INFELICIDADE |
|
BIBLIOGRAFIA |
|
| 01- Luz da esperança - pág. 37 | 02 - O céu e o inferno - 2ª. parte, cap. 4 |
| 03 - O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. 5, 24 | 04 - O Livro dos Espíritos - questão 920 |
| 05 - Repositório de sabedoria - pág. 22 | |
LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.
INFELICIDADE – COMPILAÇÃO
02 - O CÉU E O INFERNO - ALLAN KARDEC - 2ª.PARTE, CAP. 4- PÁG. 263
O castigo: Exposição geral do estado dos culpados por ocasião da entrada no mundo dos Espíritos, ditada à Sociedade Espírita de Paris, em outubro de 1860. "Depois da morte, os Espíritos endurecidos, egoístas e maus são logo presas de uma dúvida cruel a respeito do seu destino, no presente e no futuro. Olham em torno de si e nada vêem que possa aproveitar ao exercício da sua maldade — o que os desespera, visto como o insulamento e a inércia são intoleráveis aos maus Espíritos. Não elevam o olhar às moradas dos Espíritos elevados, consideram o que os cerca e, então, compreendendo o abatimento dos Espíritos fracos e punidos, se agarrarão a eles como a uma presa, utilizando-se da lembrança de suas faltas passadas, que eles põem continuamente em ação pelos seus gestos ridículos. Não lhes bastando esse motejo, atiram-se para a Terra quais abutres famintos, procurando entre os homens uma alma que lhes dê fácil acesso às tentações. Encontrando-a, dela se apoderam exaltando-lhe a cobiça e procurando extinguir-lhe a fé em Deus, até que por fim, senhores de uma consciência e vendo segura a presa, estendem a tudo quanto se lhe aproxime a fatalidade do seu contágio. O mau Espírito, no exercício da sua cólera, é quase feliz, sofrendo apenas nos momentos em que deixa de atuar, ou nos casos em que o bem triunfa do mal.
Passam no entanto os séculos, e, de repente, o mau Espírito pressente que as trevas acabarão por envolvê-lo; o círculo de ação se lhe restringe e a consciência, muda até então, faz-lhe sentir os acerados espinhos do remorso. Inerte, arrastado no turbilhão, ele vagueia, como dizem as Escrituras, sentindo a pele arrepiar-se-lhe de terror. Não tarda, então, que um grande vácuo se faça nele e em torno dele: chega o momento em que deve expiar; a reencarnação aí está ameaçadora... e ele vê como num espelho as provações terríveis que o aguardam; quereria recuar, mas avança e, precipitado no abismo da vida, rola em sobressalto, até que o véu da ignorância lhe recaia sobre os olhos. Vive, age, é ainda culpado, sentindo em si não sei que lembrança inquieta, pressentimentos que o fazem tremer, sem recuar, porém, da senda do mal. Por fim, extenuado de forças e de crimes, vai morrer.
Estendido
numa enxerga (ou num leito, que importa?!), o homem culpado sente, sob aparente
imobilidade, revolver-se e viver dentro de si mesmo um mundo de esquecidas sensações.
Fechadas as pupilas, ele vê um clarão que desponta, ouve estranhos
sons; a alma, prestes a deixar o corpo, agita-se impaciente, enquanto as mãos
crispadas tentam agarrar as cobertas... Quereria falar, gritar aos que o cercam:
— Retenham-me! eu vejo o castigo! — Impossível! a morte sela-lhe
os lábios esmaecidos, enquanto os assistentes dizem: Descansa em paz!
E contudo ele ouve, flutuando em torno do corpo que não deseja abandonar.
Uma força misteriosa o atrai; vê, e reconhece finalmente o que
já vira. Espavorido, ei-lo que se lança no Espaço onde
desejaria ocultar-se, e nada de abrigo, nada de repouso. Retribuem-lhe outros
Espíritos o mal que fez; castigado, confuso e escarnecido, por sua vez
vagueia e vagueará até que a divina luz o penetre e esclareça,
mostrando-lhe o Deus vingador, o Deus triunfante de todo o mal, e ao qual não
poderá apaziguar senão à força de expiação
e gemidos. Georges."
Nunca se traçou quadro mais terrível e verdadeiro à sorte
do mau; será ainda necessária a fantasmagoria das chamas e das
torturas físicas? - NOVEL - O Espírito dirige-se ao médium,
que em vida o conhecera.
