; alfabetizado, assim, no reduto doméstico, apreciaria unicamente os assuntos e heróis de ficção que o genitor lhe escolhesse.
Isolar-se-ia de todo contato humano para não arrostar problemas e desconheceria
todo o noticiário ambiente para não recolher informações
que lhe desfigurassem a suavidade da vida interior. Candura inviolável
e ignorância completa. Santa inocência e inaptidão absoluta.
Chega, porém, o dia em que o progenitor, naturalmente vinculado a interesses
outros, se ausenta compulsoriamente do lar e, tangido pela necessidade, o moço
é obrigado a entrar na corrente da vida comum. Homem feito, sofre o conflito
da readaptação, que lhe rasga a carne e a alma, para que se lhe
recupere o tempo perdido e o filho acaba enxergando insânia e crueldade
onde o pai supunha cultivar preservação e carinho. A imagem ilustra
claramente a necessidade da encarnação e da reencarnação
do espírito nos mundos inumeráveis da imensidade cósmica,
de maneira a que se lhe apurem as qualidades e se lhe institua a responsabilidade
na consciência.
Dificuldades e lutas semelham materiais didáticos na escola ou andaimes
na construção; amealhada a cultura ou levantado o edifício,
desaparecem uns e outros. Abençoemos, pois, as disciplinas e as provas
com que a Infinita Sabedoria nos acrisolam as forças, enrijando-nos o
caráter. Ingenuidade é predicado encantador na personalidade,
mas se o trabalho não a transfigura em tesouro de experiência,
laboriosamente adquirido, não passará de flor preciosa a confundir-se
no pó da terra, ao primeiro golpe de vento.
08 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - QUESTÃO 150...
Perg.
150. A alma conserva a sua individualidade após a morte? - Sim, não
a perde jamais. O que seria ela, se não a conservasse?
Perg. 150a. Como a alma constata a sua individualidade, se não tem mais
o corpo material? - Tem um fluido que lhe é próprio, que tira
da atmosfera do seu planeta e que representa a aparência da sua última
encarnação: seu perispírito.
Perg. 151. Que pensar da opinião de que a alma, após a morte,
retorna ao todo universal? - O conjunto dos Espíritos não constitui
um todo? Quando estás numa assembléia, fazes parte integrante
da mesma, e não obstante conservas a tua individualidade.
Perg. 152. Que prova podemos ter da individualidade da alma após a morte?
- Não tendes esta prova pelas comunicações que obtendes?
Se não estiverdes cegos, vereis; e se não estiverdes surdos, ouvireis;
pois frequentemente uma voz vos fala e vos revela a existência de um ser
que está ao vosso redor. Os que pensam que a alma, com a morte, volta
ao todo universal estarão errados, se por isso entendem que ela perde
a sua individualidade como uma gota d'água que caísse no oceano.
Estarão certos, entretanto, se entenderem pelo todo universal o conjunto
dos seres incorpóreos de que cada alma ou Espírito é um
elemento.
Se as almas se confundissem no todo, não teriam senão as qualidades
do conjunto, e nada as distinguiria entre si; não teriam inteligência
nem qualidades próprias. Entretanto, em todas as comunicações
elas revelam a consciência do eu e uma vontade distinta. A diversidade
infinita que apresentam, sob todos os aspectos, é a consequência
da sua individualização. Se não houvesse, após a
morte, senão o que se chama o Grande Todo, absorvendo todas as individualidades,
esse todo seria homogêneo, e então as comunicações
recebidas do mundo invisível seriam todas idênticas. Desde que
encontramos seres bons e maus, sábios e ignorantes, felizes e desgraçados,
desde que há de todos os caracteres: alegres e tristes, levianos e sérios,
etc., é evidente que se trata de seres distintos.
A individualização ainda se evidencia quando estes seres provam
a sua identidade por meio de sinais incontestáveis, de detalhes pessoais
relativos à vida terrena, e que podem ser constatados; ela não
pode ser posta em dúvida quando eles se manifestam por meio das aparições.
A individualidade da alma foi teoricamente ensinada como um artigo de fé,
mas o Espiritismo a torna patente e, de certa maneira, material.