"Vou contar-te o meu sofrimento quando morri. Meu Espírito, preso
ao corpo por elos materiais, teve grande dificuldade em desembaraçar-se
— o que já foi, por si, uma rude angústia. A vida que eu
deixava aos 21 anos era ainda tão vigorosa que eu não podia crer
na sua perda. Por isso procurava o corpo, estava admirado, apavorado por me
ver perdido num turbilhão de sombras. Por fim, a consciência do
meu estado e a revelação das faltas cometidas, em todas as minhas
encarnações, feriram-me subitamente, enquanto uma luz implacável
me iluminava os mais secretos âmagos da alma, que se sentia desnudada
e logo possuída de vergonha acabrunhante. Procurava fugir a essa influência
interessando-me pelos objetos que me cercavam, novos, mas que, no entanto, já
conhecia; os Espíritos luminosos, flutuando no éter, davam-me
a idéia de uma ventura a que eu não podia aspirar; formas sombrias
e desoladas, mergulhadas umas em tedioso desespero; furiosas ou irônicas
outras, deslizavam em torno de mim ou por sobre a terra a que me chumbava.
Eu
via agitarem-se os humanos cuja ignorância invejava; toda uma ordem de
sensações desconhecidas, ou antes reencontradas, invadiram-me
simultaneamente. Como que arrastado por força irresistível, procurando
fugir à dor encarniçada, franqueava as distâncias, os elementos,
os obstáculos materiais, sem que as belezas naturais nem os esplendores
celestes pudessem calmar um instante a dor acerba da consciência, nem
o pavor causado pela revelação da eternidade. Pode um mortal prejulgar
as torturas materiais pelos arrepios da carne; mas as vossas frágeis
dores, amenizadas pela esperança, atenuadas por distrações
ou mortas pelo esquecimento, não vos darão nunca a idéia
das angústias de uma alma que sofre sem tréguas, sem esperança,
sem arrependimento. Decorrido um tempo cuja duração não
posso precisar, invejando os eleitos cujos esplendores entrevia, detestando
os maus Espíritos que me perseguiam com remoques, desprezando os humanos
cujas torpezas eu via, passei de profundo abatimento a uma revolta insensata.
Chamaste-me finalmente, e pela primeira vez um sentimento suave e terno me acalmou;
escutei os ensinos que te dão os teus guias, a verdade impôs-se-me,
orei; Deus ouviu-me, revelou-se-me por sua Clemência, como já se
me havia revelado por sua Justiça. - Nwel."
AUGUSTE MICHEL - (Havre, março de 1863) - Era um moço rico, boêmio,
gozando larga e exclusivamente a vida material. Conquanto inteligente, o indiferentismo
pelas coisas sérias era-lhe o traço característico. Sem
maldade, antes bom que mau, fazia-se estimar por seus companheiros de pândegas,
sendo apontado na sociedade por suas qualidades de homem mundano. Não
fez o bem, mas também não fez o mal. Faleceu em consequência
de uma queda da carruagem em que passeava. Evocado alguns dias depois da morte
por um médium que indiretamente o conhecia, deu sucessivamente as seguintes
comunicações: 8 de março de 1863. — "Por enquanto
apenas consegui desprender-me e dificilmente vos posso falar. A queda que me
ocasionou a morte do corpo perturbou profundamente o meu Espírito. "Inquieta-me
esta incerteza cruel do meu futuro. O doloroso sofrimento corporal experimentado
nada é comparativamente a esta perturbação. Orai para que
Deus me perdoe. "Oh! que dor! oh! graças, meu Deus! que dor! Adeus."
18 de março. — "Já vim a vós, mas apenas pude
falar dificilmente. Presentemente, ainda mal me posso comunicar convosco. Sois
o único médium, ao qual posso pedir preces para que a bondade
de Deus me subtraia a esta perturbação. Por que sofrer ainda,
quando o corpo não mais sofre? Por que existir sempre esta dor horrenda,
esta angústia terrível? Orai, oh! orai para que Deus me conceda
repouso... Oh! que cruel incerteza! Ainda estou ligado ao corpo. Apenas com
dificuldade posso ver onde devo encontrar-me; meu corpo lá está,
e por que também lá permaneço sempre? Vinde orar sobre
ele para que eu me desembarace dessa prisão cruel... Deus me perdoará,
espero. Vejo os Espíritos que estão junto de vós e por
eles posso falar-vos. Orai por mim."
6 de abril. — "Sou eu quem vem pedir que oreis por mim. "Será
preciso irdes ao lugar em que jaz meu corpo, a fim de implorar do Onipotente
que me acalme os sofrimentos? "Sofro! oh! se sofro! Ide a esse lugar —
assim é preciso — e dirigi ao Senhor uma prece para que me perdoe.
"Vejo que poderei ficar mais tranquilo, mas volto incessantemente ao lugar
em que depositaram o que me pertencia."
O médium, não dando importância ao pedido que lhe faziam
de orar sobre o túmulo, deixara de atender. Todavia, indo aí,
mais tarde, lá mesmo recebeu uma comunicação. (...)