11- ROTEIRO - EMMANUEL - ÍTEM 15 - EVANGELHO E INDIVIDUALIDADE - PÁG. 67
Efetivamente, as massas acompanhavam o Cristo, de perto, no entanto não vemos no Mestre a personificação do agitador comum. Em todos os climas políticos, as escolas religiosas, aproximando-se da legalidade humana, de alguma sorte partilham da governança, estabelecendo regras espirituais com que adquirem poder sobre a multidão. Jesus, porém, não transforma o espírito coletivo em terreno explorável. Proclamando as bem-aventuranças à turba no monte, não a conduz para a violência, a fim de assaltar o celeiro dos outros. Multiplica, Ele mesmo, o pão que a reconforte e alimente. Não convida o povo a reivindicações. Aconselha respeito aos patrimônios da direção política, na sábia fórmula com que recomendava seja dado "a César o que é de César". Muitos estudiosos do Cristianismo pretendem identificar no Mestre Divino a personalidade do revolucionário, instigando os seus contemporâneos à rebelião e à discórdia; entretanto, em nenhuma passagem do seu ministério encontramos qualquer testemunho de indisciplina ou desespero, diante da ordem constituída. Socorreu a turba sofredora e consolou-a; não se mostrou interessado em libertar a comunidade das criaturas, cuja evolução, até hoje, ainda exige lutas acerbas e provações incessantes, mas ajudou o Homem a libertar-se.
Ao apóstolo exclama — "vem e segue-me." À pecadora
exorta — "vai e não peques mais." Ao paralítico
fala, bondoso — "ergue-te e anda." À mulher sirofenícia
diz, convincente — "a tua fé te curou." Por toda parte,
vemo-lo interessado em levantar o espírito, buscando erigir o templo
da responsabilidade em cada consciência e o altar dos serviços
aos semelhantes em cada coração. Demonstrando as preocupações
que o tomavam, perante a renovação do mundo individual, não
se contentou em sentar-se no trono diretivo, em que os generais e os legisladores
costumam ditar determinações... Desceu, Ele próprio, ao
seio do povo e entendeu-se pessoalmente com os velhos e os enfermos, com as
mulheres e as crianças. Entreteve-se em dilatadas conversações
com as criaturas transviadas e reconhecidamente infelizes. Usa a bondade fraternal
para com Madalena, a obsidiada, quanto emprega a gentileza no trato com Zaqueu,
o rico. Reconhecendo que a tirania e a dor deveriam permanecer, ainda, por largo
tempo, na Terra, na condição de males necessários à
retificação das inteligências, o Benfeitor Celeste foi,
acima de tudo, o orientador da transformação individual o único
movimento de liberação do espírito, com bases no esforço
próprio e na renúncia ao próprio "eu". Para isso,
lutou, amou, serviu e sofreu até à cruz, confirmando, com o próprio
sacrifício, a sua Doutrina de revolução interior, quando
disse: "e aquele que deseje fazer-se o maior no Reino do Céu, seja
no mundo o servidor de todos."
ÍTEM 33 - INDIVIDUALISMO - PÁG. 139: Em CONTACTO com os ideais da Revelação Nova, o homem, sentindo dilatar-se-lhe naturalmente a visão, começa a perceber, com mais amplitude, os problemas que o cercam. Aguça-se-lhe a sensibilidade, intensifica-se-lhe a capacidade de amar. Converte-se-lhe o coração em profundo estuário espiritual, em que todas as dores humanas encontram eco. Por isso mesmo, acentuam-se-lhe os sofrimentos, de vez que as suas aspirações não surpreendem qualquer sintonia nos planos inferiores em que ainda respira. Desejaria o aprendiz acompanhar-se por todos aqueles que ama, na caminhada para a vida superior, entretanto, à medida que se adianta em conhecimentos e se sutiliza em sensações, reconhece quase sempre que os amados se fazem dele mais distantes. Aqui, é a companheira que persevera em rumo diferente, além, é o coração paternal que, por afetividade mal dirigida, dificulta a ascensão para a luz... Ontem, era um filho a golpear-lhe as fibras mais íntimas; hoje, é um amigo que deserta...
Se o discípulo não se rende à perturbação
e ao desânimo, gradativamente começa a compreender que está
sozinho, em si mesmo, para aprender e ajudar, entendendo, outrossim, que na
boa-vontade e no sacrifício adquire valores eternos para si próprio.
Quanto mais cede a favor de todos, mais é compensado pela Lei Divina
que o enriquece de força e alegria no grande silêncio. Na
marcha diária, chega à conclusão de que o individualismo
ajustado aos princípios inelutáveis do bem é a base do
engrandecimento da coletividade. Reconhece que o espírito foi
criado para viver em comunhão com os semelhantes, que é a unidade
de um todo em processo de aperfeiçoamento e que não pode fugir,
sem dano, à cooperação, mas, à maneira da árvore
no reino vegetal, precisa crescer e auxiliar com eficiência para garantir
a estabilidade do campo e fazer-se respeitável.
Ninguém vive só, mas chega sempre um momento para a alma em que
é imprescindível saber lutar em solidão para viver bem.
Para valorizar o celeiro e enriquecer a mesa, a semente descansa entre milhões
de outras que com ela se identificam; todavia, quando chamada a produzir com
a vida para o conforto geral, deve aprender a estar isolada no seio frio da
terra, desvencilhando-se dos envoltórios inferiores, como se estivesse
reduzida a lodo e morte, a fim de estender novos ramos e elevar-se para o Sol.
Sem o indivíduo forte e sábio, a multidão agitar-se-á
sempre entre a ignorância e a miséria. Esforço e melhoria
da unidade, para o progresso e sublimação do todo, é uma
lei. A navegação a vapor, atualmente, é patrimônio
geral, mas devemo-la ao trabalho de Fulton. A imprensa de hoje é força
direcional de primeira ordem, contudo, não podemos olvidar o devotamento
de Gutenberg, que lhe amparou os passos iniciantes. A luz elétrica, nos
dias que passam, é questão resolvida, no entanto, a Edison coube
a honra de sofrer para que semelhante bênção desintegrasse
as noites do mundo.
A locomotiva, agora, é máquina vulgar, mas no princípio
dela temos a dedicação de Stephenson. Na Terra, surgira Newton,
invariável, à frente de todos os conhecimentos alusivos à
gravitação universal e o nome de Marconi jamais será apagado
na base das comunicações sem fio. Cada flor irradia pefume característico.
Cada estrela possui brilho próprio. Cada um de nós é portador
de determinada missão. O Espiritismo, confirmando o Evangelho, vem amparar
os homens e convidar o homem a aprimorar-se e engrandecer-se, consoante a sabedoria
da Lei que determina: "a cada um, segundo as suas
obras".
12 - VINHAS DE LUZ - EMMANUEL - ÍTEM 2 - VÊ COMO VIVES
"E
chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: negociai até
que eu venha." — Jesus. (lucas, 19:13.)
Com a precisa madureza do raciocínio, compreenderá o homem que
toda a sua existência é um grande conjunto de negócios espirituais
e que a vida, em si, não passa de ato religioso permanente, com vistas
aos deveres divinos que nos prendem a Deus. Por enquanto, o mundo apenas exige
testemunhos de fé das pessoas indicadas por detentoras de mandato essencialmente
religioso. Os católicos romanos rodeiam de exigências os sacerdotes,
desvirtuando-lhes o apostolado. Os protestantes, na maioria, atribuem aos ministros
evangélicos as obrigações mais completas do culto. Os espiritistas
reclamam de doutrinadores e médiuns as supremas demonstrações
de caridade e pureza, como se a luz e a verdade da Nova Revelação
pudessem constituir exclusivo patrimônio de alguns cérebros falíveis.
Urge considerar, porém, que o testemunho cristão, no campo transitório
da luta humana, é dever de todos os homens, indistintamente. Cada criatura
foi chamada pela Providência a determinado setor de trabalhos espirituais
na Terra.
O comerciante está em negócios de suprimento e de fraternidade.
O administrador permanece em negócios de orientação, distribuição
e responsabilidade. O servidor foi trazido a negócios de obediência
e edificação. As mães e os pais terrestres foram convocados
a negócios de renúncia, exemplificação e devotamento.
O carpinteiro está fabricando colunas para o templo vivo do lar. O cientista
vive fornecendo equações de progresso que melhorem o bem-estar
do mundo. O cozinheiro trabalha para alimentar o operário e o sábio.
Todos os homens vivem na Obra de Deus, valendo-se dela para alcançarem,
um dia, a grandeza divina. Usufrutuários de patrimônios que pertencem
ao Pai, encontram-se no campo das oportunidades presentes, negociando com os
valores do Senhor. Em razão desta verdade, meu amigo, vê o que
fazes e não te esqueças de subordinar teus desejos a Deus, nos
negócios que por algum tempo te forem confiados no mundo.