03 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC - CAP. V - ÍTEM 24 - A VERDADEIRA DESGRAÇA
Todos
falam de desgraça, todos a experimentam e julgam conhecer o seu caráter
múltiplo. Venho dizer-vos, porém, que quase todos se enganam,
pois a verdadeira desgraça não é, de maneira alguma, aquilo
que os homens, ou seja, os desgraçados supõem. Eles a vêem
na miséria, na lareira sem fogo, no credor impaciente, no berço
vazio do anjo que antes sorria, nas lágrimas, no féretro que se
acompanha de cabeça descoberta e coração partido, na angústia
da traição, na privação do orgulhoso que desejava
vestir-se de púrpura e esconde sua nudez nos farrapos da vaidade. Tudo
isso, e muitas outras coisas ainda, chama-se desgraça, na linguagem humana.
Sim, realmente é a desgraça, para aqueles que nada vêem,
além do presente. Mas a verdadeira desgraça está mais nas
consequências de uma coisa, do que na própria coisa.
Dizei-me se o mais feliz acontecimento do momento, que traz funestas consequências,
não é, na realidade, mais desgraçado que aquele inicialmente
aborrecido, que acaba por produzir o bem? Dizei-me se a tempestade, que despedaça
as árvores, mas purifica a atmosfera, dissipando os miasmas insalubres
que poderiam causar a morte, não é antes uma felicidade que uma
desgraça? Para julgar uma coisa, é necessário, portanto,
ver-lhe as consequências, e assim que, para julgar o que é realmente
feliz ou desgraçado para o homem, é necessário transportar-se
para além desta vida, porque é lá que as consequências
se manifestam. Ora, tudo aquilo que ele chama desgraça, de acordo com
a sua curta visão, cessa com a vida e tem sua compensação
na vida futura.
Vou revelar-vos a desgraça sob uma nova forma, sob a forma bela e florida
que acolheis e desejais, com todas as forças de vossas almas iludidas.
A desgraça é a alegria, o prazer, a fama, a fútil inquietação,
a louca satisfação da vaidade, que asfixiam a consciência,
oprimem o pensamento, confundem o homem quanto ao seu futuro. A desgraça,
enfim, é o ópio do esquecimento, que buscais com o mais ardente
desejo. Tende esperanças, vós que chorais! Tremei, vós
que rides, porque tendes o corpo satisfeito! Não se pode enganar a Deus;
ninguém escapa ao destino. As provas, credoras mais impiedosas que a
malta que nos acossa na miséria, espreitam o vosso repouso ilusório,
para vos mergulhar de súbito na agonia da verdadeira desgraça,
daquela que surpreende a alma enlanguescida pela indiferença e pelo egoísmo.
Que o Espiritismo vos esclareça, portanto, e restabeleça sob a
verdadeira luz a verdade e o erro, tão estranhamente desfigurados pela
vossa cegueira. Então, agireis como bravos soldados que, longe de fugirem
ao perigo, preferem a luta nos combates arriscados, à paz que não
oferece nem glória nem progresso. Que importa ao soldado perder as armas,
o equipamento e a farda na refrega, contanto que saia vitorioso e coberto de
glória? Que importa, àquele que tem fé no porvir, deixar
a vida no campo de batalha, sua fortuna e sua veste carnal, contanto que sua
alma possa entrar, radiosa, no reino celeste?
04 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - PENAS E GOZOS TERRENOS - QUESTÃO 920
FELICIDADE
E INFELICIDADE RELATIVAS: Perg.920. O homem pode gozar na Terra uma felicidade
completa?
— Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação,
mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz quanto se pode
ser na Terra.
Perg. 921. Concebe-se que o homem seja feliz na Terra quando a Humanidade estiver
transformada, mas, enquanto isso não se verifica, pode cada um gozar
de uma felicidade relativa? — O homem é, na maioria das vezes,
o artífice de sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus
ele pode poupar-se a muitos males e gozar de uma felicidade tão grande
quanto o comporta a sua existência num plano grosseiro.
O homem bem compenetrado do seu destino futuro não vê na existência
corpórea mais do que uma rápida passagem. E como uma parada momentânea
numa hospedaria precária. Ele se consola facilmente de alguns aborrecimentos
passageiros, numa viagem que deve conduzi-lo a uma situação tanto
melhor quanto mais atenciosamente tenha feito os seus preparativos para ela.
Somos punidos nesta vida pelas infrações que cometemos às
leis da existência corpórea, pelos próprios males decorrentes
dessas infracões e pelos nossos próprios excessos. Se remontarmos
pouco a pouco à origem do que chamamos infelicidade terrenas, veremos
a estas, na sua maioria, como a consequência de um primeiro desvio do
caminho certo. Em virtude desse desvio inicial, entramos num mau caminho e,
de consequência em consequência, caímos afinal na desgraça.
Perg. 922 - A felicidade terrena é relativa à posição
de cada um; o que é suficiente para a felicidade de um faz a desgraça
de outro. Há, entretanto, uma medida comum de felicidade para todos os
homens? - Para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral,
a consciência pura e a fé no futuro.